29.4.10
Por entre budismos
Ainda em Sikkim, hoje foi dia de templos, de chuva, de sol, sempre de ruas e estradas sem qualquer espécie de recta, de vistas espectaculares para vales, para montes e para bambus gigantes.
O mais interessante? Sem dúvida a visita ao magnífico Mosteiro de Rumtek, construído no século 18 e restaurado na década de 1960, réplica de um outro existente no Tibete e único no seu género fora daquele território.
Destinado a ser residência do chefe de um dos ramos do budismo – neste caso o Karmapa – está actualmente desocupado por razões de segurança e aquele que representa a 17ª reencarnação dos seus lamas, Ogen Trinley, mora, tal como o Dalai Lama (chefe de um outro ramo do budismo), em Dharamshala, sede do governo tibetano no exílio. Há pressões dos seus fiéis junto do governo indiano para que regresse a Rumtek, vi mesmo cartazes com esse objectivo, mas a convicção quanto ao sucesso é fraca, porque a enorme China impõe respeito mesmo à grande Índia.
De resto, todo o reino de Sikkim é altamente policiado por estar muito perto do Tibete (e também do Nepal). Nunca me tinha acontecido, como aqui em Gangtok, passar por um detector de metais à entrada e à saída… do hotel!
Regressando à visita ao Mosteiro. Para além da beleza do mesmo, tipicamente tibetana, vi e ouvi um conjunto de monges que começaram por rezar uma espécie de lengalenga e que, de repente, passaram para um concerto com campainhas e os mais estranhos instrumentos musicais, absolutamente original e relativamente arrepiante.
Não, não vou converter-me ao budismo, embora haja aspectos bem interessantes em tudo o que já fui tentando perceber nas diversas versões que vejo e oiço nos países por onde passo. Uma religião sem deuses, mas que não é propriamente uma terra sem amos…
No dia a dia, há que contar com uma certa lentidão na resolução de problemas triviais, com risco permanente de pequenos ou grandes acidentes nas estradas, com muitos turistas indianos (ocidentais, contam-se pelos dedos) e, obviamente, com a comida melhor do mundo - por vezes acompanhada, como foi o caso hoje ao jantar, por um inesperado fundo musical bem familiar.
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28.4.10
No reino de Sikkim
Já bem a Norte, cada vez mais perto do Butão, e também não muito longe do Tibete, esta terra deixou de ter rei quando nós deixámos de ter PREC, por decisão da população em referendo, e está agora integrada na grande Índia.
Especialmente protegida por razões óbvias de vizinhança, requer uma menção especial no visto do passaporte, que tem de ser exibido à entrada e à saída, e guarda alguns privilégios do passado independente: por exemplo, só os locais podem comprar terrenos e os impostos são mais baixos.
Por estas ou por outras razões, respira-se outro ar quando se atravessa a fronteira: se o trânsito continua caótico, as casas parecem-se mais com casas e menos com barracas e até as pessoas são diferentes - cada vez mais aparentados com os tibetanos. O budismo é quem mais ordena por aqui, não o hinduísmo, já se vê monges vestidos de vermelho (alguns ainda crianças…) e regressei às visitas a stupas, evidentemente. Os templos mais importantes ficaram para amanhã, hoje foi também tarde para flores, sobretudo túlipas, de todos os tamanhos, cores e feitios – é terra delas.
Para cá chegar, a partir de Darjeeling, foram 98 kms, numa «estrada» péssima e sem uma única recta. Teriam parecido 300, os ditos quilómetros, não fosse a extraordinária paisagem, absolutamente luxuriante, com as célebres plantações de chá, em encostas tão incrivelmente íngremes que nem dá para imaginar como a colheita é possível. E montes, montes e mais montes, entre os quais o Kanchenjunga, com 8.598 metros, o terceiro mais alto do mundo. Garantiram-me não só que ele estava à minha frente como que eu estava a entrevê-lo, acima de um mar de nuvens. Não me custou nada dizer que sim, que talvez…
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27.4.10
Darjeeling ainda - mas sem prosas
O dia foi longo, ficam só umas pinceladas. Amanhã, sigo para outras paragens, com passagem pelas grandes plantações de chá. Sem saber se tenho ou não acesso à net.
Darjeeling é uma cidade bonita por fora e absolutamente caótica por dentro. Tudo o que possa ser dito fica aquém da realidade.
O Toy Train é o que resta de uma longa linha férrea a carvão. Ainda funciona, mas apenas para turistas.
Pandas vermelhos. E também leopardos, tigres, carneiros azuis e mais bicharada num zoo interssante.
Chá das cinco com a nora de Tenzing Norgay, na casa dele (um daqueles primeiros senhores a porem os pés no cimo do Everest em Maio de 1953).
E o despertar do orgulho pátrio.
Darjeeling é uma cidade bonita por fora e absolutamente caótica por dentro. Tudo o que possa ser dito fica aquém da realidade.
O Toy Train é o que resta de uma longa linha férrea a carvão. Ainda funciona, mas apenas para turistas.
Pandas vermelhos. E também leopardos, tigres, carneiros azuis e mais bicharada num zoo interssante.
Chá das cinco com a nora de Tenzing Norgay, na casa dele (um daqueles primeiros senhores a porem os pés no cimo do Everest em Maio de 1953).
E o despertar do orgulho pátrio.
26.4.10
Darjeeling não é só nome de chá
Estou agora na parte indiana dos Himalaias Orientais, uma faixa estreita, a Sul do Tibete e entalada entre o Nepal e o Butão.
Duas horas de voo e 90 kms depois, chegámos a Darjeeeling, uma das paragens aguardada com mais expectativas.
Mas vale a pena explicar porque não esqueceremos tão cedo as quase cinco horas que levámos a percorrer os ditos 90 kms, embora tudo o que possa ser dito fique aquém da realidade. Na primeira metade da viagem, numa estrada estreita, a quantidade de toda a espécie de meios de transporte e de pessoas, nas bermas e não só, as filas intermináveis de tendas com ar pobre mas em que se vendia tudo e mais alguma coisa (pelo número de cartazes da Vodafone, estou certa de que até as vacas têm telemóvel), tornava impossível avançar-se a mais de 20 ou 25 kms / hora.
Mais tarde, e já em região menos povoada, a estrada passou a uma espécie de rua cheia de buracos e o trânsito transformou-se em gincana automóvel imprópria para cardíacos.
