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25.12.10

Natal cancelado

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Natal num país digitalizado?


É um ritual que cumpro desde há alguns anos: Alfa Lisboa – Porto, 24 de Dezembro, 14:00. Sempre na mesma carruagem, iria até jurar que, muitas vezes, no lugar 55 ou 56. Lotação sempre esgotada, no dia do ano em que muitas famílias, habitualmente distribuídas pelo Sul e pelo Norte deste minúsculo pais, tentam reunir-se a tempo do peru ou do bacalhau com batatas e pencas.

Mas nem tudo se tem mantido ao longo do tempo. A pouco e pouco, os meus companheiros acidentais de viagem começaram a substituir o Público, a Bola ou os velhos livros em papel, por um ou outro PC. Até que, este ano, não havia uma única pessoa à minha volta que não estivesse mais ou menos digitalizada - com portáteis de todos os tamanhos e feitios (até um ThinkPad, já não da IBM mas da chinesa Lenovo, evidentemente…), iPod’s, iPhone’s e seus clones ou novíssimos iPad’s. Online ou não, porque o wi-fi só virá, quem sabe, com o sebastiânico TGV… Impressionante!

Algumas horas mais tarde, perto da árvore de Natal, tudo volta à mais normal das tradições. Ou não: as crianças já não se escondem na chaminé para verem chegar o Pai Natal, preferem esperar por ele ao teclado de um computador.
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Dia de era bom


DIA DE NATAL

Hoje é o dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros- coitadinhos- nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra- louvado seja o Senhor!- o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão
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24.12.10

O cartão de Boas Festas deste ano, sem qualquer espécie de dúvida

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Para recordar de hoje a um ano


«Sócrates e Cavaco desejaram-se Boas Frestas. Frestas, fendas, fissuras, rachas... Sócrates falou um minuto, Cavaco falou dois minutos (ele agora vale sempre por dois, candidato e Presidente). (…)

Cavaco desejou aos ministros "um ano tão próspero quanto possível, tão feliz quanto possível"... Mais agoirento era impossível. No fim, Sócrates convidou Cavaco a fazer a fotografia no meio do Governo, e todos sorriram. Só faltou o ministro das Finanças e faltar as finanças foi a única coisa sincera no meio de tudo isto.»

Ferreira Fernandes, no DN.
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23.12.10

Ladainha dos póstumos Natais


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito

David Mourão-Ferreira, in Cancioneiro de Natal.

DITO PELO PRÓPRIO AQUI.
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Carta aberta a Obama


Dos Repórteres Sem Fronteiras.

Open letter to President Obama and General Attorney Holder regarding possible criminal prosecution against Julian Assange

Published on 17 December 2010

President Barack H. Obama
The White House
1600 Pennsylvania Avenue, NW
Washington, DC 20500

Attorney General Eric Holder
U.S. Department of Justice
950 Pennsylvania Avenue, NW
Washington, DC 20530

Paris, December 17, 2010

Dear President Obama and Attorney General Holder,

Reporters Without Borders, an international press freedom organization, would like to share with you its concern about reports that the Department of Justice is preparing a possible criminal prosecution against Julian Assange and other people who work at WikiLeaks.

We regard the publication of classified information by WikiLeaks and five associated newspapers as a journalistic activity protected by the First Amendment. Prosecuting WikiLeaks’ founders and other people linked to the website would seriously damage media freedom in the United States and impede the work of journalists who cover sensitive subjects.

It would also weaken the US and the international community efforts at protecting human rights, providing governments with poor press freedom records a ready-made excuse to justify censorship and retributive judicial campaigns against civil society and the media.

We believe the United States credibility as a leading proponent of freedom of expression is at stake, and that any arbitrary prosecution of WikiLeaks for receiving and publishing sensitive documents would inevitably create a dangerous precedent.

Members of the faculty at the Columbia University Graduate School of Journalism wrote to you recently warning that “government overreaction to publication of leaked material in the press has always been more damaging to American democracy than the leaks themselves.” We fully agree with this analysis.

The ability to publish confidential documents is a necessary safeguard against government over-classification. We urge you to use this debate to review the government’s policy of classifying documents in order to increase transparency in accordance with the promises made by the administration when it first assumed office.

We thank you both in advance for the attention you give to our observations.
Sincerely,

Jean-François Julliard Secretary-General
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É o que se pode arranjar...

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Globalização, esse bode expiatório


Tornou-se um lugar-comum considerar como provada a incompatibilidade entre globalização (inevitável), por um lado, e salvaguarda de sistemas de protecção social e equilíbrio na distribuição das riquezas, por outro, anunciando-se portanto a derrota fatal destes últimos. Não é assim, como bem se explica neste texto:

Os excertos que retiro não dispensam a leitura na íntegra.

