1.11.08

Tripla acção

No meio de acesas polémicas, deixam-nos por vezes verdadeiras pérolas na Caixa de Comentários.

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E a pedido de um blogger leitor:

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Biografia de um inspector da PIDE - Lançamento

Antes de mais, este blogue agradece ao director do jornal Avante! o facto de lhe ter proporcionado, durante os últimos dois dias, o maior número de visitas de sempre.

Também a autora do livro em questão, e sobretudo a Editora, reconhecerão certamente que a blogosfera lhes ofereceu uma publicidade gratuita que não tinham previsto e que estavam longe de esperar.

Os leitores que por aqui passarem estão todos convidados para o lançamento do livro. (Cliquem na imagem para ler o conteúdo.)



Lá nos encontraremos. E aqueles que ainda sonham com as verdadeiras utopias vão certamente continuar - como a Irene e uns tantos de nós.

Boomp3.com

31.10.08

Continuando...


Recebido por mail, como complemento do post imediatamente anterior a este.


(Para aumentar, clique na imagem)

30.10.08

«Avante!»: um pouco de rigor, se não der muito trabalho

ADENDA (corrigida):
O Avante! de hoje foi retirado e reposto o da semana passada. Por esse motivo, o link deste post não funciona. Mas tenho o texto e trancrevo-o na íntegra (*).
31/10, 14:00 - O Avante! de 30/10 voltou a estar online.
31/10, 20:20 Não está online.


@rabiscos vieira
Via Arrastão

José Casanova, director do Avante! Publica hoje um artigo de opinião sobre o recente livro de Irene Pimentel: Biografia de um Inspector da PIDE. Fernando Gouveia e o Partido Comunista Português. Passo a citá-lo:

«Lendo a entrevista-anúncio deste novo livro (DN, 27/10), tudo indica estarmos perante mais um trabalho inserido na operação em curso visando o branqueamento do fascismo.»

Faço apenas notar o seguinte: alguém com as responsabilidades de José Casanova escreve um texto, com mais de 3000 caracteres, a partir de frases tiradas de uma entrevista de jornal, sobre um livro que está nas livrarias há muitos dias. Lamentável: ou tinha lido ou esperava uma semana e publicava um texto decente no próximo número do jornal.

Eu, que já li o livro, penso que este tem, entre outros, o grande mérito de fazer entender melhor como a PIDE funcionava, política e operacionalmente, através da biografia de um dos seus mais importantes agentes. O PC até devia estar agradecido, mas Irene Pimentel arrasta com ela o enorme «pecado» de não ser, nem nunca ter sido, militante daquele partido.

Acusá-la de alguma vez ter branqueado o fascismo é, no mínimo, absolutamente ridículo.


(*) Artigo de opinião de José Casanova, lido hoje no Avante! online e entretanto desaparecido:

Tem dias

«Biografia de um Inspector da PIDE – Fernando Gouveia e o PCP», é o título do novo livro da historiadora Irene Flunser Pimentel (IFP) – que há cerca de uma ano publicou uma «História da PIDE», então amplamente divulgada e elogiada pelos média dominantes.

Lendo a entrevista-anúncio deste novo livro (DN, 27/10), tudo indica estarmos perante mais um trabalho inserido na operação em curso visando o branqueamento do fascismo. Operação multifacetada, envolvendo historiadores das mais diversas áreas, uns assumindo-se claramente de direita, outros reivindicando-se de esquerda, mas todos armados da esponja e da lexívia necessárias ao branqueamento; todos, partindo da conclusão de que em Portugal não existiu fascismo – e, assim, todos deturpando e falsificando o papel singular desempenhado pelo PCP na luta contra o regime fascista.

Ao contrário do que diz o entrevistador de IFP – João Céu e Silva –o aparecimento desta Biografia era esperado: com efeito no seu anterior livro, IFP não esconde simpatia, admiração - enlevo, até, por vezes – pelo sinistro torcionário Gouveia.

Sintomaticamente, a primeira pergunta feita a IFP é sobre se «não receou que esta Biografia de um Inspector da PIDE se transformasse num branqueamento dessa polícia política».

E sintomaticamente, IFP responde: «Claro que sim», para logo acrescentar, cautelarmente que «não faço a defesa de Fernando Gouveia» - no entanto, admite que «fazer a biografia de alguém é sempre enaltecê-la um pouco» e diz aguardar «com curiosidade» as reacções a este livro...

