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31.5.09

Não havia necessidade

Depois de Susan Boyle, fala-se agora do sucesso de uma chinesa de 79 anos, Wu Baiwei, numa competição denominada «Super Girl» (!!!...). Vive em Xian (nisso tem sorte...) e apareceu pela primeira vez na passada 2ª feira. Parece que canta uma canção patriótica dos anos 30, escrita depois da invasão do Norte da China pelo Japão.

Será talvez excelente para o ego de intérpretes e de muitos espectadores, mas acho um tanto deprimentes estes espectáculos de descoberta de talentos musicais mais ou menos serôdios. Mas como Wu Baiwei já está no Youtube, aqui fica - com tantos milhões de fãs, pode ser que venha a ficar célebre...



P.S. - Bem me parecia que nada disto era salutar.

MPI - Adesões

O texto fundador do «MOVIMENTO PELA IGUALDADE no acesso ao casamento civil» que hoje foi lançado em Lisboa, bem como todos os nomes da respectiva Comissão Promotora, podem ser lidos aqui.

Está já disponível a Petição Online para recolha de assinaturas adicionais.

Mostrar a verdade?


Mais uma investida antitabágica da OMS e também da Confederação portuguesa que se ocupa do assunto. O que se pretende? Imagens chocantes nos maços de tabaco para «mostrar a verdade». Será que alguém se impressiona ainda com as terríveis frases que foram colocadas há algum tempo? Alguém as lê? O mesmo se passaria certamente com as tais «imagens chocantes».

Por outro lado, até quando este dirigismo à outrance que trata no mesmo plano adultos, crianças e mentecaptos? Informar é uma coisa, tentar exercer violência para influenciar à força é uma outra bem diferente. E, para além de tudo o resto, há que contar com o efeito boomerang.
Não se importam de nos deixar viver a crise com uns cigarritos fumados em paz à porta dos restaurantes?

(Fonte)

30.5.09

MPI - Apresentação pública

...no acesso ao casamento civil

Domingo, 31 de Maio, 16h00

Cinema São Jorge, em Lisboa

Summertime

Cuba soma e segue

Antenas parabólicas clandestinas são o único recurso para escapar ao monolitismo dos quatro canais nacionais de televisão, controlados pelo governo cubano. Para além de a informação ser totalmente politizada, é também a baixa qualidade de toda a programação que é desesperante.

As autoridades desmantelam centenas de parabólicas, ao mesmo tempo que apreendem todas as que detectam nas bagagens que chegam ao aeroporto - por «uma questão de honra», para «eliminar o veneno» que alguns canais estrangeiros pretendem introduzir na ilha criando «confusão, descontentamento e pessimismo».

Mas a realidade impõe-se: existem dezenas de milhares de antenas, camufladas com recurso às mais variadas formas imaginativas, partilhadas entre vizinhos em pequenos negócios caseiros e que vão resistindo às investidas policiais.

A luta entre gato e ratos continuará até que os «camaradas» (ou alguém por eles) desistam de uma guerra de que sairão inveitavelmente vencidos. É só uma questão de tempo e eles sabem bem que este joga contra eles.

(Fonte)

29.5.09

Give peace a chance


John Lennon e Yoko One casaram-se em Março de 1969 e decidiram tirar partido da popularidade durante a lua de mel, para promoverem a paz no mundo e, mais especificamente, como forma de protesto contra a guerra do Vietname.

Fizeram-no de forma escandalosa para a época, recebendo jornalistas e cantores na cama, primeiro em Amsterdam, durante uma semana, depois numa breve passagem pelas Bahamas. Mas a estadia mais célebre aconteceu no Queen Elizabeth Hotel de Montréal, onde chegaram no dia 26 de Maio e permaneceram, também na cama, uma outra semana. Comemora-se agora o 40º aniversário dessa efeméride, para sempre associada à gravação, no próprio quarto do hotel, de Give Peace a Chance. Várias actividades estão em curso, entre as quais uma exposiçãoImagine – organizada pelo Museu das Belas-Artes de Montréal.

No ano de todos os pacifismos, poucos meses antes de Woodstock, a rebeldia de Lennon e Yoko, hoje tão ingénua, escandalizou meio mundo e entusiasmou outro meio. Chegou também a Portugal, filtrada por todos os lápis azuis deste país, com a canção gravada num pequeno disco de 45 rotações.

Somos todos terroristas?

Aborto é que nunca

Vale a pena ouvir este senhor cardeal que é presidente de uma Congregação romana. Quem não estiver interessado na sua afeição pelo futebol, e noutras minudências e generalidades, pode avançar para o minuto 7.25 (arrastando a barra vermelha no canto inferior esquerdo). Fala ele então dos abusos cometidos sobre crianças em escolas católicas irlandeses e afirma, catrgoricamente, que não se pode comparar o que aconteceu com a gravidade do aborto que já destruiu legalmente mais de 40 milhões de seres humanos.

E continua a não existir nenhuma instância mundial com autoridade para denunciar este tipo de enormidades...



(Através de)

P.S. - A propósito, ler:
El estruendoso silencio de Benedicto XVI

28.5.09

Homens sem qualidades

«O dr. Cavaco, verdadeiramente, nunca foi bem um político ou estadista convincente e providencial. Um chefe que inspirasse confiança. Um espírito à altura do seu papel. Para tal era preciso carácter, integridade, autoridade pessoal, lucidez, vigor, cultura. Não era necessário ser intelectualmente grande, bastava prudência e sinceridade pela "coisa" pública. No invés, o dr. Cavaco apenas quis sobreviver para a sua viagem pessoal, mesmo quanto sugeria estar a tutelar os desígnios pátrios. Sorte grande a sua, desilusão a de todos nós. (…)

Ontem o dr. Cavaco, depois do pedido de demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado, disse que não distingue "um de outro dos 19 conselheiros de Estado" e que todos lhe mereciam "igual respeito". Esta infeliz observação é quase um insulto ao próprio Conselho de Estado e, reconhecidamente, os conselheiros não mereciam tal "entusiasmo".»

