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31.10.10

Conselhos úteis (2) – Cepticismo


«Não acredite em todas as verdades, nem duvide de todas as mentiras.»
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Já que a revolução parece adiada…


… Cohn-Bendit torna-se comentador televisivo de futebol e prepara um filme sobre o próximo Campeonato do Mundo de 2014. Sem «desertar da arena política», avisa.

Com jeito, ainda chega a presidente da França.

(Fonte)
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And the show goes on


«El Corte Inglés» distribuiu ontem gratuitamente com o Público, pelo menos em Lisboa, um verdadeiro livro de 260 páginas com a oferta de brinquedos para o Natal de 2010.

«Realizar os sonhos deles custa muito pouco», diz-se em título. Basta folhear o catálogo para perceber que não é tanto assim, mas um mergulho visual no andar respectivo do edifício do Bairro Azul, a partir das escadas rolantes que me traziam do andar superior, foi o suficiente para perceber que nem a chuva reteve em casa uma multidão de pais, avós e padrinhos, receosos de não poderem escolher antes que os stocks esgotem. Porque é mais do que garantido que nem a «Caravana super férias da Barbie», por 75 euros, nem mesmo o «Ferrari F1 carrinho de pedais», que custa 149,95, chegarão a Dezembro.

Tudo isto é absolutamente insensato, as crianças nem conseguem brincar com o que recebem, mas ninguém resiste - por mim falo. De ano para ano, a oferta cresce em espiral, as televisões bombardeiam os miúdos com anúncios (experimentem ver um canal infantil…), o que se passa hoje pouco tem a ver com a infância dos nossos filhos, mesmo que estes tenham agora apenas trinta e poucos anos.

Claro que só uma pequena percentagem da população vai ao Corte Inglés, mas o espectáculo multiplica-se por essas cidades fora, mais euro menos euro em cada brinquedo. E tudo irá parar a pequenos contentores de plástico no canto de um quarto, já a abarrotar com restos de outros natais e não só.

Realidade chocante, e sobretudo deseducativa, para gerações que terão de se habituar a viver com muito menos do que as dos seus pais e avós. Mas, no fundo dos fundos, alguém acredita realmente nisso? Claro que não!
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Que las hay


Clique aqui e siga as instruções.
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30.10.10

Cem anos


Espanha comemora hoje o centenário do nascimento do poeta Miguel Hernández que morreu com apenas 32 anos, num reformatório de Alicante.

Proibido durante toda a ditadura franquista, mais ou menos esquecido depois por muito tempo, é agora objecto de «uma identificação da memória cultural e popular» dos espanhóis que não se cansam de o homenagear, naquilo que alguns já chamaram um verdadeiro «tsunami poético» nunca dantes visto no país.

Algumas notas biográficas e um poema de MH interpretado por Joan Manuel Serrat:




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Conselhos úteis (1) - Concisão


Temas:
  • Religião
  • Monarquia
  • Sexo
  • Mistério

Redacção:
  • «Meu Deus», disse a rainha: “Estou grávida! Quem será o pai?»

(P.S. - Teria sido um conselho útil para os que hoje nos explicaram o caminho percorrido para chegarem ao «acordo» sobre o Orçamento...)
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Terminou o Caranaval


Começa hoje a Quaresma.
E amanhã é dia das bruxas.
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29.10.10

Ontem, com o Nuno


O auditório da Ordem dos Arquitectos foi pequeno para as muitas dezenas de pessoas que prestaram homenagem a Nuno Teotónio Pereira. Sobretudo colegas, mas também numerosos amigos que se espalharam por cadeiras, recantos e escadarias.


Foi um homem velho e doente, de 88 anos, que esteve presente na sessão de ontem. Com dificuldade em andar, cego desde há cerca de um ano e meio. E, no entanto, quando falou, durante vinte e cinco minutos, sem poder recorrer a qualquer espécie de apontamentos por razões óbvias, esteve ali com toda a lucidez e simplicidade, como sempre solidário com tudo e com todos. Disse e redisse, nem sei quantas vezes e de diversas maneiras, que nunca tinha querido fazer nada sozinho e que por isso tinha orgulho em não ser o único autor de muitas das obras referidas e elogiadas.

Sempre foi assim, na profissão e no resto da vida: impulsionador e dinamizador de equipas como nunca conheci outro, militante de uma persistência quase impossível nas causas em que se empenha, certamente uma das pessoas que mais admirei e admiro neste mundo.

Foi duríssimo o golpe que a vida lhe deu e só ontem me refiz do arrepio que me fulminou quando me telefonou, em Abril ou Maio de 2009, para me dizer muito simplesmente: «Entrei nas trevas». Custou-lhe muito aceitar o que lhe aconteceu. Mas levantou a cabeça e regressou à luta. Inteiro como sempre.
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Marcelino Camacho (1918-2010)


Com 92 anos, morreu Marcelino Camacho, fundador e líder histórico das Comisiones Obreras espanholas.

