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31.3.09

Mas a Constança Cunha e Sá não tem graça nenhuma

Parece que o futuro é dos humoristas pelo menos para os jornalistas americanos. Uma sondagem recente revelou que um terço dos americanos com menos de 40 anos considera que os late shows de John Stewart ou Steve Colbert, substituem, com vantagem, as fontes de informação tradicionais.
Alguns dos episódios do Daily Show sobre a campanha presidencial de Obama tornaram-se objecto de culto, ao ponto de se considerar que podem ter tido uma influência decisiva no resultado (nomeadamente o célebre «Stewart vs Cramer»).

A ler:

Amanhã, numa TV perto de si

O canal História assinala o 70º aniversário do fim da Guerra Civil em Espanha com a emissão de uma série de seis episódios.
Primeiro: amanhã, 1 de Abril, às 21:00.

A propósito, convém recordar estes agradecimentos de Franco a Portugal:

30.3.09

Aterrando em Angkor













Retomo a descrição da viagem que iniciarei dentro de alguns dias.
Vou deixar o Vietname com muita, mas mesmo muita coisa por ver e, quando chegar ao Cambodja, já terá passado bem mais de metade do tempo previsto para a viagem.
Com 15 milhões de habitantes, este país sucedeu ao Império Khmer hinduísta e budista, que dominou a península da Indochina do século XI ao século XIV. Protectorado francês desde 1863, tornou-se independente em 1953, no fim da guerra da Indochina.
A partir de 1967-68, os Khmers Vermelhos, comunistas de inspiração maoísta, fomentam insurreições e, com o apoio da China, desencadeiam uma guerra contra as forças governamentais. Os Estados Unidos intervêm e dominam a situação (1970), mas Pol Pot toma Phnom Penh – em 1975, mais exactamente no dia 17 de Abril, quando nós por cá acabávamos o nosso primeiro mês de PREC... (Por coincidênica, no dia do 34º aniversário dessa trágica efeméride, estarei precisamente em Phnom Penh.)
O que se segue é conhecido: um dos maiores massacres da História, a invasão pelo Vietname quatro mais tarde, a intervenção da ONU no início dos anos 90, o actual julgamento de alguns responsáveis (como o do célebre «Douch»).

Mas, antes de chegar a Phnom Penh, passarei três dias (nada, quase nada...) em Siem Reap para visitar Angkor, sem dúvida um dos parques arqueológicos mais importantes da Ásia. Mais de mil templos, com destaque para Angkor Wat, uma espécie de símbolo do país e a sua maior atracção turística. Por mais que tente imaginar não consigo, as descrições terão mesmo de ficar para alguns posts rápidos feitos enquanto lá estiver (se...).
Mais templos a não perder e também, segundo me dizem, o pôr-do-sol em Phnom Ba Kheng.
Depois, sim, seguirei para a capital – a última etapa...

Horror

Recebi este vídeo por mail. Não sei onde foi filmado, mas é real. Aconteceu. Horrorize-se.

video

P.S. - Entretanto, a Fernanda Câncio já explicou:
«dua khalil aswad, 17 anos, lapidada no iraque (sim, no iraque apesar da ocupação) por ter uma relação com um rapaz de confissão distinta da sua. os rapazes e homens que a matam ao pontapé e com pedras não param de a filmar e fotografar com os telemóveis. para mostrar aos amigos e amigas, para verem mais tarde o testemunho do seu feito. e depois houve alguém que fez este vídeo com música para espalhar pelo mundo, não sei (não sabemos) se para festejar ou para lamentar.»

29.3.09

Peditórios para que não dou












Não só de boas intenções, mas também de acções simbólicas, estão muitos infernos cheios. Por isso, assinaria por baixo este texto de Nuno Brederode Santos:
«É o apagão cívico. Uma hora mundial e ao que parece muito fraterna, em que se empenham sete municípios portugueses (fora os que agora se propõem voluntariamente seguir-lhes o exemplo) e o entusiasmo de alguns ambientalistas – tudo sob o entusiástico patrocínio de quatro multinacionais e a comovida vigilância da EDP e da REN. Por isso, das 20,30h às 21,30h, apagaremos as luzes: nas casas, nos escritórios, nos monumentos. Para irmanar ricos e pobres, aqueles juntam-se a estes durante sessenta minutos, no jovial sacrifício de uma auto-imposta Idade Média (o que é mais exequível e barato - mas sobretudo prudente - do que conceder uma hora de iluminação aos que a não têm).»
Hoje, no DN - sem link porque a mudança da hora (ou terá sido o tal apagão?...) deve ter desorientado de novo a versão online do jornal.

Não desistem, mas não vencerão












Em 50 cidades espanholas, realizar-se-ão hoje manifestações contra a modificação que o governo planeia introduzir na lei sobre IVG – as tais em que será exibido o cartaz que «denuncia» maior protecção para o lince do que para o homem. Entretanto, o governo explica que a nova lei não pretende facilitar mas sim regulamentar as práticas actuais, dando uma especial importância à prevenção de gravidezes não desejadas e à educação sexual.
Tanto as autoridades eclesiásticas espanholas como o Vaticano apoiam as posições dos manifestantes de hoje – o contrário seria de estranhar.
«El presidente de la Pontificia Academia para la Vida del Vaticano, Rino Fisichella, ha invitado este viernes a los obispos a "combatir en primera persona la legislación abortista del Gobierno español" y ha asegurado que tanto ellos como los demás creyentes tienen que "hacerse oír" y "manifestarse públicamente", porque "el cristiano es siempre una persona pública".»
Por estas, e por muitas outras, não consigo entender, nem com muito esforço, os que recentemente defenderam que o papa falava apenas para os católicos quando condenou o uso do preservativo. Se se trata de uma questão interna, que sejam utilizadas as igrejas e os seus canais próprios – não a rua nem, muito menos, a luta contra leis que são para todos. Nenhuma lei «obriga» os católicos a abortar.

