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15.9.12

Aula prática de política



I (5 anos), na sua primeira manifestação:
«O Passos Coelho também vai roubar a minha cama?» 
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Keep calm


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Eu vi mesmo


... e não foi para assistir a isto. Até já, na rua!


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Conselho de Estado



Não sendo José Manuel Fernandes membro do dito Conselho, quem apoiará Passos Coelho na reunião da próxima 6ª feira? 
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Do envelhecimento ilícito


Ricardo Araújo Pereira, ontem, na conferência «Presente no futuro»

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14.9.12

Leve mais 5 - e tachos tamém


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Um dia seremos todos cambojanos



Numa visita a uma fábrica de chocolates em Vila do Conde, que não foi para ele atribulada porque entrou pelas traseiras e não pela entrada principal onde o esperavam manifestantes, Passos Coelho fez hoje um discurso de cerca de meia hora. 

Entre outros temas abordados, terá afirmado que as medidas agora anunciadas são necessárias porque, segundo o Jornal de Negócios, «aqueles com quem competimos têm custos mais baixos, nomeadamente custos do trabalho». Não que seja novidade, mas fica claramente expresso que o empobrecimento do povo português é instrumental, ou seja, que não é apenas uma consequência lamentável da necessidade de reequilibrar défices, mas um desígnio desejado para nos tornar competitivos.

Quando os nossos filhos ou os nossos netos tiverem salários e horários de trabalho semelhantes aos do Cambodja (mesmo que, entretanto, estes melhorem um pouco), então, sim, Portugal estará pronto a reocupar um lugar decente no mundo. 

Não há como exemplos concretos para se perceber do que se fala e quem me conhece sabe que o Cambodja é, para mim, um terrível símbolo de miséria, desde que lá estive há três anos. A maior das «sortes» era então conseguir um lugar em fábricas, muitas delas deslocalizadas da Europa, com salários absolutamente miseráveis, sem limites de horários, durante 364 dias por ano (descanso só no dia de Ano Novo).  

Sei que houve progressos desde então, mas, em números de 2012, vejo hoje que, naquele país, o salário médio mensal na construção civil é 80 dólares, que o de um motorista é 88,4 e o de um funcionário público administrativo 118.

Vamos a caminho, um dia seremos todos cambojanos.
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Civismo é isto


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Manifestação 15 de Setembro – Algures perto de si



Aveiro / Beja / Braga / Caldas da Rainha / Castelo Branco / Coimbra / Covilhã / Évora / Faro / Figueira da Foz / Funchal / Guarda / Lamego / Leiria / Lisboa / Loulé / Marinha Grande / Mogadouro / Nisa / Moncorvo / Peniche / Ponta Delgada / Portalegre / Portimão / Porto / Santa Maria da Feira / Santarém / Setúbal / Sines / Vila Real / Viseu 

Barcelona / Berlim / Bruxelas /  EUA e Canadá / Londres / Fortaleza / Paris 

 (Em actualização. Informações sobre cada evento a partir daqui)
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O essencial da entrevista




Voltarei mais tarde ao assunto, mas isto tem de ser espalhado e registado para memória futura muito próxima.
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13.9.12

Resta-nos seguir esta sugestão do RAP!



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Manuela Ferreira Leite ainda não decidiu se vai à Manifestação de Sábado, Medvedev pede a libertação das Pussy Riots e eu já não me estou a sentir lá muito bem...


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Manuel Loff: As formas e o fundo de uma polémica


Polémica Manuel Loff / Rui Ramos: quarto texto do primeiro, no Público de hoje.


1. Desviar a discussão... 

A crítica que aqui publiquei às teses desenvolvidas por Rui Ramos (RR) sobre a ditadura salazarista e, na sua comparação com esta, a I República suscitou um coro de protestos contra as minhas posições (e literalmente contra mim) que superaram tudo quanto é aceitável e razoável. Uma forma muito eficaz de dar cabo das discussões é pejá-las de insultos, insinuações, e deixar um campo minado no qual não volta a ser possível retomar o fio à meada do rigor dos argumentos. O desinteresse dos demais propaga-se como fogo na planície, e instala-se a perceção de que os protagonistas, cada um gritando mais alto que o outro, já nada dizem de relevante... 

