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31.7.09

A Susan Boyle que se cuide

Cogitações (4)

«Sem uma classe trabalhadora, sem um objectivo revolucionário a longo prazo, por muito benigno e não-violento que seja na prática, sem qualquer razão particular para supor que irá ter sucesso ou uma base transcendente para acreditar que merece tê-lo, a social-democracia actual é apenas o que os seus grandes fundadores do século XIX temiam que viesse a ser se abandonasse os seus pressupostos ideológicos e afiliação de classe: a ala avançada do liberalismo de mercado reformista. Agora, exactamente quando a morte do comunismo a aliviou da hipoteca paralisante das expectativas revolucionárias, deve a esquerda europeia reduzir-se à defesa de progressos sectoriais arduamente conquistados e olhar de relance, nervosa e ressentida, para um futuro que não consegue compreender e de que não tem a certeza?»

Tony Judt, O Século XX esquecido, pp.431-432.

Na dúvida a inocência mesmo a tempo de concorrer à Câmara ou sou eu que estou a ver coisas?

Acordar lá amanhã seria uma maravilha

30.7.09

Cogitações (3)

«Se a Esquerda é projecto, ela tem de constituir um sistema de ideias, que só o será se existir um critério (ou critérios) que o estruture(m). As ideias poderão ir evoluindo - pois não só o debate não tem fim, como ir-se-á modificando o contexto em que ele decorre -, mas aquilo que as liga e interrelaciona, que as estrutura enquanto projecto, terá de manter-se constante. Será pois parte da ideia de Esquerda e não as ideias que a subconstituem. Para não me alongar demasiado, exemplifico: o critério de emancipação, ou de “libertação”, se preferirem. Ao pronunciar-se sobre tudo - e a Esquerda tem de pronunciar-se sobre tudo -, parece aceitável que o conceito de emancipação deverá ser um elo de ligação permanente entre todas as ideias do sistema. O que já não é indiscutível é o próprio conceito de emancipação, que, ele próprio, para ser “operacional”, merecerá discussão, elaboração, “aperfeiçoamento”. Em termos ideais, dir-se-á que é emancipador tudo o que aproxime um indivíduo do ser responsável que “teoricamente” é. Será pois emancipador tudo o que tenda a reduzir os constrangimentos sociais, económicos e culturais que limitam a liberdade de escolha ou decisão do “indivíduo em sociedade”

João Martins Pereira, No Reino dos Falsos Avestruzes, p.104

A rir é que a gente se entende








É um novo blogue, acaba de nascer e promete...

Jackpot













Todos se lembrarão do momento em que Zapatero atribuiu 2500 euros a cada família pelo nascimento de uma criança, provavelmente não tanto pelo facto em si, mas pela apreensão da revista El Jueves, que mostrava na capa membros da família real em posições consideradas indecorosas.

Tanto quanto me lembro, os pais espanhóis recebem imediatamente um cheque daquela importância, não um depósito numa conta a movimentar dezoito anos mais tarde. Mas adiante, que isto não é a Ibéria embora muitos portugueses o queiram.

Há gestos mais ou menos simbólicos, que até podem ser louváveis, mas que acabam por sair altamente prejudicados por justificações inadequadas, como as que ontem foram ouvidas, a propósito da já célebre medida dos 200 euros : «incentiva a conclusão do ensino obrigatório», «incentiva a criação de hábitos de poupança», «permite que o jovem se possa autonomizar» e é uma «medida de apoio à natalidade». Põem-se a jeito – depois não se queixem…

Mas claro que até pode ser, como diz Manuel António Pina, que os portugueses «excitados pelos 200 euros (o dinheiro tem reconhecidas virtudes eróticas)» desatem «a fazer filhos em vez de ficarem a ver o 'Prós e Contras' e a telenovela.» Nunca se sabe…

Se tivesse sido este mês

Este vídeo já circula há uns dias, mas fica também aqui.



Então e o Facebook?

29.7.09

Novos precários














A Associação República e Laicidade publicou ontem um comunicado sobre o recente acordo entre Estado e Igreja, a propósito da assistência religiosa em instituições públicas.

Retomo o seguinte parágrafo (o realce é meu):

«A Associação República e Laicidade reafirma que o primeiro direito, em matéria religiosa, de qualquer cidadão internado num hospital, conscrito nas forças armadas ou detido num estabelecimento prisional, é receber assistência religiosa de uma determinada confissão religiosa apenas e somente se manifestar vontade expressa de a receber dessa exacta confissão religiosa. Colocar um cidadão na situação de ter que rejeitar assistência religiosa que não pediu, como acontece actualmente, é uma diminuição do seu direito à liberdade de consciência e à privacidade, particularmente grave numa situação de confinamento hospitalar, militar ou prisional.»

Não posso estar mais de acordo. Há meia dúzia de anos, passei semanas em hospitais públicos, como acompanhante, e confirmo que é absolutamente confrangedor ver a aflição que muitos doentes demonstram ao recusarem a ajuda do padre que entra na sala, ou o ar conformado com que a aceitam. Em clara situação de inferioridade, pela doença, pela exposição ao olhar dos outros, até pelo vestuário que exibem, é inaceitável que sejam expostos a mais uma prova complicada, pelo proselitismo piedoso e descabido de uns tantos.

