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18.12.10

Dos cortes como não solução

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(Via André Freire no Facebook)
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Como é que isto vai acabar?



Que receitas terá a aliança FMI/EU para lidar com situações deste tipo, em democracia? Retira o dinheiro que já lá pôs? Expulsa a Grécia do euro? Da própria EU? Manda lá a senhora Merkel? À espanhola, obriga o governo grego a militarizar todos os grevistas? Envia tropas da NATO? Bombardeia a Acrópole?

Perguntar não ofende.
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Se são dois elefantes a dançar o tango...


Quando Teixeira dos Santos vai à China tentar vender a dívida portuguesa, ou mesmo quando Obama se desloca à Índia, acompanhado por 200 empresários, e assina contratos no valor de 10.000 milhões de dólares, «vemos» a importância crescente que têm, para o Ocidente, estes dois países asiáticos.

Talvez nos escape, no entanto, o profundo significado da aproximação entre eles, concretizada, por exemplo esta semana, na visita do primeiro chinês a Nova Deli, ainda com mais empresários do que Obama (300…) e com valor superior de negócios fechados (16.000 milhões de dólares). Os dois vizinhos, que estão longe de ter cicatrizado muitas feridas passadas e algumas presentes, procuram ultrapassá-las no plano dos negócios e comprometem-se a que os intercâmbios comerciais atinjam 100.000 milhões de dólares em 2015 - número avassalador quando em 2001-2002 não ultrapassaram 3.000 milhões.

Com mais de um terço da população mundial, taxas de crescimento quase inimagináveis e esta força conjunta, não é difícil prever a força real que poderão representar no mundo, muito em breve.

«Uma forte aliança entre a Índia e a China contribuirá para uma paz, uma estabilidade, uma prosperidade e um desenvolvimento duradoiros na Ásia e no mundo», terá dito o primeiro-ministro indiano.

Será?

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17.12.10

Do nosso imaginário


Morreu Blake Edwards, o realizador para sempre ligado à Pantera Cor-de-Rosa, ao inspector Clouseau de Peter Sellers, também a Audrey Hepburn (Breakfast at Tiffany's…) e a Julie Andrews com quem estava casado há mais de 40 anos.

O primeiro:


Da transparência


Don Tapscott, especialista em economia digital, provavelmente e de novo, alguém que pouco diz à maioria dos portugueses, em entrevista publicada em El País:

«Ahora mismo Wikileaks está dando información de países. Lo siguiente son los bancos y las grandes corporaciones. Entonces sí que vamos a hablar, mucho más, de transparencia. Va a cambiar por completo la relación entre las empresas y sus clientes. Van a ser más responsables con la sociedad. Gobiernos y empresas tienen derecho al secreto, por supuesto, no se trata de contar todo pero sí de hacerlo mejor, de ser responsables con la sociedad. Los que ponen en el punto de mira a algunos cables concreto o Assange se confunden. Tiene que servir para reflexionar y que cada institución reflexione sobre su integridad. Como dije, el la luz aclara todo. Habrá regulación ciudadana. La sociedad controlará la calidad de los servicios. Imagina una sociedad formada y con acceso a la información. Eso sí será un mundo mejor.»
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16.12.10

Cada um dança como pode

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WikiLeaks, a árvore e a floresta


Não sei se há um antes e um depois de WikiLeaks, mas estamos certamente perante um fenómeno de uma grande complexidade, com impacto ainda longe de poder ser avaliado. São muitas as facetas de tudo o que está em jogo e é neste momento absolutamente evidente que cada um sublinha mais os aspectos negativos, ou os positivos, segundo a posição do seu periscópio pessoal.

Uma das questões mais frequentemente levantadas é a fiabilidade dos conteúdos que vão sendo divulgados pelos diferentes jornais a que a WikiLeaks fornece documentos. Mais exactamente, a possibilidade de os autores dos mesmos terem inventado o que escreveram, por pura desonestidade ou por um qualquer motivo pessoal escondido, terem aviado uns mails sob o efeito de um copito a mais ao jantar ou – e este é o motivo mais frequentemente referido – fantasiarem por quererem mostrar serviço.

