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24.7.10

Enquanto a Europa conta cisnes


Um relatório da OCDE, publicado há poucos dias, revela que a actual crise económica provocou uma diminuição de 6% no fluxo de imigrantes em 2008 (não é o caso para Portugal, onde os números são equivalentes aos de 2007), mas sublinha a necessidade de evitar que esta tendência, que se manterá no curto prazo, faça esquecer que esses imigrantes são indispensáveis para o crescimento e a prosperidade futuros. Daí ser necessário, por exemplo, que não haja descriminação no tratamento de desempregados comparativamente com os nativos e que não se poupem esforços para a integração de todos, nomeadamente ao nível do ensino da língua local. (Isto pensando apenas no interesse dos países que recebem...)



Apesar da diminuição da imigração em termos gerais, registe-se que não é o caso para todas as proveniências. Em 2008, a China contribuiu com 10% de todos os novos imigrados em países da OCDE – mais de 100.000 só em países europeus (número com tendência para crescer).

Não é fácil perceber como vai evoluir tudo isto, em conjunto com taxas altíssimas de desemprego e cortes drásticos de despesas para minorar deficits. Depois das flores de plástico, luzes apagadas e salões alugados em ministérios franceses, a ordem de poupança chegou agora à majestosa corte britânica. Isabel II já terá vendido uma pequena casa de campo por 1,2 milhões de euros, mas, enfim: entre os 1.400 empregados da casa real, talvez se arranje um posto de trabalho para um chinês como «contador oficial de cisnes». Mais difícil (ou talvez não…) será pô-lo a tocar gaita-de-foles, todas as manhãs, debaixo da janela da rainha.

Estranho mundo, este, que fomos «civilizando» para chegarmos ao ponto em que estamos. Nem um polvo teria sabido prever isto há dez anos, nenhum adivinhará como será daqui a vinte. Uma coisa parece certa: nada será como dantes.
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Qual 24 de Julho?


Morei durante toda a minha infância na Av. 24 de Julho – na antiga Lourenço Marques, entenda-se.

O nome da rua deveria celebrar o dia em que Patrice Mac-Mahon presidente da França, declarou, em 1875, que a Ilha da Inhaca (e a dos Elefantes) era território moçambicano e, portanto, português, numa acção de arbitragem entre o governo britânico e o de Lisboa. Mas suspeito que vivi nove anos a comemorar a entrega de Lisboa ao Duque da Terceira, em 24 de Julho de 1833,  pelo Duque de Cadaval, antigo primeiro-ministro do rei D. Miguel.

Enquanto aprendia todos as estações e apeadeiros da Linha do Norte na «Metrópole», ouvia falar do frio no Natal e fazia redacções sobre as latadas no Douro.

(Foto: Inhaca, 2002: os melhores caranguejos do mundo)
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Num outro formato


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23.7.10

Um triste encerramento


O Sindicato dos Jornalistas publicou há dois dias uma exposição sobre o processo de despedimento colectivo de que são alvo 36 trabalhadores do Rádio Clube Português, enviada pelos visados aos diferentes grupos parlamentares.

Deixando de lado as questões de índole laboral, importa sublinhar que se calou uma insituição que, para além de toda a sua história (que começou nos anos 30 do século XX), iniciou um projecto de grande qualidade em Janeiro de 2007, sob a direcção de Luís Osório. Pretendeu-se então fazer uma «rádio de palavra», com forte conteúdo informativo, ao arrepio de todas as tendências de populismo e de facilidade. A subsituação do director, em Julho de 2009, foi um primeiro alerta, o anúncio do encerramento, um ano mais tarde, a má notícia que já se esperava.

Como muito bem sublinha Daniel Sampaio, em texto publicado na revista Pública e que reproduzo do fim deste post, «O RCP morreu às mãos da estratégia economicista, que esmaga tudo o que não é depressa rentável, ou que destrói o que não dá lucro fácil e, sem esforço, se pode substituir por algo descartável: resta saber se deste modo se vai corrompendo o que deveria ficar para o futuro, porque é de memórias tranquilas e pensadas que garantimos a nossa sobrevivência.»

