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30.11.11

Por supuesto (1)

El País
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Svetlana


Svetlana Alliluyeva, filha de Estaline, morreu a semana passada em Wisconsin (EUA). Tinha 85 anos e há muito que adoptara o apelido da mãe – Alliluyeva – para que o seu filho não tivesse o do avô.

Nesta entrevista (1967), explica por que fugiu do seu país e pediu asilo político à embaixada dos Estados Unidos na Índia.


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A polícia que dá pelo nome «de segurança»


A fotografia foi tirada ontem pelo deputado António Filipe, que a disponibilizou no Facebook. Foi este o arsenal montado em S. Bento, para defender a Assembleia da República de uma perigosíssima e «gigantesca» manifestação de estudantes do ensino superior. (Fico, na maior das expectativas, à espera que mudem tudo isto, hoje, para Belém.)

Mais tarde, Guedes da Silva, director Nacional da PSP, fez declarações que merecem ser ouvidas (as imagens dos telejornais revelaram melhor a agressividade da intervenção).

«Nós não andamos com bastões, nem andamos com pistolas, nem andamos com algemas, nem com escudos e etc. para mostrar que temos aquele equipamento.»

É esta uma forma adequada, aceitável, de um responsável superior da polícia se exprimir quando se dirige aos cidadãos que tem como missão proteger? Estamos em presença de quê? Desnorte? Costas quentes?

Entretanto e já agora, faço minhas as palavras de Manuel António Pina:
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Mapamundi (2)

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29.11.11

Velas e navios

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E assim vamos sabendo umas coisas…


Mário Soares, em entrevista ao «i»:

«Nessa altura conversei algumas vezes com o patriarca [António Ribeiro]. Antes do 25 de Novembro estávamos à beira da guerra civil e resolvemos fazer uma grande manifestação na Fonte Luminosa, que foi a maior manifestação de sempre em Portugal. Fui falar com o cardeal, por intermédio da Maria de Lourdes Pintasilgo, que nessa altura estava totalmente comigo. Aliás, esteve quase sempre. Só houve alguma rivalidade quando foi candidata à presidência. Mas deu-me muito jeito, porque teve 7%. Se não fosse isso, talvez não tivesse chegado a número dois. Nessa altura disse a Maria de Lourdes Pintasilgo que precisava de falar com o cardeal. (…) Estivemos uma hora a conversar. Disse: “Senhor cardeal, se nos quer ajudar, tem uma maneira. Diga aos padres da área de Lisboa que no final das missas vão à Fonte Luminosa.” E foram. Uma boa parte da gente que estava na Fonte Luminosa era católica.» (O realce é meu.)
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Ai é?

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Violência policial no dia da greve geral

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As imagens das barreiras derrubadas junto da escadaria da Assembleia da República são conhecidas, o vídeo com a agressão policial na Calçada da Estrela talvez não tenha sido suficientemente visto e revisto.



O ministro da Administração Interna considera que «a Polícia não pecou por excesso», mas, desde então, muitos não desistiram da tarefa de reconstituir a sequência dos factos e os eventuais motivos desta agressão, levada a cabo por polícias à paisana, contra uma pessoa não armada e que nem sequer resistiu. A PSP apressou-se a afirmar que se tratava de um perigosíssimo alemão procurado pela Interpol, o que é totalmente falso (tão perigoso que está em liberdade…)

Pode e deve ser lido aqui um resumo detalhado do que está em causa.

A ler, também, o Comunicado do Grupo de Apoio Legal para o 24N, ontem divulgado.
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28.11.11

Mapamundi (1)

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Já vivi nesse país e não gostei


Um texto de Isabel do Carmo no Público de hoje (sem link):

O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar “verdade”, que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que… Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os “remediados” só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia “mais tenrinho” para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse “a fénico”. Não, não era a “alimentação mediterrânica”, nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de “longa” duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos “balões” (“Olha, hoje houve um ‘ balão’ na Cuf, coitados!”). Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver “como é que elas iam vestidas”.

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a “obra das Mães” e fazia-se anualmente “o berço” nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem- comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Do choque

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O fado, o euro e os dias que aí vêm


O fim-de-semana foi um longo recreio para os portugueses. Depois de um Sábado em que só se falou de futebol e que acabou a arder, no sentido estrito da palavra, veio o Domingo em delírio pela consagração do fado. Nada contra o primeiro, e ainda menos contra o segundo, mas o ataque maciço de televisões e redes sociais, desde que se soube da vitória em Bali, foi quase um suplício e, para meu gosto, roçou o provincianismo.

E, no entanto, iam «caindo» notícias mais ou menos aterradoras.

Desconto dado ao alarmismo tão ao jeito dos semi-europeus de além Mancha, não é todos os dias que se lê que o Foreign and Commonwealth Office enviou instruções às suas embaixadas e consulados na zona euro no sentido de elaborarem planos de contingência para cenários extremos, «including rioting and social unrest». «Diplomats have also been told to prepare to help tens of thousands of British citizens in eurozone countries with the consequences of a financial collapse that would leave them unable to access bank accounts or even withdraw cash.»


Por fim, leio que Wolfgang Münchau terá dito em Lisboa que «se não houver o anúncio de uma solução [no Conselho Europeu de 9 de Dezembro próximo], haverá uma corrida aos bancos em vários países [europeus] num prazo de 24 a 48h (...) Quando começar vai ser tão rápido que a liderança da Zona Euro não vai ter tempo para reagir - e o euro não sobreviverá"»,

É difícil imaginar cenário mais negro. Que não seja sina, nem indício marcado de esperança perdida…
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27.11.11

PIGS “R”US

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… e as bolachas devem ser alemãs.


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Tahrir


Mais um texto de Paulo Moura a não perder, na Pública de hoje (sem link):

«Era uma confiança tremenda, ou uma fantasia, uma presunção, ou uma gabarolice do povo. Digam o que quiserem. E, mesmo que as multidões de Tahrir tivessem o poder real de um exército, poder-se-ia ainda dizer que são uma força inútil, porque não sabem o que querem. Estive lá e confirmo: não fazem a mínima ideia. Mas as revoluções foram sempre feitas por quem não sabe o que quer. Os que sabem chegam depois, para as destruir. (…)

Outros países não têm Tahrir, o que os torna muito mais fracos. Nem podiam ter, é claro. As situações são incomparáveis. O maior desejo que os jovens egípcios ousavam exprimir, no auge do seu martírio, era o de uma democracia capitalista igual à que nos trouxe até à actual crise.

Hoje, só porque há Internet e telemóveis, tudo nos parece global, mas os ideais da Primavera árabe não têm nada a ver com os propósitos do movimento Occupy Wall Street ou os Indignados. Todos sabemos que não há nada em comum. E ao mesmo tempo todos sentimos que há.»


