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31.7.11

Tall painting

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(Via Virgílio Vargas no Facebook)
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Há 50 anos – Fuga de dezenas de estudantes das ex-colónias


Contributo de Diana Andringa.

Clicar na imagem para ler (*)

Se 1961 é há muito reconhecido como o annus horribilis de Salazar, trazendo imediatamente à memória o desvio do paquete Santa Maria, o início da luta armada de libertação em Angola, a tentativa de golpe de Botelho Moniz e o fim do então chamado «Estado Português da Índia», um episódio há que, embora menos conhecido, não deixou de afectar também o regime: a fuga de Portugal de dezenas de jovens das ex-colónias que se encontravam a estudar em Lisboa, Coimbra e Porto.

Por via legal, uns – usando para obter o passaporte pretextos tão diversos como promessas a cumprir em santuários franceses, viagem de lua-de-mel, actividades desportivas e até pertença a grupos musicais – por via clandestina, outros, cerca de uma centena de jovens abandona tudo, quer para se juntar à luta contra o colonialismo português, quer para evitar ser chamado a combater nas fileiras do exército português.

Entre esses fugitivos, alguns cujos nomes vieram a tornar-se bem conhecidos. Pedro Pires, Joaquim Chissano, Fernando França Van-Dunen e Pascoal Mocumbi, por exemplo, integraram um numeroso grupo que saiu de Portugal e chegou a França em carros conduzidos por jovens protestantes norte-americanos, com o auxílio de uma organização francesa especializada no resgate de pessoas em risco, a CIMADE, e o apoio financeiro e diplomático do Conselho Mundial das Igrejas.

Cinquenta anos depois, por iniciativa da Fundação Amílcar Cabral e do presidente Pedro Pires, um encontro em Cidade da Praia permitiu o reencontro de diversos fugitivos de há 50 anos com os seus «condutores» norte-americanos.

É a essa fuga e a esse reencontro que se refere o texto da Associação Tchiweka de Documentação que podem ler AQUI.

(*) - Diário de Lisboa, 15 de Julho de 1961, Fundação Mário Soares

P.S. - Há cerca de dois anos, pubiquei um texto sobre este tema nos «Caminhos da Memória»: Fugir para lutar. Deixo-o em anexo a este post.

A dívida dos Estados Unidos em imagens


114.5 Trillion Dollars
114.5 Trillion Dollars $114,500,000,000,000. - US unfunded liabilities. To the right you can see the pillar of cold hard $100 bills that dwarfs the WTC & Empire State Building - both at one point world's tallest buildings. If you look carefully you can see the Statue of Liberty.

The 114.5 Trillion dollar super-skyscraper is the amount of money the U.S. Government knows it does not have to fully fund the Medicare, Medicare Prescription Drug Program, Social Security, Military and civil servant pensions. It is the money USA knows it will not have to pay all its bills. If you live in USA this is also your personal credit card bill; you are responsible along with everyone else to pay this back. The citizens of USA created the U.S. Government to serve them, this is what the U.S. Government has done while serving The People.

The unfunded liability is calculated on current tax and funding inputs, and future demographic shifts in US Population.

Note: On the above 114.5T image the size of the base of the money pile is half a trillion, not 1T as on 15T image. The height is double. This was done to reflect the base of Empire State and WTC more closely.

Vale a pena ler, e sobretudo VER, tudo.
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Se a Cristas sabe disto…


Não há aplicação da tecnologia à vida quotidiana, que os japoneses não tentem inventar. Quem não ficou siderados, há já uns anos, com a quantidade de funcionalidades disponíveis em qualquer sanita, quem não sentiu o dever moral de se tornar geek ao olhar para as montras das ruas de Tóquio?!

Fiquei ontem a saber que já existe roupa com um sistema integrado de ar condicionado. Vantagens? É bom para a saúde porque deixa de se respirar ar demasiado frio, fica assegurada mobilidade absoluta com a temperatura desejada e… poupa-se de energia, obviamente: custa menos arrefecer um corpo do que uma casa.

Novo decreto-lei à vista para 2012? (Em tempo de troikas magras, claro que cada funcionário seria obrigado a comprar o seu casaquinho.)

Daqui, através de Auzenda Silva no Facebook.

P.S. - A propósito de tecnologia japonesa, foi deixado este link na Caixa de Comentários, por alguém que vive no Japão.
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Bom Domingo

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Copenhaga, Maio de 2011.
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30.7.11

Perguntar não ofende


Quem foi capaz de construir isto, aqui, no século V, quando os visigodos tentavam expulsar alanos, suevos e vândalos da Península Ibérica, uns 400 anos antes de ser formado o Condado Portucalense, não poderá dominar o mundo no século XXI?


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Dantes era assim (9)


E sem testes de alcoolemia.
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E a Somália? (3)

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Sonhar é fácil e ainda não paga imposto


Se vai a Paris este Verão, e se tem seguido os conselhos de poupança dos nossos governantes, pode ser um dos muitos turistas que ali investem em «imobiliário de prestígio». Em 2010, foram quase 3.000 os que desembolsaram mais de um milhão de euros por um apartamento considerado «excepcional» pela arquitectura, idade ou localização.