Este facto não me toca apenas como cidadã e como ouvinte. Conheci um pouco a casa por dentro, a simpatia e o profissionalismo de quem mantinha a «chama viva», porque fui várias vezes convidada para emissões do RCP - em três delas para falar de blogues e nunca esquecerei a primeira, em Março de 2008, quando a Shyznogud e eu fomos entrevistadas por Ana Sousa Dias. Havia muita qualidade por aqueles estúdios, que a pouco e pouco foi minguando até se calar. Será a vida. Mas não devia ser.

O choro dos políticos

«Já político que pode dizer, como Lula fez na entrevista, que os empresários brasileiros "nunca tiveram a quantidade de obra que têm agora" pode chorar. Que pode dizer que herdou expectativas que diziam que "a sua roça não vai dar nada, não vai plantar", e acaba no sucesso, internacionalmente reconhecido, em que "a planta brota, cresce, e eu tou colhendo", pode chorar. O Brasil, eterno país do futuro, eram décadas de promessas não cumpridas, em que, na melhor das hipóteses, o balanço era cínico: "Roubo mas faço" (foi anúncio de um governador paulista, década de 1950). Lula pode dizer melhor: "Choro mas fiz." Na entrevista, disse também: "Eu vou entregar um outro país." E vai mesmo.»
Ferreira Fernandes, hoje no DN.


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A Igreja e a crise – «parolas»…


Há sugestões de todos os tipos para minorar os males: uns, mais cruéis, sugerem 20% de redução nos salários dos funcionários públicos. Outros, mais piedosos, sugerem que os mesmos 20% saiam dos bolsos dos políticos católicos.

Nada contra se o apelo do bispo Carlos Azevedo for acolhido por aquelas senhoras que são deputadas independentes pelo PS, pelo dr. Cavaco Silva ou mesmo por José Manuel Pureza – é lá com eles. Mas que tal uma decisão, bem mais rápida e eficaz, no sentido de iniciar o desejado Fundo Social com 20% do rendimento anual do Santuário de Fátima? Não disponho de números, mas estou certa de que seriam arrecadados muitos, muitos euros, bem mais do que o somatório de todos os sacrifícios dos crentes de boa vontade. E os peregrinos que oferecem anéis ou compram velas estariam certamente dispostos a compreender o «desvio de fundos».

P.S. - Vai longa a discussão no Facebook, ilustrada sonoramente pela Shyz:


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22.7.10

Eu e a festa da Atalaia


Só me dão razões para nunca ter sido deste partido:

Bem experimentei, estive lá há dois anos, não tenciono voltar e não reconheci nada do que acima é descrito. Problema meu, obviamente.
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Daqui a um Mês (4) – Ulan Ude


23/8 - Última paragem antes de entrar na Mongólia: Ulan Ude, capital da República da Buriácia, fundada pelos cossacos em 1666. No limite entre o Ocidente e o Oriente, transformou-se rapidamente em importante centro comercial, dada a situação privilegiada entre a Rússia, a Mongólia e a China. Nela se encontra (ainda, ao que parece) uma estátua com a maior cabeça de Lenine jamais construída…
Para quem sabe «tanto» como eu sobre a dita República da Buriácia:


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Alucinações turísticas


Tresli hoje uma frase - «Ernesto Farías: Três anos no Cruzeiro» -, trocando o «no» por «num» e precipitei-me em busca da descrição da aventura (sim, já li o anúncio de um cruzeiro que dura três anos).

Afinal, trata-se apenas de não sem quem do FCP que vai jogar futebol para não sei onde no Brasil…
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Amnistia Internacional, CPLP, Guiné Equatorial e Luís Amado


«A Amnistia Internacional Portugal está a promover uma concentração para exigir respeito pelos Direitos Humanos por parte da Guiné Equatorial e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Junte-se a nós!
Dia: Quinta-feira, 22 de Julho
Horas: pelas 17h00
Local: frente à sede da CPLP, Rua de S. Caetano à Lapa, n.º 32, Lisboa

Na VIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) que vai decorrer no dia 23 de Julho de 2010, em Luanda, Angola, será apreciada a candidatura da Guiné Equatorial a membro de pleno direito desta Organização.