Na íntegra:
Temos sempre Tahrir

Ninguém sabe o que é Tahrir. Mas Tahrir existe. Lembro-me dos dias seguintes à queda de Mubarak. Muitos queriam continuar na praça. Não estavam satisfeitos. O que tinham conseguido era imenso, ainda assim pouco.
Era verdade que tinham fixado como objectivo a queda do ditador. Fora do Egipto, ninguém achava que isso fosse possível. No próprio Egipto, a maioria também não acreditava, a começar pelos que se fingiam mais optimistas. Mas, após muitos muitas manobras, muitas manipulações, Hosni Mubarak acabou por se demitir. Após muitos mortos também.
Foi o problema. Uma coisa são milhares de jovens manifestando-se e festejando numa praça. Tudo o que conseguissem seria um milagre. Outra coisa são esses jovens a morrer. Isso fez o preço subir muito. Uma vitória de Pirro já não seria suficiente. Nem sequer uma conquista simbólica em troca. Agora era preciso ir até ao fim. Mas o que era o fim?

Parabéns!

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Mercados milagreiros


A Standard & Poor’s conseguiu, em poucas horas, o que parecia praticamente impossível: na Bélgica, os partidos chegaram a um acordo sobre o orçamento e estão em negociações para a formação de um novo governo que será anunciado dentro de dias. Ver para crer...

A mudança de classificação de AA+ para AA, com tendência para descer, que aquela agência atribuiu ao país na passada 6ª feira, fez soar todos os alarmes e operou o milagre. O novo executivo integrará seis partidos, envolvendo socialistas, conservadores e liberais, de expressão francesa e neerlandesa.

A Bélgica está sem governo há mais de 530 dias e parece que não será (ainda) desta vez que vai levar com um tecnocrata como primeiro-ministro. Se...

(Fonte)
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26.11.11

Habemus Moretti


«Habemus Papam» é, antes de mais, um magnífico filme sobre a solidão e a hipótese de fuga, também sobre o poder, na recusa de o aceitar, e não nos fala de religião nem de fé apesar do tema e do título. Com uma extraordinária subtileza e um grande sentido de humor, Nanni Moretti dá-nos um papa eleito na pessoa de Michel Piccoli (à beira dos 86 anos…) e representa ele próprio o papel de um psicanalista sequestrado no Vaticano, entre cardeais e guardas suíços.

É fácil encontrar um resumo da história e um dossier que inclui uma entrevista a Moretti, mas muito melhor é não perder o filme.



E nem sequer falta um piscar de olhos a Mercedes Sosa:


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E porque ainda é Sábado

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Há anos que não ouvia isto!


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Dito por aí (2)

@João Abel Manta

«Mas o que transpira no actual discurso governamental é não só indiferença face ao empobrecimento generalizado dos portugueses, como a ideia implícita de que esse empobrecimento é moralmente bom, “purifica”, regenera. Salazar pensava assim, que a pobreza era uma virtude e muitos dos nossos governantes, como acham que tudo o que a mão do estado toca é por natureza impuro, aconselham dieta aos magros, como se a mortificação a que eles presidem fosse um castigo divino executado pela troika e seus mandantes.»
José Pacheco Pereira, O mundo que estamos a criar (4)


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«Quando Vítor Gaspar diz com leveza que afinal a recessão - ou seja o empobrecimento - da nossa economia vai ser mais grave do que ele previa, confessa assim que quem nos governa não tem a mínima noção dos efeitos das suas decisões. Ou melhor, que a tem mas se está basicamente nas tintas para isso. Afinal de contas foi este Governo que nos brindou com esse expoente da novilíngua orwelliana de que é empobrecendo que ficaremos mais ricos.»
José Manuel Pureza, O 'day after'

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«Só a estupidez humana, invencível até para os deuses (Shakespeare), e mais infinita do que o próprio universo (Einstein), é que pode explicar o facto de a Zona Euro estar a combater uma crise sistémica com respostas nacionais, baseadas numa austeridade cega. Se a crise se combatesse com jejum, como é que se explica que até sólidos países, que pertencem ao clube AAA, estão a ver os custos da sua emissão de dívida pública a subir perigosamente: Holanda, Finlândia, Áustria (já nem falar de França)?»
Viriato Soromenho-Marques, Ondas de choque
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É uma campanha portuguesa, com certeza


«Portugal sempre viveu alturas difíceis, mas o Licor Beirão ao longo dos seus 70 anos de história assistiu à forma extraordinária como os portugueses souberam dar à volta aos problemas.»

25.11.11

É para só lembrar que hoje é dia 25 de Novembro (4)

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E para terminar, em jeito de balanço:


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É para só lembrar que hoje é dia 25 de Novembro (3)

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Em 25/11/2009:


Hoje, na Madeira...
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Um grego entre muitos outros


Mais um excelente texto de Paulo Moura (Público, 22/11/2011), divulgado agora no seu blogue: «A vida de um “malakas” na Grécia em crise».

«“Eu sou um ‘malakas’”, diz ele. “Mas sou um bom tipo”. “Malakas”, o calão grego para designar a masturbação masculina, é a alcunha pela qual Tathsis e os amigos gostam de se tratar. Na gíria deles, significa um tipo que não tem nada, mas é de confiança, um companheiro. Um “malakas”. (…) As pessoas inventam formas originais de ajudar. Há por exemplo quem coloque comida boa, em sacos limpos, nos caixotes de lixo, porque sabe que outros lá irão buscá-la”. (…)

“O meu cão… Eu não tive dinheiro para o veterinário, e ele morreu. Ficou doente. Consegui juntar 10 euros para comprar isto”, diz Stathis atirando para cima da mesa uma bisnaga branca. “Não é um medicamento, é apenas um suplemento alimentar. O cão morreu”. E se for ele, Stathis, a ficar doente? “Não fico doente. E se ficar, vivo com o meu problema”, é a sua decisão. (…) “Aquilo aconteceu com o meu cão, e eu fiquei assim, desgostoso”, continua Stathis. “Imagine que eu tinha filhos. Não tenho. Se tivesse, andava com uma pistola nas mãos”. (…)

O abastecimento de água foi cortado há muito, pelo que a zona da casa de banho não tem descrição. Mas a electricidade nunca falta, graças a uma ligação directa feita por um amigo. É possível ouvir música, ver televisão, fazer noitadas a conversar, ou a ler.

