Páginas

31.10.09

A Net da sucata

´












De vez quando, este blogue passará a publicar textos de «convidados», sem qualquer compromisso de regularidade. Este é o primeiro - outros virão.

A pós-modernidade não pára de nos surpreender! Há, porém uma pós-modernidade nossa, portuguesa, que adivinho escondida na sigla que em breve teremos retirada de um mandato judicial. Surgirá oficializada, embora já actuante no terreno. Trata-se da RTI, “rede tentacular integrada”. Não, não pense o leitor que é coisa italiana (de facto podia ser Rádio Televisão Italiana ou qualquer negócio berlusconiano!). Trata-se de uma rede de sucateiros. Não têm facebook. Preferem o occultface e afirmam-se defensores da democracia, do diálogo e implementaram um sistema cultural de novas oportunidades onde o mais importante é testar a honestidade dos outros. Usam linguagem própria que combina o moderno nas suas sofisticadas formulações, com a banalização de textos da nossa cultura, como a Arte de Furtar. A carga pejorativa que encerra, por exemplo, essa mais que vulgar expressão “Chico esperto”, suprime-se para recuperar linguagem usada quando Portugal era gente – nos Descobrimentos! – e passa-se a assumir o nik de Soldado Prático como password para entrar na rede. Carloading significa pagamento em carros, REN é apenas Rede de Empreendedorismo Nacional... Aboliram-se de vez noções como a de padrinho, omertà, etc, etc, de conotações historicamente tão localizadas; nada como a linguagem portuguesa, remetendo para a nossa cultura, para a nossa paisagem: “descarrega à vara larga” significa que se pode descarregar mais do que a Zon permite nos seus anúncios publicitários; a rede que pode receber bugs na circulação de informação, tem agora a fé que pode (como se sabe) remover montanhas ou penedos garantindo que a transversalidade das pressões é um legado de valores que estrutura as novas dinastias. Estamos, pois, na presença de uma nova linguagem que ultrapassa a leituras literalistas. Mesmo Godinho, não é um nome; é uma referência: deusinho (God+inho). Mas nada de pânico: o novo sistema já está a ser investigado. Prevêem-se dificuldades em chegar à sucata cultural, ética e moral dos parvenues cujo rosto se conhece mas que, também se sabe, estão fortemente armados e entrincheirados na área do poder.

José Oliveira Barata

O Vaticano ensandeceu de vez














...ou sou eu que ainda estou a dormir?

É o que está a dar



















Mas se anda pelo Facebook, pode juntar-se à causa:
«I bet we can find 1,000,000 individuals who dislike capitalism!»

30.10.09

From Fidel to Roosevelt

















Não conheço a letra de Fidel de Castro, nem tenho qualquer possibilidade de saber se esta carta é verdadeira. Terá sido escrita quando Franklin D. Roosevelt foi reeleito para o seu terceiro mandato como presidente dos Estados Unidos, mas há um elemento suspeito: em Novembro de 1940, Fidel tinha 14 anos e o autor da carta diz ter 12. Erro de inglês?
Se a carta tiver sido escrita por Fidel, tem a sua graça...

As três páginas manuscritas podem ser vistas aqui.

Santiago de Cuba
Nov 6 1940
Mr Franklin Roosvelt, President of the United States.

My good friend Roosvelt I don't know very English, but I know as much as write to you. I like to hear the radio, and I am very happy, because I heard in it, that you will be President for a new (periodo). I am twelve years old. I am a boy but I think very much but I do not think that I am writing to the President of the United States. If you like, give me a ten dollars bill green american, in the letter, because never, I have not seen a ten dollars bill green american and I would like to have one of them.

My address is:
Sr Fidel Castro
Colegio de Dolores
Santiago de Cuba
Oriente Cuba

I don't know very English but I know very much Spanish and I suppose you don't know very Spanish but you know very English because you are American but I am not American.
(Thank you very much)
Good by. Your friend,
(Signed)
Fidel Castro

If you want iron to make your sheaps ships I will show to you the bigest (minas) of iron of the land. They are in Mayari Oriente Cuba.

(Fonte)

Colóquio sobre as eleições de 1969 - Amanhã, 31/10

«As eleições de 1969 e as Oposições, 40 Anos depois»
31 de Outubro
Instituto de História Contemporânea

Clicar na imagem para ler.



«O quadro em que se realizaram as eleições de Outubro de 1969 colocou no centro de debate entre as oposições a questão do fim do regime e da transição. A abertura liberalizante por parte de Marcello Caetano não deixava ninguém indiferente, por mais que formalmente todos o negassem. Apesar de tudo, começava a construir-se um caminho que parecia apontar para uma participação eleitoral unida de comunistas e socialistas, que se consubstanciava na plataforma de S. Pedro de Muel. Todavia nunca deixara de borbulhar uma tensão surda pela hegemonia. CDE e CEUD serão a expressão legal para fins eleitorais dessa tensão que voltaria a dividir as oposições, ao mesmo tempo que outros sectores – católicos, monárquicos e radicais – ganhavam neste contexto alguma expressão. Apesar da velha querela entre ir ou não às urnas, as listas da oposição irão a votos com resultados bastante modestos num processo marcado mais uma vez pela manipulação, pela arbitrariedade e pela violência governamental. Nas eleições de 1969 com as oposições divididas e a repressão do governo esfumavam-se as ilusões numa via de transição gradualista, mas, ainda assim, germinava um novo modelo de organização oposicionista, configurando uma viragem significativa nos seus modos de operar na legalidade.»

