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30.6.11

Rebobinando 48 horas


Antes de deixar Oslo, e apesar de uma chuva bem desagradável para o efeito, não podia falhar uma passagem pelo Parque Vigeland. Numa área de 320.000 m2, podem – e devem – ser vistas mais de 200 magníficas esculturas, em bronze e em granito, do escultor norueguês Gustav Vigeland.

Ça vaut le détour, como se diz nos guias Michelin.

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São jovens e têm medo - lá como cá


A ler, no Libération, um conjunto de testemunhos de jovens que ontem manifestaram nas ruas de Atenas. O que as televisões não nos mostram.

O que estes testemunhos têm de extraordinário é, precisamente, não o serem. Foram ouvidos em Atenas, como poderiam sê-lo em Madrid, em Lisboa ou também - já ou muito em breve -, em muitas outras cidades europeias. É esse o drama: a banalidade do que nunca poderia ser banal, a generalização daquilo que, no máximo, deveria ser absolutamente excepcional.

«O povo já está falido.»

«Não sabemos para onde vamos, temos medo do futuro.»

«Penso que o sistema capitalista é perverso.»

«A juventude grega está a perder todas as esperanças, já não tem futuro.»
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Ou a PIDE ou a democracia- um texto de Iva Delgado


Publicado hoje na página do Facebook de Humberto Delgado, a propósito do julgamento relacionado com a peça «A Filha Rebelde».

«Trata-se de ofensa ao bom nome de Silva Pais? De o acusar de um crime que não cometeu? De o enredar em teias de suspeição não provadas? De um simples mal-entendido sobre um cidadão como outro qualquer? Estas questões estão a ser levantadas hoje, num tribunal em Lisboa, como se Fernando Silva Pais tivesse sido um pacato major de um pacato Portugal sob o remanso governativo de Oliveira Salazar.

Os ofendidos, um sobrinho e uma sobrinha de Fernando Silva Pais, invocam o direito à reparação da memória deste e pedem justiça na forma de indemnização monetária. A acusação visa concretamente a peça de teatro "A Filha Rebelde" de Margarida Fonseca Santos, baseada na obra homónima dos jornalistas José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz. A peça, segundo a acusação, pode levar o espectador a concluir que Silva Pais foi o mandante do assassinato de Humberto Delgado.

Está em causa a cadeia de responsabilização em regimes ditatoriais. No julgamento dos nazis em Nuremberga, a questão era a de saber se quem se "limitava" a cumprir ordens superiores podia ser desresponsabilizado. A Justiça e a História concluíram que não podia. Mas no caso português, curiosamente, a questão é colocada ao contrário: não se pergunta se Silva Pais responde historicamente pelas ordens recebidas de Salazar, mas sim se responde pelos actos cometidos pelos seus subordinados. Por muito absurdo que possa parecer, é mesmo isso que está hoje em causa.

É confrangedor ver a inversão de valores em relação ao papel dos tribunais na era democrática. Se todos os descendentes de figuras históricas do Estado Novo se aproveitassem da legislação democrática para processar por difamação os autores de livros de história, biografias, ensaios, peças jornalísticas, obras de ficção, peças de teatro, séries televisivas, filmes, etc., teríamos uma paralisação intelectual, artística, histórica e cultural jamais vista. Seria a censura absoluta e total. Pior ainda, os autores praticariam a auto-censura.

O julgamento da história e a memória colectiva seriam abandonadas a si mesmos, à deriva por labirintos da memória individual, por trilhos ínvios do esquecimento, por deturpações oportunísticas.

Alguém pode defender que o Estado Salazarista não era um Estado fortemente hierarquizado? Alguém de boa vontade pode afirmar que qualquer agente do Estado podia agir por conta própria sem informar o seu superior hierárquico? Alguém pode defender que um caso tão notório como o caso Humberto Delgado estaria consignado ao âmbito de subalternos? É não ter noção mínima do que foi o salazarismo.

Qualquer pessoa minimamente informada sabe que o diretor da PIDE despachava diretamente com Salazar. Ora Salazar escolhia a dedo os seus homens, deles dependia a eficácia do poder, deles dependiam a execução das suas ordens e o cumprimento adequado da sua política.