A ler, na íntegra, no Almocreve das Petas.

MPI – Texto do abaixo-assinado







Como foi publicamente anunciado, mais de 700 pessoas terão já aderido ao «MOVIMENTO PELA IGUALDADE no acesso ao casamento civil» que será lançado oficialmente no próximo Domingo. A blogosfera não está ausente: há muitos nomes de bloggers na lista dos subscritores do seguinte texto:

«A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.

Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.

O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.»

Desta, nem o BPN se lembrou


«O grande fim da vida não é só conhecimento, mas também acção - agir agora poupando para a reincarnação», aconselha o Reincarnation Bank que oferece aos seus clientes um sistema de gestão, seguro e garantido, para os bens de que gozarão mais tarde. «Se não deixar nada preparado antes de morrer, o que é que vai encontrar quando voltar?»

Tão simples… Só não percebi se se guarda o ADN através das várias reincarnações, se se tem o mesmo password para aceder à conta cancária e se há a certeza de não vir a renascer numa casa lacustre no Cambodja. Logo se verá…

(Fonte)

27.5.09

Pub blogosférica







É

depois
de
amanhã

La vida es eterna en cinco minutos














Víctor Jara morreu cinco dias depois do golpe chileno de 11 de Setembro de 1973. Sabe-se agora que os seus dois assassinos, presos há poucos dias, tinham 18 anos quando cometeram o crime e que o fizeram por ordem de um comando militar secreto.
Mais vale tarde do que nunca – que justiça seja feita, mesmo que com mais de 35 anos de atraso.
(Fonte)

Te recuerdo Amanda, um hino de liberdade dos anos 70






P.S. - Como resposta a este comentário de Tomás Vasques no Facebook:
«Conheci em Santiago, no início dos anos 90, alguns amigos de Vítor Jara, particularmente Guillermo Oddo que, antes do golpe, pertencia a um outro grupo de música popular chilena, o Quilapayún. Que se faça justiça, mesmo a esta distancia.»

Plegaria a um labrador, 1968, VJ com Quilapayún




The Three Little Pigs

Depois de horas e horas de espectáculo televisivo absolutamente deprimente neste país, nada mais adequado do que descobrir que foi num dia 27 de Maio que «Os Três Porquinhos» de Walt Disney viram a luz do dia. Em 1933, com a célebre canção «Who's Afraid of the Big Bad Wolf?» - símbolo dos dias negros da Grande Depressão...



25.5.09

No mundo das donas Balbinas


















Parece que quem escreve artigos de opinião tem direito a defender tudo o que lhe passa pela cabeça, mesmo em órgãos de comunicação social que são, ou já foram, considerados de referência. Admitamos que sim, como hipótese de trabalho, e continuemos pois a ler César das Neves, no DN, todas as segundas feiras – a vida é também feita de rituais.
Sexo é tema que lhe é especialmente caro e propõe-se hoje defendê-lo, já que «os ministros, que fizeram explodir o défice, subsidiam abortos e querem distribuir preservativos gratuitos nas escolas». Importa proteger os nossos ingénuos adolescentes que estão a ser vítimas de ensinamentos radicais e inaceitáveis em matéria de «deseducação sexual», apenas comparáveis à hipótese de ser incluída, no currículo escolar, a defesa da «ditadura do proletariado e da revolução permanente». Trata-se de combater «a intensa campanha para coagir a sociedade a seguir alguns princípios, autodenominados de progressistas, justos e livres», que «até há pouco chamava "porcalhões"», já que «os esquerdistas andam agora paradoxalmente aliados a marialvas e proxenetas».
Bons tempos, para o dr. César das Neves, eram aqueles em que os rapazes da província, com 13 ou 14 anos, eram levados à capital do distrito pelos irmãos mais velhos e a pedido dos pais, para tremerem como varas verdes quando uma D. Balbina os desflorava sob o olhar cúmplice de um cão enroscado em cima dos cobertores. Ou quando os jovens universitários de Lisboa, mesmo os radicais de 62, frequentavam andares esconsos da Rua do Mundo porque as namoradas casavam virgens e nem sequer podiam sair à noite. Mesmo sabendo, uns e outros, que muitas das suas mães tinham casado «à pressa», já grávidas, para evitar vergonhas familiares.
Isso, sim, era o saudoso e admirável mundo para todos os César das Neves deste país. Devem ser bem infelizes, não?

24.5.09

Gente emotiva é outra coisa

Sexta à noite, mas não só












A corrida entre Manuela Moura Guedes e Marinho Pinto tirou a blogosfera e as redes sociais da calma habitual do fim-de-semana. O povo gosta de sangue e foi-se entusiasmando à medida que foram aparecendo as primeiras versões de vídeos com poucos minutos, depois mais alguns, finalmente com a versão completa da entrevista (que importa ver para perceber o contexto do que aconteceu). Naturalmente, mais «olés» para Marinho Pinto do que para Moura Guedes – também os dei.
Mas o que se passa é que estamos a assistir quase todos os dias, em directo, ao suicídio acelerado do bastonário. Mesmo a quem não tem competência para perceber os meandros do que se passa exactamente na Ordem, parece indiscutível que Marinho Pinto está a perder a cabeça, não só na TVI mas em todo o lado - e a fúria permanente não é boa conselheira. Os advogados terão muitos defeitos e terríveis vícios, mas não são propriamente bandos de patifes e o argumento do voto não legitima tudo. Se o povo não presta, muda-se o povo?

23.5.09

E viva la España?













«Quem ouvisse hoje Sócrates a dirigir-se aos militantes do PSOE em Valencia ainda era capaz de pensar que estava perante o próximo Primeiro Ministro Español.»
Hidden Persuader

Será por isso que puxou pelo portunhol?

P.S. (24/5) - É impressão minha ou a imprensa espanhola não deu qualquer relevo à presença de Sócrates em Valencia?

Foram cardos...

