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31.5.10

If man is still alive

Quem anda pelo Facebook sabe que há ali uma verdadeira mina onde todos os dias (todas as noites, sobretudo) são desenterradas, do enorme baú que o Youtube é, as mais esquecidas velharias em termos musicais.

Foi o caso, há dois ou três dias (obrigada, José Moura) para este magnífico 2525, de 1969.



In the year of 2525
If man is still alive
If woman can survive
They may find
(...)
Now it's been 10.000 years man has cried a million tears
For what he never knew now man's dream is through
But through eternal light the twinklin' of starlight
So very far away now it's night to yesterday

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Por caminhos tortuosos


É um erro reduzir a importância das crónicas que César das Neves publica semanalmente no DN a meros pretextos para comentários jocosos, como eu própria o tenho feito muitas vezes. Porque há milhares de pessoas que as lêem e porque o autor está a ter cada vez mais tempo de antena, como foi patente este fim-de-semana, a propósito do desagrado de alguma direita com Cavaco Silva por este não ter vetado a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O texto de hoje volta aos mesmos temas de sempre – família, aborto, divórcio, etc., etc. -, CN afirma que «o Tribunal Constitucional cede à ideologia e o Presidente lava as mãos como Pilatos», mas como uma nuance mais subtil: relaciona as problemáticas e as decisões com a fragilidade da democracia e acena com novos papões.

Refere «o totalitarismo do orgasmo» da actual «modernidade» para perguntar o que salvará a identidade nacional se a situação se alterar e amanhã «tivermos um parlamento nihilista, espírita, xenófobo ou iberista».

Mais: recorre à ameaça do perigo amarelo frisando que «o sucesso chinês revela um modelo alternativo, mostrando que se pode atingir a prosperidade sem liberdade». Ou seja: avisa que o perigo somos nós, «os maus», já que «o pior ataque ao pluralismo, hoje como sempre, vem de dentro, dos abusos dos democratas». Só falta chamar-nos fascistas.

Quem pensar que este tipo de argumentos só tem eco nos taxistas, engana-se: ele anda por aí e está a causar estragos.
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A Europa e as suas dívidas

Imperdível. Tinha visto em «O Eixo do Mal», repesquei agora no Arrastão.


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Alegre: a procissão entrou agora no adro


Chegou ontem, como anunciado, o apoio do PS. Sempre fica bem que tenham sido contados dez votos contra e uma abstenção, unanimismos dariam mal aspecto «à coisa». Mas, depois de tantos receios, cem adiamentos e mil declarados alaridos, não deixa de ser estranho que tenham sido poucas as vozes negativas, numa Comissão Nacional de tão grande dimensão. Mas adiante.

Sócrates falou de decisão «baseada na ética da responsabilidade» e de apoio «em nome de uma visão progressista para o país» (*). Sublinhe-se, e volte a sublinhar-se, que a palavra «esquerda» parece ter desaparecido, provisória ou definitivamente, do vocabulário do nosso PM, quando pareceria a mais evidente a ser usada na circunstância em causa. Mas adiante, uma vez mais.

A bola está agora do lado de Manuel Alegre e as primeiras declarações que fizer, já como candidato oficial do PS e do Bloco, serão decisivas. Porque foi mais do que ruidoso o silêncio a que se remeteu nos últimos tempos, não escapando à interpretação (óbvia?) de que nada diria de «perigoso» até ter o apoio do PS. O que desagradou a muitos.

Simultaneamente, foi crescendo o número dos que teriam preferido um outro desfecho por parte do PS. Ontem, quando começou a saber-se que saíra fumo branco da reunião da Comissão Nacional, e mesmo antes das declarações de Sócrates à saída da mesma, dizia-me um militante bem disciplinado do Bloco: «Alegre acaba de perder 10% de votos». E, por exemplo no Facebook, regressaram imediatamente os apelos lancinantes para que Carvalho da Silva avance.

Por todas estas razões e por ainda mais algumas, a «esquerda», incluindo nela uma percentagem significativa dos militantes socialistas, escalpelizará cada frase e todas as palavras da próxima intervenção de Alegre. Posso estar enganada, mas julgo que, nos próximos dias, ele poderá perder - ou ganhar - muitos votos. Quem sabe, até, a possibilidade de apear ou não o inefável senhor de Boliqueime.

(*) Sobre a utilização do termo «progressista», leia-se o que escreveu Rui Bebiano. No que me diz respeito, continuo a associá-lo aos tempos longínquos em que com ele era etiquetada na minha qualidade de católica. Mas isso foi no tempo em que os animais ainda falavam.