Nas duas últimas duas semanas assistiu-se ao disparate total! Antigos colegas de RR na instituição em que ele trabalha, os dois co-autores do livro coordenado por RR (sobre cujo trabalho nunca me pronunciei), cronistas deste jornal, não hesitaram em fazer descambar o debate (Ramos acha que não há debate sequer...), patinando naquilo que os próprios (é reveladora a tentativa de inverter tudo!) descrevem como “desqualificação moral e pessoal” do “adversário” ( José M. Fernandes, JMF, PÚBLICO, 7.9.12). É o que aconteceu com a incontinência verbal de M.ª Filomena Mónica (MFM), para quem eu serei “estúpido”, “fanático”, “historiador medíocre” (PÚBLICO, 1.9.12). Ou a surpreendente capacidade de alguns de antecipar/adivinhar opiniões que não formulei e sobre as quais nada se discutiu aqui — por exemplo, de que eu não “não [poderia] dizer” terem “natureza ilegítima, repressiva e criminosa os regimes estalinistas” (Sá&Monteiro, PÚBLICO, 4.9.12). (Curiosamente, foi de mim que alguém disse aqui que eu seria preconceituoso!) E depois repete-se, no vazio, que as minhas críticas ao livro de RR terão sido “falsificação”, “calúnia” e “difamação” sem se rever cada uma das citações que eu fiz do texto de RR. Tem efetivamente razão quem diz que “debater seriamente interpretações históricas, sim; aceitar insultos, não” (Sá&Monteiro, 4.9.12)! É o meu caso. É cansativo, é lamentável (e não direi mais), que se pretenda que toda a crítica é, afinal, difamação e insulto. E estou plenamente de acordo com Diogo Ramada Curto (DRC) quando este descreve o nosso como “um panorama cultural avesso a críticas ou onde estas facilmente derrapam no comentário truncado e numa guerra de bandeiras” (PÚBLICO, 8.9.12); não deve, isso não, é julgar que eu enfio o barrete das guerras de bandeiras. Compare-se, para tal, as intervenções deste coro de ofendidos com aquelas que aqui se têm publicado em tom crítico com o livro de RR e deduza-se quem terá lançado a “guerra civil” de que fala JMF. É espantoso que RR se queixe da “invasão de campo” de Fernando Rosas, quando este, ao contrário dos intervenientes anteriores, RR incluído, é um reconhecido especialista no estudo da ditadura salazarista (e nem precisa aqui que se sublinhe o papel central que nele teve e tem). Se arma há de “guerra civil” que se tenha usado neste debate ela é a do apelo à censura de Mónica (“espanta-me que a direção [do PÚBLICO] tenha dado voz a alguém como Manuel Loff ”) e Barreto (“Sei bem que a liberdade de expressão não pode ser limitada de ânimo leve (...), mas é sempre triste ver que a inteligência, o rigor e a decência têm por vezes de ceder perante essa liberdade última que é a de publicar o que se pensa”). 


Coelho escuta, a Manuela está em luta!



Manuela Ferreira Leite foi entrevistada ontem, no programa «Política Mesmo» da TVI24. Tudo o que possa ser dito fica aquém do espanto generalizado que o conteúdo e a veemência das suas afirmações provocaram em quem as ouviu contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo, evidentemente. Uma grande entrevista, para todos os efeitos.

Vale a pena ouvir tudo, mas destaque-se, pelo seu carácter inesperado e quase anedótico, a parte final da conversa, a propósito da manifestação que terá lugar no próximo Sábado.  

Passa-me pela cabeça se a senhora doutora ponderaria ir a uma manifestação deste género.
Ainda é cedo para lhe dizer. 

Como alguém terá escrito no Twitter, ontem viu-se um porco a andar de bicicleta na TVI...