Amanhã, veremos os campos de chá, mosteiros budistas e uma paisagem magnífica - se o tempo, que não está famoso, fizer o favor de nos ajudar.
Voltando à experiência desta tarde: só se vê gente, gente e mais gente, neste país com uma taxa de natalidade altíssima, que ultrapassará em breve a China em número de habitantes. Alguém ainda duvida que o futuro próximo do mundo estará na mão dos asiáticos?
25.4.10
From Delhi
O dia inteiro a rever Delhi, com uns agradáveis 40º de temperatura e no mais completo caos quanto a trânsito e a urbanismo.
Para trás, uma viagem que nem foi tão longa assim, com a Portela e Frankfurt muito mais calmos do que em tempos considerados normais – os europeus já arrumados nos seus países e aparentemente com medo de outras nuvens e de mais possíveis cinzas.
Nenhuma noite ainda normalmente dormida, apenas algumas sestas em luta com o jet lag. Mas, amanhã, tudo estará normalizado.
E um 25 de Abril, com flores mas sem cravos, no Memorial a Gandhi, antes de seguir amanhã para os Himalais.
Tentando (em vão, eu sei) entender um pouco melhor este enormíssimo país, com 2.610 partidos políticos registados e uma companhia ferroviária que tem 16 milhões de empregados.
Retendo desta primeira etapa da viagem uma frase ouvida a um indiano recentemente chegado de Xangai, num misto de orgulho e de lamúria: «Nós nunca apanharemos a China porque somos uma democracia»
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24.4.10
Mas eu volto...
E hei-de escrever aqui enquanto estiver por lá.
Entretanto, prepare-se bem a vinda de Sua Santidade e evite-se a bancarrota.
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23.4.10
Concentração de apoio ao Juiz Baltasar Garzón
Sábado, 24 de Abril, 5:00-8:00
Embaixada de Espanha, Rua do Salitre, nº 1, junto à Av. da Liberdade, em Lisboa
No seguimento da constituição deste GRUPO DE PORTUGUESES NO FACEBOOK DE SOLIDARIEDADE COM O JUIZ BALTASAR GARSÓN, convoca-se uma CONCENTRAÇÃO/MANIFESTAÇÃO para o dia 24 de Abril, pelas 17:00 horas, junto da EMBAIXADA DE ESPANHA em PORTUGAL, sita no nº 1 da Rua do Salitre, junto à Avenida da Liberdade em Lisboa (estação de metro da Avenida).
A concentração/manifestação, nos termos legais, foi formalmente comunicada ao GOVERNO CIVIL DE LISBOA por um co-administrador do grupo do FACEBOOK e dois outros cidadãos, estando asseguradas as formalidades legais e as condições de segurança pelas autoridades policiais.
Apela-se à comparência do maior número possível de pessoas, solicitando-se aos que não puderem comparecer, para deixarem mensagens no MURAL DO GRUPO e colocarem no seu perfil uma fotografia de GÁRZÓN ou outra alusiva, que podem recolher nas “fotos” do grupo.
Os crimes contra a Humanidade levados a cabo pelo regime franquista, é questão para qualquer CIDADÃO DO MUNDO preocupado com a causa dos DIREITOS HUMANOS, não existindo barreiras e fronteiras para a SOLIDARIEDADE que é devida às suas vítimas.
O juiz GARZÓN que se propunha investigar os hediondos crimes cometidos, inclusive, localizar os corpos de milhares de vítimas enterradas em valas comuns, viu-se impedido de o fazer pela Audiência Nacional Espanhola, com a agravante de lhe imputarem o CRIME DE PREVARICAÇÃO e de o obrigarem a sentar no banco dos RÉUS.
AO QUE CHEGA A INIQUIDADE... !!!
SEJAMOS SOLIDÁRIOS e CONVIDEMOS TAMBÉM OS NOSSOS AMIGOS ... !!!
PARTICIPEM
P.S. - A ler: La manifestación contra la impunidad se amplía a siete ciudades extranjeras
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22.4.10
Apoio à carta de Hans Küng
O teólogo Hans Küng escreveu recentemente um «Carta aberta aos bispos católicos de todo o mundo», que tive ocasião de oportunamente referir.
Recebi ontem por mail um documento do Movimento Internacional Nós somos Igreja, onde é pedido a todos os católicos que apoiem a referida carta:
«O Nós Somos Igreja pede a todos os fiéis que enviem aos seus bispos e núncios e-mails e cartas de apoio à carta aberta de Küng. A actual crise e a insuficiência da resposta à crise por parte das autoridades eclesiais demonstra com urgência inaudita que as reformas estruturais segundo o Concílio Vaticano II que o Nós Somos Igreja pede há 15 anos não podem ser adiadas.» (…)
«Os cinco anos do pontificado de Bento XVI revelam cada vez mais a debilidade fundamental de todo o sistema da Igreja Católica Romana – a sua constituição hierárquica, "uma sociedade a duas velocidades" sacerdotes / leigos, o centralismo romano.»
Trata-se de um texto importante que pus online e que aconselho especialmente aos católicos que por aqui passam regularmente.
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Ilusões
A novela do pagamento das viagens de Inês de Medeiros a Paris chegou ao fim, toda a gente a conhece, até o taxista mais distraído sabe do que se trata e não vou perder tempo a resumi-la. O Correio da Manhã diz que nos custam 6.000 euros por mês (quem sou eu para acreditar naquele jornal), mas nem é isso que está em causa neste momento.
Devo ser orgulhosa, populista ou outros cem adjectivos que queiram atribuir-me mas, nem que tivesse de lavar vidros ao Sábado na pirâmide do Louvre para tratar dos filhos ao Domingo, eu aceitaria beneficiar de uma lacuna regulamentar em meu proveito, se tivesse sido eleita para o que quer que fosse. Mas adiante porque é outro o ponto a que quero chegar.
A votação acabou desempatada pelo voto de qualidade do inefável José Lello e o PCP não esteve presente, aparentemente por razões circunstanciais, mas tem uma posição sobre o assunto, explicada por António Filipe (à qual cheguei através de jpt). Pura ingenuidade da minha parte porque (ainda!) esperaria deste partido uma posição política e ética, perante o problema e o país, e não uma justificação puramente burocrática e administrativamente correcta.
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21.4.10
YES!