Stathis lê Nietshe, Shopenhauer, Marx. O seu livro favorito é “A Sociedade Aberta e os seus Inimigos, de Karl Popper. “Não acredito em tudo o que os filósofos disseram, mas gosto da maneira como pensam. Para mim, são alimento mental, mais importante do que a comida para o estômago. Ajudam-me a compreender a realidade. (…)

À sua maneira, são uma família [os “malakas”]. Estão sempre juntos, são tolerantes uns com os outros, partilham tudo. Apesar das circunstâncias, não parecem infelizes. Stathis Apostolides, homem de cultura e pensamento rigoroso, é mais preciso na caracterização: “Não somos felizes. Somos surrealistas”.»

Na íntegra aqui.
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É para só lembrar que hoje é dia 25 de Novembro (2)


O aparelho de televisão não é o mesmo, a mobília também não, mas as paredes sim: escrevo no mesmo local onde, há 36 anos, vi e ouvi o que abaixo transcrevo. Se, em vez de passar a emissão para o Porto e exibir um filme de Danny Kaye, a RTP tivesse feito um zapping para o futuro para mostrar Miguel Relvas, ontem, a comentar a greve, garanto que eu teria emigrado para Marte.

Texto do improviso dito no Telejornal da RTP, em 25 de Novembro de 1975, por Manuel Duran Clemente (divulgado pelo próprio no Facebook).

«“Infelizmente a RTP não está a ser ouvida em todo o país. Isto acontece porque o emissor da Lousã já está a servir os estúdios do Porto. Há um corte feito por via administrativa e determinado não sei bem por quem!

Relativamente à antena de Monsanto (Lisboa) tivemos notícias de que haveria movimentações dos Comandos (de Jaime Neves) para, no local, ela ser desligada e na sequência ser interrompida a emissão destes estúdios.

Aqui (nos estúdios da RTP/Lumiar) a situação é calma e as forças militares estão perfeitamente dispostas a defender aquilo que é de todos nós, sobretudo do povo trabalhador!

Contrariamente a determinadas insinuações e calúnias, é evidente que não pretendemos a desordem, não pretendemos a falta de autoridade, não pretendemos a indisciplina…nada disso!

Pretender uma sociedade socialista não é querer a sociedade da “tanga” ou uma sociedade de austeridade inconfortável ou da anti-cultura ou de tudo quanto se difunde pejorativamente…

Isso é um completo disparate, propalado por forças de direita (por forças da reacção), com o intuito de impressionar os portugueses… Mais uma vez especular e explorar a falta de consciência política. Enfim, aproveitar o obscurantismo de tantos anos… de tantos anos em que o fascismo manipulou o povo português.

Temos de acabar, de uma vez para sempre, com estas especulações; com esta outra face da exploração, que é mais uma forma de repressão do povo trabalhador português.

Nós queremos, de facto, a ordem democrática, a disciplina consentida, uma disciplina revolucionária, uma autoridade não-repressiva.

É para só lembrar que hoje é dia 25 de Novembro (1)

Não Trabalhar


De um grande texto do Zé Neves:

«À beira do abismo, a hora é mais que certa para começar a construir politicamente uma nova comunidade económica, em que o bem impere sobre a mercadoria, tendo a vontade de não trabalhar como uma das suas condições fundamentais.

Tamanho desafio há mais de um século que foi lançado e nós rapidamente, demasiado rapidamente, eu diria, arrumámo-lo na gaveta das utopias. Sobretudo, acreditámos que a vontade de não trabalhar implicava o fim da economia, quando na verdade implica apenas o fim desta economia em que a democracia serve para tudo menos para formular respostas às questões mais importantes: quem produz, como se produz, para quem se produz, de quem é o olival, o que é a propriedade.»

Na íntegra aqui.
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24.11.11

Pegadas de hoje

Lisboa

Porto

E, quanto a números, José Manuel Pureza no Facebook:
«Vamos então a contas. O Governo apresentou estimativas iniciais de adesão à greve geral de 3,6% (!). E a CIP veio dizer que esta greve traria um prejuízo para o país de 670 milhões de euros. Muito bem, se 3,6% dos portugueses deixaram de produzir riqueza no valor de 670 milhões de euros, então os restantes 96,4% terão produzido 17.941 milhões de euros. Tudo somado, os portugueses produzem cerca de 48.611 milhões de euros de riqueza por dia, ou seja, 17.743.015 milhões de euros por ano. Ora, sendo o PIB português de cerca de 170.000 milhões de euros, sobra uma pergunta evidente: para onde se evaporam os 17.573.015 milhões de euros restantes? Talvez seja melhor começar as contas todas outra vez, não?...»
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Aqui ao lado

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Penn Sardin

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Douarnenez, 1924
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Com a História na mão

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Uma «greve» peculiar

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Via Maria João Pires no Facebook:

«No Facebook da Antena2 "Na Sinfonia do Adeus de Haydn, os músicos vão saindo do palco um a um. A estreia, em 1772, funcionou como um protesto contra màs condições de trabalho. Uma "greve" peculiar. Ver mesmo até ao fim" Igor Gruppman conducts the Mariinsky Theatre Orchestra in Haydn's "Farewell" Symphony, No. 45, 4th mvt.»
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Entretanto no Porto

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Hoje com especial dedicatória

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Do lado certo

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23.11.11

Mário Soares & Friends


Duas senhoras e sete senhores, estranhamente distribuídos etariamente por dois grupos, um de cidadãos de trinta e alguns anos e outro de octogenários e septuagenários e (ou quase…), escreveram o Manifesto do Dia porque não querem que o mundo ignore que eles, nove personalidades importantes que só se representam a si próprias, também se indignam. Confundem a Praça Tahir com o Marquês de Pombal, do pedestal em que se colocam apelam «à participação política e cívica» dos seus compatriotas e à mobilização para… «a construção de um novo paradigma», ou seja para coisíssima nenhuma. Ninguém divulga um texto destes no dia de hoje por acaso e é definitivamente significativo que os seus autores tenham sido incapazes de escrever a palavra «greve» – devia queimar dedos nalguns teclados!

Aliás, num telejornal das 20h, oiço Soares confirmar que o documento não é um apelo à participação na greve: «A palavra não está lá, em parte nenhuma!» (ou algo de equivalente, cito de cor).

P.S. – Entretanto, o ex-Presidente diz que o PS «está em forma» e Carlos Zorrinho afirma que «a generalidade das pessoas que construíram o Partido Socialista se reverão neste manifesto». Tirem-me deste filme…

A ler: Luís Novaes Tito na Barbearia.
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Tudo diferente, tudo parecido

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Daqui a pouco


Austeridade, cortes, desemprego, sacrifícios, direitos perdidos. São as palavras de que se vai fazendo o nosso quotidiano, e todos os dias a fasquia do inadmissível desce mais um bocadinho. Dizem-nos que o nosso desígnio é empobrecer, que o desemprego é uma zona de conforto, que emigrar é a solução — os mesmos que nos dizem há muito tempo que vivemos acima das nossas possibilidades, que a dívida é transparente, e que o suicídio consentido do nosso tecido social e económico é a panaceia que «acalmará» os insaciáveis mercados. Mas que se esquecem sempre de incluir nas contas da inevitabilidade os resgates aos bancos, o dinheiro escondido em paraísos fiscais, a negociata das PPP ou as receitas que o Estado poderia recolher através de uma política fiscal justa e progressiva, que taxasse lucros exorbitantes e grandes fortunas com a mesma voracidade com que aumenta a taxa de IVA na cultura.