Já agora: leio que estes padres deixaram de ser contratados, que passaram a engrossar as fileiras dos utilizadores de recibos verdes e que serão pagos pelo número de assistências que prestarem. Quem contabiliza, como e o quê?

Agora, sim, isto está a ficar grave












Parece que a crise chegou aos crocs, o que é absolutamente lamentável, quase uma tragédia. Moda efémera, dizem eles. Bem pelo contrário, tinham-me parecido uma das grandes invenções da década para todos, dos 7 aos 77 como o Tintim.

Acompanharam-me nas dunas da Namíbia, nos icebergues da senhora Palin e nos pedregulhos de Angkor. Resta-me agora reabastecer-me antes que desapareçam dos escaparates e não vai ser fácil explicar aos meus netos que, um dia destes, vão ter de usar só sapatos «à séria».

P.S. – Alguém consegue explicar-me porque resiste, há décadas, aquela horrível invenção que dá pelo nome de havaianas? Mistérios…

Mostraram que no tempo deles se estudava bem a tabuada













… mas a cidade lá ficou adiada sine die.

28.7.09

Uma enorme falta de devoção a S. Nuno













40% dos portugueses apoia a união política com Espanha.

La vie est courte et y en a qu'une

Cogitações (2)

«Todavia, no presente, em cada presente, para muitos dos que aguardam uma salvação materializada na remissão do oprimido, e até que outro marco milenar o substitua, Outubro permanece como sinal sagrado de um desejo e de uma possibilidade. Como estrela que orienta a travessia nocturna de um inóspito deserto. Para quem desta forma alguma coisa espera do mundo e do tempo, os monstros que a sua materialização a certa altura produziu afiguram-se apenas como erros menores, desvios de percurso, pausas antes do retomar da caminhada. Para os outros, que olham para trás apenas na medida do indispensável mas acreditam ainda e sempre na aventura do possível, tratam-se de ilustrações em páginas incómodas mas provavelmente viradas.»

Rui Bebiano, Outubro, pp-99-100

Sonhos de outros dias de Verão
















Será provavelmente necessário recuar trinta e quatro anos para recordar um Verão tão animado politicamente como o actual. Mas é muito difícil imaginar hoje a agitação reinante em 75, a poucos dias da tomada de posse do V Governo Provisório, e quando se discutia a possível governação do país por um triunvirato formado por Gosta Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo.

Sucediam-se os discursos inflamadíssimos, as conferências de imprensa e as manifestações - com muitos gritos mas sem teleponto, sem internet, muito menos Twitter, sem reuniões com bloggers numa qualquer cantina da 5ª Divisão. Mas, mesmo em pleno mês de Agosto, quem não estava na rua, colava-se à televisão e gravava para a posteridade o que a rádio ia transmitindo. (Foi o que fiz com o homérico discurso de Vasco Gonçalves em Almada, numa fita magnética que ainda hoje guardo num saco de plástico, juntamente com outras que têm óperas de Mozart e, quem sabe, um ou outro concerto para violino d Chopin.)

Nos jornais de 28 de Julho de 1975, PS, PPD e MRPP tomam posição contra a hipótese do triunvirato acima referida. Lê-se também que Otelo regressou de Cuba, onde discursou ao lado de Fidel e afirmou que «a luta heróica do povo cubano é um exemplo magnífico para o povo português».

E, em A Capital, o PS afirma, em jeito de comentário ao momento político: «O que nos divide não é Marx – ou seja a construção do socialismo, de uma sociedade sem classes, onde termine progressivamente a exploração do homem pelo homem; o que nos divide é Estaline – ou seja, a concepção totalitária do Estado, o partido único todo-poderoso, o problema da defesa das liberdades públicas e dos direitos do homem.»

Em 2009, cá estamos.

Fonte: Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p. 225.

27.7.09

Je ne fais pourtant de tort à personne

Cogitações (1)

«Querer voltar ao poder como hoje – ou quase sempre se entendeu – não é programa de nada, só dos profissionais do Poder. A essência do socialismo é a de ser – até onde é pensável – uma ideologia do não-poder. É inútil buscar mais longe a razão última dos seus limites e dos seus desvarios como Ideologia e como Política, sem falar da sua inanidade como cultura. Se o Socialismo no Ocidente como horizonte e referência de milhões de pessoas deixou de estar na moda – a ponto até de se ter tornado «impopular»… - à sua incapacidade de ser uma outra visão do Poder e uma outra ética do seu exercício, em grande parte o deve. Não que a cultura do capitalismo neoliberal ou globalizante seja melhor, pois é impossível, mas tão-só e apenas porque o Socialismo nasceu e só tem sentido como crítica, resistência e contenção dos malefícios ou dos efeitos desumanizadores do Capitalismo.»

Eduardo Lourenço, A Esquerda na encruzilhada ou fora da História?, p. 95.

Alguém disse #cpms?
















Li e reli ontem o «Avançar Portugal 2009‐2013», mais exactamente, o «Programa de Governo do Partido Socialista». Estranhei não encontrar uma palavrinha, nem uma, sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo - nem no capítulo «Reduzir as desigualdades».