ADENDA: Se a esquerda quiser ganhar Belém, de Miguel Cardina.
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30.5.10

O Grito do Porto?


Haverá um Partido do Norte, lá mais para o Outono, que quer eleger deputados já nas próximas eleições.

Plataforma para defesa dos interesses nortenhos, contra «o centralismo vigente em que todos trabalham para alimentar uma corte macrocéfala em Lisboa», «força pragmática, sem limitações ideológicas», que agrega, desde já, nomes conhecidos do PS, PSD e CDS. Nada contra a defesa de uma região, antes pelo contrário, excepto que me faz sempre a maior das confusões estes frentismos: para defender o Norte, o Sul, o Este ou o Oeste, é sempre de política que se trata e não vejo que seja suficiente ser-se «contra» qualquer coisa para se criar um partido. Mas admito que esteja a escapar-me algo.

Existem aparentemente algumas dificuldades de ordem prática, já que a Constituição não permite partidos regionais, mas no drama: ou serão ultrapassadas por revisões, recursos e reclamações ou muda-se o nome. «O Grito do Porto» poderá ser talvez uma boa sugestão que não deixará certamente de ocorrer a um dos mais entusiasmados promotores: Pedro Baptista, ele que, nos idos de 71, foi co-fundador de «O Grito do Povo». Seria um certo paralelo com as origens, tal como o nome do seu blogue faz inevitavelmente lembrar o lema maoísta: «Servir o Povo».

P.S. – Os objectivos do novo partido aqui explicados por outro dos seus promotores, Carlos Abreu Amorim.
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Falemos então de futebol


Ao ler que João Garcia foi convidado para motivar os jogadores portugueses que se preparam para o Mundial, liderados por Carlos Queiroz, rebobinei vinte anos.

Estava-se em 1990, eu acabara de regressar de La Hulpe, na Bélgica, onde estivera três anos destacada num centro da IBM (em international assignment, como soía dizer-se) e fui convocada para uma reunião de directores.

Vi na agenda que alguém, com nome português mas que nada me dizia, faria uma conferência sobre liderança e treino (leadership & coaching, obviamente). Fez e explicou – brilhantemente, aliás – como se formam equipas, como se mantêm motivadas, o que é fundamental para que sejam vencedoras, a importância do colectivo.

Estranhei, mas rapidamente entranhei, que se tivesse convidado um treinador de futebol. Porque o conferencista se chamava Carlos Queiroz. E porque, poucos meses antes, Portugal vencera o campeonato de sub-20 em Riade.

Vinte anos mais tarde, ele aí está, esperando-se que não esqueça o que João Garcia terá agora ensinado. Porque a África do Sul fica num paralelo muito distante do Everest mas, em termos de dificuldade, não lhe ficará muito atrás quanto a «altitude».
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Cada cor seu paladar

Três livros recentes, muito importantes para quem se interessa pela história deste jardim à beira-mar plantado.

Miguel Cardina, O essencial sobre a Esquerda Radical, Angelus Novus.
«Mas o que havia de comum - e de diferente entre Marcuse e Che Guevara, entre a retórica de Maio de 68 e o maoísmo ocidental, entre a combatividade do canto de intervenção e o hedonismo da contracultura norte-americana?»


Paulo Bárcia e António Silva, Movimento de Esquerda Socialista - uma improvável aventura, Edições Afrontamento.
«Gente que, ao rever-se hoje naquela improvável aventura, sente um misto de nostalgia e de orgulho. Nostalgia por um dos melhores e mais apaixonantes períodos da sua vida. Duplamente orgulhoso, por ter militantemente ajudado a derrubar uma ditadura e um império anacrónicos sem nunca ter pactuado com o gulag russo ou chinês»



Carlos Brito, Álvaro Cunhal, sete fôlegos do combatente, Edições Nelson de Matos.
«Foi um extraordinário período da história de Portugal e do mundo, em que aconteceu o melhor e o pior para os ideais de Álvaro Cunhal e também para os meus.»
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29.5.10

Estranheza ou já nem isso


e, logo a seguir, a mais do que óbvia verdade reposta por Chico Buarque:

Um pretexto como outro qualquer para ouvir, pela milésima vez, «Tanto Mar». No dia em que as ruas de Lisboa se encheram – certamente com uma festa já murcha, e não com aquela que o vídeo mostra, mas sem desistências.
300.000? Não contei, mas éramos muitos.




