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4.12.10

Llegarei?


À hora a que escrevo, a Iberia já voa e afirma até que uma das prioridades é pôr no ar os aviões que devem sair esta noite de Barajas, rumo à América Latina. Se assim for, um deles levar-me-á, amanhã à tarde, daqui para Madrid.

No mínimo, espero que os controladores espanhóis, agora militarizados, tenham tomado uma qualquer espécie de Xanax e estejam calmos nos seus postos.

Entre leituras regulares de El País, sintonização da TVE, dezenas de sms’s de Portugal (não para mim porque a Optimus faz o favor de não assegurar roaming no Chile…) e, até, consultas ao Twitter da Iberia, sem contar com as hipóteses de regressar via S. Paulo ou Nova Iorque, considero-me dispensada de ter opinião sobre quem tem razão a propósito de quê: quero apenas saber se há voos. Mas uma coisa parece certa: deu-se um salto qualitativo brutal de ambas as partes – governo e controladores – sem que seja possível medir as consequências deste 3 de Dezembro de 2010, em Espanha e não só.

Mas uma curtíssima volta pela blogosfera portuguesa deu para ver que a polémica já está instalada – como não estaria?!...

Entretanto, vou revisitando esta cidade agradabilíssima (Santiago não é Buenos Aires, mas ainda assim…), com os seus belos parques (também há jacarandás), largas avenidas, palácios sobretudo de influência francesa e excelente arquitectura moderna.

A cápsula que tirou os mineiros das profundezas já não está em frente de La Moneda (anda agora em peregrinação pelo país), mas a casa-museu de Neruda (na foto superior) continua no mesmo sítio.

Com a viagem quase no fim (será?), este episódio do espaço aéreo espanhol foi a cereja em cima do bolo, depois de um desvio de carro até ao Porto, por causa da cimeira da NATO, e uma aterragem a 260 kms de Bariloche, devido a uma greve da LAN Argentina. Mas se o «destino» está convencido que me faz desistir de viajar por este tipo de minudências... perde mesmo o seu tempo.


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3.12.10

Tudo muda?


Santiago do Chile parece-me igual a si próprio. A confirmar amanhã.



Todo Cambia

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
Aúnque esto le cause daño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejo que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia

Pero no cambia mi amor...
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As Cidades e as Praças (35)



Praça das Armas, Toconau (2010)
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2.12.10

Riquezas afundadas


Verdade de Monsieur de la Palisse: se esta região tivesse água não seria um deserto – e talvez fosse riquíssima.

É obviamente agradável ter 365 dias de Sol por ano, mas um máximo de 18% de humidade nalguns locais, e mesmo 0% noutros, paga-se muito caro.

Mas existem muitas minas de cobre, o turismo sobe em flecha e, do Lago Salgado (200 por 300 quilómetros), retira-se toda a espécie de minerais.

Além disso, nas Lagoas Miscanti e Miñiques (na foto), lindas de morrer a mais de 4.000m de altitude, há tanto lítio que elas são um contributo significativo para o facto de o Chile ser responsável por 70% da produção mundial daquele mineral. Utilizado no fabrico de computadores que se multiplicam como sabemos, e (talvez sobretudo!!!...) seguro no seu papel de estabilizador psíquico de doentes bipolares, o lítio - e o Chile com ele – parece ter o futuro próximo bem assegurado neste domínio…

Mais um dia, menos um dia. Amanhã a última etapa - Santiago - e depois… o fatal regresso.

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Paisagens lunares



E não, não há Rosas em Atacama.



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1.12.10

Se resisto a esta…


Maior diferença é quase impossível, entre os Lagos Andinos e San Pedro de Atacama. Ainda há montes, mas pouco ou nada verdes (e sem qualquer vestígio de neve) e a água passa muito pouco por aqui. Mas o que já vi é (dês)igualmente fascinante!

A poucas dezenas de quilómetros da Bolívia, a bastantes mais do local onde os mineiros estiveram soterrados, manda a tradição que não se falhe a visita aos Geysers Tatio (vídeo) ao nascer do sol, o que implica acordar às 4:00, trepar de minibus até 4.300m com uma temperatura a rondar os -10º e apanhar poucas horas depois, no regresso, pelo menos com 30º. O sacrifício é amplamente justificado, os ditos geysers deixam outros, por exemplo os da Islândia, a um «canto da sala»...

Daqui a pouco vou para novas explorações, com a cabeça bastante encortiçada pelas poucas horitas de sono na última noite e pelo choque geotérmico da primeira parte do dia, mas… não há-de ser nada e sobram poucos dias.

Parece que há miragens no deserto. É mais ou menos como penso em Portugal neste momento.


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29.11.10

Wikileaks?


Não sei se por estar em férias longínquas, ou anestesiada por cenários de uma beleza esmagadora,  a verdade é que ainda não consegui interessar-me a sério por essa revelação estrondosa de histórias cruzadas de americanos, diplomatas e novas espionagens.

Mas, bem pelo contrário, tive um sobressalto ao ler que os deputados da minha nação querem salvar o planeta reduzindo a utilização de sacos de plástico, pela aplicação de um desconto «de valor não inferior a 0,05 € por cada 5,00 € de compras», a quem prescindir desses terríficos objectos. Causa importante, sem dúvida, mas chegou-me, aí de tão longe, o som da orquestra do Titanic.

Fecho parêntesis e regresso ao que interessa. Estou em Puerto Varas – a Cidade das Rosas -, uma estação balnear no Lago Llanquihue, fundada por colonos alemães em meados do século XIX. Cheguei de barco, através do belíssimo Lago de Todos os Santos, e aqui terminarei a minha peregrinação por esta região dos Andes, absolutamente inesquecível!

De Bariloche até cá, foram cinco dias sempre por lagos dos mais variados tons de azul e de verde, montanhas com e sem neve, vulcões magníficos (e sossegados…), uma extraordinária vegetação. Sem esquecer a excelente vertente gastronómica (e vinícola…) e toda uma série de propostas de actividades. Mas não, não cheguei a fazer cnopy

Amanhã, rumo a Norte para a penúltima etapa: Atacama. A expectativa é grande.

(P.S. - Poupem nos sacos de plástico, por favor: o FMI ficará bem impressionado!)


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«Explico algunas cosas»


Por Pablo Neruda



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28.11.10

A fazer horas

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...para mais uma etapa, mais lagos, mais montes: Peulla - Puerto Varas.


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Todos iguais, todos diferentes


... os montes, os lagos e as plantas, também do lado de cá, no Chile, onde cheguei há algumas horas.

Hoje foi um dia fabuloso, de Bariloche a Peulla, em três autocarros e dois barcos, com israelitas, libaneses e uns tantos falantes espanhóis. Registe-se que, por aqui, quem tem a língua de Camões é forçosamente brasileiro e nem vale a pena tentar corrigir: o guia seguinte fala-nos, inevitavelmente, de S. Paulo ou mostra, de um modo ou de outro, que ninguém se lembra que existem Lopes ou Azevedos nessa estranha ponta de uma mais que longínqua Europa…

Estarei agora uns dias neste país que se gaba de ser - e é – tricontinental (americano, com um pé na Antárctida e uma ilha na Oceania), para já ainda rodeada de lagos, em breve a caminho do deserto de Atacama.

(A escrever este post com a vista que mostra a última foto…)



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