Páginas

6.8.11

Prosas para o tempo que passa (1)



«Felizes os que sentem o desejo espontâneo de socorrer os desgraçados e o fazem com delicadeza e carinho», versão 2011.
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Mais caro ou mais barato do que o BPN?


(Roubado aqui.)
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Hiroshima: os relógios pararam às 8:15



Se eu apenas pudesse guardar duas fotografias, dos milhares que fui tirando por esse mundo fora, escolheria estas. De má qualidade, sem dúvida, mas que me recordam dois objectos expostos no Museu de Hiroshima, que nunca mais esquecerei. Numa, um relógio que parou à hora exacta em que a bomba explodiu. A outra fala por si.

Foi há 66 anos.



Mais fotos:

5.8.11

Ai vamos, vamos…

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Com dedicatória ao XIX Governo Constitucional e também àquele senhor que pôs os empregados a trabalhar no passado dia 1 de Maio.


E / Mas:


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De caridade em caridade...


Se esta notícia é verdadeira, o próximo anúncio do governo será o regresso da roda.

(Imagem: Roda na Basílica da Estrela, em Lisboa.)
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Um castelo medieval?


Os líderes políticos agitam-se como moscas tontas, os PIIGS reproduzem-se como cogumelos (os casais europeus nem por isso…), a extrema-direita vai de vento em pompa e odeia emigrantes, os africanos morrem pelo Mediterrâneo sem conseguirem chegar a Lampedusa, ou são violentamente reprimidos em Bari, e, cereja em cima do bolo, a Grécia constrói agora um fosso para se defender da entrada de turcos – simbolicamente, numa das últimas fronteiras terrestres europeias.

Queixas das organizações de defesa dos direitos humanos e da ACNUR? Who cares?

A Europa «como se fosse um castelo medieval cercado por bárbaros» - uma bela e terrível imagem.
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4.8.11

À procura do socialismo


Não conhecia este documentário de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo, que a RTP iniciou em 1975 e só terminou em 1994. Muito bom e absolutamente original. De Antero de Quental ao PREC e a tudo o que se seguiu.

Merece os 51 minutos que são necessários para o ver. Se não o fizer agora, pode regressar mais tarde... Mas, se puder, avance com o ponteiro e veja os últimos minutos (a partir de 44:40).

Custa a crer que estejamos hoje no mesmo país – entristecido, desistente e aparentemente conformado.


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Efemérides? É comigo


Sabe-se lá como seríamos se não tivéssemos perdido Alcácer-Quibir, em 4 de Agosto de 1578… Sem sebastianismo, nós? Não estou a ver... Mas talvez não «tivéssemos» votado maioritariamente na troika / FMI, lá isso é verdade.


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Chantagem em Washington


Não será a maneira mais simpática de festejar o 50º aniversário de Obama, mas aconselho a leitura deste artigo de Serge Halimi no último número de Le Monde Diplomatique (versão portuguesa).

A disputa sobre a redução da dívida norte-americana que opõe o presidente Barack Obama e a maioria republicana no Congresso esconde o essencial: cedendo à chantagem dos adversários, Obama aceitou logo à partida que mais de três quartos do esforço orçamental dos próximos dez anos, ou seja, 3 biliões de dólares, sejam provenientes de cortes nos orçamentos sociais. A direita americana podia ter ficado satisfeita com a vitória, mas quer sempre mais. Mesmo que a sua intransigência possa prejudicar-lhe a popularidade.

Em Dezembro de 2010, cedendo uma primeira vez à pressão da direita, o presidente dos Estados Unidos prolongou por dois anos as muito desiguais diminuições de impostos decididas pelo anterior presidente, George W. Bush. Quatro meses mais tarde, falando desta vez como Ronald Reagan, Obama congratulou-se com a «mais importante redução anual das despesas da nossa história». A seguir deu início aos ciclos de negociações com os parlamentares republicanos, anunciando o seguinte: «Estou preparado para ser repreendido pelo meu partido se for para ter resultados». Resultado: novos recuos na Casa Branca…

A direita opõe-se a qualquer redução do endividamento que passe por um aumento de impostos. Esta condição prévia pode parecer estranha num país em que a avalancha de privilégios fiscais concedidos aos mais ricos gerou o mais baixo nível global de contribuição fiscal dos últimos cinquenta anos. Mas o que os republicanos na realidade querem, além de um endividamento que só se foque nas despesas, é «emagrecer o monstro» − isto é, para retomar a expressão de um dos seus estrategos, querem «reduzir a dimensão do Estado para a seguir ele poder ser afogado na banheira».