Um longuíssimo percurso - das juventudes comunistas à Guerra Civil e a décadas de ditadura -, durante o qual passou catorze anos em prisões e campos de concentração.

Já em democracia, foi eleito secretário-geral das Comisiones Obreras em 1976 e deputado pelo PCE nas primeiras eleições livres, em 1977, instituições em que se manteve até à morte.

Informação mais detalhada, por exemplo aqui.




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Galinha o põe


«Maria Barroso e Isabel Soares na campanha de Fernando Nobre.»
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António Costa e o seu centrão


Talvez com uma certa dose de masoquismo, continuo a ver a «Quadratura do Círculo», o programa de «debate» mais previsível que imaginar se possa.

Ontem, António Costa insistiu num tema que lhe é caro nos últimos tempos e que ultrapassa o que, apesar de tudo, esperava ouvir da sua parte.

Em resumo, e perante a hecatombe a que assistimos, pretende o putativo (ex-?)-sucessor de Sócrates que a Constituição garanta que qualquer governo minoritário trabalhe em paz, mais concretamente que o maior partido da oposição seja impedido de lhe criar problemas na AR em matéria de programa de governo e de aprovação do Orçamento, de modo a que estes tenham passagem assegurada à partida. Note-se que nem se trata aqui dos famigerados «consensos», mas sim de um de pacto de sangue entre irmãos eventualmente fratricidas.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se: as questões verdadeiramente decisivas para a vida dos portugueses «sairiam» do Parlamento (dispensável, certamente, a discussão geral sobre o Orçamento) e nenhum partido da oposição teria voz na matéria (a não ser, talvez, na discussão em especialidade). Assim mesmo, de uma penada, para um reinado sem grandes solavancos de um ou outro dos dois partidos maioritários. Os mais pequenos seriam mesmo dispensáveis: no limite, poderiam dedicar-se a redigir votos de louvor e de pesar.

Argumenta-se que disposições deste tipo existem noutros países, sem ter em conta os diferentes contextos históricos e cívicos.

Mas porque não uma coligação, a concretização do tal Bloco Central que todos dizem condenar mas que nos entra pela casa dentro quase vinte e quatro horas por dia? Por causa da sacrossanta «alternância», obviamente, com todas as benesses que conhecemos.

O perigo de uma aproximação deste tipo é que ela seja bem acolhida, não pela sua virtude mas pelo cansaço generalizado perante o degradante espectáculo a que temos assistido nas últimas semanas. Mas o saldo deste período é, no meu entender, extremamente positivo, qualquer que seja o seu desfecho: vimos muitas coisas que estavam debaixo de tapetes vários e, sobretudo, houve finalmente a oportunidade de forçar a entrada na discussão de alguns protagonistas que estão normalmente fora do baralho.

Nada disto teria acontecido se os sonhos de António Costa se tornassem realidade. E é fundamental que se perceba que ele está o tocar no cerne do sistema democrático que temos enquanto não construirmos um outro melhor e que aquilo que propõe é uma certa forma de suspensão da democracia, não por seis meses mas ad eternum.

Se o PS está condenado a ceder muitas cadeiras ao PSD, como os últimos dados parecem confirmar, ao menos que o faça com um mínimo de dignidade.

P.P. - O Jorge Nascimento Fernandes já publicou um texto sobre este assunto.
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As Cidades e as Praças (28)



Praça Florians, Garmisch (1986)
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28.10.10

«Ich bin ein Berliner» - Agora é que dava jeito!


A Helena vive em Berlim e conta como é:

«O abono de família alemão é assim: 184 euros por criança, 190 para o terceiro, 215 para o quarto e seguintes. Uma família com seis filhos receberia mensalmente 1203 euros.»

Vai haver cortes? Sim, mas para rendimentos mais altos do que «250.000 euros anuais, ou 500.000 no caso de ambos trabalharem».

E continua a explicar: «Os custos de alimentação aqui são semelhantes aos portugueses. As rendas de casa são aceitáveis (nós pagamos, numa das melhores zonas de Berlim, cerca de 6 euros por metro quadrado). (…) Os cuidados de saúde das crianças são gratuitos (do champô para piolhos até às férias na praia ou nas termas para tratar a asma). O ensino é mais barato que em Portugal, porque (ainda) é a escola que empresta a maior parte dos livros. As famílias que têm menores rendimentos recebem participações especiais para as crianças terem acesso a actividades extra-escolares ou participarem nos passeios da turma.
Entre a Alemanha e Portugal: tanto mar, tanto mar.»