P.S. - Bem a propósito, como recorda Carlos Vaz Marques no Facebook:


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Cohn-Bendit, uma vez mais

Ajuda a reflectir sobre a crise grega. E não só.



Via Ladrões de Bicicletas

Houve alguém aqui que se enganou



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Prazeres de uma manhã de Sábado


O gozo que isto me dá!
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Comentários, para quê


Este anúncio espalhou-se ontem pelo Facebook. Nada leva a crer que seja forjado, muito pelo contrário. Admire-se esta jovem de 27 anos, que, pelo que se lê, nunca deve ter sonhado ganhar tanto, tão cedo.

P.S. - A propósito: hoje há uma Manif em Lisboa.
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28.5.10

Para memória futura (5)


Numa rubrica com este título, este vídeo tem de ficar registado.


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Ainda para assinalar a data


Na mesma onda do post anterior, duas comemorações da «Revolução Nacional» de 28 de Maio de 1926.

Em 1966, por ocasião do 40º aniversário, foram vários os festejos que culminaram com uma sessão soleníssima em Braga.

Foi nesse dia que Salazar, então com 77 anos, viajou pela primeira vez de avião até ao Porto – mandou comprar o bilhete e foi com os outros passageiros, acompanhado apenas pela governanta. (Na foto, a entrar para o avião.)

No discurso que então fez, deixou o país suspenso com uma frase que viria a ficar célebre: «Eis um belo momento para pôr ponto nos trinta e oito anos que levo feitos de amargura no Governo». Mas continuou: «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida em defesa da integridade da pátria».

Adiante porque o povo se consolou, daí a menos de dois meses, com a vitória de Portugal contra a Coreia do Norte, com os tais 5 a 3.

Hoje, em trânsito, ouvi no RCP o discurso de Salazar, em 1936, no 10º aniversário do 28 de Maio - no mês em que foi criada a Mocidade Portuguesa, a menos de dois do início da Guerra Civil de Espanha.
Fui repescá-lo. Ainda hoje me parece familiar - há algo que ficou e nos entrou no ADN. Ou não?


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Deus, Trabalho e Família


Hoje, 28 de Maio, em jeito de comemoração de mais um aniversário da «Revolução Nacional» de 1926, vai ser lançado oficialmente o Movimento Assembleia. «Deus, trabalho e família» serão as suas principais linhas de força (registe-se: «trabalho» em vez de «pátria»), numa revisita actualizada do lema sagrado do nosso fascismo.

Tendemos a encolher os ombros quando surge mais uma iniciativa da «nacionalistas e salazaristas», crentes que estamos no insucesso garantido da extrema-direita em Portugal. Mantenhamos essa fé e alimentemos a respectiva esperança. Mas convém talvez não esquecer que, ao longo da História, tem sido em tempos de crises, por vezes bem menores do que aquela que estamos agora a atravessar, que projectos deste tipo acabam por agregar muitos descontentamentos e outros tantos contidos desesperos.

Enquanto nos digladiamos em questiúnculas quantas vezes sem sentido, outros poderão ir avançando de mansinho. Oxalá se trate apenas de mais um (longo) Manifesto, que está em linha, e do qual extraio algumas passagens que me parecem especialmente reveladoras.

«Recusamos também a falsa dialéctica de Direitas e Esquerdas com que se pretende dividir o pensamento para submetê-lo. Consideramos que existem apenas governos consensuais e conflituosos. (…)

Consideramos que as democracias geridas pelos Partidos Políticos têm sido insuficientes e ineficazes, voluntária ou involuntariamente, e impotentes para resolver os problemas angustiantes da pobreza e do desemprego. (…) Em resumo, as democracias partidárias não só não têm vocação para erradicar a pobreza como a têm apresentado de modo crescente. (…)

Para nós a família é a única fonte de conservação e desenvolvimento natural da espécie humana, unicamente entendida pela união de dois seres de género diferente com viata à natural perpetuação da espécie. (…)

Não podem existir interesses opostos de patrões e operários. Deve existir a colaboração pacífica e solidária entre os elementos da produção, para que todos contribuam para a prosperidade colectiva. (…)

Não rejeitamos o trabalho estrangeiro em empresas portuguesas. Apenas não o legitimamos havendo portugueses desempregados. (…)

Deve ser restabelecida a disciplina que o liberalismo anarquizou, não se justificando nem a greve nem o «lock-out». (…)

Num país de raiz Católica Apostólica Romana, reconhecemos Deus como fonte de toda a razão e justiça, e seguimos a doutrina social da Igreja de matriz Cristã.»

