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7.11.09

Meio século


É a idade que têm os Bee Gees, embora estes três irmãos já cantassem em conjunto antes disso, mas sem nome próprio.

Se os seus maiores êxitos são provavelmente How Deep Is Your Love e Stayin' Alive, foi sem dúvida Massachusetts o que mais se ouvia nos mundos em que me movia nos fim dos anos 60. Veio e ficou durante anos.

O tempo passa depressa
















Amigos de João Martins Pereira juntam-se na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, um ano depois da sua morte, na sexta-feira 13 de Novembro às 21h30.

(A Casa da Achada fica na Rua da Achada nº 11 -ver localização aqui.)

Mais informações nos Caminhos da Memória.

«Talvez alguns, conheço casos, sejam capazes de gerir a vida como se gere uma empresa (estou a exagerar: a maioria das empresas são, elas também, geridas às apalpadelas…): estabelecer objectivos (uma carreira!), definir os meios necessários para os atingir, aplicá-los controlando a progressão, avaliando e corrigindo os desvios. Nunca o fiz – e talvez haja quem me julgue frio a esse ponto…
Foram sempre os pequenos prazeres do "logo à tarde" ou do "logo à noite" que me ajudaram a sobreviver, e não qualquer longínqua certeza ou desígnio. E se alguns planos fiz, foram sempre de curto prazo, para me libertar de tutelas insuportáveis e aumentar a margem desses pequenos prazeres. Pequenos, mas não diria fúteis: a conversa de café (ou a saborosa solidão do café), as leituras, os cinemas, os encontros, os amores passageiros, os passeios pela cidade, os pés de dança, mais tarde as viagens, as chamadas «acções colectivas» (não diria, no meu caso, militantes). Para não falar dos prazeres maiores, das amizades, dos amores "definitivos", e também da Gazeta e das escritas. Tudo isto foi a construção de mim próprio, num pano de fundo de enorme curiosidade pelo futuro, que sempre foi para mim uma aventura no desconhecido, nunca um projecto.

João Martins Pereira, O Dito e o Feito. Cadernos 1984-1987

Alerta amarelo

Cronologia de um Muro



Fotografias e pequenos vídeos, enter os quais um com um excerto do discurso de J.F.Kennedy, em 26/6/1963, com a frase que ficou célebre: «Ich bin ein Berliner».

A ler: Mil maneras de huir del socialismo real

6.11.09

Para acabar o serão porque isto tem andado muito sério por aqui

 

Ainda por causa do «Avante!» - epílogo



Não era minha intenção voltar aos textos do último Avante!, mas um mail de um amigo, recebido às 2:25 desta madrugada, levou-me a fazê-lo porque acabou por substituir algumas horas de sono por outras tantas de reflexão.

Ex-comunista mais do que convicto, ficou «irritado» com o que aqui escrevi nos últimos dias, não por eu ter atacado o partido mas por tê-lo feito com «flores» em vez de «tijolos», ao mostrar-me surpreendida mas não suficientemente indignada. Identifica como provável motivo o facto de eu nunca ter estado «lá dentro» e tem razão, pelo menos parcialmente.

De facto: nunca pertenci ao PCP nem a qualquer outro partido marxista-leninista, o meu primeiro contacto com o marxismo foi nos bancos da faculdade (na Bélgica, evidentemente…) e ele só me atingiu vitalmente já bem digerido pelas experiências da América Latina. Mas mais tarde aproximou-se: fui casada durante quase trinta anos com um ex-funcionário clandestino, ex-preso que depois de uma interrupção de alguns anos voltou a «alistar-se» e, se alguém um dia encontrar rastos da minha conta bancária nos arquivos, confirmo que era dela que saía o pagamento das quotas. Li muito e eu e as paredes desta casa assistimos a centenas (milhares?) de horas de discussões teóricas e práticas, sei quinhentas histórias da vida interna do partido, conheci pessoalmente alguns dos seus míticos dirigentes históricos e, como tantos outros, nunca esquecerei o olhar do Pires Jorge.