Nem sequer a 3.000 quilómetros, Helena, mas manda-nos notícias do além!
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Don't cry


Para quem se interessa pela história recente desse espantoso país que é a Argentina, a propósito da morte de Sin Kirchner : Lecturas bipolares de un fallecimiento e muitos outros textos publicados em El País.
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Avante!?


A leitura das quintas-feiras nem sempre me traz novidades, mas hoje fiquei curiosa ao ler no Editorial:

«Neste quadro insere-se também a candidatura do camarada Francisco Lopes, uma candidatura que, como os factos mostram, avança com confiança: crescem os apoios de personalidades oriundas de quadrantes políticos diversos e de diversas opções ideológicas(realce meu)

Apoiantes de quadrantes políticos e opções ideológicas diversos? Alguém pode dar-me uma listazita de nomes? É que fiquei mesmo curiosa e não tenho imaginação para lá chegar…
(E, sim, fui à página do PCP na internet e, sim, sei que ela só inclui um primeiro conjunto de pessoas.)
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Orçamento ao fundo? Um calendário possível


  • O PSD continua no Nim até ao dia de finados.
  • Passa para o Não na AR, no dia 2 ou 3 de Novembro.
  • O dr. António Borges ajeita a gravata e prepara-se para desembarcar em Lisboa como Mr. FMI.
  • Hu Jintao adianta-se, aterra na Portela no dia 6, a convite de Cavaco Silva, e compra a dívida portuguesa.
  • Cavaco faz uma comunicação ao país e diz, uma vez mais, que é ele o salvador da pátria.
Os portugueses respiram fundo e precipitam-se para as primeiras compras de Natal.
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27.10.10

De proibido a obrigatório


Quaisquer que sejam as leituras possíveis, não deixa de ter uma forte carga simbólica, e de ser de certo modo surpreendente, esta notícia agora divulgada: o célebre Arquipélago Gulag de Alexander Solzhenitsin, publicado pela primeira vez em 1973 mas proibido na Rússia até 1989, passa a ser leitura escolar obrigatória naquele país, para estudantes de 16 e 17 anos.

O primeiro-ministro Vladimir Putin aplaudiu a iniciativa da viúva do escritor, que preparou uma versão reduzida da obra, onde são mantidos os sessenta e cinco capítulos mas que tem apenas cerca de um quatro do número de páginas. «Livro muito necessário», terá afirmado Putin, já que, «sem conhecer o seu conteúdo, não poderemos ter uma ideia completa do nosso país e dificilmente poderemos pensar no futuro».

Nem mais. Nos bancos da escola, com o Kremlin ou estepes em pano de fundo - e mesmo em Kolima.

(Fonte)
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Claro que há alternativas


«Este OE vai criar uma lógica de recessão salarial, laboral, de consumo e investimento. A justificação já a sabemos: é preciso reduzir o défice. Mas a história não acaba aqui. É preciso saber se não estamos a entrar num ciclo infernal de instabilidade e insustentabilidade da economia, da sociedade e até da política. Acho que o OE vai gerar instabilidade social, porque os seus impactos do ponto de vista social são altamente assimétricos. A classe média é atingida, mas quem vai sair mais prejudicado são as classes baixas. Eu, por exemplo, vou sofrer um agravamento fiscal muito significativo, mas quem ganha metade do que eu vai ter um agravamento fiscal proporcionalmente idêntico, o que não é tolerável. A economia vai ficar numa anemia terrível e entrar numa dinâmica de insustentabilidade - retracção do consumo e investimento e nenhuma garantia de progressão nas exportações. Faz sentido discutir se a ambição de recuperação do défice justifica isto, porque a recessão vai cortar no PIB e prejudicar essa meta.»
José Reis, Público (16/10/2010)



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Já que temos um PR que não gosta de utopias e de ilusões


(Roubado ao jpt que já o tinha descoberto não sei exactamente onde)
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Homenagem


Nuno Teotónio Pereira
Amanhã, 5ªf, às 18:30, na Ordem dos Arquitectos, em Lisboa

O Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos vai levar a cabo no dia 28 de Outubro, às 18h30, uma homenagem ao arq. Nuno Teotónio Pereira, presidente da Associação dos Arquitectos Portugueses entre 1984 e 1989. Associando-se à homenagem, a OASRS inaugura nesse dia, uma Exposição dedicada ao arquitecto na Biblioteca Keil do Amaral. A entrada em ambos os eventos é livre.

A cerimónia contará com a presença dos arquitectos Álvaro Siza Vieira, Manuel Tainha, Francisco Silva Dias e com o próprio Nuno Teotónio Pereira. A arq. Ana Tostões apresentará o filme Nuno Teotónio Pereira – Um Homem na Cidade, de Joana Cunha Ferreira, cujo lançamento decorrerá na altura.

