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31.8.10

Algures na Dalmácia


Mais vale evitar adjectivos para qualificar Dubrovnik, sob pena de se entrar no universo de triviais superlativos. No mínimo, ça vaut le déplacement, como aconselhavam os velhos guias Michelin. A cidade velha é única no seu género, o Adriático, as ilhas, os barcos e a paisagem agreste completam um cenário absolutamente fabuloso, num dia com uma temperatura mais do que paradisíaca (esta é mesmo só para fazer inveja…).

Quanto ao resto, nós que só temos por perto nuestros hermanos, nunca conseguiremos realizar o inferno de países como este, com toda a História rodeada por tantos vizinhos – e, neste caso, que vizinhos! Só uma nota, o resto fica para mais tarde: tudo quanto foi destruído nesta cidade, há menos de vinte anos, já está de pé, mas com marcas de «modernidade»: 80% dos telhados das casas são recentes (realidade bem evidente vista do teleférico em que hoje andei), o que é bem revelador do grau da devastação provocada pelos acontecimentos do início da década de 90.

Amanhã sigo para Split. Desta primeira etapa, last and least, mas cada vez mais raro por esse mundo fora, café expresso a cada esquina e cinzeiros nos quartos do hotel…



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30.8.10

Vou ali e já venho


Só uma semanita, escapando aos primeiros dias da rentrée por cá… Posts sim, mais do que provavelmente, mas um pouco a leste – no sentido estrito da palavra e não só.
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Nem tinham ficha na polícia



Para além disso:
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Irão - Factos e números

(Foto: Rasht, no Irão, juntou-se ao Protesto das 100 cidades por Sakineh, no dia 28 de Agosto)

Documento lido no Largo Camões em Lisboa, no dia 28 de Agosto

Desde a criação da República Islâmica do Irão, em 1979, milhares de prisioneiros têm sido executados, muitos na sequência de julgamentos sumários e injustos. De acordo com os dados oficiais fornecidos pelos vários países, que em muitos casos subestimam largamente o número de executados, a República Islâmica do Irão é o segundo país do mundo que mais prisioneiros executa, só suplantada pela República Popular da China. Segundo dados compilados pela Amnistia Internacional, em 2009 a República Islâmica do Irão admitiu ter executado 388 pessoas. Estes números representam apenas uma pequena parcela da realidade. Segundo activistas dos direitos humanos com fontes no Irão, só na prisão de Mashad estarão neste momento 2100 pessoas no corredor da morte, tendo surgido rumores que já este mês terão sido executadas cerca de 300 pessoas no mesmo dia.

A República Islâmica do Irão é em todo o mundo o país que executa mais menores de idade. Cerca de 2/3 de todas as execuções de menores a nível mundial têm lugar na República Islâmica do Irão. Estima-se que haja actualmente cerca de 120 menores nos corredores de morte das prisões iranianas. Tudo isto acontece apesar de a República Islâmica do Irão ter ratificado a Convenção dos Direitos da Criança em 1994. Nesta convenção, o artigo 37, alínea a), estipula que nem pena de morte nem pena de prisão perpétua sem possibilidade de remissão podem ser aplicadas a menores de 18 anos de idade. Na prática o que a República Islâmica do Irão costuma fazer é manter os menores na prisão e executa-os assim que eles atinjam os 18 anos de idade.

Já em relação à pena de morte em geral, a República Islâmica do Irão não entra em subterfúgios. Em 18 de Dezembro de 2008, votou contra uma resolução das Nações Unidas que apelava a uma moratória na aplicação da pena de morte.

29.8.10

Voando sobre um ninho de cucos


Um filme absolutamente fabuloso que não me sai da cabeça desde ontem, quando comecei a ler certos blogues, de esquerda e de direita, sobre o Protesto a favor de Sakineh Ashtiani.
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Uma cidade mágica






A ler.
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No rescaldo do Protesto por Sakineh Ashtiani


Comunicado lido em todas as cidades que participaram

Em Agosto de 2010, 111 cidades de todo o mundo manifestam-se para protestar contra a prática bárbara da lapidação, assim como para salvar a vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani no Irão. Este dia será recordado nos anais da Humanidade como uma manifestação do protesto, ao longo das semanas anteriores, de milhões de pessoas em todo o mundo contra a lapidação como a forma mais hedionda de crueldade medieval. É uma vergonha para a Humanidade que, no final da primeira década do século XXI, a lapidação seja ainda praticada no Irão e em outros países islâmicos. Nós, os cidadãos das 111 cidades, declaramos aqui enfaticamente que esta nódoa tem de ser imediata e definitivamente removida da face da Humanidade.

Neste dia, protestamos igualmente contra o regime de lapidação no Irão. Este regime, ao longo dos seus 31 anos de existência, cometeu genocídio, estabeleceu um regime de apartheid sexual no Irão, e tornou em lei o encarceramento, a execução, a tortura e a violação de prisioneiros políticos e as regras da Sharia islâmica pré-medieval. Este regime não é representativo do povo do Irão. É o seu assassino, e os seus dirigentes têm de ser levados a julgamento em tribunais internacionais pelos seus crimes contra a Humanidade.

Este protesto internacional de 28 de Agosto é ainda outra manifestação da solidariedade das pessoas de todo o mundo com o povo do Irão, que se tem erguido heroicamente para derrubar o regime de lapidação, o código Islâmico de castigo do "olho por olho, dente por dente" - (Qesaas) -, o Hijab, a tortura, a execução. Nós, os cidadãos de 111 cidades de todo o mundo, declaramos com orgulho que nos consideramos os porta-estandartes da frente universal da humanidade contra a barbárie. Apoiamos as lutas do povo do Irão contra um dos mais cruéis regimes na história da Humanidade. Declaramos enfaticamente, em nome do mundo civilizado, que o caminho para a libertação do povo Iraniano não passará por ameaças ou acção militar contra o país, mas pelo afastamento do regime da República Islâmica pelo poder da luta do povo no Irão e em todo o mundo.