Esperei, humildemente, que alguém explicasse porquê. Li mais tarde no Público (edição impressa): «De fora estão por enquanto questões consideradas fracturantes, como, por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, um assunto que José Sócrates prometeu há seis meses avançar na próxima legislatura .» Hoje vi que é o próprio MPI a sublinhar o facto – já fia mais fino.

Pode alguém ajudar-me a perceber? Agradecida.

P.S. – É que tenho por vezes premonições esquisitas e fiquei com medo que tivesse sido o caso desta vez, já que, em 14 de Julho, escrevi sito num mail enviado a alguns amigos:
«Ando com um pressentimento de que o PS acabará por NÃO incluir no programa o #cpms...»

ADENDA – À hora em que publiquei este post (10:25), o texto chamava-se «Programa de Governo do Partido Socialista» , como indiquei. Se clicar agora no link, vai ter a «Bases programáticas do Partido Socialista» - o programa só será conhecido na 4ªf.

26.7.09

Pourtant, que la montagne est belle

Quando o medo é maior do que a dor

É conhecida a importância que a blogosfera tem em Cuba e a extraordinária solidariedade entre bloggers, que tem permitido ultrapassar toda a espécie de obstáculos que tentam travar a actividade – com coragem, persistência e também alguma imaginação.

Pablo Pacheco é jornalista independente, do chamado «Grupo dos 75», condenado, em 2003, a 20 anos de cadeia, que cumpre neste momento na prisão de Canaleta, em Ciego de Ávila. Há mais de duzentos presos em Canaleta, que passam longos dias com privações de vária ordem, como falta de água que chega a durar dezasseis horas debaixo de um calor abrasador, cortes na autorização para ver televisão, entraves à utilização de telefones.

Tem desde Maio um blogue, Voz tras las rejas, criado por amigos e que ele alimenta ditando os textos por telefone, a partir da prisão. Existe já uma versão em inglês e uma outra em português.

Desde o primeiro minuto, pôs o blogue à disposição das famílias dos companheiros presos: «Na minha opinião, o movimento de bloggers, em Cuba, é uma excelente alternativa aos espaços de liberdade de que a Ilha necessita com desespero. (…) Considero-me, nesta tétrica prisão, a voz dos que não tem blogue. E quem tem hoje menos voz, em Cuba, são os presos - por diferentes motivos, digo sem medo de me enganar, a palavra mais escravizada entre os 11 milhões de cubanos é a dos condenados.
Por isso temos o dever de os ajudar, pois Cuba precisa deles. Convertemo-nos na capa e espada, na voz daqueles com blogue ou sem blogue, pois este é o verdadeiro rosto do poder da solidariedade.»

Assim se tecem as redes das cumplicidades possíveis, que vão quebrando barreiras, em pequenas mas significativas etapas, e que vão matando o tal medo que um dia acabará – inevitavelmente.

Pode ser tudo (mais ou menos) verdade…

Joana Amaral Dias «A bloquista confirmou ontem ao PÚBLICO o convite que era, inclusive, para um lugar de destaque: segunda da lista por Coimbra. Recusou "por motivos óbvios", como respondeu ao PÚBLICO. “Embora o BE me tenha afastado da Mesa Nacional e pelos vistos dispensado das listas de candidatos a deputados, sou militante de base e defensora das ideias e projectos deste partido”.»

Francisco Louçã: «Primeiro ofereceram a Joana Amaral Dias o segundo lugar por Coimbra e depois sugeriram a presidência do IDT - Instituto da Droga e da Toxicodependência ou um cargo no Governo.»

João Tiago Silveira: «Não é verdade que Joana Amaral Dias tenha sido convidada para deputada pelo secretário-geral do PS e não é verdade também que tenha sido convidada para um cargo num instituto público.»

25.7.09

Robôs


Em jeito de homenagem, agora que eles também já foram atingidos pela crise.

Cidadania e democracia social












Mário Murteira subscreveu recentemente o Manifesto de 51 economistas e cientistas sociais e O nosso presente e o nosso futuro: algumas questões prementes (mais conhecido por Manifesto de 25 intelectuais).

Intervém agora na campanha eleitoral do Bloco de Esquerda, com um contributo para o debate sobre a democracia, concretizado num longo e importante artigo que merece ser lido na íntegra:

«No Portugal de hoje sentimos divórcio crescente entre aspirações e expectativas: entre o que se deseja e aquilo que “vai acontecendo”. Sofrimento, frustração, azedume e amargura em lugar da esperança no futuro parecem dominar a presente consciência que os portugueses têm de si mesmos.
Chamo a essa consciência a «ideologia portuguesa». Algo que em lugar de estimular uma acção positiva surge muitas vezes, mais como queixume, lamúria, «fado», enfim pretexto para transferir para os outros a responsabilidade que afinal cabe a todos, no quadro da vivência activa duma sociedade verdadeiramente democrática.
Mas, claro que Portugal está longe disso: de ser uma sociedade verdadeiramente democrática.
Para tanto, a conquista da democracia formal, dita «política», só pode ser um ponto de partida e não de chegada. »

24.7.09

Fartos!

Corrente na blogosfera, no Twitter, um pouco por toda a parte, para que este vídeo seja divulgado. (Já estava ali ao lado, na barra lateral, mas passa agora para aqui.)

