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30.9.09

Agora os apelos
















Acaba de ser lançado o «Compromisso à Esquerda», um «apelo à estabilidade governativa», assinado primeiro por cerca de 150 pessoas e agora aberto à subscrição pública. Tem como objectivo revelar «uma inquestionável vontade de entendimento entre os partidos de esquerda».

Para começar, sou normalmente avessa a este tipo de iniciativas, já que considero que, ao votarmos em determinado partido, estamos a confiar-lhe a missão de negociar com quem entender na sequência do acto eleitoral – sobretudo se este tiver ocorrido há apenas três dias. Mas admito perfeitamente a opinião contrária: são mais do que legítimas pressões deste tipo, têm o seu lugar em democracia e parasse o documento antes do último parágrafo e considerá-lo-ia como um louvável «grito de alma». Mas não pára.

Ao concretizarem o que realmente pretendem – que sejam traduzidas «num programa de governo as lutas e anseios de amplas camadas da população» –, os assinantes passam para um outro plano do qual discordo por várias razões.

1 – Os eleitores do PS, PCP e BE votaram em três programas de governo diferentes, não num projecto de denominador comum. E, como julgo que ficou minimamente claro durante a campanha, existem divergências ideológicas significativas. Está agora a pedir-se aos três que digam àqueles que neles votaram que renunciem a essas diferenças e que desenhem um quarto programa de governo? (Aliás, julgo que nem vale a pena insistir porque todos já disseram que não o fariam.) Mas têm os autores deste apelo alguma ideia sobre «o elenco programático» de que falam? Espera-se que sim e teria sido útil se tivessem avançado algumas pistas para se perceber em que é que estão a pensar.

2 – Foi apregoado aos quatros ventos, com elogios ou reprovações, que muitos dos votos no PCP, e sobretudo no Bloco, foram de protesto contra o PS, Sócrates e as políticas do governo - políticas essas que foram agora reproduzidas para os próximos quatro anos. Isso é para esquecer? Não valeu?

3 – Reconheça-se a força legítima que foi devolvida agora à Assembleia da República e acredite-se que os deputados de esquerda não formam bandos de malfeitores. Eles serão capazes de contribuir positivamente para o avanço do país e para que, numa das próximas legislaturas, possa vir a existir uma verdadeira força de esquerda, essa sim maioritária. Mesmo que leve tempo – o mundo não acaba amanhã.

4 - Last but not the least. Não deveria este texto ser outro e dirigir-se à direcção do PS para que esta resista a todas as tentações e a todas as pressões (sabe-se lá até que ponto estas chegarão…) para que não se entenda preferencialmente, ou apenas, com o CDS e/ou com o PSD? Deixo a pergunta por duas razões: porque sei de quem tenha assinado o presente apelo única e exclusivamente para tentar evitar que o PS «se encoste» à direita e porque, pelos nomes que reconheço na lista de subscritores (e são muitos), vejo que o grosso do pelotão é de eleitores do PS. Assim sendo…

Estes jornalistas que alguns ainda consideram de esquerda
















… e que até festejaram o 1 de Outubro em décadas que já lá vão.

Teresa de Sousa, no Público de hoje (sem link), comparando o dia seguinte às eleições na Alemanha e em Portugal:

«Mas há algumas diferenças que pesam, infelizmente, a nosso desfavor. A primeira é que, se o Die Linke bloqueia qualquer coligação à esquerda, no caso alemão isso não tem uma implicação política imediata porque é a direita que governa. A segunda é que o terceiro pequeno partido alemão é uma força política aberta, moderna e moderada que pode vir a abrir as portas para coligações de governo que dispensem a esquerda radical. Os Verdes são o futuro. Cá, o PCP é o passado. (…)

O CDS, que podia ajudar o governo do PS a libertar-se do Bloco em votações fundamentais, vai estar com os olhos postos no PSD (…)»

(Os realces são meus)

29/9 - Noite inesquecível (3)

O que ele anda a ler:
«Através desta lei poderosa, os seus pensamentos tornam-se realidade na sua vida. Os seus pensamentos tornam-se realidade! Repita isso para si próprio vezes sem conta e deixe que essa certeza se imprima na sua consciência. Os seus pensamentos tornam-se realidade!»

O Segredo, p. 9

29/9 – Noite inesquecível (2)

Algumas do Twitter (sem citar autores, à cause des mouches):

«A sério: isto preocupa pois este tipo assina diplomas.»

«Livros de Franz Kafka deviam ser retirados da biblioteca do Palácio de Belém, a bem da República!»

«Mudou para a medicação do JPP e foi este o resultado.»

«E pensar q houve quem dissesse q soares não servia p ser d novo pr porque podia não estar de posse de todas as suas faculdades.»

«Cavaco acaba de ser visto a atravessar a rua com um chapéu de Napoleão.»

«O papa poderá chamar o homem à razão. Mas vem só em Maio.»

29/9 – Noite inesquecível (1)

O ataque de lucidez de Alberto João Jardim:
«O que se passa em Portugal é de malucos à solta»

29.9.09

A comunicação

Acabado de ler:
«Cavaco vai pra cama coxeando antes de tropeçar num fio suspeito.»
Pedro Miguel Costa no Twitter

Para já não se me oferece dizer mais nada.