Entretanto, a democracia na Europa reduz-se a juntas austeritárias, com o objectivo único de aplicar a sangria da austeridade, e nós vemos, todos os dias e em toda a parte, que essa austeridade é sinónimo de miséria, desemprego, desespero. Dizem-nos também que a Grécia não é aqui, quando é óbvio que ela está cada vez mais perto. E contam com a tua complacência, o teu silêncio, o teu encolher de ombros para que da Grécia chegue apenas o descalabro inevitável, e não o exemplo de resistência. Nós dizemos que inevitável é a resistência, porque dela depende não só o teu emprego, o teu salário, a tua escola, o teu futuro, mas também a própria democracia.

Por tudo isto, no dia 24, fazemos Greve Geral. Trabalhemos com ou sem contrato, com um vínculo menos ou mais precário, na função pública, no comércio, ou com aberrações laborais como bolsas de investigação. E, porque a greve é de todas e todos, não esquecemos que há cada vez mais quem esteja no desemprego, trabalhe num contexto imposto de ilegalização, se tenha reformado, trabalhe por conta própria, estude (ou não possa estudar), ou tenha um contrário tão precário que exclui direitos garantidos na Constituição... e marcamos encontro na rua.


Se te recusas a ser cúmplice duma sociedade em que 1% da riqueza se sobrepõe aos direitos mais básicos de 99% das pessoas, e queres dizê-lo a alto e bom som, vem ter connosco ao Marquês de Pombal, às 14h30, em Lisboa (ou à Praça da Liberdade, às 15h, se estiveres no Porto). Vamos ter com a concentração da União de Sindicatos de Lisboa no Rossio, e seguimos juntos, no meio da diversidade de vozes e experiências que somos, para São Bento. Os frutos da resignação estão à vista, se ainda tinhas dúvidas. Vamos mostrar-lhes que somos a alternativa que eles dizem que não existe?


Pontos de encontro do Portugal Uncut: Lisboa: 14h30, Marquês de Pombal, junto ao DN) / Porto: 15h, Praça da Liberdade.
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Quando os amigos ganham prémios


… anuncia-se: acaba de ser atribuído a Miguel Cardina o Prémio de História Contemporânea Dr. Victor de Sá.
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Porquê «greve»?


A origem da utilização actual do termo está ligada a uma praça parisiense – Place de Grève –, nas margens do Sena, que em Março de 1803 mudou de nome e é hoje a magnífica Place de l’Hôtel-de-Ville.

«Greve» é (também…) «um terreno plano composto de cascalho ou areia à margem do mar ou do rio» (Larousse dixit) e a praça em questão foi local de desembarque de mercadorias que chegavam a Paris através do Sena (madeira, trigo, vinho, feno, etc.), o que fez dela o verdadeiro centro de Paris.

A partir de certa altura, era lá que se reuniam desempregados e trabalhadores insatisfeitos com condições de trabalho «desregularizado» («precários»?…). Daí, a razão de ser do sentido actual do termo, utilizado a partir do final do século XVIII.

Durante a Revolução francesa, a Place de Grève foi também palco para estreia do uso da guilhotina, mas «a multidão, acostumada desde a Idade Média com suplícios mais “refinados”, mostrou-se decepcionada com a rapidez do processo»

Hoje, ninguém pensa em cascalho, nem em guilhotinas, nem no Sena, os francófonos estão em vias de extinção, mas...latinos continuamos. E «grevistas» também.
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Quem fala assim não é gago

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22.11.11

Dito por aí (1)

@João Abel Manta

«Em Portugal, a esquerda doméstica, e domesticada, reuniu-se com os respectivos sindicalistas mas não falou da greve geral. É histórico e a história mais recente está a confirmá-lo: há uma certa esquerda tão formatada pela democracia formal e pelos interesses do poder económico que mal se distingue da direita. Por exemplo, a diferença entre a coligação PSD/CDS no poder em Portugal e a oposição PS de António José Seguro é a distância que vai entre cortar os dois ou só um dos meses na contagem dos salários anuais. No meio da desgraça geral um salário por ano pode aliviar um pouco, mas na substância essa batalha não altera nada.»
João Paulo Guerra, Esquerda

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«Para Portugal, apenas um conselho. O primeiro-ministro deve concentrar-se em impedir que a opinião pública acabe mesmo por acreditar que é Miguel Relvas quem chefia o governo.»
Viriato Soromenho Marques, Uma semana crucial

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«A expressão "navegação à vista" seria apropriada para descrever a presente história trágico-governativa se, nas sucessivas decisões e anúncios de decisões do Governo e nas previsões em que elas se fundam, se vislumbrasse a vaga ideia de um rumo. (…)
Vítor Gaspar é, aliás, o ministro dos desmentidos de serviço. Só ontem desmentiu não só a revisão salarial da função pública anunciada sexta-feira pelo secretário de Estado da Administração Pública e a redução de salários no sector privado anunciada pela "troika" como a sua própria previsão de uma recessão de 2,8% em 2012, anunciada em Outubro, que desmentia, por sua vez, a de 1,8% que anunciara em Agosto. A versão de Novembro é agora de 3%. Aguardemos pela de Dezembro. E ponhamos os coletes de salvação e preparemo-nos para o naufrágio.»
Manuel António Pina, Navegar à vista

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«A semana passada fiquei envergonhado com o orgulho com que os nossos governantes e muitos comentadores políticos anunciaram a, cito, "passagem de Portugal no exame da troika".
Os amanuenses da macroeconomia estavam satisfeitos com a aplicação correcta de medidas financeiras de emergência. (…)
Só espero que, rapidamente, Portugal volte a ser governado por gente sábia, sim, mas em política, não em somas e subtracções de contabilidade de mercearia.»
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À conquista da China


... com pastéis de nata e bifanas, «quinhentos anos depois de Afonso de Albuquerque tomar Malaca, abrindo as portas à expansão do império português no Oriente, e 490 anos depois de Jorge Álvares ter desembarcado em Macau».

