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30.11.10

A caminho

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29.11.10

Wikileaks?


Não sei se por estar em férias longínquas, ou anestesiada por cenários de uma beleza esmagadora,  a verdade é que ainda não consegui interessar-me a sério por essa revelação estrondosa de histórias cruzadas de americanos, diplomatas e novas espionagens.

Mas, bem pelo contrário, tive um sobressalto ao ler que os deputados da minha nação querem salvar o planeta reduzindo a utilização de sacos de plástico, pela aplicação de um desconto «de valor não inferior a 0,05 € por cada 5,00 € de compras», a quem prescindir desses terríficos objectos. Causa importante, sem dúvida, mas chegou-me, aí de tão longe, o som da orquestra do Titanic.

Fecho parêntesis e regresso ao que interessa. Estou em Puerto Varas – a Cidade das Rosas -, uma estação balnear no Lago Llanquihue, fundada por colonos alemães em meados do século XIX. Cheguei de barco, através do belíssimo Lago de Todos os Santos, e aqui terminarei a minha peregrinação por esta região dos Andes, absolutamente inesquecível!

De Bariloche até cá, foram cinco dias sempre por lagos dos mais variados tons de azul e de verde, montanhas com e sem neve, vulcões magníficos (e sossegados…), uma extraordinária vegetação. Sem esquecer a excelente vertente gastronómica (e vinícola…) e toda uma série de propostas de actividades. Mas não, não cheguei a fazer cnopy

Amanhã, rumo a Norte para a penúltima etapa: Atacama. A expectativa é grande.

(P.S. - Poupem nos sacos de plástico, por favor: o FMI ficará bem impressionado!)


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«Explico algunas cosas»


Por Pablo Neruda



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28.11.10

A fazer horas

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...para mais uma etapa, mais lagos, mais montes: Peulla - Puerto Varas.


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Todos iguais, todos diferentes


... os montes, os lagos e as plantas, também do lado de cá, no Chile, onde cheguei há algumas horas.

Hoje foi um dia fabuloso, de Bariloche a Peulla, em três autocarros e dois barcos, com israelitas, libaneses e uns tantos falantes espanhóis. Registe-se que, por aqui, quem tem a língua de Camões é forçosamente brasileiro e nem vale a pena tentar corrigir: o guia seguinte fala-nos, inevitavelmente, de S. Paulo ou mostra, de um modo ou de outro, que ninguém se lembra que existem Lopes ou Azevedos nessa estranha ponta de uma mais que longínqua Europa…

Estarei agora uns dias neste país que se gaba de ser - e é – tricontinental (americano, com um pé na Antárctida e uma ilha na Oceania), para já ainda rodeada de lagos, em breve a caminho do deserto de Atacama.

(A escrever este post com a vista que mostra a última foto…)



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27.11.10

Antes de deixar esta terra



Buenos Aires

Y la ciudad, ahora, es como un plano
De mis humillaciones y fracasos;
Desde esa puerta he visto los ocasos
Y ante ese mármol he aguardado en vano.
Aquí el incierto ayer y el hoy distinto
Me han deparado los comunes casos
De toda suerte humana; aquí mis pasos
Urden su incalculable laberinto.
Aquí la tarde cenicienta espera
El fruto que le debe la mañana;
Aquí mi sombra en la no menos vana
Sombra final se perderá, ligera.
No nos une el amor sino el espanto;
Será por eso que la quiero tanto.

Jorge Luís Borges

Poema em audio: «Buenos Aires» de Jorge Luis Borges (dito pelo próprio)
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26.11.10

Ainda por montes e lagos


Mais uma espécie de bilhete postal.

Andei hoje, e continuarei amanhã, à volta do Monte Tronador e dos seus glaciares, na fronteira da Argentina com o Chile - deu mesmo para ouvir e ver quebras e desmoronamentos de gelo. Será perto dele que passarei para este segundo país, numa complicada etapa de estradas e lagos, autocarros e barcos.

Saio deste lado da Patagónia sem ter visto carneiros, celebérrimos pelas suas excelentes lãs, tão cobiçadas que só a Benetton comprou por aqui um milhão de hectares para os criar (e depois colorir, suponho). Deve ser isto a globalização...

