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31.10.11

E a China aqui tão perto

«Occupy» e «Tea Party» – dois movimentos simétricos


A extensão e a rapidez com que «We are the 99%!» se espalhou, nos Estados Unidos, estará a contribuir para uma importante mudança no cenário político americano. 

Para além do cansaço e do desespero perante a crise e as desigualdades sociais, o movimento tem certamente como uma das suas principais raízes a desilusão e o desencantamento face às expectativas criadas pela eleição de Obama, em 2008. Se nem ele foi capaz de mudar significativamente a realidade, de cumprir promessas que terá feito com a maior das boas vontades, se não conseguiu impor a sua autoridade aos mercados financeiros e aos lobbies, quem o fará? O povo – responde a «rua».

«We are the 99%!» contrapõe-se ao posicionamento do «Tea Party», bem acantonado na direita conservadora, mas, apesar de tudo, acusado pelos Republicanos mais tradicionais de afastar eleitores e de pôr assim em risco uma possível vitória em 2012. Se «Occupy» acaba por ter um efeito paralelo para os Democratas, então é bem provável que os dois partidos se «radicalizem».

Viremos a assistir a «uma verdadeira revolução do sistema representativo americano, tradicionalmente caracterizado por um bipartidarismo bastante “mole”», «sem uma ideologia interna muito coerente e radical»? «Empurrando cada um dos dois partidos para lados políticos opostos, Occupy e Tea Party vão poder contribuir para redefinir o jogo político americano».

Veremos, em 2012, um partido democrata socialista face a um partido republicano conservador?

(A partir daqui.)
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Já está! Mas, contra factos, há novos argumentos

Catastroïka

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Vem aí, depois de Debtocracy:



The creators of Debtocracy, a documentary with two million views broadcasted from Japan to Latin America, analyze the shifting of state assets to private hands. They travel round the world gathering data on privatization in developed countries and search for clues on the day after Greece’s massive privatization program.

Ver o site.
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30.10.11

Pergunta para Álvaro Santos Pereira


«Ao afirmar que o salário mínimo nacional só pode aumentar com o aumento da produtividade, tem noção de que está a interpelar-se a si próprio, pois é responsável por uma política que diminui recessivamente a produção? E que essa contracção afecta o que há de mais essencial na produtividade, a criação de riqueza? Ou pretende alcançar a produtividade por pura aritmética, isto é, por um aumento de desemprego ainda mais grave do que a recessão do produto?»

José Reis, professor de Economia da Universidade de Coimbra (Público, 30/10/2011, sem link)

Citações do dia (11)




«Se os governantes entenderem que a situação de emergência nacional justifica tomar medidas que a actual Constituição impede, o que têm que fazer é chamar o líder do PS de quem são tão amigos e mudar a Constituição com os votos do PS, PSD e CDS. Como já se viu quando de revisões constitucionais extraordinárias a pretexto dos tratados europeus, tal pode ser feito muito depressa, haja vontade das partes. Não penso que mudar a Constituição para a moldar às necessidades do momento seja muito saudável, mas é certamente mais saudável do que estar a actuar à sua revelia.»
José Pacheco Pereira, O Tribunal Constitucional continua em funções?

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«É verdade que o papel a desempenhar pelo PS nunca seria fácil. Entalado entre os últimos seis anos de governação, que António José Seguro renega, e o acordo de assistência financeira negociado pelo seu partido, o espaço para fazer oposição seria sempre reduzido. Mas o Governo fez-lhe um enorme favor e escancarou-lhe a porta de saída: optou por ir politicamente muito para lá dos acordos com a troika e fez escolhas em sede de orçamento, no mínimo, discutíveis. E o que faz o PS? Rigorosamente nada. E se não consegue construir uma alternativa face às opções radicais do Governo, ou estamos perante um caso de incompetência total, ou então, no fundo, concorda com as opções da maioria, apesar dos remoques e da retórica apatetada. Pode muito bem ser isso, pode ser que o caminho escolhido pelo PSD e CDS seja também o do actual PS e, nesse caso, em razão desse consenso, está na prática a disponibilizar-se para aderir à coligação.»
Pedro Marques Lopes, 'Quo vadis' PS?

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«Com um ano e meio de atraso, foi finalmente reconhecida a necessidade de reestruturar a dívida grega. Várias vozes se juntaram para entoar: “foi uma grande perda para os credores”. É bem verdade que os credores irão ganhar muito menos do que previam, mas ganhar menos não é bem sinónimo de perda. Recuemos ao passado. Alguém contestou os lucros abusivos destes mesmos credores quando cobravam taxas de juro agiotas e iam ganhando às custas do desespero de muitos? Avancemos para o futuro. Alguém está a contestar o outro lado desta decisão? Não, pelo contrario, foi aplaudida, e é bom lembrar que outro lado é esse. Os mesmos credores que perdem nos lucros previstos, beneficiarão das medidas adoptadas para a recapitalização da banca. Traduzido por miúdos, os bancos livram-se dos produtos tóxicos ao mesmo tempo que ganham dinheiro fresco. »
Marisa Matias, Uma mão cheia de nada
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Já agora...

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«O casamento entre capitalismo e democracia acabou»?

@Gui Castro Felga

Uma entrevista a Slavoj Žižek, a ser ouvida na íntegra, goste-se muito, pouco ou nada do controverso pensador esloveno. Nada optimista, mas concluindo que «estamos a viver e a aproximarmos de tempos muito interessantes»: «o campo está aberto».

«Penso hoje que o mundo está a pedir uma alternativa. Gostaremos nós de viver num mundo em que a única existente seja escolher entre o neoliberalismo anglo-saxão e o capitalismo sino-singapureano com valores asiáticos?

Julgo que, se nada fizermos, nos aproximaremos de um novo tipo de sociedade autoritária. É aqui que vejo a importância do que está a acontecer hoje na China: se até agora havia bons argumentos para o capitalismo, mais tarde ou mais cedo chegaram exigências de democracia…

O que temo é que, com este capitalismo com valores asiáticos, venhamos a ter um capitalismo muito mais eficiente e dinâmico do que o nosso, ocidental. Mas não partilho a esperança dos meus amigos liberais - dêem-lhe dez anos e haverá uma nova Tiananmen Square . Não: o casamento entre capitalismo e democracia acabou.»



(Daqui, encontrado via artigo 58)

Ler também: Slavoj Žižek: “Nosso inimigo é a ilusão democrática”
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29.10.11

Tarrafal – 29 de Outubro de 1936


Há 75 anos, chegaram os primeiros 153 deportados à Colónia Penal do Tarrafal, o «Campo da Morte Lenta».

