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30.4.09

Sala com vista

A minha - e já dura há um mês.


Não, não estamos em 30 de Abril de 1973













Leio no Avante! de hoje:
«Em Portugal, a política de direita, que se instalou, golpe a golpe, após o 25 de Novembro de 1975 (...) veio destruindo todos os grandes avanços e conquistas democráticas iniciadas em 25 de Abril de 1974 e cerrando todas as portas que Abril abriu ao viver colectivo dos portugueses (O realce é meu.)
Portanto, para o autor do texto, estamos praticamente no 24 de Abril de 74 – é isso? Confundir tudo com tudo e usar este tipo de linguagem é fazer objectivamente o jogo da direita que apregoa «mordaças» a torto e a direito. É não ter qualquer sentido do passado, é usar mal e demagogicamente a história e a memória.
30 de Abril de 2009 tem pouco a ver com a mesma data em 1973. Nesse dia, estavam presas dezenas de pessoas (quase 100, se bem me lembro) que a PIDE tinha ido buscar a casa para que não preparassem manifestações (clandestinas). Quanto ao que se passou no 1º de Maio desse ano, passo a citar:
«Em Lisboa, numerosos trabalhadores se concentraram na Baixa a partir das 19:30, sendo brutalmente carregados pela PSP à bastonada, soco, pontapé, do que resultaram dezenas de feridos que tiveram de receber tratamento no hospital, sendo feitas várias prisões.» O resto pode ser lido no Avante! de Maio de 1973 - número clandestino, evidentemente.
Não sei se o autor do texto assistiu a isto. Eu estava no Rossio.

29.4.09

O 25 de Abril e a acção dos militares espanhóis

video

Informação detalhada nos Caminhos da Memória.

Não é a Remax, mas podia ser

O Pedro Vieira (Irmão Lúcia) precisa de vender um andar, pede ajuda blogosférica e até criou um blogue para o efeito (curiosamente, sem nenhum boneco até à data).

E o porco?













«Numa sequência acho que de "Pierrot, le fou", Jean-Paul Belmondo queixa-se a Anna Karina de que os seus olhos, os seus ouvidos e todos os seus sentidos estão em autogestão (a expressão é minha, não de Pierrot-Ferdinand), cada um sentindo para seu lado. Ocorre-me sempre essa cena quando vejo os arautos do relativismo multicultural "condenar" por um lado e "compreender" por outro (assim a modos que Diderot: "Ah, madame!, que la morale des aveugles est différente de la notre!") "especificidades culturais" como a mutilação genital feminina nos países islâmicos ou os não-direitos do homem na China. A mim (mas eu sou um primário), quando algo me revolta o estômago revolta-me também a razão. É assim que certas "especificidades religiosas" me fazem sentir (ao meu corpo todo) dentro de uma peça de Ionesco. E, personagem eu próprio, ouvindo na TV um ministro israelita reclamar que não se diga "gripe suína" porque o porco é uma criatura impura para judeus e muçulmanos, dá-me para o multiculturalismo e para tentar ver a coisa também do ponto de vista do porco: "E o porco, que pensará o porco do assunto?"»

Manuel António Pina, hoje no JN.

João Ubaldo Ribeiro fala com Nelson de Matos

... sobre a recente proibição da venda do seu livro A Casa dos Budas Ditosos nas lojas do grupo Auchan em Portugal.
«Pode dizer aos portugueses que eles não têm nada com isso» – mas coramos um pouco, apesar de tudo...

Vídeo aqui.

28.4.09

Do outro lado do mesmo mundo
















Durante a minha recente estadia no Cambodja, escrevi, a propósito de uma viagem de barco no lago Tonle Sap:
À beira de uma estrada e de um canal, e sobretudo num extensíssimo lago, muitos milhares de pessoas vivem numa situação absolutamente inimaginável. Em barracas sobre estacas ou flutuantes, acumulam-se famílias cheias de filhos e até de animais, sem quaisquer condições de higiene.
Deixo hoje aqui algumas fotos que estão longe de poder dar uma pálida ideia da realidade, talvez melhor apreendida através deste pequeno vídeo.



