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30.9.10

Estoicismos


Desta vez, tocou a rebate e nem ela escapou:

«Hoje, perante a monstruosidade do problema, sinto que não estamos em tempos para tergiversar:
- É tempo de todos os socialistas se unirem, estoicamente, em apoio ao Primeiro Ministro, pela agrura de ter de decretar medidas duríssimas e de arrostar com incompreensão e impopularidade.»

Agrura para o PM? Extraordinário – é tudo quanto se me oferece dizer…
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Emalar a trouxa e zarpar

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Não é preciso saber de finanças, nem ter grande biblioteca


… nem ser consultor da Ernst & Young, para perceber este tipo de conclusões:

«O crescimento do desemprego na segunda metade do ano, associado à aplicação de medidas de austeridade para controlo do défice vai fazer com que Portugal volte a entrar em recessão ainda antes do final do ano. (…)

O crescimento esperado da economia para 2010 é de apenas 0,7% - apesar do forte crescimento no primeiro semestre - e haverá um recuo de 0,7% em 2011. (…) As previsões da consultora explicam-se pelo facto de "o crescimento [do PIB] na primeira metade do ano se ter feito pelos motivos errados". "Havia uma série de expectativas por parte dos consumidores e empresas que não se cumpriram e isso terá efeitos negativos, nomeadamente o regresso a uma recessão". (…)

Caso o Governo não tivesse apresentado ontem medidas adicionais de controlo da dívida pública, seria "improvável" que Portugal fosse capaz de cumprir a meta de 7,3% do défice estabelecida para este ano.»

Ou seja: não há mais vida para além do défice, coisíssima nenhuma!

P.S.1 – Leitura indispensável: A caminho da destruição do euro?

P.S.2 - Entretanto, ouvi alguém da E&Y dizer que estes números foram obtidos antes das declarações de ontem à noite e que a situação piorará consideravelmente depois delas.
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Imprimir e colar na porta do congelador


«O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre.»
Almeida Santos, Presidente do PS

Para memória futura. A digerir durante os próximos meses.
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As Cidades e as Praças (7)




Rockefeller Center, NY (1986)
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29.9.10

Aux armes, etc.

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Aux Armes Et Caetera

Allons enfant de la patrie
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L'étendard sanglant est levé
Aux armes et caetera

Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats
Ils viennent jusque dans nos bras
Egorger nos fils nos compagnes
Aux armes et caetera

Amour sacré de la patrie
Conduis soutiens nos bras vengeurs
Liberté liberté cherie
Combats avec tes défenseurs
Aux armes et caetera

Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leurs vertus
Aux armes et caetera
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Alô China, aqui Portugal


A ser verdade o que vários jornais divulgaram (já passaram 24 horas e ainda não li desmentidos), o Ministério da Educação oferece lugares para auxiliares de educação e assistentes operacionais, pagos com um salário bruto de três euros / hora.

Não sei se haverá candidatos ou não (é bem provável que sim, dado o estado geral das coisas), mas parece-me que estamos a descer a patamares salariais dignos de Chongqing ou de Tole Sap.

E eu que pago mais do que o dobro a quem vem a esta casa, umas horas por semana, para a manter minimamente habitável, não posso deixar de pensar que há algo de errado neste reino bem longe da Dinamarca…
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Viva o Benfica!!!!!!!



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E o jogo continua


… e promete estar especialmente animado hoje e nos próximos dias.

«As últimas semanas foram copiosas em demonstrar que Portugal é um país para se levar pouco a sério. Dois rapazolas transformaram-no num terreiro de berlinde, cada um com um abafador que destinará quem venceu. O pior é que ninguém ganha e todos estamos a perder. Um deles possui um sentido circense que legitima todo o faz-de-conta. O outro manifesta uma devoção ingénua pelo poder que, na realidade, não possui. Ambos resultam desse milagre convencional que nos fez reféns de dois partidos desprovidos de grandeza, intelectualmente asténicos e politicamente impostores. (…)

Estamos perante um imbróglio perturbador. E o dilema é este: como se passa do patológico para o normal? Ignoramo-lo. Desde a aparição mística do dr. Cavaco que aumentou o perigo de uma sociedade amolgada. Aquele senhor alimentava (e alimenta) um distorcido entendimento do que é a democracia. A década em que foi primeiro-ministro saldou-se pela recusa da modernidade e pela imposição de uma rigidez emocional que ainda hoje persiste. Pedra e betão substituíram a alma e a coragem.»
Baptista-Bastos, no DN.
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28.9.10

As eleições na Venezuela, ainda


Publiquei ontem um pequeno post sobre os resultados das eleições na Venezuela, que provocou uma longa discussão no Facebook.