Redes sociais em manhã de Sábado















De link em link, constato que Bento 16 já está no Facebook.
«Hi, Joana Lopes!» e uma série de informações: posso enviar bilhetes-postais com fotografias do papa aos meus amigos (mas não mandei) e não sei bem se preciso de ser «fan» para receber uns e-mails (mas evitei fazê-o).

Não encontrei Marinho Pinto, mas existe uma Manuela Moura Guedes que, curiosamente, só tem um amigo.

Entretanto, pelo Twitter, sei que Vital Moreira deve estar a tomar café com os amigos no Trianon, em Coimbra.

Tudo na maior das normalidades, portanto.

22.5.09

Uma família portuguesa, com certeza









Vi ontem à noite este cartaz do PSD e tentei em vão perceber o que se pretendia. Só fiquei esclarecida algum tempo depois, em sonho bastante agitado: tratava-se afinal de um cartaz do PS, dedicado à família, bem portuguesa, de Durão Barroso. Vital Moreira saía a correr da fotografia pelo canto inferior direito, para dar lugar a Sócrates em fato de jogging.

Europeias – Um vídeo do Partido Socialista

Do PSOE, mais exactamente.



(Descoberto partindo daqui.)

P.S. (22/5, 15:55) - A propósito de europeias: a última sondagem revela uma espécie de empate técnico entre PS e PSD. O Pedro Magalhães publicou há pouco um quadro com os resultados de todas as sondagens.

21.5.09

Para além do cinema

Algumas horas depois de ter chegado a notícia da morte de João Bénard da Costa, vejo que quase todas as referências à mesma se limitam à acção na área do cinema. Foi provavelmente a sua maior paixão, entre as muitas que sempre cultivou, obstinada e exaustivamente.
Para mim é, sobretudo, menos um que resta dos que começaram a opor-se à ditadura porque eram católicos e por isso mesmo deixaram de o ser. Mais um que parte de uma família - a dele - absolutamente extraordinária, a quem devo «acolhimento» e caminho em comum numa das fases mais importantes da minha vida, mesmo se esta se encarregou depois de naturais afastamentos. Ficará para sempre ligado a intermináveis reuniões de «O Tempo e o Modo» e a discussões sobre problemas teológicos, que hoje parecem inverosímeis, em torno da revista «Concilium». Mas também a inesquecíveis férias na Arrábida dos anos 60 e, bem mais tarde, às páginas cúmplices de «Nós, os vencidos do catolicismo».
Vencidos nos sentiremos nós todos, certamente, quando nos reencontrarmos daqui a umas horas.

P.S. - Começa a aparecer uma ou outra voz de quem o conheceu - para além do cinema.

João Bénard

Alportuche, Arrábida - forever

A pouco mais de duas semanas


É impressão minha ou a pré-campanha não está a contribuir para melhorar as perspectivas quanto a abstenção?

20.5.09

Mudam-se os ventos












Manuel António Pina, no JN:
«O Código Penal pune com prisão até 1 ano "quem, sem consentimento, gravar palavras proferidas por outra pessoa e não destinadas ao público, mesmo que lhe sejam dirigidas", punição agravada de um terço "quando o facto for praticado para causar prejuízo a outra pessoa". Educadas desde jovens para a bufaria e a delinquência e sabendo que o crime compensa, que género de cidadãos vão ser aquelas miúdas?»

Ferreira Fernandes, no DN:
«Vão dizer-me que a gravação da professora de Espinho vai permitir que ela deixe de dar aulas e que isso é bom. Tudo bem. Mas eu digo-vos que é melhor ainda que, aos 12 anos, eu não tenha tido quem me fizesse espião a soldo.»

E eu com eles.

19.5.09

Twitter versão Vital Moreira















Ei-lo numa rede social. Chegou, aparentemente às 6.29 AM, e foi escrevendo ao longo do dia:

- olá Boa Tarde
- Este será um novo espaço que estará disponível para poderem acompanhar as actividades que a campanha "Nós, Europeus" vai desenvolvendo
- Amanhã entre as 17h30 e as 21h00 vou estar no concelho de Oliveira do Hospital
- A todos bom dia. Obrigado por terem aderido a este novo canal de informação.
- Acabei de dar uma pequena entrevista ao Rádio Clube sobre a minha entrada no Twitter
- não é sem emoção que se dá a última aula de um ano lectivo, de onde acabo de sair, na fduc
- Estou neste momento a caminho de Oliveira do Hospital

Não sei se o primeiro «twitt» lhe causou tanta emoção como dar a última aula do ano lectivo (!...), mas não havia necessidade nem urgência: mais valia ter procurado perceber primeiro como é que aquilo funciona e para que serve.
Para já, fala sozinho, não «segue» ninguém (para quê?!!!) e não respondeu a nenhuma pergunta das muitas que certamente já recebeu. Era bom que alguém lhe explicasse que, ali, é feio que um menino brinque sozinho com os seus carrinhos...

E não será o fim do mundo

Publicidade, com muito gosto


O Fernando Penim Redondo é um excelente fotógrafo e inaugura, no próximo dia 21, uma exposição que ele próprio apresenta assim:

O fio condutor da exposição é a descoberta da diversidade cultural e étnica, mesmo onde e quando a modernidade vai fazendo os seus “estragos”. Adicionalmente permite comparar o olhar de um mesmo fotógrafo em situações geográficas muito diferentes e em fases da vida muito distanciadas.
As fotografias, divididas em dois grupos, foram produzidas com um interregno de cerca de 40 anos.
Grupo 1968/9 – fotografias a preto e braco, feitas na Guiné Bissau Durante dois anos percorri a Guiné, em serviço, e fui aproveitando essa oportunidade para contactar e registar o dia-a-dia do seu povo.Enquanto o fazia tinha a sensação de suspender a guerra. O conjunto de imagens apresentado documenta pessoas a trabalhar ou a divertir-se nos seus ambientes próprios, tal como as via um jovem tenente da Armada de 22 anos.
Grupo 2006/8 – fotografias a cores feitas na China, Índia e Nepal Um conjunto de viagens ao Oriente permitiu-me comparar a actualidade dos três países que tanta curiosidade despertam hoje. Na China são os traços do desenvolvimento acelerado que mais marcam. Na Índia e no Nepal somos mais tocados pela serenidade da beleza ancestral. O Nepal funciona, de certa forma, como recipiente misturador das influências dos outros dois gigantes. O conjunto de fotografias expostas mostra rostos e atitudes quotidianas fotografados nestes três países asiáticos que constituem uma continuidade geográfica.