Agarrem-me!

Da RTP1 para a SIC N, no mais tradicional dos zappings, viu-se chegar a vaga: com poucos minutos de intervalo, Paulo Rangel e José Luís Arnaut entronizaram o único general possível para o seu (deles) exército. Aparentemente, Morais Sarmento e Alexandre Relvas já tinham feito o mesmo nas ondas da rádio.

Cá estaremos para assistir aos espectáculos que se seguem, mas é nestes momentos que dá gozo recordar êxitos passados.

O verdadeiro artista



















Será desta?

29.10.09

Lamentamos, Mr. Warhol



















Em 1956, Andy Warhol ofereceu um desenho seu ao Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) e recebeu como resposta uma simpática carta de recusa: «I regret that I must report to you that the Committee decided, after careful consideration, that they ought not to accept it for our Collection.»

Warhol teria já então alguma notoriedade mas não a suficiente para que um dos seus famosos Sapatos fosse exibido no MoMa. Poucos anos mais tarde, seria já a grande estrela da Pop Art!

Não sei qual foi o desenho recusado, mas este Sapato é de 1956.

O texto da carta pode ser lido aqui.

Moral da história: Keep trying!

Esta crise

A outra crise


Exactamente há 80 anos, em 29 de Outubro de 1929, «The Black Tuesday».

28.10.09

Des paradis que l'on dit d'artifice










Todos os pretextos são poucos para ouvir Léo Ferré, como o de se saber agora que Paris tem finalmente uma praça com o seu nome, algures no XIIe. Não sem que fossem necessários treze anos desde que morreu e mil peripécias burocráticas para o conseguir.

Oficialização de pseudónimos















A nova Ministra da Educação chama-se Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar. Tomou posse como tal, mas não é este o nome que figura no Portal do Governo.

Já agora: «Alçada» desde quando e por parte de quem?

Manif em 140 caracteres



É sabido que para os mexicanos todos os motivos são bons para se manifestarem nas ruas. Só na cidade do México, foram contabilizadas mais de 3.000 manifestações em 2008 (sem contar com as informais). Houve mesmo quem tivesses a (fabulosa…) ideia de propor a construção de um «manifestódromo»! Mas fazem a tal ponto parte das rotinas diárias que foram perdendo significado, a não ser pelo impacto no trânsito já de si caótico.

O panorama parece estar a mudar desde que mais de 10.000 pessoas utilizaram o Twitter como forma de protesto contra a ameaça de um novo imposto. Num país em que o acesso à internet é ainda relativamente limitado, o impacto foi grande, passou para a comunicação social e o presidente do Senado acabou por receber os representantes da «manifestação»…

«Twitteros unidos, jamás serán vencidos»?

(Fonte)

27.10.09

A posse









Quando vi isto ontem, foi tiro e queda:

O senhor que se segue













Não tenho qualquer simpatia especial por Jean-Claude Juncker, mas tem desde já o meu voto (piedoso) para presidente do Conselho Europeu, já que parece ser a primeira alternativa possível a Tony Blair.

Gordon Brown pediu aos seus diplomatas que exerçam toda a pressão possível, a nível europeu, para salvar a candidatura de Blair, sob pena de haver grandes hipóteses de ela não vingar.

Aparentemente, a esquerda reage em sentido oposto e surgem textos controversos e irónicos e, no mínimo nada meigos… «É uma fonte de orgulho nacional em alguns sectores, por ser um dos dois maiores assassinos de massas que vivem na terra».

A seguir as cenas dos próximos capítulos.

P.S. - A ler «Los conservadores no quieren a Blair y muchos laboristas le echan en cara Irak»

Enquanto há sobreviventes
















Por iniciativa da Câmara de Paris, realiza-se hoje em Madrid uma dupla homenagem: aos membros das Brigadas Internacionais que lutaram na Guerra Civil de Espanha e aos espanhóis que combateram os nazis durante a Segunda Guerra Mundial.

Integraram as Brigadas voluntários de 54 Países, dos quais 10.000 franceses. Por outro lado, cerca de 8.000 espanhóis ajudaram a libertar Paris da ocupação nazi.

(Fonte)

26.10.09

Blogos(fera)














Roubei o título e a prosa ao Luís Novaes Tito:

«A Blogos(fera) já foi muito mais Blogos e menos Fera. Já foi muito mais humana do que politicamente correcta. Já foi muito mais diário do que enfeite. Já foi muito mais vida do que fingimento. As coisas evoluem, sabe-se e deseja-se, mas era bom que evoluíssem para melhor (…).»

