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27.6.09

Facilitismo? Trivialidade também serve

Comentei há dias o exame de Matemática A para o 9º ano e tive as mais variadas reacções. No Público de hoje, um membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Matemática escreve um texto que eu assinaria da primeira à última linha.

Leio, num outro artigo, que o mesmo problema existe em mais países europeus e não fico admirada - o que eu gostava mesmo era de ver o enunciado de um exame paralelo feito na Noruega, em Singapura ou no Japão. Talvez mesmo no Cambodja - quem sabe?...

(Clicar para ler)

As bolas de Moçambique



(Via jpt)

26.6.09

Este país não existe (3)










Manuela Ferreira Leite sobre Santana Lopes:
«Foi presidente do partido, foi primeiro-ministro e foi deputado depois de ter exercido essas funções. E, depois de o partido neste momento ter definido como critério que alguém candidato a uma autarquia não se devia candidatar a deputado por uma questão de seriedade perante o eleitorado, o Pedro Santana Lopes teve a humildade de optar por se candidatar a uma autarquia. (…) É verdadeiramente notável em termos de humildade democrática que desejo que todas as pessoas soubessem protagonizar. Efectivamente, é um exemplo democrático para todos os elementos do partido», acrescentou a presidente do PSD, enquanto Pedro Santana Lopes, sentado na mesa da comunicação social, lhe acenava em sinal de agradecimento.

Google e sex-shops












Acusando o Google de difundir conteúdos «vulgares, pornográficos e lascivos», o governo chinês mandou bloquear intermitentemente aquele motor de pesquisa, bem como a sua plataforma de correio electrónico (gmail). Além disso, a partir de 1 de Julho, todos os novos computadores serão vendidos na China com um software pré-instalado, que filtrará diversos conteúdos da internet – um passo «em frente» dado pelo Partido Comunista Chinês nos limites impostos à liberdade de expressão.

Em contrapartida, todos os dias abrem novas sex-shops nas principais cidades chinesas. «Boutiques do Amor» ou «Saúde do adulto», anuncia-se em cerca de 2.000 que podem ser visitadas nem Pequim, ou em outras tantas de Xangai.

Portanto, sexualidade à venda de porta aberta para a rua (com tudo que estas lojas por vezes significam), claro que sim. No ecrã e no teclado, sem selecção por parte das autoridades, sem controlo e sem barreiras, pois certamente que não. Até um dia.

25.6.09

Momento Chávez, versão afonsina

Prémio Lemniscata















Este blogue recebeu o prémio em questão de O país do burro e de Vermelho cor de alface – a quem muito agradeço, obviamente.

Que prémio é este? Complicado!
«O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogues que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Sobre o significado de LEMNISCATA:
LEMNISCATA: «curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante».
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores. (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
O símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.

A cadeia segue, simbolicamente para três blogues de Moçambique que hoje festeja 34 anos de independência (e que, afinal, é a minha terra….):
* Ma-shamba
* Navegador Solidário
* Lusofilia

Dois em um, aqui fica o (lindíssimo) Hino de Moçambique:





Este país não existe (2)










Ouvido em directo e noticiado aqui:

«No debate quinzenal no Parlamento, José Sócrates disse ontem que o ex-presidente do Instituto da Conservação da Natureza (ICN), Carlos Guerra, falou com o ministro da Agricultura logo que foi constituído arguido, a semana passada. E, acrescentou, Jaime Silva "tomou a decisão de nomear um novo gestor para o Proder".

Minutos antes, fora do hemiciclo, o ministro da Agricultura deixara claro que a demissão de Carlos Guerra não estava decidida. "Vou ter uma reunião com ele hoje à tarde e, em função disso, tomarei uma decisão", declarou. Pouco depois, avisado de que Sócrates anunciara a demissão, voltou a falar. "O arquitecto (Carlos Guerra) pôs o seu lugar à disposição, formalmente, numa carta. Eu tomei em consideração a iniciativa dele", disse, sem esclarecer a contradição.»

24.6.09

O tal exame

















Nada como uma noite de insónias para tirar dúvidas. Depois de ouvir mais de cinquenta vezes afirmar, e negar, que o Exame de Matemática A do 9º ano estava ao nível da instrução primária, procurei-o na net e resolvi-o. Não, não sou licenciada em Matemática e há muitos anos que não olhava para este tipo de provas. Mas ainda não caí em mim e tudo o que poderia dizer saber-me-ia a pouco.