Querer defender o "bom nome" de seu tio e ao mesmo tempo pretender desresponsabilizá-lo é um contra-senso, para não dizer um mau serviço prestado à "memória" desse alto responsável do Estado Novo. É impensável alhear o major Silva Pais dos actos cometidos pela sua polícia política. Esse papel tem uma configuração histórica própria. Assumi-lo tem mais "dignidade" que a menorização patética, por via pseudo-sentimental, de um parente falecido.

Quem se interessar por este caso e concordar ou discordar com o acima escrito pode dar a sua opinião, divulgar ou simplesmente aderir.»


Iva Delgado
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«A democracia nasceu em Atenas quando Solon perdoou as dívidas dos pobres»


Quem o recorda é Mikis Théodorakis, num belíssimo texto de que falarei mais tarde.

Quanto à batalha de ontem em Atenas, nem vale a pena mostrar imagens, já que elas alimentaram, largamente, televisões e jornais – o sangue vende.

Para já (hoje regressarei inevitavelmente ao tema), apenas uma chamada de atenção para um severo comunicado da Amnistia Internacional, que denuncia a desproporção dos meios utilizados pela polícia.

Com dedicatória para os que falam da barbárie dos gregos e se regozijam por nós, os portugueses, sermos mais mansos do que a nossa tia.

(Reminder: Solon aboliu a escravidão por dívidas e modificou o código de leis de Drácon, que já não era seguido por causa de sua excessiva severidade.)
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29.6.11

E será que Jesus tem um iPad para ler o tweet?

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Ler aqui.

(Via Mª João Pires no Facebook)
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O Bloco e o futuro


No suplemento P2 do Público de hoje, Fernando Rosas divulga um importante texto que aqui fica para quem não tenha tido oportunidade de o ler. Habituei-me a estar especialmente atenta a esta voz, «de topo», de certo modo a única que não tem andado envolvida nas tristes guerrilhas pós-eleitorais, que têm vindo a público durante as últimas semanas. (Os realces são meus.)

«Durante o passado fim de semana, alguns dos colunistas do costume voltaram a anunciar pela undécima vez o fim à vista do Bloco de Esquerda (BE). Desta feita, a debater-se com uma cavada e terminal dissidência interna potenciada pelos resultados das últimas eleições. Alguém terá de explicar a tais sábios que reincidem no erro ao confundir os seus desejos com a realidade, ou, para dizer as coisas como elas são, ao persistir em manipulá-la à luz de um velho e arreigado preconceito ideológico. Talvez por isso, resolvi desviar o nariz por umas horas dos trabalhos e teses dos meus alunos e aceitar o desafio do Público para escrever de minha justiça acerca do BE. Aí vai.


No trilho da esquerda grande

Glosou-se por aí, nestes dias de balanço pós-eleitoral, que, resolvidas as “causas fracturantes”, chegava agora ao fim o papel e a razão de ser do BE, nascido afinal como uma espécie de grupo urbano pró-modernização dos costumes. A afirmação merece atenção porque é duplamente falsa: não só as “causas fracturantes” se não esgotaram, como o Bloco aparece na sociedade portuguesa por razões políticas e ideológicas de fundo e que em muito transcendem essa visão diletante e falaciosa com que a direita e certas áreas do PS sempre o gostaram de identificar, em jeito de quem reduz e esconjura o perigo iminente.

Um perigo real para essa gente, é preciso dizê-lo. Porque o BE procurou e procura responder ao que era um vazio óbvio e essencial na esquerda: recriar o espaço político e ideológico dos muitos que se não reconhecem nem na rendição do PS à “terceira via”, ao blairismo e ao neoliberalismo, nem na ortodoxia de um PCP que ainda não matou o pai, que continua a identificar-se com os paradigmas da ex-URSS e a chamar de “irmãos” os partidos e regimes da China ou da Coreia do Norte.