Uma placa alusiva à designação do Auditório da Ordem dos Arquitectos, com o nome do arquitecto homenageado, será colocada na ocasião.

Na Biblioteca Keil do Amaral estará patente uma exposição bibliográfica dedicada ao “Arquitecto Nuno Teotónio Pereira”. A mostra reúne uma selecção das obras existentes no acervo documental da Biblioteca, onde está exposta, e o espólio doado pelo arquitecto à OA.

A exposição poderá ser visitada de 28 de Outubro a 12 de Novembro, todos os dias úteis, das 9h30 às 18h.
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Um outro Outubro


Foi um post do Miguel Serras Pereira que me recordou que passa esta semana mais um aniversário sobre a «Revolução Húngara» de 1956.

Não entro em detalhes, mas é sabido que tudo começou no dia 23, no centro de Budapeste, com uma manifestação de milhares de estudantes que tentaram ocupar a rádio e foram reprimidos, que a revolta alastrou ao resto do país, provocou a queda do governo e a sua substituição. Que em 4 de Novembro se deu a invasão pelas tropas do Pacto de Varsóvia e que a resistência acabou daí a seis dias. A operação saldou-se por alguns milhares de mortos e por um verdadeiro êxodo de cerca de 200.000 húngaros, sobretudo jovens, que fugiram do país e pediram asilo um pouco por toda a Europa e também na América, do Norte ao Sul.

E é aqui que entra a minha história. Entre os muitos países procurados por jovens estudantes que foram saindo da Hungria assim que puderam, a Bélgica foi um deles e eu cheguei à Universidade de Lovaina um ano mais tarde. Já encontrei muitas dezenas e vi chegar outros, ainda com olhar inquieto depois de longas peregrinações por diferentes paragens. Partilhei residências universitárias com alguns e, curiosamente, houve imediatamente uma grande empatia ente húngaros e os pouquíssimos portugueses que por lá andavam.

Tudo era ainda muito recente, as histórias multiplicavam-se e estarreciam-me pela total novidade que eram para quem nunca na vida tinha conhecido qualquer cidadão de Leste. Durante muito tempo, estudei, li e interpretei muitas realidades, não só mas também com olhos húngaros, e quando vi Praga 68 foi Budapeste 56 que imaginei permanentemente.

Poderia contar dezenas de episódios, mas limito-me ao mais trágico: um surto de loucura, (latente, certamente, mas que só se revelou seis anos depois da fuga) numa rapariga impecável e inteligentíssima que um dia se barricou no quarto durante várias horas, ameaçando suicidar-se, porque via caras de soldados russos reflectidos no lavatório e tinha outras alucinações do mesmo tipo. Só cedeu a um polícia, também inteligente, que do outro lado da porta a convenceu de que vinha prender os russos e a levou para um hospital psiquiátrico.

Isto passou-se na residência onde ambas morávamos, a alguns metros de distância. No dia seguinte defendi a minha tese de doutoramento e dois dias depois regressei a Portugal. O fim da minha longa estadia belga ficaria para sempre ligado a uma terrível recordação de Budapeste 56.
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As Cidades e as Praças (27)



Praça dos Heróis, Budapeste (1986)
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26.10.10

Com o Mar da Prata em pano de fundo


Os factos são conhecidos mas vale a pena regressar de vez em quando aos números para ter consciência da dimensão da tragédia: na Argentina, em apenas sete anos da ditadura militar, de 1976 a 1983, terão «desaparecido» cerca de 30.000 pessoas e leio hoje que ainda só foram identificadas 350.

Convém também lembrar que, dessas 30.000, muitas eram crianças, roubadas para famílias sem filhos, e que continuam sem saber quem são os seus pais biológicos. Estamos a falar de jovens adultos, hoje com idades à volta dos trinta anos e não de mortos de passados longínquos.

Daí, a enorme importância da campanha nacional iniciada há três anos e que, através de análise de ADN, permitiu acelerar muito significativamente o número de identificações e é responsável por quase 50% das mesmas.

Não só mas também por isso, a Argentina é um país especialmente sensível a impunidades de responsáveis por vítimas de outras ditaduras e não se cala quanto ao que se passa em Espanha relativamente aos processos relacionados com as do franquismo. Nesse contexto, um juiz de Buenos Aires enviou agora ao governo espanhol um conjunto de denúncias de assassinatos e de torturas, apresentado por familiares e por doze associações de direitos humanos. Recorde-se que o facto de estas queixas serem apresentadas naquele país, e não em Espanha, tem como origem a suspensão de actividade e o processo de que é alvo o juiz Baltasar Garzón no seu país.

A seguir com atenção.

(Fontes 1 e 2)


Mercedes Sosa - Chacarera del olvidao
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Hoje, às 20:00?