São estas as nossas exigências em 28 de Agosto de 2010, em 111 cidades de todo o mundo:

1 - A liberdade imediata e incondicional de Sakineh Mohammadi Ashtiani e de todos os outros prisioneiros no Irão condenados a ser apedrejados até à morte.

2 - A abolição da lapidação no Irão e em todo o lado. Exigimos que as Nações Unidas adoptem urgentemente uma resolução específica proibindo a lapidação como uma prática desumana em todo o mundo.

3 - O não reconhecimento do regime Islâmico de lapidação no Irão como o governo desse país e assim bani-lo de todos os corpos internacionais.

4 - Levar a julgamento os executantes da lapidação. A lapidação é uma das formas mais abomináveis de crime contra a Humanidade. Qualquer indivíduo, grupo, organização ou estado executando a pena de lapidação deve ser acusado e julgado por tribunais internacionais.

Continuamos a nossa luta até conseguirmos todas estas exigências. Como primeiro e imediato passo em direcção a esse objectivo, exigimos que Mahmood Ahmadinejad, o presidente do regime de lapidação, seja impedido de entrar na Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro de 2010.
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28.8.10

Todos os caminhos


… de Lisboa vão dar ao Camões e não existem impossíveis. A caminho.

As pressões internacionais têm sido úteis, voltou a ser afirmado hoje que o «Irão ainda não tem decisão final».
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O bispo Januário Torgal Ferreira e o protesto contra o apedrejamento


«Estou fora de Portugal e por esse motivo não estarei presente nesta manifestação contra a iniquidade. Mas quero agradecer às organizadoras e aos organizadores por provarem que neste país ainda há pessoas sensíveis.

Queria também lembrar que morrem em Portugal muitas, tantas mulheres assassinadas pelos maridos e namorados e que quase ninguém fala delas.

Neste caso, porém, trata-se de uma morte decidida pelos tribunais, pelo Estado e pela religião, o que é ainda mais terrível e revoltante.»

(Daqui)
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Neste país em miniatura


Num Domingo de manhã, estava eu de nariz colado à montra de uma farmácia fechada em busca de outras abertas, quando uma transeunte (deve ser a primeira vez na vida que escrevo esta palavra…) me disse que bem perto, na avenida do Uruguai, havia uma ao serviço de quem dela precisa, 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Com espanto, fiquei a saber ontem que, devido a queixas da «concorrência» que se sente lesada no negócio (seis farmácias de bairros próximos), o Infarmed e um tribunal impõem que a Uruguai respeite limites de horário, apesar de protestos da Junta de Freguesia e de um abaixo-assinado de mais de mil utentes: só pode abrir portas entre as 6 e as 24 horas.

Imagino portanto que, se alguma das seis outras tivesse falido, teria certamente sido porque as gentes de Benfica acorriam em massa, por gosto e pura maldade, de madrugada, para comprarem aspirinas ou produtos de beleza, ao único local que se tinha disposto a investir (em despesa com salários) para vender medicamentos em situações de emergência.

Chamem-me liberal que eu não me importo, mas tudo isto apenas reflecte inveja e mesquinhez – e provincianismo, já agora.

(Fonte)
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27.8.10

Amanhã, somos todos iranianos


Lisboa por Sakineh — 100 Cidades contra a Barbárie
Lisboa, Largo Camões, 18h
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Quando a realidade parece ultrapassar a ficção


Agora que há imagens, a situação tornou-se ainda mais insuportavelmente arrepiante.

Os 33 mineiros, soterrados há três semanas a 700 metros de profundidade, e que já sabem que, na melhor das hipóteses, têm pela frente pelo menos mais três meses antes de serem resgatados, filmaram o espaço em que vivem e cantaram o hino nacional.

Para além de lhes serem asseguradas condições mínimas de sobrevivência física, é também indispensável que seja dada toda a ajuda possível para que não entrem em estado de depressão. O que não será fácil.

Notícias detalhadas aqui.


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Lisboa por Sakineh — 100 cidades contra a barbárie


Este texto será lido amanhã, durante o protesto contra a lapidação de pena de morte, apelando pela vida da iraniana Sakineh Ashtiani.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, viúva, dois filhos, condenada à morte na República Islâmica do Irão. Condenada à morte pela República Islâmica do Irão. Condenada à morte por viver numa República Islâmica, com base nisso a que se dá o nome de “lei islâmica” e que na declinação iraniana decreta que as mulheres acusadas de relações sexuais “fora do casamento” devem ser lapidadas. Mortas à pedrada. Com pedras do tamanho certo para que a morte seja lenta e atroz, para que a mulher enterrada até ao rosto possa sobreviver a dezenas de golpes enquanto à sua volta a turba faz pontaria e se congratula com “a vontade de deus”.

Mais de uma centena de pessoas foram assim executadas no Irão nos últimos anos, quase todas mulheres, quase todas por “adultério”. Há pelo menos 15 neste momento a aguardar execução. A outras foi à última hora comutada a pena, de lapidação para enforcamento. Houve alegações nesse sentido por parte das autoridades iranianas: esta mulher iria afinal ser enforcada. A morte, menos atroz, menos bárbara. Mas a morte.

Quarta-feira, 25, o tribunal reuniu mas parece não ter chegado a uma conclusão. Entretanto, as agências de direitos humanos denunciam que nos últimos meses houve centenas de enforcamentos no Irão e que estão milhares de pessoas no corredor da morte. Pelo menos 135 são menores. Os crimes em causa vão do homicídio à homossexualidade, mas também presos políticos têm sido executados. Em Dezembro de 2009, o Irão opôs-se a uma resolução da Assembleia da ONU que propunha a suspensão das execuções.