Edmundo Pedro, então com 17 anos foi um deles. É um dos dois últimos sobreviventes portugueses e recorda agora a sua experiência.



Mais informação aqui.
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Do desnorte, quando os banqueiros já falam de Lenine


«Lenine deve estar a divertir-se no seu túmulo.» - Fernando Ulrich, em discordância com as decisões de Bruxelas para o sistema financeiro.

«Apesar de estarmos em Portugal a ser governados por um Governo de centro-direita, com um Presidente da mesma área, mais parece que seguimos um caminho próximo das orientações comunistas», situação que «se estende à União Europeia que, com raras excepções, também tem à frente governos de direita».

Público de hoje, sem link.
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Para quem quiser ouvir-nos


(Via Mário Marzagão no Facebook)
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Hoje, esta capa assustadora


Os mais pessimistas previam que a Espanha pudesse vir a atingir 5 milhões de desempregados mas só em 2012, nunca já. Mais exactamente, os registos agora revelados incluem o máximo histórico em termos de número de pessoas (4.978.300 pessoas) e a maior taxa desde o início da crise: 21,5%.

Há 1,43 milhões de lares com todos os membros desempregados e, no universo dos jovens com menos de 25 anos, a percentagem dos que não têm trabalho sobe para 45,8%.

Pura e simplesmente assustador.

(Fonte)

P.S. – Esperemos (com maior ou menor convicção…) não estar a caminho de um cenário semelhante.
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28.10.11

E tudo o vento levou...

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Citações do dia (10)




«O acordo alcançado esta madrugada pelos líderes da zona euro vai de encontro às piores expectativas. (…)
Naquilo que é estrutural nesta crise, ou seja, os desequilíbrios externos dentro da zona euro e a necessidade de uma estratégia de crescimento económico articulada, nada é dito ou feito. Esta não é uma crise da dívida pública. Esta é uma crise do euro.»
Nuno Teles, Péssimo acordo

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«Os títulos da dívida grega valiam virtualmente zero. O que a UE ontem fez foi assegurar aos seus detentores metade do seu valor nominal. Alguma coisa é melhor que nada. Mais uma vez, o socorro aos credores foi disfarçado de auxílio aos devedores.»
João Pinto e Castro, Uma história mal contada

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«A sentença lavrada esta semana na cimeira de Bruxelas - que os bancos estão obrigados a uma rápida recapitalização que os ponha a salvo de impactos sísmicos à escala de todo o sistema - é um capítulo novo nesta novela em que o vilão exige que o tratem como herói. (…)
Só um tão geral esquecimento de como foi que chegámos aqui permite que o primeiro-ministro diga ao País, sem que isso cause escândalo social, que "só vamos sair da crise empobrecendo". Passos Coelho afecta milhares de milhões de euros dos nossos impostos, dos nossos salários, dos cortes nos nossos serviços de educação ou da saúde, ao buraco sem fundo do BPN e é a nós que diz que temos de empobrecer se queremos sair da crise.»
José Manuel Pureza, A revisão da história

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«Cortes de despesa, perdão da dívida à Grécia, aumento das reservas de capital dos bancos e um maior FEEF são intervenções que se supõe instilar confiança na capacidade de crédito da Europa. Se isso vai resultar, é duvidoso. É provável que cada uma dessas medidas aumente ainda a desconfiança.
Porque, com o corte da dívida, os políticos evidenciam estar a rever a sua posição anterior de que os programas radicais de austeridade estariam mesmo a funcionar. A recapitalização dos bancos contradiz a garantia anterior de que o sistema bancário tinha robustez suficiente. Ao autorizar o FEEF a apoiar os bancos, estão a abandonar a afirmação de que a tal recapitalização seria suficiente para os proteger contra a crise.»
Stephan Kaufmann, O falso resgate do euro
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Turista 2.0


Quem comigo viaja diz que o 4º Mandamento foi escrito a pensar a mim. E eu confirmo…

Los Diez Mandamientos del turista moderno (llamado turista 2.0)

Un grupo de arqueólogos andorranos acaba de encontrar en unas excavaciones en el Mar Muerto la tableta Ipad de un tal Moisés. El disco duro estaba muy dañado pero han logrado descifrar este archivo .docx que está revolucionando lo que hasta ahora sabíamos de la industria turística:

Asunto: los Diez Mandamientos del turista 2.0
De: Dios
Para: moises@gmail.com Cc: curro@halconviajes.net

1. No adorarás a las guías de papel ni a ídolos extraños; te bajarás todo lo que necesitas gratis a tu Iphone.
2. Santificarás los comentarios de otros viajeros en Facebook.
3. Encenderás tu móvil tan pronto una rueda del avión toque tierra (el mundo no puede aguantar más sin tener noticias tuyas).
4. Al llegar a un hotel, antes que el precio o la disponibilidad de minibar, preguntarás con ansiedad, ¿hay wi-fi?
5. No maldecirás la letra pequeña de las web de Ryanair o de Easyjet (al fin y al cabo, viajas gracias a ellas).
6. Tuitearás al menos una foto cada dos horas.
7. Olvidarás la cartera o el pasaporte, pero nunca cometerás la imprudencia de dejarte el cargador del móvil.
8. Evitarás los pensamientos impuros y los lugares sin cobertura.
9. No escribirás falsos testimonios ni mentiras en los comentarios de Tripadvisor, Booking, etc.
10. No hurtarás el tiempo a las redes sociales con banalidades como disfrutar de un atardecer en silencio o hablar con la gente local.

Todos estos mandamientos se resumen en uno solo: durante el viaje amarás a tus cuentas de Twitter y de Facebook por encima de todas las cosas y a Mark Zuckerberg como a ti mismo.

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Subsídios de Natal e de férias: quando o «ele há países» se sobrepõe à lei


O texto completo do Decreto-Lei nº 496/80 está aqui, mas é este o Artigo que interessa.

Corria o ano da graça de 1980, Ramalho Eanes era presidente da República, Sá Carneiro primeiro-ministro e Cavaco Silva ministro das Finanças. Não consta que este DL tenha sido revogado (*). Who cares!


(*) O DL foi entretanto «rectificado» por outros mas, tanto quanto julgo saber, não neste Artigo específico.
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Ide e lede

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Violências por Zé Neves

«A questão essencial não é saber quem é a favor ou contra a violência política, mas de que tipo, de que formas, de que modos de violência estamos a falar. (…)
Se há semanas atrás um jornalista se condoía com o sofrimento e a dor dos vidros partidos de uma montra de Londres, ontem um seu colega comprazia-se excitado com o assassinato bárbaro de um homem odioso como Kadhafi. Falemos então de violências e não de violência.»
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27.10.11

Cataratas

b.
video

Das grandes que vi: Niagara? Vitória? Iguaçu é que é!
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Um pacto suicida


Quem o diz é um prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz: «A austeridade implantada na Europa e nos Estados Unidos é um pacto de suicídio para as nossas economias.»

