Páginas

31.1.10

Matusalém (11)



Ao vivo em Lovaina, não a cores já que Piaf só se vestia de preto - em 1962, em plena crise estudantil de Lisboa, no mesmo dia (vim a sabê-lo algumas horas mais tarde) em que 1.500 estudantes foram presos na Cantina da Cidade Universitária.
Estranhamente, L'hymne à l'amour ficou para sempre associado em mim ao Dia do Estudante...

(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

O que eu não daria (2)




Para estar no Rio Li Jiang, em Guilin, sem ter de ver e ouvir discursos de circunstância destes dois senhores.

Isto significa o quê?




No mesmo dia, numa mesma entrevista:

«Com a viabilização do Orçamento do Estado garantida pelo PSD e CDS-PP, o Governo considera que se "está a ganhar a batalha da governabilidade" e que há vontade do PS e dos partidos de direita em estabelecer um acordo de médio prazo.»

«Ninguém ganha uma corrida [presidencial] com o Bloco de Esquerda em cima.»

Grandes verdades


30.1.10

Matusalém (10)




Título que soa agora a pesadelo para Obama.

(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

Os nossos novos emigrantes




Nasceu em Luanda, fugiu da guerra civil e chegou à África do Sul, viveu por lá uns anos e receou de novo a violência. Regressou a Angola e veio mais tarde para Portugal onde está mais de dez anos – o El Dorado há tanto esperado, sobretudo desde que, alguns anos e cinquenta e cinco burocracites depois, guardou religiosamente na carteira o famigerado papel que passou a legalizar-lhe a residência e a garantir livre circulação no espaço Schengen.

Por cá nasceram três dos quatro filhos, limpou escritórios das 6 às 10 da manhã, arrumou casas das 11 às 16 – entre elas esta –, gastou milhares de horas da vida em transportes para vir do lugar onde vivia, longe na margem Sul.

Na segunda-feira parte para França com a família. Vai juntar-se a dois irmãos numa pequena cidade, algures perto da fronteira com a Suíça, enxotada de cá pela crise: a empresa que a sub-sub-contratava para limpeza de escritórios dispensou muito pessoal, as ucranianas substituíram africanas nos arrumos domésticos. O marido, operário da construção civil, que estava há seis meses sem trabalho - nem precário, nem sazonal, nem a dias - já tem garantido emprego em França, a escola para as crianças está assegurada e é gratuita, mesmo em frente da casa que uma irmã lhe arranjou com uma renda que nem é muito cara.

Longo percurso o desta mulher que tem pouco mais de quarenta anos e que se julgava finalmente instalada no país com que partilha a língua. Duas pessoas a menos para as estatísticas do desemprego em Portugal, seis que deixarão de fazer fila à porta do Centro de Saúde ou nas urgências do Garcia da Horta. É assim.

Na rua 23




Quando havia medo em Portugal, só teclávamos em máquinas de escrever e usávamos folhas de papel muito fino com papel químico intercalado. Algumas décadas mais tarde e três séculos depois da invenção dos direitos humanos, a resistência passa por computadores e por telemóveis, mas não deixa de haver «terror», como no caso de Yoani Sánchez:

«Siento un terror que casi no me deja teclear, pero quiero decirles a esos que hoy me amenazaron junto a mi familia, que cuando uno llega a cierto grado de pánico ya le da igual una dosis mayor. No voy a parar de escribir, ni de twittear; no tengo planes de cerrar mi blog, no abandonaré la práctica de pensar por cabeza propia y –sobre todo– no voy dejar de creer que ellos están mucho más asustados que yo.»

29.1.10

Matusalém (9)




(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

Águeda versus Boliqueime?




Segundo o Público e várias outras fontes, Francisco Assis terá dito ontem a militantes do seu partido que o PS deve estar unido para derrotar Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais, dando o seu apoio a um candidato «seja ele qual for». E acrescentou o que é óbvio: que é necessário que a esquerda aposte numa única pessoa para que haja hipóteses de vitória.

Entendo mas discordo deste tipo de posições, sobretudo da parte de alguém com as responsabilidades de Francisco Assis que até já declarou o seu apoio pessoal a Manuel Alegre. Reforce esse apoio junto dos seus militantes, em vez de os convocar pela negativa para uma espécie de claque num desafio de futebol.

Estou farta de ver pessoas à minha volta, sobretudo socialistas, que dizem que votarão em Alegre de olhos vendados, com um sapo entalado na garganta e com dez pedras no sapato. Como se o PS não fosse o único culpado da situação que criou: desde 2006, teve mais do que tempo para preparar o caminho a um outro candidato, se não queria ver-se «obrigado» a apoiar hoje Manuel Alegre. Talvez não o tenha feito porque, até há meia dúzia de meses, se sentisse confortável com Cavaco. Mas agora que a situação parece ter mudado e que Alegre se adiantou – e bem, do seu ponto de vista – decidam-se: ou partem para uma campanha pela positiva, sem «mas» nem «apesares de», ou fazem uma triste figura, provocam provavelmente uma monumental abstenção e dão talvez uma preciosa ajuda ao que dizem querer evitar: que o doutor Cavaco fique mais cinco anos em Belém.