(Notícia aqui)
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27.5.10

Para memória futura (4)


« L'Europe a besoin de solidarité, d'empathie. Pas d'une austérité qui va faire bondir le chômage et amener la dépression. (…) Elle veut un plan coordonné d'austérité. Si elle continue dans cette voie-là, elle court au désastre. Nous savons, depuis la Grande Dépression des années 1930, que ce n'est pas ce qu'il faut faire.»

Joseph Stiglitz, Le Monde, 22/5/2010
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Pergunta que me persegue


O que pensarão daqui a alguns anos estas meninas que ouvem hoje, numa escola do Butão com os Himalaias em pano de fundo, que o importante é sorrir e que o seu país será sempre medido pelo índice de Felicidade Nacional Bruta?
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É mesmo de um trilema que se trata


O Daniel Oliveira publicou agora, no Arrastão, o texto da sua crónica no último número do Expresso. Sem alaridos nem populismos, e de um modo claro e sem floreados, toca em aspectos essenciais do que está verdadeiramente em causa na questão grega – e portuguesa e espanhola e europeia.

A ler na íntegra, aqui ficam apenas estes excertos:

«Num recente artigo, o economista Dani Rodrik resumiu, através de um trilema, as lições a tirar da crise grega: a democracia, a globalização económica e o estado-nação são incompatíveis. Só podemos ter dois destes factores em simultâneo. Se queremos democracia e estado-nação precisamos de proteccionismo. Se queremos democracia e globalização económica precisamos de governo global. Se queremos estado-nação e globalização económica precisamos de governos com mão forte e cidadãos com espírito dócil. É nesta tensão que temos vivido desde o início do século XXI. 

Olhando para o que se passa na Grécia e ouvindo o discurso sacrificial e socialmente autista que domina o debate político português percebemos que se conta com a ausência do terceiro factor do trilema – a democracia – para ultrapassar a crise. (…) Resta-nos, como cidadãos, recusar esta chantagem, obrigando a Europa e os governos a escolherem um caminho: ou a soberania democrática dos europeus, ou soberania democrática dos cidadãos nacionais. Mas nunca a soberania dos mercados.»
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25.5.10

E?


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Abraço de urso – mas que o urso não seja negro porque esse é perigoso


Ia comentar este parágrafo de um texto de Tomás Vasques quando vi que João Tunes se tinha adiantado. Escreve o primeiro:

«O pior que podia acontecer a Manuel Alegre é o apoio do PS à sua candidatura: perde as eleições e é o responsável pela reeleição de Cavaco Silva. O PS, no Domingo, através da Comissão Nacional, vai dar o abraço de urso a Manuel Alegre. »

Tarefa simplificada pelo João, portanto, porque ia precisamente contra-argumentar, insistindo no que tenho vindo a pensar e a escrever nos últimos dias: tudo levando a crer que a direcção do PS acabará por apoiar a candidatura de Manuel Alegre, que se mantenha o mais longe possível porque, desse modo, «Alegre ganha espaço político para a mobilização e batalha política presidencial. Assim a esquerda, que até hoje só perdeu uma eleição presidencial, traga o movimento e a campanha de dentro das igrejas e das suas sacristias, para o adro do povo que sofre o centrão prolongado que se alimenta de uma sociedade desigual em perpétuo acentuar das desigualdades.»

Espere-se portanto que, no Domingo (não no Sábado, afinal, talvez para não ofuscar a manif…), Sócrates «toque e fuja» - para tão longe quanto imaginar se possa.

(Na foto: um simpático urso negro, perto de Luang Prabang, Laos)

(Publicado também aqui)
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Para memória futura (3)


Já bem presente, neste caso:

«O problema, que a crise mundial tornou mais cruel, tem dez anos e nunca foi encarado de frente. Nos dias do deslumbramento da Expo-98 e do crescimento que parecia ilimitado, os governos de Cavaco e de António Guterres fizeram opções que ainda hoje condicionam a nossa vida. Cavaco Silva aprovou o Novo Sistema Retributivo da Função Pública, que na década seguinte implicou um crescimento na ordem dos dez por cento ao ano dos custos do pessoal do Estado. Nos anos de Guterres, a função pública foi engrossada com mais 50 mil funcionários. Entre 1995 e 2005, Portugal foi o país da Europa onde a despesa pública mais cresceu (6,9 por cento).»
Público
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24.5.10

Dúvida existencial


Será que alguém me pode explicar como é humanamente possível não torcer, ou pelo Brasil ou pela Coreia do Norte, na próxima etapa do campeonato do mundo (para além de Portugal, claro)? Agradecida.