No vídeo, San Martin de los Andes, onde aterrei anteontem.


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25.11.10

Ver para crer


Só dois ou três apontamentos que o tempo é escasso.

Claro que Bariloche faz lembrar a Suíça, pelos montes e lagos, e também pelas casas até porque foram suíços e alemães que construíram o que agora existe.

Mas quando voltar a ouvir dizer que esta terra é a Suíça da América Latina, defenderei que é a segunda que é a Bariloche da Europa, a tal ponto isto deixa a anos de luz o que se vê nos Alpes.

Ver para crer, de facto, na beleza desta parte da Patagónia, sobretudo por um conjunto de lagos inigualável em número, variedade, conjugação com montanhas e vegetação e de um azul absolutamente do outro mundo!

Tomar nota para não falhar: a vista, de 360 graus, do cimo do Cerro Campanario - já "pagou" a viagem... que ainda nem vai a meio.
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Sempre nesta data

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A vingança também se serve quente


A discussão começou ao pequeno almoço, com três (em cinco) elementos do meu grupo viajante militantemente anti-qualquer tipo de greve.

Mas a minha "vingança" veio logo pouco depois, no aeroporto, quando verificámos que a compamhia de aviação que devia trazer-nos de Buenos Aires para Bariloche ... estava em greve!

Vários quilómetros depois, a empurrar carrinhos com mala ou em filas espera inúteis, conseguimos comprar os últimos lugares disponíveis numa outra companhia aérea.

Em dia de greve em Portugal, mais esta peripécia em aeroportos - e tenho tido tantas, mas tantas -, e os 200 euros que e custou o novo voo, acabaram por saber a solidariedade over the oceans...

P.S. - Falta dizer que aterrámos a 260 quilómetros do nosso destino, o que deu direito a longa viagem de minibus. Para quem já tinha ido de Lisboa ao Porto de carro para conseguir chegar a Madrid, por causa da Cimeira da NATO, não está mau... Mas fez-se bem porque o percurso era lindo de morrer!
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24.11.10

Com a História na mão

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23.11.10

Nas bocas do mundo...


… e pelas piores razões: longas notícias sobre Portugal, hoje, nos jornais argentinos (por uma vez, não se fala apenas do Mourinho e do Ronaldo...).

Alguns excertos de La Nación (sem link):

«Depois da confirmação do resgate da Irlanda, os mercados perguntam-se se chegou o momento de ajudar Portugal e, a longo prazo, a Espanha ou a Itália.»
«O deficit português não conseguiu, até ao momento, mostrar uma clara melhoria em 2010, especialmente em comparação com outros países da periferia da zona euro como Grécia, Irlanda ou até Espanha.»
«É difícil ver o que poderia salvar Portugal. Um voto a favor do orçamento não acalmará as coisas. Quanto mais tempo durarem as pressões do mercado, mais crescem as probabilidades de que Portugal tenha de pedir algum tipo de ajuda.»

Também grande relevo dado à greve geral de amanhã - mais necessária e oportuna do que nunca. Não é verdade que tudo seja inevitável ou impossível. O dia 24 de Novembro de 2010 pode marcar o início de uma nova etapa de solidariedade e de democracia.
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Relíquias


El Ateneo, uma das livrarias mais belas e mais espectaculares do mundo, no centro de Buenos Aires. Antigo teatro construído em 1919, onde actuou Carlos Gardel e se pode hoje ler calmamente numa frisa e lanchar magnificamente no palco. Cinco estrelas. Um perigo para compradores compulsivos de livros.




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Amanhã


Obviamente!
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22.11.10

Optimismo intercontinental


Com pouco tempo para ler notícias, percebo no entanto que os espíritos andam cada vez mais cinzentos e que o fantasma do FMI se aproxima na opinião de quase todos, com a Irlanda por aí tão perto. (Quase todos, claro, porque o nosso PM continua inabalavelmente esperançoso e confiante.)

A distância torna-me optimista: estou num país que viveu uma crise colossal há apenas dez anos, que teve por cá o dito FMI, sofreu muito mas não desapareceu do mapa. Pelo contrário: é hoje próspero (embora não tanto como poderia, segundo leio), Buenos Aires tem uma enorme vitalidade e deixa Lisboa a quilómetros de distância em termos de qualidade urbana. Puerto Madero (antigas docas) cresceu muito nos últimos anos, tem agora três quilómetros de restaurantes e habitações de luxo, uma marina, hotéis dos melhores arquitectos do mundo – claros sinais exteriores de riqueza, portanto, e de saída da fatídica «crise».