Diz-se que não se gosta de Alegre pelas mais variadas razões, mas sem apontar qualquer alternativa credível e sobretudo viável. Porque, no fundo, é o velho sebastianismo que vem sempre à tona: o sonho de um príncipe perfeito que ainda está para nascer, a espera pelo quinto buda que incarnará toda a sabedoria do universo. O fado.

E eu a pensar que a minha indignação com o que se passou no Irão era genuína




«Como aconteceram as manifestações pós-eleições iranianas? Foi por causa da guerra online lançada pela América através de vídeos no YouTube e conteúdo no Twitter, espalhando rumores, criando divisões, provocando e semeando a discórdia entre os simpatizantes dos conservadores e facções reformistas.»

(China, «Diário do Povo», via «Avante!»)

Matusalém (8)




Ouvi-os em 4 de Setembro de 1970, no Råsunda Stadium, em Estocolmo. E lembro-me muito bem disto:

«The show at Råsunda stadion in Stockholm on September 4 was interrupted by police who feared that fans, provoked by Jagger, would storm the stage. The singer duly responded by pointing the microphone to the police on stage and soon after suggested the audience would sit down for the next song (the slower "Love in Vain".»

(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

28.1.10

Uma bela filosofia de vida
















(Via Jakk no Facebook)

Socialismo honorário




Quando a Madeira regressa à boca de cena, em ínvias negociações das quais sei que só entrevejo a ponta do iceberg, e com dramatizações que vão até à ameaça de queda do governo de Sócrates, recorde-se que Almeida Santos terá sentido recentemente a obrigação de elogiar a obra de Jardim. Só ele saberá porquê, já que se encontrava numa simples actividade do PS Madeira e nem sequer em visita protocolar. Mais: as suas afirmações provocaram incómodo no seu próprio partido.

Jardim é a tal ponto politicamente repugnante que qualquer louvor que lhe seja dirigido soa a bofetada na decência e na democracia. Ou então estamos no tal «Soialismo honorário» de que fala Manuel António Pina:

«Como naquele anúncio de um hipermercado, ainda sou do tempo em que o arroz carolino custava um tostão e em que o socialismo tinha como valores estruturantes a liberdade e a igualdade. Para alguns dos por assim dizer notáveis que hoje transportam o inerme facho do socialismo, isso foi chão que deu uvas.
Às alcatifas do seu socialismo "moderno" não chegam já as distantes vozes dos "humilhados e ofendidos" e dos "condenados da terra", e a liberdade que espere sentada na antecâmara dos valores mais altos que entretanto se alevantaram das "infra-estruturas urbanísticas, rodoviárias e turísticas". Daí os elogios do "presidente honorário" do PS, Almeida Santos, à "obra positiva" de Jardim no encerramento do Congresso do... PS-Madeira. Pelo suave milagre das "infra-estruturas", esfumaram-se nas brumas da memória deste neo-socialismo o "défice democrático", o caciquismo, a liberdade vigiada e a miséria e exclusão ocultas atrás do "glamour" dos hotéis de luxo. De fora da gaveta onde Soares o meteu, o PS havia guardado do socialismo algumas palavras "ad usum" eleitoral. Agora, pelos vistos, já nem isso.»

E talvez seja altura para recordar outra personalidade, outras declarações.

Há mistérios que me ultrapassam.

Na mesma noite, «small differences»




«O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, afirmou hoje que a banca teve "um comportamento espectacular nesta crise" e declarou mais à frente ter pena pelo facto de o Estado português ter agravado os impostos ao sector. (…) Os lucros do banco subiram 29,8 por cento no ano passado face a 2008, a atingirem 522 milhões de euros.»
(Fonte)
(Ricardo Salgado referia-se à «decisão do Governo de tributar em 50 por cento, e a título excepcional, os bónus dos gestores do sector financeiro».)

Obama, Discurso sobre o Estado da União (pode ouvir aqui e ler, em paralelo, o texto em castelhano):
«Proponho que peguemos em 30 mil milhões de dólares de lucros dos bancos de Wall Street e os utilizemos para ajudar os bancos de proximidade a fornecer às pequenas empresas o crédito de que têm necessidade para continuar à tona.»


P.S. - «A prioridade que [Obama] deu à criação de empregos faz corar qualquer governante europeu, desses que julgam saber o que Washington é.»

27.1.10

Matusalém (7)


video

Atlantis
The continent of Atlantis was an island
which lay before the great flood
in the area we now call the Atlantic Ocean.
So great an area of land, that from her western shores
those beautiful sailors journeyed
to the South and the North Americas with ease,
in their ships with painted sails.

To the East Africa was a neighbour, across a short strait of sea miles.
The great Egyptian age is but a remnant of The Atlantian culture.
The antediluvian kings colonized the world
All the Gods who play in the mythological dramas
In all legends from all lands were from fair Atlantis.

Knowing her fate, Atlantis sent out ships to all corners of the Earth.
On board were the Twelve:
The poet, the physician, the farmer, the scientist,
The magician and the other so-called Gods of our legends.
Though Gods they were -
And as the elders of our time choose to remain blind
Let us rejoice and let us sing and dance and ring in the new
Hail Atlantis!


(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

PIB: mais 8,7% em 2009




Vi esta foto ontem à noite, com o discurso do dr. Teixeira dos Santos em fundo sonoro.
Quando estes meninos asiáticos caminharem a sério para Oeste, a Europa vai apanhar um grande susto. E talvez acorde.