Haverá de tudo, sem qualquer espécie de dúvida. Mas, se for verdade que estão em causa 250.000 documentos que não foram fabricados pelo WikiLeaks, e se admitirmos que os diplomatas autores dos mesmos não são, de um modo geral, elementos de bandos irresponsáveis mais ou menos criminosos (antes pelo contrário…), há que admitir, como hipótese de trabalho, que vêm aí muitos gigabytes de informação consistente e verdadeira.

É sabido que, em todos os arquivos de actividades que impliquem qualquer forma de espionagem ou de bufaria, há quem invente factos para mostrar serviço.

Só para citar um exemplo caseiro, os arquivos da PIDE, da Torre do Tombo, demonstram-no bem. É sempre útil falar de situações concretas e exemplifico com um caso pessoal. Numa das pastas que me diz respeito, figuro na lista das pessoas que organizaram e estiveram presentes na vigília da Capela do Rato, no dia 31 de Dezembro de 1972, a qual deu origem a várias prisões e à criação de um Processo autónomo onde o meu nome também figura. Acontece que não pus lá os pés, nem estava em Portugal nesse dia. Já me vi referida em textos que elencam os participantes e, há dois ou três meses, tive de aturar um historiador zeloso que, durante mais de uma hora, insistiu em me extorquir pormenores que eu saberia certamente, é verdade, se tivesse feito parte da organização do evento, e que seriam preciosos para determinados objectivos que o obcecam. Julgo que desligou o telefone convencido de que eu estava a mentir-lhe e que tinha mesmo participado na vigília do Rato…

E daí? Porque alguns agentes e informadores da PIDE inventavam quando não sabiam ou não viam, desvaloriza-se os arquivos da Torre do Tombo como um todo? Desconfia-se que a maioria dos documentos é falsa ou, pelo contrário, que a falsidade é excepção? Os historiadores desistem de os explorar à primeira incoerência que encontram? Claro que não!

É sempre a mesma história da árvore e da floresta…
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Notícias da vizinhança


Para que conste: o jpt (José Teixeira) deixou o ma-shamba e está agora, a solo, no Pouco-pouco. Sua leitora fiel me manterei.

Efeitos colaterais do WikiLeaks na bogosfera e / ou vicissitudes de blogues colectivos (eu bem o avisei…).
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Querido PS



Um rotweiller ataca quando o dono ordena, Ana Gomes morde, se for preciso, quando a consciência lho exige.

Quem o diz, a propósito disto? E eu concordo.
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Um belo resumo de 15/12


«Ontem, ao fim da manhã, o presidente da CIP anunciou ao país que o Governo iria, em Conselho de Ministros extraordinário a realizar nesse dia, aprovar a diminuição do valor das indemnizações a pagar pelo patronato aos trabalhadores em caso de despedimento e que essas regras se aplicarão apenas a "novos contratados".

À tarde, em conferência de Imprensa, o Governo revelou ter aprovado um tecto para as indemnizações a pagar em caso de despedimento, com essas regras a aplicar-se apenas a novos contratados.

De manhã, o presidente da CIP anunciou que a contratação colectiva iria ser alargada às comissões de trabalhadores "em empresas com mais de 200 ou 300 pessoas".

À tarde, o Governo deu conta da aprovação do alargamento da contratação colectiva às comissões de trabalhadores em empresas com mais de 250 pessoas. O Governo não justificou, mas não era preciso, pois o presidente da CIP já o tinha feito horas antes: "Os sindicatos têm-se mostrado pouco disponíveis para acolher novas ideias e soluções".

De manhã, o presidente da CIP anunciou ainda medidas de reabilitação urbana, de apoio à exportação e de combate à economia paralela. À tarde, o Governo confirmou.

Resta perceber se é o presidente da CIP o porta-voz do Governo ou se é o Governo o porta-voz da CIP. Ou então (hipótese não descartável) se haverá no Governo algum espião da CIP. Talvez o internacionalmente famoso 007 do BCP.»

Manuel António Pina
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15.12.10

PISA versão Tonecas


Eu até cheguei a escrever um post sobre os resultados do PISA, mas acabei por não publicar e «substituo-o» por esta anedota, recebida hoje por mail.