Claro que os condicionalismos são diferentes, aqui não havia pelo meio o complicómetro de Bruxelas nem os interesses da senhora Merkel, mas existiam outros problemas bem graves.

Quero dizer com isto que desejo a entrada do FMI? Não: apenas lembrar que o mundo não vai acabar por aí amanhã, sem FMI ou com ele, embora se tenha um pouco a sensação contrária quando, a distância, se dá uma volta pelas gordas dos jornais e por alguma blogosfera…

(Foto: Puerto Madero, onde vou agora jantar…)
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Inevitável mesmo






Manhã de um feriado en La Boca - Caminito.
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Verão e Jacarandás


Um domingo esplendoroso em Buenos Aires, depois de uma longa viagem excepcionalmente descansativa: 13 horas é muito tempo e, desta vez, deu para dormir muito mais do que em casa. Nem sempre acontece, mas ontem foi assim.

O prazer de regressar a uma cidade já conhecida, sem a obrigação de revisitar locais «incontornáveis», sem programa pré-definido, confirmar que se trata de um dos tais poucos sítios em que não me importava mesmo nada de ficar sem retorno à origem, verificar que tudo cresceu veritiginosamente nos últimos sete anos. Até as velhas avenidas parecem mais largas, as árvores – uma das grandes relíquias desta enorme cidade – multiplicaram-se, há jardins e parques em tudo o que é bairro.

Hoje, foi mesmo retomar contacto. Primeiro o reencontro com a 9 de Julho e a Praça de Maio, também com a Florida, depois o mercado de S.Telmo e o tango na rua, fim de tarde em Puerto Madero.

Amanhã há mais, logo se verá quando e o quê. E não, não tenho saudades da querida pátria...

Last but not the least: tudo aqui é muuuuito mais barato do que por essas bandas!
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19.11.10

Se os aviões ajudarem

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... chegarei lá durante a manhã do próximo Domingo. Podem ter inveja.


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1.000 anos em 5 minutos

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Daqui.
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Para esquecer a Cimeira, falemos de gafanhotos


A primeira vez que as vi foi num mercado de rua em Xangai: as famosas espetadas de insectos, tão apreciadas a Oriente (e também em África e nalguns países da América Latina) e que nos revolvem os estômagos.

Repulsa com os dias contados, ao que parece: com o aumento da obesidade, a ameaça que o consumo de carne representa para o planeta e a «crise», sempre ela, poderemos render-nos aos encantos de gafanhotos, baratas, grilos e outros que tais, talvez mais depressa do que imaginamos.

Ricos em proteínas, vitaminas A e B e sais minerais, de produção facílima e de uma variedade espectacular, já que terão sido identificados mais de 1.000 espécies comestíveis, começaram já a conquistar a América do Norte e, lentamente, alguns países da Europa.

A FAO encoraja fortemente todas as iniciativas nesse sentido e está prevista para 2013 a primeira conferência global sobre Entomofagia.

Dica para Novas Oportunidades:



(Fonte)
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Notícias de uma Cimeira (7)


A propósito da notícia que caiu a meio da tarde de ontem, segundo a qual «trinta e cinco [pessoas], na sua maioria de nacionalidade finlandesa, foram interceptados num autocarro, com destino a Lisboa, na posse de “material com mensagens anti-NATO”», e dos detalhes entretanto conhecidos, como o facto de alguns vestirem roupa preta, dispenso-me de comentar e remeto para o que a Fernanda Câncio escreveu.

A ler na íntegra, mas também «tenho para mim, até porque é público, que as cenas mesmo a sério, daquelas tipo atocha, twin towers e metro de londres, não costumam ser feitas por malta que viaja de autocarro em grupo com tshirts e chega no dia anterior aos acontecimentos».
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18.11.10

Comentários para quê?


«A fome volta a ameaçar a Coreia do Norte: as despesas militares limitam a capacidade de Pyongyang comprar cereais.»