Os ventos mudaram, o tal de vulcão está agora a mandar nuvens e cinzas para outro lado, aparentemente para Norte. Os pinguins que se cuidem (sim, eu sei que só há pinguins no hemisfério Sul, mas para o caso tanto faz), porque voltei hoje a ter esperança (certeza, vá lá!) de partir dentro de dois dias e meio.
Mais exactamente, a Lufthansa lá se decidiu a emitir bilhetes, ou uns papelitos impressos em computador que têm a mesma função, e pelo menos até à Portela chegarei, no Sábado, pelas 5.30 am. Depois logo se verá, espero que Frankfurt me receba daí a algumas horas num aeroporto que conheço melhor do que muitos bairros de Lisboa e aterrar em Nova Delhi a tempo de celebrar o 25 de Abril junto do Memorial de Gandhi.
Depois, it’s a long way to go – até ao Butão. Levo um computadorzinho, claro, mas estou a espalhar por aí recados para que me mandem um sms caso aconteça por cá uma de duas coisas, cujo grau de probabilidade ignoro: o país entrar em bancarrota ou o PS apoiar Manuel Alegre.
Mas ainda andarei por aqui estes dias, embora tenha tudo por preparar, com a primeira tarefa já cumprida: pôr etiquetas na mala ainda totalmente vazia e no trolley - começo sempre por aí, com a ligeira sensação de que não haverá muitas pessoas a terem a mesma mania…
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Quem disse que o centrão nasceu ontem?
Não é fácil que os mais novos consigam imaginar a efervescência com que foram vividos, há 35 anos, os últimos dias da campanha eleitoral para as primeiras eleições livres – as da Assembleia Constituinte, que tiveram lugar em 25 de Abril de 1975, e nas quais votaram 91,7% dos eleitores.
No dia 20, um Domingo, multiplicaram-se os comícios, um pouco por todo o país.
Mário Soares: «Não queremos o imperialismo americano, como também não queremos nenhum outro. Estamos a fazer um caminho original, que está a ser seguido em todo o mundo.»
No Campo Pequeno, a UDP presta homenagem ao «heróico povo do Cambodja que varreu o imperialismo da usa pátria», com a ajuda «da Grande República da China», e Acácio Barreiros afirma que «mantendo-se o estado burguês, as nacionalizações nem são irreversíveis» e podem permitir que o «falso Partido Comunista» passe a «gerente do capital».
Gonçalo Ribeiro Teles propõe «a imediata nacionalização da Companhia das Lezírias».
Dois ou três dias antes, Álvaro Cunhal dissera numa entrevista: «Somos contra a censura à Imprensa nas condições portuguesas, ainda que admitindo que haja condições em que uma censura é absolutamente legítima.»
Um pouco por toda a parte, incidentes contra comícios dos 12 partidos concorrentes, de esquerda ou de direita.
Alguns aconselham a abstenção mas aproveitam a campanha: «A arma é o voto do povo», diz o PRP/BR.
Alguns aconselham a abstenção mas aproveitam a campanha: «A arma é o voto do povo», diz o PRP/BR.
O PS viria a ganhar as eleições, com 37,9% dos votos, logo seguido do PPD com 26,4%. Quem disse que o centrão nasceu ontem?
(Fonte, entre outras: A. Gomes J. P. Castanheira, Os dias loucos do PREC)
(Também em Vias de Facto)
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20.4.10
Bento, amigo...
Deixaram-me na Caixa de Comentários deste blogue o link para uma Petição dirigida ao papa, com um conteúdo e uma terminologia extraordinários. Os seus promotores enumeram uma quase interminável lista de actividades executadas «em prol da Vida e da Família», desde orações pelas «vítimas do aborto» a acções de dissuasão à porta da Clínica dos Arcos, por vezes com alegado sucesso. (Pedem aliás a bênção de Bento16 «para alguns destes bebés - verdadeiros milagres de Caridade, arrancados de terço na mão à morte certa».)
Recordam uma outra petição que entregaram no Parlamento para exigirem que o casamento homossexual fosse decidido em referendo, a criação do partido pro-Vida e mais uma série de iniciativas para as quais consideram não ter recebido o apoio devido.
E assim se chega ao mais interessante e que é, de facto, o objectivo da Petição:
«Para tanto trabalho, são infelizmente ainda poucos os frutos que podemos colocar aos pés do Santo Padre. Sentimos que mais vidas se salvariam se conseguíssemos um apoio mais corajoso da Hierarquia e um espaço regular na Rádio Renascença, supostamente a “emissora católica portuguesa”. Esta rádio – que chega a incluir personalidades pro-aborto entre os seus comentaristas residentes e nenhum activista pro-Vida – deve ter presentes as suas responsabilidades perante a Igreja e os portugueses que em 1975 evitaram a sua queda em mãos extremistas e não podem aceitar o sacrifício da sua missão profética aos 'shares' de audiência.»
Talvez o papa não esteja disposto a intervir na agenda da Rádio Renascença, sob pena de ter de comparecer perante uma qualquer comissão de ética da AR. Assim sendo, só posso dar um conselho aos signatários - mais de 1.700 no momento em que escrevo: mudem-se para Espanha, onde se sentirão certamente mais amparados pelos bispos de nuestros hermanos. Podem mesmo ficar por Olivença porque é pouco provável que Fernando Nobre consiga devolvê-la facilmente aos Policarpos cá do sítio.
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Sadismo em estado puro
Je m'en vais dimanche à Orly.
Sur l'aéroport, on voit s'envoler
Des avions pour tous les pays.
Este blogue sempre foi dedicado a Memórias…
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Cartada
Flash-mob contra a Privatização dos CTT
Estação dos CTT nos Restauradores (Lisboa),
na próxima quinta-feira, 22 de Abril, às 18h15
Mais informações
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Contra forças, tentar argumentos
As cinzas daquele vulcão, a que já chamaram «António» para evitar sucessivos copy/paste de uma palavra extraterrestre, têm servido como premissas para as mais extraordinárias conclusões, uma das mais correntes sendo a indispensável aposta no TGV - o que «faz tanto sentido como dizer que é necessário construir mais aeroportos quando cai uma ponte rodoviária ou dois comboios chocam um contra o outro».