Não teria podido esperar mais uns diazitos?
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Governados por «kromos»



Hoje, Vera Jardim, vice-presidente da bancada socialista e um dos autores do diploma que deu acesso a todas as confissões religiosas aos mesmos benefícios fiscais que a Igreja Católica, afirma ao Público que «duvida da constitucionalidade da proposta» e a considera um «retrocesso muito negativo», que recusa a «discriminação entre a Igreja Católica e as outras religiões» e que é «imperativo que rapidamente o Governo clarifique a sua posição».

Note-se que até o porta-voz da Conferência Episcopal já veio dizer que a Igreja Católica «não pode estar de acordo com tratamentos discriminatórios».

De onde poderá ter vindo esta aberração? De alguém, de «alguéns», mais papistas que os próprios papas (que os há, papistas, nas altas esferas de S. Bento), que tiveram a brilhantíssima ideia de proteger a ICAR dos sacrifícios pedidos a todos os outros. A ver se «a coisa» passava, com o barulho das luzes e tomando-nos a todos por parvos.

Pode ser que me engane, mas isto vai acabar com a devolução de privilégios às outras igrejas (peanuts, na realidade) e não, como devia ser, com a abolição dos mesmos para todos. Ou não: talvez se acredite que será a irmã Lúcia a fazer-nos sair da crise e as demais capelas nada têm a dar para a troca…
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As Cidades e as Praças (26)





Praça Bolivar, Panamá (2006)
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25.10.10

Com 24 horas de atraso


Há quarenta anos, em 24 de Outubro de 1970, Salvador Allende foi confirmado como presidente do Chile e instaurou um governo de unidade popular que duraria menos de três anos e que acabou como se sabe.



A História e as histórias do Chile são fascinantes e, recentemente, entraram pelas nossas casas dentro com uma terrível intensidade.

Gosto muito desse país e lá estarei em breve: daqui a um mês, mais dia menos dia.
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Desculpem a insistência


… mas trata-se de um complemento perfeito ao que escrevi aqui, há dois dias. Manuel António Pina, no JN de hoje:

«A atribuição ao resistente cubano Guillermo Fariñas do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, com que o Parlamento Europeu (PE) homenageia pessoas ou instituições que se evidenciam na defesa dos direitos humanos e da liberdade, desapontou os eurodeputados portugueses apoiantes de outras candidaturas.

Perder uma votação é (deve ser, mas que sei eu?) frustrante. Mas daí a contabilizar o sofrimento e a humilhação individual para concluir que "o meu violador de direitos humanos é pior que o teu" vai um precipício moral que, como diz Steiner, constitui "uma obscenidade adicional ao acto de despersonalizar a desumanidade".

Foi o que fizeram Ana Gomes, do PS, e Miguel Portas, do BE (…) e Ilda Figueiredo, do PCP. (…) Há algo de facto obsceno no espectáculo desta gente sentada nas suas poltronas a fazer contas, de máquina de calcular na mão, ao sofrimento alheio e a decidir quem sofre mais e quem sofre menos.»
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A Europa no seu melhor


Depois das ilhas italianas, as árvores inglesas.

Estão a ir os dedos, mas os europeus, e mesmo os portugueses, dificilmente aprenderão a prescindir dos seus anéis – até um dia…
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Há algo que justifique uma cena destas?



Não vale dizer que a culpa foi do 25 de Abril e do PREC!
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Pela laicidade


Comunicado à Comunicação Social

1. A Associação República e Laicidade saúda a decisão do governo da República de revogar o artigo 65º da Lei da Liberdade Religiosa. Efectivamente, desde a sua fundação que a Associação República e Laicidade se opôs às discriminações positivas introduzidas pela referida lei, em matéria fiscal ou outra, a favor das comunidades religiosas não católicas e dos cidadãos dessas comunidades.

2. Nesse sentido, a Associação República e Laicidade considera incoerente, lamentável e discriminatório que o governo não revogue igualmente as disposições da Lei 20/90 aplicáveis à Igreja Católica, criando assim uma discriminação positiva exclusivamente a favor dessa comunidade religiosa.

3. A Associação República e Laicidade recorda que o governo mantém inalterados outras vantagens fiscais das pessoas colectivas religiosas, como as isenções de IMI (nº1 do artigo 32 da Lei de Liberdade Religiosa e nº2 do artigo 26 da Concordata), de outros impostos patrimoniais (nº2 do artigo 32 da Lei de Liberdade Religiosa e nº3 do artigo 26 da Concordata) e o regime de dedução à colecta dos donativos a comunidades religiosas.

