Páginas

30.6.09

Para derrotar o real












Muito discretamente, o Luís diz-nos que A Natureza do Mal «entrou hoje no sexto ano consecutivo de publicação». Pois que vá entrando em muitos outros anos, já que é companhia mais do que indispensável nesta espécie de caminhada dos solitários.

Sem ponto





1º Ler isto e isto.

2º Ver isto.

3º Comprar o «Correio da Manhã».

29.6.09

«Silly season»? Aí está ela: Cavaco versus Marcelo

















É impressão minha ou estes também andam um pouco nervosos?

Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, 28/6, no programa «As escolhas de Marcelo»:
«Eu acho que o Presidente não foi feliz no comentário que fez. (…) Num processo judicial em curso, o Presidente não pode formular juízos porque a sensação é que está a condenar aquelas pessoas que ainda não foram condenadas. E levanta-se uma questão: tenciona fazer o mesmo noutros processos, com outros banqueiros, com outra gente ligada à Banca? Também se vai pronunciar? (…) O Presidente não devia ter dito aquilo.»

Cavaco Silva, em Nota Informativa da Presidência da República, hoje, 29/6:
«Nos últimos dias, por mais de uma vez, surgiu na comunicação social a informação de que o Presidente da República teria, no passado dia 25, durante a sua visita ao AvePark, em Guimarães, formulado juízos sobre um processo judicial envolvendo alguns ex-administradores do BCP. Não é verdade, como qualquer cidadão pode verificar pela gravação vídeo das declarações então proferidas pelo Presidente da República, constante do site da Presidência da República www.presidencia.pt.
Depois de responder a uma pergunta sobre um eventual negócio entre a PT e a TVI, uma jornalista inquiriu o Presidente da República sobre a banca portuguesa.
Na sua resposta o Presidente da República limitou-se a falar da importância da estabilidade do sistema financeiro para o crescimento económico dos países e sobre as reuniões do Conselho Europeu e do G20, em Londres, sobre a estabilização do sistema financeiro internacional. »

Murais de Lisboa

No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos pintou, em Lisboa, um mural que viria a desaparecer, num incêndio, em 1981. Entre os pintores, muitas caras conhecidas : Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, etc., etc.

O filme que hoje se divulga é um documento precioso, muito pouco conhecido. É da autoria de Manuel Costa e Silva e foi-me disponibilizado por Fernando Matos Silva.

video(

(Já estava nos Caminhos, mas fica também aqui.)

Honduras – à primeira vista














Importante:
«A pesar del golpe de ayer en Honduras, América Latina, con los riesgos que conlleva generalizar sobre 21 países, vive su mejor periodo democrático de las últimas tres décadas. Sus presidentes, sin embargo, han adquirido una costumbre inquietante: cambiar las reglas del juego en mitad del partido para permanecer en el poder. La patología no sigue un patrón ideológico concreto: no importa que el viento sople por la izquierda, como en Venezuela; por la derecha, como en Colombia, o que dé bandazos, de un lado a otro, como en Honduras.»

Mas também:
«Au Honduras, comme dans beaucoup d'autres pays d'Amérique latine, les élus ne peuvent accomplir qu'un seul mandat (au Honduras, il est de quatre ans) et Zelaya a voulu organiser ce dimanche un référendum non pour modifier la constitution, mais pour demander au peuple s'il veut convoquer dans un prochain scrutin une assemblée constituante afin qu'elle permette aux élus de briguer un second mandat.»

E ainda:
El delito imperdonable de preguntar al pueblo

28.6.09

Se quer ser padre, case-se primeiro











Em trânsito e depois de um breve zapping, parei na Rádio Renascença, onde Maria José Nogueira Pinto, João Ferreira do Amaral e um tal padre Hermínio Rico conversavam, segundo me pareceu, sobre falta de vocações na igreja actual. Fatal como o destino, acabaram por discutir a questão do casamento dos padres.

Está-se sempre a aprender. O dito padre disse-se convictamente a favor da ordenação de homens casados e, ainda mais convictamente, contra o casamento de homens ordenados. Explicando melhor: à imagem do que é prática corrente nas igrejas orientais, também Roma estará cada vez mais disponível para analisar, caso a caso, a situação de homens com família constituída, «com uma situação matrimonial claramente resolvida», que queiram tornar-se padres. Mas o inverso - ou seja, admitir o casamento de padres ordenados quando solteiros - é absolutamente «inconcebível» para Hermínio Rico. Porquê? Cito de cor: «Imaginem o que seria um padre a namorar!». Ou então: «Quando ele estivesse a confessar uma mulher, acabaria por estar sempre a perguntar-se a si próprio se ela queria ou não ser sua namorada.»

Que raio de argumentos! Tudo num mundo angélico e perfeito, em que padres já casados, ou definitivamente solteiros, nunca foram - nem serão - tentados a «namorar», no confessionário ou fora dele. Nem nunca «namoraram» - séculos e séculos de história estão aí para o comprovar. Haja deus!

Magalhães foi nome que deu sempre luzes ao mundo












Quando Don Tapscott esteve em Portugal, há cerca de dois meses, percebi que se tratava de um ilustre desconhecido para a esmagadora maioria de jornalistas e bloggers. Chamei então a atenção para as suas principais obras e para um entrevista que deu a Jorge Nascimento Rodrigues, em 2008. Trata-se de alguém que sabe do que está a falar.

Volta agora às primeiras páginas porque, com base no seu entusiasmo pelo uso do Magalhães e suas consequências, aconselhou Obama a olhar para Portugal:
«Yet Portugal is on a campaign to reinvent learning for the 21st century. The technology is only one part of that campaign. The real work is creating a new model of learning. I believe this could help the U.S. revive students’ interest in school and perhaps keep them in school long enough to graduate, and even go to college. (...) Yet after seeing the promise of the exciting classrooms in Portugal, I’m convinced it is worth it. Your child should be so fortunate.»