A Terceira Noite

Está de cara lavada, mudou de casa e a nova morada é:
http://aterceiranoite.org/
Fica aqui perto, muito perto.

28.3.09

Esta hoje não me sai da cabeça






«Blogues Comunistas»


















Até ontem, julgava que lia alguns Blogues DE Comunistas, mas estava provavelmente enganada. Depois do encontro agora anunciado, espero que definam o que é um «blogue comunista» e que afixem uma vinheta bem visível no Template, como aviso à navegação – ficarei muito mais esclarecida se souber que o que estou a ler vem impregnado de marxismo-leninismo, em articulação concertada com o PCP.

Sou esquisita? Isto é normal? Alguém imagina o que já teria sido escrito se tivesse sido anunciado, por exemplo, um encontro de Blogues Socialistas?

(Fonte da notícia)

27.3.09

Brinquemos então

Shyznogud, que nem só o da é uma criança.

E eu a defender o Magalhães














Claro que defendo porque me irritam atrasos congénitos. E, também, campanhas fáceis de jornalistas desocupados que põem o país em polvorosa porque alguém suspeita que se vendem uns tantos exemplares do dito Magalhães no mercado negro. Transcendentemente importante, pois claro, quando o mundo inteiro foi vendido no mercado negro da alta finança!!!

Já agora: Ferreira Fernandes, hoje no DN.
«Desde que a máquina de tecer foi inventada não deve ter havido maior campanha contra um passo em frente.»
Exactamente.

Prof. por parte da mãe, Dr. por parte do pai

«E se eu me tornasse Doutor antes de todos os outros portugueses? Não me serviria de nada, mas sempre evitaria o asterisco que um amigo colocou no título "Prof. Dr." do cartão-de-visita, esclarecendo, ao fundo, em letra miúda: "Prof. por parte da mãe, Dr. por parte do pai".

De facto, enquanto o ME não oferece também Novas Oportunidades para doutoramentos simplex, posso fazer como tantos outros cidadãos e alistar-me em qualquer "Independente" ou "Internacional" espanhola, comprando a tese, já pronta a imprimir, na Net. Mas, se calhar, optarei por algo mais credível: a "Doctorate Degree" em qualquer assunto (hesito entre Física Quântica e Biologia Molecular, ou então, como o doutoramento que a ex-astróloga de Mitterrand obteve na Sorbonne, em "A situação epistemológica da astrologia através da ambivalência fascinação/rejeição nas sociedades pós-modernas"). Basta-me ir à Net e, em oito dias e "at cheap price", "sem estudar, sem aulas, sem exames e sem ter de pagar um orientador", passarei a ostentar no cabeçalho destas crónicas um respeitável "Prof. Dr.". E serei finalmente levado a sério.»

Inteirinha, a crónica de Manuel António Pina, hoje no JN.

26.3.09

Portanto, aqui é que é a Cochinchina












Fundada pelos khmers (lá vêm eles!...) no século XVII, esta cidade começou por se chamar Prey Nokor e por ser o principal porto do Cambodja, foi anexada pelo Vietname em 1698, ocupada pela França em meados do século XIX.
Estou a falar de Saigão (capital primeiro da Cochinchina e depois de toda a Indochina francesa até 1902), quartel general das tropas americanas a partir de 1954, baptizada como Ho Chi Minh em 1975, quando a Guerra do Vietname acabou e as tropas do Norte entraram na cidade.

Portanto, chegarei a Prey Nokor, Saigão ou Ho Chi Minh, como preferirem, no oitavo dia de viagem. Claro que verei pagodes, templos e rios, mas, por essa altura do campeonato, já confundirei tudo e só os distinguirei mais tarde, quando identificar, em Lisboa, as respectivas fotografias...

Mas há por aqui algo de muito especial – em Cu Chi, nos arredores de Ho Chi Minh, 200 quilómetros de túneis subterrâneos, usados durante a guerra do Vietname para longas e rápidas deslocações que permitiam atacar o inimigo sem ser visto por este.
Contribuíram para o prolongamento da guerra, com correspondente aumento de custos, terão sido fonte de grande frustração para as tropas americanas e, em certa medida, deram uma ajuda para a sua derrota.
As fotografias dos acessos são um pouco assustadoras, mas hei-de pelo menos espreitar...

Até as plantas já sabem tuitar











Um sensor mede o grau de humidade do solo, um microcontrolador interpreta o resultado e transforma-o em informação, esta chega a quem de direito via Twitter. Depois, é regar ou não regar.
Elementar pois com certeza, mas só com o telégrafo não seria tão fácil assim...

Tudo explicado aqui.
(Via Virgílio Vargas no Twitter)

Blogger X (1)

A partir de agora, e em princípio numa base mensal, o «Brumas» distinguirá um blogger.