Professor - Em que tempo estão conjugados os verbos da seguinte frase: «Eles não quiseram ter filhos, mas acabaram com seis».
Aluno – No preservativo imperfeito.

Subida garantida no PISA 2012.
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Como foi possível?


«Sussurros» (*) foi certamente o melhor livro que li em 2010, sem que tenha qualquer prazer em dizê-lo, a tal ponto se trata de uma obra terrível, arrasadora e perturbante, que nos revela verdadeiros horrores de que a humanidade foi capaz - não em tempos recuados de escravaturas ancestrais, mas há menos de um século, a poucos milhares de quilómetros de distância.

Já muitos escreveram que é certamente uma das melhores narrativas da Revolução de 1917 e do estalinismo, não sob a forma de um tratado clássico, mas com recurso a dezenas de testemunhos orais que permitiram a reconstituição de percursos individuais e colectivos de pessoas vulgares, de vidas de famílias inteiras esmagadas pelas perseguições estalinistas, que foram parcialmente eliminadas em Gulags e não só, se separaram e se reencontraram por vezes com uma terrível estranheza que as atingiu, e ainda persiste, através de várias gerações.

Uma crueldade em estado puro, que não se limitava à perseguição política dos inimigos, mas que entrava pelas casas dentro, pelo culto da desconfiança generalizada que forçava a que se levassem vidas duplas, que tornava as pessoas incapazes de chorar, que instalava o silêncio e que limitava a comunicação a breves «sussurros». Porque, para se passar de suspeito a detido, era suficiente ser filho, amigo, ou mesmo apenas vizinho, de alguém simplesmente indesejável. Há transcrições de centenas de testemunhos impressionantes. Duas, a título de mero exemplo, que falam por si:
«A minha vida está envolta numa assustadora escuridão. A detenção do Pai foi um golpe tremendo […]. Até agora sempre andei de cabeça erguida, sempre andei com honra, mas agora… Agora Akhmetov [um colega de turma] pode dizer-me: “Somos camaradas de infortúnio!” E pensar que o desprezei, e que desprezei o pai dele, por ser trotskista. Há um pensamento que me oprime dia e noite: o meu pai também será um inimigo? Não, não pode ser, não acredito. Tudo isto é um engano horrível!» (p. 328)
«Não consigo libertar-me do medo. Senti medo durante toda a minha vida de adulta, continuo a sentir medo ainda hoje [em 2004], e sentirei medo até morrer. Mesmo agora, tenho receio de estar a ser seguida. Fui reabilitada há cinquenta anos, não tenho nada de que me envergonhe. A Constituição estabelece que ninguém tem nada que se meter na minha vida privada. Mas eu continuo a ter medo. Sei que eles têm informações suficientes sobre mim para voltarem a prender-me.» (p. 630)
Apesar das suas mais de 700 páginas, «Sussurros» lê-se muito facilmente, não só pelo conteúdo absolutamente empolgante, mas por uma construção, muito bem concebida, de capítulos e subcapítulos que se encadeiam extraordinariamente bem.

Prenda de Natal aconselhada, sem dúvida, seguindo aqui a sugestão de João Tunes que acaba de publicar um belo texto sobre esta obra, cuja leitura também recomendo. Como tive ocasião de lhe dizer ontem, alimentou-me a preguiça e dispensou-me de entrar aqui em detalhes de observações e análises que ele já fez.

(*) Orlando Figes, Sussurros, A vida privada na Rússia de Estaline, Aletheia, 2010, 738 p.
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Na semana das cadeiras vazias


Discurso enviado por Guillermo Fariñas ao Parlamento Europeu, onde o Prémio Sakharov foi hoje depositado numa cadeira vazia.

Santa Clara, 14 de Diciembre del 2010
Respetado Sr Jerzy Buzek, Presidente del Parlamento Europeo. Respetados Vice-Presidentes y honorables Eurodiputados de este foro democrático y plurinacional.