«Eu não faço a escolha entre o Brasil e a Coreia do Norte. (…) É-me indiferente.» - Jerónimo de Sousa, ontem, na parte final da entrevista à TSF

Já agora, para possíveis interessados: no Facebook, há um grupo de «Fãs da Selecção de Futebol da República Democrática Popular da Coreia».
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Quase no tempo delas


Não sei se por pura coincidência ou se nem tanto assim, há quem ande por aí a falar de cerejas e de cerejais. E já que elas, as cerejas, têm fama de ser como as palavras, que palavras leva-as o vento, e que este sopra quase sempre de onde mais se espera, fica a música que mais ordena.


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Cunhal revisitado por Carlos Brito

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Hugo & Raúl


Trabalham na Venezuela 15.000 médicos cubanos, 1.500 já terão desertado – lê-se hoje em El País, um jornal ao serviço exclusivo de Rádio Miami, como é sabido.

Ou talvez não:
«Los médicos cubanos que trabajan en Venezuela viven en 30 metros cuadrados. Es lo que mide la segunda planta de los módulos de Barrio Adentro, donde duermen, cocinan y van al baño hasta cuatro cubanos a la vez (…) Unos se vigilan a otros, y uno los vigila a todos. Cada cubano debe volver a "casa", si acaso salió de ella, antes de las seis de la tarde. Si un "compatriota" venezolano invita a alguno a dar una vuelta por el barrio, debe pedir permiso con semanas de antelación, a través de un acto motivado en el que, quien convida, debe explicar el propósito y la duración de la actividad.»
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23.5.10

Há 76 anos

Em 23 de Maio de 1934, foram assassinados Bonnie Parker and Clyde Barrow



Para memória futura (2)


«Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um.»

Cavaco Silva, 17/5/2010
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Uma ajuda ao PEC


Algures no Butão, num modestíssimo restaurante.
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22.5.10

Velhos são os trapos



(Via Virgílio Vargas no Facebook)

Com dedicatória ao bloco central (2)


Estava um homem numa feira a vender uma vaca branca e uma vaca preta e chega outro e pergunta-lhe:

- As suas vacas são boas?
- A branca é!
- Sim? Então e a preta?
- Hum... a preta também...
- E dão muito leite?
- A branca dá!
- Ah sim? Então e a preta?
- Hum... a preta também...
- E são boas parideiras?
- A branca é!
- A sério? Então e a preta?
- Hum... a preta também...
- Ó meu amigo, porque é que o senhor só diz bem da branca, se depois a preta acaba por ser tão boa como ela?
- Porque a branca é minha!
- Ahhh! Agora já entendo! Então e a preta?
- Hum... a preta também...

(Deixado na Caixa de Comentários a este post)
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A esquerda agradece


«A direcção do PS vai apoiar oficialmente Alegre, mas apenas em dose mínima garantida. Ninguém espera um envolvimento directo do aparelho central do partido na candidatura alegrista, nomeadamente em aspectos logísticos e/ou organizativos. Sócrates, pelo seu lado, deverá invocar a necessidade de o apoio do PS ao candidato-poeta não afectar a cooperação institucional entre o Governo e o PR.» (DN)

Haveria uma decisão alternativa:

«A direcção do PS vai apoiar oficialmente Cavaco, mas apenas em dose mínima garantida. Ninguém espera um envolvimento directo do aparelho central do partido na candidatura cavaquista, nomeadamente em aspectos logísticos e/ou organizativos. Sócrates, pelo seu lado, deverá invocar a necessidade de o apoio do PS ao candidato-economista não afectar a oposição institucional entre o Governo e a Esquerda.»

(Publicado também aqui)

P.S. - Ricardo Alves, no Esquerda Republicana:
«Pairando a suspeita de que Sócrates até prefere que Cavaco continue em Belém, estão criadas as condições para que um voto em Alegre seja simultaneamente um voto num candidato do PS e um voto contra Sócrates. E se Alegre ganhar mesmo em Janeiro de 2011 nestas condições, será o Presidente mais independente de apoios partidários desde o primeiro mandato de Eanes.»
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21.5.10

Será que isto é um mundo normal?

Hanoi, Vietname


Calcutá, Índia


Utrecht, Holanda

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Ist'até qu'há-de mudar um dia


Pois canté!! (GAC)
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Tecnologias? Só vieram complicar as vidas!