Não podia estar mais de acordo. Hoje quase tudo é muito mais duro, mais agreste do que há apenas dois anos e meio, quando comecei este blogue e passei portanto a lidar de um modo diferente com a blogosfera. Pessoas que em 2008 dialogavam civilizadamente, de blogue para blogue ou em caixas de comentários, hoje ignoram-se na melhor das hipóteses, atacam-se com ou sem links, passaram a fazer da agressão o método normal de funcionamento.

Razões? Haverá muitas.

Só andarão por cá os linces ibéricos?














Estamos em via de extinção? Portugal tem muito menos casamentos e a menor natalidade da Europa? A culpa é de quem financia abortos, facilita divórcios e fomenta o casamento de homossexuais, porque «a política é um importante factor na promoção da desgraça». «O futuro, sofrendo as terríveis consequências, abominará a cegueira e irresponsabilidade dos que abandonam a realidade para se embalar em ideologias antifamília. Sem famílias sólidas, tudo se extingue.»

Claro que hoje é 2ª feira e evidentemente que esta límpida prosa é de César das Neves.

Mas só por má fé é que alguém pode escrever coisas como estas, passando ao lado das verdadeiras causas, económicas e sociais, de os jovens terem poucos filhos – mesmo que os queiram e que vejam, com mágoa, que os anos passam sem vislumbrarem condições mínimas e responsáveis para porem crianças neste mundo.

Nada é a preto e branco neste domínio e o El País publicou ontem um artigo interessantíssimo sobre as características e as condições em que vivem muitos que estão hoje na casa dos 30 e que são os últimos «produtos» do baby boom dos anos 70 - os kidults ( kid e adultos) ou adultescentes, a geração Peter Pan como é geralmente conhecida. Vale a pena ser lido porque levanta questões que acabam por estar relacionadas com o tema que César das Neves aborda, mas que nada têm a ver com afirmações demagógicas e prosélitas que pretendem tapar o Sol com a peneira.

Andando 40 anos para trás















Os nove membros do núcleo redactorial dos «Caminhos da Memória» recuaram e responderam à pergunta «Onde é que estavas em 26 de Outubro de 1969?» - ou seja, no dia em que se realizaram as primeiras eleições legislativas do marcelismo, quando a oposição resolveu ir a jogo embora soubesse que os dados estavam viciados. Também por lá apareço, evidentemente.

25.10.09

Como é que eu vivi tantos anos













… sem saber que 25 de Outubro é o Dia Mundial do Macarrão!!!

Eu sei que não é fácil

















… mesmo nada fácil, mas tentem esquecer José Rodrigues dos Santos numa entrevista que fez a Luís Sepúlveda e oiçam o que este foi dizendo.

E ficarão provavelmente com vontade de ler o seu último livro A sombra do que fomos.

Eles andam por aí…













Ciclicamente, aparecem petições para que seja reposto o nome original de Ponte Salazar na actual Ponte 25 de Abril. Aí está mais uma que neste momento já tem cerca de 900 assinaturas. Há também uma página no Facebook com mais de 1.600 fãs, etc. etc.

Copio um parágrafo do texto da dita petição (que, já agora, podia estar mais escorreitamente redigida...):
«É neste contexto, que, indignado pelo tratamento continuado de parte importante do que somos hoje como nação, e para que a reposição da justiça seja efectiva, cabe a nós, cidadãos, utilizando o direito à indignação, e acima de tudo não colaborar mais com a hipocrisia, denunciar, e por todos os meios, rectificar mal entendidos ou actos cometidos no calor da agitação, própria, dos momentos de fraqueza da nossa História.»

O «momento de fraqueza da nossa história» foi certamente o 25 de Abril e a concretização do que ele representou, por exemplo, com a eliminação do nome de Salazar uma das pontes que liga Lisboa à margem Sul.

Mais papistas do que o papa são estes senhores, já que o próprio Salazar, quando visitou a ponte na véspera da sua inauguração, previu que o nome seria um dia alterado:
«As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.»


P.S. (1) - No fundo, é deste Portugal que esta gente tem saudades:




P.S. (2) - E não é que ele, @oliveirasalazar, o propriamente dito, me respondeu no Twitter?
@joanalopes É legitimo. O Sidónio Pais tem uma avenida, o Marquês tem um estátua e praça. Igualdade de oportunidades para os ditadores.

Preliminares
















Por outras palavraa e não só: se a oposição votar em bloco que se suspenda a avaliação dos professores, sairá a sorte grande a Isabel Alçada, certo? O novo governo bem queria continuar, mas…

24.10.09

Nem o ruído nem a cor das coisas

video

Paraíso a Oeste?

Costa Gravas tem 76 anos, nasceu na Grécia mas vive há muito tempo em Paris. Para muitos, continuará certamente associado para sempre a Z, um filme de 1969 sobre a chamada «ditadura dos coronéis» gregos.

Defensor incansável de grandes causas, denunciou os métodos estalinistas em L’Aveu, a colaboração americana com o golpe de Pinochet em Missing, o silêncio do Vaticano perante o Holocausto em Amen.