Tendo em conta que todos os Estados-Membros da CPLP estão, por força dos respectivos Estatutos [Artigo 5.º n.º 1 e)], vinculados aos princípios que a rege (“Primado da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, dos Direitos Humanos e da Justiça Social”) terão que garantir que os candidatos a membros de pleno direito os cumpram.

A Amnistia Internacional – Portugal, insta todos os Estados-Membros da CPLP a apenas aceitarem a integração da Guiné Equatorial como membro de pleno direito perante o compromisso cumulativo e expresso por parte da Guiné Equatorial de:

1) Suprimir a pena de morte, com moratória imediata;
2) Cessar a tortura e as detenções extrajudiciais levadas a cabo pelos órgãos do Estado;
3) Proceder à libertação imediata e incondicional dos Prisioneiros de Consciência: Gerardo Angüe Mangue, Cruz Obiang Ebele, Emiliano Esono Micha, Gumersindo Ramírez Faustino, Juan Ecomo Ndong, Marcelino Nguema e Santiago Asumu e daqueles que estão nas mesmas condições.»

Os Direitos Humanos em causa num país afectam todos os outros! Junte-se a nós por um mundo mais justo!

Entretanto, tudo parece ir no sentido de Portugal votar favoravelmente, amanhã, o pedido de adesão plena da Guiné Equatorial à CPLP. Em Luanda, Luís Amado disse ontem à Lusa que «não é difícil perceber as razões pelas quais um país com as especificidades históricas e geopolíticas da Guiné Equatorial procura aproximar-se de uma organização como a CPLP», que o assunto «vai ser tratado com naturalidade e bom senso» e «sem dramatização».

P.S. - A ler: Rui Tavares, A petrofonia
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21.7.10

Le 21 Juillet


Porque depois de Portugal, de Moçambique e da língua portuguesa (sem a Guiné Equatorial), a Bélgica é também um pouco a minha pátria, assinalo a seu «10 de Junho», não vá dar-se o caso de ser um dos últimos…

Não terá faltado pompa e circunstância, ontem à noite, numa festa em que bailaram 15.000 pessoas, nem o discurso do rei (a alegria em pessoa, como se sabe…), nem a família real em peso, na tribuna de honra, durante desfiles civis e militares.

Logo pela manhã, os reis e comitiva assistiram ao tradicional Te-Deum na catedral de Saint-Michel et Gudule, em Bruxelas (apesar de falhadas tentativas laicizantes), estiveram presentes os representantes do governo federal demissionário, o pré-formador daquele que se seguirá, aquele senhor que preside ao Conselho Europeu (pronto, hoje faço copy/paste: Herman Van Rompuy) e, claro, «notre Barrosô». O hino europeu foi cantado antes da Brabançonne e as festas continuarão pela noite fora. Tudo como deve ser, portanto.

A Bélgica preside à União Europeia durante este semestre, parece feliz embora vá ter de novo eleições (está mais do que habituada…) e, mesmo sabendo que a sua dívida pública é superior a 100% do PIB, a crise parece adiada. Flamengos e valões sabem que nunca se entenderão apesar de terem em comum o lema «A união faz a força», o Verão tem estado muito quente, a Grand Place deve continuar lindíssima, jamais desaparecerá o cheiro paradisíaco das boulangeries / patisseries e haverá sempre moules aux frites «Chez Léon».(Ou seja: estou cheia de vontade de ir a Bruxelas.)

E claro que nunca, mas nunca, haverá um 21 de Julho sem que se pense em Jacques Brel.


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Daqui a um mês (3) – Lago Baikal


Dizem-me que 21 de Agosto corresponderá a um dos mais pontos altos da viagem, com a chegada a Listvyanka (foto), nas margens do Lago Baikal, o mais antigo (25 milhões de anos), o mais profundo (1.680 metros) e com maior volume de água doce no mundo (20% da totalidade).

