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31.8.11

Back to basics

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O que Vítor Gaspar podia ter acrescentado esta tarde


«Aguardamos apenas a realização de condições convenientes para que o remédio não seja pior de sofrer do que o mal que se destina a curar.»

(Cfr. António de Oliveira Salazar)
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A Europa precisa de uma revolução

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O que Vítor Gaspar vai dizer esta tarde


Ainda sem o anúncio formal, para hoje prometido, de «cortes brutais» na despesa pública, leio em sequência, no Económico, duas notícias que (ainda) me deixam perplexa: «cerca de 45% dos cargos dirigentes na administração local vão ser extintos» e «terão de sair anualmente da administração central do Estado cerca de dez mil trabalhadores, em termos líquidos, e não cinco mil, como estava previsto no memorando da ‘troika'».

E a minha perplexidade vem do seguinte: o que se pensa que acontecerá a todas estas pessoas (e a todas as que, em breve, sairão de empresas e institutos públicos, de privadas que todos os dias abrem falência, das lojas que fecham portas, do batalhão de professores contratados que não terão lugar, etc., etc., etc.)? Irão para a reforma umas tantas, mas não necessariamente em percentagem elevada. Muitas receberão, durante cada vez menos tempo, um subsídio de desemprego. E depois? E as outras?

E em que ocuparão os dias? Vão ficar em casa e pelos bancos dos jardins? Nos corredores dos centros comerciais?

Não seria mais prudente prever um plano de evacuação colectiva do território? Num corredor aéreo em aviões da TAP, antes que sejam vendidos? No velhinho Sud Expresso? Num daqueles navios que levavam tropas para a guerra? Com que destino? Eu não sei, mas as centenas de assessores dos gabinetes ministeriais já devem estar a tratar do assunto.

É isso: tenho para mim que é este plano de emergência que Vítor Gaspar vai anunciar mais logo. Cortem-se os males pelas raízes – rapidamente e em força.
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Uma justa homenagem


… do Google aos eléctricos de Lisboa, que hoje fazem hoje 110 anos. (Ou será um subtil protesto contra o Passo Social +?...)


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30.8.11

Enquanto não vendemos criancinhas



Não sei quantas creches estão em causa, mas já teremos realizado o que são mais 20.000 vagas??? Quantas crianças serão afectadas por este acréscimo (as «acrescidas» e as outras)?

Se não se tratasse de uma medida puramente economicista, seria tentado, pelo menos, reforçar o pessoal das instituições em questão. Não é o caso: «Questionado sobre se ao eventual aumento do número de crianças deveria corresponder também um reforço do número de educadores, Pedro Mota Soares respondeu dizendo que é possível dar uma resposta que chegue a mais pessoas com a capacidade instalada neste domínio».

Além disso: alguém duvida de que mesmo instituições mais do que privadas, e onde se pagam pequenas fortunas, vão aproveitar a boleia para amealharem mais alguns (ou muitos…) euros?


Se o governo não fosse vender a TAP, passaríamos a viajar de pé, como a Ryanair já faz ou planeia fazer.
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Timor, 12 anos depois


Foi em 30 de Agosto de 1999 que se realizou o Referendo em que 78,5% dos eleitores se pronunciaram a favor da independência de Timor Leste. Quase três anos mais tarde, em 20 de Maio de 2002, viria a nascer a primeira nova Nação deste milénio: Timor Lorosa’e.

A história recente é conhecida, mas vale talvez a pena recordar tempos passados e revisitá-los no Arquivo e Museu da Resistência Timorense - que tem uma belíssima página na net e cujas novas instalações foram hoje apresentadas ao público em Dili.


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Seguir polémicas dos vizinhos

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... que, embora com algumas diferenças, podem cá chegar mais noite menos dia: a introdução do limite ao deficit na Constituição. Especialmente oportuno quando o nosso PM parte em digressão europeia, com este assunto em cima de várias mesas.



(Via ATTAC/TV no Facebook)

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Antes que a manhã acabe

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15 de Outubro 2011 – A Democracia sai à rua!


PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO

− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.

Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.

Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.

A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!

Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.

Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção.

Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.

Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.

As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.

A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.


Organizações subscritoras: 

Acampada Lisboa – Democracia Verdadeira Já 19M
Alvorada Ribatejo
Attac Portugal
Indignados Lisboa
M12M – Movimento 12 de Março
Movimento de Professores e Educadores 3R’s
Portugal Uncut
Precários Inflexíveis
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29.8.11

O papel da oposição segundo o dr. Marcelo


Ouvi ontem a crónica dominical de Marcelo Rebelo de Sousa, mas preferi esperar que estivesse disponível online para transcrever uma passagem que me pareceu importante e que ainda não vi referida.