«“La única manera por la que podemos restablecer el crecimiento económico es mediante la estimulación de la economia”(…)

Stiglitz se mostró molesto ante el pensamiento general de que la recuperación económica será un proceso lento y doloroso. "No tenemos que pasar por ese proceso lento, y eso es lo que me molesta". (…)

"Grecia no dispone de poder pero Estados Unidos y Alemania, y otra serie de países tienen un margen considerable para estimular su economía y es absolutamente imprescindible que lo hagan", reiteró.
Posteriormente (…) Stiglitz reconoció que ha habido una fijación en la crisis de deuda griega no porque la economía helena sea de vital importancia para la UE, sino porque sus problemas han puesto de manifiesto "defectos básicos" en el diseño de la zona euro , que carece de un mecanismo para implantar grandes ajustes económicos.»
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O «Comércio Justo»


Contributo de Jorge Pires da Conceição.

O Comércio justo (Fair Trade em inglês) é um dos pilares da sustentabilidade económica e ecológica (ou econológica, como vem sendo chamada no Brasil).

Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional (sobretudo nas relações Norte-Sul, mas também em apoio dos produtores marginalizados nos países do Norte) que busca o estabelecimento de preços justos, bem como padrões sociais e ambientais equilibrados, nas produtivas.

Ou, como é definido pela News! (a rede europeia de lojas de comércio justo) "é uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. O comércio justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. Sua missão é promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".

Informação mais ampla e detalhada pode ser lida aqui e no sítio do CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral), nos textos das páginas "Comércio e Desenvolvimento" e "Comércio e Desenvolvimento/Comércio Justo".

O CIDAC, pioneiro da introdução em Portugal do conceito de comércio justo (em 1998) e actividades decorrentes, irá criar em Lisboa a título experimental a sua primeira loja antes do final do corrente ano de 2011. Localizar-se-á perto do Fórum Picoas e prevê-se que esteja aberta ao público de 2ª feira a Sábado, previsivelmente em período vespertino. Serão necessários voluntários que possam preencher pelo menos um turno de funcionamento de três horas, que se identifiquem com o conceito de "comércio justo" e que estejam sensibilizados a referências como desenvolvimento, sustentabilidade, ecologia, agricultura biológica, ambiente, etc. Era importante ter-se uma lista de pessoas interessadas em participar voluntariamente neste projecto, até ao final do corrente mês de Outubro. Podem ser enviados os contactos dos interessados para o endereço de email deste blogue ou directamente para o CIDAC.

O Comércio Justo (CJ) rege-se por um conjunto de princípios, reconhecidos de forma geral por todas as entidades envolvidas no movimento mas com algumas diferenças na sua formulação. Estes princípios, que se podem dividir em 12 pontos, são:

Copy / Paste sem tirar nem pôr

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Daqui.

Inevitável

O Chanceler alemão Otto von Bismarck dizia que a política é a arte do possível (Politik ist die Kunst des Möglichen). Os nossos governantes resolveram, porém, adoptar uma nova versão: a de que a política é a arte do inevitável. Efectivamente, a única coisa que o Primeiro-Ministro diz é que as medidas são inevitáveis e que não se pode tomar outras. Isto independentemente da injustiça brutal que as caracteriza e que toda a gente reconhece e até mesmo da sua total inconstitucionalidade. Por outro lado os outros órgãos de soberania aceitam a inevitabilidade e deixam o Governo prosseguir alegremente neste caminho, parecendo às vezes que vive noutro mundo, como sucedeu quando Vítor Gaspar afirmou que os sacrifícios do orçamento vão atingir toda a sociedade portuguesa por forma igual. O triste espectáculo que tem sido dado pelos nossos políticos aos cidadãos atingiu o absurdo na reunião do Conselho de Estado, que conseguiu estar reunido seis horas para emitir um comunicado que não diz absolutamente nada.

Portugal vai continuar assim tristemente por este caminho, que o Primeiro-Ministro já assumiu que visava o empobrecimento colectivo, e que o mesmo era necessário. Enquanto Deng Xiao-Ping sustentava que enriquecer é glorioso, Passos Coelho entende que a verdadeira glória está no empobrecimento. Assim sendo, já vejo que o resultado inevitável destas medidas não é que Portugal se transforme na Grécia. É que se transforme na Coreia do Norte.
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26.10.11

Esta grande senhora faria hoje 100 anos


Mahalia Jackson nasceu em 26 de Outubro de 1911, gravou o primeiro disco com 26 anos, acumulou sucessos no mundo inteiro ao longo de décadas.

Cantou quando John Kennedy foi eleito presidente em 1961 e na inesquecível «Marcha sobre Washington», em 1963, depois do célebre discurso de Martin Luther King I have a dream!. Mais tarde, em 1968, cantou também no seu enterro.






Entre todas as canções por que passou, a mais «batida» de todas, mas com selo de garantia para sempre:



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Comentários para quê

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A reacção de Hilary Clinton à notícia sobre a  morte de Kadafi...


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Num banco perto de si


Banco Invest, Rua Barata Salgueiro, Lisboa

(Via Daniel Oliveira no Facebook)

Citações do dia (9)




«Na verdade, tudo era mais fácil ali [no Egipto] do que numa democracia. Ali queriam conquistá-la. Aqui, temos de cuidar dela. Ali só havia esperança. Aqui há desencanto. Ali o inimigo tinha um nome. Aqui nem se sabe bem quem ele é. Mas num e noutro caso, nenhum poder corrupto sobrevive sem a demissão do seu povo. Acham que a nossa democracia foi capturada? Libertem-na! Não é preciso ficar à espera que apareça um salvador. Ele não existe.»
Daniel Oliveira, A revolta contra as "mordomias dos políticos"