Pode também optar por Deauville ou pela Côte d’Azur, mas eu não me importava de ficar pela Rue de Rivoli.

(Daqui.)


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29.7.11

Entre nós e as palavras

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(Vídeo enviado pelo seu autor, Cine Povero)
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E a Somália? (2)

E a Somália?


Noruega? O horror, sem dúvida. Aqui perto, com europeus como nós, num país rico, o inesperado que faz correr milhões de caracteres em jornais, blogues e redes sociais. Nada contra, (quase) tudo a favor.

Mas será que isso justifica a aparente indiferença perante os ecos que nos chegam de uma tragédia mil vezes maior, num país martirizado como a Somália? O que vamos sabendo passou a trivial?

– 12 milhões de pessoas ameaçadas pela fome.
– 3,7 milhões vítimas da seca, das quais 2,2 milhões ainda não receberam ajuda.
– 18.000 crianças malnutridas (em breve, serão 25.000), das quais 50 morrem por dia.




Ler: ACNUR: "Lo que hacemos en Somalia no es suficiente".
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Se o ridículo usasse gravata…


Não sei se o governo japonês publicou algum despacho no diário da monarquia quando o primeiro-ministro, há pelo menos uma meia dúzia de anos, fez uma campanha contra o uso da gravata nos meses de Verão, pelas mesmíssimas razões evocadas agora por Assunção Cristas. Mas permito-me duvidar…

Por cá, foi ontem publicado no Diário da República um despacho, com mais de 4.000 caracteres (!...) e onde se citam vários decretos-lei, para fixar temperaturas do ar condicionado e para dispensar «a utilização de gravata no dia-a-dia, sem prejuízo da conveniência na sua manutenção nos contactos com entidades externas, nos casos em que seja habitual, e em ocasiões em que a prática protocolar assim o determine».

Publica-se um longo texto para «dispensar» de algo que não era obrigatório (ou era e nunca foi «despachado»?) Sem tira ao pescoço, portanto, até 30 de Setembro: a 1 de Outubro, se ainda estiver muito calor, os funcionários do ministério podem sempre optar por um «USB CoolerTie».

Isto nem é uma república das bananas por que essas vêm da Costa Rica. Das alcagoitas?
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28.7.11

Mais

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... de / sobre o novo CD de Chico Buarque.








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É do Inimigo Público mas podia não ser


Já vi coisas muito menos prováveis tornarem-se realidade...

«O mundo está a mudar. Visando a redução das despesas e a maximização das receitas, a Igreja Católica decidiu seguir o exemplo das empresas privadas e começou a fazer exploração de mão-de-obra barata e a praticar o dumping social. Recorrendo a empresas de trabalho temporário, a Igreja está a substituir os padres portugueses por padres chineses pagos com falsos recibos verdes, sem vínculo laboral à paróquia, sem seguro de acidentes de trabalho, sem folgas, sem férias, com um horário de trabalho de 16 horas por dia, sete dias por semana e ainda têm de pagar as batinas do seu próprio bolso.»

(Daqui.)
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A atracção do abismo


«Las tornas se han cambiado. Los países llamados occidentales, los socios de la Unión Europea y Estados Unidos fundamentalmente, eran previsibles, tranquilos y fiables. Los países menos desarrollados, el resto del planeta en realidad, navegaban en la incertidumbre y los sobresaltos. Tanta riqueza y tanta agenda pautada han terminado saturando a los agentes políticos, hasta revalorizar el riesgo y la frivolidad. Los 27 socios europeos han dado buena prueba de ello en el año y medio de agónica discusión irresolutiva sobre el rescate de Grecia, sabiendo que jugaban con el mayor logro conseguido por la UE en toda su historia, el euro, la moneda única. Algo similar están haciendo los congresistas estadounidenses, dispuestos a llevar a su país a la suspensión de pagos a partir del 2 de agosto antes que renunciar a los dogmas políticos de cada uno de los partidos: el que prohíbe subir los impuestos a los republicanos y el que obliga a defender la cobertura social a los demócratas. (…)

Obama aporta el factor humano de este declive. De poco sirven su inteligencia y su capacidad argumentativa, empleadas a fondo en este envite. Puede incluso que sean contraproducentes. Los republicanos están divididos y no tienen todavía un candidato presidencial claro. Una parte, la más lunática e irresponsable, ni siquiera cree que la Administración pueda quedarse sin medios de pago. Y cuanto mayor es la división republicana y más difícil atisbar quién pueda dirigirles en la lucha por la presidencia más ganas le tienen a Obama y más se acercan al punto de penalti. Pueden perder como partido, pero piensan que Obama perderá como presidente y como candidato. De momento prefieren llevárselo al abismo, aunque su país sufra con ello. Si le dejan malherido, será más fácil que uno de los candidatos ahora sin perfil presidencial se convierta en un presidenciable serio.»