Regresso ao assunto por me ter sido enviado entretanto um vídeo revelador dos métodos e atitudes de Hugo Chávez (onde nem o machismo está ausente), numa espécie de conferência de imprensa em que (não) respondeu a uma jornalista que o interpelou precisamente sobre um dos aspectos mais controversos que ontem referi: a alteração da lei eleitoral, que permitiu aumentar, escandalosamente, o número de deputados das regiões que lhe são mais afectas.



A ler: um texto de Pedro Filipe Soares.
«Quando Hugo Chávez mistura aprofundamentos socialistas nas propostas de alterações à Constituição, com reforços do poder presidencial e da autocracia do Estado, reduz o debate ao populismo, e o Socialismo à sua permanência no poder. Quando vê a proposta de revisão constitucional chumbada pela primeira vez e, apenas dois anos depois, força novamente a votação, demonstra que para ele a Democracia é apenas uma forma de legitimação da sua vontade.
No país onde Socialismo se confunde com o populismo de Chávez, houve uma sondagem em 2009 onde 70% das pessoas indicavam que ninguém lhes tinha explicado o que era uma Democracia Participativa nem o Socialismo do séc. XXI. Um ano depois, a direita cresce para níveis assustadores de representação eleitoral. Não basta a socialização económica, para que o Socialismo seja vitorioso. Sem uma socialização política, onde a consciência e a prática democráticas sejam aprofundadas, não há Socialismo do Séc. XXI que resista.»
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Há 36 anos


Este senhor ajustou o monóculo e preparou-se para a debandada.
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Até Cavaco trauteia, antes da oração da noite

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«Direitos interessantes» para António Barreto


O sociólogo de serviço à nação terá afirmado ontem que saúde, educação gratuita e habitação são direitos importantes e interessantes mas que «"não são compatíveis" com o actual estado das finanças públicas».

«Absolutamente invioláveis» seriam «o direito à privacidade, à integridade humana individual, direito à boa reputação, de voto, de expressão, de circulação».

Correndo conscientemente o risco de demagogia, diria que sem dinheiro para medicamentos, para pagar escolas ou o tecto de uma casa para viver, muitos estariam dispostos a prescindir de alguns dos tais direitos invioláveis – que são mais ou menos gratuitos, eu sei.

Barreto prevê, parece aprovar e ajuda-nos a visualizar uma Europa de homens certamente livres mas eventualmente doentes, ignorantes e mais ou menos clochards. É isso, não é?
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Sakineh – Venceu a barbárie


A notícia caiu ontem: Sakineh Ashtiani será enforcada, por condenação de cumplicidade no assassinato do marido.

Valeria / valerá ainda a pena protestar com esperança de impedir a concretização da sentença? Cruamente, em termos de eficácia, julgo que não. Talvez nós, cidadãos do mundo, tivéssemos podido fazer mais e nenhum «poderoso» conseguiu, ou quis conseguir, demover Mahmud Ahmadinejad.

Há muitas Sakineh’s à espera nos corredores da morte, no Irão e não só. A luta continua.
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As Cidades e as Praças (6)



Petit Sablon, Bruxelas (..., 1987,...)
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27.9.10

Haverá sempre vento, sol e água do mar



Mais vale rir por hoje, enquanto não se assimila a barbaridade do que está para acontecer:


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Se non è vero...

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Un problemita, camarada Hugo


Teria sido necessário que o partido de Hugo Chávez conseguisse eleger 110 deputados, ontem, na Venezuela, para controlar dois terços do Parlamento e assim para poder fazer aprovar determinadas leis orgânicas e controlar algumas nomeações, sem ser obrigado a negociar com a oposição que vai agora ocupar 64 dos 165 lugares em jogo (resultados provisórios). Isto apesar de a lei eleitoral ter sido alterada de modo a aumentar o número de deputados das regiões tradicionalmente mais fiéis ao presidente – não foi suficiente...