Faço portanto o seguinte: transcrevo parte de uma das questões do referido exame e uma outra que tirei de UMA PROVA MINHA DA ANTIGA 4ª CLASSE, religiosamente arquivada pela minha mãe, numa pasta que conservo.

Exame do 9º ano
O Museu do Louvre é um dos mais visitados do mundo. A Tabela representa o número de visitantes em três anos consecutivos (em milhões):
2004 – 6,7
2005 – 7,5
2006 – 8,3
Obrserva que o aumento do número de visitantes, por ano, entre 2005 e 2006 é contante, Determina o ano em que haverá 15,5 milhões de visitantes, supondo que o aumento, nos anos seguintes, se mantém constante. Mostra como chegaste à tua resposta.

(Obs.- Tenho praticamente a certeza de que é possível usar máquina de calcular.)

Exame da (minha) antiga 4ª classe
Um terreno tinha 2,3 hm2. Venderam-se dele 45 dam2 a 40$00 cada metro quadrado. Quanto vale o restante?

Eu tinha 8 anos quando resolvi este problema – sem tabelas com fórmulas, nem máquinas de calcular.

23.6.09

O trompetista

Antes que o dia acabe, Boris Vian em Saint-Germain-des-Prés

Este país não existe (1)












Via Activismo do Sofá, ontem no Twitter:
«Manuel Pinho sobre o potencial [turístico] de Portugal: "Às vezes esquecemos que o cão do presidente Obama é um cão algarvio"»

Anónimos e pseudónimos















A «High Court of London» deu razão ao jornal The Times que, depois de uma longa investigação, revelou a verdadeira identidade de Richard Horton, um blogger de grande sucesso que escrevia sob pseudónimo. Ficou assim a saber-se que se tratava de um detective no activo e que ninguém suspeitava - nem o júri que lhe atribuiu recentemente um prémio – que ele relatava e denunciava casos reais em que estivera profissionalmente envolvido, limitando-se a alterar datas e locais. Com uma certa frequência, dava também conselhos a quem estivesse a ser objecto de perseguições policiais.

A revelação da sua identidade teve como consequência o encerramento do blogue e uma advertência escrita por parte dos seus superiores. Os juízes alegaram que «manter um blogue é uma actividade essencialmente pública» e que, neste caso concreto, o que nele era escrito provocava controvérsia, também ela pública. As reacções não se fizeram esperar, em Inglaterra e não só, e percebe-se bem a razão, pelo que está de facto em jogo – o direito à privacidade -, com tudo o que o mesmo implica. A questão está longe de ser simples e linear e vai já longe a lista de argumentos e contra-argumentos.

- O anonimato ajuda a focalizar a discussão nos conteúdos (e não nos autores) e é assim um estímulo para o debate, ou, bem pelo contrário, implica uma perda de credibilidade? Só deve ter como barreira, e como limite, possíveis ofensas a terceiros e, nesse caso, ser então objecto de procedimentos judiciais?

- Há que exigir quixotismo e uma certa dose de heroicidade a quem aspira a algo, que até há pouco parecia simples e relativamente «ingénuo», como escrever num blogue? Ou, em certas circunstâncias, o anonimato (ou a utilização de pseudónimos) é a única garantia e exclusiva hipótese para o exercício da liberdade de expressão, a protecção possível contra intimidações e insultos na esfera da vida privada e profissional?

- No limite, e como li algures, «para sermos felizes, vivamos escondidos»?

(Fontes 1 e 2)

22.6.09

Boris Vian
















Boris Vian morreu com 39 anos, vítima de crise cardíaca, em 23 de Junho de 1959. Escritor, engenheiro mecânico, inventor, poeta, cantor e trompetista, teve uma vida muito acidentada e ficou sobretudo conhecido pelos livros de poemas e alguns dos seus onze romances,como L’écume des jours e L’automne à Pékin.

Célebre ficou também uma canção - Le déserteur – que foi, durante muitos anos, uma espécie de hino para todos os que recusavam a guerra – incluindo muitos portugueses. Lançada durante a guerra da Indochina, foi grande o seu impacto e acabou mesmo por ser proibida por antipatriotismo, na rádio francesa, pouco depois do início da Guerra da Argélia.