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«A la tierra le duele el capitalismo. Al menos su versión actual, en la que ha decidido que todo es susceptible de ser empaquetado como activo y enviado a los mercados financieros. Nada es ajeno a la fiebre de las plusvalías. Incluso las tierras de labor, vitales para la condición humana, están sufriendo enorme presión. En los últimos tres años, entre 60 y 80 millones de hectáreas (una superficie similar a la mitad de Francia) han cambiado de manos. Incluso hay quienes, como la firma independiente Global Land Project, sitúan esta cifra solo para África en 63 millones. Por si no bastara, el Banco Mundial revela que, en 2010, los inversores extranjeros “han expresado su interés” en 56 millones de hectáreas de tierra de cultivo en todo el mundo. E Intermón Oxfam habla de 67 millones confirmadas. Pues uno de los problemas es “la falta de transparencia. Ya que se ocultan datos e informes”, avisa Lourdes Benavides, responsable de Justicia Económica de esta ONG.
Es imposible que este acoso no tenga consecuencias. La primera es una deslocalización agraria, como antes hubo una industrial y otra del sector servicios. Medio mundo se ha lanzado a comprar tierras fuera de su país de origen.»
Miguel Ángel García Vega, Pelea por nuevas tierras

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«Na discussão que eclodiu aquando do início da intervenção na Líbia já se percebera que o mundo é mesmo um sítio complicado, sem habitat para certezas de mármore. Agora, milhares de cadáveres depois, só não mudou a incapacidade de muitos de compreender isso.»

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«La Grèce est malade. Le nombre de dépressions augmente, comme celui des suicides, alors que le pays a longtemps été fier d'être la lanterne rouge européenne en ce domaine. Une sorte de déprime collective, née dans ce tunnel de la récession qui n'en finit pas.
Les manifestants réguliers ou occasionnels, les candidats au départ vers l'Australie ou d'autres horizons moins lointains, témoignent tous de ce malaise : "Il n'y a pas d'avenir en Grèce ."»
Grèce: "Nous devenons une colonie" de Bruxelles
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25.10.11

Ontem, no Parlamento Europeu

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Como se fôssemos as tais crianças de 4 anos

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A Líbia, ainda


Regresso ao tema que, sem surpresa, está a siar da boca de cena, enterrado que está um cadáver algures nas areias de um deserto. E regresso porque Manuel António Pina vem hoje reforçar as reacções que tive desde as primeiras horas.

«E que dizer da "satisfação" pela horrorosa morte infligida ao ditador manifestada por governos que ainda há pouco o sabujavam e lhe iam comer à mão (como agora farão com os novos senhores de Trípoli) na mira de uns dólares ou um contrato petrolífero? Quantos desses governos não foram eleitoralmente financiados com o dinheiro sujo de Khadafi ou - como o britânico, que não hesitou em libertar o autor do atentado de Lockerbie, que vitimou centenas de inocentes, em nome dos negócios da BP - teriam motivos para temer o que o ditador pudesse revelar se viesse a ser sujeito a julgamento?»

Entretanto, para o que aí vem, um conselho de leitura: La Libye, un pays «fondamentalement conservateur et tribal»

P.S. - Fica o texto de MAP na íntegra já que, por motivos incompreensíveis e que julguei entretanto ultrapassados mas que não o estão, o link de hoje para ao JN deixará de funcionar amanhã…

Citações do dia (8)




«A situação económica na Grécia é tão incerta que o país deverá necessitar de 252 mil milhões de euros até ao final da década, um valor que mais do que duplica os 109 mil milhões originalmente acordados com a troika. Na pior das hipóteses, poderá mesmo ser necessário emprestar 440 mil milhões à Grécia, mais do que o actualmente disponível no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.
Estes valores constam da última avalização financeira realizada pela Comissão Europeia e FMI, um documento “confidencial” entretanto divulgado pelo Financial Times, e onde se pode ler que “a situação na Grécia deu uma guinada para pior” e que os “desenvolvimentos recentes exigem uma reavaliação”.»

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«Se o CNT quisesse fazer a diferença, Kadhafi teria sido poupado, para responder em Haia. Mas aqueles que deixaram o povo líbio lançar-se num processo de somalização, queriam tudo menos que o monstro de Tripoli ficasse vivo para contar as suas hediondas histórias.»
Viriato Soromenho-Marques, Richelieu no deserto

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«Charia». Le mot a été prononcé par le président du Conseil national de transition Moustapha Abdeljalil, ce week-end. Selon lui, le gouvernement transitoire qui va être mis en place agira selon les règles de la loi islamique. (…)
Selon le président du CNT, qui a cité plusieurs exemples, la loi qui, actuellement, interdit la polygamie et autorise le divorce, ne sera ainsi plus en vigueur. Des banques islamiques, un modèle de gestion qui interdit notamment l'usure, vont également être ouvertes. (…)
Evidemment, les déclarations sur le divorce et la polygamie ont suscité l'inquiétude. La France et l'Union européenne ont appelé ce lundi au respect des droits de l'Homme. (…) La présidente de la Fédération internationale des droits de l'homme, Souhayr Belhassen, interrogée par l'AFP, estimme elle «qu'incontestablement» cela lui «inspire une inquiétude à l'égard de ce qu'il faut appeler clairement des menaces de régression. Les Libyens et les Libyennes doivent faire preuve de vigilance. Il n'y a pas eu des milliers de morts pour qu'aujourd'hui il y ait un retour en arrière à l'iranienne».
Charia, le mot fait peur. Dans l'imaginaire occidentale, il renvoie aux Talibans, à l'Afghanistan, l'Arabie Saoudite et Ben Laden, donc à l'obscurantisme, à l'opposé des lumières démocratiques.
Quenton Girard, La Libye, un pays «fondamentalement conservateur et tribal»
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24.10.11

Se ninguém se lembra…


… é bom recordar que foi num 24 de Outubro que aconteceu a conquista de Lisboa aos mouros, no ano da graça de 1147.

Isso pensamos nós: lá para cima, não sei exactamente a partir de onde (será do Mondego?), ainda se diz que não, que são eles / nós, os mouros, que por aqui continuamos a vegetar. Nos tempos que vão correndo, é melhor não desmentir porque ainda pode vir a dar muito jeito…
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Agora os ursos?


O quarto da pequena Giulia deve estar cheia deles. E eu que julgava que já nem se ofereciam peluches a bebés por serem eventuais portadores de múltiplas razões para terríveis alergias, mas adiante.

Em França, uma associação protectora do urso nos Pirinéus ofereceu um simpático exemplar à filha de Sarkozy, para lembrar ao pai a promessa de largar mais um bicho na belíssima região de Béarn. Desejou tudo o que há de melhor para a criança, esperando que possa ter um dia «a felicidade de observar ursos livres nas montanhas de França».