Fotografar pessoas é, em vários sentidos, um desafio. Elas são um detalhe na paisagem mas um detalhe que encerra um mundo.Quando fotografamos as pessoas elas deixam de ser uma abstracção, um número no meio de milhões, e a sua individualidade impõe-se de forma comovente.
Penso que esta exposição mostra como, em 40 anos, nunca deixei de ser atraído pela magia desse processo.


Inauguração dia 21 de Maio pelas 21 horas
Centro de Exposições de Odivelas
Rua Fernão Lopes - Tel. 219 320 800
Terça a Domingo das 10h00 às 23h00

18.5.09

Traição, diz ele
















Ainda mal se acalmaram as missas e os abraços crístico-pétreos do fim-de-semana e chega já a fatídica crónica de César das Neves no DN – «traição», a propósito de tudo, de mais alguma coisa e também de crenças.

«O limite encontra-se na religião, onde já nem se consegue entender como possa existir traição. Cada um é soberano nas suas relações com Deus e pode quebrá-las quando lhe apetecer. Os termos são definidos a partir das opções e condições humanas de cada um, não a partir da transcendência. É Deus e a Igreja quem se devem dar por muito satisfeitos com a nossa homenagem eventual. É comum ouvir frases como "sou católico, mas..."; raramente "sou católico, por isso...".»

A ver se entendo. Como é que um simples mortal se pode posicionar perante a transcendência a não ser com base na sua condição humana? O que significa pedir-lhe que se defina a partir do ponto de vista do transcendente? Pergunto mas sei que estou a desconversar porque, uma vez mais e como sempre, César das Neves identifica e confunde, rápida e propositadamente, Deus e Igreja para excluir os «mas» e guardar só os «por isso». Se alguém é crente, «por isso» não pode quebrar um casamento, nem aceitar um aborto, nem pôr a hipótese de defender a eutanásia, nem..., nem..., nem...
É um proselitismo sempre pela negativa, de gente certamente infeliz e triste, com um pessimismo e uma escuridão absolutamente assustadores – de acordo, João Tunes.

Aquele abraço




















Pus-me a caminho da margem Sul ontem de manhã, preparada para filas de carros e algumas horas de espera. Mas aparentemente consegui fintar os horários das estátuas, almocei calmamente na praia e regressei na «derradeira hora antes da consagração», segundo me dizia então uma locutora da RR (ou talvez teóloga, nunca percebi muito bem).
Li mais tarde que o cardeal Policarpo afirmara que «só não sente o amor de Cristo quem não quer» e que «Cristo abre os braços sobre todos os habitantes da cidade».
Cereja em cima do bolo, o nosso PR (que deve portanto sentir a fé porque quer) lembrou aos jornalistas que «nos tempos de crise, é normal que os crentes procurem um abraço de Cristo-Rei, como consolo e como protecção».
Abraços de pedra, um pouco gélidos certamente, mas com os quais os incréus não querem contar para se protegerem dos malefícios do subprime.

Tirem-me deste filme!

(A foto é do site da Presidência da República.)

17.5.09

Mudam-se os tempos?


















Em reunião do Conselho de Ministros de 13 e 14 de Janeiro de 1959, foi aprovada a construção da ponte sobre o Tejo – Salazar em tempo de baptismo, 25 de Abril por ocasião do crisma.
Decisão pacífica? Nem por isso: a maioria votou a favor, mas dois ministros e o próprio Salazar votaram contra. Passo a citar Franco Nogueira (Salazar, vol V, p.45):

«Salazar votou contra baseado na sua ortodoxia financeira: o financiamento da ponte poderia e em rigor deveria ser usado em projectos que, se executados, teriam uma rentabilidade mais imediata e contribuiriam para um mais rápido aumento do produto nacional. (...) Salazar, no fundo, também desejava a ponte; mas não queria que historicamente ficasse comprometida a integridade da sua ortodoxia financeira, nem que se pudesse dizer que transigira para conquistar popularidade.»

Anda alguém a inspirar-se nisto?

16.5.09

Nós, europeus

Ainda dura o festival da eurovisão, os países estão agora a distribuir votos uns pelos outros.
Nem sei há quanto tempo não via esta malfadada manifestação de mau gosto. Voltei este ano – por causa do Twitter, pois com certeza... Serão passado em grupo, já não em salas cheias de amigos e de fumo, mas cada um em sua casa, com um portátil nos joelhos e umas dúzias de graçolas no ecrã. Voltas da vida.
O dito festival não melhorou, a classificação de Portugal também não. Mas longe, muito longe vão (felizmente) os tempos em que a vitória de a Tourada, na versão portuguesa do festival, foi vivida como uma batalha ganha contra o marcelismo.


