28.2.09
Espinho (3)
À margem do Congresso mas nem tanto assim:
Índice de relacionamento entre os líderes do PS e PSD desde 1985
Desenvolvimento aqui.
Índice de relacionamento entre os líderes do PS e PSD desde 1985
Desenvolvimento aqui.
Espinho (2)
Acabou um dos tabus: Manuel Alegre não vai passar o resto do fim-de-semana em Espinho. Os jornalistas vão comentar agora este não-facto durante uma hora.
O que resta: adivinhar se Sócrates já tem cabeça de lista para as europeias. Este segundo tabu vai durar provavelmente até amanhã - e é bem mais interessante.
O que resta: adivinhar se Sócrates já tem cabeça de lista para as europeias. Este segundo tabu vai durar provavelmente até amanhã - e é bem mais interessante.
Espinho (1)
É impressão minha ou o Congresso do PS está a fazer uma propaganda excelente ao Bloco de Esquerda?
27.2.09
Depois dos cigarros o vinho?

Animada a discussão em França, onde um relatório de 2007, agora desenterrado, agita as discussões na blogosfera.
«O risco de cancro aumenta com a quantidade de álcool absorvida e torna-se significativo a partir do consumo de um copo por dia».
Nem um copito / dia, portanto? Longe irão os tempos em que era recomendação para combater o colesterol. Restará a escolha entre morrer de cancro ou de um enfarte, o que é no mínimo animador... Ou simplesmente viver, porque não há nada que dê morte mais garantida.
Se isto para os franceses já é grave, quando a Europa descobrir o dito relatório, lá vêm proibições por aí abaixo! Mas será que há pachorra?
(Fonte)
Ó pátria, sente-se a voz

Mais um canal de informação – a TVI24, depois da SIC N e da RTP N. Estão todos a dar notícias ou a pedir opinião aos portugueses. Fiz zapping por várias estações de rádio – tudo a conversar com ouvintes.
Primeiro: será que todos estes muros de lamentações «fazem bem» aos corpos ou às almas? Funcionam como catarse? Ou, pelo contrário, cultivam desgraças e desistências? Deprimente, no mínimo – digo eu.
Além disso e aqui a minha alma pasma. Quem é que ouve tudo isto, sobretudo durante a manhã? Reformados? Desempregados? Estudantes ensonados? Quem trabalha nos turnos das 16 às 24h? Camionistas? Há ainda que contar com os que estão na praia e com os outros – milhares – que, nos escritórios, procuram sites apelativos ou estão a ler e a escrever em blogues e a mandar bocas no Twitter, no Facebook ou no Hi5. É muita gente, não?
Isto há-de ir. Como e para onde não sei, mas certamente com uma enorme originalidade.
26.2.09
O Twitter é comparável ao telefone?

Paulo Querido, guru neste domínio e em muito outros, diz que sim e explicou porquê em entrevista à RTP.
Recebo tantos mails e telefonemas de não-utilizadores, intrigadíssimos com este novo brinquedo a que muitos nos rendemos, que aconselho o visionamento deste vídeo. Ajudará? Certamente. Mas, no Twitter, talvez mais do que em outras áreas, é mais fácil experimentar do que receber muitas explicações.
(Encontrado aqui, via Twitter.)
PCP dixit
Tinha acabado de ouvir o discurso de Obama e de escrever umas linhas sobre o mesmo, no post imedatamente anterior a este, quando cheguei ao Editorial de Avante! de hoje.
Isto serve para quê?
«A situação económica agrava-se a tal ritmo e em tal profundidade que quase pode dizer-se que nada do que de mau possa vir a acontecer é imprevisível.»
P.S. - Quando consultei o Avante! esta manhã, ainda estava online o número de 19 de Fevereiro e não o de hoje. O link está agora corrigido (mas pode deixar de funcionar).
Obama dixit
Vale pena ouvir este excerto do discurso feito perante o Congresso. Positivo, optimista, motivador. A América no seu esplendor, para o bem, provavelmente com um certo entusiasmo irrealista, mas que ajuda certamente a enfrentar o que aí está e, mais ainda, o que ainda estará para vir.
25.2.09
O problema é que o ridículo não mata

A propósito da anunciada canonização do «nosso» condestável, a Associação Ateísta Portuguesa enviou ontem um Comunicado à imprensa. Merece ser lido na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos:
«...Deus podia mais facilmente ter evitado os salpicos de óleo que atingiram o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, e a consequente “úlcera da córnea, uma coisa gravíssima” – segundo o cardeal Saraiva Martins –, do que ter de a curar para o beato virar santo. Um vulto histórico, da dimensão de Nuno Álvares, não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular quando há tantos amputados a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e era mais relevante para o seu prestígio.»
E mais a sério:
«A Associação Ateísta Portuguesa não será cúmplice, com o seu silêncio, da manobra obscurantista em curso e, por isso, a denuncia. Apela ao espírito crítico dos portugueses para não crerem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade.»
De facto, muitos brincámos com o anúncio desta canonização, o nosso PR congratulou-se (em nome dele e da sua esposa, assim o esperamos), os espanhóis já esqueceram Aljubarrota e a RTP vai certamente enviar Fátima Campos Ferreira a Roma para comentar as cerimónias. Mas este culto do obscurantismo e de um patriotismo serôdio é muito mais prejudicial do que parece – e merece ser sistematicamente condenado.
Courbet na rádio
De um ouvinte, num Fórum de opinião:
«Acho bem que mostrem aquilo p’ra ver se os paneleiros sabem o que é bom.»
Não li nada de parecido na blogosfera...
«Acho bem que mostrem aquilo p’ra ver se os paneleiros sabem o que é bom.»
Não li nada de parecido na blogosfera...
Gmailer me confesso

