Páginas

7.6.08

Síntese perfeita

Só a Miss Woody é capaz de publicar um post sobre ténis durante a primeira parte do Portugal-Turquia e só eu, certamente, é que o leio durante a segunda.


Navratilova-Graf-Henin?
Pois com certeza...«deixando para trás, felizmente, o lastro da história destinado ao conforto e à projecção dos sonhadores».

(Mas estou com um olho no futebol e Portugal meteu um golo agora mesmo!!!)

A esquerda de 6ª à noite

Foi anunciado um debate sobre o estado actual da esquerda, única razão pela qual parei para ver um programa cada vez menos estimulante. Sem o senhor do lacinho, Ricardo Costa só podia surpreender pela positiva, o que não aconteceu.

António Costa Pinto fez o seu papel e Vitalino Canas esteve, felizmente, um pouco menos igual a si próprio do que seria de temer, depois dos dislates dos últimos dias. Quanto aos dois opositores – Joana Amaral Dias, pelo Bloco, e Paulo Fidalgo, pelos Renovadores – foram isso e só isso: opositores. Fosse o tema do programa «o estado actual da direita», tivessem lá estado um duque do PSD (para não lhe chamar barão) e uma qualquer dama de honor do CDS e os argumentos contra o governo só teriam sido diferentes em alguma terminologia.

Ainda esperei por cinco (vá lá, três) minutos com algum cheirinho a ideologia – mas nem ideologia, nem alecrim, nem manjerico mesmo em tempo dele.

Com este programa «de referência», estamos portanto conversados. E que venham dez «Quadraturas do Círculo».

Praça das Flores












Já muitos se indignaram. Junto-me a eles, assinando por baixo, por exemplo, do que escreve o Zé Neves.

Moro longe, mas sou frequentadora habitual. A realidade ultrapassa, neste caso, toda e qualquer possível ficção.

6.6.08

Em nome da Memória





Em Julho de 2006, o Movimento «Não Apaguem a Memória!» entregou na Assembleia da República um abaixo-assinado com mais de 6.000 assinaturas, que esteve na origem de uma Resolução para a preservação da Memória da Resistência e da Liberdade, que foi hoje aprovada pelos deputados de todas as bancadas, por unanimidade e aclamação.

Entre outras iniciativas, o texto propõe o apoio, por parte do Estado, à criação de um Museu da Liberdade e da Resistência, com sede na antiga Cadeia do Aljube, em Lisboa, e de um Roteiro Nacional da Liberdade e da Resistência de locais ligados à luta antifascista e à revolução de Abril de 1974.

Texto integral da Resolução.

Texto do comunicado da Lusa sobre a aprovação.

O Movimento Cívico «Não Apaguem a Memória!» transformou-se recentemente em Associação, de cuja primeira Direcção faço parte.

Começaram os saldos

SMS acabado de chegar ao meu telemóvel:
«Se Portugal ganhar à Turquia, desconto de 50% em comissões de Bolsa Nacional no milleinniumbcp.pt, no dia 9 de Junho. Ganhe com Portugal.»

E se a Irlanda votar «Não»?

Uma sondagem publicada ontem revela a seguinte evolução, nas últimas três semanas, quanto às intenções de voto dos irlandeses no referendo sobre o Tratado de Lisboa:


- Não: 35% versus 18%
- Sim: 30% versus 35%
- Indecisos: 28% versus 40%


Será pois a Irlanda o árbitro, se não da final do campeonato europeu, pelo menos de um dos seus matches mais importantes – como era de esperar.

A seguir, numa televisão perto de si, no próximo dia 12 - se o futebol a sério o permitir, é claro.

5.6.08

Não e Sim










Ferreira Fernandes, no DN de hoje.

«A distância que vai da quinta-feira, 1 de Dezembro de 1955, à terça--feira, 3 de Junho de 2008, parece ser de cerca de meio século. Mas é muito mais do que isso, é um passo enorme para a humanidade.

Naquele dia antigo, Rosa Parks, findo o trabalho, apanhou o autocarro do costume, na Baixa de Montgomery, no Alabama. Rosa tinha 42 anos, cabelos lisos, usava óculos, era mulata, isto é, negra para os Estados Unidos. Sentou-se num daqueles lugares que os negros podiam usar, enquanto não houvesse brancos para eles. Algumas paragens à frente, entraram mais brancos e, com a naturalidade feita de costume antigo, os negros levantaram-se das suas primeiras filas. Todos o fizeram, excepto Rosa. O motorista não arrancou e veio preveni-la: "A senhora vai levantar-se." Ela disse: "Não, não vou."

Entre esse "não, não vou" e o "sim, nós podemos" do agora nomeado candidato democrata a presidente americano não vai distância nenhuma. E desse nada se fez o tal passo enorme.»

Variações













A história é complicada mas vou tentar resumir.

Um homem casou-se com uma mulher.
A páginas tantas, decidiu mudar de sexo.
Foi obrigado, por lei, a divorciar-se.
Ficaram, portanto, duas mulheres.
Passou a ser permitido casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
A mulher (que já tinha sido homem) e a mulher (que ficou sempre mulher) voltaram a casar-se.

Why not? Não tenho mesmo nada a ver com isso - é lá com (ex-)ele e com elas. Mas são, sem dúvida, muitas questões fracturantes ao mesmo tempo - parem para pensar.