Por desgracia para la tolerancia que tanta falta nos hace en este convulso planeta, no puedo estar junto a ustedes en representación del rebelde pueblo cubano y de esa parte de la ciudadanía nacional, que ya perdió el terror al gobierno totalitario que nos reprime, desde hace el vergonzoso período de 52 años y cuyo ejemplo más actual es el mártir Orlando Zapata Tamayo.

Para desventura de aquellos que nos desgobiernan en nuestra propia Patria, considero que el hecho de no poder salir y regresar voluntariamente a esta Isla que me vio nacer, es ya por sí mismo, el testimonio más fehaciente de que por infortunio nada ha cambiado en el sistema autocrático de mi país.

Dentro de las mentalidades de los gobernantes cubanos actuales, nosotros sus ciudadanos somos, lo que fueron mis ancestros secuestrados en África y traídos a la fuerza a América, en pasados siglos. Para que yo u otro ciudadano de a pie pueda viajar al extranjero, necesito de una Carta de Libertad, como antes la necesitaron los esclavos, sólo que hoy se le denomina Carta Blanca.

Mi mayor esperanza es que no se dejen engañar por los cantos de sirena de un cruel régimen de "comunismo salvaje", cuya única aspiración tras aparentar supuestos cambios económicos, es que la Unión y el Parlamento europeos levanten la posición Común y beneficiarse de los créditos e inversiones, con que se auxilian a los países del Tercer Mundo en los Acuerdos de Cotonou.

Junto a ustedes, de seguro habrán sentados ex presos políticos o de conciencia recientemente excarcelados por el "comunismo salvaje". Sería un error pensar que fueron puestos en libertad, ellos y sus familiares soportan un "destierro psicológico", pues sus seres más queridos resultaron extorsionados por el gobierno neoestalisnista cubano.


Quase em cima da hora


Ia-me escapando o prazo, mas ainda vou a tempo de entrar na Barbearia do senhor Luís.

Ovelhinhas para o presépio? Aqui vai esta, bem arreada, misto de Bairro Alto e Piccadilly Circus, que tristezas não pagam dívidas e para desgraças já basta assim.

E enquanto se brincar na blogosfera, haverá alguma vida para além de muitas outras coisas.
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É um vaivém permanente entre Maomé e a montanha


Lê-se que estão técnicos do FMI em Lisboa para discutir reformas estruturais e que Sócrates prepara pacote de «medidas defendidas pelo FMI» para levar amanhã a Bruxelas.

Apregoa-se não ser necessária a presença de quem, afinal, já cá está para ajudar o mau aluno a fazer os trabalhos de casa. Missão cumprida, este parte com o caderninho na mala para ver se consegue passar, em Bruxelas, no exame preparado pelo explicador de Lisboa.

Bem podem os mais do que insuspeitos senadores gritar que o rei vai nu e que o precipício europeu está à vista, que a caravana continua a avançar impavidamente. Bem escreve Mário Soares que «a grande opinião europeia tem de pressionar os líderes europeus do momento, que não querem assumir a situação em que se encontram e os riscos em que incorrem» e no pasa nada. Ouvem-se os apelos quase dramáticos do mesmo Mário Soares e de Freitas do Amaral (ontem na TVI 24, em debate liderado por Constança Cunha e Sá) de «resistência» à actual aliança FMI / EU-Merkel, sob pena de derrocada europeia inevitável, e fica-se com a ideia de que estão a falar para extraterrestres.

Isto não vai acabar bem. Algo está podre e não é no reino da Dinamarca.
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14.12.10

Aprendam que a UBS pode não durar para sempre


O documento tem 44 páginas e descreve, com todo o pormenor, o dress code exigido aos empregados que trabalham em contacto com clientes na UBS (União dos Bancos Suíços).

Absolutamente hilariante, arruma a um canto qualquer responsável pela Loja do Cidadão de Faro e merece uma leitura pelo menos em diagonal (não perder a p.22, sobre uso de perfumes…).

Porque «uma aparência impecável pode proporcionar paz interior e sentimentos de segurança», a UBS não poupa esforços. Algumas (poucas) pérolas:

A roupa interior feminina deve ser da cor da pele, por baixo de blusas brancas, já que, com licença do chefe, se pode despir o casaco do tailleur (sempre liso, preto, antracite ou azul escuro), em tempos de grande calor, e as saias devem descer até 5cm abaixo do meio do joelho. São proibidos óculos «ultramodernos» ou com lentes de cores berrantes. Quanto às camisas de homem, são proibidos botões de punho (?) e mangas curtas.

