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20.8.11

Janela para a utopia

@Paulete Matos

Ela está no horizonte – disse Fernando Birri. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. Ando dez passos e o horizonte foge para dez passos mais longe. Por muito que eu caminhe, nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso mesmo: para caminhar.

Eduardo Galeano
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Hora para balanço

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Kim Jong-il: regresso ao futuro


chegou à Rússia, deve ter medo de andar de avião (ou é mais fácil blindar uma carruagem do que um aeroplano), mas ficou-se pela Sibéria (acho bem) que sempre é mais perto de casa e a mais de 5.000 kms de Moscovo.

Em Ulan-Ude, poderá ver a enorme estátua da cabeça de Lenine e talvez ainda não esbarre com McDonalds ao virar de cada esquina. Mas bem pode ir pensando no futuro porque este não anda para trás. Mesmo que o presente não seja brilhante.

Janela para o medo


A fome almoça medo. O medo do silêncio atordoa as ruas. O medo ameaça.
Se amas, terás sida.
Se fumas, terás cancro.
Se respiras, terás contágio.
Se bebes, terás acidentes.
Se comes, terás colesterol.
Se falas, terás desemprego.
Se caminhas, terás violência.
Se pensas, terás angústia.
Se duvidas, terás loucura.
Se sentes, terás solidão.

Eduardo Galeano
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19.8.11

Decididamente, numa de efemérides

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Hoje é o Dia Mundial da Fotografia.




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A Mercedes en su vuelo



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O golpe de Agosto


Sobre a tentativa de golpe de Estado na União Soviética, em 19 de Agosto de 1991, leia-se um conjunto de textos - para todos os gostos e muitos paladares…

- No Der Spiegel (a não perder):

- Do PCP, com data de ontem:

- De Miguel Portas, hoje no Facebook:

Ao cair do pano
Há 20 anos o sector mais conservador do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) tentou um golpe de Estado contra o seu secretário-geral e presidente do país, Michail Gorbatchev. A operação, dirigida pelo vice-presidente, pelo Ministro da Defesa e por altos responsáveis da polícia politica (KGB), teve contornos de farsa. Foi tão mal gizada que Gorbachev foi informado da sua preparação pelo presidente dos EUA e, não acreditando na aventura, estava de férias quando tudo se passou. A 19 de Agosto os golpistas anunciaram que Gorbachev tinha sido afastado por “motivos de saúde”, mas não houve repressão nem detenções e o “plano”, se existia, dispensara a tomada militar de posições estratégicas... Menos de 24 horas depois era óbvio que a operação se saldara num estrondoso fracasso. O vencedor do conflito estava na rua com os moscovitas que se mobilizaram em defesa das liberdades recentemente adquiridas com a Perestroika. Era tão bêbado quanto ambicioso. É Boris Ieltsin que, a 22 de Agosto, ilegaliza o PCUS. A União Soviética dissolve-se em Dezembro desse ano. No seu amadorismo e desespero, os golpistas tinham acabado de acelerar uma história que já só podia acabar mal. Eles são bem a caricatura do fim de um regime que acabou por levar consigo o homem e as forças que tinham, in extremis, procurado renovar o socialismo. Não houve fins felizes.

Paradoxalmente, em Portugal, as consequências destes acontecimentos longínquos foram marcantes à esquerda. O apoio da direcção do PCP aos golpistas desencadeia uma cadeia de acontecimentos que viria a acelerar os movimentos de recomposição na esquerda portuguesa. Com efeito, foi esse apoio que levou à convocação, pela primeira vez na história daquele partido, de uma assembleia pública de comunistas à revelia das instâncias partidárias. Nunca se tinha visto tal afronta ao “centralismo democrático” no PCP. Os “críticos” tinham produzido documentos e criado uma associação que envolvia não comunistas. Mas nunca tinham arriscado uma infracção frontal aos Estatutos. Em pleno mês de férias, mobilizaram-se 200 militantes. Porque se realizavam eleições um mês depois, Álvaro Cunhal deixou os inevitáveis procedimentos disciplinares para Outubro, mês em que são expulsos os membros mesa da reunião. Foi a dualidade de critérios patente na decisão – uns expulsos, todos os outros inocentados – que me levou a sair do partido onde militara durante 18 anos. Tinha estado na decisão, tinha estado na assembleia e só não fora expulso porque ficara na plateia...