Escondido atrás de montanhas, só foi descoberto com a construção do Transiberiano, em 1902, gela durante cinco meses por ano e chamam-lhe as Galápagos da Rússia pelo número de espécies animais e vegetais que por lá existem.



Atravessá-lo-ei de barco até Port Baikal, onde subirei de novo para o comboio – rumo à Mongólia.

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Em verdade vos digo (3)


«El olvido, como el perdón o la memoria, corresponde al patrimonio de cada uno. Pero los olvidos oficiales son malos consejeros y a lo largo de la historia se ha comprobado. Las heridas, para que sanen, y antes de ser suturadas, tienen que ser limpiadas.»

Baltasar Garzón, El País, 21/7/2010
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O PSD e a PIDE



Há apenas cinco anos (2005), a VII Revisão Constitucional manteve a lei. Alguma razão para ser agora eliminada? Ainda não ouvi quem quer que seja perguntar, mas eu gostava de saber a resposta.
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20.7.10

Daqui a um mês (2)


Não tenho feito o trabalho de casa e sou obrigada a saltar alguns dias para «apanhar» o percurso previsto. De hoje a um mês estarei já na Sibéria oriental, mais concretamente em Irkutsk.

Leio que tem lindíssimas casas de madeira, como parece ser de facto o caso.

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Ainda sobre o livro de Mário Brochado Coelho e a Cooperativa Confronto


Como tinha anunciado, a sessão de lançamento teve lugar ontem, no Porto.
Apenas um apontamento. Absolutamente notável o número de pessoas que estiveram presentes, em sessão nocturna de tempo de férias: bem mais de 100, não muito menos do que 150, pelas minhas contas. O grande peso na audiência era de protagonistas da vida da Cooperativa, descrita e exaustivamente documentada no livro: uma espécie de nova reunião de sócios quarenta anos mais tarde, a que só faltaram os agentes da PIDE (sempre disfarçadamente presentes no passado, como é sabido…).

Junto ao resumo feito pelo autor, que já transcrevi, uma mensagem que Nuno Teotónio Pereira, impossibilitado de estar presente por motivos de saúde, me fez chegar e que ontem li. Também alguns excertos do Prefácio do livro, que me serviram de base à apresentação que fiz do mesmo.

Por ocasião do lançamento do livro sobre a Cooperativa Confronto

Numa altura em que se tornavam cada vez mais nefastos os efeitos da ditadura, que a guerra colonial não cessava de agravar, os portugueses viam-se impedidos de discutir todos os seus problemas, devido a uma implacável censura à imprensa e à vigilância e repressão da polícia política.

Foi neste contexto que surgiu a ideia de ampliar a acção das cooperativas no sentido do debate sobre estas situações.

O Cooperativismo tinha algumas fortes raízes em certos meios, um pouco por todo o país. Basta lembrar a centenária Cooperativa dos Pedreiros Portuenses. Pelo facto de se dedicar apenas a tarefas de carácter económico (ao contrário do que acontecia com todo o tipo de associações), as suas organizações eram dispensadas de verem os respectivos Estatutos e Corpos Sociais aprovados pelo Governo. Foi esta circunstância que possibilitou a promoção de acções e debates, no âmbito do Cooperativismo, desfrutando de uma certa liberdade.

No Porto, a exemplo do que já acontecera em Lisboa com a cooperativa Pragma, foi criada a “Confronto”, animada por uma forte determinação em romper a muralha de silêncio que a ditadura impunha. Foi neste âmbito que tive a oportunidade de participar num debate sobre a gravidade da situação habitacional em que viviam as classes trabalhadoras.

É a história deste movimento que nos conta a presente publicação, para que não fique esquecida nas brumas do passado, pois as suas corajosas acções e iniciativas muito favoreceram a eclosão do 25 de Abril.

Nuno Teotónio Pereira, Lisboa, 19 de Julho de 2010

Havemos de ir longe!...