4. Finalmente, refira-se que a aplicação de regimes semelhantes a comunidades religiosas e a Instituições Particulares de Solidariedade Social é questionável, porque enquanto as segundas fornecem serviços de utilidade social e interesse público, as primeiras têm uma natureza distinta e orientam-se para a organização de actividades religiosas que, embora inteiramente legítimas, são de interesse privado.

Ricardo Alves (Presidente da Direcção)
Associação República e Laicidade
Lisboa, 24 de Outubro de 2010

(Daqui)
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24.10.10

Chávez – a maior das notícias


Para além de tudo o resto, das duas mãos dadas a Sócrates, dos milhões de Magalhães que voarão para Caracas, dos barcos velhos e novos feitos em Viana, Hugo Chávez veio a Portugal anunciar – eu vi, eu ouvi – que a União Soviética não acabou!!! Por essa é que nem a camarada Jerónimo esperava…
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20 milhões de estudantes

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Isto e muito mais, nesta impressionante apresentação que dá muito que pensar.



(Ver na totalidade do ecrã.)

Como complemento, ler Leve que é garantido, é "Made in China", um interessante texto do meu amigo Vítor Trigo que, finalmente, cedeu aos encantos da blogosfera.
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Desnorte


Ontem soube-se que «o Governo quer retirar os benefícios fiscais concedidos em 2001 às instituições religiosas não católicas e às instituições particulares de solidariedade social (IPSS), mas mantendo os apoios concedidos desde 1990 à Igreja Católica». Julguei, durante umas horas, que podia ser uma história mal contada, mas tudo leva a crer que não, pelos detalhes da notícia e pela ausência de desmentidos que não consegui obter, nem on nem em off. Atentado a um mínimo de respeito pela liberdade religiosa tão dolorosamente conquistado, que está já aliás a ser denunciado como inconstitucional, poupança discriminatória absolutamente escandalosa e incompreensível a favor da Igreja Católica.

Mas hoje lê-se que, desde o início do ano, o mesmo governo concedeu isenções fiscais a uma centena de ranchos, clubes e fundações, pelo menos seis durante a semana passada.

Que tipo de instituições? Do mais variado que imaginar se possa: desde a Câmara de Comércio Luso-Chinesa à Associação de Ténis de Mesa do distrito de Viseu, passando pelo Clube de Futebol «Os Armacerenses» e pelo Rancho Folclórico Camponeses de Arosa e aterrando finalmente no Centro de Conservação das Borboletas de Portugal e na Associação Columbófila do Distrito de Lisboa.

Não se argumente que se trata muito provavelmente de verbas quantitativamente simbólicas, não só porque também de símbolos vive o homem mas, sobretudo e de que maneira, porque já se está a bater no fundo quanto a pequenas importâncias retiradas aos bolsos de portugueses pobres.

Espero que, a esta hora, as belas cabeleiras brancas de Teixeira dos santos e  de Eduardo Catroga não estejam mergulhadas nos estatutos da Associação Columbófila de Esgueira ou do Grupo Mon Tricot, num esforço de consensos para decidirem se estão ou não isentos de IVA e de outras benesses fiscais . Mas já não digo nada...
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José Rodrigues dos Santos e o seu anjo


Custa-me viver num país onde alguém como José Rodrigues dos Santos já vendeu mais de um milhão de exemplares dos seus livros e cerca de 500 pessoas assistiram agora ao lançamento de O Anjo Branco, mas não tenho outro remédio e dei por mim a ler notícias relacionadas com o tema.

Inspirado na vida do pai que foi médico na guerra, em Moçambique, esta sua última obra é ficção que pretende ser historicamente fidedigna, ou o inverso, julgo que tanto faz, e o ABM, que assistiu à sessão de lançamento (e a quem roubei a foto) resume o que o autor disse sobre o tema.

Ouvi também declarações de JRS á Visão, todas mais ou menos deste tipo: «O romance foca uma contradição (…): o meu pai levava os feridos para o hospital e ficava um ferido da Frelimo ao pé de um soldado». Nem mais.

Enfim, podia dar-me para pior numa manhã de domingo…

P.S. – A propósito de um outro livro de JRS, vale a pena ler este texto de Vasco Barreto e ver o vídeo nele referido. Bem elucidativo.
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As Cidades e as Praças (25)





Praça da Cultura, San Jose (2006)
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23.10.10

Guillermo Fariñas, o Prémio e o Bloco


Como é sabido, o Parlamento europeu atribuiu este ano o Prémio Sakharov ao opositor cubano Guillermo Fariñas, protagonista de uma recente e longuíssima greve de fome em luta pela libertação de presos políticos no seu país – greve pelo menos parcialmente «vencedora», diga-se de passagem.