Bifanas não sei, mas os pastéis de nata já chegaram a Xangai há alguns anos, como prova a fotografia que lá tirei em 2004. Andávamos nesse momento a tentar exportar vinho e respectivas rolhas, ainda vivíamos no reinado do Figo e os chineses não sabiam quem era Ronaldo e, por cá, Santana Lopes viva os últimos estertores do seu inesquecível governo. Foi há um século.
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De onde vem a dívida pública?

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Em defesa da dignidade, do trabalho e do Estado Social


(Por 128 cientistas sociais)

«O último ano tem sido marcado por uma catadupa de decisões políticas atentatórias das condições de vida dos cidadãos e dos serviços e apoios sociais arduamente conquistados ao longo da história, criando uma situação que é tão mais gravosa quanto ocorre num quadro de progressivo desemprego e recessão económica.

É o caso dos cortes unilaterais nos salários dos trabalhadores do Estado, da apropriação fiscal de grande parte do subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas, do corte dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas que, tal como o aumento do horário laboral no sector privado, estão previstos para o próximo ano, da substancial diminuição do financiamento ao Serviço Nacional de Saúde e à educação pública, ou da restrição do acesso ao subsídio de desemprego e a outras prestações sociais.

No entanto, estas opções políticas não se limitam a agravar as condições de vida dos trabalhadores, pensionistas e suas famílias, fazendo até perigar a própria subsistência de muitos deles em condições minimamente dignas.

Essas decisões são tomadas em nome do reequilíbrio das contas públicas e da necessidade de servir a dívida. No entanto, devido à recessão que já provocam e irão aprofundar, não permitirão sequer atingir esses objectivos. Dessa forma, ao sofrimento imposto a milhões de pessoas e à injustiça na repartição dos custos, vem somar-se a consciência da inutilidade de tais sacrifícios.

Mais ainda, as medidas tomadas no âmbito das políticas de “ajustamento” constituem uma brutal subversão do contrato social que permitiu à Europa libertar-se, após a II Guerra Mundial, da endémica incerteza e insegurança de vida dos seus cidadãos e, com base nisso, assegurar vivências mais dignas, uma maior equidade e níveis de paz social e segurança colectiva sem paralelo na sua história.

Ao subverterem a credibilidade e a segurança jurídica da contratação laboral e sua negociação, ao esvaziarem e restringirem os elementos de Estado Social implementados no país (pondo com isso em causa o acesso dos cidadãos à saúde, à educação e a um grau razoável e expectável de segurança no emprego, na doença, no desemprego e na velhice), essas opções políticas, apresentadas como se de inevitabilidades se tratasse, reforçam as desigualdades e injustiças sociais, abandonam os cidadãos mais directamente atingidos pela crise, e criam as condições para que a dignidade humana, os direitos de cidadania e a segurança colectiva sejam ameaçados pela generalização da incerteza, do desespero e da ausência de alternativas.

Por essas razões, os cientistas sociais signatários reafirmam que os princípios e garantias do Estado Social e da negociação consequente dos termos de trabalho não são luxos apenas viáveis em conjunturas de crescimento económico, mas sim condições básicas da dignidade e da existência colectiva, que se torna ainda mais imprescindível salvaguardar em tempos de crise. São, para além disso, elementos essenciais de qualquer estratégia credível para ultrapassar a crise e relançar o crescimento económico.

Num quadro de fortes limitações orçamentais, esse imperativo societal requer a reversão das crescentes assimetrias na distribuição de riqueza entre capital e trabalho, designadamente através da utilização de uma substancial e mais equitativa tributação dos lucros e mais-valias como fonte do reforço de financiamento dos serviços e prestações sociais.

Sendo as opções governativas em curso (e em particular a proposta de OGE 2012) contrárias a estas necessidades e atentatórias da dignidade humana e da segurança colectiva, os cientistas sociais signatários apoiam a Greve Geral convocada pela CGTP-IN e a UGT para o próximo dia 24 de Novembro, apelando aos seus concidadãos para que a ela adiram.

Tratando-se embora de uma acção a nível nacional, os signatários saúdam também esta Greve Geral como um momento do combate europeu contra as políticas de austeridade e de regressão social, a favor de mudanças na política europeia que coloquem no centro os cidadãos, o crescimento económico, o desenvolvimento e a defesa da Europa Social e da democracia.»