Interrogado por Júlio Magalhães sobre o comportamento da oposição (a partir do minuto 57:41), afirmou que esta tem estado de férias e continuou:

«Eu estava a ficar preocupado. (…) Precisamos de uma oposição forte. Se não há oposição forte, para onde é que vai a insatisfação das pessoas? As pessoas começam a indignar-se e a revoltar-se. Se não têm como canalizar para os partidos políticos, canalizam para onde? Para os sindicatos e depois para a rua. Precisamos da oposição (…) para canalizar as insatisfações.»

Nem mais e não há como a clareza. Que se desengane quem pensava que PS, PCP e Bloco serviam sobretudo para outras funções. Percebam que fazem falta para servirem de para-choques, de amortecedores das massas potencialmente revoltosas. O dr. Marcelo é que sabe (oh se sabe…)!
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Isto não é um país (4)

Isto não é um país (3)

Isto não é um país (2)

Isto não é um país (1)

relativismo

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estava aqui a ver o tozé seguro a discursar na madeira e passei a gostar um pedacinho do alberto joão jardim.

ipsis verbis
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Dos dias que passam


Excelente esta crónica de Nilton no Económico de hoje. Em três ou quatro pinceladas, revela bem o tipo de teia em que nos movemos.

Diz que vai chover

Aumentar os impostos sem reduzir a despesa é como fazer sexo sempre na posição de missionário só porque é a que dá menos trabalho.

500, pode parecer o número de jogadores do plantel da Luz mas são as nomeações feitas pelo governo em 2 meses e que mostram que ainda há muita gente com bons conhecimentos. A esta média de 250 ao mês, em 4 anos acaba-se com o desemprego em Portugal. Para contrariar isto, o ministro da Economia Álvaro Santos Pereira promete um "corte histórico" na despesa do Estado. Espero que sim porque para já este Governo está tipo Benfica e Sporting: o número de contratações não faz jus ao das exibições.

O preço dos combustíveis deve subir hoje devido às preocupações do impacto do furacão Irene sobre as refinarias dos EUA. As perguntas são: é suposto pagarmos as preocupações dos Srs. do petróleo? E já agora, qual impacto? Pagar adiantado por algo que ainda não aconteceu é o mesmo que pagar o arranjo antes de bater com o carro. Se o Irene provar ser apenas uma tempestade com mau feitio e não um furacão a sério, devolvem-nos o dinheiro?

Cavaco Silva quer ver recuperada a lei que tributa heranças. Tendo em conta que se estaria a pagar a mesma coisa duas vezes, vejo-me obrigado a alertar o Sr. Presidente para um pormenor linguístico. É que cobrar um imposto sobre algo que recebemos por direito, deixa de ser uma herança e passa a ser uma compra.
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28.8.11

Arco-iris

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Dia para recordar também


...Rosa Parks , quando se celebra mais um aniversário de célebre «I have a Dream!» de Martin Luther King.

Rosa Parks ficou famosa por se ter recusado a ceder o seu lugar no Autocarro a um branco (em 1 de Dezembro de 1955), facto que viria a constituir um dos marcos do início da luta antissegregacionista nos EUA.

A ler: Thank you Rosa Parks

Pete Seeger:




Take It From Dr. King
Down in Alabama, 1955,
Not many of us here tonight were then alive;
A young Baptist preacher led a bus boycott,
He led the way for a brand new day without firing a shot.


O António é esquisitíssimo

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(Via Tomás Vasques no Facebook)
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Luther King


Foi em 28 de Agosto de 1963 que teve lugar a célebre «March on Washignton for Jobs and Freedom» e hoje, 48 anos depois, Obama deveria inaugurar oficialmente o Memorial construído em honra de MLK, no National Mall, em Washington. A cerimónia foi cancelada devido às condições criadas pela aproximação do furacão Irene, mas o espaço já se encontra aberto ao público.