Ora, como explicar o recente disparo da dívida pública americana? Em primeiro lugar, pela crise económica, em grande medida provocada pela desregulação financeira das últimas décadas. Em seguida, pelo prolongamento regular das diminuições provisórias de impostos aprovadas em 2001 (ficando por recolher 2 biliões de dólares). Por fim, pelas guerras do pós-11 de Setembro no Afeganistão e no Iraque (1,3 biliões de dólares). O partido de Reagan e de Bush quer agora resolver o problema do endividamento protegendo ao mesmo tempo os mais ricos, a que chama os «criadores de empregos», e o orçamento do Pentágono, que em dez anos aumentou, em termos reais, 67%.

No passado dia 5 de Abril, Paul Ryan, presidente da Comissão Orçamental da Câmara dos Representantes, apresentou aliás de forma detalhada os projectos dos republicanos para as próximas décadas. O seu plano prevê que as despesas públicas, que actualmente representam 24% do produto interno bruto (PIB), não representem mais do que 14,75% do PIB em 2050, passando a taxa máxima de contribuição de 35% para 25% (o nível mais baixo desde 1931). Todos os nichos fiscais dos privilegiados serão preservados, mas serão congelados os reembolsos com despesas de saúde destinados aos idosos e aos pobres.

Se Obama continuar a fugir a este combate, as funções sociais do Estado americano podem muito em breve assemelhar-se ao cadáver na banheira.

terça-feira 2 de Agosto de 2011
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O papa a ajudar as nossas exportações


Quando o papa estiver em Madrid, de 16 a 21 deste mês, serão distribuídos 7.000 rolos de papel higiénico – com as cores do Vaticano, evidentemente. Para o uso a que normalmente é destinado? Não: para engalanar a cidade e alegrar Bento 16.

Mas também pode ser comprado e «tiene tres capas, aroma y está testado dermatológicamente, por lo que también se puede utilizar para fines menos celebratorios».

It loves papa e é de marca portuguesa. Contente, Álvaro?

(Daqui)
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3.8.11

Persopolis (2)

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Dantes era assim (10)

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(Jacques Prévert lê Itinéraire e responde a perguntas de Roger Stéphane.)

E o tabaco ainda «não matava».
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Álvaro:


Há velhinhos que não gostam de andar de avião, mas que são modernaços!
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Samudaripen – o massacre dos ciganos


Contributo de Jorge Pires da Conceição.

Thorbjørn Jagland, Secretário Geral do Conselho da Europa, fez ontem um apelo aos Europeus para honrarem a memória dos ciganos mortos pelo regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial, comprometendo-se a construir um futuro melhor para as gerações vindouras.

Este apelo surgiu na véspera de uma data fatídica para o Povo Cigano (os Roms ou Roma, de Romani), a noite de 2 para 3 de Agosto de 1944, em que muitos milhares ou dezenas de milhar de ciganos foram massacrados no Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau.

Calcula-se que, entre 1939 e 1945, mais de 500.000 ciganos tenham sido mortos pela Alemanha e seus aliados. Há estimativas que apontam para cerca de 680.000 mortos. Havendo mesmo quem quantifique em 1.500.000, embora tal número possa ser excessivo, atendendo a que outra estimativa indicava que a população Rom antes da II Guerra deveria rondar um milhão de pessoas. De qualquer modo são números que caracterizam tal mortandade como um Genocídio - o Samudaripen (ou Pharrajimos, ou Porajmos ou Porrajmos), palavra(s) usada(s) para mencionar o genocídio dos ciganos à mão do regime nazi.

Genocídio que em nada difere daquele que os nazis efectuaram sobre o povo judaico, como se pode constatar por algumas declarações:

Commander of Einsatzgruppe D, Otto Ohlendorf said at the Nuremberg trials : " There was no difference between the Gypsies and the Jews. At that time, the same order applied for Both. "

“It was the wish of the all-powerful Reichsfhhrer Adolf Hitler to have the Gypsies disappear from the face of the earth” (SS Officer Percy Broad, Auschwitz Political Division).