(Na íntegra aqui.)
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Humor verde


«No seu "Manifesto" [de Breivik], o número de "traidores" a assassinar em Portugal é, exactamente, de 10 807 (provavelmente alinhados por tamanhos). E a sua minúcia é tal que, ao enumerar os partidos portugueses pró-multiculturalistas, consegue mesmo distinguir o PCP do Partido Ecologista "Os Verdes".»

Manuel António Pina, no JN.
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27.7.11

Dantes era assim (8)


Antes do iPod.
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Mas porquê o FMI?

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Sempre a aprender


«Ele chegou na banca e começou a ler as manchetes do dia. Depois de uns minutos falou em voz alta: “Olha só! Só tem desgraça, só tem tragédia; é por isso que eu só voto nulo. Mas o Papa diz que está tudo bem, a Dilma diz que está tudo bem, os caras lá de Brasília dizem que está tudo bem, e o povão acredita e ainda vota neles… me dá um Marlboro, hoje eu não vou levar jornal nenhum.”»
Passa Palavra

(Imagem via João Freitas no Facebook)
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Cavaco, os coitadinhos e a caridade

@Paulete Matos

Cavaco Silva inaugurou ontem uma complexo residencial para idosos na Misericórdia de Torres Vedras (nota importante: «sessenta e oito anos depois de o ex-Presidente Carmona ter visitado o local»…) e aproveitou a ocasião para fazer duas declarações, qual delas a mais significativa.

Interrogado sobre a necessidade do imposto extraordinário decretado pelo Governo, afirmou, submisso, que «o senhor ministro das Finanças já teve ocasião de explicar a razão pela qual o Governo fez essa proposta». E preferiu manifestar-se preocupado com quem «não tem rendimentos suficientes para ser abrangido pelo imposto extra».

Os atingidos agradecem a preocupação, certamente penhorados. Para os outros, fica a mensagem subliminar: «não se queixem», «não sejam mesquinhos» (como muito bem interpreta o Nuno Serra).


Esbatendo, ou pretendendo mesmo eliminar, as fronteiras entre o público e aquilo que não o é nem nunca foi (por mais meritória que seja a actividade que está em causa), Cavaco Silva abre a porta, sem vergonha e de forma escancarada, a tudo o que o SEU Governo se propõe fazer nos próximos tempos. E não é certamente por acaso que aparecem os termos «obsoleto» e «ideológico». Quanto ao último, tem razão porque é de ideologia que se trata. E é mais do que tempo para se desmascarar o tal mito de Cavaco «o social-democrata»!

Preparemo-nos, pois, porque a procissão ainda nem sequer chegou ao adro…
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26.7.11

Parvoíces

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… que correm na net, aplaudidas por intelectualidades insuspeitas. Patriotismo barato, com fado, fátima, futebol, um galo de Barcelos que até canta e mesmo Sacadura Cabral, não sei se em honra da família Portas.

Falta de pachorra, para não dizer pior!


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Memórias de Oslo


Exactamente há um mês, eu andava pelas ruas de Oslo, o que não tem qualquer espécie de importância a não ser para mim.

Mas ao ver estas pessoas que cantam em memória das suas vítimas, algumas delas com um sorriso quase impossível e arrepiante, regressa a imagem daquela cidade, um pouco cinzenta mas suave, dos parques e das estátuas, da sala onde é anunciado o Nobel da Paz (na foto) e da cadeira que há uns meses ficou vazia por um outro tipo de violência. Da calma com que tudo parece acontecer, mesmo nas chamadas horas de ponta porque até os ministros utilizam transportes públicos, das esplanadas em largas avenidas, sempre cheias de jovens descontraídos, até das cadeias de lojas de conveniência de grande qualidade que nunca fecham, dos dias que se alongam até para lá da meia-noite.

E, também, de algo que me impressionou e que não esperava, mas que é natural num dos países da Europa com maior taxa de natalidade (1,95 filhos por mulher): o grande número de carrinhos de bebé, um pouco por toda a parte, empurrados por mães ou por jovens empregadas, obviamente estrangeiras das mais variadas etnias. Estranhamente, muitas vezes «colectivos», de caixa aberta, onde cabem quatro ou cinco crianças. O presente sem as angústias de muitos outros europeus, o futuro sem qualquer risco anunciado.

E, no entanto, um mês mais tarde, tudo foi interrompido, e brutalmente abalado, por uma cegueira intolerante e absolutamente intolerável.


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As famílias ainda andam por aí, o rei é que não


Quando José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite e de um senhor que fala de futebol na televisão, chegou a chefe do Governo em 1892, encontrou um país de "tanga", por força de elevados investimentos ferroviários e em estradas e portos. A dívida pública representava 81% do PIB e o défice orçamental era de 2%.

Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - tomou medidas drásticas: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado, paragem das grandes obras, saída do padrão-ouro e desvalorização cambial.

Durante dez anos, não foi possível recorrer a empréstimos no estrangeiro, dada a situação de bancarrota verificada.

Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos.


(Recebido por mail.)
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Insensatez ou delírio


Hoje é dia 26, o governo tem seis dias para cumprir os primeiros prazos fixados pela troika e «avançar com muitas das medidas garantidas para Julho, que ainda não se conhecem. Sobre muitas delas não há sequer sinal de vida nesta fase e a tarefa é pesada - caso da redução da taxa social única ou da aplicação da nova lei da arbitragem fiscal, que ainda não existe».