Mais enigmática é a decisão de Angela Merkel comprar um Teddy Bear para Giulia. Onde é que a senhora quererá ver ursos?! Ainda se tivesse oferecido este porquinho de porcelana…
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Nós e a Líbia


Daniel Oliveira publicou hoje, no Expresso, o que considero um texto «definitivo» sobre as relações entre o chamado Ocidente civilizado e um desgraçado país em espectáculo (é a palavra exacta…) a que todos assistimos nos últimos tempos: «Kadhafi, um ditador amigo».

Parece-me que há muitos que param na alegria de ver um ditador justa ou justificadamente assassinado. Não é o meu caso. Mesmo que quisesse – e não quero – não seria capaz.

«A revolta líbia, por ter apanhado desprevenidos muitos líderes ocidentais, é um dos melhores retratos da hipocrisia ocidental. Em poucas semanas foram tantos a dar cambalhotas que até se sentiu o enjoo aqui em baixo.

Kadhafi foi, ao longo do seu regime de terror, apadrinhado por demasiada gente para haver estadistas que se possam dar ao luxo de falar do que agora se passou sem sentir vergonha. Pelo menos desta vez tiveram mesmo de se retrair na propaganda que mascara a ganância com a luta pela liberdade e pela democracia. Corajosos? Só mesmo os líbios. Aqueles de que tão pouca gente se lembrou nos últimos quarenta anos.
Nenhum governo ficou indignado com a forma como o seu ex-amigo foi assassinado? 

Claro que não. Querem é que todos se esqueçam dele o mais depressa possível. Porque se nos esquecermos dele também nos esquecemos de quem o ajudou. Por cá, ficou uma prova da nossa cumplicidade: mais de mil milhões roubados aos líbios numa conta do nosso banco público.»

Na íntegra AQUI.
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Algures em Ponta Delgada


(Via Pedro Górgia no facebook)
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23.10.11

Brigadas Internacionais – 75 anos


A Espanha celebrou ontem o 75º aniversário da criação das Brigadas Internacionais. Durante a Guerra Civil, estas integraram 35.000 voluntários estrangeiros (os números nem sempre coincidem, há quem refira mais de 40.000), de 53 países, dos quais 9.000 foram mortos os presos. Hoje, são apenas vinte os sobreviventes.

«"Aún hoy sigue vivo el ¡No pasarán!”. La exclamación se oyó vigorosa de la boca de David Lomon, aun con sus casi 93 años. El público prorrumpió en un aplauso interminable. Los puños subieron a lo alto. El bramido del “¡No pasarán!” se repitió, se hizo cada vez más fuerte hasta anegar la explanada.»





(Fonte)
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Interprete as diferenças

Oct. 24, 2011
Oct. 31, 2011

É muito frequente a revista TIME ter capas diferentes na edição para os Estados Unidos (aqui à esquerda) e nas três outras: Europa, Ásia e Pacífico Sul (à direita). Por vezes interessante…
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Citações do dia (7)


«Os defensores oficiosos do primeiro-ministro apenas referem como atenuante a "coragem" das medidas, atributo comum a todos os governos nas suas primícias orçamentais. Porque a principal característica deste orçamento é o facto de ele ser o primeiro deste governo que assim já prepara o último. Desde tempos imemoriais que as legislaturas se iniciam pelo exercício da ferocidade do primeiro-ministro para terminarem pelo descontrolo das contas públicas. Não é só fatalismo, também é táctica política, e da pior. (…)
O ministro da Economia, um mal-amado do sistema, acrescentou à meia hora diária no mundo fabril a caça laboriosa aos feriados, concordatários ou civis, tanto faz. Num país de turismo interno em época baixa, ele quer encostar às boxes quer o Carnaval quer a Sexta-feira Santa. Alguns membros da Igreja Católica, desde que não paguem mais impostos, estão disponíveis para dar um jeitinho no dia da Imaculada Conceição. Para a troca lá se vai o primeiro de Dezembro ou o 5 de Outubro, se não for o 25 de Abril ou o primeiro de Maio. Tudo muito rudimentar. (…)
Um orçamento com pés maioritários para andar mas sem cabeça.»
José Medeiros Ferreira, Principiantes

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«Por que é que o Governo não lança o debate sobre os benefícios para o sistema económico e financeiro do regresso de formas de trabalho escravo? Com o ritmo despudorado com que o poder político está a queimar etapas na persecução do objectivo de baixar o nível das populações europeias, por que não avançar mais rápido ainda e discutir a possibilidade do uso de formas de trabalho não remunerado? Se estão convencidos de que têm força suficiente para fazer regredir a história e o objectivo é retirar os direitos dos trabalhadores e o nível de vida atingido na Europa com o pacto social que adveio à Segunda Guerra Mundial, então por que não avançam ainda mais rápido?»
São José Almeida, Queimar etapas, Público 22/10/2011 (sem link)

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«Manuela Ferreira Leite gosta de brincar com a democracia. Está-lhe na massa do sangue, que se há-de fazer? Sai-lhe é o humor sempre para o mesmo lado: suspender direitos e pôr as liberdades entre parênteses. É humor da velha escola sul-americana, está bem de ver.
Num rasgo de fino recorte, sugeriu há meses que se suspendesse a democracia por uns tempos para assim ser possível pôr em prática uma série de políticas de excepção. (…)
Há dias, a Dra. Ferreira Leite quis brincar outra vez. Desta vez com o Governo. E vai de lhe propor que “durante dois, três anos a educação não seja gratuita, sendo paga por quem pode; durante dois, três anos a saúde não seja gratuita, sendo paga por quem pode". E se o Governo gostou da proposta de brincadeira! É que se há ministros com vontade e com jeito para brincar à destruição dos serviços públicos são Nuno Crato e Paulo Macedo. E assim sempre conseguem que o Ministro Álvaro – que fez, há semanas atrás, humor deste tipo nos transportes – não se fique a rir.»
José Manuel Pureza, Humores
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22.10.11

Se resultar deem o Nobel ao Gaspar


Na íntegra, mais em excelente texto de Nicolau Santos, hoje no Expresso, caderno Economia (sem link, recebido por mail). O realce é meu.

«Até 2013, a generalidade dos trabalhadores portugueses por conta de outrem vai perder entre 40% a 50% do seu rendimento e todos os seus ativos (casas, poupanças, etc.) vão sofrer uma desvalorização da mesma ordem de grandeza. Pergunto: alguém pensa que isto se fará de forma pacífica? Alguém pensa que o bom povo português aceitará mansamente este roubo? Alguém pensa que assistiremos bovinamente a este assalto? Repito: entre 2011 e 2013, o Governo toma medidas que lhe permitirão confiscar metade do que ganhamos hoje. É deste brutal esbulho que falamos e que está ao nível de decisões idênticas tomadas por governos da América Latina nos anos 80. É isto que está por trás da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2012 e das decisões que o Governo já tomou em 2011. É sobre os escombros resultantes desta violentíssima e muito rápida pauperização da generalidade dos trabalhadores e quadros médios e superiores, públicos e privados, bem como dos reformados e pensionistas, que o ministro das Finanças espera que Portugal triunfe “como economia aberta e competitiva na Europa e no mundo” no final do programa de ajustamento. Faz sentido?