Por ocasião do 50º aniversário da morte de Boris Vian, Valère-Marie Marchand acaba de publicar uma biografia – Boris Vian, le sourire créateur – que pode ser lida gratuitamente na internet, ou comprada online sob a forma de PDF.

A autora deu também uma longa entrevista onde fala da vida e da obra de Boris Vian, que pode ser ouvida aqui.

NATO avisa que valor de Cristiano Ronaldo possibilitava matar 8,6 milhões de talibãs

Do Inimigo Público:
«Pouco depois da ONU ter alertado que o valor da transferência de Cristiano Ronaldo poderia alimentar 8,6 milhões de etíopes, outras organizações internacionais fizeram alertas semelhantes.
Assim, a NATO avisou que com 94 milhões de euros se poderia limpar o sebo a 8,6 milhões de talibãs, o FMI lembrou que esse valor poderia servir para controlar a vida de 8,6 milhões de latino-americanos, a União Europeia lembrou que 94 milhões de euros dariam para subsidiar 8,6 milhões de agricultores franceses e, por último, a mesma ONU lembrou ainda que o valor exorbitante serviria para alimentar 8,6 presidentes da Etiópia. Por cá, o Banco de Portugal lembrou que essa cifra daria para assegurar a reforma a 9,4 Migueis Cadilhes.»

Tabus no Irão

















Pintora e cineasta, Mitra Farahani é iraniana, tem 34 anos e vive legalmente em Paris. Há alguns dias, resolveu arriscar uma viagem a Teerão e foi presa à chegada.

Quando, em 2004, estreou Tabous, um documentário que mistura cenas da vida real com ficção e onde são retratadas as frustrações sexuais dos iranianos, Mitra comentou : «Todos têm uma vida dupla em Teerão. E todos sabem que todos têm uma vida dupla.» A reacção das auroridades fez-se esperar : só três anos mais tarde é que algumas pessoas relacionadas com o filme foram presas – uma ameaça indirecta para a própria Mitra. Em França, sentiu-se agora «prisioneira» e decidiu pôr-se a caminho do centro de todos os acontecimentos. Está numa prisão, na companhia de muitos outros presos políticos, e o seu destino depende do desfecho de tudo o que está em jogo neste momento.

Já em 2002, Mitra Farahani tinha realizado um primeiro documentário – Juste une femme - que teve grande sucesso, nomeadamente no Festival de Berlim onde foi premiado. Nele se mostra como, para muitos gays iranianos, a única hipótese de viver a homossexualidade é mudar de sexo.

Vidas com uma brutalidade inconcebível e revoltante, que explodem nas ruas e que não podem deixar de abalar e de interpelar a nossa confortável pacatez.

Genérico de Tabous :

us d'infos sur ce film


(Fonte)

Para a história do Twitter


















(Via Paulo Querido no Twitter)

21.6.09

Para além da humildade














Ou o jornal citou mal as palavras de Sócrates, ontem no Fórum das Novas Fronteiras, ou elas não têm sentido. Depois de afirmar que o PS é um «partido de projecto e não apenas de protesto», teria explicitado:

«O PS não é nem deve ser apenas um partido de protesto que se possa limitar a andar por aí de dedo apontado ou de mão no peito a apontar erros e a dizer mal de tudo. Em Portugal já há muita gente para isso.»

Não deve ser «apenas» de protesto? Mas protesta quando e contra quem? Contra si próprio? Um toque de masoquismo, agora?

De como não vale a pena travar o que é irreversível

















Escândalo em Inglaterra onde um pastor anglicano «uniu religiosamente» dois padres. Numa desconhecida e recôndita aldeia? Não, em Londres, nesta antiga e belíssima igreja, com grande pompa, trombetas, coros, 300 convidados e troca de alianças.

Se continuam a ser muitas as reacções quando padres gays são ordenados, não se fizeram esperar agora com esta «bênção de uma parceria civil», como lhe chamou quem oficiou a cerimónia. Mais uma acha para a fogueira: um dos elementos do casal presta serviço na Abadia de Westminster, o mítico templo de todas as coroações e de muitos casamentos reais.

(Fonte)