Mas há que ver sempre o lado positivo da vida, digo eu: ainda bem que Julho tem 31 dias, e não 28 como Fevereiro, ou o problema seria ainda muito maior!

Ainda há alguém que acredite que isto vai correr bem? Ou estão todos, troika incluída, no mundo do «faz de conta»?

(Detalhes aqui.)
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25.7.11

Meu querido diário

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O novo CD de Chico Buarque:




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O primeiro passo


Texto publicado ontem, no Facebook, por Alípio de Freitas.

A decisão do 2.º tribunal criminal de Lisboa, inocentando os cidadãos Margarida, Carlos e José do atentado ao bom nome do major Silva Pais, último director da PIDE, declarando nulas as pretensões a uma indemnização monetária dos sobrinhos do dito major, abre caminho ao estabelecimento do Direito à Memória e à Verdade de todos aqueles que, ao longo de quarenta e oito anos, foram perseguidos pelo fascismo. Creio ainda, que o actual Estado deve começar a conscientizar-se de que terá de indemnizar materialmente as vítimas do fascismo se elas assim o exigirem.

O Estado português de hoje é o mesmo que se implantou em 1910 com a proclamação da República, que se organizou, segundo as normas dos regimes burgueses, republicanos e democráticos. O fascismo não foi um rompimento com o Estado burguês. Foi tão somente uma ruptura com a democracia. Como aconteceu noutros países. O 25 de Abril quis ser uma Revolução mas teve o seu rumo "corrigido" (?) pelo 25 de Novembro, restabelecendo o regime democrático representativo burguês. Revolução teria sido se ao fascismo se tivesse implantado um regime democrático, representativo e participativo. Se se tivesse erguido uma sociedade nova, com a participação activa dos cidadãos. Lá chegaremos pois a esperança num mundo melhor e mais solidário é a Utopia a perseguir.

Mas o que o tribunal não definiu, nem podia definir, é a responsabilidade que todos temos quando permitimos que se branqueie a História, que se apague a memória e se substitua a verdade por uma vaga e improvável lembrança. Esta luta não é uma obrigação só das vítimas. Também é. Mas não isenta a sociedade do seu dever.

Há mais de duas horas que estou para terminar este apontamento...duas horas a olhar para uma folha de papel , com a cabeça encostada na mão onde tenho a caneta. As lágrimas correm-me pelo rosto silenciosamente. É que de repente, ao imaginar os crimes do major Silva Pais, assaltaram-me, em tropel, as memórias vividas dos dias e anos de lutas de morte para que a liberdade, mesmo oprimida, pudesse sobreviver. E das memórias lidas, ouvidas, adquiridas sobre os crimes cometidos em todos os Tarrafais do mundo, em todos os Gulagues, em todos os campos de trabalho e concentração, em todos os antros de terror, covis de todas as PIDES, KGB, GESTAPO, DOI-CODI, CENIMAR ou que sigla fosse. Todos eles vêm comprovar a marca, o ferrete inapagável do TERROR.

Por mim desejaria que o tempo que tudo apaga, não pudesse jamais apagar a memória desse tempo, para que se não repita.

O juiz António Passos Leite que pronunciou a sentença ilibatória de José Manuel Castanheira, Carlos Fragateiro e Margarida Fonseca Santos a certa altura disse :"a crítica pública deve ser um direito e não um risco".

Os que lerem esta crónica reflictam sobre essas palavras. Hoje paro por aqui.

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Noruega: o Manifesto


Múltiplas versões do Manifesto de Anders Breivik têm sido publicadas, e depois apagadas, do Youtube. Descarreguei por isso uma delas e pô-la-ei aqui se esta desaparecer - decisão que pode ser discutível, mas a História também é feita de horrores. (Ver em ecrã completo)



Ler: Palavras, vídeo e gatilho, por Ferreira Fernandes, no DN.

P.S. – O texto do Manifesto está aqui.
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Não há almoços grátis


Boas notícias, hoje pela manhã, para começar bem a semana, neste texto que Jorge Nascimento Rodrigues publicou no Expresso online: Cimeira europeia: Grécia saiu prejudicada.

Alguns excertos:

«A cimeira europeia de quinta-feira passada (21 de Julho) acalmou os analistas e os políticos. Os analistas acreditaram, de imediato, que o default iminente grego tinha sido afastado. (…)

Uma das novidades da cimeira de Bruxelas foi a inclusão de uma reestruturação da dívida grega em mão de credores privados, assumida como "solução excepcional e única para a Grécia".

