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29.5.10

Estranheza ou já nem isso


e, logo a seguir, a mais do que óbvia verdade reposta por Chico Buarque:

Um pretexto como outro qualquer para ouvir, pela milésima vez, «Tanto Mar». No dia em que as ruas de Lisboa se encheram – certamente com uma festa já murcha, e não com aquela que o vídeo mostra, mas sem desistências.
300.000? Não contei, mas éramos muitos.




P.S. - Bem a propósito, como recorda Carlos Vaz Marques no Facebook:


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Cohn-Bendit, uma vez mais

Ajuda a reflectir sobre a crise grega. E não só.



Via Ladrões de Bicicletas

Houve alguém aqui que se enganou



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Prazeres de uma manhã de Sábado


O gozo que isto me dá!
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Comentários, para quê


Este anúncio espalhou-se ontem pelo Facebook. Nada leva a crer que seja forjado, muito pelo contrário. Admire-se esta jovem de 27 anos, que, pelo que se lê, nunca deve ter sonhado ganhar tanto, tão cedo.

P.S. - A propósito: hoje há uma Manif em Lisboa.
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28.5.10

Para memória futura (5)


Numa rubrica com este título, este vídeo tem de ficar registado.


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Ainda para assinalar a data


Na mesma onda do post anterior, duas comemorações da «Revolução Nacional» de 28 de Maio de 1926.

Em 1966, por ocasião do 40º aniversário, foram vários os festejos que culminaram com uma sessão soleníssima em Braga.

Foi nesse dia que Salazar, então com 77 anos, viajou pela primeira vez de avião até ao Porto – mandou comprar o bilhete e foi com os outros passageiros, acompanhado apenas pela governanta. (Na foto, a entrar para o avião.)

No discurso que então fez, deixou o país suspenso com uma frase que viria a ficar célebre: «Eis um belo momento para pôr ponto nos trinta e oito anos que levo feitos de amargura no Governo». Mas continuou: «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida em defesa da integridade da pátria».

Adiante porque o povo se consolou, daí a menos de dois meses, com a vitória de Portugal contra a Coreia do Norte, com os tais 5 a 3.

Hoje, em trânsito, ouvi no RCP o discurso de Salazar, em 1936, no 10º aniversário do 28 de Maio - no mês em que foi criada a Mocidade Portuguesa, a menos de dois do início da Guerra Civil de Espanha.
Fui repescá-lo. Ainda hoje me parece familiar - há algo que ficou e nos entrou no ADN. Ou não?


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Deus, Trabalho e Família


Hoje, 28 de Maio, em jeito de comemoração de mais um aniversário da «Revolução Nacional» de 1926, vai ser lançado oficialmente o Movimento Assembleia. «Deus, trabalho e família» serão as suas principais linhas de força (registe-se: «trabalho» em vez de «pátria»), numa revisita actualizada do lema sagrado do nosso fascismo.

Tendemos a encolher os ombros quando surge mais uma iniciativa da «nacionalistas e salazaristas», crentes que estamos no insucesso garantido da extrema-direita em Portugal. Mantenhamos essa fé e alimentemos a respectiva esperança. Mas convém talvez não esquecer que, ao longo da História, tem sido em tempos de crises, por vezes bem menores do que aquela que estamos agora a atravessar, que projectos deste tipo acabam por agregar muitos descontentamentos e outros tantos contidos desesperos.

Enquanto nos digladiamos em questiúnculas quantas vezes sem sentido, outros poderão ir avançando de mansinho. Oxalá se trate apenas de mais um (longo) Manifesto, que está em linha, e do qual extraio algumas passagens que me parecem especialmente reveladoras.

«Recusamos também a falsa dialéctica de Direitas e Esquerdas com que se pretende dividir o pensamento para submetê-lo. Consideramos que existem apenas governos consensuais e conflituosos. (…)

Consideramos que as democracias geridas pelos Partidos Políticos têm sido insuficientes e ineficazes, voluntária ou involuntariamente, e impotentes para resolver os problemas angustiantes da pobreza e do desemprego. (…) Em resumo, as democracias partidárias não só não têm vocação para erradicar a pobreza como a têm apresentado de modo crescente. (…)

Para nós a família é a única fonte de conservação e desenvolvimento natural da espécie humana, unicamente entendida pela união de dois seres de género diferente com viata à natural perpetuação da espécie. (…)

Não podem existir interesses opostos de patrões e operários. Deve existir a colaboração pacífica e solidária entre os elementos da produção, para que todos contribuam para a prosperidade colectiva. (…)

Não rejeitamos o trabalho estrangeiro em empresas portuguesas. Apenas não o legitimamos havendo portugueses desempregados. (…)

Deve ser restabelecida a disciplina que o liberalismo anarquizou, não se justificando nem a greve nem o «lock-out». (…)

Num país de raiz Católica Apostólica Romana, reconhecemos Deus como fonte de toda a razão e justiça, e seguimos a doutrina social da Igreja de matriz Cristã.»

(Notícia aqui)
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27.5.10

Para memória futura (4)


« L'Europe a besoin de solidarité, d'empathie. Pas d'une austérité qui va faire bondir le chômage et amener la dépression. (…) Elle veut un plan coordonné d'austérité. Si elle continue dans cette voie-là, elle court au désastre. Nous savons, depuis la Grande Dépression des années 1930, que ce n'est pas ce qu'il faut faire.»