O discurso de MLK em 28/8/1963, aqui na íntegra (aparentemente, foi retirado do Youtube):




E uma visita virtual ao Memorial (de bom gosto duvidoso, mas...):



P.S. - A estátua foi esculpida por um artista chinês, a pedra também terá sido importada da China. Os americanos não apreciaram muito a escolha de operários também do «País do Meio» para a construção do Memorial (e estes não terão sido muito bem tratados)...
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Aviso à navegação

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O blogue de Vítor Dias passou agora a chamar-se O tempo das cerejas2 , tem novo endereço e o autor explica porquê. (o anterior continua online).
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27.8.11

Cântico Negro

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Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

(Via Manuel Vilarinho Pires no Facebook)
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O governo agradece que não oponha resistência

Boas ideias

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Bem aventurados os pobres de Estado


«Se os pobres não tiverem filhos, o que é que os ricos comem? E quem pagará impostos? E quem trabalhará para os ricos e morrerá por eles nas guerras com que os ricos ficam mais ricos? E pior: sem pobres, como é que os ricos poderão praticar as acções de caridade com que obtêm perdão por tudo quanto fazem na Terra, dormindo de consciência tranquila e reservando suites de luxo no Céu?»

(Manuel António Pina)
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26.8.11

As vidas dos outros

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(Via Catarina Martins no Facebook)
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Tudo explicado: é que Américo Amorim estudou por esta cartilha

Depois de os ricos pagarem a crise


… virá «A terra a quem a trabalha»?

Uma «boca» como outra qualquer, que lancei ontem no Facebook e que teve por lá sucesso. Aqui fica, nesta bela tarde da última 6ª-feira deste atípico mês de Agosto. A silly season talvez chegue em Setembro…
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De olhos no Chile (2)


Terminou ontem uma greve geral de dois dias. As «gordas» e as imagens dos jornais de hoje realçam que houve distúrbios nas ruas (e é verdade), mas o mais  importante é perceber a fortíssima mobilização que existiu, de trabalhadores e de estudantes, que parece longe de um fim à vista.

Num Chile que cresce 6,1% ao ano, mas que é um dos países do mundo em que se registam maiores desigualdades em termos de salários, os trabalhadores fizeram greve e saíram à rua (600.000, segundo os próprios) para exigirem uma nova Constituição, um novo código de trabalho e, sobretudo, o desmantelamento do modelo económico vigente no país desde a ditadura, que os governos de centro esquerda não reformaram nos últimos vinte anos.

Solidarizaram-se com as movimentações estudantis que duram há três meses e onde se luta pela educação gratuita e por uma reforma do sistema educativo. Ontem, foram os estudantes que se uniram ao protesto concretizado na greve geral e que vieram para as largas avenidas chilenas, em quatro grandes marchas que convergiram para o centro de Santiago.

Entretanto, o nome de uma nova líder atravessa fronteiras: Camila Vallejo (na foto), de 23 anos, estudante de Geografia, é agora o rosto de uma nova geração que «não parece ter medo de nada» e que recebe apoios não só no seu país como da América Latina em geral, desde a presidente argentina Cristina Kirchner ao cantor cubano Silvio Rodríguez. Ela própria frisa a importância da dimensão global dos protestos, ao afirmar que «es muy importante para nosotros recalcar que esto trasciende los límites de las fronteras de Chile. Las demandas expresadas interpretan a gran parte del pueblo, tanto latinoamericano como europeo, porque es la recuperación de algo legítimo». (Vale a pena ler esta curta entrevista.)

Seguir os próximos capítulos, porque o Chile não vai parar.

(Outra fonte.)


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25.8.11

Douce France

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Ainda a propósito da Libertação de Paris, que hoje se comemora: esta canção, «Douce France», tornou-se um verdadeiro hino da Resistência, depois de proibida, como muitas outras, pelo governo de Vichy.


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Há 67 anos


A Libertação de Paris.







«C'est une fleur de Paris» - a canção com maior sucesso.
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Senhor rico, arranja-me uns trocos para a crise?

Comunicado dos Colaboradores da Parque Expo


Porque não creio que algum órgão de comunicação social venha a publicar este texto na íntegra, aqui fica. E realço o último parágrafo: «Por isto, nós, colaboradores da Parque EXPO, queremos publicamente expressar o nosso orgulho em pertencermos e trabalharmos nesta empresa pública e o nosso sentido agradecimento às Administrações da Parque EXPO, e manifestar que hoje, tal como no passado e no futuro que cremos irá existir, estamos inteiramente disponíveis para, num esforço muito para além do que nos é exigido pelo estrito cumprimento das nossas obrigações contratuais e brio profissional, continuar a defender os interesses do nosso país e uma visão pública sobre o território, constituindo-nos como uma das alavancas para o desenvolvimento económico e social e para a criação de emprego e de riqueza.»