Os cientistas sociais:
Alan Stoleroff (ISCTE-IUL), Alexandre Abreu (CEG-UL), Amanda Guapo (IELT-UNL), Ambra Formenti (ICS-UL), Ana Benard da Costa (ISCTE-IUL), Ana Benavente (ULHT), Ana Cordeiro Santos (CES-UC), Ana Costa (ISCTE-IUL), Ana Cristina Ferreira (ISCTE-IUL), Ana Cristina Santos (CES-UC), Ana Delicado (ICS-UL), Ana Horta (ICS-UL), Ana Margarida Esteves (Tulane Un.), Ana Paula Guimarães (FCSH-UNL), Anne Cova (ICS-UL), António Brandão Moniz (FCT-UNL), António Carlos Santos (UAL), António Galamba (antr.), António Monteiro Cardoso (CEHCP-IUL), Britta Baumgarten (CIES-IUL), Carlos Augusto Ribeiro (FCSH-UNL), Carlos Pedro (antr.), Carlos Rodrigues (UA), Catarina Casanova (ISCSP-UTL), Cícero Pereira (ICS-UL), Clara Saraiva (FCSH-UNL), Cristina Santinho (CRIA), Dulce Simões (INET-UNL), Elisabete Figueiredo (UA), Elísio Estanque (CES-UC), Elsa Peralta (ICS-UL), Emília Margarida Marques (CRIA), Francisca Alves-Cardoso (FCSH-UNL), Frédéric Vidal (CRIA), Giovanni Alves (CES-UC), Gonçalo Santinha (UA), Graça Videira Lopes (FCSH-UNL), Guilherme Fonseca-Statter (CEA-IUL), Guya Accornero (CIES-IUL), Helena Lopes (ISCTE-IUL), Henrique Sousa (FCSH-UNL), Hermes Costa (CES-UC), Hugo Dias (CES-UC), Inês Godinho (antr.), Inês Sachetti (UCLA), Irene Flunser Pimentel (hist.), Isabel Cardigos (FCSH-UA), João Areosa (soc.), João Edral (IELT-UNL), João Estevão (ISEG-UTL), João Ferrão (ICS-UL), João Leal (FCSH-UNL), João Luís Lisboa (FCSH-UNL), João Paulo Dias (CES-UC), João Pedroso (FE-UC), João Pina Cabral (ICS-UL), João Rodrigues (CES-UC), João Seixas (ICS-UL), João Teixeira Lopes (FL-UP), João Vasconcelos (ICS-UL), Jorge Carvalho (UA), Jorge Malheiros (IGOT-UL), José António Fernandes Dias (FBA – UL), José Carlos Mota (UA), José Castro Caldas (CES-UC), José Gabriel Pereira Bastos (CRIA), José Manuel Cordeiro (ICS-UM), José Manuel Pureza (CES-UC), José Manuel Rolo (ICS-UL), José Manuel Sobral (ICS-UL), José Mapril (CRIA), José Neves (FCSH-UNL), Lourenzo Bordonaro (CRIA), Luís Silva (CRIA), Luís de Sousa (ICS-UL), Luís Souta (ESSE-IPS), Luísa Lima (ISCTE-IUL), Luísa Oliveira (ISCTE-IUL), Luísa Schmidt (ICS-UL), Luísa Tiago de Oliveira (ISCTE-IUL), Manuel Carlos Silva (ICS-UM), Manuel Couret Branco (UE), Manuel Loff (hist.), Manuela Ivone Cunha (UM), Margarida Paredes (CRIA), Margarida Pereira (FCSH-UNL), Margarida Perestrelo (ISCTE-IUL), Maria Cardeira da Silva (FCSH-UNL), Maria Clara Murteira (FE-UC), Maria Eduarda Gonçalves (ISCTE-IUL), Maria Fátima Ferreiro (ISCTE-IUL), Maria Inácia Rezola (IHC-UNL), Maria Inês Amaro (FCH-UCP), Maria João Freitas (LNEC), Maria José Casa-Nova (UM), Maria Luís Pinto (UA), Maria da Paz Campos Lima (ISCTE-IUL), Mário Vale (IGOT-UL), Marlene Rodrigues (CPES-ULHT), Marta Prista (FCSH-UNL), Marzia Grassi (ICS-UL), Mauro Serapioni (CES-UC), Michel Binet (CL-UNL), Micol Brazzabeni (CRIA), Miguel Cardina (CES-UC), Miguel Vale de Almeida (ISCTE-IUL), Mónica Truningen (ICS-UL), Nuno Domingos (ICS-UL), Nuno Martins (UCP), Oriana Alves (IELT-UNL), Patrícia Alves Matos (CRIA), Paulo Castro (ISCTE-IUL), Paula Godinho (FCSH-UNL), Paulo Alves (ISCTE-IUL), Paulo Castro Seixas (ISCSP-UTL), Paulo Granjo (ICS-UL), Paulo Mendes (UTAD), Paulo Peixoto (FE-UC), Paulo Raposo (ISCTE-IUL), Pedro Aires Oliveira (FCSH-UNL), Pedro Hespanha (CES-UC), Raquel Rego (ISEG-UTL), Raúl Lopes (ISCTE-IUL), Renato Carmo (ISCTE-IUL), Ricardo Sequeiros Coelho (CES-UC), Ricardo Paes Mamede, Rita Poloni (ICS-UL), Rosa Maria Perez (ISCTE-IUL), Rui Bebiano (CES-UC), Rui Tavares (hist.), Ruy Blanes (ICS-UL), Sanda Samitca (ICS-UL), Sara Falcão Casaca (ISEG-UTL), Sílvia Portugal (CES-UC), Sofia Aboim (ICS-UL), Sofia Sampaio (CRIA), Sónia Bernardes (ISCTE-IUL), Sónia Ferreira (FCSH-UNL), Sónia Vespeira Almeida (CRIA), Susana Boletas (ICS-UL), Susana Durão (ICS-UL), Teresa Albino (IICT), Teresa Carvalho (UA), Teresa Santos (ICS-UL), Tiago Correia (CIES-IUL), Tiago Saraiva (ICS-UL), Vera Borges (ICS-UL), Virgílio Amaral (CES-UC), Vitor Ferreira (ICS-UL), Vitor Neves (FE-UC)
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21.11.11

A homenagem possível deste reino laranja


... a Magritte que faria hoje 113 anos. Porque, como disse Luis Novaes Tito no Facebook, sem Magritte e sem as cabeças do nosso poder, «o surrealismo não seria tão surreal».
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Perplexo, atónito e desconcertado


José Manuel Caballero Bonald é poeta, tem 85 anos, e deu uma entrevista a El País, publicada ontem, que considero notável – o texto mais interessante que li, até agora, não propriamente sobre as eleições em Espanha mas a pretexto das mesmas.

Que estes excertos sirvam apenas para aguçar o apetite de ler o texto na íntegra.

«¿Cómo se siente ahora en este país?
Quizá el calificativo que mejor me defina ahora sea el de perplejo, entendiendo por perplejo una especie de punto intermedio entre el atónito y el desconcertado. (...)

El nuevo orden mundial del que se hablaba antes va a consistir realmente en una nueva era del capitalismo. Y en una era sobradamente peligrosa, porque nadie duda ya de que los grandes núcleos de poder económico son los que dominan el mundo y van a dominarlo cada vez más. El ciudadano como tal, en sentido clásico, ya no va a existir, van a existir subordinados a ese capitalismo. (…)

¿Qué nos lleva a esta situación que requiere adjetivos tan inquietantes?
Eso tiene sus raíces en la Transición. La Transición fue un apaño de urgencia, como bien se sabe. La derecha cedió algo para conservarlo todo y la izquierda consiguió algo para no perderlo todo. Y de ahí surgió un franquismo latente que reaparece de cuando en cuando, a la vista está. Ahí está sin ir más lejos la historia del PP, cuyo presidente ha sido hasta ayer mismo el señor Fraga Iribarne, uno de los máximos exponentes de la represión franquista... El PP es un conglomerado de grupos de derechas, muchas derechas formando un bloque, desde los moderados a los extremistas, desde los demócratas a los ultras. (…)

Una derecha junta frente a una izquierda atomizada. ¿Cómo ve esa división de la izquierda?
No tengo eso muy claro... Pero supongo que sí, que hay una división, o una subdivisión, en el seno de la verdadera izquierda, quizá previsible por razones de oportunidad histórica. La derecha ha sabido mantener una unidad monolítica, que como ha ocurrido siempre en España con ese tipo de alianzas conservadoras, va a seguir anquilosada en una tradición deplorable. Las lacras históricas de nuestro conservadurismo están ahí, no se han acabado nunca de extirpar; una situación muy peculiar, muy española, que viene de los Reyes Católicos y llega hasta el general Franco. (…)

Por eso cada vez me resulta más significativo el movimiento de los indignados del 15-M, que si era necesario hace meses más va a serlo después del 20-N. Bueno, a pesar de todo, yo tiendo a ser optimista, en el sentido de pensar que todo es empeorable. (…)

Entre el Fondo Monetario Internacional, la Organización Mundial del Comercio y el Banco Central Europeo están consiguiendo que la ruina del común de los ciudadanos esté garantizada. (…)

La memoria histórica es una de las partes lesionadas de la última etapa de este país.
Aquí se ha producido una oposición evidente para que se canalizara la justa recuperación de los crímenes del franquismo, esa sistemática persecución hasta la muerte del vencido. La derecha recurrió a esos tópicos de que es mejor no abrir las heridas, decretar el olvido, la historia sin culpables y todo eso.»
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Casa de ferreiro…


Será que na capital da Europa – a cidade do mundo em que devem viver mais burocratas por metro quadrado –, não se consegue impor aos belgas um, um só, para que tome conta do país? A receita não deve estar na cartilha que impuseram a outros...

