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9.8.08

Os factos e a verdade

ADENDA (*)














Só vi a sessão de abertura dos Jogos Olímpicos à noite, em diferido. Antes, fui ouvindo e lendo os maiores elogios – à beleza, à tecnologia, à competência, à «melhor de todos os tempos». Com toda a justiça.

Retive há poucos dias, de um livro de Amos Oz, que «Os factos são, por vezes, os maiores inimigos da verdade».

Ontem eles ali estavam, os factos – contra todos os argumentos, avassaladores, imponentes, «quatro horas de um mundo quase perfeito», como escreveu um jornal.

Mas a verdade é que a China de ontem, a dos vários 8’s, é a mesma da véspera. Mas os factos esconderam-na porque se impuseram.

Sobre isto, o silêncio foi hoje ensurdecedor e sê-lo-á certamente nos próximos dias. Na blogosfera, só encontrei um eremita que parece ter dado por isso.


(*) Exactamente: José Medeiros Ferreira, aqui.

Por gelos do Alasca

Glaciar Hubbard


Glaciar Mendenhall (Juneau)

Ver de cima



Pousar e andar






Poças e Riachos





Magnífico? Sem dúvida.
Mas não há nada, mas nada que chegue a
isto.

8.8.08

«Jogar pelos direitos humanos»














Público, 08.08.2008

Václav Havel, antigo Presidente da República Checa
Desmond Tutu, laureado com o Prémio Nobel da Paz
Wei Jingsheng, activista no movimento da democracia chinesa, mais conhecido por ter assinado o documento Fifth Modernization no Muro da Democracia em Pequim em 1978
André Glucksman, filósofo e ensaísta

«A escolha de Pequim para organizar e ser anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2008 foi acompanhada por promessas do Governo chinês de fazer progressos visíveis no que toca aos direitos humanos. Entendemo-las como uma condição cujo cumprimento seria exigido pelo Comité Olímpico Internacional. Era assim que os Jogos deste ano poderiam contribuir para uma maior abertura e respeito pelos padrões internacionais de direitos humanos e liberdade no país anfitrião.

Para que as palavras da Carta Olímpica, que postulam que o objectivo do olimpismo é "pôr o desporto ao serviço do desenvolvimento harmonioso do ser humano, com vista a promover uma sociedade pacífica dedicada à preservação da dignidade humana", sejam cumpridas, é necessário que todos os envolvidos nos Jogos Olímpicos possam saber da situação real na China e apontar livremente as violações dos direitos humanos, em qualquer lugar e altura, de acordo com a sua consciência. Apelamos ao Comité Olímpico Internacional que torne isso possível.

Uma interpretação da Carta Olímpica de acordo com a qual os direitos humanos seriam um tema político que não deve ser discutido nos espaços olímpicos é-nos estranha. Os direitos humanos são um tema universal e inalienável, entronizado em documentos internacionais de direitos humanos que a China também subscreveu, transcendendo políticas internacionais e domésticas, e todas as culturas, religiões e civilizações.

Portanto, falar das condições dos direitos humanos não pode ser uma violação da Carta Olímpica. Falar de direitos humanos não é política; só regimes autoritários e totalitários tentam equipará-los/transformá-los em política. Falar de direitos humanos é um dever.

Estamos preocupados com o facto de que os Jogos Olímpicos de Pequim possam simplesmente tornar-se num espectáculo gigante que distraia o público internacional das violações de direitos humanos e civis na China e noutros países significativamente influenciados pelo Governo chinês. Portanto, vemos como celebração digna dos ideais olímpicos não só nos desempenhos desportivos, mas também na oportunidade de expressar atitudes cívicas. Apelamos a todos os participantes dos Jogos Olímpicos de Verão em Pequim que usem essa liberdade para apoiar aqueles cujas liberdades, mesmo no momento dos Jogos, lhes são negadas pelo Governo chinês.»


Exclusivo PÚBLICO/Project Syndicate, 2008
(Realce meu)

Ciber-manifestação virtual em Pequim


Organizada por RSF, contra violações de direitos humanos.

Veja / participe agora.

(Conhecido aqui.)

O melhor russo

A Rússia está também a organizar o concurso televisivo sobre os seus Grandes, com as mesmas patetices que todos os outros.

«Os dois candidatos mais bem colocados na "maratona" são duas figuras do passado russo, completamente antagónicas: o líder comunista Joseph Estaline e o último czar, Nicholas II.»