1. O impacto da Expo ’98
O projeto de realização da Expo’98 e da requalificação urbana da respetiva Zona de Intervenção (hoje conhecida como Parque das Nações) traduziu-se no recebimento, pelo Estado, de receitas fiscais e para-fiscais geradas pelo investimento realizado no montante estimado de cerca de 4,4 mil milhões de euros ("Avaliação dos impactos do projecto global Expo 98 nas receitas do sector público administrativo", realizado pela Faculdade de Economia da Universidade Nova). A comparticipação do Estado Português no investimento realizado ascendeu a 540 milhões de euros. O financiamento comunitário foi de 200 milhões de euros. Todo o investimento adicional foi realizado com recurso a financiamento bancário.

2. A redução do passivo
A estrutura de capitais escolhida pelo acionista Estado para desenvolvimento do projeto Expo’98/Parque das Nações implicou que o investimento necessário ao desenvolvimento do projeto fosse maioritariamente suportado por financiamento bancário.
No ano de 1998 o valor de endividamento ascendia a 1 332 milhões de euros. No final de 2010 este valor era de 225 milhões de euros, hoje é de 185 milhões.
Nos últimos 6 anos, período em que a receita proveniente da venda de terrenos e edifícios foi substancialmente reduzida, sendo substituída por receitas provenientes de prestação de serviços, o endividamento foi reduzido em 298 milhões de euros.

3. Evolução do número de colaboradores tendo em conta a nova missão
1998: 6 mil colaboradores; 2005: 282 colaboradores; 2011: 174 colaboradores.

4. Os resultados operacionais da Parque EXPO
Em 2010 a Parque EXPO teve resultados operacionais positivos no valor de 292 milhares de euros. Os proveitos decorrentes das atividades de conceção e gestão de projetos, o atual core business da empresa, registaram um aumento de 4%, não obstante a conjuntura recessiva.
Os resultados líquidos negativos no mesmo ano, no valor de cerca de 5 milhões de euros, são explicados pelos encargos financeiros resultantes do desequilíbrio financeiro histórico apontado no ponto anterior. Estes resultados líquidos negativos sofreram uma redução de 9,6 milhões de euros face ao ano de 2009.

II. A Parque EXPO: O esclarecimento necessário
Desempenhou à data, com pleno êxito e num muito curto espaço de tempo (10 anos), a reconversão de 330 hectares dos concelhos de Lisboa e de Loures, dando um contributo positivo indiscutível para as finanças públicas (cerca de 4,4 mil milhões de euros de receitas públicas), para recolocar a grande Lisboa no mapa das cidades de referência no mundo, para projetar a imagem de Portugal como território de excelência, consolidando a consciência dos portugueses e dos decisores de uma renovada importância do espaço público como fator de qualidade de vida das cidades.

A decisão do Estado Português de não desperdiçar o acumulado numa empresa – que construiu uma cultura de elevada competência, alta produtividade e eficiência, prosseguida por governos de diversas matrizes políticas e ideológicas – foi uma decisão que teve repercussões muito positivas na melhoria das condições de vida dos portugueses, no desenvolvimento de dezenas de cidades médias e de pólos importantes de grandes concelhos, espalhados por todo o país. Também dezenas de municípios e diversas associações de municípios e comunidades intermunicipais têm recorrido aos serviços da Parque EXPO para o apoio à construção de uma visão estratégica pública para o desenvolvimento dos seus territórios, com uma qualidade por todos reconhecida como de excelência, bem como no apoio à elaboração da estratégia pública de reabilitação urbana, sem a qual o desenvolvimento sustentável, a coesão social, a qualificação ambiental e a intervenção decisiva dos agentes privados não acontecerá. Os elementos à frente enunciados assim o comprovam.


Para quem está a regressar de férias

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Tout va très bein - ici, en Europe, en Libye…
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24.8.11

De olhos no Chile


Não param as manifestações de estudantes que não aceitam as reformas propostas pelo governo para o sistema educativo, a nível do ensino liceal e universitário. Na última 5ª-feira, 100.000 pessoas em Santiago, e mais 50.000 noutras cidades, desfilaram apesar do péssimo tempo – frio e chuva que acabaram por dar ao evento o nome de «Marcha de los paraguas».

Mas pelo menos tão impressionante foi o apoio da população (80%, segundo revelam as sondagens), concretizado numa monumental concentração de um milhão de pessoas, no passado Domingo.

(Quem não sentir um arrepio, que levante o braço.)

Os «herdeiros» de Victor Jara:

(Entretanto, teve hoje início uma greve de 48 horas, convocada pela Central Unitária de Trabalhadores, o sindicato mais forte do país, para exigir educação gratuita, reformas políticas e económicas.)
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E nós, quem somos?


(Roubado aqui.)
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Rico, eu?