Agora, em Eden à l’Ouest, fala dos «sem papeis», esses novos nómadas que chegam clandestinamente à Europa e vivem nos nossos países com medo de serem devolvidos às condições degradantes de onde ousaram sair.



Em entrevista, que El País publica hoje, não esconde o seu pessimismo:
«El capitalismo, esa pasión por el dinero. Dinero, dinero, tener más coches y más grandes, una casa en el campo, piscina, eso es lo que mueve hoy al mundo. (…) Europa ha vivido todo lo peor, las masacres, las guerras más terribles, junto a lo más maravilloso, el arte, la filosofía, la literatura. ¿Y qué hacemos ahora que estamos juntos en la Unión Europea? Hablar de economía, ver dónde se gana más dinero. Cuando cayó el muro de Berlín pensamos que por fin el mundo iba a ser diferente, pero no, es peor. ¿Qué le estamos diciendo a la juventud sobre la necesidad de crear un mundo mejor? Que todo, el medio ambiente, el paro, la economía, que todo es peor, que no hay esperanza. No proponemos una vida mejor, sólo que cada vez vamos hacia un mundo más oscuro.»

P.S. - Quem quiser ver ou rever Z na íntegra, pode fazê-lo aqui.

23.10.09

Entretanto, no Chile












A justiça chilena está a reabrir centenas de processos das vítimas dos interrogatórios policiais do regime de Pinochet, com o objectivo de as indemnizar.

Acaba também de ser anunciada a criação do «Instituto de Derechos Humanos» e uma antiga prisão vai ser transformada em Museu da Memória. Mas, para muitos, a reconciliação será sempre impossível enquanto antigos torcionários passearem pelas ruas do Chile.

Para se entender um pouco do que se está a falar em termos de interrogatórios policiais, um testemunho entre muitos:
«Por la violación de los torturadores, y embarazada, aborte quedé en la cárcel. Sufri descargas eléctricas, acoso sexual y con perros me introdujeron ratas vivas por la vagina. Me obligaron um tener relaciones sexuales con mi hermano y padre, que también estaban detenidos. Tenía 25 años. Estuve en prisión hasta 1976.»

(Fonte)

Até 11 de Setembro de 1973, tudo isto pareceria impossível – mas não foi.

Admirável mundo livre

















As autoridades marroquinas proibiram a distribuição do Le Monde no país, pela publicação de um desenho considerado ofensivo para a família real. Nada que não fosse de esperar.
(Daqui)

Mas esta é melhor. Nos Estados Unidos, um homem arrisca um ano de prisão e uma multa de $2.000 por preparar um café, nu, na sua própria cozinha. Alguém passou na rua, olhou pela janela e fez queixa à polícia. Esta considerou poder tratar-se de exibicionismo…
(Daqui)

Coisas que me reconciliam com a blogosfera













Este humor logo no início de mais uma manhã.

22.10.09

E para acabar o serão de outra maneira


Não há futuro para os grafólogos

















Quando os computadores invadirem generalizadamente as escolas – o que será óptimo, sem qualquer espécie de reserva da minha parte – morrerá definitivamente o ensino da caligrafia (se é que ainda existe). Desapareceram há muito aqueles cadernos especiais, com duas linhazinhas paralelas que só as maiúsculas podiam ultrapassar. Mas muito em breve será a própria relação de cada um com a sua própria letra, com a da sua geração, ou mesmo com a do seu país, que se extinguirá, pura e simplesmente.

Para Umberto Eco, o declínio do ensino da caligrafia nas escolas prejudica a aprendizagem de uma habilidade psicomotora que favorece a coordenação entre a mão e os olhos e espera que a humanidade redescubra esta ferramenta que foi indispensável no Ocidente, desde a assimilação helénica da escritura fenícia, por volta do século VII antes de Cristo.

Não creio. As cartas de amor nunca mais serão manuscritas nem perfumadas (talvez com o Windows 9 ou 10, sabe-se lá...) e o meu amigo A. bem pode regressar ao estudo dos astros porque a grafologia tem certamente os dias mais do que contados.

(A partir de)

Allons enfants de la patrie

















A polémica regressa a 22 de Outubro, em França, desde que há dois anos Sarkozy tornou obrigatório que fosse lida nas escolas uma carta de Guy Moquet, como «testemunho dos valores de sacrifício e de coragem, fundamentais para os jovens franceses».

As reacções não se fizeram então esperar por parte de partidos, sindicatos e muitos professores que recusaram seguir a determinação, acusando-a de oportunismo e de instrumentalização de um documento - descontextualizado e de cariz tipicamente pessoal.

Guy Moquet foi um jovem comunista francês, de 17 anos, executado em 22 de Outubro de 1941, num campo de reféns em Châteaubriand, juntamente com mais de duas dezenas de resistentes. Na véspera da execução, escreveu um texto de despedida à família e não se entende, de facto, o que é que pode justificar a imposição da sua leitura nas escolas, a não ser um certo tipo de sentimentalismo destinado a fomentar o orgulho da pátria.