Para o caso de ainda não terem reparado, o Água Lisa está numa fase notável, com uma relação qualidade / quantidade absolutamente excepcional. Intensificou-se também a participação do seu autor nos Caminhos da Memória.

Por estas razões, e ainda por mais algumas, o JOÃO TUNES é o primeiro Blogger X.

Pormenor, disse ele

Ontem, no Parlamento Europeu, Jean-Marie Le Pen:
«As câmaras de gás foram um pormenor da Guerra Mundial – é uma evidência».

É bom ouvir – entranha-se melhor.


Le Pen recidive à propos des chambres à gaz
envoyé par StrasTv

25.3.09

Literacias, blogues e twitters














Segundo The Guardian de hoje, as crianças do Reino Unido deverão sair da escola primária a saber lidar com blogues, podcasts, Wikipedia e Twitter como fontes de informação e de comunicação. Também, a saber escrever correctamente, à mão e em teclados, e a usar um corrector de ortografia. (Lê-se, à cabeça da notícia, que tudo isto acontecerá em detrimento de outras aprendizagens – por exemplo que deixará de se estudar a II Guerra Mundial ou a época vitoriana. Com mais atenção, percebe-se que é dada flexibilidade aos professores para decidirem quando ensinam o quê.)

Que estas ferramentas tecnológicas estão aí, com uma expansão impressionante, e que é normal que as crianças as dominem, parece indiscutível. Blogosfera e Twitter são hoje indispensáveis para muitos milhões de utilizadores activos e outros tantos de consumidores passivos.

Vem isto também a propósito do que Miguel Esteves Cardoso diz hoje no Público:
«Os blogues estão para os tuitas como os grandes clássicos da literatura para os jornais: parecem longos e difíceis mas têm uma dignidade marmórea que o tempo vai polindo com cada ano que passa.»

Mais ou menos de acordo com a primeira parte da frase, muitas dúvidas quanto à segunda. A cada dia que passa, aumenta em mim a sensação de que a blogosfera, tal como a usamos hoje, não vai necessariamente manter a sua «dignidade marmórea». Isto de armarmos em comentadores sistemáticos de tudo e de todos, jornalistas amadores ou ensaístas mais ou menos elaborados, irá continuar por muito tempo? E os passivíssimos leitores continuarão por aí sem deixar rasto? Nem sei bem porquê, mas olho com uma estranheza crescente para toda esta realidade.

Há um que quer ser «desbaptizado»

Há muito desiludido com o Vaticano, um francês diz que ia tendo um desastre de automóvel quando ouviu as últimas afirmações do papa sobre o uso de preservativos e pretende fazer tudo o que for necessário para se «desbaptizar».
Aí está uma ideia no mínimo original, mas parece que a situação não está prevista e que, quando muito, conseguirá um averbamento no registo baptismal.

«À quoi bon?» - perguntar-lhe-ia se o conhecesse.

Mulheres ao poder?
















Aproximam-se todas as querelas eleitorais que vão desunir-nos, volta à baila a questão das quotas por género na elaboração das listas de candidatos a tudo e mais alguma coisa e regressam os defensores dos argumentos a favor ou contra. Sou a favor – como medida provisória, até deixar de ser necessária, como já deixou de o ser noutras paragens menos abigodadas. Sem lutas passadas do mesmo tipo, ainda não teríamos direito ao voto e precisaríamos de autorização do marido para jogar à roleta no Casino.

Estarão nas listas muitos nomes só porque se trata de primas, vizinhas, amásias ou senhoras das Finanças que dão uns jeitinhos? E daí? Quantos homens não serão apenas primos, vizinhos, donos de casas de alterne ou construtores civis mais ou menos habilidosos? Ou alguém acredita que haja 50 ou 60.000 portugueses politicamente competentes para ser autarcas?

Engraçado seria uma lei que obrigasse a alternância na candidatura a PR – em 2011, só mulheres! Pelo menos afastavam-se desde já todas as especulações quanto à possibilidade de Cavaco não se recandidatar porque lhe treme a mão direita e de Alegre não avançar para a união das esquerdas por ainda não ter decidido se quer ir para Belém ou para a cadeira de Jaime Gama.

Malteses

Aplausos para um belíssimo de texto do João Tunes, com o som que lhe falta.






24.3.09

Por rios e pagodes












Hanoi terá ficado para trás, rumo mais a Sul, de avião, até Hue, na parte central da costa do Vietname. Antiga cidade imperial, um dos centros culturais historicamente mais importantes do país, com uma célebre Cidade Proibida que obviamente não falharei.

Sempre ouvi gabar os rios do Vietname, com ilhas, muita vegetação e monumentos espalhados pelas margens. Vou ver mais um – o Rio do Perfume (belo nome...) – num outro passeio de barco, onde passarei pelo Pagode Thien Mu e pelo Túmulo Minh Mang.










No dia seguinte, verei primeiro Danang, a caminho de Hoi An. Hoi An é uma cidade pequena (cerca de 90.000 habitantes), património da UNESCO desde 1999, porto muito importante do século XVI ao XVIII.

A parte antiga parece lindíssima, há uma estranha ponte coberta - a Ponte Japonesa - e detalhes curiosos no Pagode Phuc Kien.

A não falhar, segundo leio, um mercado. Venderão animais suspeitos ainda vivos, mais répteis do que peixes, como na China? É bem possível.

