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17.2.12

Como a figura mostra


Quando voltar a este blogue, espero estar na parte da galinha assinalada, depois de uma longuíssima viagem... O primeiro poiso será Singapura. Estou curiosa.

 

Preserve-se a Memória: Posto de Comando do MFA em vias de classificação pelo IGESPAR


Contributo de Jorge Martins.  

“A partir da publicação deste Anúncio, o Edifício do Posto de Comando do MFA (atual Núcleo Museológico), sito no Regimento de Engenharia n.º 1, Estrada da Pontinha, freguesia da Pontinha, concelho de Odivelas, distrito de Lisboa, fica em vias de classificação, de acordo com o n.º 5 do artigo 25.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro.” (Diário da República, 10/2/2012)

O edifício do Posto de Comando, instalado no Regimento de Engenharia Um (RE-1), na Pontinha, foi intervencionado em 2001 pela então Comissão Instaladora do Município de Odivelas em colaboração com o RE-1, tendo sido inaugurado em 24 de Abril desse ano o Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA. Anteriormente a essa data corria insistentemente a possibilidade de desactivação daquele quartel, pondo-se o perigo de desaparecimento do edifício do Posto de Comando. Finalmente, esse perigo estará a desaparecer pela única forma que o garante: a sua classificação como Monumento Nacional. Com efeito, o Posto de Comando do MFA entrou em vias de classificação pelo IGESPAR.

Foi um longo processo de intervenção cívica, que começou com o manifesto “Movimento Posto de Comando a Monumento Nacional”, lançado em 2004 por cidadãos residentes na Pontinha. Contudo, por falta dos apoios institucionais necessários, o processo ficou parado durante alguns anos. Em 2010, na sequência do lançamento da petição online “Classificar o Posto de Comando do MFA como Monumento Nacional”, os mesmos cidadãos e alguns outros, residentes no concelho de Odivelas, fundaram o movimento cívico Posto de Comando Sempre, que promoveu reuniões com a Câmara Municipal de Odivelas, as juntas de freguesia limítrofes (Pontinha, Carnide e Alfornelos) e solicitaram audiência a todos os grupos parlamentares da AR, tendo sido recebidos pelo PCP, PS, BE e PEV.

Alcançadas 2000 assinaturas, os peticionários enviaram a petição à Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, de que resultou uma audição pela referida comissão, realizada em 30 de Agosto de 2010. Por acção daquela comissão parlamentar, a Secretaria de Estado da Cultura determinou a abertura do processo de classificação, que o IGESPAR iniciou em 17 de Agosto de 2011.

Entrámos assim na etapa final do processo de classificação do Posto de Comando do MFA, que muito honrará o Regimento de Engenharia Um, a freguesia da Pontinha, o concelho de Odivelas, os Capitães de Abril e todos os cidadãos que sempre entenderam que não se pode deixar apagar a memória do papel que o Posto de Comando teve no derrube da ditadura de Salazar-Caetano e na conquista da Liberdade e da Democracia em 25 de Abril de 1974.

Esperemos que venha breve essa classificação e que o Núcleo Museológico assuma o estatuto nacional que deveria ter, tornando-se um pólo de fruição, conhecimento, dinamização e divulgação do 25 de Abril, tanto mais que tem uma localização privilegiada, a 5 minutos da estação de Metro da Pontinha.
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Um país às cambalhotas

Uma imagem vale mais que 1000 palavras


(Encontrada aqui.)
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E, de caminho, mete uma cunha sobre a história dos feriados



Mais a sério: é provável que o Vaticano considere que se trata de uma cerimónia de Estado e convide governos. Mas faz algum sentido que uma República laica, com separação entre Igreja e Estado, se faça representar num acto puramente religioso, mesmo que um dos nomeados seja um português desconhecido? Será que Relvas ainda vem explicar-nos que a Concordata a isso nos obriga? 


E preparem-se para um directo a partir de S. Pedro, porque a Fátima Campos Ferreira não é mulher para perder uma destas. (Eu escaparei, mas prometo um pensamento solidário com o ministro dos Negócios Estrangeiros que me representa, quando, amanhã, sobrevoar Itália a caminho de Singapura…)
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16.2.12

As tias dos dirigentes bloquistas


Já começa a ser uma rotina, mas as crónicas de Ricardo Araújo Pereira, na revista Visão, são tão boas que não resisto a partilhar. A de hoje, sobre o «Manso é a tua tia!» de Sócrates a Louçã, e, mais recentemente, de Santana Lopes a Fernando Rosas («Salazar é a tua tia!»), é imperdível!