(Via Virgílio Vargas no Facebook)
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Natal é quando um homem quiser


Teresa Venda e Rosário Carneiro, duas inefáveis deputadas independentes da bancada do PS, que devem estar tão próximas do ideário socialista como eu das convicções do camarada Kim Jong-Il, apresentaram uma complicada proposta de redução e movimentação de alguns feriados nacionais. Unicamente para permitir o aumento do salário mínimo nacional, dizem elas, sem que se perceba minimamente como e porquê.

Não entro em detalhes porque já foram noticiados, por mim podem tirar o 1º de Dezembro porque deixámos há muito de ser independentes de Espanha e já se pode comprar caramelos Solano em «El Corte Inglés». Já quanto ao 5 de Outubro, fia mais fino: quem quiser que acredite na inocência desta proposta que aparece, precisamente, no ano em que se comemora o centenário da República.

Além disso: num grande número de países europeus, 26 de Dezembro é feriado única e simplesmente para que aqueles que se deslocam para celebrar o Natal longe de casa tenham tempo de comer as últimas rabanadas no jantar de 25, sem serem obrigados a viajar, a correr, para trabalhar adormecidamente no dia seguinte. Mas elas propõem que se lhe chame «Dia da Família», talvez para que camaradas e companheiros não se esqueçam de ir manifestar pela defesa da dita cuja, à porta da Clínica dos Arcos.

Quanto a tornar móveis alguns feriados, registo o que Manuel António Pina diz, hoje, no JN: «Comemorar o 25 de Abril a 24 de Abril (e porque não o 1.º de Maio em 28 de Maio?) é, além do mais, uma ideia capaz decerto de render muitos votos.»

P.S. – A ler: este post da Palmira.
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20.5.10

Enquanto a Europa dormiu a sesta


Exactamente há um ano, em Maio de 2009, eu estava no Cambodja e foi lá que li um post que Rui Bebiano então publicou em «A Terceira Noite», sobre o direito à sesta, em vias de reconhecimento no reino da Dinamarca. Falava-se também de um dia de baixa por morte de um animal doméstico. Em jeito de adenda, o Rui publicou a minha reacção que lhe enviei por mail: «Será possível, viável, um mundo em que se possa dormir a sesta sem que outros (aqui) trabalhem 364 dias por ano, nem se sabe quantas horas por dia? E em que os primeiros ainda se queixam se as empresas são deslocalizadas para dar de comer aos segundos?». Lembrei-me disto ao ler hoje este outro texto, também do Rui.

Nesse dia eu tinha andado por Tonlé Sap, o maior lago de água doce do Sudoeste Asiático, onde vivem milhares de pessoas numa situação quase inimaginável. Em barracas, sobre estacas ou flutuantes, acumulavam-se famílias cheias de filhos e até de animais, sem quaisquer condições de higiene, com esperança de vida abaixo dos cinquenta anos. Como então escrevi, «vi pessoas beberem a água do lago (e é com ela que se cozinha e que se toma banho), (…) e um pequeno curral flutuante com quatro porcos, amarrado a um dos lados de uma casa. Saltavam crianças, mais ou menos esfarrapadas, de tudo o que era buraco. Devo dizer que estas imagens ficarão entre as piores que guardo das muitas viagens que já fiz. (…) Do Cambodja, vim com a sensação de que a revolta nascerá naquele lago.»

Naquele lago e não só. O Cambodja é um país terrível, paupérrimo e quase sem velhos, já que 20 a 25% da população desapareceu em consequência da acção dos Khmers Vermelhos, em apenas quatro anos – enquanto nós por cá vivíamos o PREC e os anos que se seguiram, ou seja há relativamente pouco tempo.

Se falo deste caso, é porque ele é quase um extremo. Mas a Birmânia, o Laos e até o Vietname, mesmo a Índia que não é dos ricos, não ficam muito atrás: multidões e multidões, com taxas de crescimento de população elevadíssimas, milhões e milhões de crianças e jovens que, até há pouco, olhavam para Oeste com um El Dorado a ser imitado, ou que um dia viriam a alcançar - mesmo se, nalguns casos, através do enviesado modelo do grande vizinho chinês.

Mas, nos últimos doze meses, tudo se alterou no mundo, muito mais do que alguma vez poderíamos ter imaginado. Há um ano, claro que já havia «a crise», mas ainda nos entretínhamos a discutir o cumprimento da lei do fumo e as características dos galheteiros, regulamentados pelo camarada Barroso and friends. Hoje, já nem da ASAE se ouve falar – só da dita crise e dos seus protagonistas.