«La mayoría de los 24 millones de habitantes de Corea del Norte sufrirá carencias de alimentos el año que viene a no ser que el país reciba ayuda internacional, según han asegurado de forma conjunta la Organización para la Agricultura y la Alimentación (FAO, en sus siglas en inglés) y el Programa Mundial de Alimentos (PMA). Las dos instituciones dependientes de Naciones Unidas afirman que cinco millones de personas se enfrentan en el país asiático a una grave escasez de comida.»

Até quando?!

(Fonte)
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Quando até Alberto João Jardim passa a símbolo de sensatez


«Estas cimeiras, normalmente, organizam-se em sítios onde não afectam a vida das pessoas, onde há uma facilidade logística.» «Vê-se em França ou na Alemanha.»
«Fazer uma cimeira deste volume no centro de uma cidade, isto é mais uma loucura à portuguesa, é mais um sinal de incompetência.»

(Fonte)

Ler também – onde isto chegou para se ver José Castro Caldas de acordo com AJJ!
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O «Avante!», agora em versão machista


«Sou em princípio a favor de todas as libertações, mas talvez desta ainda mais do que é costume. (…) Acontece que Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo.»

E continua Correia da Fonseca que confunde talvez a Birmânia com a Coreia do Norte, quando ironiza sobre os malefícios da democracia:
«Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada.»

Não lhe faria nada mal viver uns anos numa casa como a que se vê na foto, de um bairro para o qual foram obrigados a fugir os habitantes da velha Bagan, depois de verem todas as suas casas arrasadas apenas porque ousaram votar em Aung, nas eleições de 1990. Passaria (talvez...) a saber do que fala!

(Fonte)
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NATO – O que está em questão (2)


«Vinte e um anos após a queda do Muro de Berlim, 20 anos depois da reunificação da Alemanha, 19 anos passados sobre a dissolução da União Soviética e a extinção do Pacto de Varsóvia, a NATO é o derradeiro arsenal, unipolar, da guerra fria.

É o armazém da tralha de 46 anos de corrida armamentista e de chantagem nuclear. Não tem qualquer razão de existir, a não ser para fomentar o chorudo negócio do armamento, o poder do complexo e da clique militar-industrial que comanda a política americana, e dar emprego a milhões de apóstolos da guerra, formados em cursilhos na doutrina do poder e do terror militar, que agora pregam pelo Mundo, em vez da extinção do único bloco político-militar, o alargamento da NATO.

O objectivo é velho e relho. Já nos anos 60 do século passado, quando a NATO constituía o maior sustento do aparelho militar português nas guerras coloniais, os falcões da Aliança e os peneireiros de Lisboa sustentavam que o Trópico de Câncer deveria ser entendido "cada vez mais como um limite imaginário", de modo a não perturbar "a eficácia da Aliança". Mas terminada a guerra fria, não há justificação racional para a persistência e globalização da NATO. As ameaças invocadas - como o terrorismo ou a pirataria marítima - podem e devem ser enfrentadas num quadro multilateral de cooperação entre estados no seio nas Nações Unidos. E querer atribuir à NATO funções na luta contra o aquecimento global é o mesmo que entregar o comando das corporações de bombeiros a um incendiário. As guerras da NATO na Europa e no Médio Oriente contribuíram decisivame9nte para a destruição ambiental em vastas áreas do planeta.

Mas claro que a Cimeira vai aprovar tudo o que lhe aprouver. E assim será até que o mundo construído pelos senhores da guerra lhes rebente nas mãos.» (sublinhado meu)

João Paulo Guerra, no Económico.
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17.11.10

Diz que faltam 66 dias para as presidenciais…


… e eu nem quero acreditar que alguém com um staff que propõe este Hino de Campanha possa ganhá-las. Não se pode inventar um novo imposto para quem votar nesta candidatura?


Letra do hino oficial de campanha
Cavaco Silva 2011


Portugal com alma
Portugal com fibra
Portugal com rasgo,
Futuro e vida.

Portugal com génio,
Portugal que faça,
Portugal lutador
Uma força que abraça.

Erguer Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa ambição.

Amar Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa união.

Portugal alento
Portugal mais forte
Portugal coeso
Um rumo com norte.

Portugal paixão.
Portugal vontade.
Portugal erguido
Coragem e verdade.