Algum exagero, conceda-se, porque bom seria que Portugal estivesse, de facto, a «reinventar o ensino para o século XXI»… Dito isto, as observações de Don Tapscott estão longe de ser disparatadas, já que, no meu entender e apesar de todos os defeitos, erros e limitações, esta iniciativa ficará para sempre assinalada como o que de melhor se fez durante o governo de José Sócrates. (De sublinhar que vários portugueses deixaram já comentários ao texto de Don Tapscott, a favor ou contra - mesmo quem, habitualmente, nunca deixa rasto nos nossos modestos blogues lusitanos…)

P.S. - Entretanto, acabo de ler que um grupo de professores está a testar um software que permite «controlar o que cada aluno está a fazer no seu Magalhães», já que «Se cada criança tiver um Magalhães na sala de aula, são 20 computadores que ali estão de costas para o professor, sem ele saber o que é que os alunos estão a fazer». Acredito que o dito software seja muito útil, mas há, em todo este texto, uma preocupante ânsia de controle.

Pensamento do dia

27.6.09

Facilitismo? Trivialidade também serve

Comentei há dias o exame de Matemática A para o 9º ano e tive as mais variadas reacções. No Público de hoje, um membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Matemática escreve um texto que eu assinaria da primeira à última linha.

Leio, num outro artigo, que o mesmo problema existe em mais países europeus e não fico admirada - o que eu gostava mesmo era de ver o enunciado de um exame paralelo feito na Noruega, em Singapura ou no Japão. Talvez mesmo no Cambodja - quem sabe?...

(Clicar para ler)

As bolas de Moçambique



(Via jpt)

26.6.09

Este país não existe (3)










Manuela Ferreira Leite sobre Santana Lopes:
«Foi presidente do partido, foi primeiro-ministro e foi deputado depois de ter exercido essas funções. E, depois de o partido neste momento ter definido como critério que alguém candidato a uma autarquia não se devia candidatar a deputado por uma questão de seriedade perante o eleitorado, o Pedro Santana Lopes teve a humildade de optar por se candidatar a uma autarquia. (…) É verdadeiramente notável em termos de humildade democrática que desejo que todas as pessoas soubessem protagonizar. Efectivamente, é um exemplo democrático para todos os elementos do partido», acrescentou a presidente do PSD, enquanto Pedro Santana Lopes, sentado na mesa da comunicação social, lhe acenava em sinal de agradecimento.

Google e sex-shops












Acusando o Google de difundir conteúdos «vulgares, pornográficos e lascivos», o governo chinês mandou bloquear intermitentemente aquele motor de pesquisa, bem como a sua plataforma de correio electrónico (gmail). Além disso, a partir de 1 de Julho, todos os novos computadores serão vendidos na China com um software pré-instalado, que filtrará diversos conteúdos da internet – um passo «em frente» dado pelo Partido Comunista Chinês nos limites impostos à liberdade de expressão.

Em contrapartida, todos os dias abrem novas sex-shops nas principais cidades chinesas. «Boutiques do Amor» ou «Saúde do adulto», anuncia-se em cerca de 2.000 que podem ser visitadas nem Pequim, ou em outras tantas de Xangai.

Portanto, sexualidade à venda de porta aberta para a rua (com tudo que estas lojas por vezes significam), claro que sim. No ecrã e no teclado, sem selecção por parte das autoridades, sem controlo e sem barreiras, pois certamente que não. Até um dia.

25.6.09

Momento Chávez, versão afonsina

Prémio Lemniscata















Este blogue recebeu o prémio em questão de O país do burro e de Vermelho cor de alface – a quem muito agradeço, obviamente.

Que prémio é este? Complicado!
«O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogues que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Sobre o significado de LEMNISCATA:
LEMNISCATA: «curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante».
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores. (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
O símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.

A cadeia segue, simbolicamente para três blogues de Moçambique que hoje festeja 34 anos de independência (e que, afinal, é a minha terra….):
* Ma-shamba
* Navegador Solidário
* Lusofilia

Dois em um, aqui fica o (lindíssimo) Hino de Moçambique:





Este país não existe (2)










Ouvido em directo e noticiado aqui:

«No debate quinzenal no Parlamento, José Sócrates disse ontem que o ex-presidente do Instituto da Conservação da Natureza (ICN), Carlos Guerra, falou com o ministro da Agricultura logo que foi constituído arguido, a semana passada. E, acrescentou, Jaime Silva "tomou a decisão de nomear um novo gestor para o Proder".

Minutos antes, fora do hemiciclo, o ministro da Agricultura deixara claro que a demissão de Carlos Guerra não estava decidida. "Vou ter uma reunião com ele hoje à tarde e, em função disso, tomarei uma decisão", declarou. Pouco depois, avisado de que Sócrates anunciara a demissão, voltou a falar. "O arquitecto (Carlos Guerra) pôs o seu lugar à disposição, formalmente, numa carta. Eu tomei em consideração a iniciativa dele", disse, sem esclarecer a contradição.»

24.6.09

O tal exame

















Nada como uma noite de insónias para tirar dúvidas. Depois de ouvir mais de cinquenta vezes afirmar, e negar, que o Exame de Matemática A do 9º ano estava ao nível da instrução primária, procurei-o na net e resolvi-o. Não, não sou licenciada em Matemática e há muitos anos que não olhava para este tipo de provas. Mas ainda não caí em mim e tudo o que poderia dizer saber-me-ia a pouco.

Faço portanto o seguinte: transcrevo parte de uma das questões do referido exame e uma outra que tirei de UMA PROVA MINHA DA ANTIGA 4ª CLASSE, religiosamente arquivada pela minha mãe, numa pasta que conservo.

Exame do 9º ano
O Museu do Louvre é um dos mais visitados do mundo. A Tabela representa o número de visitantes em três anos consecutivos (em milhões):
2004 – 6,7
2005 – 7,5
2006 – 8,3
Obrserva que o aumento do número de visitantes, por ano, entre 2005 e 2006 é contante, Determina o ano em que haverá 15,5 milhões de visitantes, supondo que o aumento, nos anos seguintes, se mantém constante. Mostra como chegaste à tua resposta.

(Obs.- Tenho praticamente a certeza de que é possível usar máquina de calcular.)

Exame da (minha) antiga 4ª classe
Um terreno tinha 2,3 hm2. Venderam-se dele 45 dam2 a 40$00 cada metro quadrado. Quanto vale o restante?

Eu tinha 8 anos quando resolvi este problema – sem tabelas com fórmulas, nem máquinas de calcular.