Ricardo Cabral, economista e professor da Universidade da Madeira, fez as contas sobre a solução de reestruturação selectiva da dívida para a Grécia e concluiu que "a proposta de reestruturação [pelos credores privados], ao contrário do que argumenta o The Institute of International Finance (IIF), é muito benéfica para os credores, porquanto, de acordo com estimativas que efectuei, não reduz o valor actual da dívida grega [em mão de privados] em 21% (haircut, "corte de cabelo", na gíria) como alegado pelo IIF, antes o aumenta significativamente. Os credores internacionais não só não perdem como ainda ganham". (…)

E prossegue: "O que a minha estimativa indica é que quem comprou dívida grega pouco antes da cimeira europeia tem, após o acordo de reestruturação de dívida do IIF, uma expetativa de ganho, no longo prazo, de cerca de 130%. Mas, mesmo um investidor que tenha adquirido a dívida aquando da sua emissão pelo governo grego também fica a ganhar porque a divida emitida pela Grécia com um valor facial de €135 mil milhões passa, após o referido acordo, a ter um valor actual de €157 mil milhões, ou seja, mais 16%".

"A taxa de juro paga pela Grécia para os €135 mil milhões de dívida que será reestruturada sobe para um patamar entre 5.4% e 6.4%.”»
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24.7.11

Uma maravilha, sem dúvida


Comemora-se hoje o centenário da descoberta de Machu Picchu. Foi em 24 de Julho de 1911 que o investigador americano Hiram Bingham encontrou duas famílias que o ajudaram a chegar às ruínas da «velha montanha». Até lá, esta «cidade perdida dos Incas» e o símbolo mais típico do seu império (e hoje também do Peru), construída no século XV a 2.400 metros de altitude, extraordinariamente bem conservada e com uma localização linda de morrer, mantinha-se desconhecida.

Declarado Património da Humanidade pela UNESCO, em 1983, e desde há quatro anos votado como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, é destino inesquecível para quem já lá foi e de fortíssima recomendação para quem gosta de andar por esse mundo para melhor o conhecer e para tentar compreender o passado.

Normalmente, mas nem sempre, parte-se para Machu Picchu de Cusco (uma cidade absolutamente mágica), segue-se pelo Vale Sagrado, com paragem obrigatória no mercado de Pisac, passa-se pelo Vale de Ollantaytambo e apanha-se o mítico comboio que chega às imediações das ruínas. Depois… é ficar primeiro de boca aberta e depois descer, trepar, ouvir explicações, imaginar a vida por aquelas paragens, quando a França e a Inglaterra ainda se batiam na Guerra dos Cem Anos e o nosso Vasco da Gama lutava com o cabo das Tormentas.

Cinco estrelas, sem qualquer espécie de dúvida – não me canso de o dizer desde que lá estive há sete anos, mais mês menos semana.


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O valor de um suicídio


Sabe-se agora que Salvador Allende se suicidou, em 11 de Setembro de 1973, durante o ataque ao Palácio de la Moneda, em Santiago do Chile. Uma equipa internacional de peritos assim o concluiu, por unanimidade, depois de exames que se seguiram a um nova exumação do seu corpo, que teve lugar no passado mês de Maio.

Allende tinha afirmado, bem antes, que estava a cumprir um mandato dado pelo povo e que só sairia do palácio depois de o cumprir. Ou que o faria «com os pés para diante, num pijama de madeira». Assim aconteceu.

Foi um suicídio moral de quem vivia a política com paixão. Uma história tremenda de um «eterno romântico» que tinha uma família que amava, que gostava de música, de poesia, da vida. Mas que sabia encarnar um sonho colectivo, num esforço hercúleo para pôr fim à situação de injustiça em que viviam milhões de chilenos e chilenas.

E o seu sacrifício não foi inútil. Ele constitui, ainda hoje, uma fortíssima mensagem para as novas gerações que enchem – e de que maneira – as ruas de Santiago e do resto do Chile. »Allende Superstar», como muitos lhe chamam.

(A partir deste texto, a que cheguei via Mariana Avelãs no Facebook.)
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Dantes era assim (7)


Sem iPhones.
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Nem chega a ser desobediência cívica


… mas apenas legítima defesa (quando possível…) contra um imposto injusto – na forma, no conteúdo e no timing.

Quem continua a preferir a maioria governante que pague e crise… Para os outros, conselhos úteis nos dois primeiros parágrafos que transcrevo, já que aquilo que o terceiro descreve acontecerá garantidamente.

«Os trabalhadores independentes que tenham capacidade financeira podem adiar para o próximo ano parte dos recibos verdes que tinham a receber este ano e assim diminuir o rendimento colectável de 2011.

O mesmo pode acontecer nas pequenas empresas que trabalhem muito com remunerações variáveis, como por exemplo as que têm comerciais que ganham à comissão ou por objectivos: parte dos prémios podem ser pagos só no ano seguinte e assim não entram no IRS de 2011.

Os gerentes e os sócios de empresas também podem minimizar o impacto do imposto extraordinário. Para isso, basta que aumentem os pagamentos em dividendos – que ficam isentos – e diminuam os salários-base, que são contabilizados como rendimento por trabalho dependente.»

(Fonte)
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23.7.11

Se a Amazónia deve ser internacionalizada


... internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.

A história tem onze anos mas merece ser recordada. O brasileiro Cristovam Buarque, hoje senador e que foi ministro da Educação de Lula em 2003-2004, respondeu a um estudante que o interrogou sobre a possibilidade de internacionalizar a Amazónia com o discurso que pode ser ouvido neste vídeo.