Em 2005, a oposição não concorreu e a abstenção foi elevadíssima, desta vez foi a menor de sempre.

Lá se foram os cheques em branco, o que acontece aos melhores... Seja qual for o balanço que seja feito da actuação de Chávez, houve ontem uma pequena vitória da democracia e uma derrota do populismo.

(Fonte), entre outras.

P.S. – A discussão deste post no FB vai, neste momento (19h30), com 38 comentários. Endereço para quem tiver acesso.
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As Cidades e as Praças (5)



Praça dos Trabalhadores (antiga MacMahon), Maputo (..., 2002)
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26.9.10

Bruxelas, Setembro 29 - alguma saída à vista?


Na próxima 4ª feira, dia 29, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) organiza um protesto em Bruxelas («Não à Austeridade»), onde são esperados mais de 100 mil sindicalistas europeus. Em vários países, Portugal incluído, estão também previstas acções de luta própria. Em Espanha, está convocada uma greve geral - para alguns, «a mais necessária desde que há democracia».

No mesmo dia tem lugar, também em Bruxelas, uma reunião dos ministros das finanças europeus, durante a qual, sabe-se agora, Durão Barroso deverá «propor que os países membros da Zona Euro com desequilíbrios orçamentais importantes passem a depositar dinheiro em depósitos bancários que só será devolvido se a situação for corrigida rapidamente». «O projecto (…) prevê um sistema de sanções que estipula, por exemplo, que um Estado-membro deve abrir um depósito bancário com um montante equivalente a 0,2 por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB), se o crescimento da sua despesa pública for muito superior ao do da sua economia». «Se o défice orçamental ultrapassar o limite máximo autorizado de 3,0 por cento do PIB, o país em causa deixaria de receber os juros associados ao depósito e poderia mesmo perder o montante depositado.» Etc., etc., etc.

No estado actual das coisas, as medidas agora pré-anunciadas só poderão agravar a «Austeridade» que se pretende ver diminuída e contra a qual se protesta.

Bruxelas não muda de agulhagem, pretende vencer sem sequer tentar convencer. Isto não vai acabar nada bem.
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Nobel da Paz para a Internet?


Os mais distraídos talvez já tenham esquecido que a Internet está nomeada para o Prémio Nobel da Paz 2010, cujo vencedor será anunciado já no próximo dia 8 de Outubro – uma entre 237 propostas, das quais 38 dizendo respeito a organizações.

Hipóteses (poucas…) de vitória à parte, e polémicas quanto ao significado e às políticas de bastidores que estão sempre envolvidas entre parêntesis, não deixaria de ser interessante que fosse reconhecido a força e o papel que ela tem representado, nomeadamente em momentos-chave da vida de países onde os direitos humanos são espezinhados. Para dar só um exemplo: quem não recorda a importância da utilização do Twitter na repressão que se seguiu às últimas eleições no Irão?

Existe um site ligado à candidatura, onde se pode subscrever um Manifesto:

We have finally realized that the Internet is much more than a network of computers.
It is an endless web of people. Men and women from every corner of the globe are
connecting to one another, thanks to the biggest social interface ever known to humanity.
Digital culture has laid the foundations for a new kind of society.
And this society is advancing dialogue, debate and consensus through communication.
Because democracy has always flourished where there is openness, acceptance,
discussion and participation. And contact with others has always been the most
effective antidote against hatred and conflict.
That's why the Internet is a tool for peace.
That's why anyone who uses it can sow the seeds of non-violence.
And that's why the next Nobel Peace Prize should go to the Net.
A Nobel for each and every one of us.




P.S. – Cheguei a tudo isto através de Yoani Sánchez, uma vez mais impedida de sair de Cuba para participar em vários eventos, um deles relacionado precisamente com esta candidatura ao Nobel da Paz. Talvez a autorizem agora a abrir um cabeleireiro privado, mas continua a não poder passar no controlo de passaportes do aeroporto José Marti.
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E foi assim que Marcelo Caetano sucedeu a Salazar (26/9/1968)


No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num curto e tétrico, mas absolutamente histórico discurso que aqui se reproduz (com a qualidade possível…).