Sim, morre muita gente todos os dias. Morre muita gente executada, muita gente torturada, e não só no Irão. Gente condenada por regimes iníquos a nem sequer ter nome num túmulo. Gente cujo rosto nunca veremos, nunca fará cartazes, nunca povoará manifestações à volta do mundo. Sim, é assim. Tantas as tragédias, tantas as vidas à mercê, tanto o terror, a injustiça, a barbárie, tantas as celas escuras onde se tortura e mata, tantos os gritos e as lágrimas e as súplicas de que nunca saberemos e de que talvez não queiramos saber, tanto tanto por fazer, por acudir e nós sem sabermos como.

Sim, precisamos talvez de uma ocasião assim, de uma causa assim, de um nome e um rosto para nos sentirmos justos e capazes, para sentir que não somos indiferentes. Precisamos de Sakineh como ela de nós.

Precisamos de te dizer isto, Sakineh: que, dependa de nós, e a nossa voz, o nosso não, a nossa fúria, a nossa vontade e exigência moverão as montanhas que nos separam e os poderes que te condenaram, moverão até os deuses, se deuses houver para mover.

Vamos fazer de Lisboa uma das 103 cidades que no sábado, 28 de Agosto, da Austrália à Finlândia, do Brasil ao Iraque, da Turquia à Índia, se unem em resposta ao apelo do International Committee Against Execution num protesto global contra a lapidação e a pena de morte, e apelando pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani. É às 18 horas, no Largo Camões. Contamos todos.
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26.8.10

Daqui a quatro dias


Se houver posts, é daqui ou das redondezas…


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Engarrafamentos


Quando falei ontem das monumentais filas de trânsito numa estrada da China, o Aristes aqui no blogue e o Rui Almeida no Facebook referiram-se a um conto de Julio Cortázar, que eu não conhecia. Li-o entretanto, é absolutamente delicioso e dei comigo a tentar transpor as situações que relata para o que poderá estar a acontecer entre chineses – não dá para imaginar...

Está online aqui mas coloquei-o também em pdf para facilitar a impressão.

Em dias de fim de férias, espero que ninguém viva uma situação semelhante…
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Para mais tarde recordar


Mais um ícone que (quase) desaparece.

Só havia a loja da Rua do Ouro e ia-se de propósito à Baixa comprar cartolinas de todas as cores. Ainda ninguém fazia cartazes em PVC.
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25.8.10

Só podia ser de 1968


… a canção, mas até parece mais antiga, de tal modo nos habituámos a com ela viver. O seu compositor, George Weiss, morreu hoje.

«What a Wonderful World» ficará.




Mas também, por exemplo: Elvis Presley, «Can't Help Falling In Love»


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Quer ajudar Cavaco? Vote em branco ou vote nulo


Com o anúncio de mais uma candidatura à esquerda, regressou ontem a discussão sobre as presidenciais. E, com ela, declarações de alguns «desanimados» que não gostam de Alegre, olham de esguelha para Fernando Nobre, não sabem ao que vem Defensor Moura e esperavam ainda um candidato do PCP, que considerassem «aceitável». Não parecendo ter sido o caso, engrossam as fileiras das intenções de voto em branco.

A memória é curta, ou cinco anos é muito tempo, e talvez valha por isso a pena recordar que a Constituição diz expressamente que, nas eleições presidenciais, os votos em branco não são considerados «validamente expressos» (Artº 126, 1), afirmação que vem confirmada no Artº 10 de Lei Eleitoral para o Presidente da República, actualizada em 2006.


Não discuto a bondade da lei, que não alcanço, e até julgo recordar-me que, em 2006, teria havido segunda volta se ela fosse outra. Mas é o que temos e o único contributo deste tipo de votos traduz-se, portanto e apenas, na redução da percentagem de abstenções – mais uma prendazita numa eventual vitória de Cavaco à primeira volta.

Ainda muita água correrá sob as pontes, mas é bom ir arrumando algumas ideias. Com tanta escolha à esquerda, talvez valha a pena meter na gaveta alguns pruridos psico-ideológicos – digo eu que considero importantes todos os debates teóricos ou circunstanciais em torno destas e de outras eleições, mas que, perto da tal «boca das urnas», julgo que há que escolher ou cara ou coroa.
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Ver para crer


Obras numa estrada provocam um monumental engarrafamento na China, que começou há onze dias e pode durar quatro semanas! As filas têm cerca de 100 kms e há pontos em que se avança pouco mais de 1Km/dia.

Vai-se às compras (os preços até já subiram nas lojas à beira da estrada…), joga-se, faz-se o que se pode, com uma aparente paciência, absolutamente inacreditável – a realidade ultrapassa qualquer ficção.

Mas que mundo é este???


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24.8.10

Mudam-se os séculos...


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Corrupção, esse nicho do mercado


Ainda relativamente virgem, um novo mercado que pode dar milhões: o da corrupção. Se é vítima de chantagem para pagar uma determinada quantia em troca do que quer que seja, agradecerá se alguém o ajudar a resolver a situação, mesmo que tenha de desembolsar por isso algum dinheiro.

Foi o que percebeu Shaffi Mather, capitalista e activista social indiano, convidado há poucos meses por Obama para uma cimeira sobre empreendorismo, ao lançar o seu «serviço anticorrupção».

O alvo não são negócios que envolvam megacontractos de armas, aviões, ou alta tecnologia, mas sim pequenos ou médios expedientes, nos quais é por vezes suficiente aparecer um intermediário para que os corruptores desistam e desapareçam - porque, neste caso como em geral, o segredo é a alma de quase tudo. Caso contrário, há vários patamares de intervenção possíveis.