Unir Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, é nossa convicção.

Ganhar Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, é nossa missão.

Erguer Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa ambição.

Amar Portugal está na nossa mão.
Na minha, na tua, na nossa união.
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NATO – O que está em questão


Quando andamos todos distraídos com o folclore que a comunicação social nos traz sobre a actuação dos polícias nas fronteiras e o cerco a Lisboa no próximo fim-de-semana, vale a pena voltar ao essencial.

Relativamente leiga neste tipo de assuntos, tenho procurado ler, ver e ouvir o que encontro, numa tentativa de entender o que se vai passar em auditórios e corredores do Parque das Nações e nas manifestações programadas para as ruas de Lisboa.

Cito apenas a última emissão do «Expresso da Meia-Noite» (12/11/2010), da qual retive, para além de outros aspectos, duas ideias principais que resumo em menos de três linhas: trata-se de uma organização que anda à procura de uma (nova) razão de ser, numa tendência de securitização crescente, e é grande e perigosa a ambiguidade que reina quanto aos limites entre o seu campo de actividade e o da ONU.

Os 50 minutos do vídeo da SIC N:




O essencial da posição que José Manuel Pureza tomou no programa está resumido nesta sua intervenção na AR:



P.S. – Vale a pena dar uma vista de olhos ao curriculum de J. M. Pureza.
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Tiro liro ló


«Amado preenche o modelo de político em voga nos tempos medíocres que vivemos,"é bonito, apresenta-se bem,/ parece que tem/ uma face morena". Resta saber o que o distinguirá de Sócrates além do alfaiate.»
MAP, JN.
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A quem mando a factura? - Notícias de uma Cimeira (7)

Estive em Buenos Aires há sete anos e sempre pensei lá voltar. Não estava planeado que fosse agora, mas será se…

Se… o quê? Se conseguir sair desta terra sitiada onde os nossos governantes aceitaram (ou propuseram?) albergar uns senhores encartados que vão discutir para que serve exactamente a organização que os congrega. Prejudica-se toda uma cidade, mesmo um país, deslocam-se milhares de pessoas para um recinto, onde, até prova em contrário, nem se sabe se algo de significativamente importante poderá acontecer. Umas dezenas de actores e multidões de paparazzi que vão tirar umas fotografias e filmar cenas absolutamente triviais. Todo um absurdo, se pararmos um pouco para pensar que o progresso das telecomunicações já devia ser usado para evitar, ou pelo menos minimizar, estas invasões mais ou menos bárbaras e despudoradamente caras.

Mas regressando ao que interessa. É certo que, quando o meu grupo viajante projectou esta ida à Argentina e ao Chile, já se sabia que haveria guerreiros em Lisboa a 20 de Novembro, mas ninguém - nem nós, nem a agência de viagens, muito menos a Ibéria -, previu o arsenal que se preparava e partiu-se do princípio que a capital de um país tem sempre um aeroporto. Ilusão e erro que nos custará uma ida até ao Porto para conseguir chegar a Madrid, esperando que não exista nenhum VIP que resolva fazer por lá uma escala e fechar também os céus da Invicta... Rumaremos na véspera à margem Sul, para evitar cortes de acesso ao Norte... De carro, obviamente, porque já foram anunciados atrasos e interrupções também na circulação de comboios e não escaparíamos, pelo menos, a uma inspecção das malas onde levamos roupinha para dezassete dias, por polícias zelosos com esperança de lá encontrarem canivetes, catanas ou coktails molotov e de nos colarem na testa uma etiqueta de anarquistas.

Só não sei se devo mandar a factura de danos, gasolina e  portagens para Belém, para S. Bento ou para a Casa Branca.