Tudo isto contribuiu para que haja em mim um distanciamento que nunca perdi, simultaneamente com uma incapacidade de «ódio». Os meus «amanhãs que cantam» nunca passaram por Outubro, Bíblia para mim só houve a do Saramago, nunca a substituí por outra e há décadas que vivo bem assim. Acredito utopicamente que o capitalismo em que vivemos não é certamente o fim da história e que algo de muito melhor acontecerá um dia, mas que isso resultará positivamente de todo o progresso da humanidade e não privilegiadamente do que se pensou e passou, algures a Leste, num afinal curtíssimo período da História.

Por tudo isto, quando leio no Editorial do Avante! de ontem que alguns continuam «…a assumir inequivocamente que as raízes essenciais do projecto de sociedade pelo qual lutam em Portugal se situam nos valores, nos princípios e nos êxitos da Revolução de Outubro» ou «que o futuro da humanidade está (…) nesse socialismo que a Revolução de Outubro nos mostrou ser possível» (os realces são meus), encolho os ombros porque me parecem pouco mais do que boutades, como algumas frases anarquistas ou certos slogans do PREC.

Isto nada retira ao reconhecimento da importância que os comunistas tiveram no mundo e em Portugal, nem ao mérito dos que ainda acreditam que por ele devem continuar a lutar. Mas pouco tenho a ver com tudo isso, a não ser no plano do diálogo com alguns, que julgo conseguir manter pelo menos até certo grau. Pelas mesmas razões, se me irrito quando vejo defesas do indefensável, não tenho motivação suficiente para guerras violentas – e assim regresso ao motivo deste texto –, também porque, sinceramente, não creio que a Quinta da Atalaia venha alguma vez a ser transformada num enorme e «aggiornado» Gulag.

Terra de horror

 











Ter estado em Varanasi, cidade santa indiana nas margens do Ganges, é um pesadelo que me acompanhará para o resto da vida e encontrei há uns dias um texto que descreve bem o que lá se passa em termos de rituais religiosos. Merece ser lido, pelo detalhe das descrições que até explicam que as castas mais elevadas têm crematórios especiais.

É no entanto demasiado frio e objectivo. E faltam lá os turistas, como eu, que ao nascer do dia se acumulam em dezenas de barcaças para ver o espectáculo – dos velhos ex-leprosos estropiados nas escadarias a pedirem esmola, dos banhos purificadores em águas assustadoramente poluídas e de possíveis corpos de crianças a boiarem (as crianças não sei queimadas mas sim atiradas ao rio, por vezes sem a pedra ao pescoço, que é suposto afundá-las, devidamente colocada) – eu vi uma, que deveria ter tido seis meses. Tenebroso.

Tudo isto numa cidade enorme e miserável, onde se vem para morrer, em nome de uma religião que muitos teimam em considerar digna de respeito por diferenças culturais e outras, e que se traduz em espectáculos que em mim provocaram apenas uma terrível revolta. Aliás, tenho dito muitas vezes, meio a sério meio a brincar, que não se desse o caso de ser já ateia e teria certamente passado a sê-lo, a partir daquela madrugada de Outubro de 2005.

P.S. - Entretanto, deste lado do mundo, pretende-se continuar a impor religiosidade com cruzes pregadas em paredes de escolas. Certamente menos chocante, mas é extraordinário que ainda seja necessário perder tempo em tribunais para ganhar guerras como esta.

5.11.09

O PCP e a queda do Muro de Berlim (2)














O que mais me impressiona num texto publicado hoje no Avante!, a propósito do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, e que tem o significativo título «20 anos de retrocesso», é o pessimismo que reflecte da primeira à última linha. A Leste, tudo é hoje «tremendo» no plano social e económico, «amplas camadas da população» estão reduzidas à miséria e «a grande maioria» está privada «de uma perspectiva optimista de futuro». Nem uma palavra de esperança, de ânimo, de reconhecimento de progresso - apenas desgraça. A única solução desejável seria portanto dar à manivela do tempo e recuar duas décadas para regressar ao mundo que estava a construir o «homem novo». O problema é que isso não acontecerá…

Curiosamente, hoje também, foi publicado no El País um artigo de Mikhail Gorbachev: «20 años después del Muro, la historia continúa».