Há 65 anos, a libertação de Auschwitz




Um excelente dossier:
Viaje al Holocauto

Em especial:
* Viaje al corazón del exterminio
* El horror es una cosa familiar

Rifa ou lotaria?


Matusalém (6)




Chico Buarque


Inesquecível: Lisboa, 1966, Teatro Avenida.

(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

26.1.10

PIDE, 25 de Abril de 1974 – Agora com som




25/4/1974, 21:00 horas:
PIDE/DGS
Agentes da PIDE vendo a sua sede cercada de população abrem fogo indiscriminado tendo efectuado 4 mortes e 45 feridos que serão socorridos pela Cruz Vermelha e encaminhados para o Hospital S. José e Hospital Militar.

Oiçam, sff:



Entretanto, em Janeiro de 2010, ainda não se conseguiu que a GEF, Empresa Imobiliária responsável pelo actual condomínio de luxo que ocupa o edifício que foi sede da PIDE, o «Paço do Duque», reponha a placa com os nomes dos mortos de que acabámos de ouvir falar, no seu local de origem – segundo julgo saber, porque este se encontra perto da porta principal por onde entrarão os moradores e as suas ilustres visitas.

Tudo – até a paciência – tem limites.



P.S. 1 - Por razões que me transcendem, porque uso sempre o mesmo programa para fazer upload de mp3, há quem não consiga ouvir o que aqui inseri. Pode ser tentada a audição aqui, mas essa, sim, exige software que nem toda a gente tem instalado. Sorry...)

P.S. 2 - Se alguém quiser o som inserido neste post, em formato mp3, basta pedi-lo para o meu email.

O meu «post» reaccionário desta semana




Como a discussão do Orçamento é pouco sexy e o PS nunca mais se decide a apoiar Manuel Alegre, nada melhor para alimentar comentadores, jornalistas e bloggers do que o drama da TAP. Junto-me a eles.

O que se sabe sobre a origem da catástrofe? Que um piloto disse no Facebook que não tinha gostado de viajar em classe económica quando tinha direito a fazê-lo em Executiva e que oito colegas o apoiaram. Como? Protestaram contra a compota de pêssego do último almoço a bordo? Lamentaram ter perdido dois carneiros no Farmville por causa dos atrasos nos voos? Disseram que todos os administradores da empresa são ladrões? Ameaçaram pôr uma bomba no próximo voo Lisboa – Luanda? Não se sabe ou, pelo menos, ainda não o vi escrito onde quer que seja. E faria toda a diferença sabê-lo.

Nem discuto a questão de perceber se um curso para que foram convocados é um «castigo» ou não, porque eles dizem que sim e a TAP nega-o. Mas já está envolvido o Ministério do Trabalho, há Assembleias Gerais de Trabalhadores e uma hipótese de greve. Nem no PREC vi algo de parecido, mas adiante.

Regresso ao Facebook.
O que lá se escreve pode ser pessoal mas não é privado - para isso há conversas, telefonemas e mails (pelo menos para quem não alinhe em teorias da conspiração, segundo as quais tudo isto está a ser vigiado). Não se convoque, portanto e em vão, o desgraçado Big Brother porque ele não é para aqui chamado.

Censura nunca mais? Mas qual censura? Alguém apagou páginas no Facebook?
Limite à liberdade de expressão porque um trabalhador nunca deixa de ser cidadão? Certamente, mas um cidadão também não deixa de ser empregado de uma determinada empresa só porque escreve numa rede social. Bom senso precisa-se.

Passei há pouco por uma Caixa de Comentários onde várias pessoas diziam a um desses bloggers escandalizadíssimos que talvez não lhe fizesse mal trabalhar uns tempos numa empresa a sério – com horário de trabalho, patrões e regras de conduta. Não posso estar mais de acordo: digo frequentemente aos meus amigos puramente académicos que nem sabem como esta experiência lhes mudaria a visão da vida e, sobretudo, critérios de julgamento rápido em situações como esta!

Neste caso da TAP, haverá «culpas» de ambas as partes? Talvez, mas todos sabemos, desde há muito, que quando um piloto bate as asas na Portela…

Não pense - obedeça, consuma




(Via Paz Carvalho no Facebook)

25.1.10

Matusalém (5)




Com esta legenda

(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

Chaimites em S.Bento?




Agora não a encabeçar cortejos do PREC, mas, quais tropas de um renascido Pacto de Varsóvia, a esmagar pornógrafos, abortistas e seus apoiantes. Pelo menos a crer o inefável comentador de 2ª feira - César das Neves no seu melhor, a propósito da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo:

«É bastante provável que este tema venha a revelar-se o momento de inversão deste grande ataque contra a família que começou há décadas e tem tido muitas batalhas, da pornografia ao aborto. Fazendo o paralelo com o anterior combate cultural, esta mudança do conceito de casamento pode ser a "Primavera de Praga" dos movimentos antifamília.»

(O realce é meu.)

Presidenciais, sondagens, margens de erro, etc. e tal




Ainda a procissão nem entrou no adro e já muitos engalanam em arco com os resultados da sondagem da Aximage, publicada no Correio da Manhã: 60,3% para Cavaco contra 39,7% para Manuel Alegre. Vêm depois os detalhes: consenso nem dentro do PS, quanto mais da CDU, apenas os eleitores do Bloco parecem bater palmas antecipadas à saída triunfal de Cavaco para a vivenda Mariani.