P.S. - Aqui, a parte da entrevista sobre a manifestação.
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12.9.12

Substituir a política pela fé



«Numa resposta ao jornalista Nicolau Santos, o homem que tem a primeira e a última palavra sobre a condução da austeridade no nosso país, depois de aceitar que é legítimo colocar-se a questão de saber se a atual política pode correr o risco de criar um ciclo "diabólico", em que a recessão chama mais austeridade, e esta agrava a recessão, dispensou-se de contra-argumentar, afirmando que a sua crença é outra, a de que voltaremos, já em 2013, a ver sinais de inversão de tendência. É verdade que toda a política implica navegar na incerteza, mas, há uma diferença entre conhecimento incompleto e uma declaração de fé, que se ergue contra a força dos factos empíricos sem explicar como é que estes podem ser invertidos. Na verdade, a boa política é aquela que faz economia da violência, também porque não poupa na boa semântica. Substituir a política pela fé conduz, geralmente, ao contrário.» (Realces meus)  

Viriato Soromenho-Marques

Manifestação 15 de Setembro – Percurso e não só



«No próximo sábado seremos muitos milhares nas ruas e praças de todo o país. Acordámos e não mais os deixaremos descansar.

Percurso:
A manifestação do em Lisboa partirá da Praça José Fontana, descendo a Avenida da República e passando pela representação permanente da troika, a meio da avenida. Seguiremos pela Avenida de Berna, terminando na Praça de Espanha. Esta praça, além do seu tamanho que permitirá receber em segurança as muitas pessoas esperadas, é onde se encontra a residência oficial do embaixador de Espanha, país em que, no mesmo dia, milhares se juntarão também nas principais cidades para contestar as medidas de austeridade e a troika, constituindo portanto esta data um protesto ibérico contra a troika, um protesto inédito quer pelas suas dimensões quer pelas suas características, e que tudo leva a crer será um ponto de viragem na nossa História recente.

Que se lixem os troikistas | A troika, sendo o principal motor de todas as medidas de austeridade, não está sozinha e utiliza os governos como o de Passos Coelho, Vítor Gaspar e Miguel Relvas para impor a nível nacional as medidas de destruição das nossas vidas. Estabelecemos uma linha. Que se lixe a troika mas que se lixem os troikistas também. Que se lixe a troika e qualquer governo que queira governar com a troika e a austeridade. Passos e Gaspar, mais troikistas que a troika, são fantoches bem-mandados que executam as ordens vindas do FMI, BCE e Comissão Europeia. Não servem.

Tachos e buzinas | Pedimos a todas e todos os participantes que no dia 15 tragam tachos e colheres de pau para a manifestação, para realizarmos a maior caçarolada da história do país e que a nossa indignação e a nossa força ecoem bem alto nas ruas do país. A quem não possa participar na manifestação apelamos a um buzinão nacional a partir das 17h, contra a troika, contra os troikistas e pelas recuperação das nossas vidas.

Dividiram-nos para nos oprimir. Juntamo-nos para nos libertarmos. Está na hora de algo extraordinário.»  

(Daqui)

Lixem-se!



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Em dia de ressaca



Se a comunicação de Passos Coelho, na passada sexta-feira, foi um murro no estômago, aquela com que Vítor Gaspar nos brindou ontem foi arrasadora. Provocou pesadelos durante a noite, fez-nos acordar com uma sensação de ressaca inglória.

Já tanto foi escrito que sublinho só um tema da entrevista de VG, no jornal da noite da SIC, quando José Gomes Ferreira o confrontou com a utilização do jackpot que empresas como a EDP, Galp, PT e outras vão encaixar, em virtude da redução da TSU para os patrões. 

Depois de se enredar na afirmação de que serão obrigadas a criar um fundo próprio que as impeça de distribuir como dividendos aos accionistas o que foi roubado aos empregados, mas de confessar a seguir que o governo pouco pode fazer neste domínio que não depende directamente dele, lançou a ideia mais mirabolante que alguma vez pensei ouvir, mesmo vinda de um alien como ele: que seria de desejar que os cidadãos se organizassem num movimento cívico que levasse «essas empresas a uma atitude responsável em sectores protegidos»

Nem mais. A bola chutada de novo para o campo do adversário – os trabalhadores. Imaginemos já multidões pelas ruas do país, com enormes cartazes de solidariedade com o governo e uma gigantesca faixa a abrir o cortejo: «Gaspar amigo, o povo está contigo!» É mais ou menos isso, não? 

Daria para gozar se não fosse uma tragédia. Esta gente é insensata, mesmo um pouco tonta, certamente perigosa. Isto não vai acabar bem – se nós deixarmos. Não deixaremos, «custe o que custar».