“The motives invoked to justify the death of the Gypsies were the same as those ordering the murder of the Jews, and the methods employed for the one were identical with those employed for the other” (Miriam Novitch, Ghetto Fighters’ House, Israel).

“The genocide of the Sinti and Roma was carried out from the same motive of racial mania, with the same premeditation, with the same wish for the systematic and total extermination as the genocide of the Jews. Complete families from the very young to the very old were systematically murdered within the entire sphere of influence of the National Socialists” (Roman Herzog, Federal President of Germany, 16 March 1997).

A repressão sobre os ciganos, porém, não acabou com o fim da Guerra. Em França, os ciganos (que nunca chegaram a ser deportados daqui) continuaram internados até 1946 em campos de reeducação (para serem “socializados” e “sedentarizados”…). Na Alemanha, mantiveram-se todas as medidas que haviam sido tomadas contra eles antes de 1943 e só em 1982 o chanceler alemão Helmut Köhl reconheceu formalmente o genocídio dos Ciganos.

Por isso Thorbjørn Jagland, no seu apelo a todos os Europeus, além de repetir a conhecida frase «Para que nunca mais!», exorta-nos com estas palavras: «Nós devemos criar medidas legislativas para lutar contra a discriminação e promover a integração dos Roms na Sociedade. Conhecer melhor a cultura e a história deste povo, e particularmente os aspectos mais sombrios da perseguição aos Roms, ajuda a criar uma oposição aos preconceitos e à intolerância. O Conselho da Europa quer preservar a memória pelo ensino do Samudaripen nas escolas, paralelamente com outros esforços de promoção da tolerância e da imparcialidade para com os Roms, em todos os países."

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2.8.11

Solidariedade com a Noruega


Acaba de ser lançada uma petição de solidariedade com as vítimas dos atentados na Noruega, promovida por várias organizações (lista no fim do texto), que está disponível AQUI para recolha de assinaturas individuais.

Será dado conhecimento da iniciativa a várias organizações sociais norueguesas.

Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.

Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.

Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.

Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.

Artigo 21.º * Associação 25 de Abril * Associação Abril * Associação República e Laicidade * ATTAC Portugal * Bloco de Esquerda * Convergência e Alternativa * Crioulidades - Arte e Cultura na Diáspora * Fartos/as d'Estes Recibos Verdes * M12M * Movimento Escola Pública * Não Apaguem a Memória * Opus Gay * Panteras Rosa * PES Portugal * Portugal Uncut * Precários Inflexíveis * Rainbow Rose Portugal * Renovação Comunista * Sindicato dos Professores da Grande Lisboa * União de Mulheres Alternativa e Resistência * Vidas Alternativas

P.S. – Peço aos bloggers que por aqui passarem que ajudem a divulgar esta iniciativa nos seus blogues.

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Era inevitável vir um dia a concordar com Vital Moreira...


Foi hoje: VM propõe, no Público (sem link), que se extingam as três escolas «exóticas», destinadas a filhos de militares e das forças de segurança: Colégio Militar, Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Trata-se de «uma espécie de escolas particulares de propriedade e gestão pública», onde, é certo, se pagam propinas, mas que não evitam a existência de encargos «com as instalações e o pessoal militar que nelas presta serviço, cujo valor não é despiciendo». Para além de não terem qualquer justificação.

Apanho a boleia para referir outros privilégios incompreensíveis, recordados ontem no jornal «i», a propósito da CP: «há cerca de 150 mil funcionários do Estado que têm direito a descontos nas viagens em transportes públicos que podem ir até 75%»: agentes da PSP e GNR, funcionários da Justiça, incluindo magistrados no activo e na reforma, e militares.

Porquê, em nome de quê? Reminiscências e associação inevitável:


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Deliciosa…


… a crónica de Ferreira Fernandes, hoje, no DN:

A crise acaba daqui a três anos

O presidente da Federação Russa de Futebol, ao saber que Portugal era o seu adversário mais perigoso para o Mundial de 2014, decretou: "Inglaterra ou Espanha era melhor comercialmente." Três quartos de século soviéticos a ignorar a compra e venda deu nisto. A questão de um Mundial é chegar à glória sem preço de ser campeão mundial, mas para os russos o importante, agora que são capitalistas, é bilhetes vendidos e publicidade arrecadada nos jogos de apuramento... Cada um é como é e também nós não fugimos ao nosso destino. Ir ao Brasil? Está no papo. Israel, Irlanda do Norte, Azerbaijão (Azer, quê?) e Luxemburgo são de campeonato inferior... E à Rússia já lhe espetámos 7-1... Cá está o nosso optimismo inicial tradicional, que dará em deixa andar, o deixa andar dará em alguns espalhanços e estes acabarão no tio ó tio final do costume. Ora perder a oportunidade de irmos ao Mundial no Brasil equipara-se a termos, no último jogo, um silêncio tão barulhento como aquele que se abateu sobre o Maracanã, em 1950, quando o uruguaio Gigghia matou o povo brasileiro. Não irmos ao Brasil em 2014? Impensável. Política, histórica e até futebolisticamente. Urge um ministério só dedicado a irmos. Gaste-se o que houver para gastar - comprar árbitros, mandar olheiros por África à procura de ponta-de-lança a nacionalizar, encomendar bandeiras portuguesa à China... Pode ficar tão caro como o BPN, mas terá um final feliz.
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Logo pelo fresquinho da manhã, não uma mas duas pérolas


nesta entrevista de Rodrigo Moita de Deus ao «i»:

«Não há nenhum país monárquico que tenha pedido ajuda ao FMI. Todos os países que recorreram à ajuda financeira são repúblicas.» (*)

«[Os políticos] estão cada vez mais sexy. (…) Uma grande diferença entre os políticos de esquerda e os políticos de direita diz respeito ao guarda-roupa e a essa capacidade de transmitir a sexualidade. A direita costuma ser melhor nessas coisas.»

Sinto-me parva porque conheço dezenas de pessoas da idade do entrevistado, mas nenhuma capaz de dizer coisas destas. Como é que a direita «transmite sexualidade»? De gravata?

(*) Alguém me recordou hoje que a Suazilândia é uma monarquia e anda às voltas com o FMI, mas isso é reino de pretos e fica muito lá muito para baixo.
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1.8.11

Agosto e o resto

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Democracia e totalitarismos


O drama norueguês veio acordar os europeus para a terrível realidade do crescimento da extrema-direita, em vários países, e chovem todos os dias notícias sobre factos cada vez mais inquietantes.

Na semana passada, o jornal Der Spiegel relatou o que se passa na Alemanha, em escolas e em campos de férias, onde se educam crianças e jovens na glorificação de Hitler, do Terceiro Reich e dos seus princípios, por vontade de milhares de famílias. Vale a pena ler a notícia com atenção.

Mas o que é no mínimo discutível, e também inquietante, é a possível decisão de o governo alemão retirar essas crianças às famílias. Na sua crónica de hoje, Manuel António Pina exprime exactamente a minha reacção quando li a notícia:

«Não posso deixar de pensar que tirar os filhos aos pais e pô-los sob tutela do Estado seria o que fariam (e fizeram) os nazis e de me interrogar se, como no sermão de Niemoller, a seguir aos filhos dos nazis não viriam os dos comunistas, depois os dos muçulmanos, depois os dos ateus, e por aí fora. Julgo que existem razões para temermos pelo sistema democrático quando as democracias cedem à tentação totalitária para se defenderem. Como disse o primeiro-ministro norueguês quando dos atentados de Oslo e Utoya, a resposta das democracias contra os demónios totalitários só pode ser mais democracia.»

Repita-se mil vezes, se necessário for: só de defende a democracia com mais democracia.
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Blogosfera


Enquanto se anuncia que os blogues estão a perder várias batalhas a favor das redes sociais, e quando é verdade que muitos dos clássicos esmorecem e que alguns se vão calando, eis que surgem outros do nada, como é o caso dos Ladrões de Gado.

Não o perderei de vista, que mais não seja pela frase com que se apresentaram: «We’re not lost, we just don’t know where we’re going.»
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BPN: Começou a época de saldos


Se bem percebi o que li e ouvi desde ontem:
  • O BIC vai comprar o BPN por 40 milhões de euros quando se esperava pelo menos o dobro.
  • Assegura 750 postos de trabalho, sendo o Estado a pagar as indemnizações dos restantes 50% (que sairão dos 40 milhões empochados pela venda).
  • Mesmo descontados esses 40 milhões, já teremos gasto com o BPN cerca de 2,4 mil milhões de euros.
Já tive melhor impressão dos sucessos dos Estados capitalistas!
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31.7.11

Tall painting

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(Via Virgílio Vargas no Facebook)
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Há 50 anos – Fuga de dezenas de estudantes das ex-colónias


Contributo de Diana Andringa.