Continuamos a matar-nos uns aos outros













Embora com tendência para desaparecer do mundo, a pena de morte aí esteve, em 2008, com um número de execuções que duplicou em relação ao ano anterior (2.390 versus 1.138). A boa notícia é que a maioria esmagadora (93%) se concentrou em apenas cinco países (Arábia Saudita, China, Estados Unidos, Irão e Paquistão), o que quer dizer que muitos daqueles que ainda não a aboliram não estão de facto a aplicá-la.

A China continua destacadamente à cabeça deste triste campeonato, com 72% dos casos.

Por mais animadoras que as notícias pareçam – e sejam –, cada caso é uma morte a mais, que nenhum resultado estatístico pode justificar. E a comparação entre 2008 e 2007 não é um bom sinal para os tempos que vêm.

(Fonte) Ver também.


23.3.09

Dear net (4)


Quando o mundo precisa de nanos












O anúncio foi feito no início de 2008, mas só hoje foi apresentado, em Bombaim, «o automóvel do povo indiano», o mais barato do mundo – cerca de 1.450 euros por um Tata «Nano», 100.000 a circular em breve na Índia. Prevista uma versão para a Europa em 2011, possível entrada nos Estados Unidos e triunfo mais do que certo em África, América Latina e Sudoeste asiático.

Conflito com preocupações ambientais? Certamente e não faltam vozes a protestar – porque vai aumentar significativamente o número de carros em circulação e porque ainda não é possível conciliar preços baixos com produtos ecologicamente pouco nocivos.

«O desejo de sair da pobreza é mais forte do que respirar ar puro»? Certamente também. E daí? Seremos nós, os que compramos carros maiores, melhores, mais poluentes, a travar o resto do mundo? No fim da década de 30 do século passado, foi lançado um outro «carro do povo» – o célebre carocha da Volswagen – que, à escala do seu tempo, também democratizou e massificou o uso do automóvel. Mas isso passou-se na Alemanha, na Europa, cá entre nós, quando ainda ninguém falava de ecologia nem comia cenouras e batatas raquíticas mas politicamente muito correctas.

(Fonte - entre outras)

Na «mouche», Medeiros Ferreira

Doutor Mourinho

A tal cerimónia é hoje.
E o «Prós e Contras» desta noite é sobre futebol. Mas porque é que eu não jogo no Euromilhões?

22.3.09

Hà Nội 河内













Claro que o trânsito é caótico em Hanoi, cidade onde vivem mais de três milhões de pessoas (na China seria uma pequena vila...), habitada pelo menos desde 3.000 anos a.c. História acidentada. Recuando apenas até ao séc. XIX, sabe-se que foi ocupada pelos franceses em 1873, dominada pelos japoneses entre 1940 e 1945, reocupada pelos franceses um ano mais tarde. Depois de uma guerra pela independência que durou nove anos, tornou-se capital do Vietname do Norte em 1954 e de todo o país em 1976. Apesar de todas as evoluções dos últimos tempos, garantem-me que mantém ainda um característico «old fashion charme». Sei que verei templos, mausoléus e pagodes. Passearei pela tal parte da velha da cidade e assistirei a um espectáculo com marionetas de água (?...).

Em jeito de preparação para o dia seguinte em que darei um longo passeio na Baía de Halong, cheia de ilhas e de grutas. (Quem já andou pelo rio Guilin, na China, reconhecerá facilmente o desenho das montanhas.) Almoçarei num barco, sabendo que, para o bem ou para o mal, não haverá por ali nada parecido com agentes da ASAE.



Entretanto, já terão passado quatro dias desde a saída de Lisboa. A blogosfera parecerá um pouco fantasmagórica, nem sei como imaginarei o Twitter.

Deve ser do apelido

«As sondagens são uma coisa e o que o povo pensa é outra. Acho que é preciso ter muito respeito pelo bom senso do povo português.»
Elisa Ferreira ao Correio da Manhã.

Afirmação de que a outra não desdenharia.

Diário de Notícias













Alguém pode pedir ao DN que publique um guia turístico para navegarmos no seu novo site? Ando lá há dez minutos e ainda não consegui encontrar o que queria.

21.3.09

It's a long way to Indochina



















A ideia de contar viagens em blogues funciona sempre mais ou menos mal e resulta em meia dúzia de recados, ilustrados com fotos descarregadas à pressa. Quando se está do outro lado do mundo, tudo parece estranho até a blogosfera, há sempre muito pouco tempo livre, um minuto de internet custa por vezes os olhos da cara e as prosas ficam esquisitas sem caracteres portugueses. E se o destino é um dos doze países onde a internet é censurada...

Assim, desta vez, «conto» a viagem antes de partir. Quando lá estiver, confirmo ou desminto... Dento de duas semanas, passarei 24 horas (estou a ser muuuito optimista...) em três aviões e quatro aeroportos – o que não me incomoda absolutamente nada. A Portela terá certamente obras em curso, em Frankfurt conheço as passadeiras e os elevadores quase como os meus pés. Passarei algum tempo em Bangkok, mas nem terei tampo para ir lá fora provar uns gafanhotos, e chegarei finalmente a Hanoi – Vietname, portanto, o 53º país dos meus circuitos turísticos (escalas em aeroportos não incluídas), 5º asiático depois de China, Japão, Índia e Nepal.