Era inevitável que alguém se lembrasse de perguntar ao português mais rico (e que «rico português», também…) se está disposto a seguir o exemplo dos seus camaradas franceses que anunciaram ontem a predisposição de darem uma contribuição especial para a resolução da crise.

O diálogo com Américo Amorim terá sido curto e esclarecedor: «Eu não me considero rico. Sou trabalhador.»

Portanto, ninguém enriquece à custa do seu trabalho ou os ricos não trabalham. Acusação que nem o mais assanhado dos ideólogos da História alguma vez ousou fazer, mas que passa a verdade lapidar escrita nas nossas estrelas. Simples boutade, obviamente, mas que diz muito sobre a impunidade assumida e a paroquialidade reinante neste pobre país. (Alguém imagina um dos milionários franceses que não quis assinar o apelo, porque os houve, a dar, publicamente, um argumento destes?)

Manuel António Pina não leu certamente esta declaração antes de escrever a sua crónica de hoje, ou não a teria desperdiçado. A propósito do gesto dos milionários franceses, afirma, num belo registo de humor, que «a ganância dos ricos não tem limites», eles que «agora cobiçam até o pouco que os pobres têm, a servidão fiscal, e exigem pagar, como eles, impostos».

«Quem já tenha visto um porco andar de bicicleta talvez não se surpreenda, mas eu, que já vi uma bicicleta andar de porco, ainda não caí em mim. Cairia em mim, sim, se visse o voluntarioso Governo de Passos Coelho do "imposto extraordinário" sobre pensões e salários, mas não sobre juros e lucros, e dos cortes nos subsídios de miséria de desempregados e indigentes anunciar, como o neoliberal Sarkozy, um imposto sobre rendimentos anuais superiores a um milhão de euros.

Imagino então Amorins, Belmiros, Alexandres Soares dos Santos e restantes "25 mais ricos de Portugal", cujas fortunas cresceram, com a "crise" alheia, para 17,4 mil milhões virem, os invejosos, reclamar a Passos Coelho: "Tribute-nos, que diabo!, reformados e trabalhadores não são mais que nós", repetindo com Buffett:"Já é tempo de o Governo levar a sério isso dos sacrifícios para todos.”»

Ironizemos, pois. A indignação está de férias no Algarve.
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23.8.11

As 14 mais belas


… estações de caminhos de ferro do mundo, segundo Travel + Leisure.
A de Maputo é uma delas (obviamente…) e a de S.Bento, no Porto, também figura na lista, juntamente com doze outras que merecem ser vistas.

Pelo menos uma ausência absolutamente imperdoável: Kioto!

A UDP foi ouvida?!


Não sei se ainda há correntes dentro do Bloco mas, se sim, trinta e tal anos depois uma delas bem pode cantar vitória e marcar pontos: finalmente, parece que os ricos querem mesmo pagar a crise.

Depois de Warren Buffet, chegou a vez de dezasseis milionários franceses lançarem um apelo onde se lê que esperam «poder ajudar a preservar» o sistema francês e o ambiente europeu a que estão ligados, através de uma «contribuição excepcional» a favor «dos contribuintes franceses mais desfavorecidos».

Há uma coisa (ou várias…) que me escapa quanto aos contornos desta iniciativa, sobretudo quando leio, à cabeça da notícia tal como ela é dada no site do Nouvel Observateur (jornal que divulgou o apelo e que publicará o texto na íntegra depois de amanhã) «que esta medida deve fazer parte do plano que o primeiro-ministro, François Fillon, apresentará na 4ª feira para garantir objectivos de controlo das finanças públicas». Manobra de antecipação da parte destes 16 magníficos, excelentes marketeeers que certamente são? Apoio expresso e público a Sarkozy, às medidas que defende e o que o seu governo vai propor? Ou apenas civismo e filantropia???...

(Notícia no Público.)
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Booklovers

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(Via Luís Januário no Facebook)
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Com Utoya no horizonte

@Paulete Matos

Quando se completou agora o mês que se seguiu aos terríveis acontecimentos na Noruega, mostraram-nos cerimónias, flores, declarações de quem regressou por umas horas à ilha do massacre. Passou para segundo plano, desapareceu nos bastidores (nos nossos meios de comunicação social, nem isso…) toda a problemática que está em causa, sem a reflexão profunda que se impõe. Com algumas excepções, como é o caso de um excelente texto de Mariano Aguirre, que dirige o Norwegian Peacebuilding Resource Centre, en Oslo, publicado ontem em El País: «Los discursos del ódio».

A ler na íntegra, aqui apenas alguns excertos.