Preencher esse espaço significa recriá-lo política e ideologicamente a todos os níveis: o BE surgiu neste contexto como o contrário do “partidão” vanguardista e manipulador, como um partido-movimento unindo várias esquerdas da esquerda à esquerda da rendição do PS e buscando pontes para se entender das formas mais variadas com todo o tipo de forças políticas, sociais, culturais, sindicais, etc… que se movimentam nesta área; o BE lá está na primeira linha das lutas do mundo do trabalho, mas quer ir além: pretende apoiar e dar voz, sem controleirismos absurdos, aos sectores populares emergentes na margem das organizações partidárias e sindicais tradicionais: os desempregados, os precários, os imigrantes, os movimentos de mulheres e de jovens, as minorias sexuais; o BE teve, e terá, neste quadro, uma intervenção decisiva para introduzir alterações históricas no regime dos direitos de cidadania: a legalização do aborto e dos casamentos gay, a criminalização da violência doméstica e o mais que está para vir.

Mas bem se compreende que o seu propósito vai muito para além deste item, aliás muito importante. Trata-se de criar, no sentido rigoroso do termo, um novo campo (político, social, cultural, económico) à esquerda, uma Esquerda Grande, combativa, moderna, plural que possa suportar social, política e ideologicamente uma mudança histórica: constituir-se como alternativa de governo ao monopólio da oligarquia rotativa que, do “centrão” à direita populista, tem gerido o país praticamente desde 1976. É o carácter radicalmente transformador deste projecto de renovação à esquerda que fez do BE a principal novidade da vida política doméstica no último decénio do século XX.

E, para falar verdade, é a importância estratégica deste projecto que lhe permitiu, apesar da gravidade do tsunami eleitoral, firmar-se como um partido com cerca de 250 mil votos e um grupo parlamentar de 8 deputados distribuídos pelo Porto, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Faro. Os resultados da derrota eleitoral do BE excitaram de tal maneira as cassandras da extinção iminente que nem os souberam ler no que eles, apesar do revés, revelam: um Bloco que, com “causas fracturantes”, sem dúvida, mas muito para além delas, veio para ficar. Que criou a sua base social e política própria e traz consigo a tarefa, sobre todas subversiva, de contribuir para que a Esquerda Grande, popular, plural e socialista, unida em torno de uma plataforma de luta comum, chegue ao poder.

Dito isto, melhor se compreenderá a essencial inanidade das pressões que tentam, mais ou menos explicitamente, transformar o BE seja numa espécie de penduricalho radical de um PS rendido ao FMI (uma reprodução à esquerda da relação apendicular do CDS com o PSD), seja numa segunda versão dos Verdes relativamente ao PCP. Mesmo com o risco de desiludir os apóstolos do juízo final, sempre direi que tais posições não gozam de qualquer apoio significativo nas fileiras do BE. Pela simples razão de que para fazer isso não valeria a pena a aventura do Bloco. O original é sempre mais fiel do que a cópia.


Privatize-se


«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago - Cadernos de Lanzarote
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Amanhã – a não perder

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O que fazer com esta dívida? O que é a auditoria e como se faz

Debate no CES Lisboa 5ªa feira, 30 de Junho (Centro de Informação Urbana de Lisboa, Picoas Plaza, Rua do Viriato 13, Lisboa).

10h00 | Abertura : Boaventura de Sousa Santos
10h30 – 11h30 | Éric Toussaint : O que é a auditoria da dívida e como se faz?
12h00 – 13h00 | Debate
14h30 – 16h00 | Intervenções de Eugénia Pires, José Gusmão, José Reis, Manuela Silva e Octávio Teixeira.
16h30 – 17h30 | Debate e encerramento por Éric Toussaint

Mais informação AQUI..

27.6.11

Regresso ao Kon-Tiki


Voltei hoje ao Museu de Kon-Tiki, onde já estivera há cerca de doze anos, e não me arrependi. Relembrar as epopeias de Thor Heyerdahl, rever os barcos, as fotografias das diversas expedições e dos seus preparativos, os objectos e os mapas reconcilia qualquer um com a humanidade!

Como é sabido, em 1947, o mundo acompanhou a viagem de TH e de cinco outros tripulantes (quem não se lembra do livro…) que, durante 101 dias, percorreram o Pacífico, do Peru à Polinésia, numa inimaginavelmente frágil jangada de junco totora – o Kon-Tiki (fotos 1 e 2). Pretenderam demonstrar a possibilidade de os antigos sul-americanos terem feito o mesmo percurso, com os barcos de que então dispunham.