Hoje, 20:00









«O que é que vieram cá fazer?»

Oh se vivemos!



In the town where I was born,
Lived a man who sailed to sea,
And he told us of his life,
In the land of submarines.

Uma suave impressão de caos













País apaixonado pelas lonjuras e pelas distâncias, sempre em busca de outras paragens, com gente que não gosta de conviver na rua, onde amigos vivem décadas sem se tratar por tu, «uma suave impressão de caos como a que se sente numa loja de antiguidades» – é Portugal visto de Madrid ou até de Badajoz, num polémico e divertido artigo publicado em La Vanguardia.

Os portugueses serão «ricos pobres» desde o tempo das descobertas (até os pedintes têm um ar aristocrático), embalados ainda em novelas sonhadoras, que trocaram o «senhor conde» e «senhor marquês» por doutor ou professor doutor.

País inviável, militante de uma impossibilidade, como dizia Fernando Pessoa? Pequena nação que se decidiu por um destino separado, Portugal tem de reinventar todos os dias a sua história, na permanente procura de uma individualidade. Habituado à incerteza em que está mergulhado hoje todo o Ocidente, reencontrou certamente agora uma das suas grandes forças ancestrais.

O texto teria talvez mais graça se tivesse sido escrito por um espanhol, mas o autor, Gabriel Magalhães, é português embora more há muitos anos com nuestros hermanos. Nem isso evitou acusações de «traição à pátria» na caixa de comentários do jornal - como seria de esperar…

(Artigo de La Vanguardia, conhecido através de Carlos Sousa Almeida no Facebook.)

Possível porque necessário?

















No excelente Ladrão de Bicicletas, um texto a ler e a reler na íntegra.

«Para os que acreditam que o País tem futuro, talvez ainda se possa escrever direito por linhas tortas. À gravidade da situação financeira do País, à insustentabilidade do nível de desemprego a que se chegará, às divisões que depressa se vão cavar dentro do PS e do BE quanto às políticas a adoptar no imediato, juntar-se-á a pressão das elites de esquerda para que o País encontre uma solução governativa à altura dos desafios dos próximos anos. Porém, essa solução não é possível com o predomínio da "esquerda possível", ela só resultará de uma esquerda "socialista", uma esquerda mais do que nunca "necessária". Se realmente quisermos, a partir de hoje começa a contagem do tempo urgente da sua criação. (…)
A meu ver, chegou a hora de tornar possível a esquerda de que o País precisa, a "esquerda necessária". É que o País vota maioritariamente à esquerda mas não está feliz com a representação política que recebe em troca. E tem razão, merece melhor.»

Para que tal aconteça, Jorge Bateira defende a criação de um novo partido, cujo processo «deveria estar concluído a tempo das próximas eleições legislativas que, muito provavelmente, serão eleições intercalares».

Sonho de uma noite de fim de Verão? Provavelmente. Mas é a sonhar que a gente se entende.

28.9.09

Outras maiorias

















Há trinta e cinco anos, o país estava agitadíssimo. Desde as primeiras horas da manhã, dezenas de grupos de militantes paravam e revistavam carros de quem, hipoteticamente, se dirigia a Lisboa para a chamada Manifestação da Maioria Silenciosa – uma iniciativa de apoio ao general Spínola, convocada dias antes por cartazes que invadiram a cidade.

Os sinais públicos de ruptura crescente entre o presidente da República e o governo de Vasco Gonçalves e o MFA tinham sido mais do que evidentes, dois dias antes, durante uma tourada organizada pela Liga dos Combatentes no Campo Pequeno, durante a qual Spínola foi aplaudido e Vasco Gonçalves apupado.

A Manifestação do dia 28 não chegou a realizar-se porque o COPCON prendeu na véspera cerca de setenta pessoas suspeitas de estarem ligadas à iniciativa e pelas actividades populares acima referidas. E Spínola acabou por pedir a demissão em 30 de Setembro, tendo sido substituído na presidência da República por Costa Gomes.

Num vídeo da RTP (minutos 33:29 a 44:06), que aconselho vivamente, percebe-se bem o contexto e vêm-se – ou revêem-se - todos os acontecimentos acima referidos.

Há 39 anos a educar o povo


















Prémio de persistência – merecem, até pelo número de mentores que deram ao país e à Europa!

Carmelinda Pereira espera pacientemente.

O pódio


















Goste-se ou não, foram estes três que subiram ontem ao pódio - é bom não perder isso de vista nas próximas semanas.

P.S. – Já começaram – ora oiçam:
«Era trágico se houvesse qualquer entendimento à esquerda» (…) «A única coisa que não será permitida (…) é que haja instabilidade e um governo aos ziguezagues, que vai (…) fazer leilão de um lado e do outro».
Dúvida metafísica: será que o dr. Cavaco não pensa o mesmo?

0:10

27.9.09

22:00















Uma excelência notícia: José Manuel Pureza na AR.