«Por un lado, esa afirmación implica dar como inmutable el actual orden de cosas, suponer que el modo en que actualmente se regulan y gobiernan los fenómenos sociales no tiene alternativa ni puede funcionar de otro modo. Es decir, plantear los problemas sociales como si estos se presentaran siempre dentro de unos mismos valores de un constante eje de coordenadas. (…)

La realidad, por tanto, es que el tipo de organización socioeconómica de nuestro tiempo, el tipo específico de globalización dominante basada en la desigualdad, en el privilegio de las relaciones de mercado y en la plena libertad de movimientos del capital, es lo que hace inviable la extensión de los sistemas de bienestar social porque estos lógicamente requieren recursos que implicarían una merma sustancial del excedente que ahora se apropian en mucha mayor medida que en otras épocas los propietarios de capital. (…)

Un argumento incorrecto porque lo que, por el contrario, habría que plantear en primer lugar serían las exigencias de bienestar que habría que garantizar en todo el mundo para que la población pudiera satisfacer sus necesidades y a partir de ahí determinar los procesos que podrían garantizarla. (…)

La competitividad que se ha generalizado en los últimos decenios a través de los salarios bajos, de la precariedad en el trabajo y la inseguridad generalizada responde a una lógica que concentra mucho la renta y la riqueza en cada vez grupos más pequeños de la población pero a la larga generalizadamente empobrecedora. (…)

En definitiva, la incompatibilidad no se produce entre el Estado de Bienestar y la globalización, sino entre la globalización bajo las políticas neoliberales y el bienestar humano. Y la elección no puede ser la que predomina, sacrificar el bienestar para salvar el beneficio de unos pocos, sino limitar el beneficio para garantizar el bienestar de todos.

Una elección que, en todo caso, no pueden resolver los economistas sino que tiene que imponer la ciudadanía.»
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Não é Jingle Bells (3)

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22.12.10

Vertiginoso

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(Via Virgílio Vargas no Facebook)
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Dois sistemas ou nem por isso


No dia em que se confirma que a China está disposta a abrir os cordões à bolsa para comprar uma parte da dívida portuguesa, vale a pena dar uma vista de olhos a dois excelentes dossiers publicados em Business Insider:

A China tem mostrado ao mundo o mais espectacular crescimento económico da história. Tirou milhões de pessoas da pobreza num curto período de tempo e continua a ser um dos países com maior património cultural.

Mas o governo distorceu o sistema económico nas últimas décadas, o que provocou catorze excessos perigosos que se alimentam uns aos outros.


O país expande-se loucamente e, embora isso possa parecer excelente a curto prazo, há muitos sinais que indicam que o rumo que está a ser seguido no plano económico é insustentável.

O próprio governo tem consciência do problema, mas tem de manter o equilíbrio entre essa preocupação e as expectativas da população e, sobretudo, ter em conta a necessidade de criar massivamente postos de trabalho.

Se a China cair do céu, a América não ficará imune…
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É o que está a dar


«Ainda há dias o jovem "boy" encarregado, na Secretaria de Estado da Segurança Social, das exéquias do falecido "Estado Social" se gabava de ter conseguido, em poucos meses, tirar o Subsídio Social de Desemprego a 10 291 desempregados e o Rendimento Social de Inserção a mais 8 321.

E ontem o Ministério das Finanças anunciava festivamente, conta o DN, "uma luz ao fundo do túnel", com "os cortes nos apoios sociais aos desempregados e crianças (...) a ser decisivos para a contenção nos gastos e, logo, para o alívio no défice".

Anda o Governo a fazer pobres para Cavaco vir aproveitar-se desse esforço!»

Manuel António Pina. Na íntegra, aqui.
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21.12.10

Revolução tecnológica?


Jorge Nascimento Rodrigues, que leio há muitos anos no Expresso e «encontro» agora diariamente no Facebook, acaba de publicar uma interessante entrevista a Peter Cohan.

Bem em voga na década de 90, Cohan publicou, em 1997, uma obra que JNR refere e que eu então li, e utilizei, por razões profissionais: The Technology Leaders: How America's Most Profitable High Tech Companies Innovate Their Way to Success.

Razão mais do que suficiente para o meu interesse em tentar interpretar o relativo pessimismo de Cohan que não vê emergir a inovação tecnológica indispensável para que a economia saia do actual marasmo - nada que se compare ao que se passou «nos anos 1960 com os computadores de grande porte, depois nos anos 1970 com os minicomputadores, nos anos 1980 com os computadores pessoais e nos anos 1990 com a Internet».