A meio da manhã de ontem, 113 milhões de humanos ficaram sem acesso ao correio electrónico. Parece que ainda não foi explicada a razão da «desgraça»: entre ataque de hacker ou má actualização do software, o diabo que escolha. Poderá ter sido simplesmente uma maneira hábil de o Google nos mostrar que há dependências maiores do que a da maldita nicotina.
Por cá, foram horas animadas no Twitter, com dicas para se ultrapassar o problema e frases soissante-huitardes e não só: «sejamos razoáveis, peçamos o gmail», «sous les pavés le gmail», «j'écris ton nom, gmail», «gmail in the sky with diamonds»,«o gmail é do povo, não é de moscovo».
Antes isto, em manhã de Carnaval, do que ver, pela 115ª vez, a foto do quadro de Courbet num blogue das redondezas.
P.S. - Afinal foi mesmo phishing.
Minuto Pub
Hoje à noite, a Irene Pimentel e eu participaremos num debate organizado por Le Monde Diplomatique sobre:«Entre Portugal e Espanha: a luta em prol da memória histórica»
Associação O Bacalhoeiro (R. dos Bacalhoeiros, 125, junto à Casa dos Bicos, em Lisboa),
25 de Fevereiro, quarta-feira, às 22h.
Ler detalhes aqui.
N.B. - «Historiadora» não sou - quando muito memorialista amadora e con mucho gusto.
24.2.09
E «no pasa nada»?
O conteúdo deste ofício circula por aí, mas vale sempre a pena ver para crer.
Para a inefável responsável da DREN, a nossa língua não tem segredos. Vírgulas e outras minudências são para quando um homem quiser (mulher, hélas...). Mas nada é comparável à frase com que inicia o último parágrafo:
«Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável...»
(Clique na imagem)

Para a inefável responsável da DREN, a nossa língua não tem segredos. Vírgulas e outras minudências são para quando um homem quiser (mulher, hélas...). Mas nada é comparável à frase com que inicia o último parágrafo:
«Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável...»
(Clique na imagem)

23.2.09
O sindicalismo que não temos

Li há alguns dias um texto sobre o papel que os sindicatos têm e, sobretudo, aquele que deveriam ter e ignoram, que corresponde exactamente ao que desde há muito venho a pensar sobre o assunto (*).
Em resumo e no essencial: «... apesar de passarem mais de 4 meses sobre o começo da crise, os sindicalistas continuam a escudar-se na salvaguarda de postos de trabalho (...), sem contribuírem com soluções, continuam a utilizar a bandeira do combate pós-despedimento, em vez de apresentarem propostas para manter o emprego».
Também, e ao contrário do que se passa em muitos outros países, os nossos sindicatos não se ocupam dos desempregados e, volto a citar, não «mantém um serviço de aconselhamento», não «cuidam de qualificação e requalificação profissional e da recolocação no mercado de trabalho».
Mas não só. «O mundo mudou, as indústrias mudaram, e os Sindicatos têm que mudar. Foi assim em boa parte do mundo, mas em Portugal, no sindicalismo, como nas associações patronais, ficámos agarrados ao passado.». «O problema é encarar de frente os novos sistemas de trabalho, a flexibilidade, as novas polivalências, as novas profissões, os novos horários de trabalho respeitando as cargas de trabalho, no principio de que deve ser o trabalho a adaptar-se ao homem e não o contrário».
Entre nós, estas organizações transformaram-se «na maioria dos casos, em apêndices dos partidos políticos, calendarizando as suas lutas e ou submissões, conforme os interesses destes». Causa ou consequência, o centro da questão passa certamente também por aqui.
Tudo isto me parece de tal modo evidente que só posso aconselhar a leitura do texto na íntegra. O problema é demasiado sério para que lhe passemos ao lado – o nosso interesse não é mais do que um puro dever da mais elementar cidadania.
(*) O autor do texto é António Chora, da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e dirigente do Bloco de Esquerda.
Obama e Sarkozy
Vale a pena ver este vídeo sobre o papel dos cientistas e da investigação nesta fase da vida do mundo. Ele é o resultado de uma montagem, inevitavelmente subjectiva, de excertos de dois discursos, um de Obama em 20/12/2008, outro de Sarkozy no passado dia 20 de Janeiro.
O contraste é tão flagrante que quase dispensa comentários: o primeiro virado para o futuro, directo, com uma calma impressionante; o segundo defensivo, sinuoso, com uma certa dose de agressividade. Até a diferença na postura física fala por si.
Uma estranha sensação de que está ali retratada, também embora não só, toda a distância entre uma nova América e uma certa Europa.
(Encontrado aqui.)
O contraste é tão flagrante que quase dispensa comentários: o primeiro virado para o futuro, directo, com uma calma impressionante; o segundo defensivo, sinuoso, com uma certa dose de agressividade. Até a diferença na postura física fala por si.
Uma estranha sensação de que está ali retratada, também embora não só, toda a distância entre uma nova América e uma certa Europa.
(Encontrado aqui.)
22.2.09
Carnavais

Eu sei que aquilo que o Sol escreve nem sempre se diz, mas fala-se de uma possível «aparição» de Hugo Chávez no congresso do PS. Ele é homem para isso e para muito mais, mesmo que tenha sido o partido e não ele a ser convidado.
A meio do caminho entre Carnaval e Mi-Carême (*), seria melhor do que um tiro no porta-aviões: «passavam» nas votações todas as questões fracturantes, qualquer nome para cabeça de lista às europeias seria distraidamente aplaudido e talvez o Brotas conseguisse uns votozitos para a sua moção.
«Si non è vero» seria certamente «ben trovato».
(*) Ou Micareta, como preferirem.
Help, I need somebody