Vi pessoas beberem a água do lago e é com ela que se cozinha e que se toma banho. Não consegui fotografar, mas também vi, um pequeno curral flutuante com quatro porcos, amarrado à um dos lados de uma casa. Saltavam crianças mais ou menos esfarrapadas de tudo o que era buraco.
Devo dizer que estas imagens ficarão entre as piores que guardo das muitas viagens que já fiz, apenas suplantadas pelo horror que a recordação do Ganges, em Varanasi, me inspira ainda, já a alguns anos de distância. Nesse caso, horror aliado a um sentimento de revolta pelo carácter religioso do que se passa – não fosse eu já ateia quando lá estive e teria certamente vivido o meu último dia de respeito por religiosidades obscurantistas e maléficas. Do Cambodja, vim com a sensação de que a revolta nascerá naquele lago e de que os que sobreviverem acabarão um dia por ter uma vida normal e decente, humanos que são como nós.

A senhora não acerta, porque é que insistem?

«Encruzilhadas da Democracia»





Ciclo coordenado por Miguel Serras Pereira
2ª sessão: Exercício e Concepções da Cidadania
Helena Roseta
Guilherme d'Oliveira Martins
José Neves

29 de Abril, 18:00
R. António Maria Cardoso, 68, Lisboa

27.4.09

Como foi o 25?














A Cristina pediu a dezenas de pessoas, num post com 50 links, que descrevessem o seu 25 de Abril de 74. Porque não?
O meu foi semelhante ao de muitos milhares de portugueses que não estavam na tropa nem andavam na escola primária.
Acordada por volta das cinco da manhã por um telefonema, liguei o rádio, fiz uns telefonemas, percebi que era pedido que ninguém saísse de casa e saí – o primeiro acto de desobediência às novas autoridades que ainda não o eram.
Fui ter com amigos, reunimos máquinas fotográficas e respectivos rolos, deambulámos de carro pela cidade. A meio da manhã estávamos já na Baixa, às 11:00 tirámos a primeira foto (a que está ali em cima), no Largo do Corpo Santo, não sem termos perguntado a alguns soldados o que se passava – que não sabiam, que estavam com Salgueiro Maia e que desta vez é que era.
Tudo se foi encaminhando para o Carmo e nós também. Ao longo do dia, a espera, as dúvidas, os boatos, o megafone de Francisco Sousa Tavares – e já os cravos, o que viria a ser o hino do MFA, Grândola.
Pelo meio algumas corridas, evacuação do Largo quando se pensou que o quartel não se renderia a bem, últimos feijões do fundo de uma panela numa tasca do Largo da Misericórdia, pelo mais total dos acasos na companhia de José Cardoso Pires – o carro estacionado mesmo em frente, com as quatro portas abertas para o que desse e viesse.
Regresso ao Carmo, o desenrolar de tudo o que se sabe, o poder que Marcelo Caetano não quis deixar cair na rua antes de sair de chaimite, os gritos sem fim de vitória e liberdade que se cravaram na memória e ainda hoje fazem arrepiar.
O longo serão à espera do comunicado da Junta de Salvação Nacional, o contraste entre o seu sinistro cinzentismo e a força da rua que tinha ficado colada à pele.
A ansiedade e a festa em frente da sede da PIDE e à porta da prisão de Caxias – mas isso ficou para o dia 26.

Falta a fatídica pergunta: «Foi o dia mais importante da tua vida?» E a reposta que se esperaria: «Sim, excepto o dia x e o dia y, por razões de ordem pessoal».
Excepto coisíssima nenhuma.

IndieLisboa 2009 – Agenda 28/4










Ante-estreia de filme de Joana Cunha Ferreira:
Nuno Teotónio Pereira – Um homem na cidade

Cinema S. Jorge, Sala 1, Lisboa,
28/4, 19:00

E eu que detesto masoquistas

26.4.09

O «forte Dom Nuno»

Ainda não me tinha lembrado de que hoje deve ser «um dia de alegria para todos os Portugueses» – pela minha parte, farei os possíveis.

E registo, com perplexidade, que os portugueses se «revêm» em NAP. Não é um pouco exagerado?


25.4.09

«Do Interior da Revolução»













Maria Manuela Cruzeiro fala do seu novo livro que acaba de ser lançado.