21:19

Bloco:

- É previsível que (mais do que) duplique o número de deputados.
- Tinha deputados em 3 distritos - terá (provavelmente) em 9 ou 10.

20:01

YES!

A primeira vez foi assim

















Resultados (% e nº de deputados): Cor do texto

PSSDaaaa37,87%aaaa116
PSDaaaaa26,39%aaaa181
PCPaaaaa12,46%aaaa130
CDSaaaaa07,61%aaaa116
MDPaaaa04,14%aaaa115
UDPaaaa00,79%aaa a111
ADIM(*)00,03%aaa a111

(*) Associação de Defesa dos Interesses de Macau

Para começar o dia

















Que força é essa, Sérgio Godinho e José M. Branco

26.9.09

Sempre a reflectir
















Faço minhas estas palavras do João Tunes:

«Para já, mais votos no PS que lhe dessem nova maioria absoluta dariam em mais do mesmo Sócrates. Enquanto mais votos no Bloco são uma oportunidade de mais esquerda para a esquerda. Portanto, dar-lhe-ei o meu voto, que mais que útil é o que julgo ser necessário.»

Subtilezas da reflexão

















Impedidos de «condicionar» os eleitores, os jornais regressaram hoje a Belém, escutas e vigilância – sem nada de novo para ser dito. Às 0:01, a SIC N abriu o noticiário com grandes parangonas sobre o mesmo assunto, em jeito de ressaca, depois de horas e horas com directos de comícios e de análises de comentadores que, por muito que se esforçassem, já nem sabiam muito bem o que dizer.

Como se as alegadas escutas não tivessem sido parte integrante (e de que maneira…) da campanha eleitoral!

Outros cartazes, outras campanhas (9)
















Foto tirada em 25 de Abril de 1975, dia das eleições para a Assembleia Constituinte.

25.9.09

O PS no Youtube

Respeitinho?












Dando uma volta por uns tantos blogues, vê-se que há muitas «despedidas» da campanha eleitoral. Será que se preparam para não perturbarem a reflexão dos leitores, a partir das 0:00 de amanhã? Isso, sim, seria a entrada oficial e definitiva da blogosfera no maistream!

Visita de um Chefe de Estado a Fátima













Aparentemente, quem estará oficialmente na Cova da Iria, em Maio de 2010, será antes de mais o chefe da Cidade-Estado do Vaticano que, por coincidência, é também o responsável pela Santa Sé. Só assim se explica o anúncio unilateral da visita que a presidência da República fez ontem e, sobretudo, as explicações posteriores:
«Esclarece-se que o conteúdo e o momento deste anúncio foram acordados entre a Presidência da República e o Vaticano, através da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé.»

Adiante quanto às reacções dos bispos portugueses, já largamente noticiadas. Se o convite para a visita tinha sido duplo, dos bispos e da presidência, o normal seria que o anúncio fosse conjunto – ou até apenas da conferência episcopal, com o «regozijo» póstumo do presidente, digo eu que sou esquisita nestas coisas…

Estamos num Estado efectivamente laico? Tem dias – ou tem presidentes.

Para memória futura, quando assistirmos à participação da família Cavaco em peso mas missas e nas procissões, talvez valha a pena recordarmos o que se passou em 2000, por ocasião da última visita de um papa a Portugal. Jorge Sampaio realçou assim as mensagens de João Paulo II:
«Quero, em nome da República Portuguesa, dizer-lhe, Santidade, que escutamos os Vossos apelos solenes e juntamos a nossa voz à das mulheres e dos homens de boa vontade, que esperam, desejam e lutam pela chegada de um tempo de maior liberdade, justiça e dignidade para todos os seres humanos.»

Onde? No «Aeródromo de Trânsito nº 1, em Lisboa». Jorge Sampaio não foi a Fátima. Lá, estiveram o chefe da Igreja e os seus fiéis.

24.9.09

Sem salamaleques

















Bem pode o PS dizer que nada está garantido (faz o seu papel), mas já nem Pacheco Pereira deve acreditar que Manuela Ferreira Leite pode vencer estas eleições. Parece certo que o PS ganhará, sem maioria absoluta.

É portanto altura de os indecisos ou tresmalhados assumirem que só eles sabem o que é «útil» e para quê. Quem ainda se sentia obrigado a votar PS com medo da direita pode agora contribuir, sem temores nem fantasmas de remorsos, para o reforço da presença do BE ou do PCP (eu «reforçarei» o Bloco) na AR. O próprio PS, a longo prazo, ficará agradecido.

Pode estar à vista – espero que sim - um tempo interessante e decisivo para a nossa maturidade democrática.




Sérgio Godinho, Até Domingo que vem

Um sorriso amarelo de Mário Soares, não?

«Uma grande fossa chamada Espanha»
















Emilio Silva Barrera é presidente da Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica e foi um dos seus fundadores. Há cerca de nove anos, encontrou as ossadas do avô, militante da Izquierda Republicana, assassinado pelos falangistas em 1936.