Deve mudar-se de sapatos pelo menos uma vez por dia, já que pés frescos «aumentam o bem-estar e melhoram a performance no trabalho», «o homem UBS protege a pele com creme hidratante, arredonda as unhas e só usa barba se for curta e bem tratada.»

E um enorme ponto de interrogação quanto a esta directiva para homens:
«A roupa interior deve ser sempre fabricada em tecidos de qualidade superior, facilmente laváveis e que se mantenham em bom estão de conservação após várias lavagens.» A roupa interior? Para que tipo de actividades profissionais?

Mas há mais, muito mais…

(Fonte)
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Da cartomância


É pena que as capacidades de previsão de Cavaco Silva sejam muito limitadas e apenas tenham permitido que antevisse o panorama actual português há sete anos.

O que teria sido deveras interessante era se, exactamente há trinta, em Dezembro de 1980, o então Ministro das Finanças de Sá Carneiro tivesse conseguido adivinhar que um seu sucessor andaria um dia por Pequim a procurar vender a dívida portuguesa que ele tanto ajudou a criar. Pouquíssimos anos depois do fim da Revolução Cultural, ver Deng Xiaoping em viagens pelo mundo para angariar investimentos estrangeiros na China e perceber que um dia a situação poderia inverter-se, isso sim teria sido um golpe de génio profilático!
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Quando «blogar» não é tão fácil assim…


Habituados que estamos a que tudo esteja para nós à distância de meia dúzia de clicks, vale a pena saber como Yoani Sánchez alimenta o seu blogue, Generación Y, a partir de Havana:

«Los detalles técnicos de cómo logro publicar en Internet los he descrito frecuentemente en mi blog y en realidad no han variado mucho en estos dos años. Desde marzo de 2008 el gobierno cubano implementó un filtro que me impide acceder a Generación Y desde los hoteles y otros sitios públicos. Una pantalla en blanco es el resultado cuando escribo la dirección web que me debería llevar a mi blog. Eso me hizo encontrar caminos paralelos para mantener vivo mi espacio virtual. Uno de ellos es escribir varios textos en casa, lo cual dado el carácter reflexivo y de opinión que tiene GY puedo hacer sin miedo a que se pongan viejos los temas. Cuando acumulo tres o cuatro, me voy a un hotel y compro una tarjeta de conexión para enviar por correo electrónico los posts a varios comentaristas de mi blog que se han convertido en mis editores para lograr publicar. Cuando no puedo conectarme en un hotel, ya sea porque la conexión no funciona —cosa que pasa frecuentemente—, el cerco policial no me deja acercarme o no tengo el dinero para hacerlo, entonces envío un sms a alguno de estos amigos para que me llame y grabe el texto leído a través de la línea telefónica.

En los últimos meses descubrí otro camino que me gusta explicarlo diciendo: si los cubanos fuimos capaces de hacer el picadillo de carne sin carne —con cáscara de plátano— cómo no vamos a crear la internet sin internet. Se trata de escribir el post y una vez terminado marcar la tecla Prt SC que le hace una foto a la pantalla del ordenador, pongo esa imagen en un programa donde la corto y la guardo en formato .gif y entonces la ubico dentro de mi móvil. A través del servicio de MMS de Cubacel, envío esa imagen a mis editores que transcriben el texto y lo publican. Así han salido la mayoría de mis textos de los últimos meses y así he ayudado a otros a conocer ese camino alternativo hacia la gran telaraña mundial. Twitter, por su parte, es otra historia. Desde agosto del año pasado aprendí que ese servicio de microblogging tiene un método de publicación por sms para personas sin acceso a la Web. Eso me ha permitido completar los textos reflexivos de mi blog, con la inmediatez que logran dichos mensajes en 140 caracteres. He impartido ya tres cursos de móvil-activismo para traspasar esos conocimientos a otros blogueros, periodistas independientes y personas que están haciendo una labor cívica o cultural. Cada nuevo truco informático que aprendo, es como un código abierto, un software de licencia libre al que todos pueden acercarse.»