«Fartos», de facto, por todas estas razões e por outras tantas.

«Este homem ama a Cidade!... Este homem é um homem de palavra!... Este homem tem visão!... Este homem tem vergonha!»


Quem o diz? Quem é o homem?
Isto promete. Mas é melhor que comecem a ser assim bem claros.

Balada da Torre engripada

















(Inspirada no que aqui se anunciou. )

A Torre treme
Com a tosse!
Cairá? Nunca.
Vai à Posse.
Sente-se a Torre
Possuída.
Tanto Doutor!
Tanta máscara!
Tanta análise à urina
Da gente que ali ensina.
Tanta enzima, tanto ronco!
Cuspidelas e fungadeira.
A Torre ri com desprezo.
Sabe que a posse é pose.
Chama os Doutores a capítulo;
Dá-lhes chá de sensatez.
Toca a cabra e o sinão
Trata-os como criancinhas
E começa: “Era uma vez...”
Os lentes do Tamiflu
Tratam-se todos por tu.
C’o as mãos sujas de tossir
E lavadas como Pilatos
Seguem Ana, a gripeira.
Isto é que é vanguarda!
Estar na linha da frente!
Morrerão de ridículo
Lentamente...
Lentamente...

Bedel da Cabra e do Sinão, Doutor em Novas Oportunidades
(recebido por mail)

23.7.09

Ler para crer, como S.Tomé
















ASSUNTO: Convite - Posse do Novo Pró-Reitor da U.C.
O Reitor da Universidade de Coimbra tem a honra de convidar V. Exª para assistir à cerimónia de Posse do Senhor Professor Doutor ………. como Pró-Reitor da Universidade de Coimbra para o Plano de Contingência da Gripe A.
A cerimónia terá lugar no próximo dia 24 de Julho, pelas 12 horas, na Sala do Senado da Reitoria.
Paço das Escolas, 22 de Julho de 2009
Gabinete do Reitor
Universidade de Coimbra

Estes cruzados que não desarmam nem desistem de reconverter a Europa


Há oito anos que a municipalidade de Paris lança uma campanha de Verão a favor do uso do preservativo – mais de um mil cartazes, desde o passado dia 15.

Reacções imediatas, como era de esperar:
«- Le préservatif protège mal. Seule la chasteté (continence dans le célibat, fidélité et ouverture à la vie dans le mariage) protège à 100%.
- Le comportement homosexuel contribue dramatiquement à la propagation du virus du SIDA et la ville de Paris n'a de cesse d'en encourager et d'en banaliser la pratique.»

Dois em um: preservativo e prática da homossexualidade agora sempre associados, de um modo muito especial em Paris, pois evidentemente – como é sabido, o maire Bertrand Delanoë é gay mais que assumido publicamente.

Um dia ninguém os ouvirá. É só uma questão de tempo.

(Fonte)

Lá vai ele dar-lhe uns trocos para ela comprar bombons para os netos












Por ali.
E eu cheia de inveja quando me lembro disto.

22.7.09

Outros muros cairão













Yoani Sánchez, em Generación Y:

«Un lector de Generación Y me envió un trozo del muro de Berlín. El fragmento de concreto ha llegado hasta mí, que estoy cercada también de ciertos límites, no por intangibles menos severos. (…)

Cada cubano podría hacer su propio repertorio de los muros que aún tenemos. Más difícil parece confeccionar el listado de lo que nos une, de los posibles martillos y picos con los que echaremos abajo las tapias que nos quedan. Por eso me ha hecho feliz el regalo de este habitual comentarista, pues tengo la impresión que nuestras barreras y parcelaciones también serán – algún dia – piezas valoradas sólo por coleccionistas de cosas pasadas?»

…EX?



Há dois dias que a rima não me sai da cabeça!
Mas «o que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu»? Não necessariamente: cada um vai usando o cabelo como pode e como quer.

Assim sendo, caros SIMplex, boa sorte e espero sinceramente que, na noite de 27 de Setembro, festejem no Altis - ma no troppo.

«Os girassóis cegos»
















Um livro de contos com a Guerra Civil de Espanha em pano de fundo. Quatro histórias paralelas, mas organizadas de uma forma entrelaçada, deixam-nos sobretudo o sentimento e o sentido da derrota - todos os protagonistas são seres vencidos, porque «numa guerra entre irmãos» é inevitável que só existam perdedores.

Dos quatro contos, o segundo - «Segunda derrota: 1940 ou Manuscrito encontrado no esquecimento» - é, a meu ver, o melhor e o mais impressionante: um jovem poeta deixa um caderno onde descreve a fuga pelas montanhas com a mulher grávida, a morte desta depois do parto e os terríveis e vãos esforços para manter a criança viva; a sobrevivência que começa por ser assegurada por duas vacas, depois apenas por uma (já que a primeira morre e acaba por ser devorada pelos lobos), a terrível decisão de matar a segunda.

Trata-se de um livro sobre a memória e o seu papel na superação da tragédia - algo que, segundo se lê na citação de um texto de Carlos Piera, que serve de introdução ao livro, é absolutamente indispensável: «Em Espanha não se cumpriu o luto, que é, entre outras coisas, o reconhecimento público de que algo é trágico e, acima de tudo, que algo é irreparável».

