24.9.09

Sem salamaleques

















Bem pode o PS dizer que nada está garantido (faz o seu papel), mas já nem Pacheco Pereira deve acreditar que Manuela Ferreira Leite pode vencer estas eleições. Parece certo que o PS ganhará, sem maioria absoluta.

É portanto altura de os indecisos ou tresmalhados assumirem que só eles sabem o que é «útil» e para quê. Quem ainda se sentia obrigado a votar PS com medo da direita pode agora contribuir, sem temores nem fantasmas de remorsos, para o reforço da presença do BE ou do PCP (eu «reforçarei» o Bloco) na AR. O próprio PS, a longo prazo, ficará agradecido.

Pode estar à vista – espero que sim - um tempo interessante e decisivo para a nossa maturidade democrática.




Sérgio Godinho, Até Domingo que vem

10 comments:

jose disse...

1 - Esse argumento infantil e quase criminoso só conduzirá à eleição de Manuela Ferreira Leite.

2 - Desconhecia-a estalinista! Credo!

Joana Lopes disse...

1-Já não vale a pena acenar com o papão da direita.
2-Não sou estalinista - e por acaso nunca o fui, ao contráro de muitos que hoje defendem «estalinisticamente» o PS.

António P. disse...

Tresmalhados !!??? francamente Joana mas somos gado ?
Cumprimentos

Joana Lopes disse...

1 - Eu digo, muitas vezes, a propósito de mim própria, que sou «tresmalhada» - sem qualquer intenção de ofensa, portanto.
2 - E o António é que não o é, seguramente...
Abraço

Rui disse...

Polegar para cima, Joana.

Joana Lopes disse...

Obrigada, Rui. Continuemos.

Anónimo disse...

Com o mesmo sentido que suponho na lúcida glosa de Marx – a religião é o ópio do povo – e naquela não menos lúcida que um século mais tarde Aron lhe contrapôs – o marxismo é o ópio dos intelectuais – parece-me hoje legítimo dizer: o voto é o ópio dos democratas.

É o comentário que se me oferece, a propósito desta burla que vai dando pelo nome de democracia, e em que ciclicamente somos convidados a participar. E, nesta peça, em que o nosso breve momento de glória se limita a escolher, jamais a fazer, vão continuando a existir coreógrafos que nos vão tentando convencer – ainda com notável sucesso, convenhamos – de que é através do voto que afirmamos o nosso papel de actores sociais; quando, em boa verdade, não passamos de figurantes enganados e de enésimo plano.

nelson anjos

Joana Lopes disse...

Nelson,
«O voto é o ópio dos democratas?» Não subscrevo. Uma coisa é não gostarmos, não nos conformarmos mesmo com o sistema em que vivemos, outra é ausentarmo-nos dele. O futuro nunca será construído apenas por resistentes passivos, embora estes tenham todo o direito a sê-lo e exercê-lo.
Julgo que tudo isto será muito diferente visto a partir de Angola, mas acredito até que esta campanha eleitoral, apesar de todo o folclore, foi bem mais útil, e até pedagóciga, do que é habitual.

Anónimo disse...

Joana

Não me parece que qualquer mudança de fundo, que os tempos vão tornando cada vez mais necessária, venha a ser decidida na urna, a cuja clausura os sentidos mais nobres associados à ideia de democracia têm vindo a ser condenados.

Penso que o homem é já suficientemente adulto – e onde ainda o não é o incentivo principal deverá ser no sentido de que o seja – para aspirar a um nível de intervenção que não se limite apenas, e menos ainda principalmente, a escolher; mas antes, a fazer. Quero eu dizer, a participar.

Claro que não tenho nada contra o voto, quando entendido apenas como método técnico de decisão, lá onde tal for necessário; mas nunca como o clímax orgástico da democracia.

Penso até que, mesmo Péricles, associaria já outros desígnios à ideia de democracia e que nós vivemos ainda num estádio, como direi?, de democracia bárbara.

nelson anjos

Jorge Conceição disse...

Não entendo porque é que o Nelson Anjos situa a actividade democrática numa dicotomia: votar ou fazer. O que opõe estas duas atitudes? Não posso votar e também fazer? A acção cívica obriga a opção: ou voto ou faço? Não posso exercer estas duas actividades? Como dizia um outro (não gosto de citar personalidades...) "quem sou eu se não participo?" Acho que ele tinha razão aqui, embora sejamos livres de não participar, como a Joana diz. Mas posso participar votando e intervir na sociedade do(s) modo(s) que achar mais adequado(s) às minhas capacidades, seja integrando associações cívicas, ou partidos, ou tertúlias, ou orgãos de informação, ou..., ou..., ou.... etc..