23.6.09

O trompetista

Antes que o dia acabe, Boris Vian em Saint-Germain-des-Prés

Este país não existe (1)












Via Activismo do Sofá, ontem no Twitter:
«Manuel Pinho sobre o potencial [turístico] de Portugal: "Às vezes esquecemos que o cão do presidente Obama é um cão algarvio"»

Anónimos e pseudónimos















A «High Court of London» deu razão ao jornal The Times que, depois de uma longa investigação, revelou a verdadeira identidade de Richard Horton, um blogger de grande sucesso que escrevia sob pseudónimo. Ficou assim a saber-se que se tratava de um detective no activo e que ninguém suspeitava - nem o júri que lhe atribuiu recentemente um prémio – que ele relatava e denunciava casos reais em que estivera profissionalmente envolvido, limitando-se a alterar datas e locais. Com uma certa frequência, dava também conselhos a quem estivesse a ser objecto de perseguições policiais.

A revelação da sua identidade teve como consequência o encerramento do blogue e uma advertência escrita por parte dos seus superiores. Os juízes alegaram que «manter um blogue é uma actividade essencialmente pública» e que, neste caso concreto, o que nele era escrito provocava controvérsia, também ela pública. As reacções não se fizeram esperar, em Inglaterra e não só, e percebe-se bem a razão, pelo que está de facto em jogo – o direito à privacidade -, com tudo o que o mesmo implica. A questão está longe de ser simples e linear e vai já longe a lista de argumentos e contra-argumentos.

- O anonimato ajuda a focalizar a discussão nos conteúdos (e não nos autores) e é assim um estímulo para o debate, ou, bem pelo contrário, implica uma perda de credibilidade? Só deve ter como barreira, e como limite, possíveis ofensas a terceiros e, nesse caso, ser então objecto de procedimentos judiciais?

- Há que exigir quixotismo e uma certa dose de heroicidade a quem aspira a algo, que até há pouco parecia simples e relativamente «ingénuo», como escrever num blogue? Ou, em certas circunstâncias, o anonimato (ou a utilização de pseudónimos) é a única garantia e exclusiva hipótese para o exercício da liberdade de expressão, a protecção possível contra intimidações e insultos na esfera da vida privada e profissional?

- No limite, e como li algures, «para sermos felizes, vivamos escondidos»?

(Fontes 1 e 2)

22.6.09

Boris Vian
















Boris Vian morreu com 39 anos, vítima de crise cardíaca, em 23 de Junho de 1959. Escritor, engenheiro mecânico, inventor, poeta, cantor e trompetista, teve uma vida muito acidentada e ficou sobretudo conhecido pelos livros de poemas e alguns dos seus onze romances,como L’écume des jours e L’automne à Pékin.

Célebre ficou também uma canção - Le déserteur – que foi, durante muitos anos, uma espécie de hino para todos os que recusavam a guerra – incluindo muitos portugueses. Lançada durante a guerra da Indochina, foi grande o seu impacto e acabou mesmo por ser proibida por antipatriotismo, na rádio francesa, pouco depois do início da Guerra da Argélia.



Por ocasião do 50º aniversário da morte de Boris Vian, Valère-Marie Marchand acaba de publicar uma biografia – Boris Vian, le sourire créateur – que pode ser lida gratuitamente na internet, ou comprada online sob a forma de PDF.

A autora deu também uma longa entrevista onde fala da vida e da obra de Boris Vian, que pode ser ouvida aqui.

NATO avisa que valor de Cristiano Ronaldo possibilitava matar 8,6 milhões de talibãs

Do Inimigo Público:
«Pouco depois da ONU ter alertado que o valor da transferência de Cristiano Ronaldo poderia alimentar 8,6 milhões de etíopes, outras organizações internacionais fizeram alertas semelhantes.
Assim, a NATO avisou que com 94 milhões de euros se poderia limpar o sebo a 8,6 milhões de talibãs, o FMI lembrou que esse valor poderia servir para controlar a vida de 8,6 milhões de latino-americanos, a União Europeia lembrou que 94 milhões de euros dariam para subsidiar 8,6 milhões de agricultores franceses e, por último, a mesma ONU lembrou ainda que o valor exorbitante serviria para alimentar 8,6 presidentes da Etiópia. Por cá, o Banco de Portugal lembrou que essa cifra daria para assegurar a reforma a 9,4 Migueis Cadilhes.»

Tabus no Irão

















Pintora e cineasta, Mitra Farahani é iraniana, tem 34 anos e vive legalmente em Paris. Há alguns dias, resolveu arriscar uma viagem a Teerão e foi presa à chegada.

Quando, em 2004, estreou Tabous, um documentário que mistura cenas da vida real com ficção e onde são retratadas as frustrações sexuais dos iranianos, Mitra comentou : «Todos têm uma vida dupla em Teerão. E todos sabem que todos têm uma vida dupla.» A reacção das auroridades fez-se esperar : só três anos mais tarde é que algumas pessoas relacionadas com o filme foram presas – uma ameaça indirecta para a própria Mitra. Em França, sentiu-se agora «prisioneira» e decidiu pôr-se a caminho do centro de todos os acontecimentos. Está numa prisão, na companhia de muitos outros presos políticos, e o seu destino depende do desfecho de tudo o que está em jogo neste momento.

Já em 2002, Mitra Farahani tinha realizado um primeiro documentário – Juste une femme - que teve grande sucesso, nomeadamente no Festival de Berlim onde foi premiado. Nele se mostra como, para muitos gays iranianos, a única hipótese de viver a homossexualidade é mudar de sexo.

Vidas com uma brutalidade inconcebível e revoltante, que explodem nas ruas e que não podem deixar de abalar e de interpelar a nossa confortável pacatez.

Genérico de Tabous :

us d'infos sur ce film


(Fonte)

Para a história do Twitter


















(Via Paulo Querido no Twitter)

21.6.09

Para além da humildade














Ou o jornal citou mal as palavras de Sócrates, ontem no Fórum das Novas Fronteiras, ou elas não têm sentido. Depois de afirmar que o PS é um «partido de projecto e não apenas de protesto», teria explicitado:

«O PS não é nem deve ser apenas um partido de protesto que se possa limitar a andar por aí de dedo apontado ou de mão no peito a apontar erros e a dizer mal de tudo. Em Portugal já há muita gente para isso.»