Conheci-o em Coimbra, há poucos dias, por ocasião de um colóquio organizado pelo CES. Expôs então muito do que sabemos pela leitura da imprensa espanhola, mas que toma outra consistência quando relatado por um protagonista activo numa verdadeira epopeia que se passa bem perto de nós: os espanhóis estão a desenterrar os seus antepassados – pais, agora já quase sempre avós -, no meio de controvérsias e dificuldades sem fim. Num verdadeiro drama, não só para os familiares directamente envolvidos como para as actuais populações dos locais afectados.

Neste livro, o autor conta-nos detalhadamente a sua história pessoal: os esforços para localizar o corpo do avô, a descoberta de uma fossa onde este se encontrava com mais doze republicanos – num cruzamento de estradas, debaixo de uma nogueira -, mil e uma peripécias para que fossem desenterrados e identificados. (Para se ter uma ideia da dimensão das dificuldades encontradas na identificação dos cadáveres, registe-se que, só na província de Léon, estavam então abertos cerca de 12.000 processos, individuais ou colectivos.)

São também descritas todas as acções que levaram à criação da Associação a que agora preside, a sua expansão em Espanha, a internacionalização da causa, os apoios que envolveram a própria ONU, os campos de trabalho com dezenas de voluntários que se organizaram para a concretização das tarefas – numa «grande fossa chamada Espanha».

Toda esta problemática deve ser enquadrada no complexo processo da Transição espanhola para a democracia - «transición inconclusa» -, muito bem resumido no último capítulo do livro. Depois de alguns passos tímidos nos primeiros anos, e de um reforço de esperança em 1979 quando os partidos de esquerda tomaram pela primeira vez conta de muitas autarquias, o medo e o espectro da Guerra Civil regressaram a toda a Espanha com o ataque de Antonio Tejero ao Congresso, em Fevereiro de 1981. E foi preciso esperar por 2002 para que o referido Congresso condenasse expressamente o franquismo – por unanimidade, no dia 20 de Novembro, no 27º aniversário da morte do ditador.

Desde então, muito caminho foi percorrido e são conhecidos os episódios mais recentes e as polémicas provocadas pela intervenção do juiz Balthazar Garzón e alguns outros. A Espanha cuida dos seus mortos e procura ouvir as últimas testemunhas vivas – que têm o direito de sairem do esquecimento e de encontrarem o seu lugar na memória colectiva.

Emilio Siva, Las fosas de Franco, Crónica de un desagravio, Temas de hoy, 2005, seg. ed., 208 pág.

(Também em Caminhos da Memória)

Ahmadinejad soma e segue












No discurso que fez ontem na ONU, o presidente iraniano atacou tudo e todos e insistiu nos seus dislates contra Isarel. As reacções não se fizeram esperar.

«Condeno firmemente os comentários escandalosos do Presidente Ahmadinejad nas Nações Unidas e estou decepcionado que tenha beneficiado de uma tribuna para exprimir o seu ódio e as suas posições anti-semitas», afirmou Obama em comunicado.

Delegados de doze países abandonaram a sala, entre os quais o dos Estados Unidos e os de seis países europeus (França, Grã-Bretanha, Itália, Alemanha, Dinamarca e Hungria). Portugal? Terá ficado sentado, certamente.

O discurso de Ahmadinejad pode ser visto aqui.

(Várias fontes)

23.9.09

Um país desgraçado













Nas montras da loja do Irão, os manequins femininos têm de ter véu e não podem exibir roupa apertada – curvas de corpos nunca, mesmo que estes sejam de plástico. Homens a venderem roupas para mulheres? Também não. Para quem prevaricar, primeiro um aviso, depois tribunal e «aulas de orientação».

Absolutamente revoltante. Por isto tudo, por mais que me digam que o Irão é um dos países mais espantosos do mundo, e apesar da minha tendência compulsiva para «ir» (e de até já ter tido em tempos uma viagem marcada), enquanto isto durar, «jamé»!

(Fonte)

Mi amigo José,


















Cesaste distribuición de Magellanes in Portugal? Envia todos para Venezuela e te ensinarei a vencer elecciones con maiorias decentes.

(Recebido por mail)

Memórias e desmemórias













«Desmemória quanto ao passado mais recente, em que o PREC, esse breve e conturbado período de “desnorte”, se foi tornando um trauma reprimido e silenciado, povoado de fantasmas que convém não acordar, sendo mais aconselhável apresentar o 25 de Abril como uma narrativa quase milagrosa: uma madrugada libertadora, um povo que da noite para o dia se descobre anti-fascista, uma revolução sem sangue por acção de um só homem, Salgueiro Maia, o herói post-mortem (porque em vida sabemos como foi...) retocado por sucessivas manipulações de memória, que o desvinculam do enorme colectivo injusta e escandalosamente silenciado.

De uma forma sucinta, podemos dizer que a nossa memória colectiva continua a produzir (e a consumir) de Portugal uma imagem dominante, que sob a gigantesca mistificação da identidade nacional, veicula fórmulas em que se casa o branqueamento histórico com o conservadorismo mais retrógrado (…)»

De um texto de Maria Manuela Cruzeiro, «Memória individual / memória colectiva: conflito e negociação». A ler na íntegra.