Do Interior Da Revolução, Centro de Documentação 25 de Abril, Editora Âncora

As portas que Abril abriu















José Carlos Ary dos Santos, 1975








(Imagem: Nikias Skapinakis)

24.4.09

Retratos de Abril

«O tempo e o modo de uma revolução na visão de dois fotojornalistas» - Alfredo Cunha e Eduardo Gageiro



(Via Jonasnut , a quem agradeço que tenha disponibilizado o vídeo na Sapo)

Em dias de confusas comemorações













Estou com o Luís Novaes Tito, quando escreve a propósito da polémica em redor da promoção de Otelo:
«Não entro nessa discussão porque teria de discutir igualmente a reintegração de centenas de PIDES e as pensões que ainda hoje lhes são pagas, o que não causa qualquer comentário a quem tanto se escandaliza com Otelo. No entanto esses esbirros mataram e torturaram centenas de pessoas durante anos seguidos, muitas delas pelo simples crime de na altura dizerem o que nós hoje podemos dizer livremente.»
É bom que estas realidades estejam bem presentes, sobretudo quando cada um recorta a sua parte da história e quando parece que passou a valer tudo, mesmo o recurso a cenários formal e quase obscenamente inadequados para o espectáculo – como foi ontem o caso da emissão da «Quadratura do Círculo», com Grândola e Zeca Afonso em pano de fundo.

23.4.09

Querida blogosfera













O Der_terrorist brindou-me com um prémio, daqueles que dão direito a uma nova cadeia blogosférica.

Chama-se o dito prémio: «Este Blogue É Tão Bom Que Até Arrepia»

Agradeço ao J. Simões e dou seguimento, obedecendo a regras que, desta vez, são mais exigentes:

* Exibir a imagem do prémio
* Postar o link do blog que o premiou
* Indicar 10 blogs para fazerem parte do "este blog é tão bom que até arrepia" (vão ser só 5, ok?)
* Avisar os indicados
* Publicar as regras

Então aqui vai «a bola» para a Cristina, a Miss Allen, o Lutz, o Luís Novais Tito e o Pedro Correia.

(Isto seria bem mais fácil no Twitter: 5 RT e já estava!!! Complicada a blogosfera..)

Fiquem a brincar com os mortos
















Alguns santacombadenses vão festejar um conterrâneo no próximo Sábado. Um deles pede que o país «aprenda a viver com o passado, como nós fizemos com a ajuda da democracia».
É todo um tratado sobre memória histórica – ou sobre a sua negação – que esta frase contém. Aprender a viver com o passado é levá-lo a sério e colocá-lo no seu devido lugar, não é disfarçá-lo com festas popularuchas. Estivesse prevista para Sábado a inauguração de um «Museu Salazar», em Santa Comba Dão, sério, pedagógico, que servisse precisamente para se conhecer o passado «com a ajuda da democracia» e isso, sim, colocaria a terra no mapa e seria uma excelente maneira de festejar os trinta e cinco anos de liberdade. Com fanfarras e porco no espeto, até se arriscam a que o fantasma do velho por lá apareça a fustigá-los.

Nem todos os dias há boas notícias

Reabriu o Quase em português e o Lutz apareceu no Twitter.

22.4.09

«Aliança das Civilizações»

É mais ou menos isto que se pretende, não é?

Don Tapscott, o guru desconhecido?

Voltou a polémica em torno do Magalhães, a propósito de elogios que «um tal» guru canadiano terá feito em Lisboa. Pelo tom em que é referido nalguma imprensa, e num certo número de blogues que percorri agora, percebe-se que nem o nome Don Tapscott, nem o título da sua obra mais conhecida – Paradigm Shift: The New Promise of Information Technology – serão muito conhecidos por aqui. E, no entanto, não foram poucas as ondas que este livro provocou quando foi publicado – não há um século, mas em 1992 (tenho o meu exemplar usado, sublinhado, quase rasgado...)
Outras obras se seguiram, a mais importante das quais, em colaboração com Anthony Williams, Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything (2006).
E, já em 2008, Grown Up Digital: How the Net Generation is Changing Your World. Vale a pena ler a entrevista que Jorge Nascimento Rodrigues fez ao autor após a publicação deste último livro, porque são nela levantadas muitas questões que têm precisamente a ver com a saga Magalhães.
J.N.R. -Você escreveu que essa geração de miúdos controla facilmente aspectos essenciais dessa revolução. Essa é uma "vantagem competitiva" incrível. É a primeira vez na história que isso acontece, não é? Será que os adultos, no poder, não terão imenso a recear da irrupção desses pequenos guardas-vermelhos da Web?
D.T. - De facto, pela primeira vez na História da Humanidade, as crianças têm mais conhecimentos, do que nós, sobre um aspecto - direi crucial - do desenvolvimento da nossa sociedade. Isto é bom para aqueles adultos que são capazes de aprender com os miúdos. Mas mete medo e gera receios à multidão de todos os outros. Pais e professores crêem que já não conseguem "proteger" os miúdos da pornografia ou da literatura que inflama ódio [mas não está ela ao virar da esquina?]... Há dois extremos, ambos conservadores, nesta discussão: um dos lados vê estas crianças como "vítimas coitadinhas" e o outro como perigosos guerrilheiros. Em que ficamos? Um cínico dirá: são as duas coisas. A meu ver, ambos são pontos de vista nocivos para a liberdade de expressão e os direitos da criança.»