Mas vale a pena ler quem percebe da poda, neste caso Pedro Magalhães no Margens de Erro:
«Quando se fala das intenções de voto nas presidenciais entre os eleitores que tencionam votar num determinado partido, estas percentagens são calculadas em relação a sub-amostras, nalguns casos de dimensão reduzidíssima. Se a amostra tem 600 eleitores, 60% dizem que não vão votar, e 8% que votariam, por exemplo, na CDU, temos 19 pessoas que votariam na CDU. A margem de erro associada é enorme. "30,6% do eleitorado da CDU votaria Cavaco"? Claro que não.»

Este alerta é também válido para quem tira conclusões optimistas e apressadas sobre o entusiasmo dos eleitores do Bloco.

24.1.10

Andar de metro em Pyongyang




Espero que o iPod já tenha chegado à Coreia do Norte para que, pelo menos os jovens, possam ouvir o que querem quando viajam de metro - e não, em contínuo, hinos gloriosos em honra da nação e do querido camarada Kim Jong-il.


Sem ti, não há mãe pátria:




A canção do querido camarada Kim Jong-il:




(P.S. - E não se queixem do PREC porque nunca tivemos de ouvir isto, nem sequer isto, entre o Rossio e o Marquês de Pombal.)

Matusalém (4)






Não é certamente uma das melhores canções de Jacques Brel, mas há que evitar insistir sempre em Ne me quitte pas.

Além disso, esta ouvia-a em circunstâncias especiais, ao vivo e bem a cores, pouco depois de ser lançada: no cineteatro de Lovaina (terra de flamengos…), onde Brel insistiu em cantá-la apesar de todas as ameaças.
À saída, esperava-o uma enorme manifestação que acabou com bastonadas da polícia e muitas montras partidas à pedrada - les flamands, ce n'est pas mollissant.

(P.S. - Série de músicas que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.)

História de um «paste» sem «copy»








... ou: «A traição do botão direito do meu rato».

Referi-me ontem por mail a um post de um colega blogger - em duas ou três linhas, com o respectivo link.

Veio a resposta:
«Hoje é um dos meus dias de estupidez (da aguda, além da crónica). Não entendi patavina e não gostava de passar por maluquinho. O que mandaste é do melhor, soou-me a reflexo psicadélico. E eu nem sequer mudei de marca de cigarros... Help me.»

O texto que eu comentava brevemente era de conteúdo político, puro e duro, o link que enviei apontava para Les feuilles mortes, de Yves Montand.

23.1.10

Carta à República



Milton Nascimento / Fernando Brant

(Via M. Manuela Cruzeiro)

Matusalém (3)




Flower Power? Ah pois com certeza...

Para grandes males, grandes decisões




Queda drástica da natalidade? É simples: apaga-se a luz do Ministério às 7:00 PM e pede-se aos funcionários que vão ordeiramente para casa fazer bebés – uma vez por mês, na terceira 4ª feira (Isto fez-me lembrar uma velha devoção católica que aconselhava, já nem sei exactamente o quê, para as primeiras 6ª feiras - mas bebés não era de certeza).

Onde? Na Coreia do Sul, um dos países do mundo com maior taxa de desenvolvimento e menor de natalidade (1,08). Cada um tem o objectivo de diminuição de défice que merece, neste caso pretende-se chegar a 1,6% daqui a dez anos.

Entretanto, em países paupérrimos e muito próximos do sudoeste asiático, as famílias vão tendo três, cinco ou mesmo sete filhos. Até quando durará este desequilíbrio? Alguém verá.

(Fonte)

Outra vez?
















Alguém devia explicar à igreja que ninguém quer que ela aceite casamento nenhum - pode ficar solteira. (*)

(*) Puro plágio: disseram-me isto no Twitter quando apareceu a notícia.

22.1.10

Matusalém (2)




Em resposta a um Comentário do Pedro Correia, disse-lhe que estou a seguir as suas «Canções do Século» e que começava aqui uma espécie de desgarrada. Chego atrasada porque ele já me roubou umas tantas - evitarei repeti-lo.

As minhas serão sobretudo algumas das que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.

Tout va très bien




A «crise» atingiu a tal ponto as francesas que estas gastaram em 2009 apenas 93 euros (18.600$00) por ano em lingerie. Nada de grave, ao que parece, apenas uma queda de 4,5% - provavelmente meio sutiã a menos. Outra novidade é que as maiores consumidoras não são as mais jovens, mas sim as que pertencem à faixa etário dos 45 aos 54 anos (et pour cause, digo eu…)

Nunca me passou pela cabeça contabilizar quanto é que gasto, ou gastei, com roupa interior, mas isto, como média nacional, parece-me «ligeiramente» exagerado, não?

O canto do cisne da bela e velhíssima Europa, em todo o seu esplendor. Com um cambojano (com sorte) a trabalhar 364 dias para ganhar o que as descendentes de Madame de Pompadour usam por baixo das saias.

Demagogia da minha parte? Esperemos pela pancada.

(Fonte)

Uma outra perspectiva




(Facebook, via Ricardo Lindim Ramos - que por acaso é meu filho...)

Da eficácia do humor


21.1.10

Procrastinação?