22.9.09

A voto útil não se olha o dente
















Restam três dias de campanha e jogam-se as últimas cartadas em ruas, palcos, feiras e até em gabinetes de Belém.

Tudo leva a crer que «les jeux sont faits», ou seja que o PS ganhará, com maior ou menor margem, e que o Bloco passará a terceira força - as sondagens que sairão amanhã e depois reforçarão, muito provavelmente, esta «crença». E, no entanto, os dois partidos do centro continuam a esgrimir a arma do voto útil, em todas as direcções, numa tentativa de dramatizarem o dilema e de despertarem um eventual sentimento de culpa nos que querem votar mais à direita ou mais à esquerda.

O argumento também vale para o PSD (que pouco me interessa), mas fixemo-nos no caso do PS. Tudo se passa na campanha e na blogosfera (e de que maneira…) como se não fossem os seus dirigentes e o actual governo os únicos responsáveis pela diminuição drástica no número de votos, pela falta de maioria absoluta ou até por uma eventual, embora pouco provável, vitória do PSD. Como se alguém tivesse roubado esses votos ao PS e não tivesse sido ele a perdê-los ao longo dos últimos anos.

Temos assistido às mais variadas vitimizações e a todos os ataques imagináveis. Aparentemente, eu e mais 20% de malandros, que vamos votar no BE ou no PCP, devíamos sentirmo-nos obrigados a salvar agora a situação com o tal voto útil – tristemente, de corda ao pescoço, de olhos vendados ou engasgados com um sapo na garganta. Do mesmo modo que, a 28 de Setembro, seremos certamente considerados responsáveis pela viabilização de um governo minoritário do PS, «forçando» aqueles em quem votámos a aceitá-la, com o mínimo de hesitações possível.

Mas, no ponto a que chegámos, o que é desejável é que, na nova AR, os partidos à esquerda do PS estejam tão fortalecidos quanto possível. Não se trata de um bando de malfeitores, mas de pessoas que querem tudo fazer - juntamente com o PS, evidentemente -, para que este país progrida e saia dos últimos lugares em quase todas as estatísticas. Será necessário negociar muito, respeitar, ceder – a democracia portuguesa amadurecerá, finalmente.

Se tudo se passar assim, é uma nova etapa, absolutamente imprevisível ainda há poucos meses, que deve ser aberta com profissionalismo, entusiasmo e vontade de vencer - e, também, com a alegria que ainda resta de uma 5º feira de Abril, que só aconteceu há trinta e cinco anos.

(O título deste post foi roubado a Júlio Machado Vaz)

Leva-os o vento











«As palavras não merecem confiança, há adjectivos que, às esquinas das frases, atacam honestos substantivos de regresso do trabalho diminuindo-os e enxovalhando-os, verbos que, em vez fazerem o discurso progredir, lhe travam o caminho e comprometem o sentido, advérbios preguiçosos, preposições despropositadas, sei lá que mais. (…)

Agora que as palavras andam por aí à solta, nos debates, nos comícios, nas declarações inflamadas, é bom que os políticos se cuidem. Sócrates, por exemplo, deveria estar de olho naquele "avançar", do slogan "Avançar Portugal", que pode muito bem significar "passar por cima de", e Ferreira Leite faria bem em desconfiar do substantivo "Verdade", que é dado a engasgar quem o usa e depois, sobretudo quando escrito com maiúscula, é difícil de engolir.»

Manuel António Pina, no JN de ontem.

Faltam poucos dias para as presidenciais
















«A partir de agora sabe-se que as próximas eleições presidenciais vão ser mesmo a sério. Ou seja Cavaco Silva tem fortes probabilidades de não se apresentar ou de não ser reeleito. E assim tudo muda quanto a candidatos. As legislativas seguem dentro de momentos.»

José Medeiros Ferreira

21.9.09

Um homem livre? Este













Confessa que gosta de andar bem vestido – e anda -, que não resiste ao acelerador e chega aos 150 km em auto-estrada, que rir é um remédio fantástico. Que gostaria de andar no espaço à volta da terra, que não tem pesadelos, nem guarda pedras no sapato. E, o que é absolutamente admirável e verdadeiro, que não tem medos – nenhum, de nada.

É Edmundo Pedro, quase 92 anos que poderiam ser 72 ou 42 - a liberdade em pessoa que tenho o privilégio de conhecer e de admirar e que me dá o enorme prazer de ser meu amigo.

Numa entrevista ao DN, publicada há dois dias, que me fez bem à alma no primeiro dia desta terrível semana.

(Clicar na imagem para ler na íntegra)











P.S. - Por falha imperdoável, não tinha visto o nome do entrevistador… Por um comentário aqui deixado pelo próprio, vi agora que se trata do Pedro Correia – um dos meus bloggers preferidos, a quem fico «a dever» mais este magnífico texto.

Ficar de olho

Tal como o carteiro, as cadeias blogosféricas tocam sempre duas vezes. Mas como este prémio vem do der_terrorist, respondo também à segunda. (O que não faria pelo meu agente noticioso por excelência! Quem o frequenta no Twitter sabe bem do que estou a falar!... )

E o «Vale a pena ficar de olho» vai direitinho para o Erecções 2009, como é natural.