Batalhões de Cristo-Rei















Andam aqui por Lisboa uns milhares de pessoas e uma estátua, a caminho da outra banda, para os festejos do 50º aniversário do monumento a Cristo-Rei.
Liguei há pouco para a RTP1 e vi a Fátima Campos Ferreira coordenar uma espécie de Prós, sem Contras, com o professor Marcelo, M. João Avilez e dois bispos. Contavam umas histórias para entreterem os telespectadores enquanto se rezava o terço no Terreiro do Paço, FCF falava da estátua de Fátima como se se tratasse de uma pessoa em carne e osso que tivesse apanhado um comboio para vir a Lisboa, e perguntava a um dos bispos como se pode alimentar hoje, em tempos de crise, a solidariedade que existia em 1959. E a caridade também. Adiante!...
Não sei se, antes destas considerações piedosas, falaram minimamente dos atritos político-religiosos entre Salazar e Cerejeira, a propósito da cerimónia de inauguração que hoje se comemora. Recordo-as, muito resumidamente.
É bom não esquecer que Portugal vivera um ano antes o fenómeno Delgado, que tivera uma influência decisiva nas primeiras acções e reacções colectivas dos católicos contra a ditadura, o que muito tinha desagradado a Salazar e preocupado Cerejeira. Para ilustrar o tipo de picardias habituais na época, leia-se que, em 6 de Dezembro de 1958, Salazar afirmou que «alguns católicos se jactam de a ter rompido [a frente nacional] e com tal desenvoltura que lograram o aplauso não só de liberais (...) como de comunistas que diríamos estar no pólo oposto aos princípios e interesses da Igreja» e que Cerejeira viria a reagir, na mensagem de Natal, afirmando que «se é verdade que poder espiritual e poder temporal são soberanos nos seus domínios, é legítimo dizer que é a ordem espiritual que julga a temporal e não vice-versa».
À medida que se aproximava a data de inauguração do monumento, verificava-se uma grande pressão por parte de alguns sectores católicos para que fosse o Presidente da República a consagrar o monumento e o povo português a Cristo-Rei. Cerejeira sugeriu a Salazar uma fórmula possível: «Como Chefe da Nação cuja religião é católica, em nome dela, confirmo ou ratifico a Consagração feita pelos Bispos de Portugal (ou pelo Cardeal Patriarca)». Salazar não aceitou e propôs a alternativa que veio a ser proferida por Américo Tomás. No que interessa, este afirmou que o monumento era «exclusivamente devido à piedade dos católicos» e que Portugal desejava firmemente «manter-se fiel à tradição da sua história e aos propósitos agora enunciados».
Despiques e subtilezas que sempre dominaram as relações entre estas duas sinistras figuras, tão centrais e tão decisivas para grande parte da história do nosso século XX, e que estão longe de estar suficientemente caracterizadas e esclarecidas.

P.S. Se FCF e amigos referiram estes factos, as minhas desculpas – não terei chegado a tempo de ouvir.

15.5.09

Se bem me lembro



Lá veio mais uma cadeia blogosférica, desta vez com ares de Setúbal e com o carimbo do José Simões.
É-me pedido que indique 15 programas ou séries televisivas «inesquecíveis» (logo eu que nunca gostei muito de séries...) Mas aqui fica uma lista, entre muitas possíveis:

Gabriela
O casarão
Holocausto
O polvo
Hill Street blues
Sete palmos de terra
Poirot
A guerra (J. Furtado)
Yes, Minister
Allô, allô
Se bem me lembro
Zip-Zip
O tal canal
Marretas
A pantera cor-de-rosa

E aqui vai ela, a cadeia, se quiserem apanhá-la, para: Woman Once a Bird, Alexandra (uma estreia...), Helena, drmaybe, João e Dputamadre – tudo Twitters assanhados que vão ter de usar aqui bem mais do que 140 caracteres!

As compras de Maria













Segundo o Público, Cavaco Silva terá dito, em Istambul, a propósito da ida da mulher às compras: «Deixei-lhe não o cartão de crédito, mas euros.»
«Deixei-lhe»? Mas o que é isto? Ela é uma indigente ou uma criança a quem «se deixa» dinheiro para o autocarro? Não tem porta-moedas? Será isto o tal respeito pela «esposa»?
Enfim: está tudo dito sobre a estrutura e a estatura do homem...

É sempre bom conhecer a casa dos líderes



Casa e Mausoléu de Ho Chi Minh em Hanói










E o que eles ouvem!...






14.5.09

Há 20 anos, em Tiananmen













Será celebrado dentro de alguns dias o 20º aniversário do terrível desfecho da rebelião dos estudantes chineses na Praça Tiananmen.
Quando ainda se tem bem presente a figura e o papel desempenhado por Zhao Ziyang, então número um do partido comunista chinês, que veio a ser afastado pela simpatia demonstrada pela causa dos estudantes, eis que vai ser publicado um livro – Prisoner of the State: The Secret Journal of Zhao Ziyang – com a transcrição de um conjunto de cassetes nas quais ZZ gravou as suas memórias dos acontecimentos e os estados de alma com que as viveu. «Disse a mim próprio que não seria, a nenhum preço, o secretário-geral que chamava a polícia para reprimir os estudantes.» Não foi e por isso apareceu pela última vez em 19 de Maio de 1989, em lágrimas, pedindo aos estudantes para regressarem a casa – o que, como é sabido, eles não aceitaram fazer.
Vinte anos mais tarde, 19 de Maio é a data simbolicamente escolhida para o lançamento desta obra, fora da China e em Hong Kong.
ZZ Morreu em 2005, com 85 anos, depois de viver mais de quinze com a residência vigiada.

(Fonte)

Empreendorismo, dizem eles

Mais um vídeo da União Europeia



(Muito à frente, não? Ficaria certamente à porta da tal escola que proíbe saias muito curtas e decotes generosos...)

13.5.09

Europa pouco rosa

















Leio no El País que se realizou ontem em Atenas um Congresso Internacional sobre a Socialdemocracia que reuniu «líderes da esquerda europeia, na procura de fórmulas que permitam reinventar a socialdemocracia e, perante o avanço dos partidos de direita, afrontar os reptos do futuro e combater a crise.» Não é referida a presença de nenhum português, nem li nada na imprensa portuguesa sobre o assunto, mas adiante.
A poucas semanas das eleições europeias, foi recordado que, há dez anos, 13 dos 15 países da União Europeia tinha governos socialdemocratas (sozinhos ou em coligação), contra 15 em 27 neste momento. No estado actual das coisas, será caso para perguntar «se há um projecto socialdemocrata diferente de um projecto conservador europeu», frisou um dos intervenientes, que aproveitou a ocasião para estranhar que socialistas portugueses e espanhóis apoiem a recandidatura de Durão Barroso, contra a decisão de todos os seus congéneres.
E há realmente aqui algo que é, no mínimo, curioso. Que o PS português enferme de um patriotismo mais ou menos bacoco, infelizmente já nem se estranha – é certamente o preço da nossa pequenez que não quer pousar os calcanhares quando julga que conseguiu pôr-se em bicos de pés. Mas Zapatero também apoia Durão Barroso – porquê exactamente? Alguém sabe? Pouco adepta de teorias da conspiração, aconselharia no entanto os devotos de São Nuno Álvares Pereira a estarem vigilantes e a pedirem protecção...