Em 1970, TH embarcou numa nova expedição, agora num barco de papiro – o RA II (3ª foto) –, através do Atlântico, de Marrocos aos Barbados. O objectivo era provar que habitantes da África Ocidental podem ter chegado às Índias Ocidentais antes de Colombo.

Em 1977-1978,TH navegou no Tigris, feito de junco (maqueta na 4ª foto), através do Índico, para ilustrar a convicção de que as antigas civilizações do vale o Indo e do vale do Egipto tinham contacto umas com as outras.

Tinha esquecido uma parte das histórias. Soube-me bem relembrá-las hoje, já na ponta final desta incursão muito a Norte - amanhã é dia de regresso à base.

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26.6.11

«Convergência e Alternativa» - Separar as águas



Que os impulsionadores do Manifesto «Convergência e Alternativa» viriam / virão a lançar um novo partido político só pode ser novidade para quem, nos últimos meses, tenha andado arredado dos meandros de bastidores das esquerdas.

Que o momento de o trazer a público não podia ser mais oportuno é por demais evidente para que seja necessário explicá-lo.

Que alguns detalhes do referido anúncio, no meu entender absolutamente dispensáveis e despropositados, tenham sido tais que já provocaram reacções de terceiros, que não se reviram no papel que lhes foi «atribuído», é no mínimo lamentável (sem que isto implique qualquer processo de intenções, mas seja talvez apenas revelador de irreflexão ou inexperiência política…).

Mais concretamente, em texto publicado no jornal «i», pode ler-se, entre outras passagens: «"Há uma janela de oportunidade que nós vimos logo a seguir às presidenciais, com a quantidade de votos nulos e em branco registada. Não podemos continuar sem fazer nada." Foi por isso que na semana passada já houve reuniões em Lisboa que juntaram subscritores do manifesto e movimentos ligados à esquerda, como a ATTAC -plataforma portuguesa, a Portugal Uncut (movimento anti-austeridade) e o Movimento 12 de Março (mais conhecido por geração à rasca).»

Entre outras reacções, o Portugal Uncut acaba de publicar o seguinte DESMENTIDO:

«Esta notícia, no que ao Portugal Uncut diz respeito, é, pura e simplesmente, falsa. O Portugal Uncut é um movimento antiausteridade, logo político na sua essência, mas não tem âmbito eleitoral. Apoiamos alternativas económicas e políticas (que propomos, divulgamos, e discutimos), e fazemos parte de qualquer dinâmica social com vista a combater a austeridade, o desmantelamento de serviços públicos e as políticas fiscais que favorecem a fraude e o desvio de fundos do bem comum para as mãos da elite financeira. Mas não constituímos nenhuma plataforma que “vá a votos”, porque o respeito que temos pela democracia e o repúdio por discursos populistas antipartido requer, a nosso ver, a coexistência de espaços de activismo social e político. E o nosso é a rede e a rua.»
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Fantasmagorias


Algures, entre Geiranger e Lom.


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25.6.11

Sem calor


A estrada para se chegar a Dalsnibba é absolutamente imprópria para cardíacos, mas vale a pena ver Geiranger de cima, a 1.500 metros de altitude, com o seus montes, gelo, neve e, bem lá em baixo, a «baía» do fiorde, onde chegam e de onde partem pequenos e grandes cruzeiros. Foi por aqui que hoje andei, (sempre com Sol, com muito Sol!...), amanhã rumo em direcção a Oslo.



Neste país lindíssimo, vive-se bem eles vivem bem. O petróleo, o gás e muito desta água transformada em energia eléctrica garantem um elevadíssimo grau de conforto, aparentemente sem riscos.

Nos três meses de «Verão», emigrantes sazonais encarregam-se de grande parte das tarefas ligadas ao turismo. Enchem hotéis e estâncias de toda a espécie e regressam depois à origem: países bálticos, Itália, Espanha, até Dinamarca e Suécia. O guia que me acompanha é argentino, exerce a profissão durante nove meses do ano no Brasil e aqui os outros três.