Mudou tudo, mas infelizmente no pior sentido. Não porque pense que vamos todos acabar em enormes lagos Tonlé Sap deste lado do planeta, nem porque já ninguém ouse, sequer, reivindicar sestas ou feriados adicionais pela morte de um gato. Mas porque a pobreza aí está, nua e crua, onde e quando menos se esperava. Não acreditámos que o capitalismo selvagem nos venceria com o seu falhanço, mas foi o que aconteceu. Vivamos então em estado de alerta porque o mundo não acaba aqui. Mas precisa, mais do que nunca, daqueles que procuram outros modelos e razões para novas esperanças.

(Publicado também aqui)
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Para memória futura (1)


«Por mais activismo político que muitos tenham, e por mais desejos que outros tenham, nas televisões, de ver uma situação incendiária no país, isto não acontecerá.»

José Sócrates, em entrevista à RTP, 18/5/2010
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Entretanto, em Timor


Enquanto nós por cá ainda vamos comendo brioches, chega-me este pedido. Os panos brancos foram há muito recolhidos, as necessidades básicas continuam.

«Estou em Timor a dar aulas na UNTL (Universidade Nacional de Timor Leste) no âmbito de uma colaboração com a ESE do Porto.

Aquilo que vos venho pedir é o seguinte: livros. Não vou dar a grande conversa que é para montar uma biblioteca ou seja o que for, porque não é. O que se passa é o seguinte... não sei muito bem como funcionam as instituições, nem fui mandatada para angariar seja o que for, mas o que é certo é que sou (somos!) muitas vezes abordados na rua por pessoas que desejariam aprender português mas não possuem um livro sequer e vão pedindo, o que é muito bom.

O que é certo é que a minha biblioteca pessoal não suportaria tanta pressão e nem eu, nos míseros 50 quilos a que tive direito na viagem, pude trazer grande coisa para além dos livros de trabalho de que necessito.

Longe, muito longe do admirável mundo novo


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18.5.10

Um enorme TGV


Estava eu em longuíssimas horas de espera num aeroporto, vítima das cinzas do tal vulcão de nome impronunciável e só pensando em aviões, quando o último número da Newsweek me atirou para o mundo dos comboios, mais concretamente para um megalómano projecto chinês: a construção da Nova Rota da Seda. Se é verdade que já tinha visto referências ao assunto, nunca me tinha dado ao trabalho de o conhecer em detalhe.

Trata-se, nada mais, nada menos, do que o plano de ligar dezassete países por linhas de alta velocidade, com mais de 8.000 quilómetros, destinadas a transporte de passageiros e de mercadorias. Está previsto que duas redes partam da China e cheguem à Europa (passando por tudo o que há pelo caminho e que não é pouco!…), com terminais em Londres e em Berlim, e que uma terceira ligue Vietname, Tailândia, Birmânia, Malásia e Singapura.

O velho Império do Meio quer verdadeiramente sê-lo, justificando de novo o seu nome, ultrapassando, a anos de luz, a rede que os ingleses deixaram na Índia (ainda hoje quase lendária, com os seus 16.000 milhões de ferroviários) e o decrépito domínio da Rússia na Ásia Central. Pretende assim mostrar como vê o mundo num futuro próximo, imprevisível e perigoso, e deste modo assegurar ligações por terra, que o tornem menos exposto a eventuais ameaças de outras vias que não domina, como, por exemplo, as saídas marítimas para os seus produtos pelos estreitos de Ormuz e de Malaca.

Os críticos sublinham os custos gigantescos do projecto e acusam a China de vaidade e de extravagância, mas esta responde com argumentos que considera de peso: trata-se de um projecto «verde» (emissões correspondentes a apenas 25% das provocadas por aviões e automóveis) e criador de muitíssimos postos de trabalho, em tempo de crise (110.000 só para a construção do troço Pequim – Xangai).

Mas será que a comunidade internacional vê isto como um win-win project ou como puro mercantilismo de Pequim para proveito próprio? E que dificuldades poderão ser encontradas pelo longo caminho? Se internamente, e também nos países do Sudoeste Asiático, será relativamente fácil dominar a força laboral (por exemplo deslocando grandes populações, como foi feito para a construção da barragem das Três Gargantas), já o mesmo não é previsível na democrática e poderosa Índia.