Sem dar grandes largas à imaginação, também podemos concluir que o António quis trazer mais uma prova, se necessário fosse, para mostrar que Durão Barroso e seus muchachos são relativamente incompetentes. Ou que decidiu alegrar os ambientalistas fanáticos porque há menos CO2 nos céus da Europa. E também, como seria de esperar, que quer alimentar os imaginativos que dissertam sobre o fim do mundo e vêem ovnis onde só existem cinzas ou os humoristas que falam de um complô do governo islandês contra o casal Sarkozy.
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19.4.10
Os queridos leitores
Fala quem sabe e a Jonasnuts explica-nos no seu blogue quais são os meses para melhor colheita de visitas a blogues: de Janeiro a Abril será a época alta (é aviar textos porque estamos quase em Maio), de Junho a Agosto não vale a pena grande esforço (quem não sabe que o país pára do dia da raça até à rentrée?), em Dezembro anda tudo nos centros comerciais. Quanto aos meses que faltam, tudo variará provavelmente conforme as condições climatéricas e as pugnas eleitorais - digo eu.
Mais interessantes são as evoluções ao longo da semana. Quando abri este blogue, uma das minhas primeiras surpresas foi perceber que, contrariamente ao que eu ingenuamente pensava, o Sábado é o dia mais fraco, logo seguido pelo Domingo. Mesmo em pleno inverno e com chuvas torrenciais, os leitores descansam do esforço feito durante o fim-de-semana.
A Jonasnuts revela também que a melhor «janela de oportunidade» é a 4ª feira, das 9h às 11h e das 17h às 19h. Mas porquê??? O dia a meio da semana cheira-me a curva de Gauss, embora sem perceber qual é a média ou o desvio padrão, mas o horário intriga-me e só encontro uma explicação possível: não querendo prejudicar a produtividade das empresas em que trabalham, ou temendo má avaliação de desempenho no caso dos funcionários públicos, os leitores de blogues chegam cedíssimo aos locais de trabalho (9h), lêem o que lhes interessa, por volta das 11h tomam uma bica, trabalham para o PIB, almoçam, regressam ao PIB e, depois do five o’clock tea dão uma segunda volta pela blogosfera. Saem tardíssimo, depois da janta vêem televisão ou instalam-se no Facebook. Por volta da 1h, tudo se aquieta.
Deve ser mais ou menos assim, não? Nada contra, é só para tentar perceber. E são bem-vindos a qualquer hora…
P.S. – Acabo de receber por mail a seguinte informação que vem de uma outra fonte igualmente autorizada: em dias de greve da função pública, o número de visitas a blogues desce cerca de 40%.
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Pacheco Pereira onde menos espera encontrá-lo
O Google levou-me até lá por caminhos ínvios e absolutamente inesperados: a uma entrevista recente de JPP à Agência Ecclesia, a propósito da vinda do papa a Portugal.
«Tem uma dupla importância: por um lado, como Papa, falará aos fiéis e mesmo aos que não são fiéis, traz uma mensagem de uma instituição que é fundamental em Portugal, a Igreja. Depois há o seu papel como um dos grandes intelectuais do século XX e início do século XXI, que mesmo enquanto Papa não deixa de permanecer como um intelectual. (…)
Para mim, o que é mais interessante na identidade da Igreja é aquilo que penso ser socialmente virtuoso nessa identidade. Especialmente, num país como Portugal cuja soberania, independência e identidade está ligada à Igreja. Bento XVI tem uma noção de reforço dessa identidade de combate ao relativismo e do combate a um conjunto de teorias – caso da Teologia da Libertação – que transformava o cristianismo numa espécie de progressismo político muito influenciado pelo marxismo.»
Comentários? Quem quiser que os faça...
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18.4.10
Até há três dias, era assim
O vídeo não é novo mas é agora especialmente impressionante. Dá para avaliar o impacto do que está a acontecer e causa uma certa vertigem...
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ἔξοδος?
Com Herman Van Rompuy e Durão Barroso sem grande carisma para incarnarem um novo Moisés, ainda ninguém parece ter percebido a mensagem que o Eyjafjallajökull está a tentar comunicar aos atormentados europeus.
Quais formiguinhas aflitas, estes continuam a regressar às suas galerias de origem, sofrendo, sabe-se lá por quanto tempo ainda, no chão de aeroportos, em comboios superlotados ou em autocarros com Katia Guerreiro. Sem entenderem que estão a ser soprados para Oriente, porque é lá que se encontra agora o centro do mundo, a Terra Prometida, a Montanha de Deus onde serão um dia libertados desta nova crise e da outra que ainda não passou.
Um pretexto como outro qualquer para aconselhar a leitura de mais um artigo sobre os BRIC’s: Les « Bric » peuvent-ils changer la façon dont tourne le monde?
(Ao Brasil, chega-se facilmente de todas as maneiras.)
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No regresso a Portugal
(Clicar para ler)
«A Luta Continua», nº1, 13 de Agosto de 1976
Boletim dos GDUP (Grupos Dinamizadores de Unidade Popular)
No seguimento deste post.
(Enviado por Jorge Pires da Conceição)
«A Luta Continua», nº1, 13 de Agosto de 1976
Boletim dos GDUP (Grupos Dinamizadores de Unidade Popular)
No seguimento deste post.
(Enviado por Jorge Pires da Conceição)
17.4.10
Perder tempo com a Revolução
Foram necessários 67 anos de vida e 36 democracia para que este ex-militante do PCP enquanto jovem, exilado político até ao 25 de Abril, membro do PS logo a seguir, deputado à Constituinte e não só, celebérrimo e contestadíssimo Ministro da Agricultura em tempos de Reforma Agrária, e que diz ter saído da vida política activa por vontade própria há vinte anos, venha agora dizer que «perdemos tempo com a Revolução». Está na moda, é verdade, muitos o acompanham, não faz mais do que seguir os ventos da (sua) própria história. Lamenta, no fundo, que Marcelo Caetano tenha falhado a «evolução na continuidade»? Certamente.
António Barreto, hoje no «i»:
«Em relação a Espanha, o mais importante é o facto de não ter feito nem guerra colonial, nem Revolução. Portugal perdeu tempo com a guerra colonial, com os últimos anos de ditadura, com a Revolução e com a contra-revolução. Isto é um puro palpite, mas acredito que em relação a Espanha perdemos entre 20 a 30 anos. Cheguei a escrever que a Revolução em Portugal e a contra-revolução não deixaram sequelas. Acho que me enganei. Há um abismo entre patronato e sindicalismo que não existe dentro de algumas empresas. Esta dificuldade de discutir racionalmente creio que é uma sequela aberta e que vem desses 20 ou 30 anos que perdemos. Apetece-me dizer que foram inúteis, mas na História não há inutilidade, as coisas foram o que foram.»