No dia seguinte, às 17:00, tomou posse o novo governo e começou a chamada «Primavera Marcelista».

Das reacções que se seguiram, retenho um dossier especial de O Tempo e o Modo, publicado pouco depois, durante o quarto trimestre de 1968. Para além de um «Filme dos Acontecimentos» entre 7 de Setembro («Sua Excelência foi operado esta noite de um hematoma») e 6 de Outubro («O estado clínico do Presidente continua estacionário»), este nº 62-63 da revista contém depoimentos de várias pessoas que aceitaram responder à pergunta «Como encara o actual momento político?». [1] Testaram-se as novas liberdades anunciadas, no habitual jogo de gato e rato com a censura, bem patente no último parágrafo do texto de Nuno Bragança (na íntegra, no fim deste post - merece ser lido):

«”Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo”, disse o Prof. Marcello Caetano. Referir-se-ia ele ao gigantismo dos cíclopes ou à característica monocular dos mesmos? Creio que foi de António Sérgio a conhecida e terrível frase: “O drama de Portugal não está em que nele reine quem tiver um olho só, mas no facto de alguns arrancarem um dos olhos para poder reinar”

[1] Este dossier foi republicado em O Tempo e o Modo – Antologia, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Nacional de Cultura, Lisboa, 2003, pp. 613-648.
Depoimentos de António Alçada Baptista, Eduardo Prado Coelho, Francisco Balsemão, Joana Lopes, Jorge Sampaio, Luís Moita, Manuel Roque, Nuno de Bragança e Raul Rego.

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Resultados do Inquérito e um pequeno anúncio


Terminou o tempo dado para a resposta a um pequeno inquérito sobre as preferências dos leitores deste blogue. Antes de mais, agradeço a todos os que responderam, aos que deixaram comentários e aos muitos que me contactaram por e-mail: foi interessante e agradável.

Resultados:
Que temas prefere ver abordados neste blogue?
  • Actualidade nacional – 60%
  • Actualidade internacional – 60%
  • Memória histórica – 75%
  • Religião / Igreja – 35%
  • Humor, Música, etc. – 31%
A principal conclusão que tiro, não só quantitativa mas sobretudo qualitativamente, é que devo abordar mais temas relacionados com Memória, o que tenho feito pouco nos últimos tempos – registei…

A título experimental, abri agora, na Barra Lateral, uma modestíssima secção onde irei pondo ligações para textos, vídeos e sites relacionados com Memória Histórica - sem qualquer sistematização, à medida que as for encontrando. Para cada entrada, haverá, numa página interior, uma pequena descrição e o arquivo de todas as ligações anteriores.

Toda a contribuição dos leitores será bem-vinda…
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25.9.10

Ciganos - «O que terá começado primeiro, a expulsão ou a recusa de entrar?»


Foram publicados hoje dois importantes textos na imprensa portuguesa:

DN, Fernanda Câncio - Os sentimentos destes ocidentais
Uma estudante de enfermagem e outro de engenharia física, um estagiário de advocacia e um educador falam de estereótipos, de integração e assimilação, de estigma e exclusão, de pertença e de recusa. e dessa linha que faz a diferença entre o eles e o nós, os 'ocidentais' de cá e de lá.

Suplemento «Actual» do Expresso, pp. 38-41 (sem link, mas em breve online e devidamente assinalado aqui), José Gabriel Pereira Bastos - Sobre a questão cigana
A decisão do Presidente Sarkozy de expulsar os ciganos não é um caso circunstancial, insere-se numa longa história de racismo e ciganofobia. O caso português. Culturalmente nómadas? Culpar a vítima.


Muita informação também em França:

Le Monde, Christian T. - Les gens du voyage sont-ils nomades ?
Nomadismo e sedentarização, um tema também largamente abordado por José Gabriel Pereira Bastos.