As expectativas são grandes e a primeira e excelente notícia é que o meu hotel fica no centro da parte antiga, numa das 36 ruas do Bairro Francês. A primeira saída será num destes simpáticos triciclos, uma das melhores maneiras para conhecer a cidade – dizem-me e eu acredito por experiência semelhante que tive em Pequim. Entre outras coisas verei o lago Hoan Kiem (ou lago da Espada), verdadeiro centro da cidade para os seus habitantes, carregado de história e de lendas.

Leio que Hanoi é uma cidade lidíssima e acredito. Amanhã vou tentar explicar porquê.

Música folclórica tradicional
(Hue & Em por Hurang Lan)







Luzes anti-sono?











Parece que sim, na Assembleia da República, na sala das sessões agora recauchutada. São azuladas e funcionarão uma ou duas horas pela manhã e também depois do almoço (não consigo deixar de pensar nuns aparelhómetros, também com luzes azuis, que existem nos cafés para afastar moscas...)
Várias outras novidades: anti-sísmicas, anti-fogo, anti-bicho da madeira (madeira com minúscula). Nada anti-berros, pelos vistos.

E muitos, muitos computadores que vão servir para tudo e mais alguma coisa. Aí é que eu gostava de ser mosca, sem luzes azuis que me enxotassem, para ver a dimensão da azelhice. Em breve, muito em breve, haverá muita gente a «tuitar» (vai uma aposta?). Mas cuidado com os hackers!!!

(Fonte)

20.3.09

Pelo Choupal

Amanhã, 21 de Março, pelas 21:30
No TAGV, em Coimbra

Espectáculo musical/protesto contra
a construção do IC2
sobre a Mata Nacional do Choupal.





Estará por lá o Miguel Cardina (na bateria), dos Diabo a Sete.

«Um negócio obsceno»

Uma crónica de Manuel António Pina, publicado no JN de hoje.

O autor disse-me que tinha tomado conhecimento do site do «Paço do Duque» através da leitura deste texto. Agradeço a atenção e republico aqui a sua excelente crónica.


Os 38 apartamentos de luxo construídos no edifício que foi a sede da PIDE, em Lisboa («um edifício com história» que, diz a imobiliária, se mostra «novamente orgulhoso da sua herança») estão a ser vendidos convidando os compradores a «reviver tempos de esplendor» e um passado de «luzes a reflectirem-se nas pratas do aparador e nas vestes de gala de cavaleiros e damas».

A suja história de sangue e horror do edifício e os gritos de dor de milhares de portugueses que as «velhas e nobres paredes com um metro de espessura» abafavam, são agora, pelo turvo milagre da usura, uma memória doirada, transbordante de festas e de bodas, e de duques, príncipes e embaixadores. Num país onde o dinheiro compra tudo, até a memória colectiva, os antigos torturadores tornaram-se «copeiros e gentis homens» ao serviço de ricaços e recém-chegados ansiosos por reconhecimento. Bem pode o poeta clamar que «com usura homem algum terá casa de boa pedra» e que «com usura, pecado contra a natureza,/ sempre teu pão será rançosa côdea»; os usurários não têm pesadelos nem temem fantasmas. O esquecimento é o seu «estilo de vida».

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P.S. - Ler também este texto de João Tunes.

Simplex? O que faria se não fosse

Dizem-me que não é fácil passar por todas as etapas necessárias para tirar o tal Cartão de Cidadão - não sei, não fiz a experiência.

Mas vi ontem o olhar perplexo de alguém que tinha acabado de receber o aviso para o ir levantar. Ora leiam, se faz favor.

















Eu nem sei se tudo isto é necessário ou indispensável. Mas penso nos meus compatriotas de Barrancos do Vale de S. Francisco, da Texugueira, ou mesmo de Alguidares de Baixo, e dou por mim a cismar.

19.3.09

Dear net (3)



Borla e capelo












Se há algo que me torça o sistema nervoso, desde sempre, é esta história de doutoramentos «honoris causa». Sei que vem de longe, da Idade Média, mas nós por cá já temos as medalhas do 10 de Junho, que cumprem com vantagem a mesma função. Apetece-me dizer que trabalho é trabalho e conhaque é outra coisa, talvez porque ainda tenho pesadelos recorrentes com a minha tese de doutoramento, que tanto me fez penar.

Ora li hoje, um pouco por toda a parte, que a faculdade que «induca» os nossos desportistas vai consagrar José Mourinho para (sua) honra, por causa da honra ou por honra da causa – tanto faz. Precipitei-me para um título que anunciava contestação por parte de alguns docentes da faculdade em questão e o que leio? Para além de objecções puramente processuais, uns acham que ele é demasiado novo para o título, outros que passou indevidamente à frente de Carlos Queirós (oz), Jesualdo Ferreira e Nelo Vingada. No comments.

A cerimónia será na próxima 2ª feira, durará todo o dia (!...), o nosso PR estará presente (para honra da pátria, no seu caso), Mourinho já chegou a Lisboa para se preparar (?...). E a drª Fátima, futeboleira como é, escusa de procurar outro tema para os P&C dessa noite...

O «Paço do Duque»

Clique na imagem e, por favor, leia o texto até ao fim antes de regressar a este post.






