Não deve ser «apenas» de protesto? Mas protesta quando e contra quem? Contra si próprio? Um toque de masoquismo, agora?

De como não vale a pena travar o que é irreversível

















Escândalo em Inglaterra onde um pastor anglicano «uniu religiosamente» dois padres. Numa desconhecida e recôndita aldeia? Não, em Londres, nesta antiga e belíssima igreja, com grande pompa, trombetas, coros, 300 convidados e troca de alianças.

Se continuam a ser muitas as reacções quando padres gays são ordenados, não se fizeram esperar agora com esta «bênção de uma parceria civil», como lhe chamou quem oficiou a cerimónia. Mais uma acha para a fogueira: um dos elementos do casal presta serviço na Abadia de Westminster, o mítico templo de todas as coroações e de muitos casamentos reais.

(Fonte)

20.6.09

Delírios no Douro

















Já chamaram muitas coisas a Pacheco Pereira, mas «Loira do Regime» é no mínimo original e deve-se ter ouvido uma enorme gargalhada perto da igreja da Marmeleira.
Normalmente, «a loira» é a estúpida, mas aqui não: Luís Filipe Menezes quer que imaginemos o personagem em questão travesti de Anita Ekberg, o que não é fácil, e diz depois umas tantas coisas sem nexo aparente e que não parecem ter nada a ver com a pessoa em causa. Dá ideia que gostou daquelas frases e as «engatilhou» numa direcção, mas que podia também estar a falar de Pinto da Costa, de Mahmud Ahmadinejad ou do cachorro do presidente Obama.

----------------------------
Luís Filipe Menezes, em entrevista ao jornal «i»:
«Está a falar do combate do Dr. Pacheco Pereira, que o acusa de aparelhismo?
Pacheco Pereira é a loira do regime.
O que é isso?
Não é nada de depreciativo. Quando nos lembramos do "La Dolce Vita", de Fellini, nenhum de nós se lembra do Marcello Mastroianni, mas lembramo-nos da bela sueca a tomar banho na Fontana di Trevi. Cada filme, cada país, cada circunstância, cada momento histórico, tem a sua loira do regime. No nosso momento histórico, o meu companheiro Pacheco Pereira é a loira do regime. Ele só quer centrar todas as atenções nele, independentemente daquilo que esteja em causa. É evidente que a loira do regime é sempre má actriz. Quando se lhe dá um papel importante dá sempre para o torto - mas esteticamente é fantástica.»


P.S. - Entretanto no Abrupto, JPP critica, com toda a razão, o sensionalismo do jornal.

Burkas ou não













Só vejo certezas quando se discute a questão do porte da burka no Ocidente, trazida de novo para a ordem do dia em França, por cinquenta e oito deputados de todas as tendências, que propõem a sua proibição. Trata-se de uma reacção à aparente viragem na posição de Sarkozy que apoia Obama quando este defende que o uso da burka deve ser permitido no caso de se tratar de «uma escolha livre» da mulher (o que não será fácil comprovar, convenha-se…) Por outro lado, parece evidente que uma proibição generalizada teria como resultado que as «vítimas» se fechassem em casa.

Nada mais fácil do que concordar com os dois argumentos, certamente os politicamente mais correctos. Mas não deixa por isso de ser verdade que se trata de um fenómeno que, embora marginal, traz consigo a marca de um fundamentalismo do qual as mulheres continuam a ser as principais vítimas e que fazê-las quebrar esse cerco é certamente um dever das sociedades que as acolhem. Além de que o hábito faz também o monge , «em Roma, sê romano», etc., etc.

Enfim , dúvidas existenciais de quem não é especialmente sensível ao valor supremo da liberdade religiosa e, muito menos, à contribuição das religiões para o progresso do mundo e o avanço das civilizações.

P.S. 22/6 - A discussão continua acesa, em França.

19.6.09

Chico Buarque

Parece impossível, mas já tem – faz hoje – 65 anos. Lê aqui um trecho do seu último livro, Leite derramado, recentemente publicado em Portugal pela Don Quixote.

Entretanto na Birmânia
















Aung San Suu Kyi faz hoje 64 anos e corre na internet uma campanha com o objectivo de chamar a atenção do mundo, uma vez mais, para a situação em que se encontra a líder birmanesa. Detida pela última vez no passado dia 14 de Maio, está agora numa prisão que é célebre pelas suas péssimas condições.
Numa página do Facebook e num site criado propositadamente para a efeméride, vídeos e mensagens do mundo inteiro, bem como uma nota biográfica.

18.6.09

É ter na alma a chama imensa











Depois de uma moção de censura e de uma entrevista na SIC, todo o país está hoje em suspenso, à espera da decisão de José Eduardo Moniz! Felizmente que já se sabe que ele tem garantias: «se perder volta para a TVI, se ganhar exercerá o cargo de consultor do grupo para a Península Ibérica». Além disso, ainda bem que o seu salário, «na ordem dos 50 mil euros líquidos mensais, vai ser sustentado por um grupo de investidores estrangeiros» (já agora, que sustentem também o de Manuela Moura Guedes, se não for pedir muito).

Entretanto, vejo um Rangel (grande família, muitas famílias?...), que até conheço de andanças bem diferentes, falar agora em nome do «Movimento Benfica, Vencer, Vencer». Pois que venha o Moniz juntar-se a Jesus para que se vença – afinal o Glorioso é mesmo o melhor mesmo quando não parece, eu sou praticamente da casa e gosto de ver os amigos felizes. Desde que não se lembrem de modernices e que os sons eternos continuem a entrar pelas minhas janelas adentro.





P.S. - Afinal Moniz não avança. Quem é que estará contente? Não faço mesmo a menor ideia...

Faltavam estes para baralhar as sondagens

Uma fotografia para guardar













Tudo se passa como se o mundo fosse incapaz de prestar atenção a mais de um acontecimento e como se, nos últimos dias, só o Irão existisse. Sem nada retirar ao dramatismo dos factos, talvez não tivesse sido mau que os órgãos de comunicação social deste Ocidente semi-distraído tivessem prestado mais atenção aos quatro países BRIC que esta semana se reuniram algures na Rússia.