Repare-se na diferença entre os dois títulos: «a história continua» versus «retrocesso».

Entusiástico, vitorioso? Nem pouco mais ou menos. MK reconhece que muitas foram as desilusões e os fracassos e aponta também o beco sem saída a que chegou o capitalismo. Sem pessimismo negro e paralisante. E regozija-se com o facto de o século XX ter marcado «o fim das ideologias totalitárias» no Ocidente - o que, convenhamos, já não é pouco.

«Hoy en día, mientras dejamos a las espaldas las ruinas del viejo orden, podemos pensar en nosotros mismos como activos participantes en el proceso de creación de un mundo nuevo. Muchas verdades y postulados considerados indiscutibles (tanto en el Este como en el Oeste) han dejado de serlo.»

Mikhail Gorbachev não é certamente o guru iluminado que pode apontar novos rumos ao mundo. Mas este texto, ao contrário do primeiro, deixa-nos pelo menos «respirar»!

P. S. - Chamaram-me a atenção, por mail, para a pouca «credibilidade» de MK. Reproduzo parcialmente o que respondi: é-me relativamente indiferente, neste caso, porque se trata de um / o protagonista na origem dos acontecimentos que estão em causa e dizem-me o que ele pensa neste momento. Por outro lado, eu não estou aqui para «convencer» ninguém (citando apenas pessoas «credíveis»), mas para divulgar informação (neste caso, o artigo de MK) e dar a minha opinião pessoal.

Sócrates / Pacheco Pereira, episódio 1













Como seria de esperar, o primeiro embate entre os dois, esta manhã na AR, não foi meigo nem inócuo. O essencial pode ser lido aqui.

JPP atacou com dureza? Certamente, mas foi absolutamente correcto. Não se referiu a inglês técnico nem a projectos de casas em Rapoula. Sócrates respondeu-lhe assim: «Falar de humildade ao senhor deputado talvez seja um pouco excessivo. Uma vez revolucionário, revolucionário toda a vida. De defensor da classe operária, passou a defensor da classe política» - frase absolutamente despropositada, obviamente estudada em casa e que sairia qualquer que fosse o assunto em discussão.

Hoje, desapareceu definitivamente o secretário-geral ameno da campanha eleitoral, regressou o primeiro-ministro agressivo, com um permanente e insuportável sorriso jocoso para tudo e para todos. Mais do mesmo - mas o cenário é outro.


P.S. - A ler.

Programa Eleitoral + x = Programa de Governo (onde x=0)


















Quem defende o PS diz que é assim mesmo, quem não defende pensa o contrário. Argumentos repetidos à exaustão e mais um, no Editorial colectivo do Público de anteontem (sem link), que assino por baixo:

«Ao insistir, sem cedências nem espírito conciliatório, em matérias que jamais serão votadas por maioria, o Governo dá sinais de querer esticar a corda deliberadamente. Para já, a oposição aguenta, mas um dia o equilíbrio rompe-se. »

O primeiro teste será provavelmente este.

P.S. - Por sugestão do Jorge Conceição na C. de Comentários:

Lá ficaram os russos com menos vodka para festejar o 7 de Novembro

 


Uma curva mal dada e 100.000 euros de vodka para o galheiro.

(Fonte)

4.11.09

O PCP e a queda do Muro de Berlim

 

Assim como princípio de conversa e até que o texto esteja online no site daquele partido. A Lusa distribuiu esta manhã, às 8:32, um comunicado que começa assim:

«O Partido Comunista Português considera que 20 anos após a queda do Muro de Berlim “o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático” e que aumentou a “opressão e exploração dos povos - a começar por muitos dos ex-países socialistas, com a regressão de direitos laborais, a privatização de funções do Estado, com a ofensiva contra direitos e liberdades historicamente alcançados”.»

Por mais que me considere psicologicamente preparada para este tipo de posições do PCP, afinal não estou - ainda me espantam. Para já é tudo.
Festejemos, sim, a queda do Muro - sem o PC.