«Mas já antes disso alguém tinha querido arear as pratas ao brio do pachola português. Ao que parece com origem na Lusa, foi-nos servido o pedido de ajuda a Portugal que Barack Obama terá endereçado a Cavaco Silva (no dia seguinte, foi-nos revelada idêntica diligência junto de José Sócrates). Por vazia que a barriga possa estar, o nosso ego insuflado tomou-lhe os espaços. O episódio demonstra que uma boa educação compensa. A resposta, feita em linha de montagem, do Presidente americano aos telegramas de felicitações das autoridades políticas do mundo inteiro, sendo uma formalidade cortês para todos os outros, era afinal a admissão de que, sem nós, a América soçobraria no mercado do escândalo, do vício e da desregulação dos costumes. E de que os herdeiros políticos do xerife Fontoura levariam Newark a salvar os Estados Unidos. Perante a boa recepção que o facto teve entre nós, o Congresso suspirou de alívio e a Casa Branca abriu Mateus Rosé.»
Nuno Brederode Santos, no DN de hoje.
E, em jeito de brinde, neste Domingo de Carnaval:
«Se na terça-feira for, de facto, Carnaval, então eu alinho: durmo a sesta de fato e gravata.»
21.2.09
Os bispos, again

Os bispos têm todo o direito de dizer publicamente o que pensam e de comunicarem as suas directivas aos católicos. Com a nota pastoral. «Em favor do verdadeiro casamento», ontem publicada, não anunciaram nada de especialmente original em relação ao que era conhecido, mas, no meu entender, voltaram a insistir em conceitos errados e a utilizar expressões no mínimo infelizes.
1 - Falar de «tentativa de desestruturar a sociedade» é fazer um processo de intenções. Como se aqueles que defendem o casamento entre pessoas do mesmo sexo tivessem um projecto específico de destruição do que quer que seja.
2 - Dizer que «a verdade da vida humana assenta na complementaridade do homem e da mulher» é uma frase no mínimo estranha, até porque não se vislumbra uma possível definição de «verdade da vida humana».
3 - Afirmar que a homossexualidade na idade adulta «denota a existência de problemas de identidade pessoal» é uma mera opinião, posta ao serviço de convicções religiosas, o que lhe retira qualquer espécie de autoridade.
Haveria mais a dizer mas penso que nem vale a pena. Não é certamente com textos destes que os bispos alguma vez contribuirão para a construção de uma sociedade realmente «estruturada» e tolerante.
20.2.09
Com dedicatória para uma juíza de Torres Vedras

Sempre ouvi falar desta portaria mas nunca a tinha visto (leiam até ao fim).
Hoje vale pela anedota, mas há sempre uns puritanos à espreita ao virar de uma qualquer esquina. Cuidado com eles porque são certamente os mesmos que fizeram ontem campanha contra o aborto, estão hoje contra o casamento de homossexuais e lutarão amanhã contra a eutanásia. Mesmo que não pareça, com algumas nuances, está tudo ligado. Ou estarei enganada?
(A imagem foi roubada ao casoual.)
19.2.09
Desta vez, talvez se consiga

A comunicação social tem publicitado, nos últimos dias, uma série de iniciativas que visam impedir a destruição de mais um ex-libris da resistência e o movimento «Não apaguem a Memória!» acaba de divulgar um Comunicado nesse sentido.
COMUNICADO
Nos últimos dias têm vindo a lume diversas notícias anunciando a mudança dos tribunais a funcionar na Boa-Hora para o Parque das Nações e a cedência do edifício para «hôtel de charme».
Assim, depois da passagem a espaço burocrático da antiga prisão política do Aljube, da transformação da sede da PIDE em condomínio de luxo, da proposta de fazer uma pousada no forte de Peniche, chegou a vez do Tribunal Plenário de Lisboa. Apesar das boas palavras e resoluções da Assembleia da República, parece não poder haver dúvidas de que a memória da luta antifascista é algo que, para lá de não se querer preservar, se pretende destruir.
Dizem-nos que não é por fazer da PIDE um condomínio, de Peniche uma pousada, da Boa Hora um hotel que a memória da resistência antifascista desaparecerá.
Ora não é o temor de que a alteração física dos edifícios leve ao esquecimento que nos leva a protestar pela sucessiva entrega desses lugares de memória da resistência a projectos imobiliários. O que nos preocupa é o sinal que isso envia às novas gerações, que não viveram a luta antifascista. O que nos preocupa é que a facilidade com que se destroem símbolos lhes comunique uma ideia de desinteresse por uma luta que está na base da democracia em que vivemos, ou, mesmo, de complacência para com a ditadura.
O que nos preocupa é só conseguirmos compreender esse desinteresse pela memória da resistência como um sinal de vitória póstuma da ditadura. Ou seja: como um desinvestimento na democracia. O que nos confunde tanto mais quanto ao mesmo tempo se preparam, com pompa e circunstância, as comemorações do Centenário da República.
Insistimos, por isso, na necessidade de recordar, na António Maria Cardoso, que ali sofreram e morreram diversos antifascistas; de recusar a transformação de Peniche e da Boa-Hora em unidades hoteleiras; de preservar o Aljube e criar, ali, o Museu da República e Resistência.
A Direcção do NAM
(Também publicado aqui.)
(Foto de Ana Vidigal)
Etiqueta e boas maneiras