Acaba de ler a história do prédio situado na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, onde, durante décadas, funcionou a sede da PIDE. É assim que ela é contada no site do empreendimento de luxo «Paço do Duque», neste momento em fase de acabamentos.

Apetecia-me parar aqui – palavras para quê quando a indignação nelas não cabe.

Ninguém obrigava a imobiliária a escrever qualquer história do edifício, mas, ao decidir fazê-lo, correu um grande risco. Porque os novos inquilinos acabarão por saber o resto da história. Quando e como, interessa pouco – infelizmente, já não há grande pressa. Todos aqueles que não aceitaram que um lugar de tal modo ligado à memória histórica da ditadura tenha sido transformado em condomínio de luxo certamente que não se calarão.

Porque à noite, à hora da ceia, nada brilhava – ouviam-se gritos. As luzes não se reflectiam nos pratos do aparador – mantinham-se acesas para que os presos não adormecessem. E até provocavam alucinações. Ninguém envergava vestes de gala, mas sim roupa amarrotada e muitas vezes rasgada pelos actos de tortura.

P.S.– O link para este texto será enviado para o contacto indicado no site: pacododuque@temple.pt

(Publicado também em Caminhos da Memória.)

18.3.09

Salvar os ricos?













Amanhã, 19 de Março, é dia de manifestações um pouco por toda a França, sendo a defesa do poder de compra a principal revindicação dos sindicatos.

Contestação, sim, mas com humor. Um novíssimo movimento, «Sauvons les riches», de jovens «cheios de compaixão», vai interpelar os ricos para os salvar de uma vida «vulgar e triste» - também eles têm direito à dignidade e a vida que levam fecha-os em gaiolas douradas. No cortejo da CGT em Toulouse, estarão representados num carro de «arrependidos».

Mais a sério, no quadro da campanha Europa-Ecologia, este colectivo tem como ambição que se venha a «repartir a riqueza e salvar o planeta», a começar (com o exemplo de Obama no horizonte...) pela luta para que seja imposto um tecto máximo de rendimento individual a nível europeu, o qual não deveria ser superior a 30 vezes o salário médio.

Versão actualizada - e mais bem-humorada - de «Os ricos que paguem a crise»?

(Esperam-se pelo menos 218 manifestações para o dia de amanhã.)

No Twitter for Hitler

Bem me parecia que isto era obra do diabo










«Os preservativos afirmam que a sida não se combate com o Papa.»
(Miguel Marujo via Twitter)

E a minha resposta a uma pergunta que, entretanto, me foi posta no Twitter:
«A sida poderia dizer que o papa (já) não se combate com preservativos.»

Dear net (2)

Bem a propósito do post anterior.

17.3.09

Pizzas, esparguete e globalização

Encontrar um restaurante italiano ao virar de uma esquina é muitas vezes a escapatória possível para turistas, acidentais ou nem por isso.
Quem não trocou um sushi caríssimo e manhoso em Tóquio, um arenque temperado com canela em Estocolmo ou qualquer prato tipicamente inglês em Londres, por um magnífico esparguete à bolonhesa? Quanto não teria dado o nosso PR para trincar um triângulo de pizza na Índia, em vez daquela terrível chamussa picante?

Dizem-nos que abriu hoje a primeira pizzaria em Pyongyang, porque Kim Jong-il quer que «os norte-coreanos tenham a possibilidade de provar as melhores comidas do mundo».
Abençoada globalização! Enfim, com alguns percalços como este, numa esplanada do Dubai.


video

Ils sont fous ces belges

Já que a João trouxe para a blogosfera conversas de serão no Twitter, explico melhor algumas histórias de vizinhanças na Bélgica. Além de ninguém se entender sobre que línguas falar ou deixar falar, aquela gente não nasceu para ter vizinhos.

Sim, confirmo que o regulamento do pequeno prédio onde vivi, em Bruxelas nos últimos anos da década de 80, proibia banhos e utilização de autoclismo depois das 22h. Que os elevadores tinham uma placa onde se lia que crianças com menos de 15 anos (!...) não deviam viajar sozinhas. Que uma vizinha queria que eu entrasse em marcha-atrás na garagem para que os fumos do tubo de escape do meu carro não sujassem o dela. Que era obrigatório ter cortinas «blanc uni» nas janelas da fachada. E que se recordava, no dito regulamento, que os condóminos deviam comportar-se «selon le code bourgeois des bons pères de famille». Percebe-se assim melhor o Jacques Brel, não?

Linces, fetos e mau gosto

















A Conferência Episcopal espanhola não brinca em serviço e acaba de lançar uma fortíssima campanha publicitária contra o projecto de reforma da lei do aborto: outdoors, cartazes e oito milhões de panfletos com a foto acima reproduzida.

Se for aprovada, a nova lei estabelecerá que se pode abortar, sem consentimento dos pais, a partir dos 16 anos e alargará para a 14ª semana o prazo de aborto livre em circunstâncias normais e para a 22ª se o feto apresentar anomalias graves ou se existir perigo para a mãe em termos de saúde.

O novo diploma «protege más al lince o a otras especies en vías de de-saparición que la vida de los no nacidos» - dizem eles. Alguém falou de IVG no caso dos linces?

16.3.09

Salazarices













«A sombra de Salazar (ou o seu cadáver insepulto) circula por aí já não como herói ou carrasco, mas como imagem de marca que vende. "Nem bom nem mau, incontornável!" A contra-imagem custa a sair.»