(Via Paz Carvalho no Facebook)

21 de Janeiro
















Há 45 anos, foram presas em Lisboa dezenas de estudantes, activistas nas Associações de várias Faculdades. Artur Pinto foi um deles e conta na primeira pessoa.

E Diana Andringa comenta assim:
«Não fui presa nesse 21 de Janeiro de 1965 – tinha chegado à Universidade poucos meses antes, não tinha actividade política – mas também não esqueço esse dia. As notícias sobre as vossas prisões a chegarem aos poucos, frases sussurradas sobre alguns que tinham logrado escapar, pessoas que, sem que ao princípio soubesse porquê, desapareceram da Faculdade e de quem só voltei a saber muito tempo depois, quando já estavam seguras no exílio, a informação segredada de que havia um dirigente escondido no próprio Hospital de Santa Maria… Foi a minha primeira actividade clandestina: ir a casa dele e, com uma qualquer desculpa, conseguir que a senhoria me deixasse entrar e retirar de lá papéis e dinheiro que deixara escondido. Seria melhor não ir sozinha, sermos duas estudantes muito jovens a ir buscar um livro que o colega mais velho generosamente nos emprestava. Se bem recordo, foi a Zé Cabeçadas quem me acompanhou, cada uma emprestando à outra um pouco do sangue-frio que não tinha, distraindo a senhoria para a outra poder pesquisar, entre os livros, qual escondia o que procurávamos. Missão cumprida, voltámos a pé para o Hospital, esperando a cada momento ouvir uma ordem de prisão. Tinha 17 anos. Acho que nesse dia a minha vida começou a mudar.»


P.S. – Houve alguém que escreveu no dia seguinte um texto que ficou célebre e que nunca consegui ler: «Dia da Universidade Cativa». Se ainda o tiver…

O que eu não daria














… para estar na Duna 45 do deserto da Namíbia, sem ouvir José Rodrigues dos Santos a dizer, pela milésima quinta vez, Port-au-PRANCE ou um outro senhor da SIC, que não sei como se chama, a optar por PÔR-au-Prince!

20.1.10

Matusalém (1)


Magister dixit














O inefável doutor que durante umas semanas entrou pelas nossas casas dentro, e que deve andar pela Europa a fazer coisas importantíssimas de que ninguém fala, que se enterneceu com uma árvore de Natal em Nova Iorque mas que sonha ainda com o centralismo democrático, diz agora ao partido, de que é apenas simpatizante, como deve controlar um candidato presidencial de que obviamente não gosta:

«O PS só pode "engolir o sapo" em contrapartida de um compromisso de Alegre no sentido de moderar o seu óbvio "gaullismo" presidencial (que leva consigo o risco de uma inaceitável deriva presidencialista, que o PS sempre combateu), a moderar a sua hostilidade contra os rumos da integração europeia (que as suas críticas ao Tratado de Lisboa e ao mercado interno revelam) e a atenuar a sua oposição à modernização social-democrata da teoria e da prática política do PS (que o levou a uma afinidade electiva com o Bloco de Esquerda).»

Premonições?















Já quase tudo foi dito sobre o colar que Santana Lopes trouxe ontem de Belém pelos «destacados serviços prestados ao País» e a todos nós. Shame on us, certamente.

Muitos sublinharam a falta de inocência na escolha da data, por Cavaco o trazer à ribalta dos premiados num momento especialmente conturbado do partido de ambos. Mas não vi ninguém prestar a devida atenção à última afirmação do curto e seco discurso do presidente: Santana já não é dirigente partidário. Não será que quis dizer, ou pelo menos pensou, «e ainda que volte a sê-lo»?

Com o PSD nunca se sabe. Num saco de gatos, os que têm mais do que sete foles levam vantagem à partida.

19.1.10

Em preto e branco






Elis Regina, Retrato em preto e branco

Num outro blogue
















Neste caso no do Centro Nacional de Cultura, onde passarei a colaborar esporadicamente.


«Lusitania Quo Vadis?»

Aceitei o convite para participar neste blogue, sem qualquer compromisso de regularidade mas com grande prazer, já que nunca esquecerei as minhas velhas ligações ao CNC - por isso as trago para este primeiro post.
Este texto é uma adaptação de excertos de um capítulo do livro que publiquei em 2007, Entre as brumas da memória – Os católicos portugueses e a ditadura (Âmbar).

«Lusitania, Quo Vadis?» foi o título de um ciclo de conferências organizado pelo Centro Nacional de Cultura em Março de 1969. Nenhuma pergunta poderia exprimir tão bem o que nos perguntávamos a nós próprios neste final dos anos 60.

O Centro Nacional de Cultura era um das peças de um complicado puzzle que constituía então a oposição à ditadura e, em 1968-1969, foi dirigido por um grupo de pessoas a que pertenci. Mais concretamente, em 27 de Novembro de 1968, realizaram-se eleições para os corpos gerentes e, para além de José Manuel Galvão Teles (presidente) e de mim própria (vice-presidente), passaram a fazer parte da Direcção: Teresa Amado, Manuel Moita, Sebastião José de Carvalho, António Reis e Nuno Portas. Éramos todos muito jovens, católicos ou já ex-católicos. À Mesa da Assembleia Geral presidiu Henrique Martins de Carvalho, tendo com vogais Gonçalo Ribeiro Teles e Augusto Ferreira do Amaral e o Conselho Fiscal ficou constituído por José Ribeiro dos Santos, Francisco de Sousa Tavares e Francisco Lino Neto. A Direcção reflectia uma renovação total, a continuidade era assegurada nos outros corpos gerentes.