(Alertada pela M. João Pires para a existência do comunicado, acabei por encontrar a informação aqui.)

Praga acelerou a queda do Muro de Berlim

 

Na embaixada da Alemanha ocidental em Praga, 4.500 refugiados da RDA esperaram, alguns durante meses, a possibilidade de passarem para a Alemanha não comunista.

No dia 30 de Setembro de 1989, ouviram a frase decisiva: «Queridos compatriotas, viemos hoje aqui para vos comunicar que vai ser possível passarem para a República Federal da Alemanha» - era o respectivo ministro dos Negócios Estrangeiros quem a dizia.

Seguiu-se uma longa série de peripécias descritas num artigo publicado ontem no Público.es. Milhares de pessoas encheram comboios para chegarem «ao outro lado». (Em Setembro, a Hungria contaria já com cerca de 60.000 refugiados. )

O fim da história é conhecido: no dia 9 de Novembro, o porta-voz do Comité Central do Partido Socialista Unificado da Alemanha anunciou que todos os cidadãos podiam abandonar o país livremente «Quando?» «Já». Nessa noite, caiu o Muro.

P.S. - Para uma melhor compreensão do contributo da Hungria para o fim de uma etapa negra da História, leia-se este outro artigo.

(Na foto, um comboio com refugiados a sair de Praga em 4 de Novembro de 1989 – exactamente há vinte anos.)

3.11.09

Claude Lévi-Strauss

 
















Morreu no Sábado mas a notícia só foi divulgada hoje.

Através deste link, acede-se a todos os artigos de um número especial da revista Sciences Humaines, publicado em 2008 por ocasião do 100º aniversário de CL-S, e que foi posto hoje online em jeito de homenagem.

«Confronto» - Um apelo de Mário Brochado Coelho

Mário Brochado Coelho está a tentar reconstituir a história desta cooperativa, criada no Porto em 1966, e que teve um papel muito importante em tempos de ditadura, mas precisa que todos os que possam contribuir com «factos, documentos, fotografias, gravações, relatos e opiniões» o contactem (mbc@mail.telepac.pt) o mais depressa possível.

Aqui fica o pedido, com insistência para que seja atendido – é de um verdadeiro serviço público que se trata.

Uma questão de sapatos

 
















No fim dos anos 50, de comboio a caminho de França, atravessei pela primeira vez Espanha. Nunca esquecerei a miséria de Castela, muito maior do que aquela que eu conhecia então em Portugal, com «aldeias» feitas de buracos nas encostas de pedra. O único centro de algum divertimento era a estação de caminhos-de-ferro, onde adultos e multidões de crianças, quase todos descalços, acenavam e estendiam as mãos para as nossas janelas.

Vem tudo isto a propósito de um belíssimo texto publicado hoje nos Caminhos da Memória. Leiam-no e, já agora, sorriam quando ouvirem elogios a um senhor de Boliqueime que subiu a «pulso» - ele é praticamente da mesma idade que o João Tunes.

Vacinas para os bloggers, já!














Se isto é verdade.

Novo blogue

Nasceu agora mesmo, diz que é uma espécie de Minoria Relativa e tem por lá boa gente. Agora desunhem-se!

2.11.09

Salve, nobre padroeira












Sei desde esta manhã que existe há quinze anos em Fátima um fragmento do Muro de Berlim, integrado num monumento de grandes dimensões. A que propósito? Regozijo pela reunificação de um país dividido, pela destruição de um símbolo terrível de falta das liberdades mais elementares de milhões de pessoas? Celebração da festa que foi, para a Europa e para o mundo, 9 de Novembro de 1989?

Nada disso: uma espécie de reivindicação de direitos de autoria, se não mesmo de alforria. Segundo o director do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário, que dá pelo nome de Luciano Cristino e vem hoje citado em tudo o que é jornal, há uma relação entre a queda do muro e «uma mensagem mariana de "libertação dos povos sob a égide comunista", revelada na segunda parte do segredo de Fátima». Parece que até existe uma inscrição no monumento, da autoria de João Paulo II, em que este agradece à senhora ter «guiado os povos para a liberdade». Portanto, com ponto de partida na Lusitânia, de novo a fé e o império para o mundo e para glória da nossa pátria!