Não perderão o vosso tempo se lerem o texto de M. Manuela Cruzeiro nos Caminhos da Memória.

Dear net (1)


«Há por aí diferentes queixumes»

... disse o Presidente do Conselho alguns dias depois do golpe das Caldas, numa das suas «Conversas em Família».

Exactamente há 35 anos, em 16 de Março de 1974, uma tentativa falhada acabou por funcionar como balão de ensaio, como uma espécie de último treino indesejado para o 25 de Abril.

Entre as duas datas, ficou célebre um Sporting – Benfica, em que uma grande parte dos espectadores aplaudiu de pé Marcelo Caetano quando este apareceu na tribuna de honra - eu vi, eu estava lá. Certamente muitos que, alguns dias mais tarde, puseram cravos em espingardas e engrossaram a multidão do 1º de Maio.

E daí? Nada. É destas pequenas histórias que é feita a História – de humanos, não de anjos nem de heróis.

15.3.09

A crise quando nasce é para todos

Houve alguém aqui que se enganou














Absolutamente a não perder, um artigo de Ferreira Fernandes, no DN de hoje:
«Então, o tigre revela-se, finalmente, de papel, e o papel revela-se sem cobertura, e a China comunista queixa-se?! (...) Quer dizer, estava o capitalismo a entrar nos costumes dos chineses quando, à traição, ele os deixa, sozinhos, entregues à sua ganância capitalista. Não se faz.»

Do outro lado do mundo, a América profunda cerra fileiras contra o «socialismo» de Obama, uma espécie de Robin dos bosques acusado de querer tirar aos ricos para dar aos pobres.

Não resta pedra sobre pedra.

14.3.09

Dos Monty Python para Isilda Pegado



Com dedicatória para Isilda Pegado que escreveu hoje no Público:

«Desde que foi liberalizado o aborto, mais de 22.875 crianças deixaram de ver a luz do sol, porque foram abortadas. É o número da nossa vergonha! Que seria deste país com mais 22.875 crianças? Quantas salas de aula, infantários e creches não teriam de abrir para estas 22.875 crianças? Quantos professores teriam emprego ao dar aulas a 22.875 crianças? Quanta alegria teríamos ao dar de comer a mais 22.875 crianças?»

Até quando????

Com conselheiros destes...













Segundo o Expresso de hoje, «o que mais convém ao Presidente é que Sócrates ganhe sem maioria absoluta”, o que lhe abriria espaço de intervenção e lhe permitiria arrancar para a recandidatura em 2011 com um novo fôlego e, decorrente de uma vitória socialista, com um PSD recomposto.»

Leio e releio. Um conselheiro de Estado, escolhido pelo presidente da República, interpreta estratégias e tácticas desse mesmo presidente como se estivesse a planear vitórias em jogos de computador. Fala do que «mais convém» a Cavaco para encarar um segundo mandato – sem pestanejar, com a maior das naturalidades, como se tudo isto fosse normal. Algo de novo? Absolutamente nada: há muitos anos que o comentador / professor nos habituou a estas diatribes e continua a ocupar as melhores frisas em todos os teatros.

Quais interesses do país, qual crise?!... Tudo continua excelente, desde que cada um consiga levar por diante a sua santa vidinha, fazendo, em cada momento, apenas aquilo que mais lhe «convém» – mesmo que tenha sido eleito presidente de todos os desgraçados lusitanos.

Um novo Museu

A RTP inaugurou ontem o seu Museu Virtual.
Visita obrigatória, sobretudo à Colecção do Museu.

13.3.09

Uma outra face do tango

Comecem bem o fim-de-semana!

video

Quando é a vida que ganha













Foi notícia há uns meses: um casal espanhol decidiu recorrer a uma técnica de reprodução assistida, que permitiu que tivessem um segundo filho com características genéticas adequadas para que fosse tentada uma transplantação de células num irmão de sete anos, que sofria de uma doença hereditária incurável.

Sabe-se agora que a operação teve aparentemente sucesso e que o bebé, nascido em Outubro de 2008, poderá ter salvo o irmão.

Claro que um bispo espanhol já tinha condenado a operação acusando-a de «fabricar vidas». Claro que o Vaticano nunca a aprovaria. Claro que Mr. Bush também não. Claro.

(Fonte)

WWW

Pois se a World Wide Web faz hoje 20 anos, quem somos nós para não o festejar.

12.3.09

Censura, tentam eles













A organização Repórteres sem fronteiras acaba de publicar um extenso relatório «Internet Enemies», onde são detalhadamente descritas as limitações ao uso da Internet em doze países: Arábia Saudita, Birmânia, China, Coreia do Norte, Cuba, Egipto, Irão, Síria, Tunísia, Turquemenistão, Uzbequistão e Vietname. Essas limitações concretizam-se, sistematicamente, em censura de conteúdos (acabando a internet por funcionar, nesses países, como uma espécie de intranet) e repressão sobre os infractores (segundo os RSF estarão presas, por esta razão, pelo menos 69 pessoas).

Mais difíceis de controlar são as redes sociais como o Facebook ou o Twitter. Aí, a pressão exerce-se por uma verdadeira batalha de comentários, por vezes pagos, para «ocupar» espaço e influenciar opiniões.