Eu sei que Portugal é um país de poetas e de literatas, mas as TIC’s já por cá andam há umas décadas e vieram mesmo para ficar (TIC’s?...).

21.4.09

22/4 - Agenda (2)

A propósito do dia do mundial do livro, a 23 de Abril, a Associação Cultural Respigarte e a Livraria Trama quiseram colocar algumas questões àqueles que parecem ter com os livros uma relação que vai muito além do consumo. O livro, produzido e reproduzido em massa, continua a ser objecto de culto. Numa época em que as montras das livrarias se renovam diariamente, ao ritmo incessante das publicações, porque razão se procuram tanto alguns títulos esgotados?Cada livro é um edifício, uma construção no leitor. A cada nova leitura vai-se formando um bairro, com largas avenidas, becos estreitos, pontes, jardins. Como se arquitecta esta cidade invisível? Qual o percurso do leitor, de que modo passa de uma construção para outra e, acima de tudo, como se relaciona a nossa cidade com a cidade do leitor ao nosso lado. Queremos saber qual o ponto de encontro, que caminhos se usaram para chegar a Roma. Todos são possíveis, como se sabe. Serão convidados escritores, músicos, tradutores, editores, encenadores e, acima de tudo, LEITORES.

Diana Mascarenhas vai desenhar ao vivo o mapa da nossa cidade, o roteiro das nossas leituras.

Moderação – Rosa Azevedo
Convidados – Jorge Silva Melo, Pedro Vieira, Francisca Cortesão - Minta, Abel Barros Baptista, Jorge Fallorca, Luís Filipe Cristóvão, José Mário Silva

22/4, 21h30
Rua São Filipe Nery ou Neri (na verdade, ninguém sabe), Nº 25B 1250-225 Lisboa

23/4 - Agenda (1)

Vital e os outros

Ainda com parte da cabeça no Oriente e mais de 24 horas de aviões na pele, não me foi nada fácil seguir o P&C de ontem à noite. Mas deu para perceber que o Luís Januário o resumiu muito bem e que caracterizou perfeitamente a prestação de Vital Moreira:
«O candidato Vital Moreira vai perder cem mil votos de cada vez que aceitar um debate. Vital lembra agora um boneco animado em que até a indignação é em diferido.»
Por sorte, conseguiu dominar a rouquidão com que começou a intervir. Durante algum tempo, pairou a recordação de um debate eleitoral que Jerónimo de Sousa foi obrigado a abandonar totalmente afónico, mas a simpatia atávica não funcionou desta vez.

Haruki Murakami

Magnífico, o último livro de Haruki Murakami publicado em Portugal:
«A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol» (*), título inspirado num tema de Nat King Cole. Absolutamente a não perder. Lido de um trago durante uma longa viagem de avião.



(*) Casa das Letras, Março de 2009, 242 p.

20.4.09

Quatro rodas para quê


















Por todo o Vietname...

Saigão - 4 milhões de motorizadas para 8 milhões de habitantes
Hanoi - mesma proporção: 3 para 6

Back home

















Mesmo antes de aterrar, os jornais asseguraram-me que o país continua estável e que tudo está portanto como deve ser: os professores anunciam novas manifestações, o cardeal volta a falar do preservativo («falível»? - claro que sim, infalível só mesmo o papa!) e há esta noite mais um P&C sobre «A Crise» (versão «Bruxelas à vista»).
Com toda a naturalidade. Ainda bem.