Enfim, assim se vai branqueando o fascismo.

E assim: recentemente, a propósito da eventual instalação de uma pousada na área do Forte de Peniche, IFP veio a público manifestar, a despropósito, as suas preocupações com o facto, argumentando que «qualquer dia ficamos sem qualquer memória museológica do que foi o fascismo em Portugal».

A preocupação é surpreendente vinda de uma pessoa que considera que em Portugal não existiu fascismo... e ficamos a saber que, para IFP, a existência ou não de fascismo em Portugal decorre dos seus interesses de momento.

Ou seja: tem dias...

29.10.08

Cardoso Pires - agora que o ruído passou







Não fui a nenhuma sessão, não vi nada na televisão, li muito pouco de tudo o que foi escrito para assinalar o 10º aniversário da morte de José Cardoso Pires. Limitei-me a folhear uns tantos livros, alguns ainda com o preço escrito a lápis (40$00, 35$00), outros sem preço mas com dedicatória. E reli umas páginas de Alexandra Alfa.

Agora que a página está virada, e que ele ficará esquecido até uma próxima efeméride, venho pedir desculpa por dizer que também tive a sorte de o conhecer. Que, pelo mais puro dos acasos, almoçámos juntos, perto do Largo do Carmo, no dia 25 de Abril de 1974. Que se apanhavam grandes sustos nesta casa quando ele (que nunca se entendeu bem com automóveis) saía guiando o carro a 20 km à hora, depois de larguíssimas horas de conversa e de uns tantos copos de wkisky. Que se comia bom peixe num barracão em plena praia da Caparica («Tricana» de seu nome, se a memória não me trai).

Só mais um apontamento sobre um episódio passado há décadas. Na mais total das inconsciências, eu julgava então que, para um escritor como ele, a prosa fluía espontaneamente, «ao correr da pena» no sentido estrito da expressão. Daí a minha perplexidade quando, no andar da Costa onde se refugiava, ele ia escrevinhando coisas, aparentemente mais do que banais, que íamos dizendo numa conversa a três. Mostrou-me então longas tiras de papel onde punha palavras, pequenas frases e trocadilhos para mais tarde utilizar. Disse-me também que uma das maiores preocupações, nas sucessivas revisões que fazia dos seus textos, era tirar adjectivos. Mal eu sabia quanto esta conversa, que nunca esqueci, viria a ser-me útil muitos anos depois.

Não sei se estas vivências tiveram ou não uma influência decisiva para que ele seja, desde há muito, o meu autor português preferido. Mas sei, sim, que me dava muito jeito que ainda estivesse por cá. Dez anos de ausência é muito - é tempo a mais.

27.10.08

Dissidências na blogosfera

A propósito de Jugular versus 5 Dias, o que disse no RCP Porto, no passado dia 24, pode ser ouvido aqui.

Outras tribos

Não, não é por engano que utilizo a fotografia do post imediatamente anterior a este. É porque me provoca o mesmo tipo de reacção.

Um sínodo de bispos reunido em Roma fez 55 propostas ao papa, entre as quais esta:

«As mulheres, refere o texto das proposições, “sabem suscitar a escuta da Palavra, a relação pessoal com Deus e comunicar o sentido do perdão e da partilha evangélica”. Neste contexto, deseja-se que “o ministério de leitor seja aberto também às mulheres, para que na comunidade cristã seja reconhecido o seu papel de anunciadoras da Palavra”.»

Suas gralhas: falem à vontade porque eles agora já deixam!

Tribos horrorizadas

«Controlando e elevando os instintos básicos do ser humano, a civilização consegue maravilhas, realizando até impossibilidades práticas, como o casamento, democracia, matemática, ópera ou doçaria regional.(...) Infelizmente de vez em quando aparecem uns políticos que, descobrindo com surpresa aquilo que toda a gente sempre soube, decidem usar a lei para atacar a civilização.
As nossas atitudes perante divórcio e promiscuidade, aborto e eutanásia, pornografia e prostituição horrorizariam até a tribo mais primitiva.»

Acredite que nós também nos horrorizamos, dr. César das Neves. Nas manhãs de 2ª feira - fatal como o destino.

Crise?