Como é óbvio, só quem ensaia soluções asséticas e perfeitas em laboratório é que pode imaginar que esta história terá um final feliz. O mantra do ministro das Finanças (para conhecer o pensamento de Vítor Gaspar ler o excelente artigo que Pedro Lains publicou no “Jornal de Negócios” de 19 de outubro) é tornar-nos a pequena China da Europa, assente em salários baixíssimos, sem subsídio de férias nem de Natal, relações laborais precarizadas, horários de trabalho flexíveis e menos férias e feriados.

Mas Gaspar quer ir mais longe. E assim a draconiana consolidação orçamental só será eficaz se, como diz, for acompanhada por uma agenda de transformação estrutural da economia portuguesa, nomeadamente um amplo programa de privatizações. O que quer isto dizer? Quer dizer vender ao preço da chuva e ao estrangeiro tudo o que seja empresa pública lucrativa ou participações do Estado em empresas, mesmo que elas constituam monopólios naturais; e não deixar na posse do Estado nem um único centro de decisão. Outros dois componentes fundamentais desta agenda de transformação estrutural são a “flexibilização do mercado de trabalho” (que nos permitirá trabalhar com regras cada vez mais próximas dos chineses) e a reforma do sistema judicial (de que, até agora, ainda não tivemos nenhuma notícia).

O tatcherismo serôdio do ministro das Finanças afirma-se pelo preconceito contra tudo o que é público e pela fezada de que colocando-nos todos a pão e água conseguiremos atingir os grandes equilíbrios macroeconómicos em 2014, partindo daí para uma fase de grande prosperidade. Mas será que o senhor não percebe que os melhores quadros do sector privado vão emigrar logo que puderem? Será que não percebe que os bons (e cada vez mais raros) quadros da Função Pública se passarão para o privado à primeira oportunidade? Não percebe que ninguém investirá um cêntimo a criar novas unidades produtivas em Portugal nos próximos anos (comprar empresas já existentes não acrescenta nada em matéria de emprego e de criação de riqueza, como é óbvio)? Não percebe que os jovens licenciados, muitíssimo bem formados, só pensam em ir trabalhar para o estrangeiro? Não percebe que há muito se passou o limite dos sacrifícios aceitáveis e que, a partir de agora, haverá uma resistência passiva destinada a iludir o fisco? Não percebe que a economia paralela se vai tornar mais pujante do que nunca e que essa é a única via para os portugueses sobreviverem a este esbulho de que estão a ser alvo?

Dir-se-á: mas havia alternativa? Havia desde que se quisesse e lutasse por ela. O programa de ajustamento da Irlanda vai até 2015. Não se percebe porque o nosso não pode ser também estendido no tempo. O défice para 2011 já foi corrigido em alta pela troika.

Porque é que não se luta para que também o de 2012 seja aumentado? Porque é que se quer impor esta insuportável dor social aos portugueses? E na questão do financiamento à economia, porque não se bate o Governo porque haja uma nova tranche (cerca de €20 mil a €30 mil milhões) para que o Governo pague às empresas públicas de transportes e estas aos bancos, que terão assim liquidez para financiar as pequenas e médias empresas?

Mas não. O que Gaspar quer é tornar a economia portuguesa competitiva através de uma violentíssima desvalorização por via salarial, pela maior recessão desde há 37 anos e por quebras do investimento e do consumo que não se verificam desde os anos 80. Se isto der resultado, deem-lhe o Nobel.»
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Este grande senhor faria hoje 90 anos

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Bem podia andar ainda por aí…


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Ministros ou mormons?


«O Governo quer que a Administração Pública seja "contagiada" pelo voluntariado.»
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Auditar - uma palavra a reter

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De mão em mão

- «Cá está a sexta tranche
- «Obrigado!»

(Daqui).

Bem a propósito...
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21.10.11

«Faz da casa uma trincheira» (Padre Mário da Lixa)


O padre Mário tem uma biografia que fala por ele, está activíssimo no Facebook e divulgou hoje este vídeo.


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Citações do dia (6)


«A eleição do dr. Cavaco Silva para Presidente da República foi uma das maiores desgraças que sucederam a Portugal e aos portugueses desde 2006.»
Vasco Pulido Valente, Uma desgraça (Público de hoje, sem link)

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«A direita que nos governa inventou um país de ficção para laboratório dos seus anseios de engenharia social e de experimentação económica. Se depois a realidade for trágica, culpa da realidade. Porque o que os livros que a direita que nos governa lê antecipam é a salvação, a ordem, a força. Tal como Friedman e os Chicago Boys no Chile de Pinochet, o que guia esta direita é uma fezada na recessão redentora (o "ciclo virtuoso", chamou-lhe Vítor Gaspar). (…)
A direita que nos governa está em estado de negação. Recusa-se a aceitar o que já toda a gente percebeu: que a realidade que as suas experiências nos trarão será de contínuo afundamento económico e de apodrecimento social.»
José Manuel Pureza, Laboratório Portugal

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«Derrubar um ditador é bem mais fácil que construir uma democracia, seja árabe ou outra qualquer.
E o desafio a sério para os rebeldes líbios começa após o cadáver de Kadhafi ter sido exibido. Entre um povo farto de ser governado pelos humores de um déspota durante quatro décadas não foi difícil encontrar quem pegasse em armas para importar a Primavera Árabe. (…)
À frente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Jalil é o rosto visível da nova liderança, um homem que surge sorridente a cumprimentar os estrangeiros que têm visitado a Líbia para saudar o derrube do coronel com quem meses antes faziam negócios. Mas Jalil foi ministro da Justiça de Kadhafi, e se a Human Rights Watch elogia a coragem com que criticava a polícia política do regime, há quem recorde que, como juiz, confirmou duas vezes a pena de morte para as enfermeiras búlgaras acusadas de infectar crianças com sida, o que todos sabiam ser mentira.»
Leonídio Paulo Ferreira, Eles só podem ser melhores que Kadhafi
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Assino por baixo

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Miguel Portas, hoje, sobre Europa, Líbia e ETA.