18.4.09

Um outro Cambodja

Três dias entre templos e uma rua com hotéis para turistas mantiveram-me provisoriamente afastada do pais paupérrimo que vi a poucos quilómetros. 'A beira de uma estrada e de um canal, e sobretudo num extensissimo lago, muitos milhares de pessoas vivem numa situação absolutamente inimaginável. Em barracas sobre estacas ou flutuantes, acumulam-se famílias cheias de filhos e até de animais, sem quaisquer condições de higiene, com esperança de vida abaixo dos 50 anos e onde as crianças que morrem todos os dias são pura e simplesmente atiradas ao lago.

A percepção da pobreza extrema continua em Phnom Penh que viu a sua população aumentar para dois milhões de habitantes desde que duzentas fábricas de têxteis aqui se instalaram, muitas como resultado de deslocalizações dos nossos países. Maná caído do céu, mesmo quando se trabalha 364 dias por ano, com condições e salários que não é difícil imaginar.
As belas teorias sobre o que não devia acontecer continuam de pé, mas a realidade, bem mais dura e bem mais crua, faz-me rebobinar o filme da globalização e não me deixa muito optimista. Novidade? Nenhuma, mas uma coisa é saber e outra, bem diferente, é VER.
Enquanto nós continuamos a tentar (em vão?) manter os nossos privilégios de ricos que ainda somos, os muitos Cambodjas deste mundo procuram apenas sobreviver - no sentido mais estrito da palavra.

Amanhã, antes de apanhar o avião de regresso, verei os killing fields dos khmers vermelhos e o Museu do Genocídio - será a cereja em cima do bolo.
Nunca me esquecerei deste país.

17.4.09

Cambodja’ digest

* 14 milhões de habitantes.
* 1975-1979 Genocídio de 3 milhões de pessoas pelos Khmers vermelhos.
* 1979-1990 Guerra civil.
* 2004 - Abertura ao Turismo que é já primeira fonte de receita (invasões…)
* Taxa de natalidade altíssima. Não consegui números (4 filhos em média por família?), mas é impressionante: só se vê crianças e jovens, não há velhos - muitas das vítimas de Pol Pot deveriam andar ainda normalmente por aqui…

País impressionante mas o resto fica para mais tarde.

15.4.09

Aqui pelo Sudoeste

Já no Cambodja, ainda duas ou três notas sobre o Vietname.
"Vaut le voyage", sem qualquer espécie de dúvida, como dizem, ou diziam, os velhos guias Michellin - viagem a ser feita, se possível, enquanto o inevitável turismo não altera definitivamente a paisagem. A lindíssima costa de Danang, por exemplo, está a ser arrasada por quilómetros de hotéis em construção ou em projecto, praticamente em cima das praias.
Pedem-me impressões "políticas". Dez dias como turista não servem para tirar conclusões, mas confesso que não senti por lá qualquer "socialismo" - nem no que se vê, nem no que é contado, nem nas respostas vagas, nem nos significativos silêncios. Depois de algumas insistências, os vietnamitas dizem sistematicamente que o sistema é parecido com o chinês mas mais "soft", no bom e no mau sentido. Já mais evidentes parecem ser as ambiguidades relacionadas com a reunificação entre o Norte e o Sul, que tem menos anos do que a nossa democracia e onde nem todas as componentes parecem estar assimiladas. Saigão continua a ser Saigão, Ho Chi Minh é nome de crisma que fica pelos papeis e pelas placas oficiais.

No Cambodja, tive hoje uma tarde de estadia em Angkor, que vai prolongar-se por mais dois dias. Arrasador em todos os sentidos: pelo que se vê e pelo clima, qualquer coisa da família do calor mas para a qual haveria que inventar um outro nome!
Para já, apenas uma referência: os principais templos (incluindo o Angkor Wat, ali em cima no cabeçalho deste blogue) foram construídos quando Afonso Henriques andava por ai a semear castelos contra os mouros. Small differences...

13.4.09

Terra de ferro, cidadela de bronze

Diz de si própria Cu Chi, localidade a 60 quilómetros a Noroeste de Saigão / Ho Chi Minh, com o orgulho de ter contribuído de um modo muito especial para a vitória da "Guerra anti-Yankees" ("do Vietname", chamamos-lhe nós, mas não os vietnamitas, já que guerras não lhes faltaram...).
É em Cu Chi que se encontram os tais 200 quilómetros de túneis que serviram de vias de comunicação, de esconderijo, de hospitais e até de salas de parto. Tinha lido varias descrições, mas o que vi hoje toca os limites do inacreditável ou mesmo do inconcebível. Deixo aqui um vídeo, as fotos - da época e não só - ficam para mais tarde.