A custo, o PCP sobreviveu à sua crise. Quanto aos críticos, seguiram caminhos diversos. Alguns acabaram por ficar no PCP. Outros, os mais conhecidos, aderiram ao PS. E outros ainda, em regra mais jovens e inquietos, fizeram a travessia que os levaria, anos mais tarde, ao Bloco de Esquerda.
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Garcia Lorca

Federico García Lorca conta-se entre as primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Foi assassinado pelo seu alinhamento político com os Republicanos e por ser declaradamente homossexual: com apenas 38 anos, fuzilado em Agosto de 1936, entre os dias 17 e 19. Há 75 anos, portanto.




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18.8.11

Prosas para o tempo que passa (4)


Adenda: «A pátria, meus filhos, é a senhora Merkel e o senhor Sarkozy.»
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A entrevista a Jacques Delors

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«L’euro comme l’Europe sont au bord du gouffre», que todos os jornais hoje referem, é longa e está AQUI na íntegra.
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Do antimulticulturalismo

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«Se porventura o multiculturalismo falhou, então o antimulticulturalismo nem chegou a estar perto de acertar.»

Não vi frase mais certeira sobre a questão que tantas opiniões faz correr, sobretudo desde os recentes acontecimentos na Noruega. É da crónica de Rui Tavares no Público de ontem, que está aqui na íntegra.
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Diz-me onde moras

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Recebi hoje por mail este texto de Miguel Esteves Cardoso, que tem mais de dois anos mas que merece ser conhecido ou relido. Uma delícia!

«Um dos grandes problemas da sociedade portuguesa é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu.

Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia! Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide. Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço. Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam.

Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alfornelos, Murtosa, Angeja, ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola. Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. Ao ler os nomes de alguns sítios - Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na CEE.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?

Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses. Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).

E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas? É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra". Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir. Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro). É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").

Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa. Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima!!!

Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros. Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (*) (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).

(*) Bogadouro é o Mogadouro quando se está constipado!!!»
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Saber de experiência feito

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(Via Jorge Conceição no Facebook)
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17.8.11

E ao 3º dia…

E o FMI deixa comprar as cabras?


Ignora-se se Assunção Cristas arranjará o dinheiro que Sócrates não terá conseguido para encher de cabras uns terrenos baldios, tanto quanto percebo nos distritos de Bragança e da Guarda.

Os simpáticos animais – 150.000 entre portugueses e espanhóis – pré-«combateriam» incêndios comendo ervas, forneceriam leite e alimentariam indústrias de derivados do mesmo, ocupariam cerca de 9.000 km2, criariam mais de 500 postos de trabalho. 

MAS… só dariam lucro no sexto ano de actividade e, nos tempos que vão correndo, seis anos são mais do que uma eternidade. Prever como estaremos em 2017 deve ser quase tão difícil como acertar na chave do Euromilhões.

Assim sendo, para o mês que vem já haverá cabras-bombeiras em Espanha, em Portugal não sabemos. Delirante poderá ser um possível discurso em que Vítor Gaspar explique por que razão não será feita essa despesa colossal.
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Se não foi para Humanidades por ter horror à Matemática


… vá hoje à página de abertura do Google e clique na imagem. Ou então leia isto e isto. Nem só de paleio vive o género humano…
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Crises do Capitalismo

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«O capitalismo nunca resolve os seus problemas de crise, apenas os move geograficamente.»
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Sem democracia, não obrigado(s)


Sobre a notícia do dia de ontem, leia-se e releia-se este texto de José M. Castro Caldas:

Governação económica europeia, sem democracia, não obrigado

Suponho que em círculos influentes com epicentro na Alemanha as ‘coisas’ estejam a evoluir na direcção do “eurobonds talvez se existir ‘governação económica europeia’”. Faz sentido. Dívida (parcialmente) partilhada, política orçamental igualmente partilhada. Mas… a questão não termina aí.

O que é fundamental é saber quem governa? Sábios ‘independentes’, na realidade dependentes de quem tem mais poder, como os governadores do BCE? Ou pessoas eleitas e amovíveis, responsabilizáveis perante todos os eleitores europeus?

O que temos pela frente não é pois uma bifurcação do tipo “governação económica europeia ou então colapso da Zona Euro” mas antes “governação democrática da Europa ou então colapso da União Europeia”.
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16.8.11

Dantes era assim (13)


E não eram solares.
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UK: isto não vai acabar bem


(1)- Cameron ameaça tirar habitação social a quem participou nas desordens da semana passada.