A nova Direcção começou imediatamente a organizar debates e reuniões na sede do Centro e procurou angariar fundos e novos sócios.

Entretanto, a oposição pensava já nas eleições legislativas do ano seguinte. Em 20 de Janeiro de 1969, foi criada a Comissão Promotora de Voto, por carta enviada ao Presidente do Conselho e, entre os quarenta e três subscritores, seis eram membros dos corpos gerentes do Centro Nacional de Cultura.

Era importante tirar partido de todas as ocasiões de debate, tão alargado quanto os condicionalismos o fossem permitindo. O Centro planeou então uma iniciativa de grande vulto, consubstanciada em três sessões a serem realizadas em Março de 1969, sob o tal nome genérico de «Lusitania, Quo Vadis?». Política Económica, Acção Cultural e Perspectivas Políticas foram os grandes temas escolhidos, a sede da Sociedade Nacional de Belas Artes o local conseguido para a realização.

Embora se previsse uma grande afluência de participantes – o que de facto aconteceu –, foi decidido evitar o modelo clássico, e já explorado até à exaustão, de «conferência, seguida de debate» e adoptar um formato relativamente informal: para cada uma das sessões, foi previsto um painel com duas pessoas encarregadas de formular perguntas e três que tinham a missão de lhes responder. Foi elaborado e divulgado o seguinte programa, recheado de nomes sonantes.

(Ler o resto aqui.)

Um candidato anti-capitalista?
















Anda pela net «uma petição do povo de esquerda» onde as direcções do Bloco e do PCP são interpeladas para encontrarem um candidato comum, «anti-capitalista», para as próximas eleições presidenciais.

Durante uma grande parte do dia de ontem teve apenas dois subscritores (tem 16 no momento em que escrevo) e confesso que comecei por pensar que era pura brincadeira, parecida com muitas Causas humorísticas que nascem todos os dias no Facebook. Mas não é e até já identifico alguns nomes.

Não consigo deixar de imaginar o hipotético(a) candidato(a), uma mescla de Ana Drago e Bernardino Soares, com óculos para se aproximar de Louçã e Jerónimo.

Mais a sério: estas pessoas crêem num possível e rápido entendimento milagroso entre os dois partidos? Mesmo que não e que se trate apenas de uma legítima tomada de posição pública: querem mostrar que são contra Sócrates e que preferem Cavaco a uma eventual vitória de Alegre? Ou acreditam mesmo que o capitalismo poderia ser derrubado pela eleição de um PR?

Enfim, talvez seja que eu que esteja a ver mal a questão e que o poder seja em breve entregue aos sovietes, num palácio de inverno bem perto de si.

18.1.10

For Haiti, the people, their families and their friends – Stay strong












We can only imagine your pain but we feel it and are helping in every way we can.



«Black bodies: written 4 Haiti» by Diana King

(Via Action for Haiti Crisis Concert no Facebook)

Boas e más notícias















«Foi inaugurado no Chile o Museu da Memória, onde são lembrados os crimes cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990, em que morreram ou desapareceram 3200 pessoas e mais de 28 mil foram torturadas.»

Entretanto: o Chile tem desde ontem um presidente de direita, o primeiro a chegar ao poder por via eleitoral nos últimos 52 anos.
«A ampla coligação progressista que governou o Chile nos últimos vinte anos, e que resultou de um grande acordo democrático contra a ditadura de Pinochet, perdeu ontem pela primeira vez umas eleições.»

As organizações das vítimas da ditadura temem que o triunfo de Piñera provoque um retrocesso nas vitórias já conseguidas e uma maior pressão dos militares para que sejam arquivados os processos por violação dos direitos humanos.
(Fonte)



Violeta Parra, «La Carta»

Ainda sobre Santo António, a CML e a ICAR


Leia-se E noivos de fato-macaco?, de Ferreira Fernandes.

17.1.10

Descubra as diferenças




Expresso, 16/1, «Taco a Taco» entre Alegre e Cavaco - Cadastro

Alegre:
Preso pela PIDE durante seis meses, quando cumpria serviço militar em Luanda, em 1963. Depois é colocado com residência fixa em Coimbra. Passa à clandestinidade e ao exílio em Argel em 1964.

Cavaco:
Uma tarde na esquadra, quando era estudante universitário (partiu o globo de iluminação de um candeeiro na via pública, depois de se ter pendurado no estribo de um eléctrico). Ainda pagou 200 escudos.

Parker & Barrow




















Vai ser em breve publicado em Espanha um livro com cartas de amor entre Bonnie Parker e Clyde Barrow que morreram cravados de balas (cerca de cinquenta para cada um, segundo consta) em 1934, quando tinham ambos 25 anos.

Conhece-se agora melhor os detalhes desta epopeia desde que, em 2009 e por ocasião do 75º aniversário da sua morte, o FBI desclassificou perto de mil páginas sobre a perseguição e captura destes personagens míticos que alimentaram o imaginário de rebeldia de tantos de nós.