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ETA - «Ganham as urnas, perdem as balas» *


Texto da Declaración de ETA

Euskadi Ta Askatasuna, organización socialista revolucionaria vasca de liberación nacional, desea mediante esta Declaración dar a conocer su decisión:

ETA considera que la Conferencia Internacional celebrada recientemente en Euskal Herria es una iniciativa de gran trascendencia política. La resolución acordada reúne los ingredientes para una solución integral del conflicto y cuenta con el apoyo de amplios sectores de la sociedad vasca y de la comunidad internacional.

En Euskal Herria se está abriendo un nuevo tiempo político. Estamos ante una oportunidad histórica para dar una solución justa y democrática al secular conflicto político. Frente a la violencia y la represión, el diálogo y el acuerdo deben caracterizar el nuevo ciclo. El reconocimiento de Euskal Herria y el respeto a la voluntad popular deben prevalecer sobre la imposición. Ese es el deseo de la mayoría de la ciudadanía vasca.

La lucha de largos años ha creado esta oportunidad. No ha sido un camino fácil. La crudeza de la lucha se ha llevado a muchas compañeras y compañeros para siempre. Otros están sufriendo la cárcel o el exilio. Para ellos y ellas nuestro reconocimiento y más sentido homenaje.

En adelante, el camino tampoco será fácil. Ante la imposición que aún perdura, cada paso, cada logro, será fruto del esfuerzo y de la lucha de la ciudadanía vasca. A lo largo de estos años Euskal Herria ha acumulado la experiencia y fuerza necesaria para afrontar este camino y tiene también la determinación para hacerlo.

Es tiempo de mirar al futuro con esperanza. Es tiempo también de actuar con responsabilidad y valentía.

Por todo ello,

ETA ha decidido el cese definitivo de su actividad armada. ETA hace un llamamiento a los gobiernos de España y Francia para abrir un proceso de diálogo directo que tenga por objetivo la resolución de las consecuencias del conflicto y, así, la superación de la confrontación armada. ETA con esta declaración histórica muestra su compromiso claro, firme y definitivo.

ETA, por último, hace un llamamiento a la sociedad vasca para que se implique en este proceso de soluciones hasta construir un escenario de paz y libertad.

GORA EUSKAL HERRIA ASKATUTA! GORA EUSKAL HERRIA SOZIALISTA!
JO TA KE INDEPENDENTZIA ETA SOZIALISMOA LORTU ARTE!

En Euskal Herria, a 20 de octubre de 2011
Euskadi Ta Askatasuna
E.T.A.



(* Título de um texto de leitura recomendada (entre muitos outros possíveis), publicado em Público.es.)

Ler também: Viaje al fin de la violencia e o dossier de El País.
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Será...

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20.10.11

O que é um plátano?


Vivem no Brasil, há duas semanas vieram à procura do Tio Patinhas, ontem à noite chegaram a este blogue, às dezenas no espaço de uma ou duas horas (e ainda uns tantos durante o dia de hoje), porque queriam saber o que é um plátano.

E terão encontrado a resposta porque há mais de três anos, em tempos de inocência blogosférica, que já lá vão, tive uma transcendente querela com o João Tunes sobre a diferença entre bananas e plátanos (os frutos e não as árvores, claro…).

Expliquei então e confirmo: são mesmo coisas diferentes, o que é sabido na América Latina e só continuo a não perceber por que razão os espanhóis resolveram baralhar as coisas.

Mas o que gostava mesmo de saber hoje é por que é que tantas pessoas se interessaram de repente por este magnífico assunto, do outro lado do Atlântico, em 19 de Outubro deste ano da graça de 2011… Alguém me ajuda? Agradecida.

(P.S. – E se vinham à procura da árvore?...)
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Estamos entendidos?

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Avisos à (nossa) navegação


Na Grécia, regressa-se às terras herdadas de pais e avós para cultivar batatas, couves e fruta. É já a luta pela sobrevivência, num «ambiente que varia entre a ansiedade mitigada, o desespero declarado e um temor geral de que, por muito más que as coisas estejam hoje, amanhã venham a estar ainda piores».

O turismo já diminuiu em muitas regiões, lojas e restaurantes estão vazios, a taxa de desemprego oficial é de 20% (mas há quem aposte que já vai nos 35%), os cortes em salários e reformas são o que se sabe e o novo e temido imposto correspondente ao nosso IMI vai passar a ser cobrado na factura de electricidade (para bom entendedor…)

Etc., etc., etc.

Muito mais neste texto de The Independent. Com os olhos em Naxos.
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Não resta pedra sobre pedra, mas todos querem ser excepção

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Entretanto Assunção Esteves vai querendo tertúlias (indispensável ver o vídeo). Julguei que era notícia do Inimigo Público - juro!
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19.10.11

«O» discurso

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A dívida ou a vida


Disse que falaria com frequência de questões relacionadas com a necessidade de auditar as dívidas dos países e regresso ao assunto com uma entrevista a Eric Toussaint, autor, juntamente com Damien Millet, de La deuda o la vida (Editorial Icaria).

Excertos:

Cree que se ha aprendido algo de las enseñanzas de los 30 años de ajuste estructural en los países, por ejemplo, de América Latina?
Los gobiernos de Europa demuestran que no quieren sacar lecciones de los 30 años de neoliberalismo en América Latina. Desde la Comisión Europea (CE) a los gobiernos nacionales, y por supuesto, el Gobierno del Estado español, se implementan políticas de ajuste, de reducción del gasto público, que deprimen la demanda global y generan un crecimiento reducido o simplemente recesión. Incluso Alemania, que había logrado sacar ventaja de la situación porque había logrado tener un superávit comercial con los países de la periferia europea (Grecia, Portugal, España), ha entrado ahora en dificultades económicas. Toda Europa está implementando el mismo tipo de política y los modelos basados en lograr crecimiento a través de exportaciones no funcionan, más que nada porque todos hacen lo mismo. He estado cinco veces en América Latina y varios altos representantes de diferentes gobiernos me han preguntado: “¿Cómo es posible que los gobiernos de Europa no hayan sacado lecciones de nuestra experiencia y estén empeñados en repetir los mismos errores?”. (…)

Todo esto que cuenta me recuerda a aspectos que vivimos muy de cerca estos días.
Pues sí. Los acuerdos dictados por la troika (CE, FMI y BCE) a Grecia, Portugal e Irlanda son exacamente las medidas que se implementaron en América Latina durante las épocas del mandato de Carlos Menem en Argentina, medidas que desembocaron finalmente en el desastre y la rebelión de 2001, el famoso corralito. Europa está viviendo más o menos la situación de América Latina de la década de los 80 y los 90. La gente empieza ahora a entender el desastre que representa todo esto. Le costó años a América Latina levantar el vuelo. Espero que Europa no atraviese 10 o 15 años de neoliberalismo. Espero que gracias a la conciencia social, a la movilización de la ciudadanía, se va a dar un vuelco para cuestionar la legitimidad de la deuda pública, que aumenta porque se transfiere deuda privada a los gobiernos. (…)

¿Qué alternativas sugiere usted en su libro?