Concretize-se ou não, a simples existência de um projecto desta dimensão, e vindo de onde vem, é altamente significativa. Relativiza as nossas «enormes» realizações (alô Poceirão, alô Caia!) e obriga a uma revisão definitiva do planisfério que ainda temos nas nossas cabeças: Europa ao meio, com América à esquerda, África por baixo e Ásia à direita? Já foi…

P.S. – O artigo da Newsweek pode ser lido aqui.
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Tudo tem limites, não?


Era minha intenção juntar-me aos que já gozaram o espanhol técnico do nosso PM. Mas, ao ouvir de novo alguns excertos do que tem dito em Madrid, deixei de achar a mínima graça.

Que dance politicamente o tango com Passos Coelho se isso lhe dá prazer – e vê-se que sim -, que fale portunhol se for comer umas tapas com Zapatero na Puerta del Sol. Mas que haja alguém que lhe diga que, apesar de até ser verdade que temos algum jeito para línguas, esse não é certamente o seu caso. Fale portanto português e use tradutores. Porque a figura que anda a fazer, em representação do país, só tem uma qualificação possível: provincianismo. Apesar de tudo, não merecemos tão pouco.


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Não há uma alma caridosa que explique a esta gente que os homossexuais não vão pegar em armas para aniquilar as boas famílias portuguesas?


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17.5.10

Uma cábula útil!



(Clicar para ler)
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Hoje, às 20:15


Cavaco falará ao país. Se se atrasar, é porque ainda anda por aqui.
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Até vem na Wikipedia, dr. Pacheco Pereira


Ontem, em zapping, devo ter visto dois minutos do programa semanal Ponto Contra Ponto (ainda não em linha, até ao momento), precisamente quando JPP se referia, criticando, a uma notícia que tinha classificado o estado do Vaticano como «uma monarquia absoluta».

Acontece que é verdade:

O facto de ser uma monarquia electiva não lhe retira a característica de absoluta, já que o papa concentra os três poderes: legislativo, executivo e judicial. Electiva porque não pode ser hereditária, claro - pelo menos até ver!

P.S: - Já depois de escrever este post, vi que Ricardo Alves se referiu ao mesmo facto no Esquerda Republicana, citando a página oficial do Estado do Vaticano, onde se confirma, expressamente, a característica de «monarquia absoluta» do Vaticano.

(Publicado também aqui)
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16.5.10

Farto


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Lhega quando lhega


...mas lhega.
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Mais um que é de plástico



Mas, pelos vistos, há quem goste.

Além disso: estive uns dias fora do país e verifico agora que, entretanto, foi formalmente criado um governo paralelo do bloco central. Ou houve eleições? Ninguém me disse nada.

P.S. – A ler: Crecimiento o barbarie
«Las dos grandes preguntas a partir de ahora son las siguientes: si los mercados exigen más sangre, como ha pasado en Grecia, ¿habrá nuevas medidas de ajuste sin un estallido social? ¿Hasta dónde se puede llegar en los ajustes sin clausurar por un periodo largo las posibilidades de crecimiento de la vieja Europa?»
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15.5.10

Vuvuzela?



Habituem-se!

(Via Virgílio Vargas no Facebook)

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Nem mirra nem incenso


Nada vi sobre a estadia do papa a Norte, a não ser uma frase que corria em «pé de ecrã» durante o serão de ontem: «Papa quer cadeira em que descansou no Porto». É a que está na foto, aparentemente, e já estará a ser embalada para seguir viagem rumo ao Vaticano.

Feiosa, para meu gosto, entre Moviflor e IKEA, embora certamente mais cómoda do que o trono de S. Pedro para ler o jornal. Mas, em Itália, terra de design por excelência, não haveria outras cadeirinhas primando também pelo «conforto e ergonomia»? Porquê esta? Porquê de Paredes? Uma cunha do dr. Basílio Horta para promover as nossas exportações? Julgo que não: apenas mais uma prenda a juntar ao terço biológico de bugalhos de eucalipto, ao peixe congelado, a compotas, a uma camisola do Benfica e a um quadro de S.Nuno para agradecer a canonização. E, evidentemente, à imagem de S. António, oferecida por Cavaco Silva, na sua persistente cruzada para convencer o mundo de que ele é bem nosso e não das gentes de Pádua.

Faz isto algum sentido? Talvez seja perfeitamente normal que um papa chegue a casa com toda esta tralha , mas confesso que eu trouxe coisas bem mais interessantes na minha mala que veio da Índia e do Butão.

P.S. - Afinal foram duas cadeiras e não uma!
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Sínteses difíceis

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