P.S. - Na versão em papel do jornal «i» de hoje (p.20), referência a um artigo publicado esta semana no Financial Times, que é muito crítico em relação à actuação de Durão Barroso durante o actual mandato: «homem vaidoso e sem coragem política», que terá passado «a maior parte dos últimos anos a tratar da sua reeleição», sem liderança - «caniche de Merkel», chama-lhe o autor que não é meigo.

Contra a abstenção

Nem comento...

12.5.09

13 x candidatos x 13

















O debate, que ontem à noite substituiu o habitual Prós & Contras das segundas-feiras, juntou todos os candidatos às próximas eleições europeias. Talvez tenha sido, para a RTP, o programa inevitável, foi sem dúvida «civilizado», como concluiu Fátima Campos Ferreira, mas não deixou de ser relativamente aborrecido e frustrante. Segui-lo com outros no Twitter, durante quase três horas, amenizou o sacrifício mas não eliminou o esforço para continuar a acreditar que a democracia é o pior de todos os sistemas se excluirmos todos os outros (esforço recompensado, já que hoje acordei ainda a pensar que sim...).
Estes penosos rituais confortam certamente os participantes e as suas famílias, de sangue e de partido, mas não alteram as opiniões, muito menos as decisões, dos espectadores mais informados e passam totalmente ao lado de todos os outros. (Alguém imagina os «três velhinhos», de que Laurinda Alves falava com tanto enlevo, colados a um ecrã de televisão numa remota aldeia portuguesa?) Quando se prevê que a abstenção, a nível europeu, ultrapasse a que se verificou em 2004 (54,3%), seriam certamente desejáveis outras aproximações ao problema, mas não tenho engenho, e muito menos arte, para sugerir o que quer que seja.

Sobre o debate de ontem, vou guardar religiosamente a «cábula-resumo» que Pedro Correia elaborou porque servirá para recordar nomes, partidos e frases da noite (faltam fotos, Pedro...).
Quem quiser sorrir, não deixe de ler um texto em que Luís Januário nos revela preocupações com a imagem dos cinco principais candidatos. Aconselha por exemplo a Paulo Rangel: «Não volte a fazer campanha em pinhais quase desertos, rodeado de gente que lembra madeireiros, pré-incendiários e agricultores expulsos da CAP. Sob o ponto de vista televisivo é feiíssimo e desperta nos eleitores a síndrome do capuchinho vermelho.»

Faltam vinte e alguns dias para que termine esta primeira etapa eleitoral – aperitivo para duas outras que, essas sim, darão certamente muito mais luta e vários debates bem menos civilizados.

«Encruzilhadas da Democracia»





Ciclo coordenado por Miguel Serras Pereira
3- A Questão Religiosa - O Problema Político da Religião
Frei Bento Domingues
Joana Lopes
Luís Salgado de Matos

13 de Maio, 18:00
R. António Maria Cardoso, 68, Lisboa

11.5.09

Todos são primos e primas...

«She [MFL] is a fifth cousin of her non-immediate predecessor Pedro Santana Lopes.»
Fonte: Informação através de G_L no Twitter

As Jotas, a Queima e o poder












«Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).»

Manuel António Pina, no JN de hoje. Quem diria melhor?

10.5.09

Esquerdas unidas?











Bem tentei não escrever sobre o «Apelo à Convergência da Esquerda nas eleições por Lisboa», mas lá terá de ser. Circula há cerca de um mês uma petição online para recolha de assinaturas num texto em que se apela «a todas as organizações de esquerda – partidos, movimentos, associações – a uma convergência de esforços e de programa que permita a eleição de uma equipa que dê garantias de rigor, transparência, responsabilidade e empenho no desenvolvimento equilibrado da cidade». Leia-se: que impeça que a Câmara Municipal de Lisboa volte a ter «executivos liderados por forças de direita».
Não sei exactamente quantos mails recebi em que era pedida a minha adesão, certamente mais de dez (incluindo um em que se dizia mais ou menos o seguinte: «Se concordar, assine. Se não concordar, envie aos seus amigos»!...). Não concordo, e por isso, não assinei, e claro que não enviei a nenhum amigo...
Porque quero que Santana Lopes ganhe as autárquicas em Lisboa? Claro que não, há umas décadas até teria rezado para que tal não acontecesse! Mas daí a pedirem-me que ensine o padre-nosso ao vigário vai uma grande distância. Não se supõe que os líderes dos partidos e movimentos que estão no terreno tenham feito e continuem a fazer o seu papel, não foi para isso que votámos neles? Será porque mil e uns tantos cidadãos formulam um voto piedoso e vaguíssimo que eles vão mudar de ideias?
Por outro lado e pondo nomes nos factos: está-se a pedir aos eleitores do movimento de Helena Roseta, aos do Bloco e aos da CDU que se juntem ao PS para que António Costa seja reeleito. Com base numa etiqueta «de esquerda»? Esquecendo o país e tudo o resto que os divide? Há ainda quem acredite que uma simples convergência CONTRA qualquer coisa pode funcionar, mesmo que seja contra Santana Lopes?

Humor americano, versão Obama

Obama fez ontem, em Washington, o tradicional discurso dos presidentes durante a gala anual da Associação dos Correspondentes junto da Casa Branca, que reúne representantes da política, do jornalismo e do entretenimento.
Até falou do «nosso» cão e disse que pensa «ter tanto êxito nos próximos 100 dias» que será «capaz de os completar em 72 e de descansar no 73º».