O preço do serviço tem de ser inferior à quantia pedida pelo corruptor (elementar…), de 15% a 30% parecendo uma boa alternativa. Mas… se o princípio de uma percentagem é bom, haverá sempre o risco do prestador do serviço anticorrupção convencer o corruptor a subir a parada para ele próprio receber mais, mesmo que tenha de dar algum por fora ao outro. That’s business!!! Em contrapartida, se o serviço vier a ter demasiado sucesso, no limite autofagia-se: desaparecem corrupção e corruptores.

Mundo complicado, o nosso – no mínimo!...

Vale a pena ouvir Shaffi Mather explicar uma parte de tudo isto (sobretudo a partir do 6º minuto):


(Fonte)
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Dez anos que mudaram o mundo?


Mário Soares tem razão quando escreve, na sua crónica de hoje, no DN:
«No princípio do novo século, o mundo ocidental respirava optimismo. A ONU tinha proclamado os objectivos do milénio e as pessoas conscientes pensavam que seriam para cumprir. Era inimaginável que não fossem. Mas foi o contrário que aconteceu, como todos nos lembramos. A Europa era um pólo de atracção, por ser uma terra, simultaneamente, de liberdade, de bem-estar social e de respeito pelos direitos humanos.»

O que também não se previa, há apenas dez anos, era que a Tailândia fosse mais do que uma recordação de ilhas paradisíacos para turistas esbranquiçados ou de multidões de monges com as suas belas túnicas açafrão, mas também um país com uma taxa de crescimento de 9,1%, no segundo trimestre de 2010, graças ao grande incremento nas exportações e apesar de todas as vicissitudes da crise mundial, e onde «o consumo das famílias também aumentou no segundo trimestre, com os tailandeses a comprarem mais carros e electrodomésticos, devido às medidas de incentivo económico promovidas pelo governo e aos maiores rendimentos provenientes da agricultura». Tudo isto, apesar da terrível violência por que o país passou em Abril e Maio.

E há também a China, o Vietname, etc., etc., etc. Ou seja: há outros com razões para optimismos e a Terra continua, obviamente, a girar à volta do Sol.
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«Il faut toujours s'en aller plus loin»

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23.8.10

Ninguém os quer


Não cessam as reacções contra a França pelo «envio» de ciganos romenos e búlgaros, que está agora a ser concretizada. Também a Itália é notícia, mas convém lembrar que a Alemanha os envia para o Kosovo, que Copenhaga quer expulsar 400 e que na Bélgica (maravilha das maravilhas…) houve 700 que foram expedidos da Flandres para a Valónia…

Parece assim absolutamente evidente que o problema se põe a nível de todo o continente europeu, sem se que se saiba exactamente do que se está a falar em termos quantitativos: o Conselho da Europa fala de 12 milhões de pessoas que, nalguns países, representam 5% da população. Um verdadeiro debate paneuropeu impõe-se (… ontem!), e não está a acontecer, para procura de soluções, partilha de recursos e conhecimento de experiências bem sucedidas.

Leio que a Espanha é precisamente uma excepção, pela positiva:
«España sigue representando una excepción privilegiada. Por lo menos hasta ahora, ningún brote de racismo institucional se ha producido contra los romaníes, mientras los gitanos españoles están integrados, aunque han pagado un precio: "La mayoría de los líderes gitanos de todo el mundo tienen su mirada puesta en nosotros, que hemos pagado el precio más alto que pueda pagar un pueblo en aras de la integración: el deterioro de nuestra lengua, patrimonio común de catorce millones de gitanos en todo el mundo que pueden entenderse sin la más mínima dificultad". Pero esto no significa que la integración pase por la homologación o una forma de etnocidio cultural: "Podría exponer más de una doctrina de sociología y de antropología cultural que sostienen que la convivencia es posible sin perder tus propias señas de identidad. Pero déjeme decir una cosa: el modelo se llama Andalucía. Hablo desde un punto de vista cultural, no de reparto o de justicia social. Ese podría ser el modelo de convivencia para todos los gitanos del mundo. Una comunidad en la que no se sabe si los andaluces están agitanados o los gitanos andaluzados".»

Se assim é, aprofunde-se o caso, estude-se a história do que foi feito.

Ou continuaremos a assistir a um fenómeno escandaloso, ignorando, talvez, que estes seres humanos nem sequer são bem recebidos nos «seus» países:

Uma vergonha – para todos nós.
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Idiota do mês


É um dos muitos grupos que existem no Facebook. Qualquer membro pode candidatar pessoas que se notabilizem, de um modo ou outro, para o invejável título.

O fim-de-semana foi especialmente rico e será difícil que um destes dois não vença, em Agosto, pelos monumentais textos que publicaram ontem.
Se pertencesse ao júri, votava sem hesitação na segunda. E, vindo de quem vem, mantenho o que escrevi assim que li: «Só à chapada!»
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A primeira vítima


Também não é caso para tanto…
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O dia mais importante

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22.8.10

Movimentos sociais e burocratização


O colectivo do Passa Palavra publicou hoje um longo e importante documento que assim resume: «Os movimentos sociais devem ser defendidos, e a melhor forma é impedir o avanço da burocratização. O grande desafio é a generalização das relações solidárias e colectivas estabelecidas directamente na base dos movimentos sociais.»

Que sindicatos e partidos, «com a sua estrutura hierárquica e autoritária», são «propícios à formação de burocracias e opostos à emancipação», parece não oferecer grandes dúvidas. E que, por isso mesmo, há muito quem considere que «o balanço histórico, ainda que sem um veredicto final, tem contabilizado mais fracassos do que sucessos na tentativa dessas organizações se tornarem instrumentos insubstituíveis da luta anticapitalista», também é indiscutível.