Saem dos baús as últimas histórias dos ditadores do século 20. A Time divulga hoje uma série de tiques e maneiras de Hitler, reunidas em documentos que serão leiloados, em Londres, no início de Março.
Sabemos agora que estava raramente atento ao que se passava à sua volta durante as refeições, que se distraía e roía nervosamente as unhas ou limpava mesmo o nariz (!...). Era vegetariano (bem me parecia...), comia tantos doces que chegava a ter «transtornos digestivos» e proibia que alguém fumasse à mesa (mau pioneirismo).
Não se terá casado para que as preocupações com a família não interferissem na dedicação à pátria (onde é que eu já ouvi isto?) e diz-se que as suas relações amorosas eram geralmente platónicas (também nós julgávamos o mesmo daquele que nos saiu em rifa e...). Acreditava numa protecção especial da divina providência para com a sua pessoa (enganou-se) e, bem a propósito nestes dias em que não se fala de outra coisa, parece que, afinal, não tinha tendências homossexuais (os senhores bispos podem dormir descansados).
18.2.09
#cpms – «125 minutos com Fátima Campos Ferreira»
Ela não pára: 2ª feira, nos Prós & Contras, 3ª no Casino da Figueira, desta vez em melhor companhia: o cardeal Saraiva Martins. Tema? #cpms, obviamente (*).
Que disse ele? O expectável. Mas gostei desta parte: embora reconhecendo que é o Estado que elabora as suas leis, diz que «neste sector em concreto, é absolutamente necessária uma colaboração sincera, autêntica e eficaz entre o Estado e a Igreja (...) cedendo um bocadinho dos dois lados».
A Igreja estará disposta a ceder em quê? Casamento, sim, mas só para homos que também sejam bi - seria talvez uma boa sugestão. Ou para quem prometa ser homo só às segundas, quartas e sextas. Ou só para loiros. Haja deus...
(*) Sigla usada no Twitter para «Casamentos de Pessoas do Mesmo Sexo».
Que disse ele? O expectável. Mas gostei desta parte: embora reconhecendo que é o Estado que elabora as suas leis, diz que «neste sector em concreto, é absolutamente necessária uma colaboração sincera, autêntica e eficaz entre o Estado e a Igreja (...) cedendo um bocadinho dos dois lados».
A Igreja estará disposta a ceder em quê? Casamento, sim, mas só para homos que também sejam bi - seria talvez uma boa sugestão. Ou para quem prometa ser homo só às segundas, quartas e sextas. Ou só para loiros. Haja deus...
(*) Sigla usada no Twitter para «Casamentos de Pessoas do Mesmo Sexo».
17.2.09
«Ponte Salazar»? Mais papistas do que o papa...
Os ânimos agitaram-se porque o Público dá hoje a conhecer a existência de um site onde foi lançada uma petição para que a actual Ponte 25 de Abril retome o seu nome original. O site, agora mais requintado, conheço-o há muito porque por lá tenho encontrado material precioso para ilustrar muitos posts.
Quanto à petição, recordo que, ao visitar as obras finais da ponte, nas vésperas da sua inauguração, Salazar perguntou:
«As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.» (*)
Respeitem, pelo menos, a clarividência do mestre! É o mínimo... E contentem-se com as séries da SIC.
Ou será que têm saudades da voz do outro? Oiçam-no então.
(*) Franco Nogueira, Salazar, Vol VI, p.200.
Quanto à petição, recordo que, ao visitar as obras finais da ponte, nas vésperas da sua inauguração, Salazar perguntou:
«As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.» (*)
Respeitem, pelo menos, a clarividência do mestre! É o mínimo... E contentem-se com as séries da SIC.
Ou será que têm saudades da voz do outro? Oiçam-no então.
(*) Franco Nogueira, Salazar, Vol VI, p.200.
Prós & Contras no Twitter
O Prós & Contras sobre casamento de pessoas do mesmo sexo foi seguido no Twitter por dezenas, talvez centenas, de pessoas. É um sistema totalmente aberto, como é sabido, onde cada um se expõe como entende. Com um preço a pagar: o de assumir o que escreve.
Assim sendo, aqui fica, sem comentários, o que pensa Pedro Duarte, deputado da Nação, e como o exprimiu, referindo-se a Isabel Moreira (que estava na mesa, defendendo o «Sim»):

(A origem da imagem é esta. Foi-me cedida por mmbotelho.)
ADENDA:
Através de memoria virtual, tomei conhecimento das duas últimas afirmações de Pedro Duarte no Twitter:
«Alguém, ilegitimamente, twittou ontem em meu nome com conteúdos ofensivos, que lamento.
Assim, encerro hoje a minha conta no Twitter até perceber o q se passou.Obg a q/ me avisou e peço desculpa aos visados.»
-----------------------------------------------------
(Só pode «twitar» o próprio ou quem conheça a sua password. )
Assim sendo, aqui fica, sem comentários, o que pensa Pedro Duarte, deputado da Nação, e como o exprimiu, referindo-se a Isabel Moreira (que estava na mesa, defendendo o «Sim»):

(A origem da imagem é esta. Foi-me cedida por mmbotelho.)
ADENDA:
Através de memoria virtual, tomei conhecimento das duas últimas afirmações de Pedro Duarte no Twitter:
«Alguém, ilegitimamente, twittou ontem em meu nome com conteúdos ofensivos, que lamento.
Assim, encerro hoje a minha conta no Twitter até perceber o q se passou.Obg a q/ me avisou e peço desculpa aos visados.»
-----------------------------------------------------
(Só pode «twitar» o próprio ou quem conheça a sua password. )
16.2.09
O muro e o ovo

Haruki Murakami, escritor japonês absolutamente excepcional, com muitas obras traduzidas em português, acaba de receber o prémio literário «Jerusalem Prize for the Freedom of the Individual in Society», durante uma feira internacional do livro naquela cidade.
Disse então:
«Quando fui convidado para receber este prémio, aconselharam-me a não vir por causa da guerra em Gaza. Perguntei a mim próprio se visitar Israel seria a opção mais correcta, se corresponderia a apoiar um dos lados.
Decidi vir (...), falar em vez de ficar calado e eis o que tenho a dizer:
Se há um muro muito alto e muito duro e um ovo que se quebra contra ele, por mais que o muro tenha razão e o ovo não, ficarei sempre do lado do ovo. Porquê? Porque cada um de nós é um ovo, uma alma única fechada num ovo frágil. E porque cada de nós é confrontado com um muro alto – e esse muro é o sistema. (...)
Todos somos seres humanos. Indivíduos, ovos frágeis. Não temos qualquer esperança contra o muro, porque ele é demasiado alto, escuro e frio. Se queremos combatê-lo, temos de nos juntar para conseguir calor e força. Não devemos deixar que o sistema nos controle e crie o que somos, porque fomos nós que criámos o sistema.»
Texto na íntegra aqui (link enviado por Carlos Vaz Marques no Twitter).
De referendo em referendo