Menos entendo ainda por que mistério foi considerado que a dita carta podia «dar força» à equipa de rugby francesa!

De fil en aiguille, vem-me à memória o êxtase perante o hino nacional cantado pelos nossos bravos «rugbistas», que me arrepiou não de orgulho mas de medo. E porque há sempre mais fio e mais agulhas, façam o favor de ler o post que a M. Manuela Cruzeiro publicou hoje nos «Caminhos da Memória». Nada a ver? Mais do que possa parecer.

21.10.09

Mas também descubro outras diferenças









Retomo o diálogo com o João Tunes que acaba de se referir a um post deste blogue.

Assino tudo o que ele diz e também eu dava «os meus trinta [e alguns] anos vividos em ditadura para troca de uma qualquer democracia, mesmo que mal amanhada» - sem hesitação.

Mas a «humildade democrática e cidadã do anterior Presidente da República a cumprir voluntariamente o serviço cívico de membro vulgar de uma mesa de voto», nas últimas eleições autárquicas, tem tudo a ver com isto:
«O Presidente da República [Jorge Sampaio] lembrou-se dos tempos em que exerceu uma função fiscalizadora, juntamente com Francisco Salgado Zenha, quando procuraram controlar o processo eleitoral "nas supostas eleições de 1969".»

Não sei por onde andava então aquele senhor que hoje vive em Belém e diz umas coisas estranhas ao país. Já não estava em Boliqueime, mas dou alvíssaras a quem o tenha visto numa sessão da CDE ou da CEUD, nas arruaças do futuro MRPP ou mesmo na Ala Liberal de Marcelo Caetano. É esse «mundo», ou outro qualquer, que lhe faz falta – e a nós, por tabela.

Foi você que disse Gulag?












Leia a resposta aqui mesmo ao lado.

Sem memória, não há futuro que resista (2)














Há alguns dias, chamei a atenção para dois documentos relacionados com as eleições de 1969, publicados nos «Caminhos da Memória». Num deles, projecta-se que os CTT troquem listas nos envelopes enviados pela oposição.

Encontrei entretanto esta elucidativa descrição de Vital Moreira no «Causa Nossa»:

«Como a lei não previa que as listas concorrentes constassem de um boletim único, a oposição tinha de imprimir os seus próprios boletins de voto e distribui-los pelos eleitores, o que era uma tarefa trabalhosa e dispendiosa, e só cobriu parte dos eleitores inscritos. Para que os boletins de voto fossem iguais aos da Acção Nacional Popular (novo nome da antiga União Nacional, o partido oficial), conseguimos saber pelos tipógrafos comunistas clandestinos como seriam os dela, tendo depois feito imprimir os nossos com o mesmo tipo de papel e de impressão. Qual não foi a nossa surpresa quando nas vésperas da eleição recebemos os boletins de voto da ANP, impressos num papel de textura e de tonalidade ostensivamente diferentes e com uma impressão facilmente reconhecível pelo tacto. Tinham alterado à última da hora os boletins de voto, para os diferenciarem propositadamente dos nossos, de modo a inibir quem tivesse receio de ser identificado como votante da oposição...»

Assim se viviam as campanhas eleitorais há 40 anos…

(Na foto, Mário Soares e Maria Barroso a votar em 26/10/1969)

O turismo também serve para isto

















Há mais do que um motivo para ser impossível esquecer o Cambodja, onde estive há cerca de seis meses: os magníficos templos de Angkor, a miséria extrema em que vive uma parte da população (*) e as pegadas deixadas pelos inqualificáveis crimes dos Khmers Vermelhos.

Um texto que Rui Bebiano publicou ontem fez-me «regressar» porque não há família no Cambodja que não tenha uma história semelhante à que é contada no livro que é referido. A do guia turístico que acompanhou o grupo em que integrava não era muito diferente (tinha 13 anos em 1975), o que é inevitável num país que perdeu 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos), em apenas quatro anos – enquanto nós por cá vivíamos o PREC e os anos que se seguiram, ou seja há relativamente pouco tempo.

Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Cambodja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 60 anos, ou mais, desapareceu - pura e simplesmente.

Mas o que nunca sairá da memória de quem por lá passou é a «fotografia» de um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como este, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.




(*) Escrevi, in loco, um pequeno texto sobre as terríveis condições em que vivem muitos cambojanos.

20.10.09

O mundo é o mesmo, as vidas são outras













Há cinco anos, andei três dias num mini-cruzeiro no rio Yangtze, o tal onde existe hoje a monumental Barragem das Três Gargantas, então ainda em construção. Mais de um milhão de pessoas tinha sido ou estava a ser deslocado, já que a subida das águas fez desaparecer do mapa muitas aldeias.

Hoje leio que a construção de um canal que ligará o Norte ao Sul obrigará a deslocar mais 300.000 chineses.

Eu sei que se trata de um país tão populoso que, em percentagens, tudo é relativo. Mas é como os argumentos sobre as estatísticas relativas à pena de morte: um morto é sempre uma pessoa – e um deslocado é outra.