O texto do discurso:

«Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Ídolo

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Nuvens de Bruxelas


Um texto de José Manuel Pureza. (Os realces são meus.)

Os Governos europeus reconheceram o que era evidente: a teimosia em não aceitar a reestruturação da dívida grega não era cegueira, era mesmo estratégia deliberada de provocação da bancarrota. E a reestruturação aí está, depois de tantas juras de que nunca aconteceria. Bruxelas entrou no caminho da razão? Não, não entrou. Porque cedendo aqui, manteve o essencial da sua fidelidade à ortodoxia penalizadora das economias. É verdade que os juros deixaram de estar num patamar de agiotagem declarada. É verdade que os prazos de pagamento da dívida foram alargados. Mas o Conselho Europeu deixou duas mensagens claras, ambas erradas e ambas sombrias para as economias e as sociedades da Europa.

A primeira é a de que os programas de austeridade não serão beliscados. O que Bruxelas nos está a dizer é que a recessão se mantém como horizonte desejado para as nossas economias e que as privatizações baratas dos bens comuns se mantêm como receita. Emagrecer a parte da economia que se relaciona com a grande maioria das pessoas e engordar até à obesidade mórbida os que mais têm – eis o credo desta governação económica da União Europeia. Empobrecer as sociedades e retirar pressão aos direitos e aos salários é o seu programa político. Não fossem os portugueses acreditar que finalmente a União Europeia tinha reconhecido a necessidade de respirar de quem trabalha, Passos Coelho apressou-se a advertir que não haverá abrandamento do programa de austeridade do Governo. “Antes pelo contrário”, sublinhou. Os boys da direita com guia de marcha para as prebendas públicas e os titulares de dividendos isentos do imposto que vai subtrair metade do subsídio de Natal aos trabalhadores e à classe média podem dormir descansados. Nada se alterará. A Europa assim manda.

A segunda mensagem é a de que, aceite para a Grécia, esta reestruturação não será aceite para mais nenhum Estado membro. Novo erro. Porque mostra que Bruxelas insiste em segmentar uma crise que é europeia e não de cada país. A lógica traduzida na insistência em que “a Irlanda não é a Grécia”, “Portugal não é a Irlanda” ou “Itália e Espanha não são Portugal” foi sempre uma lógica armadilhada. À Esquerda cabe desmontar o engodo nacionalista desta lógica e contrapor-lhe que, diante dos ataques sem fronteiras contra os salários e os direitos, nós somos portugueses, mas somos também gregos, italianos ou irlandeses. E, já agora, também somos alemães.

(Daqui)
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«Não destruirão a nossa democracia»


Da Noruega chega o horror, em notícias e em imagens. Impossível sequer imaginar, há menos de um mês, quando passeei por aquelas mais do que pacíficas ruas de Oslo. O mundo sempre imprevisível, neste caso pelas piores razões.

Sem mais comentários, o discurso do primeiro-ministro:



«Eles não nos destruirão, eles não destruirão a nossa democracia. (…) A resposta à violência é a democracia.»
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22.7.11

Dantes era assim (6)


Sem pressas.
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Eça dixit: «Nós estamos num estado comparável à Grécia»


«Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.»

Eça de Queirós, Farpas (1872)

(Daqui)
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Num 22 de Julho


… em 1969, o actual rei de Espanha foi designado pelas cortes espanholas como sucessor de Franco, jurando-lhe lealdade e respeito pelas leis vigentes, o que cumpriu - é bom não esquecer.

Sempre que vejo elogiar a Transição espanhola, quando comparada com o 25 de Abril, vem-me à memória este (terrível) vídeo:



(Ler: El rey juró lealtad a Franco y todas sus leyes.)
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Uma não-notícia?

@Paulete Matos



Artigo 13.º20
Ex‐Presidentes da Assembleia da República
1 ‐ Aos ex‐Presidentes da Assembleia da República que se mantenham no exercício do
mandato de Deputado é atribuído, nas instalações da Assembleia da República, um gabinete próprio.
2 ‐ Os ex‐Presidentes da Assembleia da República poderão ser apoiados por um funcionário da sua livre escolha, a destacar do quadro de pessoal por despacho do Presidente da Assembleia da República.

No fundo, Mota Amaral terá exactamente os mesmo privilégios que os vice-presidentes em exercício (Guilherme Silva, Ferro Rodrigues, Teresa Caeiro e António Filipe têm direito a gabinete individual, secretária, carro e motorista), o que não me parece propriamente um escândalo de lesa- pátria. Há outros bem piores.

Se todos deviam andar de lambreta e calçar alpercatas, isso é já uma outra questão…
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O medo é uma cena que a mim não me assiste

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Em dois dias, visto por mais de um milhão de pessoas. A Ana Sousa Dias explica.
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21.7.11

Antes que o dia acabe


A Bélgica também é isto. E sempre:

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Promiscuidade como regra?

@Paulete Matos

Afinal sempre há alguns benefícios colaterais da presença da troika em Portugal. Por exemplo, um relatório que lhe foi enviado pela TIAC (Transparência e Integridade – Associação Cívica), ponto de contacto em Portugal de uma organização internacional de luta contra a corrupção.