Estou portanto em pleno cenário de guerra, vou amanhã ao delta do Mekong e estive hoje no palácio onde foi assinada a reunificação entre o Norte e o Sul.
Aqui, ao vivo e a cores, ainda é mais difícil perceber como é que os americanos acreditaram alguma vez que poderiam ganhar esta guerra, apesar dos dois milhões de mortos que deixaram para trás...

Mil coisas ficam por dizer, mas o dia foi longuíssimo, com um calor indescritível, talvez haja mais amanhã...
Saigão tem oito milhões de habitantes, quatro de motorizadas - comentários para quê... Mas não me queixo.

11.4.09

Portugal visto daqui

Sim, estou no Vietname, em Hoi An, que é uma cidade linda de morrer, sim, estou num quarto a 20 metros da praia onde tomei há pouco um excelente banho no Pacífico, sim, vou amanhã para Ho Chi Minh.
Não, não leio notícias de Portugal há uma semana, não, a CNN não fala de nós. Mas dei ontem uma volta lenta pela blogosfera e percebi tudo: houve uns problemas com as vestimentas das meninas de uma Loja do Cidadão (umas fardas tipo Instituto de Odivelas não resolveriam o problema?), Sócrates quer Barroso em Bruxelas (acho bem: se o Ronaldo torce um pé, não fica ninguém conhecido "cá fora") e dizem que a Fernanda Câncio não é capaz de pensar a não ser pela cabeça do namorado (não é loira mas é mulher - esperavam o quê?). A chamada semana santa foi mais ou menos isto, certo?
E a crise? Terá ido de férias.

10.4.09

De Hue a Hoi An



Garanto que este senhor que está a falar no vídeo explica muitas coisas sobre Hue, cidade imperial, ex-capital do Vietname.(Digo "garanto" porque o ouvi em Lisboa, mas não hoje porque este PC está sem som...)

Cidade Proibida, Pagodes e um Túmulo do imperador Minh Mang que é quase uma cidade. Este senhor terá tido nem se sabe exactamente quantas concubinas e nada menos do que 142 filhos! Há por aí umas associações de famílias numerosas que precisam certamente de patronos - este bem merecia ser um deles...

Entretanto, cheguei a Hoi An - com grandes expectativas pelo que li e pelo que já ouvi.

8.4.09

Baía de Halong - Apontem nas agendas

A 190 kms de Hanoi, esta verdadeira maravilha. Andei por lá hoje várias horas.
Fica o vídeo para dar uma muito, muito pálida ideia.



(Vim eu até à Indochina para me cruzar, no hall do hotel, com John McCain - o propriamente dito. aquele senhor que aqui há uns meses tentou ganhar um campeonato a Mr. Obama.)

7.4.09

Em terras do tio Ho Chi Minh

Vinte e quatro horas da casa em Lisboa ao hotel em Hanoi, trinta e seis sem ver uma cama - tudo normal e perfeitamente ultrapassado.
Muito já foi visto nesta cidade, bastante desorganizada, um tanto suja, mas com belas avenidas e agradáveis pegadas arquitectónicas deixadas pelos franceses. Templos, pagodes, dezoito lagos, a casa de Ho Chi Minh - e, sobretudo, o enorme mausoléu com o propriamente dito em carne e osso, em múmia impressionantemente perfeita (diz quem viu que a de Lenine não o é tanto assim), rodeada de segurança e veneração: nem fotos, nem shorts, nem rir ou falar alto, nem mãos nas algibeiras (?...).

Mas o enorme choque, espanto e trauma vem do trânsito! Nada de comparável em tudo o que os grandes viajantes com quem ando tenham visto por esse mundo fora. Hanoi tem hoje 6 milhões de (minúsculos...) habitantes, a cavalo em 3 milhões de motorizadas que serpenteiam entre carros e peões, em todas as direcções, permitidas ou não, sempre a apitar. Com um ou múltiplos ocupantes - por exemplo, pai, mãe, bebé e gaiola com canário. Andei ontem uma hora num daqueles triciclos para turistas e considero que escapei viva por puro acaso.