(2)- Um estudante de 23 anos foi condenado a seis meses de prisão por ter roubado, de um supermercado, garrafas de água no valor de 3.50 libras (3,98€).

(3) Cameron pondera bloquear redes sociais em épocas de distúrbios.

(4)- As pessoas que participaram dos distúrbios no Reino Unido, e que foram processadas mas não sujeitas a penas de prisão, deverão limpar as áreas que destruíram. «O Ministério da Justiça recomendará aos juízes que decretem este tipo de punição para que os participantes dos distúrbios enfrentem as comunidades que danificaram.» Para serem linchados?
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O laicismo chegou aos touros

«Consertação»?


Passos Coelho disse, no Pontal, que deseja para este país um caminho de «concertação e de diálogo», escreveram os jornais.

Julgo que caíram num erro de transcrição. Por mais irrealista que seja, PPC não pode esperar que nos concertemos com ele. Dedique-se a consertar os disparates que for fazendo e já ficaremos gratos: arranje, componha, remedeie e atamanque. 

Ah! E se puder fazer uns discursos mais curtinhos, também apreciamos.
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Blogosfera da boa


A Helena Araújo, que vive em Berlim, está a publicar, nos 2 Dedos de Conversa, uma completíssima «reportagem» sobre o cinquentenário do início da construção do Muro (18 posts, até ao momento!). Para ler e para ver.
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15.8.11

Antes que o dia acabe

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Alguém acredita que Bento 16 vá condenar a ditadura franquista?


Por ocasião da próxima visita do papa a Madrid, a «Asociación para la Recuperación de la Memoria Histórica» pede à Igreja, em carta dirigida aos bispos espanhóis, que a visita papal seja marcada pelo gesto simbólico de condenação da ditadura franquista.

«Dada la cercana relación de la institución religiosa con los militares sublevados contra el gobierno de la República el 18 de julio de 1936, la asociación de víctimas considera la vista papal una "buena oportunidad" para que la jerarquía eclesiástica española "asuma con madurez y responsabilidad las consecuencias de su apoyo a la dictadura y su colaboración en la constitución de un régimen que causó enormes daños a miles de ciudadanos".

"La iglesia trabajó con los golpistas en la guerra; ayudó localmente a planificar la represión" (…) "La Iglesia católica fue uno de los grandes pilares del régimen y muchos de sus miembros miraron para otro lado cuando, en la retaguardia, los pistoleros de falange asesinaban a decenas de miles de civiles".

La visita de Ratzinger es una "oportunidad inmejorable" para rechazar el "colaboracionismo franquista, condenarlo y reparar, en la medida de lo posible, el terrible daño que la dictadura causó a millones de personas".»

Dadas as posições de Rouco Varela e seus amigos, e de um papa «em cruzada contra o laicismo», é altamente improvável (só para não dizer impossível) que o pedido expresso nesta carta seja atendido, ou mesmo lido... Mas fica registado para a história – como ficará, certamente, o silêncio com que será acolhido. E isso é importante: outros dias virão e justiça será feita.

(Fonte)
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Vem-nos à memória uma música batida

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….mas ela foi cantada assim, há exactamente 42 anos, no encerramento do primeiro dia do Festival de Woodstock.


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Cuba, para além de um casamento exótico


Correu mundo e tem todos os ingredientes para ser notícia de sucesso: não é todos os dias que uma transexual se casa com um gay, ex-seminarista e seropositivo, com Yoani Sánchez por madrinha, exibindo-se nas ruas de Havana num magnífico carro dos anos 50, no dia em que Fidel fez 85 anos.

Mas talvez valha a pena parar um pouco e ler o que Yoani Sánchez escreveu e divulgou no seu blogue. Nada foi trivial, com talvez o seja para os nossos olhos, apenas curiosos e mais ou menos blasés.

«¿Cómo fue que los cubanos nos volvimos pacatos y anticuados? ¿Por qué motivos –o intenciones– nos quedamos fuera del siglo veintiuno?
Al “daño antropológico” de ser una sociedad apenas conectada a las nuevas redes de comunicación, de poseer una pobre cultura política y una inexperiencia casi infantil en cuestiones de expresión ciudadana, hay que agregarle la poca evolución en aceptar las diferencias que hemos tenido en los últimos cincuenta años. Pero siempre existen individuos que obligan a que una nación apriete el paso, se suba las enaguas y corra para treparse al tren de la historia. (…)
Por una tarde, por una breve tarde, [Wendy e Ignacio] han colocado a nuestro país en el tercer milenio, en el anhelado tiempo del “ahora”».

