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3.3.12

Estranho modo de vida



Estou de passagem no Qatar, um país insólito que, à primeira vista, poderia ser resumido em duas palavras: areia e petróleo. Mas só à primeira vista.

Não é fácil imaginar a vida concreta de cerca de 500 mil pessoas que não trabalham porque tudo lhe sé proporcionado gratuitamente e que ainda recebem cerca de 35.000 US$ / ano desde que nascem. Todas as tarefas são asseguradas por um milhão adicional de estrangeiros, bem pagos, mas que nunca adquirem a nacionalidade do país em que vivem, ou mesmo em que nascem: as segundas e terceiras gerações mantêm o «passaporte» dos seus ascendentes, o mesmo acontecendo às mulheres que casam com locais.

De resto, não existem impostos para ninguém, tudo é importado excepto o petróleo, constrói-se loucamente (num bairro que atravessei, existem neste momento 65 torres, serão em breve 192…), só se vê carros topo de gama e centros comerciais luxuosos, abrem-se campos de golfe que custam uma fortuna para serem mantidos verdes e criam-se cavalos, para todo o tipo de competições, com um estatuto absolutamente invejável: habitações com ar condicionado, piscina privativa, etc., etc.

É difícil encontrar qualquer semelhança entre o nosso mundo e este estranho modo de vida, onde tudo parece basear-se na convicção de que os recursos petrolíferos nunca se esgotarão e que o futuro se manterá próspero, como o presente, para todo o sempre… Será? 




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Relíquias



Já nem estou em Bangkok, o tempo é pouco, mas a última visita que fiz foi ao Grande Palácio, um conjunto de edifícios tão impressionante que aqui ficam umas tantas imagens que não dão mais do que uma pálida ideia da realidade.

Foi residência oficial dos Reis de Sião desde 1782 e até 1925. Hoje, é apenas utilizado para certas cerimónias oficiais – e para ser visto por multidões de turistas vindas dos cinco cantos do mundo.

Onde estou agora? Em Doha, no último «poiso» antes do regresso…






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1.3.12

Ruínas que contam



Hoje o dia foi reservado para Ayutthaya, cidade situada a cerca de 80 quilómetros a Norte de Bangkok, fundada em 1350 como capital do reino do Sião.

Destruída cerca de quatro séculos mais tarde pelos birmaneses, dela restam actualmente ruínas de templos e de palácios, num Parque Histórico que é Património da UNESCO. Lembram obviamente Bagan, sem a extensão nem a riqueza, e ficam a anos de luz de Angkor Wat, mas são notáveis, apesar de tudo.

Impressiona-me sempre ver a riqueza cultural revelada pelos vestígios arquitectónicos destas civilizações, em séculos que pouco nos deixaram nessa ponta de um continente que teima em considerar-se o centro do mundo (recorde-se que Angkor, antiga capital do império khmer, teve o seu apogeu entre os séculos IX e XV…).

Se tiver tempo, ainda falo logo do Palácio de Verão e do regresso de barco a Bangkok. Prometo que, na próxima semana, já não escreverei nem sobre templos nem sobre palácios. Mas vou ter de regressar devagarinho… 


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29.2.12

Trabalhos por esse mundo (2)



Fábrica de jóias, Bangkok (Tailândia)
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Mais uma etapa



Dizer-se que o dia de hoje esteve quente, aqui em Bangkok, não passa de puro eufemismo – abrasador seria o termo adequado.

Esta cidade de onze milhões de habitantes faz jus à fama de ter um trânsito que flui muito dificilmente e que, mits vezes, pára, pura e simplesmente, durante longos minutos. A única surpresa é que tudo se passa mais ou menos silenciosamente, sem os apitos permanentes de outras cidades asiáticas (alô, Calcutá!…)

Não foi por isso fácil continuar o itinerário dos templos, mas valeu a pena. De realçar, sem dúvida, o grande buda deitado (49 metros de comprimento, 16 de altura), em Wat Pho, embora mais pequeno e, na minha opinião, menos interessante do que o seu equivalente em Rangun, na Birmânia.