Enxerto de fé

Nem só de maus fígados vive o homem e Sarkozy parece senti-lo na pele – um pouco mais de fé, vá lá saber-se em quê ou em quem, daria sempre jeito nos tempos que vão correndo.

20.9.09

Outros cartazes, outras campanhas (8)





Muda-se o ser, muda-se a confiança (2)

Adenda a este post - para bons entendedores…

Mário Soares:
«O antigo presidente da República, Mário Soares, referiu esta tarde esperar uma vitória socialista com maioria relativa, sublinhando que não lhe repugna um entendimento pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda»

Francisco Louçã:
«Registo a opinião de Mário Soares, tem sido uma voz própria no debate político que não representa o PS. Pelo contrário, na questão das privatizações, José Sócrates nunca quis ouvir Mário Soares.»

As palavras possíveis

Elis Regina
1980, em plena ditadura militar no Brasil



Aos Nossos Filhos
Composição: Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...

19.9.09

Muda-se o ser, muda-se a confiança















Ana Gomes:
28/10/2008
«Enquanto, o PC e o BE mantiverem o radicalismo e a irresponsabilidade política que os afasta de qualquer aliança de governo, as hipóteses de governo do PS exigem que ele suplante eleitoralmente pelo menos a soma do CDS e do PSD.»
18/9/2009
«“Com o BE não só acho que é possível como é positivo”, diz Ana Gomes que acrescenta que esta coligação traduziria a “sociologia de esquerda” que marca a maioria da população.»

Ana Gomes mudou a opinião que tinha do Bloco há menos de um ano ou são as sondagens quem mais ordena? As duas coisas, muito provavelmente. Nada a criticar, antes pelo contrário – realismo e frontalidade são sempre bem-vindos.

Mas não está sozinha: à medida que os dias passam, vão aparecendo vozes nas hostes socialistas, que apontam timidamente na mesma direcção. Será que isso se sentirá também onde se têm manifestado as maiores barbaridades contra o Bloco? A seguir com atenção.

Uma magnífica leitura para uma tarde de Sábado


Demasiada felicidad, um texto de Antonio Muñoz Molina no Babelia de hoje.

«Nunca he tenido la certeza de vivir en un solo mundo, la tranquilidad de una sola pertenencia indudable. (…) Los espías de Le Carré, de Chesterton y de Graham Greene eran nuestros héroes morales: gente que parece irreprobablemente una cosa y resulta que es outra. (…) El sentimiento de incertidumbre y provisionalidad me ha seguido acompañando en cada sitio donde he estado, en cada cosa que he hecho. Cobra otras dimensiones con el paso de los años.»

Pesadelos no mundo global













Apesar de não ter sido eleito à primeira volta, o próximo director da UNESCO será Farouk Hosni, ministro da cultura do Egipto, conhecido pelo seu anti-semitismo – um «anátema para aquele templo de cultura e de diálogo». Por razões diplomáticas, dizem «eles»…

Quanto à Assembleia Geral da ONU, ela será presidida durante um ano pela Líbia (também membro não permanente do Conselho de Segurança). Kadhafi estará presente, pela primeira vez em quarenta anos, na sessão de abertura da Assembleia na próxima 3ª feira.

Assim não vamos lá...

18.9.09

Ni le mal, tout ça m’est bien égal

O Ramadão do Presidente













Para Cavaco Silva, o período eleitoral é uma espécie de Ramadão em que se sente obrigado a abster-se de uma série de coisas - por exemplo, obter informações sobre questões de segurança que, alegadamente, poderão tê-lo atingido e, ainda mais, pronunciar-se sobre o facto trivial de ver de um dos seus principais assessores envolvido numa complicada tramóia.

Para ele, isto significa ser «isento e independente em relação a todos os partidos políticos». Eu direi que, de isenções e independências como estas, está certamente o inferno cheio.


P.S. - Entretanto, é grande a confusão na comunicação social - e continuará certamente nas próximas horas. Aqui, uma nota que a Direcção Editorial do Público acaba de divulgar.

A César o que é de César, às vezes e quando dá jeito
















Ontem, perante vinte e dois membros da Conferência Episcopal Brasileira, Bento16 afirmou que «os sacerdotes devem permanecer afastados de um engajamento pessoal na política, a fim de favorecerem a unidade e a comunhão de todos os fiéis e assim poderem ser uma referência para todos.»

E porque será que duvido que fizesse um discurso semelhante se tivesse à sua frente bispos espanhóis que pedem que não se vote nos que negoceiam com terroristas ou aprovam o casamento de pessoas do mesmo sexo?…
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P.S. - Bem a propósito, a Shyznogud chamou a atenção para isto, nesta Caixa de Comentários.