E passo a contar uma pequena história. No tal passeio pelo Yangtze, parámos junto a este pequeno pagode e, através do guia, falei com uma rapariguita que vendia bugigangas a turistas. Explicou que estava sozinha porque a família já deixara aquele local que, pouco tempo depois, ficaria inundado. Estavam agora longe? Nem por isso: a dois dias de viagem, de comboio.

Sem memória, não há futuro que resista (1)













No rescaldo de semanas e semanas vividas na agitação dos nossos recentes actos eleitorais, haverá certamente quem se recorde ainda de umas legislativas que se realizaram no dia 26 de Outubro de 1969 – há 40 anos, portanto.

Um ano depois de Salazar passar a estafeta a Marcelo Caetano, muitos acreditaram que a tal primavera anunciada iria permitir que tudo se passasse mais normalmente do que no passado, ou seja, com um mínimo de liberdade e de decência. Não foi o caso, como é sabido.

Nos próximos dias, deixarei aqui alguns apontamentos, fotos, links para os Caminhos da Memória. Por hoje, apenas o anúncio de um colóquio que será organizado pelo Instituto de História Contemporânea - As Eleições de 1969 e as Oposições, 40 Anos depois -, no qual colaborarei com grande prazer. Terá lugar no Sábado, dia 31 de Outubro, e o programa detalhado pode ser lido aqui.

19.10.09

O brinquedo
















Já com parte da alma no Laos e na Birmânia (a outra ainda anda por cá durante uns tempos…), comprei ontem este acessório de viagem – 1 kg, mais pequeno do que uma folha A4, lindo de morrer -, na esperança de poder relatar aqui umas histórias, com cedilhas e acentos, e de ir mostrando umas pelingrafias.

Mas sinto-me como quem faz fila para comprar pilhas sem ter lanterna, porque nem sei se vou conseguir ligar-me à net, muito menos ao Blogger, ao Facebook ou ao Twitter - talvez ao mail…. Em países onde nem há ATM’s nem cartões de crédito, e onde a censura é o que se sabe… Para já, vou recheando the little animal.

E já fiz também umas contas que metem fusos horários: se não houver atrasos, devo chegar a Luang Brabang 22 horas depois de descolar da Portela…

Que ninguém suspeite que embirro com Saramago
















.. porque embirro mesmo e há muitos anos.

Vai por aí um alvoroço com o lançamento de Caim, o seu último livro. Desta vez (!...), quem disse o que é absolutamente evidente e indispensável foi o porta-voz da Conferência Episcopal: «um escritor da craveira de José Saramago deveria ir por um caminho mais sério» e o livro é pura «operação de publicidade». Marketing, demagogia e mais nada.

Basta ver este vídeo:



Mais dislates por exemplo aqui.

Cavaco amigo















… pois parece que o povo já não está contigo!

«Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivéssemos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual.»

Aluno classificado pelos portugueses sempre com «Bom» (14,5% teria sido a sua pior nota desde que é presidente), vê agora na pauta um mísero 9,6%. Dantes, dava para ir à oral mas à justa.

Que assim continue, pliiize, pelo menos durante mais um anito. Que procure câmaras escondidas, descubra microfones e inspeccione computadores – e, sobretudo, que venha depois contar como foi.

Centro Nacional de Cultura






















Mais informações

18.10.09

Por cá, vai ser navegar à vista



E não será fácil. Logo à partida, «uma das primeiras coligações negativas da nova Assembleia» resultará de um pedido da principal aliada do PS na Câmara de Lisboa. Nada a ver? Mais adiante falaremos.

Palavras para quê

Não há beatos grátis


















«Foi recebida uma carta do «Reverendo Pároco da paróquia do Corgo, a solicitar um subsídio para fazer face às despesas com o processo de Beatificação do Servo de Deus – Frei Bernardo de Vasconcelos.
Aprovado por unanimidade: Atribuir o subsídio de 1.000.00 euros.»

A notícia é de 2005, mas o professor Marcelo, que foi presidente da Assembleia Municipal lá da terra durante doze anos e até Domingo passado, não podia ter dado estes tostões? E terá metido uma cunhazita em Roma? Será que, entretanto, esta causa já foi ganha e Celorico tem um beato, ainda por cima com mui nobre nome?

E já agora: 200 contos para quê?

(Notícia via Diário Ateísta)

17.10.09

Pobre galo!

video

A ilusão de que se deixa uma marca na História
















«Afinal, o que fará correr tanto tantos políticos? Lá andam eles e elas a palmilhar o país de cima abaixo, de lés a lés. Dormirão bem e o suficiente? Têm de ouvir o que ninguém gosta. Beijam quem lhes não agrada, enrugadas e mal cheirosas. Apertam mãos sujas. Nas famosas arruadas - que palavra que tão mal soa! -, esbanjam sorrisos, têm de sorrir, sorrir sempre, mesmo sem vontade. Têm de fazer promessas que sabem não poder cumprir. Em vez de esclarecerem os cidadãos, tentam tantas vezes enfeitiçá-los com discursos de sofistas. Claro que a política também é jogo, mas há tanta intriga e inveja e cilada que o espectáculo é, por vezes, pícaro e deplorável...