Dizem-me que saúde, educação e outros serviços funcionam na perfeição. Não há propriamente um salário mínimo, mas ganha-se muito bem, sendo verdade que, para nós, tudo é simplesmente caríssimo: café a menos de três euros ainda não encontrei (nem imperial a menos de sete…).

Claro que, em contrapartida, o clima é o que se sabe e não dá para invejar as longas, muito longas noites de muitos e longos meses…

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24.6.11

Água e mais água


Dizem-me que está muito calor por aí, o que quase parece irreal para quem anda de gola alta e de gorro, com os termómetros a marcarem por vezes pouquíssimos graus, como é o caso, agora, em Geiranger.

Água por todos os lados, em fiordes, neve, glaciares, lagos, um sem número de cascatas. Menos por um: os céus estão bem cinzentos, mas continua a não chover (apenas uns pinguitos...), para felicidade de quem por aqui anda em tourist mode

Nem uma pálida ideia da beleza de tudo isto passa pelas fotografias. Mas talvez fique uma vaga sugestão.



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23.6.11

Hoje foi isto

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Exactamente como vem no folheto:

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Sous les pavés, sabe-se lá o quê


Alguém será capaz de imaginar o que teria eu pensado, no Verão de 1968, quando calcorreava o Boulevard St. Michel em busca de pegadas ainda frescas de Maio, se me tivessem dito que um dia votaria em Cohn-Bendit (sem querer, é certo…) por um filo-anarquista ter sido ofendido por um discípulo de Trosky, no meu país, tudo (pelo menos aparentemente…) por uma questão de direitos de autor na criação de um partido - em democracia, à luz o dia e dos jornais, sem PIDE nem Salazar?

Fui divagando sobre o tema enquanto navegava hoje, aqui pela Noruega, no Fiorde dos Sonhos… Com a certeza de que os meus amigos, que são agora pouco mais velhos do que eu era então, olharão daqui a umas décadas para o «drama Rui Tavares 2011» com um sorriso, a tal ponto ele lhes parecerá naïf, na trama daquilo por que entretanto terão passado.

Adiante. Ou talvez melhor e se preferirem: ce n’est qu’un début.
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22.6.11

O bom gosto chegou


… há muito tempo, aqui a Bergen, e instalou-se para sempre. Tudo é realmente admirável – quase mágico, como alguém me dizia há alguns dias, antes de eu própria o poder constatar.

As casas, o verde, a água, a luz, as cores do mercado, nada destoa, tudo parece ter sido «inventado» para se completar, nesta cidade de 280.000 habitantes, onde 15h30 é hora de deixar empregos e regressar a casa («pega-se»» às 8) e que se diz feliz por não ser demasiado fria quando comparada com outras, nem tanto assim por ter fama de ser a mais chuvosa da Europa (já contou com 85 dias consecutivos com água a cair dos céus…). Hoje houve Sol, apenas Sol – mas isso é porque eu sou uma pessoa com sorte…




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Sobre um dos assuntos da política caseira


... seguido a alguns milhares de quilómetros de distância, ia escrever apenas que li o que o que Zé Neves escreveu e que nada tinha a acrescentar.

Mas, entretanto, esbarrei com isto e depois com mais isto. Pronto: já acrescentei.
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21.6.11

À meia-noite

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... ainda há uma ligeira luz de dia, aqui em Bergen. Primeiras impressões excelentes, espero que amanhã seja assim:


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Solstício a Norte


Se os aviões cumprirem o seu papel, chegarei hoje a Bergen a tempo de dormir a primeira noite de Verão (curta, muito curta…) numa cidade que desde há muito quero conhecer.

Deixo este país ainda sem nova segunda figura de Estado, mas com governo empossado. Não há-de ser nada que o povo continua sereno.

Próximo post a partir do paralelo 60º N, mais coisa menos coisa.
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20.6.11

Le vélo de Socrates


No Facebook, nem sempre é fácil distinguir, à primeira vista, os títulos do Inimigo Público, ou da Imprensa Falsa, daqueles que (teoricamente) se fazem eco de notícias verídicas. Hoje, duvidei deste - «Governo oferece bicicleta a José Sócrates» -, até perceber que vinha do seriíssimo Expresso...