No Sábado, as ruas serão nossas. Em breve, sê-lo-ão todos os dias.
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11.9.12

Depois da tortura de hoje, merecemos isto



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Cale-se, senhor primeiro-ministro



Um texto de Nuno Ramos de Almeida, a ler no «i». 

«O governo violou as promessas eleitorais. Passos Coelho e os seus pares assumiram compromissos internacionais que hipotecam a nossa vida e a dos nossos filhos e netos, sem nos consultarem. Este plano é injusto e nunca foi discutido democraticamente. São os trabalhadores e reformados a pagar a parte de leão. Tanto esforço para nada. O Memorando da troika falhou. Não resolve nenhum dos nossos problemas. Devemos hoje mais que antes da entrada do FMI. O défice do Estado não pára de crescer. E isso tudo apesar de o governo estar a liquidar os serviços públicos. Nunca houve tantos desempregados em Portugal. As empresas continuam a falir, a economia está a ser destruída todos os dias. (...) 

Todos temos os governos que merecemos. É o nosso silêncio que permite esta política. O primeiro-ministro apresenta-nos nos fóruns internacionais como gente mansa que aceita com um sorriso nos lábios toda a austeridade a que nos obrigam. Transformámo-nos nas cobaias das políticas neoliberais. Garantem-nos que não há alternativa. É o momento de remediarmos o erro e dizermos: tudo é alternativa a esta política ditada pela troika, porque este rumo apenas conduz ao desastre. Como escrevia um dramaturgo e poeta alemão de que Merkel não deve gostar:

“Depois de falarem os dominantes/ Falarão os dominados/Quem, pois, ousa dizer: nunca/De quem depende que a opressão prossiga? De nós/ De quem depende que ela acabe? Também de nós/ O que é esmagado que se levante!/O que está perdido, lute!”

Até agora falaram os representantes dos agiotas; a 15 de Setembro, é a nossa vez de tomar a palavra, as ruas são de todos nós.»

Na íntegra aqui.
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Ouviram o Gaspar e emigraram

Mais um perigoso esquerdista a demarcar-se



«É inaceitável sujeitar o país ao experimentalismo social - isto é fazer experiências com a economia social, com a economia nacional, a mando da ‘troika’ - o que se traduz num profundo desrespeito pelos portugueses. É também para mim preocupante o impacto destas decisões em termos sociais, pois está além dos limites aceitáveis, contribuindo para quebrar o consenso social que tem havido sobre as medidas de austeridade»  
Alexandre Relvas 
(Aqui, minuto 1:41) 

Os 11 de Setembro



No 1º aniversário da queda da Torres Gémeas, foram convidados onze realizadores para fazerem filmes dedicados ao acontecimento. Ken Loach estabeleceu um paralelo com um outro 11 de Setembro, o de 1973 no Chile. 



Santiago do Chile, 11 de Setembro de 1973



Sabe-se agora que Salvador Allende se suicidou, em 11 de Setembro de 1973, durante o ataque ao Palácio de la Moneda, em Santiago do Chile. Uma equipa internacional de peritos assim o concluiu, por unanimidade, o ano passado, depois de exames que se seguiram a um nova exumação do seu corpo. 

Allende tinha afirmado, bem antes, que estava a cumprir um mandato dado pelo povo e que só sairia do palácio depois de o cumprir. Ou que o faria «com os pés para diante, num pijama de madeira». Assim aconteceu. 


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10.9.12

Sei mais a dormir do que eles todos acordados

Grécia: nuvens negras



Uma sondagem realizada nos dias 4 e 5 de Setembro revela as seguintes previsões de resultados, caso se realizassem agora eleições legislativas na Grécia: 
  • 30% – Syriza 
  • 28% – Nova Democracia 
  • 12% – Aurora Dourada 
  • 7,5% – PASOK 
  • 4% – Esquerda Democrática
Sublinhe-se o regresso do Syriza ao primeiro lugar e a assustadora ocupação do terceiro pelo partido neonazi Aurora Dourada. Paralelamente, 76% dos gregos considera que o país caminha na direcção errada e 86% declara-se descontente com a actuação do governo. (Tarde piaram...)