Nouvel Observateur, Georges Jacknovitz - Les roms et les juifs
Em comum, a rejeição que estas duas comunidades suscitam nas sociedades estabelecidas.
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Se os nossos políticos ficassem quietinhos «cá dentro», nada disto aconteceria


Depois de a polícia finlandesa andar à procura de um vigarista muito parecido com Durão Barroso, é a vez de Sócrates ser confundido com comunista em Nova Iorque.
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Algo me diz que acabarão todos assim

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As Cidades e as Praças (4)



Schwedagon, Yangon (2009)
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24.9.10

Vida Moderna

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Era uma vez…


«Como casi nunca tenía nada que hacer en su puesto de electricista de mantenimiento, Cuco era el que se ocupaba de actualizar diariamente el mural del sindicato; llevaba además, con esmerado rigor, la libreta donde se anotaba el cumplimiento de la Guaria Obrera y era el encargado de darle la bienvenida a los nuevos trabajadores. (...)

Por todo eso y porque en realidad nunca tenía nada que hacer, nadie le quiso poner a mano el periódico Granma del pasado lunes 13 de septiembre donde la última página estaba dedicada totalmente a publicar el pronunciamiento de la Central de Trabajadores de Cuba en el que se anunciaba que, como parte del proceso de perfeccionamiento del modelo económico cubano, medio millón de trabajadores vinculados a diferentes sectores estatales quedarían disponibles, o sea, serían despedidos. (…)

Cuando terminó de leer el texto tuvo la extraña sensación de que se había saltado una línea muy importante. No era posible que sus máximos dirigentes sindicales hubieran olvidado que él no era solamente el asalariado de una empresa del Estado, sino además el fiel afiliado, que durante su impecable trayectoria laboral había cotizado puntualmente. (…)

Como electricista podría ganarse la vida en su futuro nuevo papel de cuentapropista, pero no sabía a qué Círculo Social llevar a su familia, ni con quién compartiría los matutinos. Estaba confundido. ¿Cómo aportaría su jornal de un día a las Milicias de Tropas Territoriales, a qué Brigada de Respuesta Rápida podría incorporarse, cómo quedaba el asunto de los méritos, con quién tendría que emular, quién le entregaría ahora algún diploma? ¿Será que nada de eso era importante?»

(Fonte)
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Recordações


Das tentativas para ouvir a Rádio Voz da Liberdade, de Argel, nos idos de 60.
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Uma já morreu


Cerca das 21h de ontem (hora local), Teresa Lewis morreu por injecção letal, numa prisão algures na Virgínia. Alegadamente atrasada mental (QI=72), foi acusada de estar na origem da morte do marido e de um filho.

Impossível não pensar em Sakineh. Tudo diferente, tudo semelhante: seres humanos que se sentem com direito de retirar a vida a outros seres humanos.

EUA e Irão – uma mesma derrota, uma enorme vergonha. Não há justificações, não há desculpa. Barbárie.

«Quiero anunciar que todos los comunicados de la República Islámica [sobre el caso de Sakineh], incluido el [de la oficina de] derechos humanos, son falsos y mentira, y que mi madre aún está sentenciada a morir lapidada.»
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Pela Blogosfera


O veteraníssimo jpt anunciou aos amigos que se afastou do ma-shamba, «por tempo indeterminado», e se encontra agora por aqui, naquilo a que chama «crónica de uma derrota anunciada»…
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As Cidades e as Praças (3)



Plaza de Mayo, Buenos Aires (2003)


Mercedes Sosa, Chacarera del olvidao (Plaza de Mayo 25-05-2007)
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23.9.10

Quando Maomé não vai à montanha…


Algures na Toscana, há séculos que Prato é célebre pelos seus têxteis de grande qualidade, fazendo jus à fama mundial do chiquérrimo «Made in Italy».

Eis senão quando, há pouco mais de duas décadas, viu chegar os primeiros chineses que, muito rapidamente, cresceram e se multiplicaram, trouxeram primos e primas e têm hoje 3.200 empresas que fabricam roupas, sapatos e acessórios, muitas vezes com materiais importados da China, para os venderem depois localmente ou os exportarem para o mundo inteiro.