Amanhã, será Ayutthaya, antiga capital deste país. Depois começará o regresso, mas ainda lentamente...

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28.2.12

Templos e pagodes



O dia foi muito longo e a noite vai ser curtíssima, mas fica aqui um apontamento sobre Chiang Mai, cidade de pagodes, estupas e belos templos budistas, com especial destaque para Wat Phra That Doi Suthep (nas fotos).

Respira-se fundo quando se vem de um país islâmico (neste caso, da Malásia), onde não consegui entrar num único lugar de culto por todos estarem reservados aos seus crentes (e, também, por deixar de ver o deprimente desfile de casais, elas de burqas negríssimas que mal deixavam ver os olhos, eles de calções e t-shirt e a fumarem um agradável cigarrito…).

Decididamente, os «meus» países asiáticos são os budistas. É outra gente! 

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27.2.12

Esse país não existe – acreditem!



Tinha decidido não sair dos registos de viagem durante duas semanas, mas não resisto porque acabo de receber um mail de um amigo que hoje. 27 de Fevereiro de 2012, presenciou o seguinte, no canal «História»:

Enquanto, em off, se ouvia a voz do narrador dizendo «As Benjamin Franklin said, “In this world nothing can be said to be certain, except death and taxes”», surgia no ecrã a seguinte legenda: «Com disse Benjamim Franklin, “Nada neste mundo se pode ter como certo, excepto a morte e os táxis”». 

Muito, muito bom!
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E ao 10º dia…



Depois de uma longa jornada e de três voos, estou agora em Chiang Mai, já no Norte da Tailândia. Segunda maior cidade do país, com cerca de 600 mil habitantes, situada numa região montanhosa, muito procurada por visitantes (por razões que conhecerei melhor amanhã), ficou historicamente marcada pela sua posição estratégica na rota da seda e é actualmente centro de ourivesaria e de artesanato.

Hoje, deu apenas para ver a noite, bastante animada por um número razoável de turistas que continua a procurar pechinchas no mercado, a receber massagens em plena rua e a encher restaurantes. Menos próspero parece estar outro negócio, também nocturno e de grandes tradições, a ajuizar pelo número de meninas solitárias que enchem pequenos bares de porta aberta para a rua.

Last but not the least: tudo é tão barato que se teme que faltem zeros em muitos preços. Amanhã, será um outro longo dia. Mas o que não tem graça nenhuma é que o fim da viagem se aproxima…




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Trabalhos por esse mundo (1)


Fábrica de Batik, Penang (Malásia)
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26.2.12

Não é o paraíso, mas…


Algum tempo de praia no meio de muitos dias de viagem é não só excelente como aconselhável para retemperar o físico e alimentar a alma. Sobretudo se isso se passa numa ilha como Penang, com um belo clima tropical, no único dia em que (até ver…) não trovejou nem caiu a tradicional chuvada de meia hora e onde a água o mar está à temperatura… do duche. Simplesmente magnífico!

Mas, antes dos mergulhos, dei uma grande volta por esta ilha com cerca de um milhão de habitantes, densamente urbanizada (mas também muito arborizada…), com indústrias bem estabelecidas, pólo turístico por excelência. Penang é um dos estados mais desenvolvidos da Malásia, com uma população heterogénea em termos de etnicidade e de religião, embora com uma forte predominância islâmica (muitas, muitas burqas, negras, negríssimas, um pouco por toda a parte…).

As infra-estruturas turísticas já são boas e tendem certamente a melhorar. (É que este lado do mundo não está em crise!) Ou muito me engano ou, dentro de pouco tempo, saberemos que paletes de ocidentais desembarcam aqui em férias, para mal de vários Allgarves minúsculos, desarrumados e … caríssimos!



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