 Es necesaria una solución radical sobre el tema de la deuda pública a través de un proceso de auditoría para identificar la parte ilegítima y repudiarla; eso implica movilización social porque los gobiernos actuales no están para nada convencidos de ese camino.

Na íntegra AQUI.
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Ide e lede

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«Uma carta fora do baralho»

«Afinal, Portugal não é a Grécia. É o Chile. De há 30 anos. Não vamos apenas recuar no rendimento per capita, mas também na História, na integração europeia e, seguramente, na qualidade da democracia.»
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Um gosto moral


Partindo de um texto de Hannah Arendt, Luís Januário fala-nos de um grupo minoritário de judeus polacos de cultura alemã com «o denominador comum oculto» de «sempre se trataram como iguais – sem estender o tratamento a mais ninguém», numa «experiência basicamente simples de um mundo infantil em que se tomavam como pontos assentes o respeito mútuo e a confiança incondicional, uma humanidade universal e um desprezo quase ingénuo pelas convenções sociais e étnicas. O que os membros do grupo de iguais tinham em comum era aquilo a que podemos chamar gosto moral, algo muito diferente dos princípios morais».

E, daí, chega ao 15 de Outubro:

«Por vezes parece-me fácil: quando vejo os manifestantes deste 15 de Outubro, com quem desci uma avenida de Coimbra, por exemplo. Com alguns partilhei a infância. Outros são tão jovens que a trazem ainda consigo. E há na manifestação crianças e polícias barrigudos, mostrando que apesar de tudo se confia na democracia. O pacto social foi rompido há pouco e nas cidades de província ainda não houve tempo para aplicar as novas directivas. Só alguns jornalistas, pedindo sangue, mostram que já perceberam os sinais do tempo. Mas estes ruídos não me distraem da bondade da tarde. Um sol que acaricia, uma cidade deserta, ocupada por gente simples, que ainda não sabe desfilar. Não há agora, nas cidades de província, um lugar que represente o inimigo, onde se possa entregar um protesto ou uma petição. A câmara parece fechada para sempre. A esquadra da polícia perdeu a cor e confunde-se com as ruínas de uma torre que há 70 anos autoimplodiu. O governo civil foi extinto. Os bancos estão fechados e parecem descapitalizados. É como se a cidade tivesse perdido simultaneamente os seus habitantes conformados e o poder culpado. E este fosse um senhor feudal longínquo, que se conhece pela passagem frequente dos cobradores de impostos e uma aparição ritual nas cerimónias laicas. Ficam então estas caras que hoje parecem mais graves e com quem partilho um gosto moral. (…)
Temos de nos reconhecer, trocar sinais e de nos apoiar com abrigos wireless, alimentos, vinho, e iPads da última geração.»

Na íntegra AQUI.

P.S. - Já que o site do «i» está frequentemente offline por razões técnicas, coloco aqui o texto completo:

Atenas

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Em jeito de solidariedade.
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18.10.11

Citações do dia (5)


«A crise que vivemos é particularmente difícil de engolir porque não estamos a fazer sacrifícios em nome de nada. Não estamos a construir nada. Não estamos a investir em nada. Estamos apenas a pagar a agiotas e a repor desfalques.
O mínimo dos mínimos que podemos fazer é evitar que isto se repita. Podemos e devemos gritar na rua. Devemos exigir auditorias, a renegociação da dívida e fazer pressão sobre a União Europeia. Mas não nos podemos esquecer de adoptar uma causa qualquer, por pequena que seja, que garanta que esta indignidade não se repete. Uma das coisas que queremos certamente é transparência nas contas e na acção de quem fiscaliza as contas e responsabilização. Já que temos de pagar, paguemos para ver.»
José Vítor Malheiros, Pagar para ver (Público 18/10/2011, sem link)

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«Na entrevista de ontem, o ministro das finanças Vítor Gaspar fez-me lembrar um jogador de casino. Daqueles jogadores que, em desespero de causa, sentem um impulso súbito, uma espécie de intuição, um feeling. Começando a suspeitar que há qualquer coisa de errado nas perdas que foi somando (ao distribuir metodicamente, por várias jogadas, as fichas de que dispunha e dando assim conta que foi ficando cada vez com menos), decide subitamente apostar tudo, de uma só vez, no mesmo número de sempre. Confiando, portanto, que esse golpe de asa lhe trará o resultado mágico que ambiciona. Esperando que ventos de sorte o bafejem.»
Nuno Serra, Gaspar no casino

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«O único dos "25 mais ricos" que pagará a crise é o mais rico deles, o trabalhador Américo Amorim, que irá esfalfar-se mais meia hora por dia sem remuneração (por isso me pareceu vê-lo, de cartaz na mão, no meio dos "indignados"). Felizmente emprega na sua Corticeira 3 300 outros trabalhadores, que irão dar-lhe 1 650 horas diárias de trabalho gratuito, equivalentes a 206 trabalhadores de borla. Poderá assim despedir 206 dos que não se contentam com ter trabalho e ainda querem salário.»
Manuel António Pina, Não havia novo Governo?
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Banco de Portugal isento? Esta é que não!



Os funcionários públicos são as principais vítimas dos sinistros governantes que temos, eu e a minha entidade patronal confiámos ao Estado balúrdios em descontos e ele falta aos compromissos que comigo assumiu como aposentada (ou lá o que sou…), o governo autoriza os patrões a meia hora diária de trabalho gratuito (sim, a isso chama-se escravatura), etc., etc., etc.

Mas há alguns (e logo eles: Cavaco, Constâncio e multidões de outros) que, Ministro das Finanças dixit, têm «um estatuto especial dada a sua participação no Eurosistema e as garantias de independência estabelecidas nos tratados». Como se as nossas «garantias» estivessem ser respeitadas, como se os tratados europeus ainda fossem respeitáveis!

O Tribunal Constitucional deve ter metido um atestado médico colectivo e a realidade, nua e crua, é que já deixámos de viver num Estado de direito, assumida e descaradamente. E com esta mania de ultrapassarmos as exigências da troika, acabaremos por roubar à Grécia o primeiro lugar no pódio.
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