É sabido desde o início da madrugada, hora de Lisboa, que o Sim ganhou na Venezuela e que Hugo Chávez tem a futuro do país a seus pés.
Com o barril de petróleo muito barato, uma corrupção mais do que crónica e um clima de violência aparentemente incontrolável, a vida de Chávez não será fácil – muito menos o será a dos venezuelanos. Celebrou a vitória de todos, mesmo daqueles que votaram Não, o que me parece, no mínimo, insultuoso. Falou durante duas horas e todas as cadeias de televisão foram obrigadas a transmitir a sua festa, ficando assim impedidas de dar voz a qualquer tipo de opositor. Recebeu os parabéns de Fidel que o felicitou por uma vitória «incomensurável» (quando 54% é uma medida bem precisa e nem sequer muito espectacular).
Não foi a primeira vez, nem terá sido infelizmente a última, que uma tirania foi democraticamente ratificada - um preço a pagar, mas com sabor amargo, muito amargo.
Uns copitos p'ra esquecer a crise...
Na reunião do G7, o ministro das finanças do Japão foi adormecendo de vez em quando e depois falou:
15.2.09
Cada país tem os Kim-jong-il que consegue

Sócrates foi reeleito ontem secretário-geral do PS com 96,43% dos votos. Há poucos dias, Portas obteve 96,1% no CDS, recentemente o PC escolheu Jerónimo quase por unanimidade (apenas 4 abstenções).
No caso do BE, a moção subscrita por Louçã para a Mesa da Convenção obteve 78,7%. Melhor, melhor... bem me parecia.
14.2.09
Coimbrãs

Sonhando com os amores de Salazar, bem antes das lisboetas – sem nenhum cordão humano para proteger o Choupal.
Espelho meu

Anda por aí mais uma e a Cristina passou-ma – uma das tais correntes desta amada blogosfera.
Se bem percebi, devo enumerar seis características da minha pessoa. Já que o tal Twitter me criou hábitos telegráficos, vai assim:
Apressada (sempre)
Ingénua (já fui)
Persistente (dizem que sou)
Espia (gostava de ter sido)
Poeta (nunca serei)
Asas (gostava de ter)
E assim sendo, segue para outros seis: Alex, Rui Almeida, CCF, Jorge C., Francisco Clamote e CS.
13.2.09
Gestão da crise

Os espanhóis não brincam em serviço e multiplicam-se as ofertas de aconselhamento deste tipo:
«”El despido objetivo por causas económicas es mucho más barato que cualquier otro tipo de despido. En el peor de los casos, la empresa indemnizará a los despedidos con más de 18 años en la compañía con un año de salario. Además, es muy sencillo de llevar a cabo”, señalan en la web, antes de ofrecer por 59 euros más IVA un informe completo de cómo llevar a cabo el proceso.»
Estas ofertas passam também por um blogue de Recetas Anti-Crisis para empresários.
Mas, em paralelo e como seria de esperar, um pouco por todo o lado, aconselhamento dirigido aos trabalhadores.
É impressão minha ou, por cá, todos se lamentam mas em versão «fado amador»?
(Fonte)
12.2.09
Numerologia?

O bicentenário de Darwin e de Lincoln deu para tudo, até para que uma numeróloga me explicasse uma série de coisas que eu ignorava e me fizesse ir à procura de mais algumas.
Até à Astrologia ainda fui em tempos, a Grafologia já deu o que tinha a dar porque ninguém escreve à mão, mas há ainda a Numerologia.
Os números terão qualidades místicas que influenciam a nossa vida (e quem sou eu para duvidar...) e uma soma complicada dos algarismos que compõem a nossa data de nascimento é absolutamente fundamental para explicar comportamentos. Se não me enganei nas contas, sou um 5 – número de fogo, desordem e indisciplina, que faz com que a minha «missão de vida» seja incomodar o próximo, pôr as coisas em causa, promover o progresso e revolucionar o mundo. Não me parece mal. Se tivessem atrasado um pouco a cesariana, já seria toda afectos, paz, meiguice e porto de abrigo.
Ainda ouvi a opinião de dois ouvintes. O primeiro disse que não acreditava na Numerologia porque, caso Cristo tivesse nascido mais cedo, os anos seriam diferentes. Já para o segundo, a culpa terá sido dos sumérios. Também me pareceu correcto.
Nuno Bragança

Morreu com 56 anos, faria hoje 80, mas é-me absolutamente impossível imaginá-lo com tal idade porque o «fixei» na casa dos trinta. De uma colheita anterior à minha, foi sempre reconhecido por todos como de vintage absolutamente excepcional, mesmo antes, bem antes, de A Noite e o Riso por aí aparecer com estrondo.
Errando pelos mesmos meios oposicionistas, os destinos juntaram-nos também em casa de amigos comuns, onde passámos longas semanas de férias, (castamente) separados por uma cortina de chita – nos tais anos sessenta que foram de facto loucos, em plena Serra da Arrábida, sem electricidade e quando um gira-discos a pilhas, vindo da América, fez figura do mais sofisticado robot. Um pouco mais tarde, viria a acampar, no sentido estrito da palavra, no minúsculo apartamento em que o Nuno viveu vários anos em Paris. Confirmo que saía de casa por volta das cinco da manhã para escrever algumas horas antes de iniciar mais um dia de trabalho.
Hoje todos citarão o escritor e muitos recordarão o excelente filme U Omãi Qe Dava Pulus, de João Pinto Nogueira. Prefiro registar o católico resistente, boémio e espartano, fundador de O Tempo e o Modo, membro do MAR (Movimento de Acção Revolucionária), colaborador das Brigadas Revolucionárias, o conspirador por feitio e por excelência - neste caso não tanto A Noite e o Riso, antes Directa e Square Tolstoi.