É que falharam de novo as tentativas de formação de um novo governo, 526 dias depois de o último ter caído! Será por isso que têm escapado à fúria dos mercados?!..
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Ralis 21/11/1975


A quatro dias do fim do PREC, na tarde de 21 de Novembro de 1975, 170 recrutas do Ralis fizeram um juramento de bandeira que ficou para a História - o símbolo do encerramento de um ciclo.




A notícia no Diário de Lisboa do dia (via Fundação Mário Soares)

20.11.11

2021: A Nova Europa


Uma longa e interessante leitura para um serão de Domingo.

«Welcome to Europe, 2021. Ten years have elapsed since the great crisis of 2010-11, which claimed the scalps of no fewer than 10 governments, including Spain and France. Some things have stayed the same, but a lot has changed.»

Ler o resto aqui.
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Uma data muito marcada


Felisa Bravo faz hoje 107 anos. Em outros 20 de Novembro, viu morrer Franco, o seu «maior inimigo», e enterrou o marido, saído moribundo de um campo de concentração.

Votou nas primeiras eleições espanholas em que mulheres puderam fazê-lo, em 1933, e hoje vai votar também mas não quer revelar publicamente em quem... Verá a direita subir ao poder no seu país.

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A abstenção é uma arma e eu não sabia


... mas fiquei a saber.

«... e há quem cante de pantufas p'ra não perder o lugar…»
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Socialistas já não eram, republicanos deixarão de ser


Expresso, 19/11/2011

P.S. - Desmentido do PS.
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19.11.11

Berlim

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As convicções profundas de João Duque


Eu não quero perder o rasto desta «grande» entrevista a João Duque, publicada no DN, e fica por isso aqui localizada para memória futura. E como ele considera que os governos podem manipular informação, eu também «manipulo» a dita entrevista, dando especial realce a algumas passagens (mas pode ser lista na íntegra…).

Não adianta que alguns ministros tenham vindo entretanto dizer que não concordam com parte do Relatório que uma equipa dirigida por este senhor elaborou. Trata-se de uma pessoa da confiança do actual Executivo e não vi que este a tenha condenado publicamente, de forma expressa.

«Acho que este conceito de serviço público deve ser definido mesmo em momentos de abundância de meios e recursos financeiros. Deixe-me dar-lhe um exemplo: quantas padarias é que o Estado tem? E no entanto o pão nosso de cada dia é das coisas mais sagradas que temos. Vamos lá ver se nos entendemos. Podia perfeitamente surgir um movimento na sociedade portuguesa que defendesse que o Estado devia ter padarias e mais padarias e mais padarias. Ou não. As padarias não são um negócio que interesse ao Estado. (...)

Os privados são as entidades que mais facilmente encontram falhas para mais colmatarem com aquilo que têm. Repare no meu exemplo anterior. Eu ainda sou do tempo em que não havia pão ao sábado e ao domingo e que o pão que comíamos ao fim-de-semana era o de sexta-feira. Veja lá se hoje não temos pão ao sábado e domingo e com fornadas quentinhas em determinadas horas do dia? (…)

O Telejornal é habitualmente mais visto do que os jornais da SIC ou da TVI. E isso acontece há muitos anos.
Isso não é verdade. Os portugueses não preferem a informação da RTP, porque se juntar a audiência dos dois privados, verá que há mais gente a ver a informação dos privados do que a da RTP.

Se quiser ver dessa forma, pode ver, mas as audiências não se vêem assim.
Posso ver os números como eu quiser. (…)

Eu ouvi-o dizer que defende que a informação dessa antena internacional pode estar ao serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que passaria a ser a tutela desse canal. Explique-me uma coisa: mas isso seria informação ou propaganda?
Chame-lhe o que quiser. Os governos são sufragados e têm legitimidade para, no meu entendimento, usar o canal internacional para passarem a imagem de Portugal que eles entendem. (…)

Está portanto a deixar ao livre-arbítrio do Estado?
Não. O que estou a dizer-lhe é que o Governo foi sufragado e a comunicação aí faz parte da política de relacionamento externo.

Mas não há uma baliza? O mesmo governo foi sufragado e os senhores não querem que o Governo interfira na informação da RTP1...
Não há uma baliza. Há a baliza que o Governo eleito colocar no seu programa eleitoral. Essa é a baliza. Porque foi sufragado.

O Estado Novo também fazia isso...
... (de forma veemente) Oh, meu amigo, mas era aqui internamente que fazia isso.

Lá para fora também.
Claro, o que havia aqui ia lá para fora. O que defendo é que o Governo utilize o canal internacional como um instrumento da sua política diplomática. Agora, se quer dar liberdade aos jornalistas para mostrar as barracas, as praias poluídas, o território todo a arder, um massacre, as greves todas... e por aí adiante, que o faça. É fabuloso, depois os turistas não põem cá os pés. (…)

Está a ver os velhinhos e as velhinhas, que são maioritariamente o público da RTP Memória, de iPad na mão ou na Internet a ver os conteúdos do canal que o grupo de trabalho acha que deve ser descontinuado?
Oiça, os velhinhos e as velhinhas vão falecer, infelizmente. É a lei da vida. E a rapaziada que está aí hoje vê muitíssimo mais televisão no computador do que na televisão.»

P.S. - João Duque insiste e esmera-se, em artigo publicado hoje no Expresso (sem link): «A nova ZBD».
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É que já nem dá para apagar só um da fotografia

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Penicos


«No século XIX os conservadores argumentavam que o socialismo seria impossível porque não haveria ninguém para despejar os penicos. Blanqui, um revolucionário que passou em prisões variadas mais de metade da sua vida adulta, respondeu que no socialismo cada um limparia o seu próprio penico. Ele não previu que houvesse hoje quem defendesse que não é preciso ninguém limpar os penicos.»

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18.11.11

Perdas

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Nem só de política é feito este blogue, e muito menos a vida, e por isso aqui fica o belíssimo texto que a Fernanda Câncio publicou hoje no Jugular.