«Cómo construir un consenso nacional y europeo sobre el cambio social que supone la presencia de inmigrantes y refugiados? ¿Se avecinan tiempos de confrontación interna? (…)

Las distorsiones y mentiras sobre las supuestas ventajas que los inmigrantes obtienen frente a las poblaciones locales (…), la exagerada vinculación de la inmigración con criminalidad y desempleo, y la agitación sobre la transformación, y hasta extinción, de una identidad local siempre idealizada debido a la presencia de extranjeros con religiones, costumbres y colores de piel diferentes, son irresponsables y pueden promover actos criminales. (…)

La ultraderecha europea tiene en la diana a las sociedades multiculturales. Su mensaje violento es que la identidad cultural y religiosa de Europa corre el riesgo de verse destruida por la diversidad y la pluralidad; que los europeos serán minoría en una futura Eurabia; que los Gobiernos son cómplices o no responden con suficiente fuerza y que, por lo tanto, hay que actuar con determinación. Como respuesta, diversos gobernantes se movilizan: la canciller Angela Merkel y el primer ministro David Cameron anuncian la muerte del multiculturalismo, tratando de complacer a posibles votantes que sufren el miedo a las transformaciones.

Algunos políticos saben que es más sencillo acusar al inmigrante musulmán o al refugiado negro de los cambios sociales y la crisis que explicar el impacto de la economía neoliberal, la especulación financiera, y la globalización de la producción y el consumo sobre las sociedades. Al acusar "al otro", al "diferente", movilizan un nacionalismo primario, y evitan el debate público sobre la convivencia entre la sociedad local y las diferentes comunidades de inmigrantes. El diálogo es sustituido, en el mejor de los casos, por "tolerar" a los otros, y en el peor, por tratar de que dejen de venir, limitar sus derechos, o expulsarlos.»
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Encantos da tecnologia

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(Via Virgílio Vargas no Facebook)
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22.8.11

Distúrbios londrinos e não só


Não sou necessariamente discípula entusiasta de tudo o que Slavoj Žižek escreve ou diz, mas reconheço que me é quase sempre útil lê-lo. Foi o caso com este artigo – Shoplifters of the World Unite –, publicado há três dias em London Review of Books.

(Traduzido para português aqui.)

«Há uma velha história sobre um operário suspeito de roubo: todas as tardes, ao sair da fábrica, o carrinho-de-mão que ele empurra é cuidadosamente revistado. Os guardas nada encontram; o carrinho está sempre limpo. Até que a ficha cai: o operário roubava um carrinho-de-mão por dia. Os guardas não viam a mais visível verdade, exactamente como os jornalistas e especialistas e autoridades que comentaram os tumultos de rua. Dizem-nos que a desintegração dos regimes comunistas no início dos anos 1990s marcou o fim da ideologia: o tempo dos projectos ideológicos em grande escala que culminaram em catástrofe totalitária está acabado; teríamos entrado numa nova era de política racional, pragmática. Se o lugar-comum de que vivemos numa era pós-ideológica é correcto, em algum sentido, pode-se ver nas recentes explosões de violência. Foi protesto de grau zero, acção violenta sem demandas. Em sua tentativa desesperada para encontrar algum sentido nos tumultos, sociólogos e jornalistas deixaram passar sem qualquer registo o enigma que os tumultos nos impuseram. (…)

A verdade é que o conflito aconteceu entre dois pólos de oprimidos: os que tiveram sucesso e conseguiram operar dentro do sistema versus os frustrados demais para continuar tentando. A violência dos agitadores foi dirigida quase exclusivamente contra seus respectivos grupos. Os carros queimados e as lojas saqueadas não foram queimados e saqueadas em bairros ricos, mas nos próprios bairros onde vivem os incendiadores e saqueadores. Não há conflito entre diferentes partes da sociedade; o conflito é, no seu aspecto mais radical, entre sociedade e sociedade, entre os que têm tudo e os que nada têm, a perder; os que nada apostaram na própria comunidade e os que fizeram as mais altas apostas.»
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Escrito nas estrelas


«Ponhamos, portanto, reformas e salários de miséria de molho. Não tardará que o Governo "liderado pelo PSD" venha buscar o que resta do subsídio de Natal ou aumente outra vez os transportes ou o IVA da electricidade e do gás, pois o Carnaval orçamental madeirense precisa de "liquidez" e, com crise ou sem crise, "the show must go on".»