(Assinatura do Nuno para os amigos)
11.2.09
Nós, «vanguarda desfocada»

Não é de crer que os bispos tentem pôr um milhão de portugueses nas ruas como em Espanha. Recordarão, assim o esperamos, que de lá não vem nem bom vento, nem (bem a propósito...) bom casamento.
Mas ameaçam. O quê? Na prática, tudo fazer para que os católicos não votem em partidos de esquerda, PS incluído se este aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. É só isso – e não é pouco – que aparece de relativamente novo no que ontem foi dito e redito (e hoje já foi amenizado).
Cá estaremos, nós os que defendemos estas coisas esquisitas, «vanguarda desfocada que leva por um caminho antropologicamente errado». Como estivemos na defesa do Sim que deu a vitória no referendo sobre a IVG. Faz hoje dois anos, V. Exas reverendíssimas perderam, lembram-se? O 2-0 está agora para breve. E vão-se preparando porque a seguir vem a eutanásia.
P.S.– Blogosfera e Twitter dispararam em todas as direcções, desde ontem à noite, a sério e a brincar. Mas o título do dia vai sem dúvida para o Pedro: «têm medo que nos seminários as cobóiadas fiquem oficializadas».
Bispos apoiam adopção por homossexuais?
Da página oficial da Conferência Episcopal Portuguesa:«...foi igualmente manifestada a oposição da Igreja à adopção por homossexuais, que não é um “direito de ninguém”, mas uma solução que visa o bem da criança.»
Ou eu não sei português ou está escrito aqui que a adopção por homossexuais é uma solução que visa o bem da criança. Já podiam ter dito...
Se navegassem no mar alto era bem mais perigoso
«Crianças navegam na Internet sem o controlo dos pais.»
E, quase a propósito, leiam este texto do Pedro Marques Lopes.
E, quase a propósito, leiam este texto do Pedro Marques Lopes.
10.2.09
A Convenção do Bloco e o debate na blogosfera – ou a ausência dele

Desde ontem, li pequenos comentários e alguns posts, longos, consistentes e importantes, sobre a Convenção do Bloco. De todas as cores e para todos os paladares – basta ver os nomes dos seus autores: Fernando P. Redondo, João Tunes, Jorge do Nascimento Fernandes, Marina Costa Lobo, Osvaldo de Castro, Paulo Pedroso, Rui Bebiano e Vítor Dias.
Mereceriam, obviamente, um debate entre quem os escreveu e outros que com eles quisesse interagir, debate esse que não existirá. Caixas de Comentários? Certamente (para já até estão praticamente vazias), mas a questão não se esgota aí. Já começaram os links (selectivos, como é hábito e normal), mas, dentro de alguns dias, estes posts estarão mortos. Haverá sempre o argumento segundo o qual o objectivo é que cada leitor reflicta e elabore a sua própria opinião sobre o que lê, mas sou demasiado gregária para que isso me satisfaça.
Tenho a sensação crescente de que os blogues individuais estão cada vez mais individualistas (passe o quase pleonasmo) e mais pesados, exactamente ao mesmo tempo que alguns dos colectivos estão a cair no extremo oposto: posts e posts de conversa entre os diferentes autores, por vezes para além do razoável do ponto de vista do leitor – mas pelo menos discutem e eu gosto.
Porque nunca achei que houvesse no meio qualquer espécie de virtude, não vejo nenhuma solução à vista. Seria necessário uma espécie de metablogue que «convocasse» os autores e lhes propusesse a participação no debate – ideia fantasista para a qual não vejo qualquer hipótese de concretização. Mas tenho pena.
9.2.09
Grande incêndio em Pequim, hoje
(Via Shyznogud no Twitter)
Não sei se é tão importante como o Scolari ter saido do Chelsea, mas aqui fica.
E já que Berlusconi não pode ter filhos, não seria possível exterminá-lo?
Disse-o há três dias, já foi citado em tudo o que é jornal por essa Europa fora:
«Não quero ser responsável pela morte de Eluana. (...) Ela está viva e respira, as suas células cerebrais estão vivas e, por hipótese, ainda pode ter filhos.»
«Não quero ser responsável pela morte de Eluana. (...) Ela está viva e respira, as suas células cerebrais estão vivas e, por hipótese, ainda pode ter filhos.»
Nem tudo depende da raiva ou da pontaria
Manuel António Pina a propósito de um sapato que atingiu o embaixador de Israel na Suécia, durante uma conferência em Estocolmo.«Em matéria de reflexos, os intelectuais estão sempre em desvantagem em relação a iletrados como Bush. Enquanto, num intelectual, estímulos como o aparecimento súbito de um sapato pelo ar têm que ir da periferia ao cérebro, ser aí tratados (desvio-me para a esquerda ou para a direita?) e só depois regressam à periferia sob a forma de reacção, no caso de um cérebro simples a coisa vai directamente da periferia à periferia e a reacção é imediata. O que se provou em Estocolmo foi que um sapato é muito mais rápido que o cérebro de um intelectual.»
8.2.09
Ainda dizem que o Twitter não serve para nada

Aí pelas 2h da manhã, o piu-piu do Twitter disse-me que «o Presidente da República enviou uma mensagem ao seu homólogo da República Popular da China, Hu Jintao, na passagem do 30º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países».
Fiquei também a saber que «Empenhados no reforço de todas as vertentes do seu relacionamento, Portugal e a China estabeleceram uma parceria estratégica global em 2005, a qual tem permitido aos dois países prosseguir uma cooperação mutuamente vantajosa num conjunto cada vez mais alargado de domínios e um diálogo franco e abrangente sobre questões e desafios do nosso tempo».
Adormeci reconfortada, «nesta data tão importante para os nossos dois países», tentando imaginar a excitação de Hu Jintao, a essa hora já em fuso horário operacional, com esta inesperada expectativa de solução para a economia desacelerada do seu país.
(Tudo isto através do Twitter da Presidência, evidentemente, que eu «sigo» e que, orgulho dos orgulhos, também «me segue» a mim!)
7.2.09
«A pé ó vítimas da fome»?