O poder traz prestígio, mesmo que suposto. E benesses de todo o género. E sedução e luxos e exposição e fama. E precedências e continências nas paradas e guardas de honra. E dinheiro e convívio com os grandes deste mundo. E a ilusão de que se deixa uma marca na História. E a imposição da própria vontade. E a aparência da imortalidade pelos feitos. O poder - quem o repetiu foi um político nosso, famoso - é o maior afrodisíaco.»

Quem o diz é o padre Anselmo Borges, no DN de hoje.

Dundo, memória (anti) colonial











(N.B, - Este texto foi escrito pelo meu amigo Jorge Martins que mo enviou para publicação neste blogue. Que fique como incentivo para que não percam o filme de Diana Andringa, que eu só verei na próxima 6ª feira.)

Começou o doclisboa 2009. Folheando o programa, encontramos, como de costume, muitos motivos para fazer uma aliciante calendarização de visionamentos até ao dia 25. E, para quem acha sempre que a juventude não adere a projectos culturais de qualidade, basta dar uma saltada à Culturgest, por exemplo, para constatar que o doclisboa ganhou definitivamente a juventude.

No que aos meus interesses diz respeito, bastou dar uma breve vista de olhos aos filmes da competição portuguesa para me deter em três deles, a saber: 48, de Susana de Sousa Dias; Com que Voz, de Nicholas Oulman e Dundo, Memória Colonial, de Diana Andringa. O primeiro procura, a partir de fotografias de ex-prisioneiros políticos, revisitar a ditadura portuguesa e “mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar”.

O segundo propõe-se fazer uma biografia do compositor dilecto de Amália Rodrigues, Alain Oulman, perseguido pelo salazarismo e exilado em França, com um motivo acrescido de interesse pessoal, que reside no facto de o biografado ter ascendência judaica, o que poderá permitir uma eventual leitura de influências judaicas no fado, a dita canção “nacional”.

Finalmente, Dundo, o documentário de Diana Andringa. Fui vê-lo na sessão de estreia (repete no dia 23 na Culturgest às 18.30h) e queria deixar aqui as minhas impressões. Ao contrário dos seus anteriores trabalhos, por exemplo Geração de 60; Aristides de Sousa Mendes, o Cônsul Injustiçado; Era uma vez um Arrastão; As Duas Faces da Guerra, onde a autora revelou determinantes preocupações sociais e políticas, este projecto é mais intimista.

A sua revisitação às raízes é contada na primeira pessoa. Pode detectar-se uma continuidade da ideia do último filme, As Duas Faces da Guerra (2008), na medida em que reequaciona a relação colonizador/colonizado. Perante um certo desencanto pela perda de um mundo “nostálgico” do tempo da soberania portuguesa, um dos entrevistados no actual Dundo apela para o regresso dos ex-colonizadores, agora que já são reconhecidos como pessoas.

No entanto, o fio condutor de Dundo é uma tentativa de apaziguamento interior de Diana Andringa, que, tendo como interlocutora a sua filha Sofia, procura fazer as pazes com um sentimento de culpa ilegítimo de uma criança que viveu anos felizes em Angola, situação tributária dos privilégios do colonizador branco e de “apartheid” disfarçado, mas que Diana só percebeu mais tarde. Regressou ao hospital onde nasceu e à casa onde viveu parte da sua juventude plena de boas recordações e espantou os seus interlocutores com a sua brancura africana. E, confesso, tenho uma enorme inveja de ver o brilhozinho nos olhos de todos os portugueses que viveram em África, sobretudo em Angola, quando recordam esses anos.

Diana afirma que não consegue dissociar-se da sua dupla (múltipla) identidade angolana e africana. Como Amin Maalouf, nunca se despojou das suas raízes africanas, nem deseja tal coisa. E é essa a maior riqueza humana: a multiplicidade de pertenças. Diana Andringa nunca terá que optar, mas o Dundo ocupa-lhe um sentimento maior, como é natural. Vê-se isso claramente quando se convive com ela e plenamente no filme. O que me pareceu foi que a jornalista, a activista, a antifascista, a anti-colonialista, conseguiu com este documentário “regressar” finalmente de Angola a Portugal, em paz consigo própria, uma vez que a primeira saída lhe ficara amargurada. Este segundo regresso do Dundo terá constituído a sublimação de uma culpa que não teve do colonialismo de que usufruiu, mas que combateu assim que teve consciência dele. Mas, uma coisa é saber isso, outra coisa bem diferente é fazer as pazes consigo mesma, apaziguar o seu alter-ego e concluir que agora já pode regressar pacificamente a Portugal, deixando uma segunda marca da sua presença no Dundo. Diana Andringa passou o testemunho à sua filha e encerrou um capítulo da sua vida, que estava aberto há décadas. Um documentário a não perder, preferencialmente ao lado de ex-residentes no Dundo.