É a terceira vez, em oito anos, que o prémio é atribuído a resistentes cubanos e terão sido os agrupamentos à direita que ganharam a votação, quando outros teriam preferido a etíope Birtukan Mideska ou a ONG israelita «Breaking the Silence». Absolutamente legítima a reivindicação de uma distribuição mais universal, mas parece-me que o impacto recente dos actos de Fariñas justifica amplamente a atribuição do prémio. E esperemos para ver se o governo cubano vai permitir que Fariñas se desloque a Estrasburgo para o receber (?!...) ou iremos a assistir a uma nova greve de fome, já anunciada.

Mas uma coisa é perder uma votação e outra é condenar o seu resultado. Neste contexto, não entendi os argumentos de Miguel Portas que, ainda segundo o Público, lamentou a decisão e referiu a este propósito, o «reacender de guerras frias acabadas» de «um tempo que já passou». E registei, com perplexidade mas satisfação, que ele retirou entretanto do seu Facebook estas afirmações, e outras no mesmo sentido, que lá tinha publicado…

Eis senão quando esbarro com uma intervenção de Luís Fazenda na AR, em que este retoma e amplifica o assunto, com a veemência que o caracteriza (alguém o interpelou? havia necessidade?):


Regressa ao tema «guerra fria», levantado por Miguel Portas, como se quem é contra a falta de liberdade de expressão em Cuba estivesse automaticamente ao serviço dos EUA (mas onde é que eu já ouvi isto?...), e insurge-se contra a utilização do prémio «para que sejam atingidos determinados fins», numa «insistência que não pode deixar de ter uma leitura política». 

Convém talvez lembrar que se trata de um prémio que é definido como «meio para homenagear pessoas ou organizações que dedicaram as suas vidas ou acções à defesa dos direitos humanos e à liberdade». Havia certamente dezenas de candidatos possíveis, mas não cabe Fariñas nesta definição?  Ou  não haverá ainda um T-shirt do Che escondida debaixo de muitas camisas do Bloco?

P.S. – Por informações entretanto recebidas, fiquei a saber que apenas o PCP e o PEV votaram contra o «voto de saudação» apresentado ontem na AR pelo CDS, pelo que presumo que esta intervenção de Luís Fazenda seja uma declaração de voto do Bloco: a favor mas com estas reservas. Fica explicada a existência da intervenção, mas em nada se altera a minha opinião sobre o conteúdo da mesma.
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Da decência


«Eu preferia um país onde um deputado me dissesse: "Tive um convite do caraças e, claro, já aceitei." Não seria o país ideal mas, nesse, sentir-me-ia menos enganado.»

Ferreira Fernandes, no DN, a propósito da ida do deputado Agostinho Branquinho para a Ongoing.
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Para ler e meditar


Um importante texto de Boaventura Sousa Santos publicado no último número da Visão e significativamente intitulado A «ditamole»:

«Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, dentro de alguns anos se dirá que a sociedade portuguesa viveu, entre o final do século XX e começo do século XXI, um luminoso mas breve interregno democrático. Durou menos de quarenta anos, entre 1974 e 2010. Nos quarenta e oito anos que precederam a revolução de 25 de Abril de 1974, viveu sob uma ditadura civil nacionalista, personalizada na figura de Oliveira Salazar. A partir de 2010, entrou num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstracta chamada “mercados”.

As duas ditaduras começaram por razões financeiras e depois criaram as suas próprias razões para se manterem. Ambas conduziram ao empobrecimento do povo português, que deixaram na cauda dos povos europeus. Mas enquanto a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu as liberdades e instaurou um regime de fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas, manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efectivamente exercidas e instaurou um regime de democracia política combinado com fascismo social. Por esta razão, a segunda ditadura pode ser designada como “ditamole”.»

Ler aqui o texto na íntegra.
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Os toureiros espanhóis matam o touro na arena, os portugueses abatem-no depois da corrida


Nada a ver com acesas discussões ente adeptos e inimigos de lides: trata-se apenas da primeira frase de um artigo que The Economist publicou há dois dias sobre a actual situação de Portugal. A ler aqui.

Mas o touro é...
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As Cidades e as Praças (24)





Praça da Catedral, Milão
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22.10.10

Ok Go

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Más notícias, mas previsíveis


O Algarve lamenta que grandes operadores turísticos a nível mundial tenham agora deixado de o incluir nas suas ofertas, durante a chamada época baixa do ano. Eles terão sido também já responsáveis, em termos gerais, pela perda de três milhões de estrangeiros / dia, na última década, fundamentalmente pela forte aposta que começaram a fazer em mercados não europeus. Prevêem-se novas falências a sul, o que é terrível num dos sectores em que não deveríamos mesmo minguar.