Recebo este panfleto por mail, oiço no Youtube, leio na página oficial que «O hino do PS é a “Internacional”, com letra em português e na versão aprovada pelo Partido.» (Estatutos, art. 2)
Ainda é verdade, portanto! Mas faz algum sentido? Não foi para a gaveta? Ainda se canta?
(Gosto sobretudo daquela parte: «Nunca mais no campo de batalha, Irmãos se voltem contra irmãos».)
Bispo negacionista não pede desculpa
«Un évêque qui a mis en cause l'existence de chambres à gaz dans les camps d'extermination nazis a refusé, pour le présent, de revenir sur ses affirmations, malgré un appel du Vatican.»
Vale a pena ler os argumentos deste... (não encontro substantivos decentes) e aguardam-se os próximo capítulos desta novela.
Vale a pena ler os argumentos deste... (não encontro substantivos decentes) e aguardam-se os próximo capítulos desta novela.
***
P.S. - Aqui, excertos da entrevista que Richard Williamson deu a uma estação de televisão sueca e que esteve na origem da recente polémica.
6.2.09
Então isto não é fundamentalismo?

«O Vaticano convidou Daniel Vasella, presidente da empresa farmacêutica Novartis, para ter uma crónica semanal na Rádio Vaticano. A crónica foi suspensa antes de Vasella se estrear aos microfones. Tudo porque a Novartis fabrica preservativos (...) objecto que vai contra os princípios e a estratégia da Igreja católica em matéria de contracepção artificial.
"Não podemos deixar que surja a mais pequena dúvida sobre a estratégia do Vaticano face à contracepção".»
Bach to Africa
É de Hughes de Courson, o Paulo Pinto enviou-me o mp3 para ilustrar um post num outro blogue, mas fica também aqui.
Malhar com prazer
Cada governo tem o António Ferro que merece.
«Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique.» (A. Santos Silva)
A (des)propósito e directamente da fonte: Edmundo Pedro será entrevistado na SIC N, 4ª f, 11/2, às 22:30.
«Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique.» (A. Santos Silva)
A (des)propósito e directamente da fonte: Edmundo Pedro será entrevistado na SIC N, 4ª f, 11/2, às 22:30.
5.2.09
«Passa Palavra»

Novo site que tem um duplo objectivo:
«1) Divulgar as lutas sociais que ocorrem em todo o mundo, mas nomeadamente em Portugal e no Brasil, e tanto quanto possível mobilizar solidariedades para com os que lutam.
2) Servir de quadro a uma reflexão e a um debate teórico.»
Conhecido através de um dos colaboradores: João Bernardo.
«1) Divulgar as lutas sociais que ocorrem em todo o mundo, mas nomeadamente em Portugal e no Brasil, e tanto quanto possível mobilizar solidariedades para com os que lutam.
2) Servir de quadro a uma reflexão e a um debate teórico.»
Conhecido através de um dos colaboradores: João Bernardo.
Em terras de Chiang Kai-shek

Leio que os finalistas de uma universidade de Chongqing são agora obrigados a fazer um estágio de seis meses, como professores, em regiões montanhosas e com condições de vida complicadas. Impossível não pensar na «reeducação no campo» da velha Revolução Cultural e os estudantes atingidos referem-no e protestam: «Somos de uma época diferente. Não aceitamos ser manipulados como corpos sem alma.»
Um livro publicado pela Academia das ciências sociais, já não vermelho mas agora azul, dá conta de que, em 2009, haverá mais seis milhões de licenciados no desemprego. As razões para as decisões serão portanto outras, mas terá ficado a marca indelével das obrigatoriedades.
Um aparte: passei umas horas em Chongqing, capital da China em tempos de Chiang Kai-shek. Não me lembro de alguma vez ter guardado piores recordações de uma cidade: caótica, feiíssima, com uma poluição devastadora. Ser mandado para o campo talvez seja, neste caso, uma bênção dos céus...
(Fonte)
O triângulo
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então, que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade
Como aliás, em qualquer Sociedade.
(Millôr Fernandes)
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então, que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade
Como aliás, em qualquer Sociedade.
(Millôr Fernandes)
4.2.09
4 de Fevereiro de 1961 - O dia em que Angola começou a deixar de ser «nossa»

Início da luta armada em Angola – Revolta em Luanda, com ataque à Casa de Reclusão, ao quartel da PSP e à Emissora Nacional.
Previsto para hoje o lançamento oficial do novo site sobre a Guerra Colonial.
Há quem considere a VIP uma revista de referência?

Vi por aí alguns bloggers um tanto excitados com as «defesas» prometidas por Fernanda Câncio, na última capa da VIP.
Pena foi que não verificassem que, nas duas páginas que se ocupam do tema, não há qualquer declaração da visada (parece óbvio que nem com ela falaram), mas sim largos excertos de um texto seu, publicado no DN de 30 de Janeiro e republicado no Jugular, bem como cópias de comentários deixados nesse blogue.
Bastava terem folheado – a VIP está bem à vista, numa banca de jornais perto de «vozes»...
3.2.09
Os «Autobuses» – ainda
O presidente da Conferência Episcopal espanhola não faz o caso por menos: pede às autoridades uma protecção especial para as convicções dos crentes porque considera que a campanha não só fere o sentimento religioso de quem apanha o autocarro e constitui um abuso do exercício da liberdade religiosa (o que será então um «uso»?...), como pretende «arrancar a fé do coração dos homens» (arrancar?...).
(Fonte)
(Fonte)
2.2.09
Quando a crise se vive com muitos zeros