Los girasoles ciegos foi publicado em 2004 e o seu autor, Alberto Méndez, que só escreveu este livro, morreu poucos meses depois sem assistir ao sucesso da obra, que foi grande mas não imediato. Chegou este ano a Portugal, numa excelente tradução de Armando Silva Carvalho, em edição da Sextante.

O livro deu origem a um filme cujo trailer é extraído do último conto: «Quarta derrota: 1942 ou Os girassóis cegos»



(Também publicado em Caminhos da Memória)

21.7.09

O mundo deu uma volta esquisita e eu não dei por isso?












Uma nota sua no email que envia aos seus amigos pode fazer a diferença para uma petição de sucesso.
Todos devemos ajudar a promover a Petição, e agora é a sua vez.
O poder da Internet está nas suas mãos!
Melhores Cumprimentos,
PeticaoPublica.com
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O que é isto? O texto final do 50º mail que recebi nos últimos dias para me juntar a abaixo-assinados e petições de toda a espécie. Até hoje, não sabia que tudo estava já tão profissionalizado e que as petições online já precisavam de tantos patrocinadores (e de que peso!). Ingenuidade minha, admito-o.

O mail em questão pedia a minha adesão ao ultra-ético Manifesto dos 25 intelectuais que recentemente puseram centenas de questões ao mundo político. Estará a escapar-me algo ou era de esperar que não servissem de veículo para publicidade - de crédito, normal ou fácil, de saldos de Verão ou mesmo da Deco? Sou eu que estou doida?

Vai para o Conselho de Estado?

Neste querido mês de Agosto

















No seguimento de uma iniciativa semelhante em 2005, mais de 60 católicos terão escrito agora uma carta aberta aos partidos políticos, pedindo «respostas» para não «traírem a sua consciência no acto de votar». Como sempre, aborto, homossexuais, eutanásia, família - mas este ano também testamento vital, desemprego e corrupção.

Quem assina? Sem surpresas, Gentil Martins, Bagão Félix, César das Neves, Isilda Pegado, Matilde Sousa Franco – eles e mais uns tantos. Já estranharíamos se não aparecessem, tentando sempre, mas sempre, travar o inevitável, agarrar-se a tábuas de salvação, parar os outros no tempo.

Mas adiante. Estão no mais elementar dos seus direitos e são apenas mais uns a obrigar os políticos a esquecer o Quénia, as Maldivas ou Varadero – um chapéu-de-sol na Fonte da Telha, muitos protectores solares, portátil nos joelhos e uma pen cheia de manifestos.

A frase












«Os comunistas só comiam criancinhas, o H1N1 come a família toda.»
Manuel António Pina, no JN

20.7.09

A mais sofrida recordação da chegada à Lua












A de João Tunes:

«Pois eu lembro-me bem. Há quarenta anos eu não duvidava da chegada do homem à lua nem imaginava o Tomás a cortar a fita da inauguração da visita espacial, mas não celebrei o feito, antes o senti como sinto cada vez que uma bola entra na baliza do Benfica. Aquilo era mais uma invasão-ocupação do imperialismo norte-americano, do género posterior do Bush a entrar no Iraque. E arrepiava ver os gajos a espetarem a bandeira americana na lua. "Nós" a começarmos o jogo prontos para a goleada rematando com o "sputnik", a "Laika", o Gagarine e a Valentina, e aquela espécie de "andrades yankies" a levantarem a taça, lá na lua.»

Depois desta, de todas as gloriosas evocações dos mais velhos, das lembranças dos que eram criancinhas e se maravilharam certamente mais em sonhos do que acordados e de todos os muito mais novos, que não ousam confessar mas acham tudo isto mais do que normal, quase banal, aqui vai o meu 20 de Julho de 1969:

Sim, lembro-me muito bem, estava em ressaca de um desgosto de amor e deitei-me às 10 da noite. Sorry...

Quase tão inimaginável





Fly me to the moon

Da gripe, cada vez com mais delírio
















No «i» de hoje, mais um longo e aterrador artigo sobre a gripe, as escolas e tudo o que a esse respeito seja possível imaginar.

«As orientações da Direcção-Geral da Saúde (DGS) para creches, jardins de infância, escolas e outros estabelecimentos de ensino sugerem formas alternativas para manter as aulas em dois cenários: quando fecharem para evitar a propagação do vírus ou quando a epidemia provocar um elevado absentismo nos funcionários.»

Leu bem: creches e jardins de infância com «aulas» a distância – mudança de fraldas incluída, certamente.»

19.7.09

De Yamoussoukro até ao Rio da Prata
















Gosto de tudo em Buenos Aires: das ruas, da arquitectura francesa que lembra Paris em muitas esquinas, das enormes árvores, do insólito Camiñito, da Plaza de Mayo e das suas histórias, até do mais que mítico cemitério. Da Panamericana que chega a ter dezasseis faixas de rodagem perto do teatro Colón, dos restaurantes de Puerto Madero, das ruas cheias de gente, do tango um pouco por toda a parte e a todas as horas.