Responsáveis por 65% do crescimento mundial, profundamente diferentes uns dos outros, tanto nas características dos seus sistemas políticos com no ritmo do próprio crescimento, Brasil, Rússia, Índia e China «põem em causa a hegemonia ocidental, e sobretudo americana, na marcha do mundo. Sem no entanto alinharem no sonho dos altermundialistas: reclamam cogestão da mundialização, não a sua substituição. (…) Os ocidentais podem estar a ignorar, à sua custa, as dinâmicas que animam este conjunto, apesar das suas fortes contradições. É o reflexo de um mundo em que já não controlam tudo».

(Fonte, entre outras)

Reflexões talvez úteis, no dia em que os europeus se preparam para confirmar a renomeação de Durão Barroso, fingindo acreditar que ele tem o mínimo de carisma necessário para o que aí está e para tudo o que inevitavelmente se vai seguir.

17.6.09

Abstenção nas europeias? Mas houve quem votasse duas vezes…


















Soube-se agora que pelo menos um cidadão votou duas vezes no passado dia 7, uma com o Cartão de Cidadão e outra com o BI, em locais diferentes porque estava recenseado em ambos. A CNE veio hoje dizer que ocorreram mais casos, não se sabe exactamente quantos, mas em número necessariamente residual, e explica que o facto se deve a falhas em recenseamentos anteriores. Acrescenta: «A credibilidade das eleições só seria posta em causa se, generalizadamente, os cidadãos eleitores tivessem votado duas vezes. Então isso seria uma grande tristeza.» Tristeza? Ouvi em trânsito, na TSF, e nem queria acreditar. Mas está aqui.

Por razões profissionais, estive tecnicamente envolvida nos processos eleitorais das décadas de 70 e de 80 e nunca me passaria pela cabeça que, em 2009, pudessem ainda ocorrer casos como este - ou seja, que a verificação da consistência dos dados do recenseamento, a nível nacional, não fosse ainda absolutamente rigorosa e exaustiva.

P.S. - Outra dúvida? É possível ter-se simultaneamente Cartão de Cidadão e BI válido?

P.S. 2 - Não resisto a transcrever uma frase deixada pelo João Gaspar na Caixa de Comentários: «enfim, o cartão do cidadão é a pior invenção de sempre desde o rebobinador de cassetes».

Irão - A força da net


Ontem, os Guardas da Revolução (Pasdarans) ameaçaram intervir, exigindo que blogues e sites retirem tudo o que seja susceptível de «criar tensões». Por outro lado, os meios de comunicação social estrangeiros foram impedidos de filmar manifestações.

Luta inglória, no entanto, porque é inviável controlar o que se passa a nível de Youtube, Facebook e Twitter. É impossível identificar onde e por quem foi filmado o que aparece pouco depois na net e, para impedir a actualização do Twitter por SMS, seria necessário ter permanentemente parada toda a rede de telemóveis. Num «país de bloggers», a liberdade vai encontrando os seus caminhos.

Ler, por exemplo.



16.6.09

«Le plat pays» é também isto

Na belíssima Estação Central de Antuérpia

A outra esquerda














Os resultados das recentes eleições europeias trouxeram uma evidente dor de cabeça ao PS de Sócrates: a derrota foi mais expressiva do que se pensava, atingindo mínimos históricos; a direita ficou-se pelos 40%, o que torna pouco atraente o discurso choroso do "voto útil"; e a esquerda à esquerda do PS cresceu significativamente, com particular destaque para o Bloco, que ascendeu a terceira força política e triplicou o número de eleitos.

Curioso tem sido o modo como as hostes do partido do governo têm interpretado o desaire eleitoral. Algumas almas incomodadas chegaram mesmo a comparar o resultado do Bloco de Esquerda à ascensão da extrema-direita em alguns países da Europa, englobando ambos na categoria difusa dos "votos de protesto". Deixando de lado a comparação provocadora e a incapacidade de perceber a sólida dinâmica de crescimento do Bloco, a verdade é que o raciocínio é ilustrativo do modo como alguma elite política gosta de se ver a si própria: ou nós ou o caos.

Pela enésima vez, Augusto Santos Silva, o arauto do Reino, agita o fantasma da esquerda totalitária, amante dos gulags e desrespeitadora da democracia. Para além da "esquerda democrática" - obediente à NATO, incapaz de repensar o país, a Europa e o mundo num contexto de "crise" e esquecida da sua raison d'être - situar-se-ia esta "outra esquerda", espécie de lobo mascarado de cordeiro no âmago das "instituições".

Alguma razão terá Santos Silva: esta é mesmo "outra" esquerda. Uma esquerda que se sabe herdeira da história do socialismo mas que olha para o passado sem preconceitos nem medo de se transformar numa estátua de sal; uma esquerda que prefere debater ideias e apresentar propostas alternativas ao invés de responder ao chavão da "governabilidade"; uma esquerda que no dia seguinte às eleições resolveu colocar um cartaz a lembrar o flagelo do desemprego e os 200.000 homens e mulheres que, nesta situação, permanecem sem qualquer subsídio. Pensando bem, talvez seja mesmo isso que os assuste.

Um texto de Miguel Cardina

Agora os BRIC










Quando se reúnem os quarto países (Brasil, Rússia, Índia e China) responsáveis por 65% do crescimento mundial, vale a pena ler este artigo de Lula da Silva: Los países BRIC llegan a la mayoría de edad.

15.6.09

Depois, queixem-se!














Depois de Cavaco Silva, José Sócrates, PSD e CDS, chegou agora a vez de PS e Vital Moreira (afinal…) apoiarem a candidatura de Durão Barroso.
* «"A posição do nosso Governo, com a qual o PS se identifica, é de apoio ao actual presidente da Comissão ", afirmou hoje o líder do grupo parlamentar do PS.»
* «Eurodeputado Vital Moreira apoiará recandidatura de Barroso à presidência da Comissão Europeia.»

Entretanto, o passado de Durão Barroso é «revisitado» um pouco por toda a parte na Europa.
* «José Manuel Barroso, le caméléon»
* «Del maoísmo a la guerra de Irak»
* «José Manuel Barroso. Un favori mal aimé»
* «Ultralibéral aujourd’hui, maoïste hier, la boussole de JM Barroso : l’anticommunisme!»
Neste último caso, com esta pérola:
«M. Barroso a toutefois tenu à plaider la cohérence de son parcours politique : "J'ai choisi les prochinois parce qu'ils étaient les plus anti-communistes". »

Comentários para quê...