«O insulto dirigido à tia tem em consideração que uma referência à mãe seria demasiado grave, e que dizer “manso é uma tua prima por afinidade” não chega a magoar.»
«Quando pretendeu ofender com moderação a tia de Louçã, Sócrates insultou, na verdade, a mãe de Vítor Gaspar (…) Mas quando, finalmente, temos um insulto com potencial, o agressor e o ofendido estão em países diferentes.»

Mas é indispensável ler na íntegra.
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Very quickly, please...

Os perigosos riots que o esperavam:

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E a troika bate palmas?


14% – taxa de desemprego no quarto trimestre de 2011 em Portugal. Ou seja, mais 1,6 pontos percentuais do que no trimestre anterior.

35,4% – taxa de desemprego dos jovens entre Outubro e Dezembro de 2011. Esta estatística diz respeito à população entre 15 e 24 anos.

31% – percentagem da subida da taxa de desemprego jovem.

17,5% – taxa de desemprego do Algarve, no fim do quarto trimestre de 2011. É a região com o valor mais elevado

52,6% – proporção dos desempregados que estão sem trabalho há 12 meses ou mais.

80.200 – número de trabalhadores que estão à procura do primeiro emprego

108.000 – número de desempregados que tem formação superior (14% dos desempregados)

226.900 – número de desempregados com 45 anos ou mais; é a faixa etária mais afectada

365.300 – número de mulheres sem emprego no fim de 2011 (taxa de 14,1%)

405.700 – número de homens desempregados no fim de 2011 (taxa de 13,9%)


«São números, de facto, preocupantes», «não há milagres nestas matérias» – Miguel Relvas dixit. Alguém duvida de que veremos números piores nos próximos trimestres?
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Negociar à chinesa?


«Se as pessoas [funcionários públicos] não estiverem disponíveis, têm sempre como alternativa a hipótese de negociarem a sua situação contratual», terá dito um deputado do CDS, argumentando que no sector privado é isso que acontece.

Nuns casos aponta-se para o «exemplo» dos privados, noutros são estes que imitam os métodos adoptados no sector público. Sempre no sentido de estreitar a tal «zona de conforto» onde cabem cada vez menos portugueses.

O poder de negociação também se estreita (e de que maneira…) e não sei se pretende chegar a métodos mais chineses: recentemente, cerca de 300 trabalhadores da Foxconn, em fúria contra a entidade patronal, subiram para o telhado da empresa e ameaçaram suicidar-se.

É por aí o caminho? O mau aspecto que daríamos «lá para fora»! O que pensaria a troika?! O que não aconteceria aos juros?!!!
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15.2.12

Pois...

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Somos solidários com o povo da Grécia


Todos os dias nos chegam imagens e notícias da Grécia e do povo grego em luta contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto. É clara, naquele país, a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político, em torno da invocada necessidade de cada vez maiores sacrifícios para que a dívida seja paga e o défice orçamental reduzido. Acentuam-se a tensão e a violência, tornando ainda mais difícil o diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas para a situação existente.

Avolumam-se o isolamento e a discriminação da Grécia, fortemente acentuados pelo discurso dominante dos principais dirigentes europeus e da comunicação social.

A preocupação doméstica em sublinhar que “não somos a Grécia” é, no mínimo, chocante no seio da União Europeia, onde mais se esperaria compreensão e solidariedade e, sobretudo, desajustada quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia.

Face à agudização das tensões políticas e sociais na Grécia, os signatários apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e aos direitos das pessoas.