Tendências promissoras? Certamente: serviços e aparelhos ligados à utilização das redes sociais na Internet, computação em nuvem (cloud computing), cruzamento das tecnologias de informação com a medicina e utilização de tecnologias «limpas». Mas não se sente ainda uma verdadeira «onda».

Nestes tempos de crise, para Cohan, «a tendência mais forte na obtenção de capital é recorrer aos chamados investidores «anjos», a que alguns chamam de business angels. Trata-se de gente muito rica - que, por vezes, inclusive se junta em grupo - que quer investir em pequenos e novos negócios, sem toda essa intrusão dos homens do capital de risco». Business angels…

Próximos capítulos a serem seguidos com atenção.
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Batalha naval à vista


Na íntegra, o texto apresentado ontem por Ana Gomes:
Submarinos e contrapartidas - queixa à CE
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Não é Jingle Bells (2)

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20.12.10

Cavaco, personagem de «Conta-me como foi»?


Só hoje vi o «Formulário Pessoal Personalizado» que Cavaco Silva preencheu, em impresso fornecido pela PIDE, em Dezembro de 1967.

Muito se tem escrito sobre o assunto, por exemplo que todos os candidatos a funcionários públicos eram obrigados a fazê-lo. FALSO: eis a minha «Declaração de Compromisso», assinada em 1965, quando entrei como docente para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Não fui à António Maria Cardoso, tudo se passou na Reitoria – o processo era este e apenas este. (Previamente, a polícia fazia o seu trabalho de casa e autorizava, ou não, a Universidade a contratar, como tive ocasião de verificar, muitos anos mais tarde, nos meus processos que estão na Torre do Tombo.)


Portanto, não vale a pena dizer, como vi escrito por aí, que daquele inevitável acto dependiam as sopas do jovem que já tinha então subido a pulso alguns degraus da sua difícil escada, até porque o mesmo já era, à época, assistente universitário em Económicas.

Adiante, portanto. Terá precisado de consultar documentos secretos da NATO e foi-lhe pedido que preenchesse o tal Formulário? Mais do que provável. Mas não se lembra? Alguém se esquece de uma coisa destas? Mais do que improvável.

O documento pode ser lido aqui com nitidez. E é mesmo no fim que se encontra a tal «Observação», obviamente facultativa, que revela e retrata o carácter de quem diz de si próprio, na terceira pessoa:
«O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira com quem reside e com quem o declarante não priva.»

Ninguém é obrigado a ter um passado antifascista para ser digno de respeito. Mas perde o direito a sê-lo quando é capaz de uma sabujice destas e deixa de ser suficientemente «decente» para presidir aos destinos de um país. Ainda por cima, coloca-se no plano de um moralismo barato e bacoco que, ao contrário do que muitos pensam, não era lei geral no fim da década de 60, no meio universitário de Lisboa.

Fica-lhe colado à pele um retrato digno dos mais retrógrados personagens de «Conta-me como foi».

P.S. - A ler: A pulsão da vidinha, por Miguel Cardina.
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A grande nobreza de ir e ficar contente


A fotografia fala por si. Comentários para quê...


«Sorte??? Deseja-se sorte à Comunidade Vida e Paz?...

(Foto: capa de Correio da Manhã)

P.S. – Se tem conta no Facebook, e não quer continuar a ver estas caras durante os próximos cinco anos, junte-se aos seus e esteja presente no «dia em que não vou votar no cavaco silva» - 23/1/2011.
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Isto anda tudo ligado


César das Neves, Deus e as dívidas à banca, num Conto de Natal que se faz favor…

«Tudo o que tu tens, do teu cérebro à tua mulher, passando pelo sistema solar e o teu emprego, não é, nem nunca foi, teu. É do seu verdadeiro dono e foi-te confiado durante um bocadinho de tempo. Mais: como sabes bem, não se trata de um único empréstimo feito ao nascer que se paga na morte, porque estás permanentemente a receber novos benefícios. Mesmo que vás pagando os juros pontualmente, a tua dívida vital aumenta todos os dias exponencialmente. (…)

Por isso, a questão central da vida não é cumprir regras, ser bonzinho, preocupar-se com os outros. É ser realista e compreender que devemos tudo. Tudo o que somos e temos, devemo-lo a Outrem. A única forma verdadeira de viver é numa total e profunda dependência deste Deus que nos dá tudo. (…)

O problema central da vida é a dívida absoluta, esmagadora, totalitária que temos perante o banco divino. Que, felizmente, nos ama mais a nós que nós próprios.»

Tal como os outros bancos?

