22.4.14

Um espelho dos cidadãos que somos



O Diário de Notícias divulga hoje uma extensa análise dos resultados do barómetro de Abril, elaborado pela Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP. Com muitos gráficos, dos quais escolhi os que me pareceram mais significativos e que coloco no fim deste post. Uma parte dos textos está acessível online e pode ser lida aqui e aqui. Muito haveria a dizer, mas opto por apenas um ou outro aspecto.

Ninguém se admirará ao constatar que a maioria esmagadora dos inquiridos está pouco ou nada satisfeita com o funcionamento da democracia em Portugal (83%), mas talvez seja de estranhar que, nos últimos treze anos, essa insatisfação só tenha piorado em 7%. Ou não: insatisfeitos nos dizemos sempre, não sei se por natureza ou se por cultura do fado.

Fica-se a saber também que os eleitores do PSD são os menos insatisfeitos, bem como os jovens: «no escalão 18-24 anos, 22% declaram-se satisfeitos enquanto nos restantes essa percentagem não passa de 16%» – abençoados jovens, oxalá não lhes saia o tiro pela culatra...

Embora não se perceba exactamente com base em que agregação de resultados mostrados nos gráficos, conclui-se que «quase dois terços dos inquiridos (62%) acham que o País é hoje mais pobre do que era antes da revolução». A isto, só há um comentário a fazer: não sabem do que falam! E é grave porque se revela uma das vias para se chegar ao «antigamente é que era bom», ou seja para entreabrir portas altamente perigosas a desvios populistas de saudosas ditaduras: há sempre um fantasma salazarento no horizonte, sob a capa de um qualquer sebastianismo serôdio.

Mas talvez tudo se explique, pelo menos parcialmente, num dos gráficos que «puxo» para aqui e que é, para mim, o mais impressionante: aquele que diz respeito à participação dos cidadãos na actividade política, durante o Estado Novo, no PREC, nas décadas que se seguiram e na actualidade.


De uma cidadania a este nível, espera-se exactamente o quê? 

Mais gráficos:






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