Entretanto, os partidos da coligação nem conseguiram ainda entender-se entre si quanto às novas medidas de austeridade (em reunião de ontem, que tinha sido considerada «decisiva») e ainda menos com a troika, em Atenas desde 6ª feira passada, que insiste, por exemplo, em despedimentos na função pública, reduções de subsídios a deficientes e cortes transversais nas reformas, a que o governo diz tentar resistir. O ambiente é definido como «tough and sticky».

Até ao fim desta semana, deve estar «fechado» um plano com novos cortes que correspondam a cerca de 11,5 mil milhões de euros. Não está a parecer fácil...

Fontes 1 e 2, entre outras.
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Saberão eles o que fazem?



Mais um belo texto de Pedro Santos Guerreiro, hoje, no Negócios.

 «Chegará a altura em que deixaremos de perguntar de quem é a culpa e quereremos ouvir apenas um pedido de desculpa. Um sinal de arrependimento, uma confissão de erro, uma liquidação da dívida moral do país sobre o seu povo. Talvez então recomecemos a acreditar. No que nos dizem. Neles. Nos tingidos pela incompetência. Nos ungidos de espírito de missão. Nos que falham.

O anúncio de medidas de austeridade feito pelo primeiro-ministro ao entardecer de sexta-feira, antes de um jogo de futebol, é uma tragédia. Não é o seu primeiro nem último acto, é a tragédia em curso. Tratá-lo com ligeireza, como o Governo fez, é transformá-lo numa comédia. (...)

Esta insensibilidade do Governo em relação a quem paga impostos é assustadora. Talvez seja tique da tecnocracia, o de medir o impacto das decisões ao equilíbrio entre as receitas que se ganham para o défice e a popularidade que se perde nas sondagens. O país já foi cozido e está agora a ser cosido - e nem nos dizem sequer quanto dinheiro nos vão tirar. Sim, eles sabem o que fazem. Só não sabem o que nos fazem. Mas querem que os adoremos. » 

Com todos os detalhes aqui.
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Pela boca há-de morrer o peixe

À procura de um Projecto Coerente para o Serviço Público de Televisão em Portugal




Este longo texto data de Fevereiro de 2002 e foi-me enviado pela Diana Andringa. Divulgo-o porque, como a Diana me recorda com toda a razão, «parte das coisas que se dizem hoje já eram propostas, muito seriamente, há 10 anos» e «se alguém tivesse ligado, a RTP era hoje outra coisa».


A RTP foi, ao longo dos anos passados desde o 25 de Abril, aquilo que os vários poderes políticos que se sucederam no Governo entenderam que ela fosse em cada momento, nomeadamente na área da Informação, servindo o resto da programação de papel de embrulho, mais ou menos atraente consoante o dinheiro disponível e o talento dos Directores.

Poucas administrações da RTP (e os poderes que as nomearam) se preocuparam em pensar e levar à prática um projecto credível de Serviço Público de Televisão. 

Curiosamente – ou não – as excepções surgiram em alturas em que o poder político era pouco estável. Também curiosamente – ou não – quando se instalou no país a estabilidade governativa, instalou-se na RTP uma prática de afastamento do que deveria ser o seu papel de Serviço Público de Televisão, serviço esse com dignidade constitucional, no âmbito dos Direitos, Liberdades e Garantias.

Assistiu-se então à substituição da criatividade pela gestão, da opinião dos profissionais pela de empresas de consultoria que, muitas vezes, não tinham tido qualquer experiência anterior na área da Comunicação Social. O marketing impôs-se aos critérios de qualidade, tornando mais fácil que, desfigurado o Serviço Público de Televisão, num só ano se lhe retirasse o financiamento pela taxa e se permitisse a abertura do mercado a 2 canais privados – contra as vozes de todos os que alertavam que, em Portugal,  o mercado não era suficiente para garantir a viabilidade de 4 canais nacionais.

Como se isso não bastasse, seguiu-se a alienação da rede de distribuição e a obrigação, para a RTP, de pagar aquilo que antes era seu – e a tentação cada vez maior de aos critérios de qualidade substituir os de audiência e conquista de publicidade, afastando-se cada vez mais do figurino de Serviço Público de Televisão.