Leio e duvido:
«Sobre a prova de ontem [12º ano], a SPM [Sociedade Portuguesa de Matemática] recorda que foi feita por alunos que se vão candidatar a cursos superiores de Ciência e Tecnologia e considera não ser aceitável que uma das questões colocadas (item 1 do Grupo I) seja "acessível até a alunos do 2.º ciclo". Neste item perguntava-se aos alunos quantas bolas roxas podiam existir numa caixa, sabendo-se que nesta existem também oito bolas azuis e que, extraindo-se, ao acaso, uma bola da caixa, a probabilidade desta ser azul é igual a 1/2.» (Realce meu.)

Confirmo, pág.5:
1. Uma caixa contém bolas indistinguíveis ao tacto e de duas cores diferentes: azul e roxo.
Sabe-se que:
• o número de bolas azuis é 8
• extraindo-se, ao acaso, uma bola da caixa, a probabilidade de ela ser azul é igual a 1/2
Quantas bolas roxas há na caixa?
(A) 16 (B) 12 (C) 8 (D) 4

Só para o caso se alguém não saber (com pedido de desculpa, claro): a resposta certa é 8!!!!!!

Com dedicatória a gerações e gerações que sofreram por causa do problema das torneiras que enchiam tanques, que o velhinho livro do Palma Fernandes incluía, julgo, no volume destinado ao actual 9º ano.
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Em verdade vos digo (2)


«Não é o tabaco que a gente consome. A gente fuma é a tristeza».

Mia Couto
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19.7.10

Daqui a um mês (1)


Já terei estado em Kazan, capital do Tartaristão, oitava maior cidade russa, onde se encontram o Volga e o Kazanka. Terá sido a primeira paragem do Transiberiano. A ver vamos…


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Em Cuba, nada de novo?


Falo de Cuba quase todos os dias e continuarei a fazê-lo. Interessa-me tudo o que vai acontecendo, ou não, para além do mediatismo da chegada a Madrid dos expatriados, emigrantes à força, desterrados, ou o que se pretenda chamar-lhes, engravatados à pressa, justificadamente aliviados mas também inevitavelmente inquietos.

Porque, em Havana, literalmente com a corda na garganta, «a derrocada económica e social é de uma tal dimensão que resta apenas ao regime a solução de introduzir reformas imediatamente» e a libertação dos presos terá sido «uma jogada política» indispensável «para enfrentar o problema de 1.300.000 trabalhadores (cerca de 30% da população activa) que estão a mais nos seus postos de trabalho». Como? Aparentemente, entre muitas outras medidas, ampliando o trabalho por conta própria e a «cooperativização» de alguns serviços e reduzindo subsídios e custos sociais.

Para que isto, e muito mais, seja possível, é necessária a colaboração do exterior, ou seja que outros, como a União Europeia, acreditem no carácter genuíno da libertação dos presos como início de uma verdadeira democratização do país, o que, pelo menos para já, não é o caso. Apesar dos esforços de intermediação da Espanha para que seja alterada a Posição Comum que, desde 1966, condiciona as relações com Havana, países como a Alemanha, a França, a República Checa e a Suécia mantêm-se renitentes e está longe de estar garantida a unanimidade exigida para a alteração necessária. Esperam para ver a evolução dos acontecimentos e pretendem analisar detalhadamente toda a informação sobre os mesmos.

Entretanto, Fidel reaparece em público, visita aquários e dá uma entrevista mais ou menos fantasmagórica a Cubavisión (vi em directo) sobre os perigos de uma guerra nuclear iminente, causada por um ataque dos Estados Unidos ao Irão…

Fontes (1) e (2)
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Where are you?


What’s happening? (Twitter) ou What’s on your mind? (Facebook) têm os dias contados? Talvez, anuncia-se, porque vem aí Where are you? (Foursquare).

«O futuro da rede, dizem os especialistas, passa pelo móvel e as redes sociais que apostam na geolocalização poderão tornar-se indispensáveis nos próximos tempos.»

