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27.12.08

Sem compromisso

Quando os PR’s filosofavam

















Na ânsia mal contida com que esperamos o discurso de Ano Novo de Cavaco Silva, sabe bem recordar o nunca assaz apreciado Américo Thomaz que, em cada 1 de Janeiro, nos brindava sempre com as suas mais profundas reflexões existenciais. Qual crise, qual economia! Filosofia pura e dura.

«Decorreu célere, como os que o precederam, o ano que acabou de sumir-se na voragem do tempo. Outro o substituiu, para uma vida igualmente efémera. Nesta mutação constante, afigura-se haver agora um fenómeno de visível incongruência, pois, quando tudo se processa a ritmo que se acelera constantemente, pareceria lógico que de tal circunstância resultasse um aparente alongamento no tempo e não precisamente o inverso.»
E explicou melhor: «Se sempre o presente, mal o é, se torna logo em passado, nunca, como nos nossos dias, tão evidente verdade pareceu mais evidente.»
1/1/66

Alguém diria melhor?

26.12.08

Ainda...

Shaoshan (China) - fiéis celebram 115º aniversário
do nascimento de Mao













Vaticano (Roma) - fiéis esperam mensagem de Bento XVI

Novos missionários













Em nome da ecologia. Mas será que há pachorra?...

24.12.08

Então até amanhã


















Última hora













Mail acabado de receber:

«É o Natal, porra. As comprinhas para milhares de crianças, cujos nomes já nem sei. Não os distingo. Digo: «Vai perguntar à tua Mãe se podes receber o presente que tenho para ti». A criancinha, ansiosa, corre a puxar a saia de uma das minhas primas, «Ah, é filha de Fulana...», digo eu aos meus botões, enquanto o olhinho vagueia pelos embrulhos à procura do conjunto marcado com o nome de Fulana, entre os molhos das várias primas. A brincar, a brincar, é já amanhã. E ainda me faltam dois ou três molhinhos. As gajas (alguns são gajos) reproduzem-se mais depressa do que os coelhos do Zarco.»

23.12.08

«Me Tarzan, you Jane» - ou o papa com medo de uma Gay Parade na Amazónia?















Bento 16 quis dizer à Cúria Romana - e por tabela ao mundo -, pela 50ª vez, o que pensa sobre esta coisa esquisita que são as relações entre seres humanos. Esforço desesperado mas que já nem é grave, de tão frequente é a insistência.

Os jornais trouxeram o mais anedótico: nós, os bem-amados heterossexuais, devemos ser ecologicamente protegidos como florestas tropicais («já que como criaturas da criação temos escrita uma mensagem que não significa contradição da nossa liberdade, mas condições para a mesma»). Mas há muito mais: sexo e casamento (para toda a vida, pois claro) continua a ser só mesmo de menino com menina (os homossexuais pode sê-lo à vontade mas só em pensamento, não sei se em palavras, em obras nem pensar nisso), que ninguém mude de sexo para não «se emancipar da criação e do Criador», mexer em embriões nunca, a malfadada Humanae Vitae é que vale, etc., etc., etc.

Parece impossível, mas não é - no Século XXI, na Europa, em Roma.

(De incesto não se fala, talvez porque, nesse campo, seria mais complicado explicar como as coisas se passaram lá pela família de Adão e Eva...)

P.S. - Com a mania de ir às fontes, fiz copy/paste do Osservatore Romano de ontem, em italiano, e guardei (no dia seguinte «desaparece» e ainda não percebi onde é arquivado). É que, de tão disparatado, pode ser que este discurso venha a ser uma relíquia histórica. Se entretanto sair a versão em português, substituo. Pus a bold o mais importante.

Novas emigrações

O Jakk tem trinta e poucos anos e trabalha na Argélia. Uma coisa são as estatísticas, outra a vida concreta de jovens qualificados que são obrigados a entrar numa dolorosa «globalização». Por isso vale a pena ler esta espécie de balanço de oito meses de uma experiência bem dura, mas que ele consegue descrever com uma notável distanciação.

«Temos uma das mais estranhas formas de viver...na mais improvável das equações... um português...a trabalhar para uma empresa espanhola...para os japoneses...na Argélia...»

21.12.08

O lado jovial da crise












«Uma tribo mundial de rendidos aos prazeres da vida - e se ela os tem!... - tomou a "mão invisível" de Adam Smith, prendeu-se à letra das palavras e confundiu a ideia de um funcionamento autónomo, harmonioso e automático do mercado com a compreensível ambição de um carteirista num comboio suburbano. Depois, mundializaram esta ideia (com a prévia e sensata cautela de tornarem o mundo seu) e entregaram o nacionalismo, que entenderam já não ter préstimo, ao desespero afectivo de um proletariado que minguava. Conheceram todos os mimos: a Louis Vuitton, o Aston Martin Lagonda e a trufa branca. Fomentaram outros, mesmo que salvos da nossa inveja: o ouro maciço num Rolex e o pequeno almoço no recato de um seis estrelas, no Dubai, com a Céline Dion (e direito a fotografia autografada) - ou seja, tudo o que nos faz pele de galinha.»

Nuno Brederode Santos, hoje no DN.

Santa nostalgia














Dizer-se de alguém que é um nostálgico tornou-se, se não um insulto, no mínimo expressão de um certo menosprezo altivo, no máximo complacência caridosa - para a frente é que é o caminho, para trás fica apenas a história dura e crua e um homem nunca chora.

Sentimento absolutamente universal, e que está longe de ser apanágio dos velhos, a nostalgia foi durante séculos tratada como doença ou identificada com sintoma de depressão. Leio agora que estudiosos a consideram «recurso habitual dos fortes» que a ela recorrem para recuperação de golpes dolorosos. E também que traz felicidade, combate a solidão, ajuda em situações de exclusão social, aumenta a auto-estima e restaura uma atitude positiva de estar na vida.

Nostálgicos de todo o mundo, uni-vos, portanto. Porque se é verdade que, em excesso, pode haver efeitos narcóticos, vale a pena não ficar ao nível do Jingle Bells e do Adeste Fideles.

Fonte


Estes é que são os verdadeiros Grandes Portugueses