Estive lá há seis anos e dizia-se então que era a cidade mais europeia do mundo. Fruto da colonização espanhola, também italiana, mais tarde com muitos alemães (primeiro os que fugiram de Hitler, depois os seus amigos), acolhia certamente muitos vizinhos da América do Sul, mas não homens e mulheres de origens mais longínquas - concretamente, não se viam nem árabes nem africanos. Para quem estava habituado às ruas de Paris, Londres (!...), ou mesmo Lisboa ou Estocolmo, a diferença era grande.

Leio hoje que tudo mudou e que, nos últimos anos, são em número crescente os que fogem de países como o Senegal, a Nigéria ou a Costa do Marfim e pedem asilo à Argentina por motivos políticos, raciais ou religiosos. Porque, depois dos Estados Unidos, são agora também os países europeus que fecham as portas aos emigrantes, mesmo refugiados, e os devolvem sem apelo à origem. É preciso portanto ir mais longe - até que estes novos acolhedores se retraiam também, pelas melhores ou pelas piores razões.

E assim se vão atravessando continentes e oceanos, em condições precárias e mais do que perigosas, pelo crime de se ter uma ideologia diferente, uma raça menos apreciada ou uma religião minoritária. Isto já não deveria ser possível quarenta anos depois de os homens terem conseguido ir à Lua, mas a realidade aí está para mostrar que não somos ainda capazes de criar uma plataforma mínima de tolerância para organizarmos a nossa vida nesta Terra. Parece absurdo e impossível, mas é a verdade nua e crua.

(Fonte)

TPC’s em atraso

O dia está a chegar ao fim e ainda não vai ser hoje que lerei a nova encíclica, o último número da ops! ou o manifesto dos intelectuais

Não me dava jeito nenhum ter um amigo que passasse a vida a chamar-me mentirosa















É público que tanto Sócrates como a líder do PSD se odeiam. Qual é a sua relação com Manuela Ferreira Leite?
Manuela Ferreira Leite é uma amiga de família e eu tenho muito apreço.
Então no plano político deve sentir-se incomodado ao dizer as coisas que diz dela?
Temos de saber separar o que são os projectos para o País e a defesa das posições e propostas que fazemos para Portugal daquilo que são as nossas relações pessoais. Eu sei que Manuela Ferreira Leite também faz essa distinção e sei que a nossa estima pessoal vai continuar, independentemente do debate político.

João Tiago Silveira, sobre a Tia Manela, em entrevista ao DN.

18.7.09

Strawberry fields forever












Estou desde há alguns dias numa casa que já foi minha e que é hoje morada habitual da geração que se segue. Da banda do Tejo onde o engº Lino via camelos e não queria aeroportos, tem a grande vantagem de estar no campo, muito perto da praia (é bom saber-se que ela existe, mesmo evitando-a) e não longe de Lisboa. Semi-férias, portanto, sossegadíssimas, apenas com um dos moradores permanentes – um silencioso cão.

Uma coisa é visitar regularmente uma casa de muitas dezenas de fins-de-semana e meses, ao longo de décadas, outra bem diferente é voltar a habitá-la. Não por qualquer assomo de nostalgia, mas porque se descobrem a toda a hora objectos que por cá foram ficando e que tinham deixado de existir. Abrir um armário e pegar na chávena de Sacavém (cavalinho azul…) por onde se beberam centenas de bicas, encontrar um prato trazido de Estocolmo há mais de trinta anos, o último de uma dúzia de copos comprada na feira anual da terra ou um pífaro do Mistério que recorda o velho Mercado da Primavera, são gestos agradáveis que deixam de ser puramente banais.

O problema é que há também o reverso da medalha: a enorme frustração de olhar para uma meia dúzia de discos vinil, rigorosamente alinhados onde sempre estiveram, mas hoje condenados à mudez, já que, no lugar anteriormente pelo objecto que lhes dava som, estão hoje - imagine-se!... - altifalantes de um iPod… Essas coisas não deviam acontecer. Queria mesmo ouvir agora «este» velhíssimo disco dos Beatles…

Eles andam por aí aos molhos


















Mais um Manifesto
- com um site: O nosso presente e o nosso futuro
- um texto, 27 páginas: O nosso presente e o nosso futuro: algumas reflexões prementes
25 autores e muitos outros signatários.

Leitura para fim-de-semana.

17.7.09

«Se diz que é homossexual, está feita a avaliação»

Oiçam mesmo, na íntegra, o que disse Gabriel Olim, director do Instituto Português de Sangue, sobre a recusa em aceitar dádivas de homens homossexuais.

Hoje, no noticiário das 13:00 da TSF. (Início: 1:58)

Se ainda não leram, façam o favor…

Balas a mais












Vi, há pouco menos de um ano, no DocLisboa, «Anna, Seven Years on the Frontline», um impressionante filme sobre Anna Politkovskaya, a jornalista russa cujo assassinato, em Outubro de 2006, foi largamente noticiado. Ligados à mesma causa, foram também eliminados em Moscovo, em Janeiro deste ano, o advogado Stanislas Markelov e uma jornalista que o acompanhava.

Entretanto, soube-se ontem da morte de Natalia Estemírova, uma outra activista da mesma causa - mas a notícia foi, desta vez, recebida quase como se de rotina se tratasse. E não pode ser.