«A peregrinação de Setembro foi presidida pelo bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, que criticou projectos políticos que "ratificam a decadência humana, em lugar de dignificar a qualidade de vida e elevar o nível das relações e dos vínculos entre as pessoas".
O prelado entende que tais "projectos políticos" servem para "tornar a vida feia e confundir as mentes". (…)
A Conferência Episcopal Portuguesa emitiu, em Abril, uma Nota Pastoral sobre as eleições - Direito e dever de votar -, com a intenção de "formar as consciências" dos católicos na hora de votarem. Os bispos entendem que, em liberdade de consciência, os católicos devem votar tendo em conta "os valores éticos que procedem da vivência da sua fé". O secretário da CEP, Pe. Manuel Morujão, nega que a Igreja esteja a orientar o voto dos católicos.»


Comentários, para quê.

17.9.09

Reformismo e espírito positivo













Já aqui escrevi mais de uma vez que Zé Neves tem vindo a publicar, no 5 Dias, algumas das melhores reflexões sobre os tempos que correm – no meu entender, como é óbvio.

Um novo texto põe em causa o argumento das benfeitorias do reformismo, tal como ele tem vindo a ser defendido, até à exaustão, por Sócrates e seus seguidores. Em nome de uma sacrossanta estabilidade que exclui o imprevisível.

«Sócrates procuraria passo a passo, grão a grão, ir melhorando o actual estado de coisas, gerindo o possível – e isto seria uma esquerda moderna e democrática. O problema em tudo isto está naquilo que se entende por possível. É que a política não é a simples gestão do possível mas sim uma luta pelo que é e deixa de ser possível e pelo que se entende como possível, impossível, necessário, inevitável. Isto mesmo deveria ficar à vista de toda e qualquer esquerda, mais não fosse por obra e graça da actual crise, que interrompe o que era inevitável e introduz o aleatório na ordem do previsível. Quem diria, há um ano atrás, que um dos pontos fundamentais da actual campanha seriam as nacionalizações ou o reforço dos serviços públicos?»

Aceita-se como ponto de partida indiscutível que o objectivo é ir aperfeiçoando o sistema em que vivemos, sem se admitir que algo de diferente venha a estar um dia no horizonte. É curto e é empobrecedor.

«O PS desvaloriza a utopia e a resistência e limita-se ao que se vê, nunca percebendo que há sempre mais do que uma forma de ver a realidade e que o que é impossível para uns chega a ser necessário para outros. Para muitos apoiantes de Sócrates é impossível acabar com a exploração laboral, para outras pessoas isso é simplesmente necessário. A realidade não é um dado mas é um problema – para o bem e para o mal – e só uma esquerda que tenha problemas com a realidade é que merece o nosso voto. Se é para cultivar a paz social e a harmonia entre os seres humanos, rejeitar o conflito social e fazer apelos à unidade nacional e ao avanço de Portugal e acabarmos todos a regar as florzinhas do jardim e dar milho aos pombos no reino do contentamento, então mais vale votar no partido da Laurinda Alves do que no partido de José Sócrates.»

É uma bela imagem…

Parece que já está












«…segundo mandato de presidente da Comissão Europeia, com uma maioria absoluta de 382 votos a favor, 219 contra e 117 abstenções.»

Doeu, mas paciência… Melhores dias virão.

Registe-se: «Entre os socialistas portugueses, só Ana Gomes anunciou que não votaria a favor, optando pela abstenção.»
(E a própria explica porquê.)

P.S. - Versão inglesa de um artigo do Der Speigel, demolidor para Barroso. (Via Helena Araújo)

I have not brought you hope, I have not paid your fee

Parece que já está

«…segundo mandato de presidente da Comissão Europeia, com uma maioria absoluta de 382 votos a favor, 219 contra e 117 abstenções.»

Doeu, mas paciência… Melhores dias virão.

Registe-se: «Entre os socialistas portugueses, só Ana Gomes anunciou que não votaria a favor, optando pela abstenção.»

15.9.09

Decadência

Via Generación Y.

«Estaban a tres metros uno del otro y orientaron sus móviles -como dos cowboys en mitad de un duelo- para lanzarse el video clip “Decadencia” y las últimas fotos de Carlos Lage. La información viajó por el aire y se almacenó en la memoria de cada artilugio telefónico. No quedaron rastros del envío, ni siquiera los que estaban alrededor se dieron cuenta que casi cincuenta megabytes habían cruzado el parque en unos breves minutos.»

Política pop
















Quando a imagem se converte num fim em si mesma e os políticos conhecem melhor o universo do marketing do que os conceitos teóricos que devem reger a sociedade, é porque já entrámos no mundo da política pop. Se Berlusconi é, sem qualquer espécie de dúvida, o seu expoente máximo na Europa, muitos outros líderes não estão isentos de algumas tendências perigosas neste dominio.

Quem o diz é Claudio Magris, em artigo do Público.es de hoje. Matéria para reflexão nos días que correm.

Memória
















Hoje e amanhã estarei por ali , mas passarei também por aqui.