(Fonte)
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13.12.10

Menos uma voz


Enrique Morente (1942-2010)



Pequeño Vals Vienés

En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.

Este vals, este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar.

Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo,
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.

En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados,
hay frescas guirnaldas de llanto.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.

Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".

En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga
cabeza de río.
¡Mira qué orillas tengo de jacintos!
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals.

Federico García Lorca
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Mas a culpa não foi sempre dos computadores?


Dezembro parece ser um mês especialmente pesado para a responsabilidade cívica dessas entidades quase tão humanóides como os mercados.

Já nem nos recordamos talvez mas, há exactamente onze anos, reinava por esta altura o pânico pela iminência de uma espécie de apocalipse se os computadores se revelassem incapazes de reconhecer a mudança de século, com o consequente colapso de aeroportos, bancos, centrais nucleares e quase tudo no mundo. O «bug do milénio», se bem se lembram.

No fim da primeira década deste século XXI, um verdadeiro terramoto, com vários tsunamis ainda em actividade e outros em grande fila de espera, foi ele também provocado pelas potencialidades desses malvados seres, bem mais perigosos do que a máquina a vapor e seus sucedâneos, sem que seja de todo previsível que Obama acorde no dia 1 de Janeiro de 2011 com a certeza de que tudo não passou de um sonho mau e que Wikileaks não é mais, afinal, do que uma nova marca de pastilhas elásticas.

Curiosamente, as primeiras vagas que nos atingiram agora vieram através de um outro «millennium», também já cheio, muito cheio de bugs. Isto deve andar tudo ligado, não?!
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À margem da crise


Regressada há uma semana de dois grandes países – a Argentina e o Chile – vejo confirmadas, pelos dados e pelas conclusões revelados pelo Latinobarómetro 2010 (1), as minhas impressões de turista, embora pouco acidental: a América Latina vai bem, melhor do que há sete anos, e também se recomenda.

Esqueça-se a crise de 2008 e início de 2009, porque se estima que a economia do conjunto da região cresça 5,2% em 2010, o que revela uma solidez macro-económica notável e indiscutível.

Também, e trata-se de um dado importante sublinhado em todas as análises, aumentou entretanto significativamente o «apoio à democracia» (2) – de um modo geral, porque é óbvio que se registam diferenças, por vezes significativas, de país para país –, enquanto o calcanhar de Aquiles continua a ser a delinquência, com 90% dos latino-americanos convictos que podem vir a ser vítimas de crimes violentos.

O vigor da confiança na democracia aparece intimamente ligado às variações no plano económico. A década acaba bem melhor do que começou, nomeadamente com a crise do peso argentino e os receios das reacções à eleição de Lula. E «o caos económico tinha sido associado pelo conjunto das populações latino-americanas ao falhanço das políticas de privatização e de abertura comercial dos governos democráticos dos anos 90, que sucederam aos tiranos da trágica década de 80.» «Democracia» foi então associada por muitos a «corrupção», o que explica os péssimos resultados do Latinobarómetro de 2001.

Deixando agora de lado o relatório e os números – e haveria muitos a referir –, «regresso» às ruas de Buenos Aires e de Santiago do Chile (não necessariamente às de Atacama…): vê-se prosperidade, não se sente nem se fala de crise (a não ser, um pouco, no turismo, mas que é agora largamente alimentado pelos países vizinhos…), as perspectivas parecem tão vastas como as amplas avenidas que cruzam as duas cidades, os projectos tão firmes como os novos e lindíssimos edifícios que não existiam há poucos anos (Puerto Madero, nas antigas docas de Buenos Aires, está irreconhecível!), o lazer tão intenso como o número de restaurantes, de todas as categorias, cheios de gente a todas as horas, o poder de compra tão evidenciado num sem número de recentes complexos comerciais mais ou menos luxuosos.