Uma ajudinha para o francês técnico:


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Hoje, às 18:18

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Portugal visto na Grécia

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País engravatado todo o ano e a assoar-se à gravata por engano (*)


Ainda se fazem ouvir ecos da indignação provocada pelo escândalo do «copianço» num exame para futuros juízes, quando Manuel António Pina vem denunciar – e exemplificar – que não se trata de um caso isolado, mas sim de algo que, sem estatuto de regra, parece estar longe de merecer o de excepção.

E não, a culpa não é do FMI...

Silêncio quebrado

Ao contrário do que foi dito quando veio a público o escândalo do "copianço" no CEJ, o caso não é "pontual". Acompanhei de perto um curso anterior em que o "copianço" era frequente e a política seguida por certos (insisto: certos) dos então responsáveis do CEJ a de esconder esse lixo debaixo do tapete.

Alguns professores abandonavam as salas durante os testes confiando a vigilância à honestidade de cada formando. O problema era que a honestidade de alguns (hoje nos tribunais a acusar e julgar casos de fraude) nem sempre era a expectável em futuros magistrados.

Existem nos arquivos do CEJ documentos demonstrando o que aconteceu a uma formanda que quebrou a lei da "omertá" e se referiu ao assunto durante um encontro na presença do desembargador coordenador da sua formação. Na sequência disso (decerto por coincidência), passou a ser sujeita a humilhações e discriminações de toda a ordem e "avaliada", em relatórios escritos, por coisas como fumar, almoçar sozinha, ter "pré-juízos" em relação às leis de protecção animal (pois teria gatos) e a direitos de autor (pois publicara obras literárias), culminando tudo num relatório final do mesmo desembargador, feito com base em quatro (repito: quatro) trabalhos, escolhidos a dedo entre os mais de 500 que realizara, que a forçou à desistência.
Talvez a formação de futuros magistrados seja coisa séria de mais para estar entregue a certos actuais magistrados.


(*) Alexandre O’Neill
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19.6.11

Apesar de Aung San Suu Kyi ter celebrado hoje o 66º aniversário em liberdade…


… cerca de 2.000 birmaneses continuam presos por motivos políticos, em piores condições do que no passado. Quem o escreve, no Guardian de hoje, é Waihnin Pwint Thon, filha de Ko Mya Aye, um dos líderes do movimento estudantil Geração 88, actualmente a cumprir uma pena de 65 anos de prisão por ter participado nos protestos de 2007.

Se o facto de Aung ter sido posta em liberdade teve como efeito que o mundo acredite que tudo corre melhor agora na Birmânia, com uma imagem da ditadura de Thein Sein mais ou menos favorecida, a realidade é bem diferente.

Muitos prisioneiros (entre os quais Ko Mya Aye) foram deslocados para prisões muito afastadas das famílias, cumprem penas longuíssimas, não têm acesso a cuidados médicos elementares e, se protestam, são postos em casotas de cão. Por outro lado, não cessam os ataques a minorias étnicas junto das fronteiras.

É indispensável, diz Waihnin Pwint Thon, que a comunidade internacional perceba que nada acontecerá, em Myanmar, sem grande pressão do exterior: «”Wait and see” costs lives. It’s time for action.»
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Em jeito de homenagem

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… a essa fabulosa América Latina, com as suas lutas e contradições, quando é divulgada esta vergonhosa e tristíssima notícia.
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Os Zeros

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Neste seu Domingo

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18.6.11

O tempo que sobra

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Separados à nascença?

No Público de hoje, São José Almeida faz-se eco da perplexidade de quem tenta entender, de fora, o que se passa no PS, nesta fase que precede a escolha do sucessor de Sócrates. Relativamente indiferente quanto ao resultado que vier a sair da eleição que terá lugar no fim do próximo mês, eu própria assisto ao desfilar de pré-declarações de voto, sem conseguir descortinar as razões que levam uns a preferir Seguro e outros a dar a vida por Assis. Mais: quando quase aposto que fulano ou sicrano vai escolher um deles, é mais do que certo que leio pouco depois que é fã incondicional do outro. Parece, afinal, que o problema não é unicamente meu…