Destas possíveis «derrotas», nasceram os movimentos sociais, de larga tradição na América Latina, nomeadamente no Brasil. É deles que este texto trata – das suas características, limitações e vicissitudes. Merece uma leitura mais do que atenta e um amplo debate na respectiva Caixa de Comentários. (É esse o desejo dos autores, que o exprimiram em mails particulares a alguns amigos.)

Conseguirão esses movimentos sociais evitar a burocratização, pela aplicação dos princípios enunciados no fim do estudo em questão? Seria certamente encontrar a resposta a one million dollar question
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O mundo às avessas


Com a subida do nível de vida na China e uma maior facilidade na obtenção de vistos, há cada vez mais turistas chineses no Japão (acréscimo de 80% no último ano). E, dada a crise na economia japonesa, diminui o fluxo dos nipónicos que visitam Pequim, Xangai ou os guerreiros de Xian.

Os lendários grupos de japoneses, de máquina fotográfica apontada, começam também a rarear na Europa e nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que os estilistas de moda de Tóquio aprendem mandarim e se adaptam aos caprichos das netas dos seguidores do camarada Mao.

Acreditaríamos se nos tivessem dito isto há uns trinta anos?…

(Fonte)
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Sakineh Ashtiani?


José Sócrates, conhece Sakineh?
Há uma explicação cínica para a liderança da Inglaterra na luta pela abolição da escravatura: seria porque as suas cidades manufactureiras Manchester e Liverpool tinham interesse em aumentar o mercado consumidor nas Américas. É uma explicação simplista, baseada na tese de que do capitalismo não podia vir uma boa causa senão pelo interesse cúpido. Na verdade, a luta anti-esclavagista foi liderada por gente movida por ideias generosas. Em 1787, foi fundada a Sociedade para a Abolição do Tráfico de Escravo, por 12 ingleses, religiosos quakers, animados só por esta ideia: a escravatura é bárbara. Fizeram petições à Câmara dos Comuns, mostraram o que eram os navios negreiros... Em 20 anos foi possível convencer a Inglaterra, e o tráfico no Atântico foi abolido em 1807. Em 30 anos, desde que foi fundada, a República Islâmica do Irão já matou à pedrada 150 pessoas. No próximo sábado, numa centena de cidades de todo Mundo, entre elas Lisboa, vai protestar-se contra a lapidação da iraniana Sakineh Ashtiani. A escravatura e a lapidação de pessoas pertencem ao mesmo mundo bárbaro. A dimensão de ambas não é comparável - à partida, parece mais fácil acabar com as mortes à pedrada. Então, o que nos falta? Se calhar, a convicção dos quakers para influenciar os nossos governantes. Sim, porque é a estes que temos de dizer: lapidação, não, não pode ser. Eles que façam o resto.
(realce eu)
Ferreira Fernandes, no DN.

Com algumas (poucas) excepções, os governantes de países paladinos na defesa dos direitos humanos mantêm-se indiferentes a este caso que mobiliza multidões no mundo inteiro. Posso estar enganada, mas julgo que nem mesmo a União Europeia disse, até agora, uma só palavra.

Dir-se-á que lapidações há muitas, mas a história aí está para provar que há situações que funcionam como símbolos e que fazem a humanidade dar passos em frente.

No nosso caso, o que parece interessar são os gritos Sócrates / Passos Coelho e Luís Amado deve estar algures em férias, de persianas corridas. E o Irão tem petróleo.

Pretexto também para recordar o protesto em Lisboa, no Sábado, 28 de Agosto, 18h, Largo Camões.

E para deixar uma pergunta, aqui como já o fiz dez vezes no Facebook:
«Outras cidades do país, conhecem Sakineh?»
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21.8.10

Violinos da Esperança


A história é conhecida, mas El País retoma-a hoje.

Muitos músicos que chegaram a Israel depois de 1945 levavam consigo violinos alemães que, por terem a marca dessa nacionalidade, eram naturalmente odiados e foram rapidamente queimados ou vendidos.

No primeiro vídeo, Amnon Weinstein explica que tem conseguido recuperar uns tantos, pertença de vítimas ou sobreviventes do holocausto. As peripécias por que passaram estes instrumentos estão a ser filmadas, numa série em que Shlomo Mintz toca em Auschwitz, junto do barracão em que esteve internada até morrer Alma Rosé, sobrinha de Gustavo Mahler e directora da orquestra de mulheres daquele campo da morte.

No segundo vídeo, um concerto em Jerusalém, com a participação de Shlomo Mintz, e em que a maior parte dos violinos foi recuperada por Amnon Weinstein.




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Viver em Praga, depois de 68


Em mais um aniversário da invasão de Praga, retomo um texto que foi escrito para este blogue há pouco mais de dois anos. A sua autora é Rosa Ventura, filha de Cândida Ventura e de Américo de Sousa, dirigentes históricos do PCP.

Cheguei a Praga com 17 anos, em Julho de 1969, naturalmente entusiasmada e feliz com a ideia de ir viver com a minha mãe, finalmente ao fim de tantos anos, e num país socialista.

Levaram-me para um hotel luxuoso situado no centro da cidade. Nunca vira nada de semelhante e, perante o meu espanto, explicaram-me que era assim que recebiam as entidades políticas estrangeiras importantes e as suas famílias.

Desconhecia, por completo, o que se tinha passado em 1968 e ninguém me falou então do assunto. Integrada num grupo de estudantes de várias nacionalidades, fui para uma espécie de palácio, em regime de internato, para participar num curso intensivo de checo. Só podíamos sair uma vez por semana, mas foi durante essas saídas que conheci jovens checos.