Mas o que é, afinal, o Serviço Público de Televisão? Como todo o Serviço Público, é aquele que, sendo necessário, exige um investimento do Estado porque, na lógica de mercado, não poderá ser prestado com as mesmas características de natureza, eficiência e qualidade pela iniciativa privada. E qual é então o papel do Serviço Público de Televisão?  Fornecer uma informação e uma programação que,  seguindo critérios de qualidade, diversidade e pluralismo,  promova a defesa do imaginário nacional, da  cultura, língua e soberania e contribua para o desenvolvimento do País. Ou seja: o contrário de uma televisão que “pensa a informação como propaganda e o entretenimento como algo de residual”, na feliz síntese de Manuel Maria Carrilho, aquilo que foi, afinal, durante anos, a concepção dos Governos em relação à RTP.

E que importância tem, para os cidadãos e para o país, o Serviço Público de Televisão? Uma importância absolutamente decisiva, tendo em conta que os portugueses vêem televisão mais de três horas por dia e ela contribui assim, mais do que a família, mais do que a escola, para a formação geral dos indivíduos, para a formação do imaginário colectivo e deve servir a criação da coesão nacional,  o desenvolvimento da comunidade, a definição da identidade nacional e a política de qualificação.

Como pode pôr-se em prática um projecto assim?

Na actual situação de descrédito a que chegou a RTP, apenas com uma clara ruptura com o passado, com o arcaísmo político que levou os diversos partidos a não a estimarem se não como instrumento de propaganda, ou com a falsa modernidade que levou a querer submeter o serviço público às regras do mercado.

Uma ruptura que, em nosso entender, deve apontar no sentido da criação de uma coesão nacional em torno do Serviço Público de Televisão, passando a nomeação do Presidente do Conselho de Administração a ser feita em sede parlamentar, por maioria qualificada, o Financiamento do Serviço Público inscrito no Orçamento de Estado e o Orçamento e Plano de Actividades acompanhados por sub-comissão especializada da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias.

Essa ruptura deve ser também feita:


9.9.12

As Cidades e as Praças (44)





Praça Stadthuys (Malaca, 2012)

(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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O senhor que se segue?

Carta aos «amigos»


Ontem à noite, Pedro Passos Coelho publicou este texto no Facebook, «como cidadão e como pai». Pela minha parte, dispenso lágrimas de crocodilo e o champanhe está a guardado para o dia em que ele baixar os braços (ao contrário do que diz) e se puser a milhas.


Mas mais interessante é dar uma vista de olhos pelos comentários (mais de 8.000, cerca das 12:00 de hoje), se ainda não tiverem sido retirados ou expurgados. São públicos e estão aqui
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«É fundamental empobrecer violentamente»


@Paulete Matos 

Não é um perigoso esquerdista que o diz, mas sim Pedro Marques Lopes, hoje no DN. Ontem à noite, no programa «Eixo do Mal», explicou o mesmo, qualificando explicitamente o que o governo está a levar a cabo como uma «revolução», pelo cariz ideológico que está subjacente. O que cada vez é mais claro do que o céu em noite de lua cheia.

«Concentremo-nos apenas em alguns "pormenores" da mensagem de sexta-feira do primeiro-ministro ao País. (...) 

Mas, calma, o Governo não está a ser ilógico, e vê o que todos vemos. Passos Coelho e Paulo Portas não pensam que o desemprego vai diminuir por as contribuições para a Segurança Social por parte das empresas baixarem. Seria insultar a inteligência dos líderes responsáveis por estas políticas achar que eles pensam que com uma economia em queda se criam empregos. Também, de certeza absoluta, não pensam que as pequenas e médias empresas vão ficar com uma tesouraria mais desafogada. Digamos que são mentiras piedosas. Há um caminho, não pode ser dito em voz alta, mas há um caminho definido: é preciso esmagar os salários, é fundamental empobrecer violentamente, sobre todos, quem trabalha por conta de outrem. O que é preciso é chegar a um limite em que cada um de nós estará disposto a trabalhar dezoito horas por uma côdea. Para que esse homem novo surja é preciso destruir a economia, criar ainda mais desemprego, forçar mais empresas a falir (a taxa de IVA para a restauração está a cumprir na íntegra a sua função, por exemplo) e depois da destruição total da economia, como por milagre, tudo será maravilhoso.» 

A ler na íntegra, aqui.
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