16.10.09

Quanto a sondagens, estou quase a dar razão ao dr. Portas













Apesar do meu passado católico, aqui me confesso: nunca li a Bíblia de fio a pavio. Talvez tenha tentado, mas aquilo tem mais personagens do que os romances do Agualusa e quase tantos crimes como o 2666…

Ora diz-se que 9,7% dos portugueses o fizeram. Um milhão? Mas alguém acredita nisso? E têm pelo menos a certeza de que os inquiridos sabiam o que era isso de «Bíblia»? Não estariam a confundir «Bola»?

P.S. – Também nunca li as Páginas Amarelas e tenho pena.

José Manuel Pureza
















Nem mais: já está! Na noite das legislativas festejei a sua eleição para a AR, hoje regozijo-me – e de que maneira – ao saber que será o novo líder parlamentar do Bloco.

(É compulsivo: há dez minutos que não paro de imaginar futuros diálogos com Sócrates – lá passarei umas tardes em frente da tv…)

Chamar a Deus Pinheiro Plácido Domingo é manifesto exagero


… porque a cantiga é outra. Mas leiam um texto delicioso de Ferreira Fernandes, hoje no DN.

A festa

O Frágil será pequeno, vão até lá e não se arrependerão.

Eu tenho mesmo MUITA pena de estar esta noite bem longe de Lisboa e por isso aqui fica um abraço especial para a FIA, o drmaybe e o Jorge c.

Democracia e poder local

















Realiza-se anualmente, desde 2007, uma Semana Europeia da Democracia Local (SEDL). O documento que acabo de pôr online (versão em castelhano) dá uma ideia precisa da iniciativa, num conjunto de fichas relacionadas com os projectos previstos, sobre temas ligados à democracia de base.

Registe-se que, entre os 47 países membros, há 13 que não têm qualquer organização com relações regulares com a SEDL – entre os quais Portugal.

Ainda no rescaldo das eleições autárquicas, e quando tanto se fala deste tipo de problemáticas, talvez não seja mau prestar alguma atenção ao que existe e que pode – e deve – ser conhecido, aproveitado e divulgado.

(A informação em que se baseia este post foi-me enviada por Jorge Conceição, um dos leitores mais activos deste blogue.)

15.10.09

Dúvidas

… e argumentos do Pedro.

Onde pára a nossa história?












O Público publicou ontem um longo artigo que me trouxe imediatamente à memória «o crime de Lourosa», uma história de que me recordava mais ou menos vagamente, sem nunca ter conhecido os seus contornos exactos.

Chegou então a Lisboa, de boca em boca, o relato de uma rocambolesca desordem em que teriam estado envolvidos um padre, a população de uma aldeia, a GNR e talvez mortes. Pensámos que existiriam motivos políticos para que o substituto do bispo do Porto, então no exílio, retirasse o pároco de Lourosa, mas verifico agora que nem sequer terá sido o caso: há quarenta e cinco anos, nesta nossa terra, reprimia-se com violência – e matava-se – quem ousava manifestar-se com persistência.

Curiosamente, estes acontecimentos datam de 14 de Outubro de 1964, dia em que foi atribuído o Prémio Nobel da Paz a Martin Luther King.

Nós também




Quando mais valia estar calado do que dizer disparates

14.10.09

Mais lambuzadela, menos lambuzadela

Se apreciam os pensamentos e os conselhos de Laurinda Alves, não deixem de ler o que ela escreve hoje no «i».
E depois passem pelo der_terrorist.

Este grande senhor também ganhou um Prémio Nobel da Paz


Foi atribuído a Martin Luther King em 14 de Outubro de 1964.

«Aceito o Prémio Nobel da Paz num momento em que 22 milhões de negros nos Estados Unidos estão envolvidos numa batalha criativa para encerrar a longa noite da injustiça racial. Aceito este prémio em nome de um movimento de direitos civis que está avançando com determinação e um majestoso desprezo pelos riscos e perigos de estabelecer um reino de liberdade e um sistema de justiça. Estou ciente de que uma pobreza debilitante e asfixiante aflige o meu povo e o acorrenta ao degrau mais baixo da escala económica. Portanto, devo perguntar porque é que este prémio está a ser concedido a um movimento que é comprometido com uma luta incessante; a um movimento que não conquistou a própria paz e fraternidade que é a essência do Prémio Nobel. Depois de pensar a esse respeito, concluí que este prémio que recebo em nome desse movimento é um reconhecimento profundo de que a não-violência é a resposta à questão moral e política crucial de nosso tempo: a necessidade do homem superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão (...).

Ainda creio que superaremos tudo isso. Essa fé dá-nos a coragem de enfrentar as incertezas do futuro. Dá forças aos nossos pés cansados enquanto continuamos a nossa marcha rumo à cidade da liberdade. Quando os nossos dias se tornarem lúgubres e cobertos por nuvens e as nossas noites se tornarem mais escuras que mil meias-noites, saberemos que estamos vivendo no tumulto criativo de uma civilização genuína que luta para nascer.»


(Excertos do discurso proferido em Oslo, em 10 de Dezembro de 1964)