Quanto a este tipo de modernices, há muito que deixei de dizer «jamés», mas o que leio do Foursquare não me fascina, apesar de declararem que é «viciante». Pelo que entendo, até dá descontos em cafés, prémios de visitantes frequentes em museus, acumulação de crachás em bares, é mesmo possível chegar-se a «dono virtual» do espaço. Importam-se de repetir?

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Confronto – Lançamento


Logo à noite, estarei no Porto, nesta sessão de lançamento. Para além de apresentações muito informais, terá lugar uma discussão que não pode deixar de ser importante para quem se interessa por estas «bizarrias» que são, para tantos, as questões ligadas à memória do fim da ditadura – neste caso a Norte.
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18.7.10

Nova esquerda chinesa?


Confesso que me perdi na tentativa de entender cabalmente um longo texto publicado no «Passa Palavra», mas fica a referência para quem quiser entrar nos meandros das distinções entre as três principais tendências: «marxismo humanista», «neomaoísmo» e «social-democracia». Good luck!
«China: que alternativas? A Nova Esquerda chinesa»
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Burqa? Niqab?


O que me preocupa é que há quase 200 países no mundo, nem sonho quantos ainda se lembrarão de proibir burqas e niqabs e os teclados de uns tantos bloggers da nossa praça nunca mais terão sossego.

Há cerca de um ano, deu-se o mesmo fenómeno, exactamente com os mesmos argumentos (inevitável como o destino…) e pelos mesmos motivos: a questão, agora decidida, estava a ser discutida em França. Falta de assunto? Coisas da silly season, talvez.

P.S. – E para que não venham (pelas alminhas…) perguntar qual a minha posição, remeto para um post de 20/6/2009, que posso resumir nesta opinião que não foi entretanto alterada:
«Mas não deixa por isso de ser verdade que se trata de um fenómeno que, embora marginal, traz consigo a marca de um fundamentalismo do qual as mulheres continuam a ser as principais vítimas e que fazê-las quebrar esse cerco é certamente um dever das sociedades que as acolhem.»
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Impotência da esquerda europeia


Num texto sobre a «crise» (mais um…), publicado em El País de ontem, Sami Naïr põe o dedo numa ferida evidente, de um modo tão simples que pareceria quase inútil citá-lo, mas tão importante e urgente que mais vale correr o risco de pecar por excesso de zelo. «Impotência» parece, de facto, a expressão adequada para o que está em causa.

«Lo más grave es ver cómo se extiende la impotencia de la izquierda europea. Podíamos haber esperado, por ejemplo, una iniciativa común de los sindicatos europeos, una acción coordinada, aunque hubiera sido simbólica, para reafirmar la solidaridad de condición de los asalariados y desempleados ante las duras restricciones que padecen. Pero nada. Podíamos haber esperado que los intelectuales de izquierda se lanzaran a la batalla. Pero nada. Impera el silencio. Es el grado cero de la izquierda política e intelectual europea. (…)

Pero también sabemos que la crisis económica no se resolverá rápidamente, y que nos esperan días difíciles. Ha llegado la hora de que la izquierda europea se recomponga y sobre todo que haga propuestas que no sean solo insustanciales y tímidas adaptaciones a las medidas tomadas por los grandes centros financieros. Propuestas realistas y socialmente progresistas para modernizar las relaciones sociales y convertirse en una alternativa creíble, movilizadora, frente a las derivas de un sistema económico exclusivamente dedicado al culto del beneficio y de la especulación financiera. Si la izquierda europea quiere oponerse de verdad a este sistema globalizado que ha logrado dividir como nunca a los asalariados, debe aprender a trabajar y actuar solidariamente a escala europea.»

(Fonte)
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Em verdade vos digo (1)


«El término “revolucionario” tiene en la Cuba actual un significado bien distinto al que encontraríamos en cualquier diccionario de la lengua española. Para merecer semejante epíteto basta con mostrar más conformismo que sentido crítico, optar por la obediencia en lugar de la rebeldía, apoyar lo viejo antes que lo nuevo.»

Yoani Sánchez, 15/7/2010
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