Na íntegra.
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Não é Jingle Bells (1)

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19.12.10

Viagens impossíveis


Os viciados em nomadismo aéreo descobrem novos aeroportos, assistem à transformação dos antigos (quem viu o de Barajas e quem o vê!!!...), deixam de andar apenas em intermináveis passadeiras rolantes e passam a recorrer também a comboios ou a autocarros para uma simples mudança de terminal, habituam-se a ficar longas horas em terra por causa de cinzas ou de greves, ocupam o tempo a ler, a tentar usar wi-fi ou a preencher livros de Sudoku. Conhecem as lojas e os cantos à casa, sobretudo em Madrid e em Frankfurt, paragens quase sempre obrigatórias para quem vive num país europeu excêntrico e com uma oferta «patrícia» reduzida.

Mas, se os aeroportos crescem, há grandes companhias aéreas que, pura e simplesmente, desaparecem. Que a Varig, tão lendária pela excelência do seu serviço, já não atravesse todos os dias o Atlântico, que não se voe para Bruxelas na Sabena nem na TWA para Nova Iorque, que a Swissair se tenha desgovernado, são realidades que eram quase inimagináveis há vinte anos ou muito menos ainda. E se a Pan Am «ressuscitou», e vai agora na sua terceira encarnação, nunca mais será possível ir de Vancouver a Sydney na Canadian Pacific, nem sobrevoar as revoltas nas ruas de Atenas a bordo de um avião da Olympic Airlines.
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Instruções para subir uma escada


Um conto de Julio Cortázar.

«Nadie habrá dejado de observar que con frecuencia el suelo se pliega de manera tal que una parte sube en ángulo recto con el plano del suelo, y luego la parte siguiente se coloca paralela a este plano, para dar paso a una nueva perpendicular, conducta que se repite en espiral o en línea quebrada hasta alturas sumamente variables. Agachándose y poniendo la mano izquierda en una de las partes verticales, y la derecha en la horizontal correspondiente, se está en posesión momentánea de un peldaño o escalón. Cada uno de estos peldaños, formados como se ve por dos elementos, se sitúa un tanto más arriba y adelante que el anterior, principio que da sentido a la escalera, ya que cualquiera otra combinación producirá formas quizá más bellas o pintorescas, pero incapaces de trasladar de una planta baja a un primer piso.

Las escaleras se suben de frente, pues hacia atrás o de costado resultan particularmente incómodas. La actitud natural consiste en mantenerse de pie, los brazos colgando sin esfuerzo, la cabeza erguida aunque no tanto que los ojos dejen de ver los peldaños inmediatamente superiores al que se pisa, y respirando lenta y regularmente. Para subir una escalera se comienza por levantar esa parte del cuerpo situada a la derecha abajo, envuelta casi siempre en cuero o gamuza, y que salvo excepciones cabe exactamente en el escalón. Puesta en el primer peldaño dicha parte, que para abreviar llamaremos pie, se recoge la parte equivalente de la izquierda (también llamada pie, pero que no ha de confundirse con el pie antes citado), y llevándola a la altura del pie, se le hace seguir hasta colocarla en el segundo peldaño, con lo cual en éste descansará el pie, y en el primero descansará el pie. (Los primeros peldaños son siempre los más difíciles, hasta adquirir la coordinación necesaria. La coincidencia de nombre entre el pie y el pie hace difícil la explicación. Cuídese especialmente de no levantar al mismo tiempo el pie y el pie).

Llegado en esta forma al segundo peldaño, basta repetir alternadamente los movimientos hasta encontrarse con el final de la escalera. Se sale de ella fácilmente, con un ligero golpe de talón que la fija en su sitio, del que no se moverá hasta el momento del descenso.»
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Na hora de dizer «Basta!»


Que seja dito mil vezes, se necessário for.

«Ni en la peor de nuestras pesadillas pudimos muchos soñar lo que nos está ocurriendo. (…) Ningún autor de ciencia ficción del pasado previó tanto. (…)

El histórico ex presidente socialista portugués, Mario Soares, lanza un grito, llamando a los dirigentes de su país y de España a plantar cara a la UE. Una Europa que ha traicionado el espíritu que la constituyó y hasta ahora la caracterizó, que pierde poder en hemorragia imparable, según sus propios eximios dirigentes reconocen, y que ni bailando en la cuerda con un pie, “tranquilizan” a sus amos los mercados. (…)

España y Portugal se cuentan entre las víctimas de esta estrategia obsoleta delineada por la señora Merkel y por el BCE, con el concurso de la Comisión Europea. Han sido ellos quienes nos han impuesto medidas durísimas para nuestros respectivos pueblos. No hemos podido evitarlas, de momento, para no vernos asfixiados financieramente.

Pero no debemos ni podemos quedarnos callados. Es hora de que suene nuestra voz, de decir basta y de exigir un debate europeo serio y transparente, para que el pueblo europeo comprenda hacia dónde lo están llevando los actuales líderes europeos.»

Na íntegra aqui.
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