A notícia não me surpreende de todo. Por um lado há «a crise» que faz certamente diminuir a procura e, por outro, à excepção de golfe, que tem o Algarve realmente para oferecer quando o Sol deixa de queimar a valer e a temperatura do mar desce um número razoável de graus? Um clima um pouco mais ameno? Haverá sempre alguns nórdicos enregelados que vêm por aí abaixo. Mas, pelo mesmo preço, ou menor ainda, há todo o hemisfério Sul à distância de um clique, da América Latina à Ásia e à Austrália, em época alta ou média alta, ou seja em pleno Verão ou quase.

E, a nível mundial, a oferta é tanta, mas tanta e tão variada, cresceu de tal maneira na última meia dúzia de anos (em parte porque alguns países magníficos, até agora fechados ou sem infra-estruturas turísticas as criaram e nelas investiram a sério, por exemplo no sudoeste asiático), que não vislumbro que mudanças radicais são possíveis para que surjam hipóteses ganhadoras que contrariem a tendência que parece estar a concretizar-se. Será muito difícil inverter o tipo de desenvolvimento (não) qualitativo que foi permitido ao longo de décadas e que, muito provavelmente, tende a colocar-nos na cauda de uma qualquer outra tabela.
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Petição pelo Pluralismo: última hora


Termina hoje, às 23h59, o prazo para recolha de assinaturas. Segue-se o processo de entrega às autoridades competentes e estão já na calha algumas outras iniciativas. Um último esforço de divulgação, please...

Texto e assinaturas AQUI.

Porque há quem tenha dificuldade em ler o texto correctamente, copio-o:

Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico

Às direcções de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; - responsáveis por programas de televisão que abordam questões político-económicas; - grupos parlamentares com representação na Assembleia da República; - Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

As medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo governo vieram mostrar, uma vez mais, a persistência de um fenómeno que corrói as bases de um sistema democrático. Nas horas e dias que se seguiram à conferência de imprensa de José Sócrates e de Teixeira dos Santos, os órgãos de comunicação social, nomeadamente as televisões, empenharam-se mais em tornar as referidas medidas inevitáveis do que em promover efectivos espaços de debate em torno das grandes opções político-económicas.

De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica.

Por ignorância, preguiça, hábito, desconsideração deliberada ou manifesto servilismo, os canais televisivos têm sistematicamente tratado a análise da crise económica como se o intenso debate quanto aos fundamentos doutrinários e às opções políticas que estão em jogo pura e simplesmente não existisse. Com a particular agravante de a crise financeira, iniciada em 2008, ter permitido uma consciencialização crescente em relação às diferentes perspectivas, no seio do próprio pensamento económico, no que concerne às responsabilidades da disciplina na génese e eclosão da crise.

Com efeito, diversos sectores político-sociais e reputados economistas têm contestado a lógica das medidas adoptadas, alertando para o resultado nefasto de receitas semelhantes aplicadas em outros países e denunciado a injusta repartição dos sacrifícios feita por politicas que privilegiam os interesses dos mercados financeiros liberalizados. Mas a sua voz permanece, em grande medida, ausente dos meios de comunicação de massas.

Não se trata de criticar o monolitismo das opiniões convocadas para o debate, partindo do ponto de vista de quem nelas não se revê. Uma exclusão daqueles que têm tido o privilégio quase exclusivo de acesso aos meios de comunicação seria igualmente preocupante. O problema de fundo reside em ignorar, nos dias que correm, o pluralismo de interpretações e perspectivas sobre a crise, sobre os seus impactos e sobre as opções de superação.

Somos cidadãos e cidadãs preocupados com este silenciamento e monolitismo. E por isso exigimos aos órgãos de comunicação social – em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar “serviço público” – que respeitem o pluralismo no debate político-económico de modo a que se possa construir uma opinião pública mais activa e informada. Menos do que isso é ficar aquém da democracia e do esclarecimento.

Será dado conhecimento da presente petição, e dos respectivos subscritores, às direcções de informação dos canais televisivos portugueses e restantes meios de comunicação social; a responsáveis por programas de televisão que abordam questões político-económicas; aos grupos parlamentares com representação na Assembleia da República e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Para informações e contactos: pluralismonodebate@gmail.com
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Importa-se de repetir, Francisco Lopes?


«Manuel Alegre dará um melhor Presidente que Cavaco Silva?
Pode haver estilos diferentes, palavras diferentes, mas em aspectos essenciais o percurso de um e de outro coincidem.»

Goste-se ou não de Manuel Alegre, concorde-se ou não com a sua candidatura, é preciso ter lata e ser muito (nem sei que adjectivo escolher…) para fazer uma afirmação como esta.

E já que a asneira parece livre, eu também não vejo diferenças essenciais entre a candidatura de Francisco Lopes e a de Manuel João Vieira. Afinal, ambos querem servir o país!
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As Cidades e as Praças (23)



Praça da Torre do Relógio, Thimphu (2010)
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