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16.4.10
Islândia, um país improvável
Há pouco mais de vinte anos, não conhecia ninguém que tivesse ido à Islândia e foi com curiosidade que fui lá parar, durante três ou quatro dias, por motivos mais ou menos profissionais.
Mas confesso que levei tempo a refazer-me da experiência. Disse desde então muitas vezes que, das viagens que fiz e que não foram assim tão poucas, foi certamente a mais desinteressante e que a Islândia é destino que nem ao cardeal Saraiva Martins é justo aconselhar.
Reykjavík é, ou era, uma cidade absolutamente desconcertada, invadida permanentemente por um cheiro a enxofre insuportável (sim, dos tais géisers…), com um centro miserável comparado com o qual a Rua do Comércio no Bombarral fazia figura de 5ª Avenida de Nova Iorque. Do clima, nem vale a pena falar porque chovia todos os dias, se tiritava em Maio e não havia relva que não estivesse ainda negra pelo gelo do inverno. Quanto a comida, salvavam-se os ovos mexidos do pequeno-almoço no hotel, já que, nos restaurantes, toda a desconfiança era pouca porque até um animal mais ou menos aparentado com um pinguim nos foi requintadamente servido.
Em longuíssimas excursões em que não havia rigorosamente nada para ver, os guias paravam para louvar uma florestação de meia dúzia de abetos ou para mostrar uma igreja, reconstruída depois de um décimo incêndio e sem qualquer pretensão ou estilo arquitectónico. Tudo o resto era uma sensação permanente de mergulho em The day after. Sei que há quem goste mas não foi o meu caso, nem o das dezenas de pessoas que me acompanhavam.
Com tanto espaço vazio e agradável no mundo, é verdadeiramente um mistério perceber o que terá levado uns pescadores nómadas a fixarem-se no local mais inóspito do universo e a dele fazerem um país.
E, no entanto: já então se sabia que os islandeses eram ricos, com um PIB de fazer inveja a quase todos os outros europeus, nas ruas viam-se mais carros topo de gama do que peões e, tudo, dos ditos carros às couves, era importado e tinha preços exorbitantes.
De onde vinha o dinheiro? De alguma indústria (pouca), da pesca, sem dúvida (durante muito tempo, que ninguém me falasse em comer salmão, fresco ou fumado…), mas, segundo constava, sobretudo das licenças para a dita pesca, vendidas a tudo o que era país ocidental. E como os islandeses eram poucos, e não gostavam muito de ter filhos, conseguiam assim viver que nem nababos.
A Björk já cantava sem que o soubéssemos então e a Islândia só muito recentemente nos entrou mesmo pela casa dentro como expoente máximo e simbólico da crise que nos apanhou ao virar de todas as esquinas.
E agora, numa espécie de vingança involuntária, paralisa a Europa com as suas cinzas que, aparentemente, nem os incomoda muito localmente. Se conseguissem aquietar o Eyjafjallajökull, nós agradecíamos.
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Isto não é um «post» sobre o Papa
… e não leva imagem porque o Brumas é uma casa decente. Por isso também, não copio os comentários delirantes que este link provocou ontem à noite no Facebook.
Até a irmã Lúcia deve dar voltas no túmulo!
P.S. - Entretanto, foi mudada a imagem da Nossa Senhora para a qual o link apontava. Para que este post faça sentido, vejam-ma aqui.
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Até a irmã Lúcia deve dar voltas no túmulo!
P.S. - Entretanto, foi mudada a imagem da Nossa Senhora para a qual o link apontava. Para que este post faça sentido, vejam-ma aqui.
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15.4.10
Voz do povo
17:30, esta tarde. Alguém me alertou para o «Opinião Pública» na SIC Notícias, que ia a meio e cujo tema era o conjunto de tolerâncias de ponto concedido pelo governo. Do que ouvi, retive que o principal argumento de quem estava contra a decisão era a desigualdade de tratamento entre funcionários públicos e privados.
Qual laicidade, qual crise! O Sol quando nasce é para todos, comem todos ou não come nenhum e outros aforismos de que o camarada Jerónimo não desdenharia.
Qual laicidade, qual crise! O Sol quando nasce é para todos, comem todos ou não come nenhum e outros aforismos de que o camarada Jerónimo não desdenharia.
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O longo caminho de Joseph Ratzinger
Não é a primeira vez que Hans Küng critica o pontificado de Bento16, mas fá-lo com uma especial clareza e veemência numa «Carta aberta aos bispos católicos de todo o mundo», publicada hoje em El País.
Agora com 82 anos, começa por recordar que ele e Ratzinger foram os dois teólogos mais novos do Concílio Vaticano II, e descreve depois, detalhadamente, os motivos da desilusão que tem vindo a ter com a actuação do seu ex-colega na Universidade de Tübingen, que não só «relativiza os textos conciliares e os interpreta de forma retrógrada (…) como se situa expressamente contra o concílio ecuménico que, segundo o direito canónico, representa a autoridade suprema da Igreja católica».
Pararia por aqui aconselhando apenas mais uma leitura, não fosse dar-se o caso de me lembrar muito bem de Hans Küng e de Ratzinger durante o Vaticano II, não só pelo que escreveram e subscreveram (já lá chego), mas porque o primeiro esteve em Portugal em Abril de 1967, para fazer duas conferências, uma em Lisboa e outra no Porto sobre «A liberdade dentro da Igreja». Eram tão «revolucionárias» então as esperanças que sobravam do Concílio, encerrado dois anos antes, que os eventos em questão até meteram PIDE, identificação de matrículas de carros, entre as quais o de Mário Soares, etc. etc. (Escrevi em tempos algo sobre este assunto, que os mais interessados poderão ler aqui.)
Mas o que me interessa é chegar a Ratzinger, numa tentativa para que se entenda de onde ele vem, o que talvez permita uma melhor leitura da «desilusão de Hans Küng e uma menor «desculpa» para as posições que o papa hoje toma.
