18.8.09

Cogitações (6)

«Talvez certas contradições entre a democracia e a existência na vida do espírito sejam de ordem intrínseca. A democracia, que se compromete com uma exigência maioritária, aclama o homem comum. Cujo Deus é, em boa parte do planeta, o futebol. O credo das Luzes, o «melhorismo» do século XIX, que via no ensino de massa a via segura do progresso cultural, revelaram-se em boa parte ilusórios. A promoção da justiça social recuou. (...) Hoje, nas democracias de consumo e de comunicação de massa do Ocidente e do mundo em vias de desenvolvimento, deixou de ser possível separar o liberalismo político e o governo representativo do capitalismo. Houve esforços ardentes na busca de uma «terceira via». Um capitalismo humanizado e socializado obteve triunfos esporádicos em certas regiões bucólicas como a Escandinávia e a Suíça. Mas nas democracias pluralistas maduras é o dinheiro que impera. No sentido neutro e próprio do termo, as relações de poder são as de uma plutocracia mais ou menos dissimulada. O dinheiro exulta na sua omnipotência grosseira. Introduz-se em todas as frestas da existência pública e privada.»

George Steiner, Os livros que não escrevi, pp.282-283.

7 comments:

F. Penim Redondo disse...

Tenho seguido as tuas "cogitações" e felicito-te pela excelente selecção.

Infelizmente as felicitações não podem estender-se ao resultado que extraiste delas (pelo menos por enquanto).

Acho que, depois disto, me vais rogar uma praga.

Joana Lopes disse...

Cogitações são isso mesmo: «cogitações» - não necessariamente prenmissas de onde se tiram conclusões...

AGRY disse...

No link, que se segue, esconde-se um selo, que é seu. Passe por lá, sff
http://agrywhite.blogspot.com/2009/08/premio-master-blog.html

Joana Lopes disse...

Muito obrigada pelo selo - amanhã, trtarei do assunto.

CristinaGS disse...

E eu que ainda o tenho por ler... :)

Joana Lopes disse...

Não me diga nada, Cristina: vim de Paris carregada e, para já, só procuro espaço em prateleiras...

CristinaGS disse...

os meus começaram a invadir o armário da roupa, mas é um vício (ainda impune, como escreveu Michel Crepu) lá isso é