Mas vale a pena recuar trinta anos: seria então possível imaginar os russos a escolherem entre Nicolau II e Estaline?

Sejamos portanto optimistas já que a realidade ultrapassa a ficção. Pode ser que, daqui a umas décadas, outros amanhãs comecem realmente a cantar um pouco por todo o mundo...

7.8.08

Amor sem facadas

«Qualquer homem, quando se sente realmente feliz no amor, cedo ou tarde confessa – ou em algum momento o pensa – que não sabe como conseguiu conquistar a sua mulher. Logo, ser abandonado por essa mulher não é mais do que o esperado e ninguém deve desatar às facadas pelo restabelecimento da ordem natural das coisas, por maior que seja a sua frustração ou raiva. O truque, em suma, é olhar para o momento da separação não como um pico de imenso azar e sim como o fim de uma longa sorte.»

Lido num novo blogue - muito discreto.

Cada povo tem a Lady Di que merece

Comunaquizz?

6.8.08

Canções na memória (XVI)












Johnny Cash, 1950
Folsom Prison Blues
I hear the train a comin'
it's rolling round the bend
and I ain't seen the sunshine since I don't know when,
I'm stuck in Folsom prison, and time keeps draggin' on
but that train keeps a rollin' on down to San Anton..
When I was just a baby my mama told me. Son,
always be a good boy, don't ever play with guns.
But I shot a man in Reno just to watch him die
now every time I hear that whistle I hang my head and cry..

I bet there's rich folks eating in a fancy dining car
they're probably drinkin' coffee and smoking big cigars.
Well I know I had it coming, I know I can't be free
but those people keep a movin'
and that's what tortures me...

Well if they'd free me from this prison,
if that railroad train was mine
I bet I'd move just a little further down the line
far from Folsom prison, that's where I want to stay
and I'd let that lonesome whistle blow my blues away...

Hiroshima

ADENDA (*)

6 de Agosto de 1945


Relógio parado à hora do rebentamento da bomba



Fotos: Museu de Hiroshima, Junho de 2005

(*) Ontem, por um qualquer efeito borboleta, jornais, blogues e telejornais afirmaram que a bomba explodiu às 8:45. Falso: foi às 8:15, como o relógio acima fotografado indica e «prova».

1968 - Jogos Olímpicos no México :
Black Power Salute



Interferências políticas e protestos na história dos Jogos Olímpicos:

1896, Atenas (primeiros JO da era moderna) - Boicote da Turquia.
1936, Berlim – Os JO do nazismo.
1948, Londres – Japão e Alemanha (os dois grandes vencidos da Segunda Guerra Mundial) nem sequer são convidados.
1956, Melbourne – Boicote de Espanha, Holanda e Suíça contra a intervenção soviética em Budapeste e de Líbano e Iraque contra a posição da Austrália sobre o Médio Oriente. A China abandona os Jogos como forma de protesto contra a presença da bandeira de Taiwan.
...

(Publicado também em Caminhos da Memória.)

5.8.08

De Mao aos JO













Este itinerário em vídeo pode ser visto e ouvido mais ou menos distraidamente. Mas merece muito mais.

«Derrière les paillettes olympiques et l’ode du parti à la modernité, il y a une logique de fer. Celle qui oblige tout un peuple à ne pas s’écarter d’un pas, justement, de cette avenue rigoureusement rectiligne qui va de Mao aux JO.»

Lagos canadianos

Eu disse que ia mostrar fotografias que pareceriam folhas de calendário... E sou má fotógrafa.


Lago Louise - o mais famoso



Lago Bow - o mais azul



Lago Moraine - o mais espectacular

3.8.08

1936 - Jogos Olímpicos na Alemanha nazi



Pode ver uma exposição online sobre estes Jogos no sítio do «United States Holocaust Memorial Museum».

(Publicado também em Caminhos da Memória.)

Abençoada cadeira

3 de Agosto de 1968


Recebi hoje, por mail, estas declarações de Salgueiro Maia sobre os cravos no dia 25 de Abril. Quase seis anos mais tarde - que pareceram uma eternidade.
boomp3.com

P.S. - Já depois de publicar este post, vi que o Daniel de Oliveira deu o mesmo título ao seu - é que foi mesmo abençoada a dita cadeira...