Natalia foi abordada por vários assaltantes na passada 4ª feira em, Grozny, empurrada para dentro de um carro e encontrada morta, algumas horas mais tarde, numa floresta. Imediatamente antes de morrer, estudava o caso de um jovem tchetcheno, forçado a regressar do Egipto e entretanto desaparecido, bem como execuções públicas efectuadas em várias aldeias.

O seu crime, como o dos seus companheiros, foi o de exercer a profissão de jornalista com coragem e desassombro. Tal como Anna Politkovskaya que aqui recordo com um pequeno vídeo extraído do documentário acima referido: «Anna, Seven Years on the Frontline».




P.S. – Agradeço a Jorge Conceição o envio de uma série de artigos publicados ontem sobre o assunto, um pouco por toda a parte. Fica a referência de um:
«La mort d'Estemirova est une exécution pure et simple»

16.7.09

Claro que a Sibéria não é um jardim













O dr. Alberto João (e também, certamente, a drª Manuela, o seu amigo PR e muitos mais) gostava de ver a proibição do «comunismo» consagrado na Constituição. Lá mais para a noite, Lobo Xavier dirá mesmo (cito de cor) que «a iniciativa até é oportuna» porque chama a atenção para a condescendência com que têm sido tratados o passado e a ideologia comunistas (*).

Não se pretende condenar partidos mas regimes, dizem eles. Repentinamente preocupados com as vítimas de Estaline, e angustiados com a perspectiva de virem a ser atirados para um qualquer Gulag em Trás-os-Montes, sentir-se-iam mais seguros se se proibisse «isso» por decreto. Mas o quê? O que existiu na URSS? O que há hoje na China? Na Coreia do Norte? A concretização de utopias várias que bailam numas tantas cabeças? Ou estão com medo que PCP e/ou Bloco ganhem eleições e gostariam de poder impedi-los de formar governos «anticonstitucionais»?

Andam por aí alucinações que só podem ser já efeitos colaterais da tal mui anunciada gripe!

(*) Excertos do programa «A Quadratura do Círculo» desta noite, ouvidos na SIC N.

P.S. (17/7) Foram ditas verdadeiras barbaridades no programa de ontem - com honrosíssima excepção para António Costa.

Este país perdeu o tino, a armar ao fino
















Maçanetas de portas, teclados de computador, galheteiros nos restaurantes, carrinhos de compras no supermercado, livros na FNAC, hóstias e água benta nas igrejas, qualquer nota de 20 euros – tudo objectos perigosíssimos, a evitar sem hesitação se não tiver um lavatório no raio de um metro (e, mesmo assim, não se esqueça de lavar a torneira do dito lavatório antes de a fechar ou correrá o risco de ser ela a infectá-lo).

Nem sei quantos mails recebo por dia cheios de avisos e de conselhos (só comparável ao número daqueles que me pediam para convergir com esquerdas na corrida à CML e que, agora que estas já convergiram muito, me sugerem que diga que votarei em António Costa, aparentemente para que outros me imitem). Já nem os abro – salto, compulsivamente, para a tecla «delete».

Que venha a gripe se for caso disso. Mas nada, nem ninguém, conseguirá acordar uma hipotética costela hipocondríaca que nunca reconheci em mim. Vou passear o cão - sem desinfectar a trela.


P.S.- Mesmo a propósito.

15.7.09

As sondagens que se cuidem?















Ouvido num café, quando foi anunciado o acordo Costa–Roseta para a CML:

- Como é que o Louçã e o Jerónimo conseguiram isto?
- ???
- Então, agora já não é preciso votar no PS com medo do Santana!

Uma bela idade para a reforma






Saem grandes gargalhadas do mausoléu de Mao-Tse-Tung
















O mundo está roto:
«Estados Unidos pedem à China para puxar economia mundial»

«Outubro» em Julho















Andámos a ler o texto em episódios em «A Terceira Noite», mas aí está ele agora, revisto e aumentado, no livro de Rui Bebiano.

A editora explica:

«A Revolução de Outubro não representa apenas aquele episódio datado que na velha Rússia recém-liberta do domínio dos czares levou Lenine e os bolcheviques ao assalto do poder: permanece também como sinal de esperança que nem mesmo a perversão e a derrocada do "socialismo real", e a acelerada transformação do mundo que se lhe seguiu, foram capazes de apagar. Enquanto sinal de utopia, mobiliza as capacidades do ser humano para traçar colectivamente um mundo alternativo, desejavelmente melhor.»

P.S. - E Rui Bebuiano também.

14.7.09

Palma Inácio









Morreu hoje com 87 anos. Desaparece assim mais um «fazedor» de história, ímpar na sua espécie, que começou uma longa caminhada aos 25 anos e só parou verdadeiramente quando a doença o travou.

O seu nome ficou principalmente ligado a duas acções espectaculares – em 1961, o desvio de um avião da TAP que partira de Casablanca e que foi utilizado para lançar sobre Lisboa cerca de 100.000 panfletos contra o regime de Salazar e, em 1967, o assalto a uma agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, com vista à obtenção de fundos para financiamento das acções da LUAR, de que foi fundador.

Pelo meio, prisões e fugas mais ou menos rocambolescas e a saída de Caxias em Abril de 1974.