Os cinco primeiros minutos do discurso:



Na íntegra, aqui (parte 1) e aqui (parte 2).

9.5.09

El cantaor

Miguel Poveda

A força da história oral

Maria Manuela Cruzeiro fez uma entrevista de cerca de quarenta horas a um dos principais capitães de Abril, Vasco Lourenço, e propõe-nos um longo caminho bem pelo interior da revolução de 74, desde as fases de preparação até à Constituição de 1976.
Não me alargo em elogios, mais do que merecidos, porque João Tunes já o fez sem poupar nas palavras, e remeto também para tudo o que ele escreveu sobre o livro, com destaque para a clareza com que o papel de Vasco Lourenço nele é evidenciado.
Três apontamentos de leitura apenas.
- Mais de duas semanas depois de o livro estar disponível, registo, com alguma estranheza devo dizê-lo, a ausência de reacções públicas ao mesmo, apesar de algumas personalidades, de grande relevo na história recente do país (como é o caso do general Eanes), não saírem muito bem na fotografia que Vasco Lourenço delas faz.
- Mesmo se VL responde negativamente, e com grande ênfase, quando lhe é perguntado se não houve «uma dose de sorte» no sucesso das operações no dia do 25 de Abril, fica-se com a sensação contrária: ao acompanhar a descrição detalhada de todos os passos da preparação, volta-se a pensar que muitos fios poderiam ter sido quebrados, a tal ponto eles ainda hoje parecem débeis.
- VL diz, e repete à saciedade, que os militares nunca quiseram fazer uma revolução (à partida, nem sequer um golpe militar), mas apenas devolver a liberdade ao povo através de eleições livres. O filme dos acontecimentos, revisto através da leitura deste livro, mostra, com todo o detalhe e com uma clareza impressionantes, como a revolução ultrapassou imediatamente os seus principais agentes e começou de facto, na rua, no próprio dia 25 de Abril.

* Maria Manuela Cruzeiro, Vasco Lourenço, do Interior da Revolução, Editora Âncora, 576 p.

8.5.09

Estaline contra marcianos









Acaba de ser lançado em Espanha um videojogo em que o Exército Vermelho enfrenta uma invasão de marcianos durante a Segunda Guerra Mundial. Tanques contra discos voadores e a possibilidade – teoricamente impossível, absolutamente inesperada e que tanto prazer daria a muitos – de manipular, ao vivo e a cores, o próprio Estaline.
Com a diversão em pano de fundo e como única ideologia, evidentemente.

(Fonte)

Como falamos a democracia?
















Um texto de Mia Couto, a ler na íntegra.

«A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra “democracia”? Num idioma em que “Presidente” se diz “Deus”? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é “hossi”. Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa. (...)
Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Eles começaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso de termos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais».

(Via Lusofilia)

7.5.09

«i», provavelmente

Price / Performance, um critério como outro qualquer: pelo mesmo 1 euro, tempo de leitura gasto com o Público x 2.

«i» por enquanto não se entranha, mas talvez...














As primeiras reacções ao novo jornal denunciam a falta de notícias. Mas «ninguém paga para conhecer o que já sabe», avisa Martin Avllez logo à partida e toda a concepção do jornal parece ter esta premissa no horizonte. Ou seja, assume-se, até certo ponto, que o público-alvo do «i» já foi informado (por jornais, rádio, televisões, internet, sms...) e que procura outra coisa. Uma ideia interessante, à partida. Mas encontra-se o quê exactamente? É cedo para tirar conclusões, mas 72 páginas, com textos por vezes longos, podem ser uma dose diária um pouco violenta para os leitores e, certamente, um ritmo difícil de manter por parte da redacção – independentemente da qualidade dos conteúdos.
Sobretudo porque os objectivos são no mínimo ambiciosos: «devolver a agressividade que os jornais diários perderam, a profundidade que os semanários esqueceram e a sofisticação que as revistas procuram» – o tal ovo de Colombo que afinal todos gostariam de descobrir, não?

6.5.09

Adeus e até ao meu regresso















Pedro Namora, que nos habituou a uma presença constante a propósito de algumas histórias bem tristes, é hoje protagonista de uma outra. Sabe-se que vai ser candidato à presidência da Câmara de Setúbal pelo PPM, porque o PC (mais exactamente a CDU), partido em que militou vinte e seis anos, vai propor alguém que ele classifica como «anticomunista dissimulada».
Entretanto, vai dizendo no seu blogue: «Cada vez me sinto mais próximo, ideologicamente, do meu Partido, o único que verdadeiramente defende os trabalhadores e outras classes sociais desfavorecidas, em Portugal». Procurará ser digno de reaver o seu «estimado cartão de militante» e,«naturalmente, no resto do território nacional», apelará ao voto na CDU (nacional? e no resto mundo?).
Portanto, para ele, Duarte Pio ou Jerónimo de Sousa – who cares? E para o PPM também vale tudo? Não há nem uns pozinhos de diferença entre ter um candidato comunista ou monárquico? Onde isto já vai...
Ao entrar no blogue de Pedro Namora (ainda?) deparamos com Álvaro Cunhal, Lenine e cinco heróis cubanos. Ficarão por lá até que regresse ao partido? E este recebê-lo-á de braços abertos?

P.S. – Não, não acho que o PC seja responsável, nem que deva pedir desculpas a quem quer que seja.