A RTP que temos













Aconteceu uma vez mais: a RTP1 só falou do Irão às 20:38 , depois do intervalo. Mas PORQUÊ???? E ATÉ QUANDO???

Quando o futuro existia

É este o subtítulo de um livro (*) que resultou de longas conversas à volta da mesa de vários jantares, entre quatro portugueses (três, mais rigorosamente, já que o quarto se naturalizou belga), todos nascidos na década de 40. Todos também emigrantes de longa duração, que começaram por recusar sobretudo a guerra colonial, que foram profissionalmente muito bem sucedidos no exílio e que optaram por continuar a viver até hoje fora do país, embora com ele mantenham ligações mais ou menos frequentes, conforme os casos e as diferentes fases da vida.

Antes de mais, importa realçar, positivamente, esta modalidade de narrativa de memórias em grupo, sob a forma oral, que serve bem os objectivos que os intervenientes se propõem: partilhar e discutir, detalhadamente, experiências e visões diferenciadas do mundo, da Europa e de Portugal, no passado e no tempo presente - longuíssimos diálogos que nos proporcionam uma leitura fácil e agradável, mas que deixam adivinhar que muitas e muitas horas de trabalho se passaram entre o gravador e o papel…

José Morais (neuropsicólogo), Manuel Paiva (físico), Jorge de Oliveira e Sousa (politólogo) e Amadeu Lopes Sabino (advogado) nunca chegam a encontrar-se com «Godinho» , o misterioso personagem que, ironicamente, está na origem do título ao livro. Dos quatro testemunhos, os dois mais interessantes são, no meu entender, o de José Morais que nos dá um fidelíssimo retrato das vicissitudes por que passou como membro do Partido Comunista (até dele sair e depois emigrar) e, principalmente, o de Amadeu Sabino.

Complexo é o percurso deste ex-PC, depois MRPP, UDP de passagem, hoje liberal assumido, europeísta com um entusiasmo que nem parece deixar lugar para quaisquer reservas quanto à actuação da Comissão Europeia (onde, aliás, é alto funcionário). O seu testemunho ilustra bem o que foi a segunda metade da década de 60, e o início da de 70, para uma parte significativa da juventude estudantil portuguesa, no caso concreto para a que foi seduzida pelo «maoísmo europeu» que era «uma utopia, uma ficção, que nada tinha a ver com o maoísmo chinês», mas que «exerceu uma força e um impulso imensos na revolução das mentes dos que o praticaram» (p. 298).

«A autodestruição da social-democracia»











João Rodrigues, no jornal «i»:

(…) «A crise poderia ser uma oportunidade para a reforma igualitária das instituições do capitalismo em que este movimento político se havia especializado há algumas décadas atrás, mas em vez disso é acompanhada pelo seu esgotamento político numa União dominada pelas direitas e pela apatia política.
Uma lição da crise é que a crise não ensina nenhuma lição, ou seja, a crise nunca gera respostas políticas automáticas, nem de esquerda, nem de direita. Tudo depende da luta das ideias e das políticas. No entanto, é preciso notar que estas lutas ocorrem num quadro que não é neutro. Na realidade, o liberalismo económico está inscrito nas regras e nas práticas económicas europeias. Este é o grande paradoxo europeu das últimas décadas: a social-democracia trabalhou para a destruição das condições institucionais - pleno emprego com direitos, sindicatos fortes, propriedade pública de sectores estratégicos ou controlo dos fluxos económicos - que tinham garantido a sua hegemonia e que favoreciam todos os imaginários socialistas.»

A ler na íntegra.

Irão

A força da resistência.



14.6.09

Ah Grande Português…

















Cristiano Ronaldo foi entrevistado por uma revista de desporto francesa (So Foot) e algumas das suas declarações estão a ter grande eco, sobretudo na imprensa espanhola. Bem humilde, o nosso herói diz que deseja «reescrever a história do futebol» e que só se sente mal quando joga mal - o que, «felizmente, é raro acontecer». Quanto a apupos, eles que venham: «Gosto de ver ódio nos olhos das pessoas». Assim sendo: «Sou Cristiano Ronaldo e posso ganhar mais do que ninguém.»

A glória vai ser curta. Quem funciona assim com a cabeça, acabará por trocar também os pés.

Ficar em casa














A taxa de abstenção, a nível europeu, foi de 57%, uns pontos abaixo daquela que se verificou em Portugal. Sabe-se agora que, da análise dos resultados de vinte inquéritos entretanto realizados, se pode concluir que o que está em causa não é o sentimento europeu propriamente dito, mas sim «incompreensão», «indiferença», «afastamento», «recusa» em relação às instituições europeias. «A única assembleia plurinacional eleita por sufrágio universal directo [o Parlamento Europeu], a primeira e única no mundo nesta situação, simboliza, manifestamente, uma Europa demasiado tecnocrática e opaca. A abstenção massiva é na realidade um voto de sanção contra o esoterismo das instituições europeias».

Nada de especialmente novo, mas que se tornou agora apenas mais evidente, com a relevância dos números a demonstrá-lo uma vez mais. Bem a tempo para que sejam introduzidas alterações de fundo e de forma – ou estaremos a dizer o mesmo, fatídica e inevitavelmente, no fim dos cinco anos que agora vão começar. Talvez com mais danos colaterais.

(Fonte)

13.6.09

Days

Outra geração que aguarda













«Tengo treinta y tres años y dos canas. Llevo al menos la mitad de la vida deseando un cambio en mi Isla. En el verano de 1990, me asomaba a las persianas de mi casa en Lealtad esquina a Lagunas, cuando el griterío de la gente me hacía pensar en una revuelta. Desde allí vi pasar las balsas cargadas en hombros hacia el mar y percibí los camiones de policías que controlaban la inconformidad. Las caras ansiosas de mis familiares presagiaban que pronto la situación evolucionaría, pero en lugar de eso los problemas se hicieron crónicos y las soluciones se postergaron. (…)

Este junio ha empezado muy parecido al de aquellos oscuros años del Período Especial. Desasosiego, cortes eléctricos en algunos barrios y una sensación generalizada de que vamos cuesta abajo. (…) Tampoco pienso irme a ningún lado, así que el mar no será en mi caso la solución para este nuevo ciclo de calamidades que comienza.