Manuel António Pina
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Kadhafi- rebobinar

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Entrevista dada após o golpe de estado de 1 de Setembro de 1969.
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Só até um certo ponto

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Via Manuela Silva em A Areia dos Dias.
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21.8.11

Praga, há 43 anos


20 / 21 de Agosto de 1968, o fim da Primavera de Praga.



A ver também este vídeo de Josef Koudelka, o autor das fotografias do extraordinário livro «Invasion Prague 68», publicado em 2008, por ocasião do 40º aniversário da invasão.
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Where have all the flowers gone

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Policarpo laranja


A CGTP e a UGT reagiram a declarações feitas ontem por José Policarpo, em Madrid, a propósito da situação portuguesa. O cardeal disse exactamente o seguinte - e eu ouvi (aqui, a partir do minuto 33):

«Está a fazer-me muita confusão ver, neste anúncio das medidas difíceis que até nos foram impostas por quem nos emprestou dinheiro, grupos que estão a fazer reivindicações grupais, de classe. Não gosto, não gosto.»

Perfeitamente sintonizado com o discurso de Passos Coelho no Pontal, cá por mim, assim que aterrar em Lisboa, pode dirigir-se à S. Caetano à Lapa, preencher a ficha, benzer as instalações e arranjar por lá um gabinete. Nada contra, antes pelo contrário. E será certamente muito bem recebido.

P.S. - Declarações ainda mais completas na notícia da Agência Ecclesia, que até refere, explicitamente, os sindicatos.

Adenda - Quem tiver conta no Facebook, e tiver acesso ao meu mural, não perderá se der uma vista de olhos aos comentários a este post (40, à hora a que escrevo, 19:00).
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20.8.11

Janela para a utopia

@Paulete Matos

Ela está no horizonte – disse Fernando Birri. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. Ando dez passos e o horizonte foge para dez passos mais longe. Por muito que eu caminhe, nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso mesmo: para caminhar.

Eduardo Galeano
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Hora para balanço

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Kim Jong-il: regresso ao futuro


chegou à Rússia, deve ter medo de andar de avião (ou é mais fácil blindar uma carruagem do que um aeroplano), mas ficou-se pela Sibéria (acho bem) que sempre é mais perto de casa e a mais de 5.000 kms de Moscovo.

Em Ulan-Ude, poderá ver a enorme estátua da cabeça de Lenine e talvez ainda não esbarre com McDonalds ao virar de cada esquina. Mas bem pode ir pensando no futuro porque este não anda para trás. Mesmo que o presente não seja brilhante.

Janela para o medo


A fome almoça medo. O medo do silêncio atordoa as ruas. O medo ameaça.
Se amas, terás sida.
Se fumas, terás cancro.
Se respiras, terás contágio.
Se bebes, terás acidentes.
Se comes, terás colesterol.
Se falas, terás desemprego.
Se caminhas, terás violência.
Se pensas, terás angústia.
Se duvidas, terás loucura.
Se sentes, terás solidão.

Eduardo Galeano
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19.8.11

Decididamente, numa de efemérides

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Hoje é o Dia Mundial da Fotografia.




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A Mercedes en su vuelo



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O golpe de Agosto


Sobre a tentativa de golpe de Estado na União Soviética, em 19 de Agosto de 1991, leia-se um conjunto de textos - para todos os gostos e muitos paladares…

- No Der Spiegel (a não perder):

- Do PCP, com data de ontem:

- De Miguel Portas, hoje no Facebook:

Ao cair do pano
Há 20 anos o sector mais conservador do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) tentou um golpe de Estado contra o seu secretário-geral e presidente do país, Michail Gorbatchev. A operação, dirigida pelo vice-presidente, pelo Ministro da Defesa e por altos responsáveis da polícia politica (KGB), teve contornos de farsa. Foi tão mal gizada que Gorbachev foi informado da sua preparação pelo presidente dos EUA e, não acreditando na aventura, estava de férias quando tudo se passou. A 19 de Agosto os golpistas anunciaram que Gorbachev tinha sido afastado por “motivos de saúde”, mas não houve repressão nem detenções e o “plano”, se existia, dispensara a tomada militar de posições estratégicas... Menos de 24 horas depois era óbvio que a operação se saldara num estrondoso fracasso. O vencedor do conflito estava na rua com os moscovitas que se mobilizaram em defesa das liberdades recentemente adquiridas com a Perestroika. Era tão bêbado quanto ambicioso. É Boris Ieltsin que, a 22 de Agosto, ilegaliza o PCUS. A União Soviética dissolve-se em Dezembro desse ano. No seu amadorismo e desespero, os golpistas tinham acabado de acelerar uma história que já só podia acabar mal. Eles são bem a caricatura do fim de um regime que acabou por levar consigo o homem e as forças que tinham, in extremis, procurado renovar o socialismo. Não houve fins felizes.