P.S. - Ainda escreverei talvez sobre o que se vai sabendo das actuações policiais. Para já, leia-se este texto do Pedro Sales.
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Irlanda – Para memória presente


Duas entre milhares de citações possíveis:

«Pero el salto de Irlanda a la Unión Europea, junto con agresivas políticas económica pro empresariales, cambió todo eso. En poco más de un decenio, el llamado Tigre Celta se trasformó de una de las naciones más pobres de Europa Occidental a una de las más ricas del mundo. Su producto nacional bruto, que no llegaba a 70 por ciento del promedio de la UE en 1987, saltó a 136 por ciento del promedio de la Unión Europea para 2003, en tanto que el índice de desempleo se redujo a 4 por ciento, de 17 por ciento que era.» (2005)

«Se podría decir que el éxito de Irlanda se ha basado en la aplicación acertada de lo que los economistas llamamos políticas de oferta (las que mejoran y aumentan el tejido productivo), a su proximidad a EEUU, el idioma y los campos de golf (sin los cuales como es sabido no acude la IDE. ¿Podemos aprender, España, México, Italia, etc. algo del caso de Irlanda? ¿Se trata de una economía pequeña (como de juguete) y por tanto es fácil de gestionar? ¿Que perspectivas de futuro tiene Irlanda?» (2006)
Aqui.
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Soundscapes

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16.11.10

Conselhos úteis (5) - Esperteza


«Nunca esquecer que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.»

(Com dedicatória ao optimismo do eng. Sócrates.)
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Notícias de uma Cimeira (6)


(Via Jorge Conceição no Facebook)
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Mais Santana que Barroso


Este nunca foi maoísta… Sarkozy, aos 21 (1976).

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Austeridade? Sim, mas para os outros


A Administração da CGD teme fuga de quadros por causa dos cortes salariais e quer novo regime de excepção às regras definidas pelo plano de austeridade aplicável aos funcionários públicos, depois de ter escapado a um outro, há alguns meses.

«Sangria de quadros», risco de fuga para os bancos privados, dizem eles. Como se estes estivessem de portas escancaradas para aumentarem entusiasticamente os seus efectivos! Talvez alguns directores do banco público fugissem para Angola, isso sim. E daí?

Todos a tentarem açambarcar as baleeiras do Titanic, é o que é…

(Fonte)
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As Cidades e as Praças (34)



Praça Raekoja, Tallinn (2003)
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15.11.10

Realidade com ar de ficção


Quando eu comecei a mexer nestas maquinetas que dão pelo nome genérico de computadores, a maior em que pus as mãos foi esta, com uns míseros 30 K bytes de memória central. Ocupava grande parte de um andar da Rua Duque de Palmela, com chão falso debaixo do qual passava um emaranhado inconcebível de cabos, todo o conjunto arrefecido à custa de um potente sistema de ar condicionado.

A multiprogramação ainda estava a chegar (Power/VS…) e eu tinha de meter umas cunhas para conseguir uma hora de «máquina dedicada», entre as 4 e as 5 da manhã – o que era um verdadeiro luxo! Para quê? Para testar programas para o Banco de Portugal, que tinha então encomendado o seu primeiro computador, esperado para daí a mais ou menos um ano. No tempo das Invasões Francesas? Não, em meados de 1971.

Leio hoje que a IBM planeia construir supercomputadores com as dimensões de cubos de açúcar, a serem empilhados e arrefecidos por um complexo sistema de cascatas internas, em tubos com a espessura de um cabelo, e especialmente económicos em termos de gastos de energia.

A miniaturização para além do meu imaginário! E tentar visualizar um computador como se de um «canard» de tratasse…
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G20 - Resumo

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Notícias de uma Cimeira (5) - Quem não tem competência, não se estabelece



Organizem-se!
(Ou tivessem feito a Cimeira em Lisboa quando o Marquês de Pombal era assim...)
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Em defesa do direito à Cultura


Para:Primeiro Ministro; Ministra da Cultura; 13ª Comissão Parlamentar
Reunião da Plataforma das Artes – 13 de Novembro 2010 – Teatro São Luiz ´

Ex.mo Senhor Primeiro Ministro
Ex.ma Senhora Ministra da Cultura
Ex.mos Senhores Deputados da 13ª Comissão Parlamentar


APOIO ÀS ARTES

Considerando que a Cultura é um sector estratégico e estruturante para o país; considerando que a relevância política do Ministério da Cultura no actual Governo é praticamente nula, reflectindo-se num constante desinvestimento que contraria as repetidas promessas públicas do Primeiro Ministro; considerando o papel nuclear das artes na sociedade; considerando que o apoio às artes atribuído pela DGArtes significa apenas 10% do Orçamento para a Cultura e, portanto, 0,03% do Orçamento de Estado (o equivalente a três milímetros numa linha de 10 metros); a Plataforma das Artes toma as seguintes posições:

1 - Não aceitamos o anunciado corte de 23% no montante destinado ao apoio às artes, através da Direcção Geral das Artes. Consideramos que estes cortes, aplicados em contratos em vigor relativos aos apoios quadrienais poderão ser ilegais. Consideramos, porém, que o Ministério da Cultura não realizou esforços suficientes para minimizar estes cortes, esmagadoramente superiores ao corte de 8,8% anunciado para o Orçamento do Ministério da Cultura. Exigimos uma política de diálogo e procura de soluções em conjunto com os agentes culturais. Exigimos que ouçam as nossas ideias.

2 – Não aceitamos um Orçamento de Estado que esvazia o Ministério da Cultura da sua função. Os cortes anunciados no Orçamento do Ministério da Cultura não têm um real impacto no combate ao défice e comprometem irreversivelmente o tecido cultural português.


3 - Não aceitamos a desresponsabilização da Senhora Ministra da Cultura, que imputa ao Ministério das Finanças a responsabilidade dos cortes anunciados. Um governante deve ser responsabilizado pessoalmente pelas medidas que anuncia e aplica.

4 - Não podemos aceitar medidas que são ineficazes na diminuição do défice, mas comprometem o já tão fragilizado tecido cultural português e o direito constitucionalmente consagrado à fruição e criação culturais. Cortar no apoio às artes é cortar nos direitos dos portugueses. Por outro lado, estes cortes terão consequências sociais dramáticas, nomeadamente despedimentos e incumprimentos contratuais, numa área onde os trabalhadores pagam os mesmos impostos que quaisquer portugueses, sem acesso a protecção social.

5 - Exigimos que o Ministério da Cultura cumpra a lei e funcione. Exigimos a abertura dos concursos de apoio a projectos anuais e bienais em todas as áreas, dentro dos prazos legais, abrangendo o mesmo número de estruturas contempladas em 2010. Exigimos igualmente a garantia de abertura de concursos de apoio a projectos pontuais em todas as áreas, nos dois semestres de 2011, reforçando a sua importância no plano da inovação e renovação do tecido artístico. Não podemos aceitar que a Senhora Ministra da Cultura tenha tentado imputar ao sector a responsabilidade pela aplicação dos cortes, numa tentativa de dividir os agentes culturais. Não aceitaremos uma política que se encaminha para a extinção da Direcção Geral das Artes e, em última análise, para a extinção do Ministério da Cultura.


Notícias de uma Cimeira (3)


Informações sobre as manifestações previstas para Lisboa aqui e aqui.
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Prémios Blogo-Kula 2010



Isto hoje fia mais fino, porque estes prémios, criados pelo jpt lá na minha terra, são muito sofisticados!

Eu recebi o Kula-Bracelete (Comentador residente) e este blogue foi agraciado com o Kula-Colar (Blogue individual).

Passo o primeiro ao António P. e o segundo ao Activismo do Sofá.

O regulamento é este (não me peçam explicações, é melhor irem às fontes…):

Os Prémios Kula são braceletes e colares. Sabe-se que “exercem uma acção profunda sobre a vida dos bloguistas … os quais têm consciência da sua importância, pois as suas ideias, ambições, desejos e vaidades deles dependem em larga medida“. São atribuídos aos bloguistas (individuais, colectivos e comentadores residentes) de quem se gosta e/ou àqueles por quem se quer ser gostado. Dão-se no número que cada um entender. Mas devem ser entregues com bom senso, aos que se presume aceitarem os prémios e, por vezes, a quem os solicitar. E não devem ser recíprocos, uma devolução imediata será insultuosa. O fundamental: os prémios colares circulam no sentido dos ponteiros do relógio (navegando do ego/doador para a esquerda) e os prémios braceletes no sentido inverso (navegando do ego/doador para a direita).
Para aqueles que sempre reclamam objectividade e tendem a afirmar a existência de propósitos escondidos nesta actividade aqui recordo que nestes Prémios Blogo-Kula “o êxito depende muito da aparência da pessoa envolvida“, como disse o antigo bloguista Reo Fortune.

[Para mais informações consultar o regulamento do concurso: sinopse e documentação completa]
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