Num outro grupo de países, a Internet encontra-se «sob vigilância»: Austrália, Bielorrússia, Bahrein, Coreia do Sul, Emiratos Árabes Unidos, Eritreia, Iémen, Malásia, Sri Lanka, Tailândia e Zimbabwe.

Assim vai o mundo neste «Dia Mundial contra a Censura na Internet».

Que raio de argumento!

«Ó Torres, tens que voltar!»

Será este o Portugal profundo, o país real? Não sei mas, na dúvida, vale a pena ouvir o hino da candidatura de Avelino Ferreira Torres à Câmara de Marco de Canavezes.









(Descoberto através daqui.)

11.3.09

Quando se castiga a vida













Os factos são conhecidos. Um brasileiro engravidou a enteada de nove anos. A menina esperava gémeos, as autoridades eclesiásticas brasileiras tentaram, em vão, impedir o aborto e ameaçaram com excomunhões, Lula da Silva protestou, o aborto foi realizado, as pessoas que nele colaboraram foram excomungadas – o padrasto não o foi, evidentemente.

O Vaticano, na pessoa de um cardeal presidente não sei de quê apoiou o arcebispo de Recife (lembrar-me eu que este cargo já foi exercido por D. Hélder da Câmara!!!...) e veio dizer que os gémeos, «pessoas inocentes», tinham direito a viver.

Nada de novo, nada de inesperado, porque se há algo a que estes senhores que (também) são Igreja nos habituaram foi ao facto de serem sempre absolutamente expectáveis. Não defendem a vida, mas uma ideia de vida, imaginária, «romana», uma espécie de fantasma ameaçador e por vezes medonho, como neste caso concreto. Preferem dar prioridade à vida ainda ausente, problemática, neste caso de dois gémeos hipoteticamente muito pouco viáveis, em detrimento de uma criança de nove anos – real e que viria certamente a ser vítima da sua própria gravidez.

Tudo isto por obediência cega a uma lógica implacável, que não cede um milímetro para não correr o risco de ver implodir todo um sistema. Por uma sabedoria milenar inabalável que resiste até aos limites do absurdo. E que, entre a morte e a vida, escolhe a morte – porque é disso que verdadeiramente se trata.

(Leitura)

Página 161, frase 5











Longe vão os tempos da corrente de S. Judas Tadeu, que funcionava pelo correio e garantia desgraças terríveis a quem ousasse quebrá-la. Ficou-me o jeito, e talvez o medo, que isto de modernices não afasta necessariamente fantasmas.

Agradeço por isso ao Tomás Vasques a passagem de testemunho e aqui fica a 5ª fase completa da pág. 161 de um dos muitos livros que estão à mão de recolher - George Steiner, Os livros que não escrevi, Gradiva, 2008: «Em termos fulgurantes, Amós advoga a marcha dos habitantes do deserto, ascéticos e sem dinheiro, sobre as cidades corruptas e afogadas em riqueza. (Teria Mao lido estas páginas?)»

E aqui vai ela, a dita corrente, para outros cinco:
Ana Cláudia Vicente, Filipa Martins, Lauro António, M. João Pires e Osvaldo Silvestre.

10.3.09

Boris Vian















Soube aqui perto que Boris Vian nasceu a 10 de Março – faria hoje 89 anos.

Li e reli tudo o que havia para ler. Mas, para sempre, ficou gravada a recordação do casamento de um amigo, exilado português algures em Bruxelas, quando Le Déserteur cumpriu a função da mais improvável das marchas nupciais – no final dos tais anos 60, como não podia deixar de ser.





Que bom seria se Angola ainda fosse nossa?













José Eduardo dos Santos está em Portugal, na primeira visita de Estado desde que subiu ao poder há cerca de trinta anos. Viagem com fins eminentemente económicos: em tempo de fundilhos em mau estado e com um novo banco na manga, há que evitar conversas incómodas – real politik ou business as usual, como preferirem.

E, no entanto, todos conhecemos mil histórias de negócios duvidosos e faustas vidas dos governantes desse país riquíssimo, onde a esmagadora maioria do povo é miserável. Onde se mata para roubar um telemóvel. Onde se é preso por escrever ou por falar, como no Portugal colonizador.

A secção portuguesa da Amnistia Internacional dirigiu uma longa carta a Luís Amado, onde declara que «continua preocupada com as violações dos direitos humanos cometidas com aparente imunidade por agentes da polícia em Angola nos últimos meses», ao mesmo tempo que denuncia situações concretas e chama de novo a atenção para o caso de José Fernando Lelo, antigo correspondente da «Voz da América», condenado a doze anos de prisão «apenas por expressar as suas opiniões e as suas críticas ao governo».

Paralelamente, o Bloco de Esquerda anunciou que não estará presente no encontro que José Eduardo dos Santos terá, na Assembleia da República, com Jaime Game e representantes dos grupos parlamentares, tendo declarado que «o Estado Português deve ter relações com Angola, mas não pode desconhecer o que se passa neste país, nem muito menos aproveitar-se dele, assumindo uma visão exclusivamente pragmática com ausência de valores».

Iniciativas «piedosas», ineficazes, puramente simbólicas? Provavelmente. Mas de símbolos também é feita a vida e convém não o esquecer quando são bem mais fáceis solidariedades com causas longínquas e líderes coloridos e carismáticos, do que com estes parentes próximos que, para o bem mas nem sempre, estão aqui mesmo ao virar de uma esquina da nossa história.