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27.9.08

O rei vai nu

Há anos que oiço falar destas histórias de casas distribuídas pela Câmara de Lisboa a amigos e familiares. Sempre me custou acreditar nalgumas delas – precisamente em casos como os que lemos agora preto no branco, não desmentidos ou até confirmados pelos próprios.

É nestes momentos que tomamos consciência do país e da cidade em que vivemos. Há décadas que isto dura, com implicação de todas ou quase todas as cores do arco-íris partidário. E ainda há quem fale agora de tradição para justificar este bodo a não pobres de andares, moradias e palacetes «alugados» a funcionários, filhos, primos e chefes de gabinete. E a artistas e jornalistas.

Repito: eu, que nunca estive próxima de algum destes beneficiados nem da CML, sei isto HÁ ANOS! Quem por lá andava nunca deu por isso? Ou achou normal?

«Saco azul» que «nalguns casos pode constituir crime», terá dito Saldanha Sanches segundo o Público. Esperemos que assim seja, exemplarmente. Algum dia este país há-de ter uma vida decente.

Sous les pavés la rage

26.9.08

Um texto terrível













Passei ontem várias horas a ler o Projecto de Teses do XVIII Congresso do PCP.

Não vou comentar, citar, explicar seja o que for. O que escreveria está mais ou menos dito nos textos de Daniel Oliveira, Oppenheimer e Rui Bebiano.

Apenas um doloroso desabafo. Vivi o serão a ler uma peça de literatura de terror. Uma recuperação assassina do mito mais importante do século XX, que não é pertença do PCP e que temos o direito de conservar no nosso imaginário com cores menos tenebrosas.

Assim nasceu o marcelismo
















Em 26 de Setembro de 1968, exactamente há 40 anos portanto, o nunca assaz recordado presidente Amércio Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano.

Fez nesse dia um discurso, curto e tétrico, cuja «banda sonora» pode ser ouvida aqui ao lado, no Caminhos da Memória. Por razões de ordem técnica, não me é possível pô-la aqui. Mas, como se lia nos velhos guias Michelin, «ça vaut le voyage».

25.9.08

Ainda a propósito de Maria Keil

Na continuação do que já foi noticiado neste blogue sobre o malentendido gerado à volta de uma pretensa querela entre Maria Keil e o Metropolitano, remeto para a leitura de uma carta que o filho de Maria Keil, Pitum Keil do Amaral, enviou a Júlia Coutinho e da qual ela me deu conhecimento por mail.

«Quanto à Maria Keil, no final de uma vida longa de trabalho, merece que a não envolvam em polémicas que não desencadeou, nem vêm a propósito.»

matosinhos tv











Absolutamente a não perder.

Finalmente, ouvi e vi a cara de Pedro Baptista, o grande líder da OCMLP (Perdem-se nas siglas das organizações maoístas? Também eu, mas não nesta porque tive por lá vários amigos.)
Hoje candidato à Distrital do PS Porto, falante que arruma as picaretas de Guterres a um canto.

Outras recomendações:
- Gente da Nossa Terra Galardões (não deixem de ouvir a cantora de ópera)
- A festa de aniversário de Narciso Miranda

Ainda estou de boca aberta.

24.9.08

«Amanhã é um dia importante para a Blogosfera»

Vai ser votada amanhã no Parlamento Europeu uma proposta que analisa o estatuto da blogosfera.

Em vez de repetir o que já está escrito, aconselho a leitura deste post da Mª João.

Viva a decência


Newsletter da Bertrand, recebida em 22/9:
«Nas livrarias, a partir de hoje:
Da autora que mais livros vende em todo o mundo
Juntos para Sempre»




Correcção recebida em 23/9:
«Boa tarde,
Afinal o livro de Danielle Steel sairá apenas em Outubro e o título será O Casamento e não Juntos para Sempre como foi ontem veiculado.
Obrigada e até breve.»