14.9.09

Cogitações (10)

«Porque toda esta paixão agora parece gasta, e as paixões contrárias que despertou correspondentemente redundantes, os analistas de hoje tendem a menosprezar as “guerras culturais” ideológicas do século xx, e os desafios doutrinários e contradoutrinários, como um capítulo encerrado. O comunismo defrontou o capitalismo (ou o liberalismo): perdeu, tanto no campo das ideias como no terreno, e portanto ficou para trás. Mas ao desprezar as promessas falhadas e os falsos profetas do passado, também nos apressamos excessivamente a subestimar – ou simplesmente a esquecer – a sua sedução. No fim de contas, porque é que essas promessas e esses profetas atraíram tantos cérebros talentosos (para não falar de milhões de eleitores e activistas)? Devido aos horrores e receios da época? Talvez. Mas será que as circunstâncias do século xx foram realmente tão invulgares, tão únicas e irrepetíveis, que podemos ter a certeza de que não mais voltará aquilo que impeliu homens e mulheres para as grandes narrativas da revolução e na renovação? Será que os planaltos ensolarados da “paz, democracia e mercado livre” chegaram mesmo para ficar?»

Tony Judt, O século xx esquecido, p. 27.

Desavenças
















«Pareceu-me uma cena da vida conjugal, cada um culpando o outro da ruptura da união de facto e do mau comportamento da prolífica descendência de problemas que ambos e os respectivos partidos geraram e deixaram ao país e andam hoje por aí à solta, entregues a si mesmos, e senti-me desconfortavelmente na pele de um consultor sentimental. (…) A partilha de bens e de responsabilidades parentais de um casal desavindo nunca é coisa bonita de ver.» (Manuel António Pina, hoje no JN)

E, no day after, assistiremos a intermináveis discussões para sabermos se ficamos só com o pai ou só com a mãe, se eles chegam a entendimento para uma guarda conjunta ou se nos entregam a uma IPSS situada ali para os lados de Belém. Resistiremos a tudo.

13.9.09

Para mentes inquietas










Não podia estar mais de acordo com a crónica de Vasco Pulido Valente no Público de hoje. À medida que os dias vão passando, e que vou vendo a agressividade com que se desenterram todos os argumentos contra os perigos de ingovernabilidade, julgo que vale a pena parar e ver os lados positivos do panorama que teremos, mais do que provavelmente, dentro de duas semanas.

«Vamos ter, portanto, se as sondagens não erram, uma certa agitação política: uma perspectiva que perturba a mente ordeira de alguns portugueses.
Mas será essa agitação em si própria má? Não me parece. Em primeiro lugar, porque um parlamento dividido, de que o governo dependerá, readquire alguma da dignidade que perdeu desde 1989. Em segundo lugar, porque um Parlamento dividido é um Parlamento vigilante, que tenderá a expor (e a punir) qualquer abuso, favorecimento ou fraude, que venha de cima. Em terceiro lugar, porque Portugal precisa de hábitos de negociação e compromisso, que, como já se viu, a maioria absoluta dispensa ou militantemente rejeita. E, por fim, em quarto lugar, porque o cidadão comum, com a incerteza, talvez se comece a interessar pela vida pública. Isto, para mim, basta.»

Só mais uma coisa e pela quinquagésima vez: nada leva a crer que o mundo vá acabar na madrugada de 28 de Setembro…

Outros cartazes, outras campanhas (6)


Uma foto que dispensa palavras

12.9.09

It's been a hard day's night



















Ricardo Araújo Pereira sobre os debates

Ouvido em trânsito, no Governo Sombra:

«As audiências têm sido extraordinárias (…)» Pode acontecer «que as pessoas tenham imenso interesse em ver os debates, mas nenhum interesses em ir votar» - «querem saber mesmo qual é a melhor forma de decidir em quem é que não vão depositar o voto».

«Chovinismo» qb?
















Os franceses não desistem : continuam uma luta, antiga e relativamente inglória, para travar a invasão do inglês. Quando, em 1964, René Étiemble lançou Parlez-vous franglais?, a expressão correu mundo e foi alvo de críticas e de anedotas nos meios anglófilos e não só.

Leio hoje que, duas vezes por ano, é publicado um guia intitulado «Vous pouvez le dire en français», com as traduções consideradas adequadas.

Assim, um «hacker» é, para todos os efeitos, um bisbilhoteiro («fouineur»), em vez de «podcasting» deve dizer-se «diffusion pour baladeur» e «phishing» é pesca com anzol («hameçonnage»). «Computer» será para sempre «ordinateur» (certamente em honra dos heróicos tempos das separadoras que ordenavam cartões perfurados) e mantém-se «logiciel» para «software». Ainda tentaram (juro que é verdade) mas, para meu grande desgosto, verifico agora que desistiram de «quincallerie» como tradução de «hardware»...

11.9.09

Outros cartazes, outras campanhas (5)



Eleições 2009

Paga-se um preço por ter netos em idade de infantário e há semanas que a cantiga não me sai da cabeça depois de uma volta por certos blogues. Mas há por aí sensibilidades à flor da pele e estou um pouco farta de as aturar, razão pela qual não partilhei esta minha recente obsessão.

Hoje, num dos subterrâneos (ou sucedâneos, como preferirem) desta querida blogosfera – o Facebook - confessei-me à Inês Menezes e ela «traiu-me» (com a minha total conivência...). Assim sendo, aqui fica:

11/9 - 2001, NY