Amanhã, começo o circuito dos grandes lagos, nos arredores de Hanoi, depois irei mais para Sul. Voltarei aqui em breve.

(O descanso que é não ouvir a palavra Freeport há três dias e não saber se MFL ja tem candidato para as europeias!...)

P.S. - Um post com caracteres portugueses escrito em teclado vietnamita? Elementar, afinal...

4.4.09

Invejas

Há por aí gente a rogar-me pragas por ir amanhã para o Vietname (faltam mesmo poucas horas...).
De lá, contarei aqui se é como vem no folheto...

Mas pode ser que sofra a ouvir Nhac Tai Tu:



Ou mesmo canções khmer no Camboja:

«What is it? Why does he have to shout?»
















perguntou Isabel II, há dois dias

Não ficou lá com muito bom aspecto











... a estátua de Lenine em S. Petersburgo, depois de ser vítima de uma misteriosa explosão perto da Estação Finlândia.

3.4.09

Apostasia colectiva
















Há três dias, em Buenos Aires, 1.100 católicos renunciaram ao catolicismo e pediram para serem «desbaptizados». Dizem que, embora não prevista no direito canónico, a «desbaptização» é possível, bastando para tal escrever uma carta ao bispo da diocese.
A iniciativa «Não em meu nome» foi lançada por várias associações LGBT e reúne não só ateus de longa data como novos elementos que assim reagem às recentes tomadas de posição de Bento XVI.

Se a moda pega em Portugal, lá teremos as igrejas transformadas em hotéis de «charme»...

(Fonte)

Nação valente











«como a maioria dos portugueses, também eu só acedo à internet em horário laboral. e isto, meus amigos, é a principal desvantagem de não ter emprego.» , diz o João Gaspar.

Julgava que era o único, caro leitor? Não tenha remorsos! Quem cria um blogue, percebe, desde o primeiro dia, que as horas de ponta das visitas são das 10 às 12 e das 15 às 18 (também há os noctívagos, mas esses são reformados ou trabalham no turno da noite). E o Twitter, à hora a que escrevo (9:30), pouco ou nada pia.
Who cares? O país aguenta coisas muito piores.

2.4.09

Última etapa - Phnom Penh












Phnom Penh, fundada no século XVI e capital do país desde meados do XVI, fica na foz do rio Mekong, esse celebérrimo rio asiático, com quase 5.000 quilómetros, que nasce no Tibete e percorre China, Birmânia, Tailândia, Cambodja e Vietname. (Não sei que imagem reterei do dito rio - espero que a segunda...)



Leio que a cidade é «uma mistura de exotismo asiático, charme indochinês e hospitalidade cambojana». Para já, não sei bem o que isto possa significar, mas espero vir a perceber.
Vários palácios e pagodes, com destaque para um belíssimo Pagode da Prata e um imponente Palácio Real (lá em cima na primeira fotografia).

Last but not the least, dois museus: o Nacional e o do Genocídio. Inútil dizer que este não está incluído no programa turístico, mas não falharei a visita. Chama-se Tuol Sleng e foi uma antiga prisão dos Khmers Vermelhos entre 1975 e 1979. Terão passado por lá cerca de 20.000 pessoas, sistematicamente torturadas e assassinadas - a história é conhecida.








Algures na cidade, decorrerá ainda, talvez, o julgamento do «Camarada Duch», aparentemente com uma relativa indiferença dos seus compatriotas.

Será então altura para pensar no regresso, via Bangkok e Paris - a long, long way to Lisbon.

Talvez uma boa sugestão...

... para a minha longa viagem dentro de alguns dias.


Woman in the Plane - The best bloopers are a click away

Violar mas legalmente













Chega do Afeganistão a notícia de que o presidente Hamid Karzai tenta ganhar votos nas eleições que se realizam dentro de alguns meses e para as quais as perspectivas de vitória não são brilhantes
Nesse sentido, prepara uma lei segundo a qual as mulheres deixam de poder sair de casa sem autorização do marido (mesmo para trabalhar, ir às aulas ou ao médico). Não poderão também recusar relações sexuais, mesmo contra vontade. A agência da ONU para os direitos da mulher acusa-o de «legalizar a violação» mas, aparentemente, nada mais pode fazer.
Tudo isto num país deste nosso planeta – longe, é certo, mas nem tanto assim.

(Fonte)