Sobretudo, leia-se esta belíssima «participação / convite» para o casamento:

La boda de Wendy e Ignacio será el próximo sábado 13 de agosto de 2011 a las 15:00 horas en el Palacio de matrimonio del barrio de la Víbora, en las Calles Maia Rodríguez y Patrocinio, teléfono +5376407004

Están invitados todos aquellos que quieran ir: amigos, conocidos, curiosos del barrio, estigmatizados y discriminados de todo tipo, paparazzis oficiales, fotógrafos por cuentapropia, bloggers, periodistas independientes, trabajadores del CENESEX –Mariela Castro incluida– prensa extranjera y nacional, homosexuales, gays, lesbianas, transexuales y heterosexuales. Tendrá las puertas abiertas también aquella gente que cree que ya es tiempo de que Cuba se abra a la modernidad y que la modernidad se abra a Cuba, incluso –¿por qué no?– quienes votarían, en un parlamento de verdad, en contra de este tipo de uniones. En fin, que sería una buena ocasión para que los tolerantes y los intolerantes, los policías políticos y sus perseguidos de cada día, los silenciosos y los que aplauden, los que se apegan a la letra del Evangelio o los que no tienen un credo, presencien este momento al que llegan Wendy e Ignacio después de superar innumerables obstáculos, entre ellos el de haber nacido en un país aferrado al pasado.
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14.8.11

Dantes era assim (12)


E não estava online.
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Dia da padeira


Conta a história ou a lenda, e para o caso pouco importa, que foi num 14 de Agosto que a nossa mais célebre padeira - grande, feia e com seis dedos em cada mão -, pegou em armas e se juntou às tropas portuguesas que se fartaram de matar castelhanos. Veio a casa, despachou mais sete que encontrou escondidos no forno e fez-se de novo à estrada.

Bem podia regressar agora, já não por causa de anexações por nuestros hermanos, poor piigs como nós, mas para correr à pazada troikanos e seus capatazes, bem piores que o conde Andeiro e que já nos levaram a tal soberania!

Tantos séculos para chegarmos a isto…
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Recenseamentos


No Sri Lanka, termina hoje o primeiro recenseamento de elefantes, em que terão estado envolvidas cerca de 3.500 pessoas.

Alguns temem que o objectivo seja pôr um maior número destes magníficos animais sagrados em cativeiro e as reacções dos defensores da vida selvagem não se fizeram esperar, sobretudo depois de um ministro ter declarado que alguns daqueles animais, mais jovens e mais fortes, poderão ser doados a templos.

Cada canto deste mundo com o seus problemas e as suas reivindicações, mas quem passou pelo Sri Lanka certamente que não estranha estes…



(Fonte)
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Equilíbrio instável


No Correio de Amanhã de ontem, um texto interessante de José Medeiros Ferreira.

«Os acontecimentos dos últimos dias atingiram o universo anglo-saxão, que andamos a tentar copiar há cerca de 20 anos – na educação, na economia, e até nos costumes políticos. Percebe-se: a primeira fase da globalização teve o seu selo. Ronald Reagan e Margaret That-cher levaram o neoliberalismo ao rubro quando tudo parecia funcionar bem, da ajuda aos taliban no Afeganistão ao desmantelamento da força sindical em Inglaterra. Duas décadas depois, os recursos de Washington esvaem-se em guerras de usura e as ruas de Londres são invadidas por tumultos sem política nem objectivos sociais. (…)

O neoliberalismo levou à anarquia. Os actos criminosos praticados nas ruas de Inglaterra serão em parte castigados e a ordem restabelecida. Mas o aviso sobre o barril de pólvora em que se sentam as grandes cidades está dado. Para a Inglaterra e não só.

Porém, o que mais marcou o futuro da política internacional foi o passo dado pela Standard & Poor’s ao degradar o triplo A da dívida dos EUA para AA+. Um pequeno passo para a agência mas uma grande passada para uma nova fase da globalização... (…)

O que a Standard & Poor’s revelou foi a completa privatização da globalização financeira.»

Na íntegra, aqui.
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