Problemas à parte, que não são poucos, alguém poderá contestar a legitimidade das etiquetas que usam nos seus produtos? «Made in Italy», sem qualquer espécie de dúvida…

(Fonte)
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Associações imediatas do primeiro grau


O barbeiro da aldeia deve barbear todos os homens que não se barbeiam a si próprios e só estes. Se não se barbeia a si próprio, a regra não é cumprida. Se se barbeia, também não.

Útil, em muitas situações, este paradoxo da teoria dos conjuntos, atribuído a Sir Bertrand Russell.

Volta hoje pela leitura deste título.
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Uma voz de um outro mundo


Se eu nunca tivesse estado no Butão, teria lido o título e passado à frente: «Bring happiness on board», disse há três dias na ONU o primeiro-ministro daquele país, propondo que a «Felicidade» seja o 9º Objectivo de Desenvolvimento do Milénio - «a goal that stands as a separate value while representing as well the sum total outcome of the other eight».

«Through the pursuit of such a goal, we’ll find the reason and genius to moderate and harmonize our otherwise, largely material wants with the other equally important human needs and nature’s limitations», «It’s what will make life on earth sustainable. And the way in which a nation pursues this goal will be a measure of its devotion to the promotion of its people’s true well being».

Retomo o que aqui escrevi há alguns meses:

«Saio amanhã do Butão (…) com uma enorme simpatia por este povo de uma delicadeza que roça a candura. E com uma grande curiosidade quanto à evolução política e social de tudo isto: para os nossos cérebros ocidentais, é difícil levar a sério o tal conceito de «Gross National Happiness» e confesso que ouvir dizer, sem pestanejar, que se mede o desenvolvimento e o progresso de um país pelo grau de sorriso das pessoas ultrapassa todas as utopias com que alguma vez sonhei…»

Passado algum tempo, lendo tudo o que me aparece sobre a atenção que a experiência daquele minúsculo país, aparentemente perdido nos imensos Himalaias, vai merecendo nas mais racionais arenas, já começo a pensar que…sei lá…, talvez…, porque não?... Pelo menos «era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto»...

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Outono

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22.9.10

Partir


«Le désir d’ailleurs a toujours sollicité vivement les âmes à peine trempées, blessées ou douloureuses. Le voyage est pourvoyeur d’horizons qu’on imagine neufs, lorsqu’en partance pour le bout du monde, on oublie qu’on est toujours dédespérément et irrémédiablement seul, condamné à sa proper compagnie. D’aucuns voient dans cette sapience élémentaire un argument pour ne jamais quitter leur chambre, voyager en elle et demander à leur seule âme les images et les idées qu’um dépaysement pretend assurer. Qui écrira un jour, pourtant, ce que doivent les oeuvres esthétiques, donc les idées, aux voyages, exils, déracinements, et autres départs pour de nouvelles illuminations?
Lorsque ce ne sont pas seulement les individus qui aspirant à l’ailleurs, ce sont aussi parfois des civilisations, voire des époques, sinon des corporations ou des cristallisations grégaires qui en font la promotion et l’usage.»

Michel Onfray, Métaphysique des ruines
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Somos todos mais ou menos suecos?


Os resultados eleitorais de há poucos dias são muito difíceis de digerir, não só na Suécia que se manifesta na rua contra o que provocou nas urnas, mas para toda a Europa. Já muito foi escrito sobre o tema, mas um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de hoje, vai ao cerne da questão «da estranha morte da social-democracia sueca».

Nem é propriamente de «crise» que se trata, num país em que «o PIB deverá crescer 4,5 por cento este ano e o desemprego, na casa dos oito por cento, começa a diminuir», mas sim de um caso em que «o factor imigração parece jogar em estado puro. Os estrangeiros representam hoje 14 por cento da população total, número-recorde na Europa».