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2012

Mário Soares
Mário Ruivo
Alfredo Caldeira
Ana Gomes
Ana Lúcia Amaral
Anselmo Borges
António de Almeida Santos
António Reis
Boaventura Sousa Santos
Diana Andringa
Eduardo Lourenço
Isabel Allegro
Isabel Moreira
D. Januário Torgal Ferreira
José Barata Moura
José Castro Caldas
José Manuel Pureza
José Manuel Tengarrinha
José Mattoso
José Medeiros Ferreira
José Reis
José Soeiro
Manuel Carvalho da Silva
Maria de Jesus Barroso Soares
Maria Eduarda Gonçalves
Paula Gil
Pedro Delgado Alves
Rui Tavares
Sandra Monteiro
Simonetta Luz Afonso
Vasco Lourenço
Vítor Ramalho
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A situação é desesperada mas não é grave

@Cristina Sampaio

Na Unidade de Cuidados Intensivos.
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E este homem que não me sai da cabeça!

A actual vida na Grécia, na primeira pessoa


Este post continha o texto de um mail que uma grega tinha escito a uma amiga portuguesa. A pedido da primeira, foi retirado dos diversos locais em que tinha sido divulgado na net.

Mantenho esta sugestão de leitura:
P.S.- Sobre o mesmo tema, ler um longo texto publicado no New York Times: The Way Greeks Live Now.

«By many indicators, Greece is devolving into something unprecedented in modern Western experience. A quarter of all Greek companies have gone out of business since 2009, and half of all small businesses in the country say they are unable to meet payroll. The suicide rate increased by 40 percent in the first half of 2011. A barter economy has sprung up, as people try to work around a broken financial system. Nearly half the population under 25 is unemployed. Last September, organizers of a government-sponsored seminar on emigrating to Australia, an event that drew 42 people a year earlier, were overwhelmed when 12,000 people signed up.»
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14.2.12

Novas medidas impostas pela troika



Mais vale rir (que chorar não adianta):

«Governo PSD/CDS prepara encurtamento da Páscoa: Jesus Cristo morre crucificado e ressuscita no mesmo dia, acabou-se a Sexta Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche ajantarado.»

(Via João Soares no Facebook)

P.S. - O texto circula na net (eu própria o recebi por mail depois de o pôr aqui), mas a origem deve ser o Inimigo Público.
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Compromisso para uma Nação Forte


É o título (e que título!...) de um livro que contém o programa do Governo e o balanço dos 100 primeiros dias de actividade do mesmo. Segundo notícia do Público, foram impressos 100 exemplares «em papel couché semimate», pelo preço de 12 mil euros. Ou seja, nós pagámos 120 euros por cada um dos volumes que foram distribuídos unicamente aos membros do Governo.

Uma pergunta apenas: estão a tal ponto de cabeça perdida que decidiram definitivamente gozar connosco? Ou provocam-nos para verem se somos mesmo muito diferentes dos gregos?
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Escrito na pedra


«A Europa move-se, mas para trás. Parece que regressámos aos tempos de smog e pobreza dos personagens de Charles Dickens. Quem trouxer Oliver Twist para a Europa do século XXI levará consigo também Marx e Bakunine. Por este caminho, a Europa terá um trágico passado à sua frente.»

Viriato Soromenho Marques
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Feios, porcos e maus?


Os europeus meridionais são preguiçosos, embora não tanto como os africanos, que vivem ainda mais a Sul e são mais morenos, mas ainda assim…?

Confessadamente ou não, a ideia fez caminho e o preconceito está instalado. Com o primeiro lugar do ranking atribuído neste momento aos gregos que, para além de mandriões, seriam também perdulários e desordeiros – (quase) feios, porcos e maus. Mais ou menos acima do paralelo 45o tudo começa a compor-se: as populações são mais «virtuosas» (talvez porque os dias mais frios e as noites mais longas no Inverno convidam ao recato e ao afinco no trabalho) e não estarão dispostas a continuar a sustentar vícios de outros. Por isso mesmo, castigam, condenam e mandam.

Mas um dia virá em que será evidente – e a História registará – que as causas dos dramas de hoje nada tiveram a ver com preguiça ou ociosidade de uns tantos. Demasiado tarde, e dramaticamente, para muitos.

A partir desta citação:
«As ladainhas populistas e a especulação abundante sobre os preguiçosos culpados da crise evocam uma situação que se viveu na Inglaterra no início do século XIX. Na aurora da era industrial, o aparecimento do capitalismo levou a uma explosão da pobreza.

Encontrar resposta para a questão "o que causou isto?" tinha-se tornado a preocupação central. As causas identificadas foram, entre outras, o aparecimento de um novo tipo de ovelhas enormes, um número excessivo de cães ou consumo desmedido de chá, cujo desaparecimento erradicaria a pobreza.