23.9.08

Magalhães somos nós









Mais de 120.000 pinguins magalhânicos
Ilha Madalena (longe de Matosinhos)
Estreito de Magalhães
(Nov. 2003)

Os azulejos de Maria Keil











Não sei se receberam, como eu, mails indignados (contei-os, foram 21), com ou sem petição (que já vai com 2.000 assinaturas), clamando contra o crime que o Metropolitano de Lisboa teria feito ou estaria para fazer destruindo painéis de azulejos de Maria Keil no Metropolitano de Lisboa.

Pois, segundo parece, toda esta vaga de fundo nasceu de um puro malentendido, segundo explica detalhadamente a Júlia Countinho. Vale a pena ler!

Versão tecnológica do jogo infantil do «passa a palavra», em que a internet entrou com todo o seu esplendor.

(Conhecido via Dotecome)

22.9.08

JS – Contra tudo e contra todos

A Juventude Socialista publicou ontem um comunicado onde revela estar contra o PS por este ir votar contra os projectos do BE e dos Verdes e por adiar a discussão do problema para a próxima legislatura, contra o BE e os Verdes por estes não esperarem por um eventual consenso a nível geral e só terem pretendido «destratar» o PS. Finalmente contra si próprio ao retirar, por ser contra todos os outros, o seu anteprojecto.

Não seria muito mais útil para a JS entrar na discussão agora, do lado da barricada onde se encontra (ou seja daqueles que são a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo) do que sair de jogo? Só se vai a jogo com a certeza de ganhar? Não ajudaria assim o próprio PS a ir fazendo o seu caminho? Como é que uma organização, ainda por cima de jovens, não entende que só é possível chegar-se um dia a consensos, em matérias deste tipo, com muitas rupturas pelo meio?

César das Neves x 2

À 2ª feira, no DN, é fatal como o destino. César das Neves, uma vez mais com aquela clarividência que o caracteriza:

«A mais bela criatura de Deus é a liberdade humana, e é essa que gera mais problemas. Deus criou a liberdade da forma mais radical, recuando para deixar outros fazer. Se a liberdade humana avançar para Deus consegue realizar obras espantosas. Menos perfeitas que as que Deus faria sozinho, mas muito mais valiosas por serem feitas por quem não é capaz. (...)
Não é extraordinário que Deus tenha feito o universo e depois essa obra se ponha a comentar o que Ele fez e o que ela é?»


E nós, feitos parvos e estúpidos, a tentarmos entender para onde vamos e a ousarmos comentar umas coisas...



Mas adiante, porque amanhã é que é.
Lá estarei, nem que chovam picaretas.

21.9.08

Este blogue tem pena do Alasca (2)















Tudo é muito recente para os americanos, mas há algumas coisas mais recentes do que outras e o Alasca é certamente uma delas.

Por pouco e a senhora Palin seria russa e estaria talvez a vender matrioskas e bonés de soldados soviéticos e a tirar fotografias a turistas à porta de uma barraca dedicada a Iuri Gagarine. Sim, porque por cá já íamos em D. Luís quando esquimós e antepassados dos governados por Sarah Palin passaram a ser americanos – mais exactamente em 1867.

Terra que ninguém invejava até que, poucas décadas depois, foram descobertas reservas de oiro. E foi já em pleno século XX, quando nós andávamos à procura da praia «dessous les pavés» e Koudelka fotografava os tanques soviéticos em Praga, que surgiu também petróleo.

Agora há multidões e multidões de turistas. E mal pensava eu, há apenas dois meses, quando me deliciei na lindíssima região de Skagway (uma das tais onde apareceu o dito ouro), que tinha lá aterrado uma little Sarah ainda recém-nascida.

O Alasca entra-nos agora pela casa dentro todos os dias, por razões que não merece. Skagway também não e nós ainda menos. Não será mais do que um pesadelo com fim à vista – we hope so.