(Fonte)


2010




Ainda bem que o ano é de chuva porque eles precisam de água, sobretudo agora que ainda estão na fase de girinos.

Dizem-me que há quase 5.000 espécies diferentes. Pois que venham todas porque serão bem necessárias lá mais para o fim do ano, sobretudo ali para as bandas do Rato - mas não só.

16.1.10

La Rose




Com dedicatória ao dr. Vitalino Canas.

Costa, amigo…




















Fica o link mas também a notícia na íntegra (de hoje, Sábado, 14:03), não vá alguém ter preguiça de ir à fonte (o realce é meu).

As Noivas de Santo António são um evento transcendente, interessante, incontornável? Certamente que não. Mas há quem goste e esta é mais uma inacreditável cedência a várias coisas e uma descriminação como outra qualquer.

«Num comunicado acabado de chegar às redacções, o presidente da autarquia, António Costa, declara que, afinal, não é sua intenção “propor à Igreja qualquer alteração ao actual modelo em decorrência da entrada em vigor da legislação que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo”.

Este comunicado surge após um artigo publicado na edição de hoje do "Diário de Notícias" segundo o qual a Igreja iria abandonar a iniciativa destinada a promover o matrimónio na cidade, e que nos últimos anos passou a incluir também uniões civis e de outros credos, e não apenas católicas. O Patriarcado nega uma relação directa entre a intenção de se desvincular dos Casamentos de Santo António e o anúncio feito pela autarquia da sua abertura a uniões gay, preferindo aludir a críticas dos fiéis sobre a forma como têm decorrido as últimas edições – precisamente com casamentos civis e entre pessoas de outras religiões.
“Sendo uma iniciativa municipal, os Casamentos de Santo António resultam de um entendimento com a igreja católica, pelo que nunca houve alteração a este evento que não tivesse sido acertada com a Igreja”, refere o comunicado de António Costa. “Foi neste quadro que se introduziram os casamentos civis e de outras confissões religiosas”.

“É claro para o presidente da Câmara de Lisboa que, sem prejuízo de considerar o respeito a qualquer fórmula de constituir família, é necessário respeitar os sentimentos religiosos associados à figura de Santo António, um santo da Igreja Católica Apostólica Romana”, prossegue. “Para que não haja equívocos, não haverá qualquer alteração ao actual figurino dos Casamentos de Santo António que não seja previamente acertada com a Igreja”.

Quanto à posição da câmara de há dois dias, António Costa refere-se a ela como uma informação errada prestada pelos serviços municipais.»

Cavaco avança















Rezou uma avé-maria a S. Nuno e decidiu assumir o comando para não ver as suas tropas definitivamente dizimadas. Não podia arriscar ter os melhores guerreiros do outro lado da barricada e por isso escolheu o mais forte, embora menino, e vai pendurar-lhe um colar ao peito.

Subirá um pouco nas sondagens, a pátria orgulha-se porque vai ter mais um medalhado da Ordem de Cristo, este agradecerá comovido e nós lemos, embasbacados, que ele se destacou «pelos serviços prestados ao país no exercício das suas funções».

Shame on you, mr. president, shame on us.

15.1.10

Haiti - Não basta olhar para a televisão


Como tem sido veiculado pelos meios de comunicação social, a AMI- Assistência Médica Internacional lançou uma missão de emergência de apoio às vítimas do terramoto de terça-feira no Haiti, estando neste momento uma equipa a caminho e outra a preparar-se para partir.

Importa agora conseguir apoio o financeiro para que as equipas possam prestar o auxílio necessário.

Contribuição através de:
Transferência bancária: NIB 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20 909 Refª 909 909 909 em Pagamento de Serviços

Bestas!


O ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, Pat Robertson, pensa que o Haiti fez um pacto com o diabo.

(Fonte)



P.S. 1 - Ontem, alguém chegou a este blogue numa pesquisa por: «Haiti e anticristo».

P.S. 2 - Só não referi as inacreditáveis declarações do bispo de San Sebastián por elas estarem já largamente difundidas e comentadas na blogosfera. Mas, ao pôr o título deste post no plural, estava a pensar também nele.

E o ridículo não mata…















Rolhas e cabeleireiras



















Se Cuba exporta médicos porque a crise prejudicou a venda de charutos, nós podíamos compensar o desinteresse pelas nossas rolhas de cortiça mandando cabeleireiras para Angola. Já que o nosso governo acha natural o tipo de contrato que faz com o governo cubano em relação a médicos, não vejo porque não nacionaliza duas ou três Lúcia’s Piloto’s (sempre sairia mais barato do que o BPN), fazendo depois um contrato com o governo angolano para ficar com uma parte choruda do que este pagaria por cada profissional.

Seria um pequeno contributo para a diminuição do nosso défice, as angolanas não teriam de vir de propósito a Lisboa para pôr extensões no cabelo e não haveria tantos despedimentos em Portugal.

A ideia surgiu-me hoje, quando almoçava perto de quem me corta normalmente o cabelo e duas colegas – salões vazios, este mês o dinheiro que sobra é todo para os saldos, o que nos salva são as angolanas. «Olha a D. A: veio ontem fazer madeixas, partiu hoje para os saldos de Nova York e vai depois ao Dubai comprar electrodomésticos. E volta cá daqui a dois meses.»

Quem diz cabeleireiras, diz personal trainers ou engenheiros civis. Angola já não é nossa e...