Talvez daqui a um século, as especulações contemporâneas sobre a preguiça dos europeus do Sul também pareçam insignificantes. Uma vaga de pensamentos obscuros que esconde os redemoinhos que ameaçam o oceano da história.»
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Pensamento da manhã


«Moody's ... É o nome que darei ao próximo rafeiro que adoptar. Desde que ele não me encha de lixo.»

José Adelino Maltez no Facebook.

13.2.12

O meu nome é Grécia

´.


(Via Dimitris Damasiotis no Facebook)
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Descubra as diferenças

A democracia agradece, Frau Merkel


«Uma porta-voz do ministério das Finanças de Berlim reforçou as reivindicações, sublinhando que todos os partidos políticos gregos terão de se comprometer a implementar as reformas aprovadas independentemente do resultado das legislativas.»
Aqui e também aqui.

Ou é isto que se pretende?
«Germany's nasty little game to push the Greeks until they break.»
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«Não é maneira de tratar um povo e de tratar um Estado»


Em pouco mais de um minuto, Marcelo Rebelo de Sousa resumiu ontem a realidade pura e crua, poucas horas antes da votação no parlamento grego. Já nem há margem para disfarçar ou para dourar a pílula.

«É um acordo impossível de executar (…). E como não é fazível, nós estamos a ver um bocadinho a fase seguinte do filme que é a probabilidade de termos a declaração formal de falência, mais ou menos organizada. Menos grave que seria se fosse há um ano ou há meio ano porque, entretanto, (…) a banca alemã e a banca francesa tiraram de lá o corpinho, o seu dinheirinho. (…)

O que vale a pena tirar da lição é o seguinte: por um lado os gregos cometeram erros que eram perfeitamente dispensáveis e (…) a Europa compreendeu tarde o problema grego, reagiu mal, tratou os gregos como crianças e praticamente quis suspender a democracia (…). Não é maneira de tratar um povo e de tratar um Estado.»


O que é extraordinário é que nós europeus, nós gregos, nós cidadãos do mundo, assistamos a isto tudo impotentes. O precipício está a poucos metros e continuamos a avançar. Hoje é dia de raiva.
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???!!!...


@Gui Castro Felga
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12.2.12

12 de Fevereiro de 1982 – uma Greve Geral


«Há 30 anos, uma greve geral convocada pela CGTP, com a oposição da UGT, dava corpo ao primeiro grande embate no pós-25 de Abril entre um Governo de direita e um movimento sindical teimosamente dividido.» - Público de hoje (sem link).

No Diário de Lisboa de 13/2/1982:

Os mais interessados podem ler, no mesmo jornal, todos os desenvolvimentos – e foram muitos – a partir daqui, pp.4 a 10 .
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Nem tanto ao mar...


(Rua Filipe Folque, em Lisboa)
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Saudades disto?


Azar! Agora é a cores...
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Quem mais ordena


O Expresso deu ontem eco a uma notícia divulgada já há alguns dias pela Agência Ecclesia. Sem querer estragar o Domingo a ninguém, aconselho a leitura, mas resumo:

Existe uma Comissão Paritária da Concordata com o Estado português, «entidade intermédia e preparatória de acordos», que já iniciou reuniões com vista à eliminação dos feriados do Corpo de Deus e do 15 de Agosto. Não tem competência para fazer alterações, estas terão de ser aprovadas pelo Vaticano.

Os dias “festivos católicos”, além dos Domingos, estão enumerados na Concordata (Artº 30) e, contrariamente a interpretações que circulam, são considerados por ambas as partes como feriados nacionais em Portugal.

A referida Comissão Paritária teve agora uma reunião e terá a próxima em… Abril. Quantas serão ao todo? Who knows?! Mas diz-se que se trata de negociações que, transcendentíssimas como devem ser (!...), «levam o seu tempo». Ou seja: esquecer 2012.

E eis que, neste nosso querido Estado laico, um poder se levanta assim, mais forte dos que as imposições da troika, mais decisivo do que os seus fieis servos.

Resta saber se o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro também esperam ou se «caem» já este ano. Impossível? Porquê e para quem?
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