P.S. - Esqueci-me de dizer que tiveram cinco filhos.

A história é contada aqui e conheci-a através da Cristina.

4.6.08

Tiananmen, 4 de Junho de 1989


Para memória - presente e futura


A esquerda unida? (3)












Tentei assistir à festa de ontem no Trindade. Como muitas dezenas de pessoas, fiquei à porta porque os «bilhetes» já estavam esgotados – comício com bilhetes, portanto. Distribuídos antecipadamente a (muitíssimas) personalidades, que já lá estavam dentro ou iam entrando, e a uns tantos anónimos que, de certo habituados a filas de espera em centros de saúde, terão chegado bem antes da hora. À porta, exaltação mais ou menos moderada: militantes do PS de cartão em punho reivindicavam direitos, Helena Roseta acalmava as hostes e encaminhava-as para um espaço alternativo com transmissão em directo, Alegre dizia que nada tinha a ver com questões logísticas.

Um simples telefonema, entre vários possíveis, teria trazido alguém à porta e eu teria entrado – como aconteceu com tantos outros. Não por princípios (onde é que eles já vão?), mas por tédio, vim para casa e assisti pela net. Ao vivo e a cores, terá sido talvez uma festa, no ecrã foi um enfado. Ou nem por isso: fui trocando mails, atónitos e jocosos, com um amigo a muitos quilómetros de distância, o que me permite ter hoje registo de uma ou outra fase lapidar.

O jovem do Bloco fez o seu papel, by the book.
A senhora do Graal foi inenarrável. Entornou cultura em cada aposto ou continuado e fez síntese de crenças e oposições: «O governo diz-se socialista mas não é praticante, como a maioria dos cristãos em Portugal. Porque o Evangelho vivido a sério podia virar o mundo do avesso. Álvaro Cunhal dixit». Aliás, estava ali porquê? Herança monárquica do pintassilguismo? Haja deus!

Manuel Alegre, igual a si próprio, para o bem e para o mal. Grandes frases: «É preciso tirar o Estado da clandestinidade», «Contra o capitalismo, de novo o socialismo», «os valores da esquerda, a esquerda dos valores...». Contundente em relação ao PS que manda? Certamente – estava ali para isso e fê-lo sem pestanejar.

Quem ganhou? Quem poderá ganhar? O Bloco, na minha opinião, como única força mais ou menos estruturada. Quanto mais e quanto melhor reunir, à sua volta, o descontentamento das esquerdas, mais se fortalecerá. Se souber desbloquear-se, o que não é de modo algum garantido.

Quanto ao resto – o futuro de Manuel Alegre, se está ou não a posicionar-se para as presidenciais, se tem hipóteses de..., se e se... –, não sei e, sinceramente, interessa-me realmente muito pouco.

3.6.08

Três Cavacos três

Há dias em que lemos o que não nos importávamos de ter escrito. Hoje, no DN:

«O alegado desinteresse pessoal de Ferreira Leite é mais uma derivação cavaquista do homem (neste caso, da mulher) providencial, que estava ali pela Figueira a rodar o carro e ficou uma década a mandar no País. Não porque lhe apetecesse – que horror! -, mas porque teve de ser (...). Se os portugueses sentirem que Manuela Ferreira Leite tem tanto desejo de liderar a oposição como Amy Winehouse teve de subir ao palco do Rock in Rio, então ela não irá longe (...).

Ora, Cavacos já temos dois: um em Belém e outro, mais desbotado, em São Bento».

Amiguismo, pois certamente

Parabéns na Caixa de Comentários? Neste caso, não só. Muuuuuitos anos de vida, portanto!

Com dedicatória especial para a Shyz.
boomp3.com

1.6.08

No 24 de Abril












Manuela Ferreira Leite tinha trinta e três anos em Abril de 1974. Recordam hoje os jornais que era então assistente no ISCEF, vulgo Económicas, e que não se lhe conhece qualquer actividade de carácter político durante os tempos de ditadura.

Fico sempre inquieta com passados deste tipo em pessoas com responsabilidades significativas e que tenham hoje mais do que cinquenta e cinco ou sessenta anos. No caso concreto, preferia que MFL tivesse pertencido, convictamente, à União Nacional ou ao Jovem Portugal, à Ala Liberal (como Sá Carneiro, Balsemão e alguns outros dos seus correligionários) ou a quaisquer outros partidos ou movimentos, de direita ou de esquerda.

Ela não nasceu numa escondida aldeia do interior, não cresceu em Boliqueime nem tem a desculpa de ter subido na vida a pulso. Mais: viveu os últimos anos do fascismo numa Faculdade especialmente agitada. Lembro, de cor e a título de exemplo, que o estudante Ribeiro dos Santos lá foi assassinado pela PIDE, em Outubro de 1972, e que Francisco Pereira de Moura, que foi certamente professor de MFL e provavelmente também seu colega, foi expulso da universidade e da função pública, em 1973, por ter cometido o terrível «crime» de participar numa vigília pela paz na Capela do Rato.

Passou MFL distraidamente por isto tudo? Parece que sim. Diz-se que só tinha actividade em círculos cristãos. E esses não eram, garantidamente, os dos chamados católicos progressistas - ou eu tê-la ia conhecido.

Quem foi politicamente insensível aos trinta, em tempos de ditadura, dificilmente acertará quase aos setenta, mesmo em democracia.