A propósito da tal história de César e também da sua mulher

Por razões de segurança e para evitar congestionamento no trânsito, o governo decidiu dar uma tarde de tolerância de ponto a Lisboa e uma manhã ao Porto, quando Sua Santidade (que raio de expressão…) por cá andar. Deve ter certamente um qualquer ressentimento em relação ao Oeste, já que quer que todo o Portugal entupa os seus caminhos, no dia 13.
Isto, obviamente, porque longe de mim suspeitar que um Estado laico ande a decretar feriados por motivos puramente religiosos.
Há por aí uns católicos ressabiados pelas reacções que vão aparecendo contra esta decisão de Sócrates e que dizem esperar que os ateus empedernidos se apresentem garbosamente ao trabalho. Como se nesses dias, por um qualquer milagre da Virgem, nos tornássemos todos suecos, cheios de civismo e de zelo pelo PIB…
Se S. Pedro ajudar – e o que não fará ele pelo seu sucessor – as praias estarão mais cheias do que várias Covas da Iria e o Porto terá este ano um segundo S. João antecipado. Valha-nos isso.
P.S. - Leia-se o que muito correctamente sublinha a Fernanda Câncio.
O melhor conselho que recebi nos últimos tempos
«Não sejam tudo, em directo, a todo o tempo, com todas a pessoas. Não presumam que estão autorizados a ser, sempre, absolutamente sinceros. A transparência, vício dos impolutos, está a dois ténues passos do asselvajamento e nem todos conseguem abster-se de transpor a perigosa linha. Os amigos dos nossos amigos não serão, por osmose, nossos amigos e as relações relativamente próximas não são necessariamente íntimas. Por isso, façam o favor de fingir, engolir em seco para não ofender, mentir, se preciso for, em vez de dar largas à vossa indefectível verdade.»
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14.4.10
Viva a República! Viva Garzón!
No dia em que se assinala o 79º aniversário da implantação da República, multiplicam-se as manifestações em Espanha, de um modo geral associadas à defesa do juiz Baltasar Garzón que se arrisca a ser destituído de funções por ter pretendido investigar crimes ligados ao franquismo.
É o caso, por exemplo, da Izquierda Unida que lançou um manifesto a favor de Garzón e aproveitou para sublinhar que «a monarquia é a negação da igualdade perante a lei», que é tempo de «avançar na legítima aspiração pela III República» e de recordar que o rei Juan Carlos nunca condenou a ditadura de Franco.(A propósito, talvez seja bom rever o juramento do rei.)
Mas foi em Buenos Aires que ocorreu hoje a mais importante iniciativa relacionada com o caso Baltasar Garzón: já que se pretende impedir que os julgamentos aconteçam em Espanha, então que sejam feitos na Argentina – é o que exigem familiares de vítimas do franquismo e uma dezena de organizações argentinas e espanholas que apresentaram ao Tribunal Federal uma denúncia por genocídio e crimes contra a humanidade, cometidos em Espanha, de Julho de 1936 a Junho de 1977.
Entre outras coisas, pedem uma lista com o número de desaparecidos, assassinados e torturados, outra com as fossas encontradas em Espanha, a identificação das crianças roubadas às famílias durante a ditadura e os nomes de todas as empresas privadas, ainda activas, que beneficiaram do trabalho forçado dos presos republicanos.
(Aqui, texto na íntegra.)
P.S. - Ler também.
Com dedicatória a todos os «geeks» do novo mundo
Cheguei lá através do meu amigo Nelson de Matos, já espalhei pelo Fabebook, mas aqui fica também.
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13.4.10
Cuba - à petits pas?
Em terra dos irmãos Castro, os barbeiros e salões de beleza com um máximo de três cadeiras (!...) deixaram de ser explorados pelo Estado. Isto significa que os até agora «funcionários públicos» deixam de o ser, vão passar a pagar uma renda (15% das receitas, aparentemente) para utilização de espaço e equipamentos e contribuição para a segurança social - e a poderem ter lucros, assume-se. Muitos estarão satisfeitos, outros nem tanto assim por não verem grandes oportunidades de negócio.
Isto não é propriamente novo: desde a década de 1990 e quando se começaram a fazer sentir as consequências da falta de apoio soviético, legalizaram-se pequenos negócios por conta própria - como, por exemplo, alguns táxis, pequenas oficinas de artesanato (péssimas…), restaurantes nas próprias casas da de família – primeiro em grande número, depois, não sei porquê, com significativa redução de número de licenças.
Comi em «restaurantes» desse tipo durante duas estadias em Cuba: em 1995 e em 2003. Devo dizer que julgo que estive em iniciativas clandestinas e não autorizadas, embora os «donos» dissessem o contrário, e tudo aquilo me pareceu lamentável, sem um mínimo de profissionalismo ou de qualidade – miserabilismo, embora com a maior das simpatias.
Há quem veja grandes potencialidades e ponha grandes esperanças nestes «avanços» que procurariam responder às muitas críticas de mau funcionamento das pequenas empresas.
Mas leio que «o governo pede paciência para experimentar soluções que não impliquem medidas 100% capitalistas». E é aqui que eu fico confusa. Que percentagem de capitalismo representam medidas como esta, agora aplicada aos barbeiros? Alguma porque os preços a cobrar são livres e comandados pelo mercado? Não elevada porque se houver quatro clientes, o último tem de esperar que vague a terceira cadeira?
Parece que estou a brincar mas não é o caso. Espera-se caminhar para o quê? É esta a tal Revolução sem R de que fala Silvio Rodriguéz? Tudo isto me provoca uma grande tristeza.
(Fonte) entre muitas outras, todas iguais
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Grandes verdades
Desde que redescobri o Portugal Contemporâneo, passo por lá de vez em quando e nunca me arrependo. A produção de Pedro Arroja é tão grande que não consigo acompanhá-la, mas julgo que a sua longa série de posts recentes começou com a defesa de Bento16 e da Igreja e chegou agora a uma luta aguerrida contra o protestantismo, com longas dissertações sobre filósofos e filosofias. E eu, que há décadas substituí Kant por outro tipo de software mas ainda tenho «A Crítica da Razão Pura» aqui bem perto, abro os olhos de espanto ou dou uma gargalhada, conforme a dimensão do disparate.