Os gémeos

Fulano apoia Y e beltrano apoia X. O país tem sido inundado por notícias sobre a divisão das personalidades do PS, dos dirigentes do PS, das figuras do aparelho do PS pelas duas candidaturas a secretário-geral que foram conhecidas pouco depois da demissão de José Sócrates. O que tem sido mostrado da campanha para líder dá mesmo uma visão pobre e redutora do que é a autonomia de escolha dos militantes do PS. A ideia que passa é a de que há sindicatos de voto e que os militantes votarão em quem os seus caciques ou fi guras de referência indicarem. Parece que tudo se resume a uma questão de simpatia pessoal, obediência de grupo e hipóteses de carreira interna. Ninguém discute política, disputam-se redes de poder. Já agora: e a esquerda do PS? Ainda existe? Vai dividir-se também entre os dois candidatos? Será que o aparelhismo e a fulanização da política domina a esquerda do PS de tal forma que nem um candidato encontra?

Num contexto decisivo para o futuro do PS e para o lançamento de um caminho não só de recuperação da capacidade de disputar o poder governativo, mas acima de tudo de redefinição interna no plano ideológico e político e até de refundação como partido social-democrata europeu, os socialistas distraem-se e iludem-se com a forma de reagrupar forças internas, de modo a que as elites que dominam o partido permaneçam no poder, sob a forma aparente de direcção renovada.


Por estas e por outras…


… é que nunca me importei de ter uma família pequeníssima: Vítor Louçã Rabaça Gaspar é primo direito de Francisco Louçã.
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A nova Selecção


Totalmente renovada, a jogar com uma táctica 4-3-4, sem guarda-redes porque de pouco serviria. O mister continua a ser uma fräulein que treina a distância: tem por cá um adjunto, mas esse anda mais ou menos desaparecido por detrás dos cortinados da Sala das Bicas.

Atacará sempre pela direita, chutará muito para canto, mas resta saber se a bola continuará a ser redonda.
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17.6.11

Há sempre a luz ao fim do escuro

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É admissível?


Rosa Mª Artal, do Comité de Apoio de ATTAC Espanha, pergunta se é admissível interpelar severamente políticos e impedi-los de entrar em instituições, como está a acontecer no seu país - pacificamente, sem recurso a violência. (Porque se é verdade que esta existe, tem sido praticada por grupos minoritários, apesar de todo o relevo que lhe é dado na comunicação social.)

Responde à sua própria pergunta com um conjunto de interrogações:

- É admissível que existam 5 milhões de desempregados?
- É admissível gastar dinheiro a viajar de helicóptero para entrar no Parlamento e ir aprovar cortes de custos e de direitos sociais?
- É admissível que deputados saiam do hemiciclo quando falam os representantes dos partidos minoritários?
- É admissível que tantos políticos reformados ganhem como conselheiros de grandes empresas?
- É admissível que estejam a ser vendidos, a particulares, todo o património e os serviços públicos?
- É admissível que a saúde e a educação se convertam num negócio para dar dividendos a empresários privados?
- É admissível que se use de novo o medo e a mentira para fomentar a docilidade da cidadania desinformada?

A lista é longa e pode ser lida na íntegra aqui.

P.S. A propósito, ler : Los indignados no son violentos.

Ver:


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TGIF

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Gente que acerta


«Um dos casos mais evidentes foi o radicalismo inconsciente de "correr o Sócrates o mais depressa possível", a que no PSD se deu ouvidos e cujo resultado ameaça ser mantê-lo no poder, contra todas as evidências, ou dar-lhe o melhor cenário possível para um retorno ao poder a curto prazo. E o melhor cenário possível, não custa perceber, é um PSD ganhador por uma pequena margem sobre um PS que sai do seu annus horribilis sem grandes estragos.»

José Pacheco Pereira, Público (23 de Abril de 2011)

(Roubado ao Pedro Correia)
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16.6.11

Há sempre uma interpretação diferente

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Se isto não é a república das bananas


… então é porque já nem há bananas.

Lisboa, Avenida da Liberdade: o caos por causa de um pic-nic organizado por um hipermercado.

Agradecimentos dos lisboetas à RTP e, sobretudo, à Câmara Municipal de Lisboa.


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