Foi também então que começaram as surpresas. Eu que, em Portugal, tinha participado em manifestações contra a guerra do Vietname e contra os Estados Unidos, fui encontrar ali, num país dito socialista, pessoas da minha idade que só pensavam em fugir para qualquer parte e que adoravam os americanos. Contaram-me então o que se passara um ano antes. Havia uma tristeza e uma revolta enormes em relação à invasão russa cujas marcas nas fachadas da Praça Venceslau eram bem visíveis – e sê-lo-iam por muito tempo. Eu tentava falar-lhes da nossa ditadura, da falta de liberdade, das prisões, mas explicavam-me que lá era igual.

Para mim, tudo isto foi muito dramático, mas quando tentei discutir o assunto com quem de direito, foi-me dito que não podia ter opinião nem meter-me “onde não era chamada”.

Durante cinco anos, vivi na cidade mais linda da Europa com um povo fantástico, uma cultura geral impressionante, aprendi a gostar de música clássica, de teatro, de museus, de história e, sobretudo, a NÃO querer aquele socialismo para Portugal.

Tudo isto é muito pessoal, muito emocional e pouco político, mas foi a experiência do fim da minha adolescência, toda ela feita de descoberta de contradições – e de muitas mentiras.
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Numa madrugada de 21 de Agosto


...há 42 anos, terminou a Primavera de Praga.

A NÃO PERDER: este belíssimo vídeo com fotografias de Joseph Koudelka.
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20.8.10

Boticas


Não sei se há alguma relação directa entre a falta de dinheiro dos portugueses para comprarem medicamentos e a transformação das nossas farmácias em drogarias de luxo, perfumarias, secções dietéticas de supermercados, lojas de brinquedos ou antecâmaras de SPA’s. O que sei é que tudo aquilo se vende e nem sequer é suportado pelo SNS!

Julgo que há certamente muita gente a cuidar das diabetes com ginseng, do reumatismo com marapuama ou a ingerir suplementos alimentares em vez de batatas cozidas.

O resultado é que duplicou o tempo de espera para comprar uma simples caixa de aspirinas, porque a farmacêutica, directora técnica encartada, passa vinte minutos a aconselhar um creme esfoliante da marca x ou um conjunto de produtos com um preço «muito jeitoso» e que «até dá um brinde».
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165 dissidentes cubanos escrevem Carta Aberta ao papa


«Algunos de los católicos que firmamos esta carta y otros que quizás incorporen sus firmas, no estamos de acuerdo con la postura que ha tenido la jerarquía eclesiástica cubana en suintervención por los presos políticos, es lamentable y de hecho bochornosa.(…)

Una correcta mediación sobre el tema, hubiera implicado oír los reclamos de ambas partes y conciliarlos. Sin embargo, la solución del destierro, aceptada por los que han estado siete años injustamente presos ‐ solamente por sus ideas ‐ solo beneficia a la dictadura; prácticamente, con la salida de un número considerable de familiares se convertirá en un pequeño éxodo. (…)

La situación de represión, hostigamiento y detenciones arbitrarias se ha recrudecido en los últimos días, después de las amenazas del presidente Raúl Castro, del 1ro. de agosto. Y cabría preguntarse: ¿Se están vaciando las prisiones para volverlas a llenar? (…)

Podríamos hacer de esta epístola una larga lista de demandas, pero sólo una es la más importante, que cese el apoyo político de los que representan a DIOS ante los católicos cubanos, a los que se han comportado durante medio siglo como comisionados de Satanás en la tierra.»

Na íntegra, aqui.
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O «Avante!» e as lapidações no Irão


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Diferenças:
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19.8.10

Lorca & Cohen

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Federico García Lorca, «Pequeño Vals Vienés»

En Viena hay diez muchachas, ¡Ay, ay, ay, ay!
un hombro donde solloza la muerte Toma este vals que se muere en mis brazos.
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el museo de la escarcha. en el desván donde juegan los niños,
Hay un salón con mil ventanas. soñando viejas luces de Hungría

por los rumores de la tarde tibia,
¡Ay, ay, ay, ay! viendo ovejas y lirios de nieve
Toma este vals con la boca cerrada. por el silencio oscuro de tu frente.


Este vals, este vals, este vals, este vals, ¡Ay, ay, ay, ay!
de sí, de muerte y de coñac Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".
que moja su cola en el mar.

En Viena bailaré contigo
Te quiero, te quiero, te quiero, con un disfraz que tenga
con la butaca y el libro muerto, cabeza de río.
por el melancólico pasillo, ¡Mira qué orillas tengo de jacintos!
en el oscuro desván del lirio, Dejaré mi boca entre tus piernas,
en nuestra cama de la luna mi alma en fotografías y azucenas,
y en la danza que sueña la tortuga. y en las ondas oscuras de tu andar

quiero, amor mío, amor mío, dejar,
¡Ay, ay, ay, ay! violín y sepulcro, las cintas del vals.
Toma este vals de quebrada cintura.


En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados,
hay frescas guirnaldas de llanto.
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E por falar em ciganos – no aniversário da morte de García Lorca


Frederico García Lorca morreu em 19 de Agosto de 1936.

Como todos os anos nesta data, em Viznar, perto de Granada, ciganos cantam, dançam e dizem poesia em honra de Lorca e de cerca de 3.000 fuzilados pelos franquistas, cujas ossadas se encontram por perto.

«Aquí se canta por derecho», disse hoje um jovem, numa tradição que tem já quase quatro décadas e se retoma ano após ano. De madrugada, à luz de velas e das estrelas, sem nada programado. Ninguém a convoca formalmente, não se pretende que seja muito conhecida - uma «noite de magia».

(Vale a pena ler este artigo do Público.es.)

Num dia em que, com uma salutar demagogia, podemos dizer que nos sentimos todos um pouco ciganos, Cante jondo de Romancero gitano.