(...) otra generación que aguarda. Me resisto a creer que serán adultos mirando por la ventana a la espera de que algo ocurra; cubanos llenos de sueños postergados.»

Yoani Sánchez, hoje, em Generación Y

12.6.09

Poeiras das europeias (2)













Talvez comece agora a ser possível reflectir mais ou menos calmamente sobre o que se passou no Domingo – ou talvez não, já que o processo eleitoral em curso veio para ficar durante uns largos meses.

Não foi sem alguma surpresa que constatei o mau perder de muitos eleitores socialistas, tanto quanto ao que se passou em Portugal, como em relação aos resultados da Europa. Os mesmos que sempre reconheceram que as lideranças europeias são fraquíssimas, que criticaram o Tratado de Lisboa, que sempre reclamaram contra os ímpetos burocráticos de Bruxelas e deles se riram, que acusaram de fundamentalistas os rigores da lei anti-tabaco e que querem continuar a comer jaquinzinhos, admiraram-se agora quando um enorme cartão vermelho foi levantado contra tudo isso e mais algumas coisas.

Pretende-se dizer que o projecto europeu não é importante, que não devemos defender valores culturais e civilizacionais? De modo algum. Mas estamos a fazê-lo mal e os resultados destas eleições estão aí para demonstrar que esta Europa envelhecida e aristocrática tem sido mal governada, que ainda se julga o centro do mundo quando já não é, que vai ser repovoada por asiáticos, árabes e muitos outros (realidade para a qual não está de todo preparada, apesar de todos os discursos anti-xenófobos que apregoa), que está a gerir mal a crise e a não tirar partido do que se passa na América.

Foi por todos estes motivos, e por mais alguns específicos de cada país, que o chamado «centro» teve uma grande derrota no Domingo. Em Portugal, com a particularidade de algumas esquerdas se terem reforçado, o que parece ter desesperado a única que se considera ajuizada, razoável, realista. Que entrou em pânico e meteu no mesmo saco o avanço da direita na Europa e o sucesso do Bloco+PCP em Portugal, numa versão sempre actualizada de «quem não é por mim, é contra mim». Porque preferia, em vez destas esquerdas, outras - nem marxistas, nem leninistas, nem trotskistas, mais liofilizadas, talvez simplesmente ecológicas? É bem provável, mas disso não temos…

E não consigo deixar de considerar decepcionante que tantos, que até há bem pouco tempo tinham no horizonte um mundo de esperança bem diferente do reformismo conformado em que vivemos, defendam agora este triste status quo, em nome de seguranças e de uma governabilidade sem crença na possibilidade de diálogo, nem confiança nos que são diferentes – como se tivessem envelhecido de repente, como se o mundo estivesse para acabar o mais tardar no fim deste ano de 2009, como se o «medo de existir», de que fala José Gil, se tivesse espalhado, agora sim, repentina e generalizadamente.

P.S. - Ainda não é desta que falo da CML. Tempo haverá.

Poeiras das europeias













Sem surpresa, li ontem à noite um texto de Rui Bebiano – Um filme que já vimos -, com o qual concordo da primeira à última linha. No cerne da questão: «Isto confirma o absurdo das interpretações de sectores próximos da direcção actual do PS, que, em estado pós-traumático, se centram agora na vertigem da bipolarização e insistem na ideia peregrina segundo a qual escolher opções “menores”, ou que jamais serão governo, é “fazer o jogo da direita”.»

Aqui fica, portanto, uma forte recomendação de leitura. Voltarei ainda hoje ao tema, até porque ele tem características específicas em Lisboa, onde regressaram, agora em força, os apelos à união das «esquerdas» contra a ameaça do «papão» Santana Lopes como candidato â CML.

11.6.09

Há mais vida para além das europeias




Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will live as one

Um novo Cavaco?










«Jornalistas, analistas e políticos falaram das eleições. Mas nada se perguntou a Eduardo Beauté ou Lúcia Piloto, cabeleiros. O que é erro. Os grandes momentos do género humano costumam ter repercussões capilares e, se as europeias foram viragem, além do fim do TGV deviam trazer penteados novos. (…)
De cada vez que Cavaco Silva fala, saltam interpretadores das suas palavras, como se fará com o discurso do 10 de Junho. Mas o Presidente resume-se às palavras? Eu (e o Beauté e a Lúcia Piloto) direi até que Cavaco se revelou mais noutras paragens. O corte de há décadas, à Cary Grant - risco e cabelo penteadinho para o lado - mantém o risco mas manda, agora, o resto decididamente para trás. Não sei o que isso quer dizer, mas que há novo Cavaco depois das europeias, há.»

Ferreira Fernandes, no DN.

10.6.09

Condecorados














Cavaco Silva e os seus conselheiros têm toda a legitimidade para escolherem quem vão condecorar e porquê, neste desfilar anual de orgulhos patrióticos.Os vários presidentes da República têm sido por vezes acusados de banalização pela quantidade de nomeados e, pontualmente, por designações mais ou menos polémicas (como foi o caso, há cinco anos, quando Jorge Sampaio atribuiu a comenda da Ordem da Liberdade a Isabel do Carmo).

António Gentil Martins recebeu hoje a Ordem do Infante D. Henrique, aparentemente pelo conjunto da sua carreira como médico. Foi esta importante, não é de louvar que tenha andado pelo mundo a separar siameses? Certamente. Mas é também como médico que tem tomado, ao longo da vida, posições extremistas especialmente intolerantes. Muitos se lembrarão da sua ferocidade na oposição ao aborto durante a campanha sobre a IVG, em 2007, talvez poucos saibam que leva a defesa das famílias numerosas ao ponto de ser contra o uso obrigatório de cadeirinhas para crianças nos automóveis porque este impede os casais de terem mais do que dois filhos!

Mas, precisamente quando há entre nós uma sensibilidade especial para tudo o que se relaciona com o tema da homossexualidade, talvez valha a pena recordar, sem surpresas, que, para ele, ela é «anti-natural», porque, «a natureza humana é feita para se reproduzir como qualquer espécie animal». E vai mais longe quando fala de transsexuais: «Há doidos em todo o mundo. Discordo da transsexualidade. Não me venham dizer que o cérebro é diferente, pois ninguém provou que seja. Há todo o género de aberrações na natureza humana. A transexualidade é um disparate, em termos da natureza humana biologicamente normal, e não tem sentido (...). Pessoalmente, sugeriria o apoio do psiquiatra.»