Foi você que pediu para ser espancada?

video

Transições













Que na transição do franquismo para a democracia há ainda muitas «sombras» que os espanhóis estão agora a tentar entender, explicar e desfazer, parece um lugar comum para quem se interessa minimamente por estes assuntos, tão próximos e tão diferentes em Portugal e em terras de «nuestros hermanos».
Foi o que ficou patente num colóquio – mais um – sobre «A memória da Transição», organizado pela Universidade de Valladolid, no qual se frisou de novo que o espectro de uma nova guerra civil, ou de um regresso à ditadura, acabou por enviesar muitas decisões e muitos silêncios e por estar na base de grande parte das dificuldades encontradas na aplicação da actual lei sobre a Memória Histórica.
Durante o colóquio, a grande surpresa terá sido uma única voz discordante, a de Santiago Carrillo, ex-secretário-geral do Partido Comunista Espanhol: para ele, «en la Transición se hizo cuanto se podía y se debía, por lo que creo que está bien hecha». Importa-se de repetir?

(Fonte)

P.S. – A propósito de Transições: estou quase a acabar de ler o livro de M. Manuela Cruzeiro, Do Interior da Revolução, um notabilíssimo documento de história oral, que resulta de uma entrevista de cerca de quarenta horas que a autora fez a Vasco Lourenço. Este livro deveria fazer parte de um plano nacional de leitura obrigatória - pelo menos para «políticos».

5.5.09

Multiculturalismos


















A cruz suástica é sinal de longevidade e a posição da mão representa a Fénix...

(Segundo informação de um guia - em Hue, Vietname)

Quando a desordem se torna ordem















«Quando a desordem se torna ordem, uma atitude se impõe: afrontamento».»
Esta citação que Manuel António Pina faz, no JN de hoje, fez tocar umas longínquas campainhas de feliz memória, que me levaram aos anos 60 e aos célebres pequenos cadernos da editora que foi buscar o nome à referida afirmação de Emmanuel Mounier.
MAP diz que lhe ocorreu «essa epígrafe ouvindo o inenarrável dr. Vitalino Canas reclamar nova maioria absoluta do PS em nome da "estabilidade"». Bastaria ele ter chamado «inenarrável» a Vitalino Canas para ter a minha simpatia e citação. Mas há mais: tal como ele, considero um «afrontamento» que se peça uma nova maioria absoluta em nome da «estabilidade» que temos.
Até porque há muito tempo que penso que a nossa maturidade cívica e democrática só avançará sem maiorias absolutas, com uma aprendizagem de colaboração programática e acordos pontuais entre os partidos que temos – a quem damos o nosso voto e que não são propriamente gangs de bandidos.
As discussões sobre a eventualidade de um Bloco Central, que desde ontem conseguiram ganhar prioridade sobre a gripe suína, tiram-me verdadeiramente do sério. Uns usam-na como uma ameaça a tudo e mais alguma coisa, e reclamarão o «voto útil» para evitar «a desgraça»; outros, para quem viver em estado de consenso é o principal objectivo na vida, desejam-na por isso mesmo como a salvação para todos os males.
Há um pessimismo em tudo isto, uma falta de confiança nos diferentes agentes que estão no terreno e na própria dinâmica da democracia, que não deveriam ser possíveis trinta e cinco anos depois do 25 de Abril – «como se a luta política fosse coisa má», escrevia-me ontem alguém que pensa o mesmo que eu.
Arrojo, audácia, tenacidade precisam-se – para enfrentar e para afrontar tudo o que aí está e o que ainda está para vir.

4.5.09

Não havia necessidade...



Jorge Sampaio, ao Diário Económico.

Texto na íntegra

Chegou 2ª feira e César das Neves com ela










«O mais curioso é quando um assunto a que ninguém ligou nada durante milénios pretende transformar-se de súbito em decisivo, impondo uma única solução como aceitável, que por acaso ninguém nunca considerou razoável. O casamento dos homossexuais é um extremo destes. Sempre existiu homossexualidade e jamais se viu defender que ela fosse equiparável ao casamento, mesmo em sociedades que lhe foram favoráveis.»
Também houve milhões de vítimas de formas de escravatura que hoje ninguém ousa defender. Também se matou e se morreu em nome de diferenças raças, cores e geografias. Também foram necessários anos e anos de lutas para que as mulheres começassem a ocupar o seu lugar nas sociedades. Também a pena de morte existiu durante séculos nas sociedades civilizadas e deixou de existir, ou só existe ainda nalgumas, poucas, perante a reprovação generalizada da humanidade.
Dir-se-á que estas são causas de um outro nível e de uma outra importância. E daí? Nem só de questões absolutamente transcendentes é feita a história e não vislumbro que consequências catastróficas para os séculos futuros podem resultar do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não deve existir só porque não foi defendido na Grécia antiga ou na corte de D. Afonso Henriques?
O que César das Neves não entende, ou finge não entender, é que o progresso da humanidade existe, entre outras razões, por não se continuar a fazer o que «sempre» se fez – ou ainda andaríamos nus, como Adão e Eva, no paraíso terrestre em que C. das Neves certamente acredita.

3.5.09

Da juventude perdida, em Maio

Um pequeno-grande romance de Patrick Modiano, que nos faz vaguear por Paris, num exercício de memória e amnésia, sem dúvida um tanto melancólico, mas que vale a pena seguir (*).
De uma forma pouco linear, o autor retrata-nos a personagem da misteriosa Louki, através de alguns outros estranhos olhares. Não menos aliciante: leva-nos a ruas e a cafés onde nos reencontramos com a boémia parisiense dos anos 60.

Leitura adequada para estes primeiros dias de Maio, para sempre ligados a Paris e a 68, mesmo se não é de esperar que se repita a febre comemorativa que, há um ano, invadiu uma parte da blogosfera. O aniversário não é agora um número redondo e os ventos não sopram na direcção de efemérides mais ou menos utópicas. Mas não fará mal a ninguém (nem mesmo às justas causas de Bernardinos, Vitais e Vitalinos) recordar que em 3 de Maio, há 41 anos, a Sorbonne foi ocupada e que foi nesse dia que começaram as primeiras grandes manifestações de estudantes.
Regressam portanto Conh-Bendit e Dominique Grange (com ruídos da época...), já que ambos ainda aqui andam pelos meus arquivos.


Intervention de Daniel Cohn Bendit
envoyé par ina









(*) No café da juventude pedida, ASA, 112 p.