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Devolvidos


Até ao fim do corrente mês, a França vai enviar 700 ciganos para os seus países de origem, Roménia e Bulgária. Partem hoje para Bucareste os primeiros – na maior das legalidades, diz a França, calando preocupações recentemente expressas pela União Europeia e apesar de a ONU ter falado de «política de humilhação» e de «visão degradante da acção pública».

Convém talvez lembrar que estamos a falar de cidadãos europeus (desde Janeiro de 2007) que beneficiam do direito de livre circulação. Mas, durante sete anos, estão ao abrigo de um «regime transitório» que lhes restringe o acesso ao mercado de trabalho assalariado.

Motivos possíveis para expulsão neste período transitório? Estar-se «não activo», sem provar que se dispõe de recursos suficientes para viver ou (obviamente…) ser considerado «uma ameaça para a ordem pública».

A Europa com os seus muros, físicos ou burocratas, a proteger os jardins dos palácios enquanto é possível. Como se a transumância forçada de umas dezenas dos seus cidadãos resolvesse os verdadeiros problemas e eliminasse crises que teimam em não passar.

«A verdade é que 79% dos franceses apoiam o desmantelamento dos acampamentos. E isso é o que importa a Sarkozy, candidato à reeleição em 2012», diz hoje o DN.

Exacto. Quem vier depois, disto e de muito mais, não se esqueça de ir a Bruxelas apagar as luzes do Berlaymont.

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18.8.10

«Falam como se fossem homens»


Ler na íntegra, para crer, este texto de Domingos (Freitas do) Amaral, no CM. Quando se escreve assim com 42 anos, tendo um «antigamente» tão recente, nem dá para imaginar o que irá por aquela cabeça quando tiver mais 20. Nem como era aos 15, em plena década de 80, poucos anos depois do 25 de Abril.

«Antigamente, a uma rapariga com ares rudes e masculinos, que gostava de andar à pancada ou de jogar futebol, chamava-se "Maria Rapaz". Era um termo carinhoso para caracterizar aquilo que se considerava uma raridade, com ligeiros laivos de excentricidade. Mas, isso era antigamente. Agora, as coisas mudaram. (…). As conversas entre raparigas, pelo que deduzi, eram uma espécie de competição sobre as actividades que elas praticavam com os namorados, sendo que as que mais impressionavam eram as que mais "coisas" tinham feito.

De repente, dei por mim a pensar que, na época em que eu tinha 15 anos, conversas destas só existiam entre os rapazes. (…) É essa a grande transformação dos últimos vinte anos nas relações entre os homens e as mulheres. Agora, as mulheres são todas "Marias Rapazes". Não porque gostem de andar à pancada ou jogar futebol, e muito menos porque tenham ar masculino, mas porque falam como se fossem homens.»

Segundo a Wikipedia, o autor não é um ilustre desconhecido nem um produto das Novas Oportunidades: «Nasceu a 12 de Outubro de 1967, em Lisboa, Portugal. Filho do político de direita Diogo Freitas do Amaral. Depois de se ter formado em Economia, pela Universidade Católica Portuguesa, e de ter feito um mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Estados Unidos, decidiu seguir uma carreira como jornalista. Trabalhou no extinto jornal O Independente durante onze anos, além de ter colaborado com várias outras publicações, como o Diário de Notícias, Grande Reportagem, City, Invista e Fortuna. Colaborou também com a Rádio Comercial e com a estação televisiva SIC. Actualmente, é o director da revista portuguesa GQ e foi durante sete anos director da Maxmen. Colabora também com o Diário Económico e colaborou igualmente com a revista Grazia.»

Tem cinco livros publicados (até li um deles…) e, last but not the least, a cereja em cima do bolo, que talvez explique tudo: «É apoiante confesso de Salazar, do Fascismo e do Benfica.»

N.B. – O Benfica não tem culpa.
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Lisboa, uma das 100 cidades contra as execuções no Irão


Acaba de ser lançada no Facebook uma iniciativa a cuja organização pertenço e para a qual peço toda a divulgação possível:

No dia 28 de Agosto, às 18:00, no Largo de Camões, os membros deste grupo vão pôr Lisboa no mapa mundial da luta pelos Direitos Humanos, protestando contra as sentenças de condenação à morte aplicadas a vários cidadãos iranianos – desde opositores políticos do regime de Teerão até acusados por sodomia e adultério – por um sistema de justiça que não respeita os mais elementares direitos de defesa das suas vítimas.

Nesse dia, Lisboa unir-se-á a uma enorme cadeia de cidades de todo o mundo cujos cidadãos também corresponderam ao apelo do International Commitee Against Execution. O nome da iniciativa, “100 cities against stoning”, pretende chamar a atenção da opinião pública mundial para o facto de na República Islâmica do Irão a execução da pena de morte ser muitas vezes efectuada pelo bárbaro método do apedrejamento em público.»

Endereço do Grupo no Facebook.
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Blogues + Facebook


Devia existir um sistema de vasos comunicantes entre o Facebook e as Caixas de Comentários dos blogues. No meu caso, a tendência vai no sentido de haver discussões muito mais frequentes e animadas nos posts daqui que ponho por lá (ou duplicação de intervenções das mesmas pessoas ou de leitores diferentes, com o mesmo conteúdo, nas duas plataformas).
É o que está a acontecer neste caso. Quem tiver acesso, pode seguir a discussão aqui.

«É a vida!», como diriam alguns. Ou, muito provavelmente, uma «mudança de paradigma» - o que soa muito melhor…

P.S. – Sem ofensa: os que se recusam a ter conta no Facebook fazem-me sempre lembrar os resistentes a aparelhos de TV em casa, ou mesmo os que ainda hoje lamentam a invenção da máquina a vapor… É lá que nascem actualmente algumas iniciativas cívicas importantes, como uma que anunciarei neste blogue, provavelmente ainda hoje.
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Finalmente, uma manhã de Agosto com excelentes notícias!