O Jornal de Notícias de hoje dedica uma página inteira a este tema (sem link), pela qual se fica a saber não só que «dos 230 deputados que integravam o anterior Parlamento cerca de 70 (um terço) eram simultaneamente administradores, gestores ou consultores de empresas que tinham directamente negócios com o Estado», como, mais concretamente e «melhor» que, «na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, “quase metade dos deputados eram administradores de empresas privadas de obras públicas”» (sic!).

Chama-se a atenção da troika para o facto de algumas medidas previstas no Memorando (privatizações, parcerias público-privadas, etc.), poderem criar mais oportunidades para corrupção, «dada a forte promiscuidade entre interesses públicos e privados em Portugal» e acusa-se a Comissão de Ética, «uma das vergonhas do Parlamento», de «branquear todo e qualquer conflito de interesses». A cada momento, os deputados não sabem que interesses estão a defender: «Representam o povo junto do seu sector ou os seus sectores junto do Estado?»

É também sublinhada a facilidade com que dirigentes políticos transitam para empresas privadas que anteriormente tutelavam, defendendo-se um período de nojo mais longo e abrangendo também empresas públicas.

Fidedigno ou exagerado, este estudo merece toda a atenção. Porque não temos uma Assembleia de anjos, mas sim de seres humanos, todo o cuidado é pouco e mais vale prevenir do que remediar. Para além de que, como é sabido, à mulher de César não lhe basta ser honesta…

P.S. – No mesmo relatório, é abordada a já clássica discussão sobre compatibilidade entre exercício de advocacia e actividade de deputado, neste caso com link para a JN: Um quinto dos deputados são também advogados.
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Aleluia: chegou o pluralismo à ICAR!

É tudo quanto se me oferece dizer a propósito das eleições do secretário-geral do PS

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400 dias é muito tempo


... mas recordo que são os que a Bélgica vai vivendo sem governo.

No dia da sua festa nacional, alguns brincam e até o rei se enerva...

E mesmo o Brel se espantaria!


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20.7.11

Dantes era assim (5)


Sem Samsonite.
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Que democracia é esta?


No Público de ontem (sem link), mais um importante texto de Boaventura Sousa Santos. Aqui fica (os realces são meus).

«No seu artigo no PÚBLICO de 2 de Julho, São José Almeida perguntava sobre o tipo de democracia em que estamos. A pergunta está na mente de muita gente e deve ser respondida. Como contributo para o debate, ofereço a minha resposta. É uma democracia de muito baixa intensidade, que assenta nas seguintes ideias-mestras:

1. As expectativas quanto ao futuro próximo são descendentes (as coisas estão mal mas vão ficar ainda pior) e têm de ser geridas com grande controlo do discurso do Governo e do comentário conservador ao seu serviço, de modo a excluir do horizonte qualquer alternativa credível. Desta forma, é possível transformar o consenso político eleitoral em resignação cidadã, a única maneira de manter vazias as ruas e as praças da revolta.

2. Uma profunda transformação subterrânea do regime político corre paralela à manutenção, à superfície, da normalidade democrática da vida política. Trata-se de um novo tipo de Estado de excepção, ou de Estado de sítio, que suspende ou elimina direitos e instituições sem ter de revogar a Constituição. Basta ignorá-la, para o que conta com a cumplicidade de um Presidente da República que paradoxalmente conseguiu atingir, sem governar, os objectivos por que lutou em vão quando governou; com a demissão do Tribunal Constitucional treinado para os baixos perfis das minudências formais; e com a paralisia de um sistema judicial demasiado desgastado social e politicamente para poder assumir a defesa eficaz da democracia.

3. A tutela internacional da troika não colide com a soberania nacional, quando o poder soberano não só está de acordo com o conteúdo político da tutela, como inclusivamente se legitima através do excesso com que a acolhe e reforça. Domina a crença de que um governo de direita de um pequeno país não tem o direito nem a necessidade de inovar. As medidas políticas para a destruição do Estado social e dos serviços públicos estão testadas com êxito nos governos de referência. Para saber o que vai acontecer na saúde, na educação, nas pensões e na assistência aos idosos, ou o modo como se vai dissimular o número de famílias que perderá a sua casa nos próximos tempos, basta estar atento à imprensa inglesa. A ausência de inovação é disfarçada pelo estilo de apresentação (de preferência, com alguma radicalidade) feita por uma classe política jovem que transforma credivelmente retrocesso político em renovação política, inexperiência em benefício da aposta, total submissão a interesses económicos poderosos (nacionais e internacionais) em garantia contra a corrupção.

No coração da Europa


Dia importante o de amanhã, em Bruxelas, não só e principalmente porque há quem ainda espere que nele se veja uma luz ao fundo do túnel financeiro para a Grécia e para a Europa, mas também porque é a 21 de Julho que se comemora a festa nacional belga, quando o país está há mais de 400 dias sem governo (o que já lhe deu direito a entrada no Guinness…) e, aparentemente, sem qualquer luzinha nem mesmo ao fundo de um viaduto!