Mas adiante quanto a coisas muito complicadas e regressemos ao protestantismo como raiz de muitos males, com duas citações apenas:
Isabel Alçada que se cuide porque algum infiltrado anda a tentar alterar programas escolares em nome de Lutero: «Quando qualquer doutrina ou concepção de origem protestante - como o socialismo, o liberalismo, o relativismo cultural, etc. - invade um país, há duas disciplinas que imediatamente vão perder importância nos curricula escolares. Refiro-me à História e à Filosofia (a terceira é a Teologia ou ensino religioso). Os protestantes não dão importância ao Passado (Tradição) como fonte da Verdade.»
Quando eu for grande, também hão-de ler neste blogue coisas destas e assim.
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12.4.10
Caras e coroas
Interessantíssimo este artigo de Immanuel Wallerstein - «Antigo dilema da esquerda: o caso do Brasil» - ou, indo directamente ao assunto, «como medimos a "popularidade" de um partido e como avaliamos as suas credenciais de esquerda».
No caso concreto, discute-se, em termos de balanço, a actuação do ainda presidente Lula da Silva, por ocasião do 30º aniversário do PT (Partido dos Trabalhadores), do qual foi um dos fundadores. Teve o PT «de fazer concessões ao pragmatismo» para se tornar mais popular?
Para uns, americanizou-se, não é mais do que uma máquina eleitoral, um partido conservador e pragmático, pequeno-burguês e o preço que pagou foi o «abandono dos princípios e metas políticas que estavam presentes em sua origem». Outros consideram que o seu programa de estatização está «cem anos atrasado» e nada tem a ver com esquerda ou com socialismo. Finalmente, há quem pense que, nos últimos anos, se assiste a uma viragem à esquerda e que a actual crise do capitalismo trouxe o socialismo de novo para a cena do debate. Todos parecem temer o populismo, nenhuns têm em conta o factor geopolítico e a actual importância do Brasil neste campo.
Curiosíssimo é o contraponto a tudo isto, num artigo publicado por Fidel de Castro há poucos dias: «El último encuentro con Lula». O que os intelectuais de esquerda criticam são razões para elogios por parte de Fidel.
Wallerstein explica porquê: «Os intelectuais de esquerda brasileiros estavam a olhar principalmente para a vida interna do Brasil e a lamentar o facto de Lula nada mais ser do que, na melhor hipótese, um pragmático de centro-esquerda. Castro olhava principalmente para o papel geopolítico do Brasil e de Lula, que ele vê como sendo de enfraquecer o principal inimigo, o imperialismo dos Estados Unidos.»
Conclusões? Absolutamente nenhumas. Apenas matéria para muitas e variadas reflexões.
P.S. – Entretanto, o pragmatismo «geopolítico» de Lula já terá ultrapassado muito os limites do admissível.
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Tomás Vasques e os meus «posts» sobre o General Spínola
Detesto blogues sem comentários (já o disse 1.500 vezes, eu sei…) por muitas e variadas razões, uma das quais é a de não permitirem que se esclareça em duas linhas o que não justifica um post.
No Hoje há conquilhas, Tomás Vasques refere este post que publiquei ontem e diz já não o encontrar, sugerindo que eu possa tê-lo apagado. Enganou-se de blogue, até já mo disse no Facebook, mas, inexplicavelmente, não corrigiu na origem.
Abro aqui um parêntesis para sublinhar que tudo isto se tornou agora muito mais complicado e trabalhoso porque bloggers com Caixa de Comentários fechadas «em casa» a têm aberta, para os mesmos textos, no Facebook (que remédio se querem usar, publicitariamente, aquela plataforma…). Acontece que nem todos os leitores de blogues estão no Facebook, nem eu lá tenho a mesma lista de pessoas que o T. Vasques.
Fica aqui portanto o esclarecimento: o primeiro post existe (não é meu hábito apagar o que publico…) e escrevi já hoje um segundo em que explico e reforço a minha posição quanto à avenida ontem inaugurada com o nome de António de Spínola.
Já agora, aproveito para registar que T. Vasques preferiria que a ponte sobre o Tejo continuasse a chamar-se Ponte Salazar, o que não é o meu caso. Porque, guardadas as devidas proporções, percebo e aplaudo que os alemães tenham arrancado as estátuas de Hitler e que a Memoria Histórica em Espanha se esforce para que não se esbarre, a cada esquina, com recuerdos de Franco e dos vitoriosos da Guerra Civil. E isso não tem mesmo nada a ver com apagamentos de fotografias em tempos de estalinismos.
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Spínola, o nosso herói
Ao ver ontem que tinha sido inaugurada em Lisboa uma nova avenida, a minha primeira reacção foi apenas de indignação, sobretudo ao ler que, para Cavaco, «ao homenagear a figura do marechal António de Spínola, a Câmara Municipal de Lisboa pratica um acto de grande justiça, a que todos nos devemos associar com o maior júbilo».
A memória tende a ser curta para todos, mas talvez nem se trate de falta dela no caso do presidente de todos nós: muito provavelmente, ele rejubila-se mesmo quando pensa em Spínola e em tudo o que a sua figura e a sua complexa vida representou. (Menos compreensível, digo eu cheia de boa vontade, é ver António Costa associado ao evento, mas adiante.)
Podia lembrar aqui apenas, e seria o suficiente, a ligação de António de Spínola ao ELP / MDLP, organizações terroristas responsáveis, entre muitos outros actos, pelo ataque a dezenas de sedes de partidos de esquerda e pelo assassinato do padre Max.
Mas vale a pena recordar mais alguns elementos da sua biografia e J. M. Correia Pinto fá-lo bem no Politeia. «Como militar serviu devotadamente o Estado Novo e Salazar, como tantos outros», «era um fervoroso apreciador da bravura do exército alemão, cujas façanhas acompanhou, no cerco de Leninegrado, como observador», «simpatizava politicamente com o que de mais reaccionário havia então na Europa: o franquismo, a tradição prussiana do exército alemão enquadrada e dominada pelos nazis, e Salazar. Este pendor autoritário e anti-democrático acompanhá-lo-ia durante toda a sua vida».
Sabe-se que «Spínola, uma vez na Guiné, teve uma percepção mais correcta da guerra em que estava envolvido», mas também que «tal como Marcelo também ele não compreendeu o nacionalismo africano e sempre acreditou, ao ponto de ter mitificada a ideia durante toda a sua vida, que seria possível encontrar um rearranjo constitucional capaz de acomodar a presença política (económica e social) portuguesa com as aspirações autonomistas dos povos colonizados» e que o que «nunca foi capaz de superar foi a subalternidade do interesse nacional português no processo de libertação dos povos africanos».