14.1.10

Da História Virtual














Como o mundo seria hoje diferente se Pitágoras tivesse tido uma calculadora, Carlos Magno uns binóculos para dirigir as batalhas, Cristo um PC para criar um clube de fãs no Facebook e Mao um contrato para anunciar malas da Vuitton.

(Inspirado num mail recebido hoje.)

«O papa quer falar connosco»
















«Tenho sempre a agenda bastante preenchida, mas se ele quiser podemos ir beber umas bijecas. Tenho é muito para lhe dizer, se ele me quiser ouvir com a mesma paciência que eu tenho tido para o ouvir.»

Ricardo Alves

Carreiras na Função Pública - Quotas, sim ou não?




















Um texto de Vítor Trigo

A propósito da seguinte notícia: «Função Pública: Frente Comum exige suspensão de SIADAP e fim das quotas na progressão da carreira»

Aproveito para continuar o debate sobre "Professores, os nossos super-heróis?" (1) e (2). A certa altura, “ameacei” que acrescentaria algo sobre Carreiras, pois aqui vai:

No léxico da Gestão de Recursos Humanos (RH) é comum definir Carreira como uma sequência de conteúdos funcionais. É uma definição muito fria, aparentemente demasiado tecnocrática, mas de conteúdo apreciável: (1) sendo uma sequência, pressupõe continuidade, coerência, e consistência; (2) além disso, sugere algum conjunto de regras que normalizam a passagem de cada estado (nível) ao seguinte; (3) se tem conteúdos funcionais, é porque se relaciona com funções, as enquadra, determina de responsabilidades objectivas.

Como as empresas (organizações estruturadas, dotadas de meios, e perseguindo um conjunto de resultados comum) não existem para o desperdício, mas sim para a geração de valor (valor em sentido lato, claro), as Carreiras dos profissionais que nelas operam devem reflectir estes requisitos e estes propósitos. Em linguagem corrente diz-se que todo os meios de que as organizações dispõem devem ser “affordable”, ou seja, possíveis, suportáveis, justificáveis, adequados, etc.

E é aqui que quero chegar: (1) Só faz sentido manter carreiras que justifiquem as necessidades das organizações; (2) Faz todo o sentido alterar conteúdos funcionais quando as estratégias mudam, ou adequam as tácticas às circunstâncias; (3) A quantidade de meios (nomeadamente efectivos humanos) deve reflectir as necessidades conjunturais, sob pena de fatal desalinhamento da oferta com a procura.

Tenho sérias dificuldades em distinguir esta aproximação do que vulgarmente se designa por quotas. De facto, o número de efectivos por Nível de cada Carreira tem se ser “affordable”. Se assim não for, todo o equilíbrio, e sobrevivência, da organização corre o risco de ser posto em causa, e caminhar para o desastre. Isto interessa aos trabalhadores? É uma questão que só diz respeito ao patronato e aos dirigentes?

Nunca fui sindicalista, mas durante quase quatro décadas fui sindicalizado. Nunca entendi as razões que levam os sindicatos a se mostrarem “mais contra o patronato, do que a favor dos trabalhadores”, e sempre me questionei se esta não será a razão mais importante porque tantos trabalhadores não são sindicalizados, não participam em acções sindicais de esclarecimento, de orientação e formação profissionais, e até escarnecem dos “seus” sindicatos.

O mundo está em grande convulsão. O discurso e as práticas sindicais devem adaptar-se às novas realidades.

Não se trata de capitulação. Trata-se de rever as estratégias e os comportamentos que melhor garantam os interesses de quem trabalha por conta de outrem.

E a adequação do discurso é uma peça crucial.

Parece-me.

13.1.10

Port-au-Prince - até ontem









E não se arranja umas cunhas para o Tribunal Constitucional?

















Do essencial





















Isto é que é a colaboração estratégica em todo o esplendor de Portugal! Tudo o resto é uma ninharia sem qualquer espécie de importância.

«O que há de comum entre Cavaco Silva e Jorge Sampaio, Vasco Graça Moura e Vasco Lourenço, Alberto João Jardim e Edite Estrela, Ilda Figueiredo e Diogo Feio, Lobo Antunes e Saramago, Joana Amaral Dias e Jorge Jesus, Manuel Alegre e Manuel Cajuda, Paula Teixeira da Cruz e Paulinho Cascavel, Ana Gomes e Szabolcs Fazakas (seja lá ele quem for), o apocalíptico Medina Carreira e o integrado Mesquita Machado?
A resposta é que todos eles, independentemente do que os separa, estão unidos no essencial: que é preciso, imperioso e urgente introduzir novas tecnologias no futebol "para melhorar o desempenho das equipas de arbitragem". Para isso, puseram de parte agravos e diferenças, queixas e desavenças, desemprego e dívida pública, e subscreveram uma petição à AR para que legisle nesse sentido. De seguida, tudo o indica, marcharão sobre Zurique de "Diário da República" na mão, pondo cerco ao International Board e defenestrando Joseph Blatter caso a FIFA não dê cumprimento à decisão da AR. Era provavelmente a isso que Cavaco se referia quando, na recente mensagem de Ano Novo, falava em "situação explosiva".»

Manuel António Pina, no JN de hoje (na íntegra, porque o link deixará de funcionar amanhã).