Mas como a Bélgica ainda manterá o sentido de humor mesmo que venha a ter de enfrentar os estertores de uma morte que muitos anunciam, uns tantos internautas decidiram «propor» ao rei pistas possíveis para o discurso oficial que fará nas celebrações que terão lugar amanhã.

«Tende confiança… estabelecemos um recorde mundial e sabei que ele se arrisca a não ser batido durante muito tempo. O nosso povo está solidário com este esforço para pôr o país na vanguarda internacional. Não esquecei que o nosso passado está cheio deste tipo de problemas e que nós, os belgas, somos unanimemente reconhecidos como o povo mais surrealista do planeta. Além disso, esmeramo-nos na arte de nos ridicularizarmos e de encontrarmos soluções que só nós compreendemos. Assim sendo, acreditai que tudo faremos para ajudar este país a manter-se à cabeça do pelotão… Está tudo bem…»

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Enfrentar e auditar


Damien Millet, porta-voz do CADTM França (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo) e Eric Toussaint. presidente do CADTM Bélgica, autores do livro a La Dette ou la Vie, publicaram há alguns dias um importante texto: «Enfrentar a crise da dívida na Europa».

Dois excertos que não dispensam a leitura na íntegra.

«De acordo com os bancos de negócio Morgan Stanley e J.P.Morgan, em Maio de 2011, os mercados consideravam que havia 70% de probabilidade que a Grécia não conseguisse pagar a dívida, em comparação com 50% dois meses antes. A 7 de Julho de 2011, a Moody’s colocou Portugal na categoria das dívidas de alto risco. Eis mais uma razão para optar pela anulação: é preciso auditar as dívidas, com a participação dos cidadãos, a fim de anular a parte ilegítima. Se não se tomar esta opção, as vítimas da crise sofrerão perpetuamente um castigo duplo em proveito dos banqueiros culpados. Está mesmo à vista na Grécia: as receitas de austeridade sucedem-se, no entanto, a situação das contas públicas não melhora. O mesmo irá acontecer em Portugal, na Irlanda e Espanha. Uma grande parte da dívida é ilegítima, pois provém de uma política que favoreceu uma ínfima minoria da população em detrimento da esmagadora maioria dos cidadãos.

Nos países que aceitaram acordos com a Troika, as novas dívidas não só são ilegítimas, mas também odiosas; isto acontece por três razões: 1. os empréstimos são concedidos sob condições que violam os direitos económicos e sociais de grande parte da população; 2. os credores chantageiam esses países (não existe autonomia de vontade real por parte do mutuário); 3. os credores enriquecem abusivamente impondo taxas de juro proibitivas (por exemplo, a França ou a Alemanha pedem emprestado a 2% nos mercados financeiros e emprestam a mais de 5% à Grécia e à Irlanda; os bancos privados pedem emprestado a 1,25% ao BCE e emprestam à Grécia, à Irlanda e a Portugal a mais de 4% a 3 meses). (…)

Convém igualmente realizar uma auditoria cidadã da dívida pública. O objectivo da auditoria é obter a anulação/ o repúdio da parte ilegítima ou odiosa da dívida pública e reduzir fortemente o resto da dívida.

A redução radical da dívida pública é uma condição necessária mas insuficiente para tirar da crise os países da União Europeia.»
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19.7.11

Dantes era assim (4)


Sem Harry Potter.
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Se tivesse aprendido isto com música...

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(Via Bruno Góis no Facebook)
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As sestas


1 - Estava eu no Cambodja, há pouco mais de dois anos, quando soube que o governo da Dinamarca ia aprovar o direito a uma sesta de vinte minutos por dia para alguns grupos de trabalhadores, como uma experiência teste a ser eventualmente alargada a todo o país. Por cá, ninguém reagiu.

Mas eu recebi a notícia como um verdadeiro murro no estômago, certamente maior do que aquele que Pedro Passos Coelho sentiu, na semana passada, já nem sei porquê. Eu tinha andado esse dia por Tonlé Sap, o maior lago de água doce do Sudoeste asiático, onde vivem, em barracas flutuantes, milhares de pessoas (e cães, gatos e até porcos…), em situações degradantes quase inimagináveis. Guardei, aliás, do Cambodja, algumas das mais marcantes imagens de miséria, que me foi dado ver. 

Escrevi então: «Será possível, viável, um mundo em que se possa dormir a sesta sem que outros (aqui) trabalhem 364 dias por ano, nem se sabe quantas horas por dia? »

2 - Em Julho de 2011, chegou a vez de uma confederação de sindicatos alemães pedir o mesmo direito à sesta. Pela blogosfera, no Facebook e em comentários dos jornais, levantou-se um clamor contra a senhora Merkel e seus súbditos. Porque, entretanto, passámos para cambojanos da Europa.

3 – Num qualquer mês de 20??, veremos os alemães indignados porque os operários da Foxconn já interrompem o fabrico de iPhones para uma pausa pós-prandial?

Impossível? Pouco provável? Ora…
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Nem mais!

@Gui Castro Felga
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