Clicar na imagem para ler (*)

Se 1961 é há muito reconhecido como o annus horribilis de Salazar, trazendo imediatamente à memória o desvio do paquete Santa Maria, o início da luta armada de libertação em Angola, a tentativa de golpe de Botelho Moniz e o fim do então chamado «Estado Português da Índia», um episódio há que, embora menos conhecido, não deixou de afectar também o regime: a fuga de Portugal de dezenas de jovens das ex-colónias que se encontravam a estudar em Lisboa, Coimbra e Porto.

Por via legal, uns – usando para obter o passaporte pretextos tão diversos como promessas a cumprir em santuários franceses, viagem de lua-de-mel, actividades desportivas e até pertença a grupos musicais – por via clandestina, outros, cerca de uma centena de jovens abandona tudo, quer para se juntar à luta contra o colonialismo português, quer para evitar ser chamado a combater nas fileiras do exército português.

Entre esses fugitivos, alguns cujos nomes vieram a tornar-se bem conhecidos. Pedro Pires, Joaquim Chissano, Fernando França Van-Dunen e Pascoal Mocumbi, por exemplo, integraram um numeroso grupo que saiu de Portugal e chegou a França em carros conduzidos por jovens protestantes norte-americanos, com o auxílio de uma organização francesa especializada no resgate de pessoas em risco, a CIMADE, e o apoio financeiro e diplomático do Conselho Mundial das Igrejas.

Cinquenta anos depois, por iniciativa da Fundação Amílcar Cabral e do presidente Pedro Pires, um encontro em Cidade da Praia permitiu o reencontro de diversos fugitivos de há 50 anos com os seus «condutores» norte-americanos.

É a essa fuga e a esse reencontro que se refere o texto da Associação Tchiweka de Documentação que podem ler AQUI.

(*) - Diário de Lisboa, 15 de Julho de 1961, Fundação Mário Soares

P.S. - Há cerca de dois anos, pubiquei um texto sobre este tema nos «Caminhos da Memória»: Fugir para lutar. Deixo-o em anexo a este post.

A dívida dos Estados Unidos em imagens


114.5 Trillion Dollars
114.5 Trillion Dollars $114,500,000,000,000. - US unfunded liabilities. To the right you can see the pillar of cold hard $100 bills that dwarfs the WTC & Empire State Building - both at one point world's tallest buildings. If you look carefully you can see the Statue of Liberty.

The 114.5 Trillion dollar super-skyscraper is the amount of money the U.S. Government knows it does not have to fully fund the Medicare, Medicare Prescription Drug Program, Social Security, Military and civil servant pensions. It is the money USA knows it will not have to pay all its bills. If you live in USA this is also your personal credit card bill; you are responsible along with everyone else to pay this back. The citizens of USA created the U.S. Government to serve them, this is what the U.S. Government has done while serving The People.

The unfunded liability is calculated on current tax and funding inputs, and future demographic shifts in US Population.

Note: On the above 114.5T image the size of the base of the money pile is half a trillion, not 1T as on 15T image. The height is double. This was done to reflect the base of Empire State and WTC more closely.

Vale a pena ler, e sobretudo VER, tudo.
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Se a Cristas sabe disto…


Não há aplicação da tecnologia à vida quotidiana, que os japoneses não tentem inventar. Quem não ficou siderados, há já uns anos, com a quantidade de funcionalidades disponíveis em qualquer sanita, quem não sentiu o dever moral de se tornar geek ao olhar para as montras das ruas de Tóquio?!

Fiquei ontem a saber que já existe roupa com um sistema integrado de ar condicionado. Vantagens? É bom para a saúde porque deixa de se respirar ar demasiado frio, fica assegurada mobilidade absoluta com a temperatura desejada e… poupa-se de energia, obviamente: custa menos arrefecer um corpo do que uma casa.

Novo decreto-lei à vista para 2012? (Em tempo de troikas magras, claro que cada funcionário seria obrigado a comprar o seu casaquinho.)

Daqui, através de Auzenda Silva no Facebook.

P.S. - A propósito de tecnologia japonesa, foi deixado este link na Caixa de Comentários, por alguém que vive no Japão.
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Bom Domingo

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Copenhaga, Maio de 2011.
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