Situação limite, portanto, do «drama» deste envelhecido continente:

«A imigração toca o modelo de civilização e a segurança interna da Europa. O continente terá cada vez mais imigrantes e mais muçulmanos. Para manter o ratio activos/inactivos, a UE deverá acolher nas próximas duas décadas mais de cem milhões de imigrantes. O simples envelhecimento da população torna a imigração um imperativo de sobrevivência. É esta a dimensão do problema.
Os populismos xenófobos, ao contrário dos fascismos, não se apresentam como antidemocráticos. Cultivam certamente a "antipolítica", apelam ao "verdadeiro povo" contra as elites, procuram bodes expiatórios, mas jogam dentro das instituições. Serão antes "uma degenerescência da democracia representativa" (Yves Mény).»
(O realce é meu,)

A questão que envolve Sarkozy e os ciganos é certamente gravíssima em si mesma, mas é também, e talvez principalmente, a ponta de um iceberg cujas dimensões nem conseguimos ainda vislumbrar. Uma Europa que saiba acolher 100 milhões de imigrantes ou...?
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Depois, queixemo-nos


Não há estado social que aguente isto.
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Semelhanças


A TSF noticiou que «um vigarista que foi identificado como tendo uma cara muito parecida com a de Durão Barroso», «aproximou-se de um transeunte numa cidade a 70 quilómetros a nordeste de Helsínquia e convenceu um finlandês a comprar fatos e outra roupa de luxo que tinham sobrado de uma passagem de moda ali perto».

E Manuel António Pina recorda o facto de «alguém com uma cara igualmente muito parecida com a do actual presidente da Comissão Europeia ter enganado milhares de pessoas numa cidade a 1600 quilómetros de Lisboa. Estava acompanhado de três indivíduos com caras muito parecidas com as de George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar». «Ninguém anda atrás dos quatro da Base das Lajes. Nem a sua consciência.»

Nem a deles, nem a nossa consciência: na guerra do Iraque, «cerca de 1 milhão de mortos, 4,5 milhões de deslocados, entre 1 e 2 milhões de viúvas, 5 milhões de órfãos» (dados de Março de 2009).
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As Cidades e as Praças (2)



Plaza de Armas, Cusco (2004)


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21.9.10

Por outras, mas também por estas


Parte de uma entrevista a Manuel Alegre (1969), divulgada pelo ina.fr.



Já agora:
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Mister Geppetto, I presume


«Francisco Assis, líder da bancada do PS, decidiu escrever a Ana Gomes. Na missiva, a que o DN teve acesso, afirma que "não é verdade que os deputados do PS tenham votado de acordo com orientações vindas de cima".»
DN

P.S. – Ana Gomes colocou entretanto online:
* Carta do Deputado Francisco Assis
* Resposta ao Deputado Francisco Assis
«Pode o Francisco garantir-me que não recebeu, antes de tomar a decisão de instruir a bancada como instruiu, nenhuma orientação de "instâncias governamentais" a recomendar-lhe que determinasse aquele mesmo sentido de voto?»
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Memória de uma guerra

Este filme foi realizado na Guiné, em 1969, e é um importante documento. Termina com declarações de Spínola (num curioso francês técnico…).

Cheguei lá via Paulo Pedroso, no Facebook, e transcrevo os seus comentários:
«Não abundam testemunhos das acções militares da guerra colonial. Diz-me, aliás, uma testemunha que este é o único filme feito na Guiné que apanhou uma sequência real de guerra. Diz ele que os jornalistas franceses que seguiam nesta patrulha, mandada executar para que eles tomassem conhecimento com o dia a dia das tropas estacionadas em BULA, um pouco a Norte do Rio Mansoa, apanharam um susto, mas registaram algo que mais nenhum registou. A emboscada não estava "no programa", mas isto era o que podia acontecer sempre que se saía para o mato. Neste caso terá sido para os lados do CHOQUEMONE, uma das zonas quentes onde o PAIGC tinha "acampamento(s)", na área entre BULA-BISSORÃ-S. VICENTE (já no Rio Cacheu). Spínola, com a seu ajudante de campo (era ainda Almeida Bruno) e o Cmdt do Batalhão de BULA foram lá, mal tiveram conhecimento do que tinha acontecido.»



No mesmo site, do INA, há muitos documentos importantes, nomeadamente este, bem conhecido, com uma longa declaração de Amílcar Cabral.
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As Cidades e as Praças (1)



Place des Vosges, Paris(..., 1971,...)
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20.9.10

Europeus a menos?




E daí?
O mundo está cheio de gente.
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