Romântico? Aventureiro? Revolucionário ingénuo? Certamente, mas não só. Talvez a morte lhe faça justiça e alguns se encarreguem de estudar, com mais rigor, o seu papel e a sua influência nas últimas décadas da resistência à ditadura. Porque foi com o aparecimento da LUAR que se pôs pela primeira vez, para muitos, a questão de «sair» dos métodos clássicos de intermináveis discussões ideológicas como único meio de oposição á ditadura – estou entre esses muitos. A ARA e as Brigadas Revolucionárias só nasceriam uns anos mais tarde. Seja como for, está por mostrar e demonstrar o papel que estas três organizações tiveram na luta contra o marcelismo - marginalmente, e a título de mero exemplo, «desnortearam» a PIDE, psicológica e organicamente preparada para combater o PCP e afins. Mas um dia essa história será feita.

Até o 14 de Julho se globaliza


220 anos depois de 1789, no 120º aniversário da Torre Eiffel, o desfile nos Campos-Elísios, imagem de marca da festa nacional francesa, é hoje aberto por 400 militares indianos que verão o seu primeiro ministro ao lado de Sarkozy.

À noite, Johnny Hallyday (ele ainda…) dará um concerto. Pelo caminho, alguém cantará certamente La Marseillaise, mas sem o brilho, pompa e circunstância com que Jessye Norman o fez, há vinte anos, por ocasião dos bicentenário da Revolução Francesa. Disso lembro-me eu bem, com um certo arrepio - porque estava lá e porque, no 14 de Julho, sou sempre francesa.

Para o caso de não terem percebido: estão todos a falar da mesma realidade

13.7.09

José Afonso


De Irene Flunser Pimentel
Colecção FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX,
direcção de Joaquim Vieira
Círculo de Leitores e Temas & Debates
Lançamento: 15 de Julho, às 18h30,
Casa da Imprensa
Rua da Horta Seca, n.° 20, Lisboa

Não se chame português quem cristão de fé não for

















César das Neves diz hoje, no DN, que «a Igreja Católica, pela primeira vez desde o 25 de Abril, enfrenta uma oposição séria e profunda do poder político» porque «um dos grandes partidos nacionais apresenta no seu programa uma medida claramente oposta à doutrina da Igreja Católica» - a eliminação das barreiras para a realização de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

O que César das Neves sabe muito bem – mas finge o contrário – é que quem governa Portugal não se rege, nem tem de se reger, pela doutrina social da Igreja e, também, que nenhum homossexual ortodoxamente católico será obrigado a casar-se ou a deixar de o fazer, se a nova lei vier a ser aprovada.

No fundo, embora não ouse dizê-lo, ele movimentar-se-ia certamente muito bem nos tempos em que a tal doutrina social da Igreja era apregoada aos quatro ventos (e «respeitada», pois claro…), mas em que os homossexuais eram vítimas de perseguições de toda a espécie com a cumplicidade, explícita ou tácita, da hierarquia da Igreja (*).

Cereja em cima do bolo, termina lembrando que «depois do Verão a implicação será para os eleitores católicos na decisão do voto». Era aí que ele queria chegar e a drª Manuela Ferreira Leite agradece….

(*) Na Pública de ontem, três excelentes artigos de São José Almeida relacionados com este assunto e que podem ser lidos aqui.

Basta pouco, poucochinho, p'ra alegrar uma existência singela

«Hoje, à saída da Praia fui com a minha Filha à Rua dos Pescadores comer um gelado que agora é duas lojas mais acima. Lembrei-me dos tempos do cinema ali ao pé do Mercado com os filmes da Marisol e do Joselito.»

12.7.09

Campanhas eleitorais Plano B - Cursos intensivos de Verão

Aos 68

















Cesária Évora em Espanha, agora:

«Su música, que colmó la noche de palabras dulcemente enunciadas envueltas en notas puras, confirmó su avanzar por una senda nueva que va dejando atrás la guitarra de la morna caboverdiana, mengua también un ápice el piano, para dar más vuelo al violín y el saxo (...)
Pero Évora, a sus 68 años, compareció en Madrid, transgredió el códido al fumar sobre el escenario, incitó a bailar, regaló un par de bises y mantuvo el tipo porque cumplió ante todos con esa voz prodigiosa que se encarama por encima del sonido y lo guía con dicción suave hasta donde ella quiere llegar.»







(Velocidade)

11.7.09

«Máscaras da Utopia»
















Foi apresentada ontem, em Lisboa, esta História do Teatro Universitário em Portugal (1938-1974), da autoria de José Oliveira Barata, numa excelente edição da Fundação Gulbenkian.

Durante a sessão, o autor leu um belíssimo texto que está publicado nos Caminhos da Memória.

Plus bleu


(Piaf + Aznavour – «Plus bleu que tes yeux«)

Apoios um pouco baralhados













José Saramago, militante do PC, apoia entusiasticamente António Costa, na candidatura à CML. Socialistas alegristas participam na propaganda da recolha de assinaturas para as listas do Movimento «Cidadãos por Lisboa», de Helena Roseta (revista Ops! no Facebook).

E ainda a procissão vai no adro – com e sem sobressaltos.