Apesar do desemprego, do encerramento de fábricas, de tudo o que vemos e lemos, ainda não realizamos, não acreditamos ou preferimos não acreditar no que, inevitavelmente, acabará por cá chegar. Arrumados a um canto, relativamente longe dos epicentros das grandes decisões, assistimos mais ou menos incredulamente aos grandes dramas, americanos ou islandeses, e refugiamo-nos em acontecimentos que consideramos épicos e que mais não são do que episódios de telenovelas caseiras.
Talvez valha a pena olharmos para a realidade de fora para dentro, vista dos grandes espaços e medida com grandes números.
Ao falar-se do impacto da desaceleração da economia na China, dizia-se há dez dias que cerca de seis milhões de chineses, migrantes dentro no seu próprio país, regressavam ao campo de onde tinham saído em busca de emprego, porque não tinham afinal conseguido encontrá-lo nas grandes cidades ou por terem sido despedidos dos locais onde até agora trabalhavam. Hoje, esse número subiu para vinte milhões – e vinte milhões são dois Portugais! Dizer-se que é um número irrisório quando comparado com a população total do país não diminui em nada o drama, porque cada chinês é uma pessoa que regressa ao campo onde não tem condições dignas de subsistência. (Só comparável ao velho argumento de achar normal que seja na China que há mais vítimas da pena de morte porque existem muitos chineses...)
Enquanto escrevo isto, à minha frente, numa televisão sem som, pessoas importantes discutem o que fez um tio, uns ingleses e uns procuradores. Relevante? Certamente. Mas quase me apetece dizer que se divirtam e que aproveitem enquanto é tempo, porque o recreio já não deve durar assim tanto.
Ter «falado» ou não na PIDE

Nos Caminhos da Memória, começou agora o verdadeiro debate.
Acaba também de ser anunciado que foi posto online um texto de Irene Pimentel: «A Tortura»
1.2.09
Plenitude?
ADENDA (*)
O Público traz hoje como bónus um exemplar da revista Plenitude. Ignorante me confesso até hoje da sua existência, mas vejo que não poupa nem na qualidade do papel nem na variedade dos temas que vão de Ganghi a Brad Pitt, passando por Obama, Sá Fernandes, Gaza e muitos outros – e pela crise, evidentemente. Na capa, um garbosíssimo Pedro Passos Coelho.
Não cheguei a ir buscar uma lupa para ler os nomes de editores, redactores e colaboradores, mas, com algum esforço, o que vi chegou para perceber que não os reconhecia. Por aqui me ficaria se não tivesse lido o Editorial. Intitulado «Certezas», deixou-me verdadeiramente curiosa e perplexa:
«A Plenitude começa o novo ano em viragem plena de propósitos. O frio de Janeiro não congela a vontade e a novidade de Fevereiro não espanta o aprumo. O nosso rumo, iluminado pelas estrelas que se cravaram no olhar, estende-se sedutor aos nossos pés em lençol branco de certezas e de confiança renovada.»
Quando for grande, também quero pensar e escrever assim.
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(*) Informação adicional importante (resultado de contributo de vários twitters): Site da revista que é anunciada aqui.
Distribuída agora gratuitamente, uma vez por mês, por um jornal de referência.
Ler também isto e isto.
Cinco razões para optimismo
«Los pesimistas son serios, realistas y menos dados a desilusionarse por la vida. Los optimistas, en cambio, son ingenuos y por ello más propensos a ser sorprendidos por las malas noticias. Los pesimistas son pensadores profundos y bien informados mientras que los optimistas son superficiales y no entienden bien lo que está pasando.»
Mas vale a pena ler o resto do artigo - pode ser salutar numa manhã de Domingo.
Mas vale a pena ler o resto do artigo - pode ser salutar numa manhã de Domingo.
Se Obama fosse papa

Hans Küng, teólogo suíço actualmente com 80 anos, consultor do Concílio Vaticano II que viveu com o maior dos entusiasmos, foi tendo cada vez mais conflitos com o Vaticano a partir do fim da década de 60. Por ter posto em causa a infalibilidade do papa, foi proibido de ensinar teologia.
Esteve em Portugal em 1967, onde fez duas conferências, uma em Lisboa e outra no Porto, organizadas por uma revista ligada à Editora Moraes. Não me lembro do que disse, mas sim do sucesso do acontecimento: segundo relato da PIDE, destacada para o evento, que vim a encontrar muito mais tarde na Torre do Tombo, teriam participado 1.200 pessoas em Lisboa e 600 no Porto - o que é um número absolutamente excepcional, para a época e para as circunstâncias.
Acontece que hoje reencontrei H. Kung, num artigo intitulado «Se Obama fosse papa», que merece ser lido (*). Nada «meigo», diria mesmo que muito violento nas críticas que faz a Bento XVI: compara-o insistentemente a Bush e critica-o severamente pela recente reabilitação de quatro bispos «arquireaccionários», entre os quais um que põe em causa o Holocausto. «Enquanto o Presidente Obama, com o apoio do mundo inteiro, olha para a frente e está aberto às pessoas e ao futuro, este Papa encaminha-se o mais para trás possível, inspirado por um ideal de igreja medieval, céptico sobre a Reforma, ambígua sobre os direitos modernos de liberdade.»
E, no entanto, diz Hans Küng: «O Papa teria um trabalho mais fácil do que o Presidente dos Estados Unidos ao adoptar uma mudança de rumo. Não tem ao seu lado nenhum Congresso como corpo legislativo, nem um Supremo Tribunal como magistratura. É chefe absoluto do Governo, legislador e juiz supremo na Igreja. Se quisesse, poderia autorizar imediatamente a contracepção, permitir o casamento dos padres, tornar possível a ordenação de mulheres e permitir a eucaristia partilhada com as Igrejas Protestantes.»
Mas porque não acredita que Ratzinger alguma vez venha a ser um Obama, termina com um apelo a bispos, teólogos, párocos e mulheres para que unam os esforços necessários e que digam, eles também: «Yes, we can!».
É um belo texto de um homem que se mantém, há décadas, na primeira linha de lutas, por vezes duríssimas, mas que são as suas e de que nunca quis desistir.
(*) Cheguei ao texto através da MC.
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