Nem Mikhaïl Gorbatchev sonha que mais não foi do que o resultado de um pedido de «consagração da Rússia» ao Imaculado Coração de Maria e de «comunhão reparadora nos primeiros Sábados» de cada mês (não confundir com as primeiras Sextas-feiras, porque essas eram para o Coração de Jesus ...). Que alguém lho diga porque talvez isso o ajude a perceber melhor o que se passou: «Perdi, mas a perestroika ganhou» .

(P.S. – A «versão integral» da segunda parte to segredo de Fátima não fala de libertação de nada nem de ninguém, mas sim da «conversão da Rússia» - ao cristianismo, entenda-se. Deve ter acontecido sem ninguém dar por isso.)

Muro de Berlim no Twitter












A poucos dias do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, pode deixar mensagens no Twitter (a hashtag é #fotw) com opiniões ou memórias relacionadas com o evento. Elas aparecerão neste outro muro virtual, nas mais variadas línguas. (E, mesmo que não seja utilizador de Twitter, pode ver o muro... )

Acabo de ler que a China bloqueou o acesso.

1.11.09

E nós também pagaremos uns euros para o papa vir a Fátima?












Bento16 vai a Espanha em 2011, por ocasião de um encontro mundial de juventude, e a verba prevista para as despesas está calculada em 50 milhões de euros. Embora não se trate de uma visita oficial, mas sim de um evento «eminentemente religioso e privado», o Estado pagará 50% da verba sendo o resto assegurado por empresas que, por esse gesto, beneficiarão de elevadíssimos benefícios fiscais. Tudo isto porque o governo considera que a presença do papa tem um interesse que deve ser considerado ao mesmo nível que o do Ocean Volvo Race ou dos Jogos Ollímpicos.

A cereja em cima do bolo: «La total colaboración del Gobierno, sin embargo, tendrá una contrapartida al comprometerse el cardenal Rouco [o cardeal de Madrid] a mantener un "perfil bajo" en sus críticas a las políticas del Ejecutivo socialista. De hecho, y pese al deseo de muchos obispos, el criterio del cardenal de Madrid se impuso en la manifestación antiabortista, prohibiendo a los prelados acudir a la misma y no ofreciendo valoración oficial alguna sobre el éxito o fracaso de la misma.»

(Fonte)

Estamos falar de quê? De religião? Da digressão de um pop star? Ainda conseguem escandalizar-me!

Pub que merece


















(Clicar na imagem para ler)

Devagar, devagarinho

… o centrão faz o seu caminho

Obama, Fidel, a Gripe A e a Lusa

















Não é necessário deturpar a realidade para encontrar razões de crítica ao sistema cubano e a afirmações do seu líder apeado mas sempre activo.

Mas foi o que a Lusa fez: antes de mais, escolheu um título bombástico, depois divulgou a notícia, uma série de jornais e televisões seguiram, a blogosfera glosou:
Fidel Castro acusa Obama de introduzir a gripe em Cuba
Fidel Castro afirmou hoje que os turistas de países como o Canadá e a Espanha introduziram a gripe A em Cuba e que Barack Obama também contribuiu para uma situação ao aligeirar as visitas de cubanos residentes em Miami.

O que disse Fidel, num longo texto sobre o problema da gripe em Cuba:
Se produjo así el extraño caso de que Estados Unidos, por un lado, autorizo los viajes del mayor número de personas y portadores del vírus, por otro, prohibe la adquisición de medicamentos equipos y para combatir la epidemia. No pienso, desde luego, que esa haya sido la intención del gobierno de Estados Unidos, pero es que la realidad resulta absurdo vergonzoso y del bloqueo impuesto a nuestro pueblo.

Moral da história: ir às fontes sempre que não estejam escritas em cirílico ou japonês.

(Esclarecido pela Cristina)