É verdade que foi o primeiro PR em democracia, mas todos estarão recordados das suas tibiezas desde a noite do dia 25 de Abril, por exemplo com as hesitações quanto à libertação de todos os presos políticos. Para não falar, obviamente, do 28 de Setembro e das manobras de bastidores que antecederam o 11 de Março.
Não há como ver e ouvir para recordar e por isso aconselho vivamente este vídeo da RTP, nomeadamente do minuto 33:29 ao 44:06. Extraio apenas a seguinte afirmação de Spínola, em vésperas do 28 de Setembro:
«Não estamos dispostos a transigir, a nossa determinação de amor à Pátria com que nos batemos no Ultramar mantém-se intacta.»
Eu não me rejubilo com personagens destas, nem reconheço a ninguém o direito de se rejubilar por mim.
P.S. - Leitura absolutamente indispensável: «Antes Lisboa tivesse ganho uma Avenida Erich von Stroheim», de João Tunes.
(Publicado também em Vias de Facto.)
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11.4.10
Três anos por aqui? Uma eternidade!
Dizem os registos que «esta coisa» nasceu em 11 de Abril de 2007.
Escrevi no primeiro dia que o blogue teria uma vida efémera e constato hoje que até a efemeridade já deixou de ser o que era.
Escrevi no primeiro dia que o blogue teria uma vida efémera e constato hoje que até a efemeridade já deixou de ser o que era.
Entretanto, a blogosfera deu muitas voltas e eu talvez ainda mais. Balanços? Tal como os prognósticos, só no fim do jogo. Mas qual fim? E qual jogo?
Muito obrigada a todos os que por aqui têm passado - a porta continua aberta...
Muito obrigada a todos os que por aqui têm passado - a porta continua aberta...
P.S. – Por acaso, este pequeno vídeo pode vir a propósito.
(Via Luís Osório no Facebook)
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Delírios americanos
Que os Tea Party estão na moda não é novidade e que Sarah Palin é uma das suas vedetas femininas mais em evidência também não. Também é sabido que nascem todos os dias grupúsculos de extrema-direita, armados até aos dentes.
Mas cresce o tom dos ataques delirantes a Obama – um clandestino que devia ser deportado porque falsificou a certidão de nascimento, um muçulmano que dá suporte a organizações terroristas, um comunista que pretende impor um regime marxista, um nazi comparável a Hitler.
A cereja em cima do bolo é no entanto a verdadeira obsessão pela figura do anticristo: Obama é frequentemente representado com cornos, dentes de drácula e olheiras vermelhas e - pasme-se ! - há 24% dos republicanos que acreditam que é o anticristo que vive na Casa Branca (14%, tendo em conta o conjunto dos americanos). Nem mais!
P.S. - Nem de propósito, via José Gabriel Pereira Bastos, no Facebook:
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Lá como cá: Marcha dos Precários em França
Num total de 3.000 milhões de desempregados em 2009, e de 4 milhões previstos para 2010, 850.000 chegaram ao fim dos subsídios em 2009 e o mesmo acontecerá a mais 1.000.000 em 2010.
Em preparação, uma grande Marcha de 900 kms, entre Marselha e Paris, de 25 de Maio a 14 de Julho de 2010. À chegada, será apresentada às autoridades uma série de exigências mínimas de protecção para os que não aceitam ser «os esquecidos da mundialização económica».
«Os governantes não hesitam em citar alegremente a Convenção universal de direitos do homem para aparecer como “ardentes defensores dos direitos humanos e democráticos”. (…) É inaceitável que a 4ª potência económica mundial irradie os desempregados que deixam de ter direito a subsídio (…), ao mesmo tempo que dá de graça aos banqueiros, principais responsáveis pela banca rota e arquitectos da crise permanente, várias dezenas de milhões».
Todos diferentes, todos iguais - por essa Europa fora.
Mayday Lisboa - Visite o blogue
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10.4.10
Vem, César das Neves, estás perdoado
Quando a Shyznogud pôs isto ontem no Facebook, perguntei pelo menos três vezes se era a sério se a brincar.
«Por exemplo, qual é a melhor, a verdadeira posição para a relação sexual entre um homem e uma mulher? Quanto ao homem, essa deve ser a posição em que o homem volta as costas a Deus pelo amor a uma mulher e para cair nos braços de uma mulher - a posição correspondente ao pecado original (aqui). Quanto à da mulher, essa há-de ser a posição em que ela olha para o céu (Deus), que é para onde está a ser levada pelo homem (aqui).
Juntando as duas partes, temos a posição clássica, a posição canónica, aquela que vai à Igreja buscar o seu próprio nome - a posição do missionário. Esta é também uma posição sexual distintamente humana, e que não ocorre entre animais, e aquela que é mais favorável à fecundação.»
Juntando as duas partes, temos a posição clássica, a posição canónica, aquela que vai à Igreja buscar o seu próprio nome - a posição do missionário. Esta é também uma posição sexual distintamente humana, e que não ocorre entre animais, e aquela que é mais favorável à fecundação.»
Não deixem de seguir o link do primeiro «aqui». Não resisto a pôr o texto correspondente ao segundo:
«Mas, então, isto significa que as mulheres não podem chegar ao céu? Claro que podem. Desde que sejam conduzidas por um Homem. Por Cristo em primeiro lugar, por um padre católico em segundo, ou por um homem que seja tão parecido com Cristo, ou com um padre católico, quanto possível.»
Autor ingénuo, desconhecido? Qual quê: bem doutor e até com honras de Wikipedia. Ou o diabo por ele.
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9.4.10
Diálogos cubanos
Através do El País de hoje, cheguei a uma notícia sobre uma troca recente de cartas entre o cantor Silvio Rodriguéz e o escritor Carlos Montaner.
Do primeiro, muito se falou recentemente a propósito da sua demarcação do governo cubano, que logo então me levantou muitas dúvidas. Aparentemente com razão - e de que maneira!
Voltando às cartas: decidi procurá-las e ordená-las e, já que tenho os textos, acabei de os pôr agora online (*). São - até ao momento… - quatro, as ditas cartas, duas de SR e outras duas de CA e julgo que merecem uma leitura de fim-de-semana. Não porque o seu conteúdo traga algo de novo, mas pelos protagonistas que estão em cena.
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