Joseph Stiglitz, Le Monde, 22/5/2010
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Pergunta que me persegue


O que pensarão daqui a alguns anos estas meninas que ouvem hoje, numa escola do Butão com os Himalaias em pano de fundo, que o importante é sorrir e que o seu país será sempre medido pelo índice de Felicidade Nacional Bruta?
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É mesmo de um trilema que se trata


O Daniel Oliveira publicou agora, no Arrastão, o texto da sua crónica no último número do Expresso. Sem alaridos nem populismos, e de um modo claro e sem floreados, toca em aspectos essenciais do que está verdadeiramente em causa na questão grega – e portuguesa e espanhola e europeia.

A ler na íntegra, aqui ficam apenas estes excertos:

«Num recente artigo, o economista Dani Rodrik resumiu, através de um trilema, as lições a tirar da crise grega: a democracia, a globalização económica e o estado-nação são incompatíveis. Só podemos ter dois destes factores em simultâneo. Se queremos democracia e estado-nação precisamos de proteccionismo. Se queremos democracia e globalização económica precisamos de governo global. Se queremos estado-nação e globalização económica precisamos de governos com mão forte e cidadãos com espírito dócil. É nesta tensão que temos vivido desde o início do século XXI. 

Olhando para o que se passa na Grécia e ouvindo o discurso sacrificial e socialmente autista que domina o debate político português percebemos que se conta com a ausência do terceiro factor do trilema – a democracia – para ultrapassar a crise. (…) Resta-nos, como cidadãos, recusar esta chantagem, obrigando a Europa e os governos a escolherem um caminho: ou a soberania democrática dos europeus, ou soberania democrática dos cidadãos nacionais. Mas nunca a soberania dos mercados.»
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25.5.10

E?


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Abraço de urso – mas que o urso não seja negro porque esse é perigoso


Ia comentar este parágrafo de um texto de Tomás Vasques quando vi que João Tunes se tinha adiantado. Escreve o primeiro:

«O pior que podia acontecer a Manuel Alegre é o apoio do PS à sua candidatura: perde as eleições e é o responsável pela reeleição de Cavaco Silva. O PS, no Domingo, através da Comissão Nacional, vai dar o abraço de urso a Manuel Alegre. »

Tarefa simplificada pelo João, portanto, porque ia precisamente contra-argumentar, insistindo no que tenho vindo a pensar e a escrever nos últimos dias: tudo levando a crer que a direcção do PS acabará por apoiar a candidatura de Manuel Alegre, que se mantenha o mais longe possível porque, desse modo, «Alegre ganha espaço político para a mobilização e batalha política presidencial. Assim a esquerda, que até hoje só perdeu uma eleição presidencial, traga o movimento e a campanha de dentro das igrejas e das suas sacristias, para o adro do povo que sofre o centrão prolongado que se alimenta de uma sociedade desigual em perpétuo acentuar das desigualdades.»

Espere-se portanto que, no Domingo (não no Sábado, afinal, talvez para não ofuscar a manif…), Sócrates «toque e fuja» - para tão longe quanto imaginar se possa.

(Na foto: um simpático urso negro, perto de Luang Prabang, Laos)

(Publicado também aqui)
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Para memória futura (3)


Já bem presente, neste caso:

«O problema, que a crise mundial tornou mais cruel, tem dez anos e nunca foi encarado de frente. Nos dias do deslumbramento da Expo-98 e do crescimento que parecia ilimitado, os governos de Cavaco e de António Guterres fizeram opções que ainda hoje condicionam a nossa vida. Cavaco Silva aprovou o Novo Sistema Retributivo da Função Pública, que na década seguinte implicou um crescimento na ordem dos dez por cento ao ano dos custos do pessoal do Estado. Nos anos de Guterres, a função pública foi engrossada com mais 50 mil funcionários. Entre 1995 e 2005, Portugal foi o país da Europa onde a despesa pública mais cresceu (6,9 por cento).»
Público
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24.5.10

Dúvida existencial


Será que alguém me pode explicar como é humanamente possível não torcer, ou pelo Brasil ou pela Coreia do Norte, na próxima etapa do campeonato do mundo (para além de Portugal, claro)? Agradecida.

«Eu não faço a escolha entre o Brasil e a Coreia do Norte. (…) É-me indiferente.» - Jerónimo de Sousa, ontem, na parte final da entrevista à TSF

Já agora, para possíveis interessados: no Facebook, há um grupo de «Fãs da Selecção de Futebol da República Democrática Popular da Coreia».
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Quase no tempo delas


Não sei se por pura coincidência ou se nem tanto assim, há quem ande por aí a falar de cerejas e de cerejais. E já que elas, as cerejas, têm fama de ser como as palavras, que palavras leva-as o vento, e que este sopra quase sempre de onde mais se espera, fica a música que mais ordena.


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Cunhal revisitado por Carlos Brito

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Hugo & Raúl


Trabalham na Venezuela 15.000 médicos cubanos, 1.500 já terão desertado – lê-se hoje em El País, um jornal ao serviço exclusivo de Rádio Miami, como é sabido.

Ou talvez não:
«Los médicos cubanos que trabajan en Venezuela viven en 30 metros cuadrados. Es lo que mide la segunda planta de los módulos de Barrio Adentro, donde duermen, cocinan y van al baño hasta cuatro cubanos a la vez (…) Unos se vigilan a otros, y uno los vigila a todos. Cada cubano debe volver a "casa", si acaso salió de ella, antes de las seis de la tarde. Si un "compatriota" venezolano invita a alguno a dar una vuelta por el barrio, debe pedir permiso con semanas de antelación, a través de un acto motivado en el que, quien convida, debe explicar el propósito y la duración de la actividad.»
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23.5.10

Há 76 anos

Em 23 de Maio de 1934, foram assassinados Bonnie Parker and Clyde Barrow



Para memória futura (2)


«Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um.»

Cavaco Silva, 17/5/2010
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Uma ajuda ao PEC


Algures no Butão, num modestíssimo restaurante.
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