Repito: não é o cidadão António Gentil Martins que faz estas afirmações, mas sim o médico cuja carreira foi hoje enaltecida.

Arrisco-me a pensar, sem grandes riscos de erro, que Cavaco nunca teria condecorado Isabel do Carmo, nem Jorge Sampaio o faria no caso de Gentil Martins. São as regras deste jogo em que vivemos. Mas há sempre a possibilidade – e a liberdade – de protesto. ILGA, MPI e as quase 7.000 pessoas que aderiram a este movimento: nada a dizer?

(Referência: Entrevista de AGM ao Jornal de Leiria)

O 10 de Junho


Vem de longe a comemoração do dia em que Camões foi transladado para o Mosteiro dos Jerónimos, em 1880. Feriado nacional desde os anos vinte do século passado, a data ganhou um novo significado em 1944, quando Salazar a rebaptizou como «Festa de Camões e da Raça». Fê-lo por ocasião da inauguração do Estádio Nacional, que ocorreu com toda a pompa, em cerimónias a que terão assistido mais de 60.000 pessoas e que foram filmadas por António Lopes Ribeiro (vídeos aqui e aqui). A linguagem é inequívoca - «Às cinco horas, chegou o chefe: Salazar. Salazar, campeão da pátria, era o atleta número um, naquela festa de campeões.» - e ouvem-se comentários como este: «Já não vivemos, graças a Deus, naquela época em que parecia mal às mulheres portuguesas cuidarem da higiene e da saúde do corpo, não se preparando convenientemente para a sua altíssima função.»

Mais graves, e bem mais trágicos, passaram a ser os 10 de Junho a partir de 1963. Transformados em homenagem às Forças Armadas envolvidas na guerra colonial, eram a data escolhida para distribuição de condecorações, muitas vezes na pessoa de familiares de soldados mortos em combate (fotos reais no topo deste post).

Desde 1978 que não é Dia da Raça e, para além de Portugal e de Camões, passou a festejar-se também as Comunidades Portuguesas. Mas continua a haver condecorações – outras, evidentemente, por motivos totalmente diferentes e por razões certamente muito louváveis. Talvez fosse no entanto possível ter escolhido outro dia para as distribuir, já que, no meu entender, é quase inevitável associar qualquer distribuição de medalhas neste dia às trágicas imagens do Terreiro do Paço em tempo de guerra nas colónias.


(Publicado também em Caminhos da Memória)

9.6.09

Bom tema para as autárquicas

Tronco em flor, estende os ramos














Durão Barroso vai continuar à frente da Comissão Europeia, como previsto e mais do que confirmado pelos resultados das eleições dos últimos dias. Nada de novo, portanto, excepto que talvez valha a pena recordar que, em Portugal, tem não só o apoio dos dois partidos de direita, mas também do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, Secretário-Geral do PS. Se dúvidas houvesse quanto ao facto de ser o tal «centrão» a deter os nossos poderes, este acto é mais um que contribui para as dissipar. A foto dos Açores foi tirada do álbum, mesmo por aqueles que no passado a condenaram.

Mas é bom não esquecer que tudo tem um preço e que há quem não queira partilhar o regozijo que é proposto - há gestos que se tornam simbólicos e este é um deles. Agitar depois o perigo das esquerdas, a que chamam «não democráticas», e culpá-las de todos os riscos de futuros terríveis que se avizinham é, no mínimo, injusto e irresponsável.

Estamos perante um triste sinal de um patriotismo atávico e provinciano, na véspera de um dia que já foi da Raça - o que, afinal, poderá terá deixado marcas bem mais profundas do que estamos dispostos a reconhecer.

8.6.09

Recortes (6)















«O mais importante para o interesse de Portugal é que Durão Barroso seja eleito como presidente da Comissão Europeia. Ele fez, quanto a mim, um excelente trabalho no primeiro mandato e acho que é positivo para Europa e não apenas para Portugal a sua eleição»
Cavaco Silva dixit. Como Dr. Silva ou como Presidente da República de todos os portugueses?????

Recortes (5)

A arrogância nunca foi boa conselheira.

Vital Moreira, 1 de Junho de 2009

Recortes (4)

«A escolha do eleitorado a captar [pelo PS] não será técnica mas política. Uma maçada.»
José Medeiros Ferreira

Recortes (3)

«Gosto muito dos militantes do PS, como @tbribeiro, que dizem que não foi derrota do PS, foi derrota para a Europa. Continuem assim, please.»
@pedro_sales no Twitter

Recortes (2)

«É realmente uma tristeza, o alargamento ao Leste está a fazer ao PE o que fez à Eurovisão.»
@bossito no Twitter

Recortes (1)

De um mail recebido à 1:00 AM, de um militante do BE:
«Sempre são 10%. Juntando trotskistas, maoístas, anarquistas, altermundialistas, ecologistas radicais, amantes do tofu e do seitan, bombistas reciclados e adeptos do orçamento participativo... dará isso.»

Balanços de uma noite quase de Verão














A vida normal deste país está suspensa desde há algumas semanas e regressará talvez lá por volta das férias do Natal. Se era já esperado que isso acontecesse, tudo se tornou mais evidente ontem à noite: seguem-se duas campanhas complicadíssimas e de desfechos cada vez mais imprevisíveis e o que está em causa não é apenas o que se passará por cá mas, também e muito, o ritmo a que as soluções para a crise evoluírem e o que resultar da recomposição do Parlamento Europeu.

Já tanta gente falou de vencedores e de vencidos que «passo à frente». Mas há duas realidades que parecem ter vindo para ficar: ninguém terá maioria absoluta na próxima legislatura e, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, um partido à esquerda do PS iguala, ou ultrapassa mesmo, a votação do PCP. Realidades cruas e extremamente duras para muitos, que não para mim. Mas hoje é tudo menos dia próprio para embandeirar em arco o que quer que seja, quando a direita encheu as urnas por essa Europa fora e também de certo modo em Portugal. O problema é que continua a não ser possível mudar de povos…

7.6.09

Eleições europeias














Também vou por uma fotografia de Dorothea Lange, Luís, mas prefiro esta.