«cada vez mais acho que a amizade segue as mesmas, mesmíssimas leis do amor, até na paixão e no desencanto, na prova de fogo das traições e das grandes zangas. no fundo, talvez tudo se resuma sempre a algo que não podemos concretizar em razões e motivos claros, ou sequer compreensíveis. amamos os nossos amigos com volúpia e arrebatamento, com suavidade e desvelo, com a urgência que advém de sabermos que sem eles somos menos, menos felizes, menos completos, menos fortes, menos capazes. mas às vezes, como no amor, exactamente como no amor, alguma coisa se parte, se quebra, se estraga, e já não são o quase tudo que eram para nós. e recolheremos evidências desse novo estado com a mesma perseverança e naturalidade com que antes amealhávamos as da consanguinidade. e olhá-los-emos nos olhos com a distância directamente proporcional ao tanto que nos foram, experimentando como o gume de aço, até cortar, essa frieza imperial. e pensaremos: era de ti que eu gostava tanto? era a tua voz que queria ouvir todos os dias, era a ti que queria contar tudo, era a tua opinião que eu procurava sempre? eras tu o meu irmão?

poder assim perder família, caminhar assim nas ruínas de uma cidade de ex-amigos. como quem deixa para trás litros de sangue e sobrevive um pouco mais forte. sempre um pouco mais forte, sempre um pouco mais longe.»
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Porque devemos exigir uma auditoria cidadã?


Resumidamente,

Existem duas razões principais:

a) Uma auditoria cidadã é a única modalidade que oferece garantias em termos de transparência e prestação de contas à sociedade civil. Além disso, é a única que garante rigor e precisão na detecção de dívida legítima, ilegítima e insustentável.

b) A auditoria cidadã tem o objectivo de clarificar o processo de reestruturação da dívida e torná-lo político. Com uma auditoria cidadã, a reestruturação passará obrigatoriamente por considerações de justiça social e não apenas por obrigações contratuais ou pela satisfação das prioridades de credores (especialmente de credores que são co-responsáveis pela contracção de dívida ilegítima/ilegal/insustentável).

Ler mais aqui.
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Desculpem a insistência


... mas é irresistível: na continuação do que aqui publiquei ontem, Artur Neves deixou-me isto no Facebook.
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A caminho de um governo de salvação nacional?


Na sua crónica de hoje no DN, José Manuel Pureza chama a atenção para um facto que não tem sido suficientemente sublinhado: a especificidade da situação portuguesa, quando comparada com a de alguns outros países europeus recentemente intervencionados, que resulta do facto de as últimas eleições legislativas terem sido precedidas pela assinatura de um acordo que amarra três partidos, entre os quais um – o PS – que, não estando no governo, ficou entre a espada e várias paredes e não consegue resituar-se. Por escolhas várias e inabilidade também, é certo. 
Caminhamos para um governo de salvação nacional? Para já nem é necessário, mas é bem provável que o futuro próximo o imponha.

«Portugal não escapa a esta onda pós-democrática. As eleições de 5 de Junho foram já um desvio grave ao que deve ser um genuíno pronunciamento popular sobre as propostas dos diferentes partidos - a troika tinha assegurado a assinatura de sangue dos três principais partidos para que, qualquer que fosse o resultado, o programa a aplicar no dia seguinte fosse o acordado com ela. E nas próximas semanas acentuar-se-á a pressão para uma governação "de unidade nacional". PS e PSD, sob a batuta da troika e dos seus ideólogos internos, dão sinais inequívocos de ir nesse caminho. Só que esta não será uma unidade nacional para defender a democracia, mas para a minorar quer no campo político quer no terreno social. Uma "unidade nacional" para mais facilmente conseguir o completo desmantelamento do Estado social, do serviço Nacional de Saúde ao salário mínimo e às pensões.

Refém da irresponsabilidade da ganância, a Europa não hesita em acolher governos ilegítimos e em adoptar como seu o discurso de que o voto do povo é um empecilho para "o que tem de ser feito". Esta Europa tem medo da democracia. E só a democracia pode resgatar a Europa.»

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17.11.11

Benetton caseira

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Perdoai-nos as nossas ofensas…


Não sei se a campanha que a Benetton lançou «Contra o Ódio» alcançará o objectivo anunciado, mas uma coisa parece certa: com meia dúzia de cartazes, chamou a atenção do mundo, chocou talvez homofóbicos (Obama a beijar Hu Jintao e Chávez?!...) e, sobretudo, sobressaltou o Vaticano, nada preparado para ver o representante de Deus na terra a beijar na boca o Imã do Cairo.

De acordo com a Benetton, as imagens de reconciliação entre líderes mundiais, de opiniões habitualmente discordantes, são símbolos que estimulam a reflexão sobre o diálogo como modo de superar divergências.

Não consta que a Casa Branca ou outros tenham reagido, mas Roma ameaçou com tribunal, a empresa italiana retirou da campanha o cartaz e pediu desculpa.

Regressa a sensação do dejà vu, em todo o seu esplendor. Pode-se utilizar tudo e todos os senhores da terra, a brincar ou a sério, mas não é permitido tocar em religião ou nos seus dignitários, seja em Maomé com caricaturas, no nariz de João Paulo II com preservativos ou na boca de Bento XVI.

Sociedades laicas e empresas comerciais recuam, pedem desculpa e ajoelham-se. É assim.


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Como a desigualdade económica prejudica as sociedades

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Excelente apresentação de Richard G. Wilkinson, legendada em português. É longa (quase 17 minutos), Portugal não fica bem em muitas das fotografias, mas vale a pena ver e ouvir. Se não tem tempo agora, regresse mais tarde…


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E no fim ganhava a Alemanha

@Gui Castro Felga

«Imaginemos, agora, que os europeus são chamados a eleger um Presidente. Com os seus 62 milhões de eleitores (a França conta com "apenas" 44 milhões), mais os dos países com trajetos económicos e culturais comuns, ou politicamente dependentes de Berlim, quem poderia ganhar eleições senão um partido, ou um candidato alemão ou apoiado pelos alemães, ou ainda melhor, por franceses e alemães, de forma a termos as mesmas políticas que hoje aí estão, tendo, entretanto, perdido o resto de soberania que ainda detínhamos? Como evitar que tudo decorresse segundo a lógica do televoto do festival da Eurovisão - ou seja, como se fugiria ao voto étnico e como seria possível Portugal não ficar em último? (…)

Já tivemos uma amostra deste tipo de federalismo: a substituição dos "governadores provinciais" de Itália e da Grécia. E é sob essa pressão que o nosso primeiro-ministro vai mostrando serviço, corroborando, à risca, para não dizer "à rasca", todas as teses do eixo Berlim-Paris.»

Filipe Luís na Visão, O festival da Eurovisão
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