Uniões de facto põem Cavaco na mira dos sectores católicos

«Equiparam o casamento a todas as outras coisas e assim tiram-lhe a especificidade», diz ela…

«A união em torno do Presidente deve ser posta à prova nos próximos meses e com o aproximar da campanha. BE e PS preparam-se para apresentar um diploma que facilita a mudança de sexo no registo civil. Se for aprovado, Cavaco ver-se-á arrastado para um debate em tempo de pré-campanha. Se não vetar esse diploma, dará muito espaço para um rival à sua direita.»

Vamos a isso, com banda sonora:


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O que Mr. Clooney ainda não consegue arranjar

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Uma Nespresso para viagem, pequena e muito leve.A falta que faz...


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17.8.10

China, a grande esperança para o capitalismo?


O crescimento da economia chinesa está sempre na ordem do dia, mas mais agora que o seu PIB ultrapassou o do Japão e só tem no horizonte alcançar o dos Estados Unidos.

Curiosamente, parece esperar-se que a China seja uma das bóias de salvação para a actual crise mundial do capitalismo – se não a única, pelo menos a principal -, na exacta medida em que se transforme numa grande potência consumidora, não só do que produz mas também do que vier a importar.

Com fim à vista o papel exclusivo de fábrica de objectos baratos, consumidos internamente e exportados para o mundo inteiro? Parece que sim: «Depois de décadas de expansão acima da média, mas pouca contribuição para o crescimento mundial, a China parece agora estar pronta a mudar de rumo. Foi a crise mundial que acordou o gigante adormecido». Por outras palavras: a recessão de outros como o Japão não serve os interesses chineses, muito pelo contrário, e o país julga ter «capacidade não só para alavancar o seu próprio crescimento, como para ajudar as outras economias».

As recentes greves, sobretudo em empresas multinacionais, de que resultaram aumentos salariais significativos, são certamente ainda uma gota de água, mas mostram que se avança numa direcção aparentemente sem retorno e que «a competitividade chinesa já não assenta só na mão-de-obra barata, mas também nos avanços tecnológicos».

Tudo pelo melhor num diferente e inesperado mundo novo? Longe de ser óbvio, porque se vê mal como o poder político vai gerir toda esta mudança. A China ainda continuará «comunista», que mais não seja aos seus próprios olhos? Vai manter a mão de ferro e a limitação de direitos, no tal país que se pretende com dois sistemas e em que se percebe cada vez menos o que um deles possa querer dizer? Com o mundo inteiro a assistir, cada vez mais dependente e até mais «servil»?

Não vale a pena a dizer que o erro está em tentarmos interpretar uma realidade diferente com os nossos olhos ocidentais, porque tudo hoje se tornou muito mais próximo, e consequentemente parecido. O capitalismo «budista» chinês tem certamente muito mais afinidades com Wall Street do que com o «Gross National Happiness» do vizinho Butão.

Estou enganada ou há aqui muita matéria para reflexão?

Partindo daqui.
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Em defesa do avião


Na continuação da ponta do véu que ontem levantei sobre Michel Onfray e a sua Teoria da viagem. Poética da geografia, mais uns fragmentos que me limitei a «colar», como se de um retrato se tratasse, do que tantas vezes senti e muito gostaria de algum dia ser capaz de assim exprimir.

«Os defensores de formas antigas e ultrapassadas de viajar apelam à lentidão e amaldiçoam a velocidade, causa de todos os males. Celebram a passada do burro, o barco de roda, travessia dos oceanos em cruzeiros, descida de rios em canoa, roulottes com cavalos, estadias longas em albergues, em quintas, imobilizações voluntárias e involuntárias, um tipo de sedentarismo reinstalado em casa de outrem. Imaginam que, assim, com tempo, apreendem melhor, experimentam uma empatia mais autêntica, realizam melhores encontros. É evidente que os defensores desta hipótese parmenidiana detestam aviões, símbolos do que de pior possa haver.

Adoro aviões. (…) A sua velocidade modifica a apreensão do espaço e contribui para a sua redução (…). Nos ecrãs, sucedem-se mapas que reduzem o espaço real a um desenho em que o verde das terras e o azul dos mares são atravessados pelo traço vermelho do nosso percurso (…), tudo o que parece grande e importante no solo torna-se pequeno, irrisório e insignificante no ar (…), sentimo-nos fragmento de um grande todo, pedaço irrelevante de um mecanismo importante que nos contém e nos ultrapassa(…), cada ponto do globo fica imediatamente acessível e torna a vontade capaz de vencer resistências (…). Sentir-se homem na carlinga deste instrumento transformado em energia e em velocidade metamorfoseia mais a alma do que a leitura dos Evangelhos (…).

A história desaparece, demasiado preocupada de peripécias locais, em prol da geografia, habituada a durações indefinidas e a lentidões magníficas».

Exactissimamente…
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Português como nós


Não sei se já tentaram dizer a um inglês que o presidente da República português mora, por opção própria, num prédio normal, com vizinhos desconhecidos e um polícia à porta como única segurança. Eu já, tive de repetir várias vezes e explicar, detalhadamente, que Mário Soares não tinha querido sair do seu quarteirão de sempre, em rua com nome do pai, colégio próprio à esquina e uma bela vista para um grande jardim público. E que os portugueses até acharam normal a opção.

Jorge Sampaio manteve a tradição e vive num andar com vista para coisíssima nenhuma e Cavaco tem as tais marquises de alumínio.

Eis senão quando, passou agora a ser notícia que o putativo ex-futuro primeiro-ministro habita, imagine-se, em Massamá! Ainda não na Cova da Moura nem na Filomena, mas «já» em Massamá! A silly season, de facto.



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