Paradoxalmente, em Portugal, as consequências destes acontecimentos longínquos foram marcantes à esquerda. O apoio da direcção do PCP aos golpistas desencadeia uma cadeia de acontecimentos que viria a acelerar os movimentos de recomposição na esquerda portuguesa. Com efeito, foi esse apoio que levou à convocação, pela primeira vez na história daquele partido, de uma assembleia pública de comunistas à revelia das instâncias partidárias. Nunca se tinha visto tal afronta ao “centralismo democrático” no PCP. Os “críticos” tinham produzido documentos e criado uma associação que envolvia não comunistas. Mas nunca tinham arriscado uma infracção frontal aos Estatutos. Em pleno mês de férias, mobilizaram-se 200 militantes. Porque se realizavam eleições um mês depois, Álvaro Cunhal deixou os inevitáveis procedimentos disciplinares para Outubro, mês em que são expulsos os membros mesa da reunião. Foi a dualidade de critérios patente na decisão – uns expulsos, todos os outros inocentados – que me levou a sair do partido onde militara durante 18 anos. Tinha estado na decisão, tinha estado na assembleia e só não fora expulso porque ficara na plateia...

A custo, o PCP sobreviveu à sua crise. Quanto aos críticos, seguiram caminhos diversos. Alguns acabaram por ficar no PCP. Outros, os mais conhecidos, aderiram ao PS. E outros ainda, em regra mais jovens e inquietos, fizeram a travessia que os levaria, anos mais tarde, ao Bloco de Esquerda.
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Garcia Lorca

Federico García Lorca conta-se entre as primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Foi assassinado pelo seu alinhamento político com os Republicanos e por ser declaradamente homossexual: com apenas 38 anos, fuzilado em Agosto de 1936, entre os dias 17 e 19. Há 75 anos, portanto.




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18.8.11

Prosas para o tempo que passa (4)


Adenda: «A pátria, meus filhos, é a senhora Merkel e o senhor Sarkozy.»
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A entrevista a Jacques Delors

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«L’euro comme l’Europe sont au bord du gouffre», que todos os jornais hoje referem, é longa e está AQUI na íntegra.
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Do antimulticulturalismo

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«Se porventura o multiculturalismo falhou, então o antimulticulturalismo nem chegou a estar perto de acertar.»

Não vi frase mais certeira sobre a questão que tantas opiniões faz correr, sobretudo desde os recentes acontecimentos na Noruega. É da crónica de Rui Tavares no Público de ontem, que está aqui na íntegra.
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Diz-me onde moras

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Recebi hoje por mail este texto de Miguel Esteves Cardoso, que tem mais de dois anos mas que merece ser conhecido ou relido. Uma delícia!

«Um dos grandes problemas da sociedade portuguesa é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu.

Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia! Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide. Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço. Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam.

Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alfornelos, Murtosa, Angeja, ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola. Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. Ao ler os nomes de alguns sítios - Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na CEE.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?

Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses. Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).

E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas? É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra". Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir. Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro). É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").

Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa. Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima!!!

Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros. Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (*) (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).

(*) Bogadouro é o Mogadouro quando se está constipado!!!»
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Saber de experiência feito

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(Via Jorge Conceição no Facebook)
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17.8.11

E ao 3º dia…

E o FMI deixa comprar as cabras?


Ignora-se se Assunção Cristas arranjará o dinheiro que Sócrates não terá conseguido para encher de cabras uns terrenos baldios, tanto quanto percebo nos distritos de Bragança e da Guarda.

Os simpáticos animais – 150.000 entre portugueses e espanhóis – pré-«combateriam» incêndios comendo ervas, forneceriam leite e alimentariam indústrias de derivados do mesmo, ocupariam cerca de 9.000 km2, criariam mais de 500 postos de trabalho. 

MAS… só dariam lucro no sexto ano de actividade e, nos tempos que vão correndo, seis anos são mais do que uma eternidade. Prever como estaremos em 2017 deve ser quase tão difícil como acertar na chave do Euromilhões.

Assim sendo, para o mês que vem já haverá cabras-bombeiras em Espanha, em Portugal não sabemos. Delirante poderá ser um possível discurso em que Vítor Gaspar explique por que razão não será feita essa despesa colossal.
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Se não foi para Humanidades por ter horror à Matemática


… vá hoje à página de abertura do Google e clique na imagem. Ou então leia isto e isto. Nem só de paleio vive o género humano…
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