Claro que o Chile (ainda) ficou pessimamente colocado no PISA 2009 e é verdade que, 24h depois do meu regresso, morreram mais de oitenta pessoas numa prisão de Santiago, em condições talvez impensáveis em qualquer país europeu. Mas o (bom) futuro próximo passa certamente mais por ali… do que por aqui. É só preciso andar de olhos abertos para regressar, com essa certeza, a esta velha Europa!

(1) Para eventuais interessados, coloquei online o Informe 2010, de acesso directo difícil na rede, e que é baseado no resultado de 19.000 entrevistas realizadas em 18 países.
(2) Para mais detalhes sobre este conceito, ver Informe 2010. pp. 38-49.

(A partir daqui.)
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Dar abrigo a WikiLeaks


O Libération explica porque o faz - e muito bem, na minha opinião:

«Libération, anarchiste du Net ? En abritant le site Wikileaks, pourchassé à l’échelle mondiale, sacrifions-nous à l’idéologie de la transparence absolue, dans laquelle Michel Foucault voyait une forme insidieuse de totalitarisme ? En aucune manière. Les Etats démocratiques ont le droit de garder des secrets et d’agir, dans les formes légales, à l’abri de règles reconnues de confidentialité. Mais les organes d’information, sur le Net ou ailleurs, ne sont pas et ne doivent pas être des prolongements des Etats. Ils sont des contre-pouvoirs. Ils ont pour fonction d’informer le citoyen et s’efforcent, pour ce faire, de comprendre ce qui se passe dans les coulisses des organisations, publiques ou privées. Sous une forme radicale, c’est ce que fait WikiLeaks, qui a pris soin, il faut le souligner, de s’arrimer à des titres respectés de la presse mondiale pour rendre publiques les informations qu’il s’est procurées. Les attaques menées contre ces imprécateurs utiles n’ont à ce jour aucune base légale.

Et pour cause : en démocratie, le droit à l’information l’emporte sur la logique des pouvoirs ; s’en prendre illégalement à WikiLeaks, c’est, toutes proportions gardées, mettre en place une sorte de Guantánamo virtuel. Une menace que tous les journaux libres doivent dénoncer.»
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É isso mesmo


… sem tirar nem pôr, Miguel Cardina.

Notícias do interior do mundo

Dizem-nos que não devemos querer saber disto. Que isto perturba a ordem das coisas. Que nos devemos apenas preocupar com o caroço, a fuligem dos dias, a democracia da urna a horas certas. Que podemos dormir descansados enquanto eles tratam das questões verdadeiramente importantes. Que sair da caverna é uma impertinência e uma insensatez. Que não devemos dar crédito a isto, porque neste caso dar crédito é pactuar com o roubo. E o roubo, já dizia um velho francês de barbas, é a designação que alguns atribuem à propriedade. Ler as palavras do poder é ser um comunista primitivo ou um anarquista australiano.
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12.12.10

Vontade de voltar a partir


… ou ainda um pouco no Chile.


Pablo Neruda, La carta en el camiño
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Afundados em silêncio



Pouco qualificados, e portanto não competitivos, com uma corrupção endémica que lhes abafa a criatividade, ansiosos, deprimidos e amargos, estranhamente dóceis e silenciosos, mesmo quando aderem significativamente a uma greve geral - são as conclusões de uma reportagem recente de FR24 sobre os portugueses (vídeo).

Sofrem em silêncio e depois vão-se embora, como sempre fizeram – 100.000 emigraram, em 2009.

Per omnia seculum seculorum, amen??? Talvez não...



(Fonte)
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Só para francófonos


Une petite clémentine
Une petite clémentine, rentrant tard le soir, s'adresse à sa mamandarine. Tu ne diras rien a papamplemousse :
« Je suis sortie avec un joli citron qui me chantait la pomme. Comme j'étais pressée, il a eu un zeste déplacé... et maintenant j'ai peur d'avoir des pépins.»

C'est trop «cute».
Mais j'espère que sa mère ne lui a pas dit: «Orange toi avec tes troubles!»
Bonne journée! Et pourquoi pas... Elle ananas pour longtemps avec ses pépins; faudra qu'elle consulte un avocat afin de ne pas passer pour une poire...ils melon dit!!!
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Um apoiante inesperado


Ontem, no Chiado.

(Foto por Paula Cabeçadas)
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