17.4.14

Passos nem diz que o nariz não cresceu



«Apesar de Pedro Passos Coelho 2010 considerar em entrevista a este jornal ser insustentável manter um governo em que um primeiro-ministro mente, Passos Coelho 2014 não só nos tem mostrado como isso lhe parece perfeitamente aceitável (agora é ele o mentiroso, o que muda tudo), como conta com o beneplácito de dois partidos, PSD e CDS, do Presidente da República, do presidente da Comissão Europeia, etc. Na entrevista que deu à SIC Notícias, Passos mostrou como alimenta uma auto-suficiência esplendorosa, recorrendo a todos os truques possíveis - a começar pela inacreditável promessa de "desonerar" os salários e pensões em... 2016. Ora segundo o calendário eleitoral, em 2016 haverá um novo governo para decidir este tipo de coisas e todas as sondagens indicam que não será Passos a "desonerar" coisa nenhuma. Passos já está tão habituado a dizer n'importe quoi que aquilo lhe sai de rajada.

O que faz impressão no discurso de Passos é que consegue ao mesmo tempo fazer a promessa de "desonerar" num prazo que já não é o seu - um "sound bite" - e anunciar com palavras mastigadas que os cortes serão definitivos. (...)

Depois há aquele momento inacreditável em que o primeiro-ministro fala no desemprego - ou é obrigado a falar nisso. Tudo na forma, no tom de voz, no facies, evidencia como o principal problema do país é para o primeiro-ministro o menor dos seus problemas. O desemprego, essa trituradora de cidadãos, é um dano colateral, uma explosão provocada por fogo amigo, um mal necessário do processo revolucionário em curso que arrasará os resquícios do outro processo revolucionário em curso que marcou Portugal em 74-75.»

Ana Sá Lopes, no i.
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1 comments:

D., H disse...

“a começar pela inacreditável promessa de "desonerar" os salários e pensões em... 2016”.

Passos e a restante tralha são inenarráveis! Até parece que fizeram um “guião” (como eles gostam de guiões!) por 20-30 anos. Acaba a política, queima-se a constituição, as eleições dispensam-se…
Nem é preciso ir tão longe, pois mesmo nos dias de hoje, continuam a dar por adquirido muitas medidas (medida = corte) sobre as quais o TC ainda nem se pronunciou.