21.6.14

Mais um êxodo: o dos refugiados políticos



Pelo Expresso de hoje, fico a saber que, desde Setembro de 2013, os estrangeiros com asilo político concedido por Portugal, há mais de três anos, foram equiparados aos outros emigrantes e a portugueses em situação de carência, tendo por isso visto os subsídios sociais diminuídos em cerca de 70%. Ora, como fazem notar pessoas ligadas a esta problemática, «os refugiados não podem ser considerados imigrantes, vêm a fugir à guerra, não podem voltar para o país de origem, não têm família a quem pedir ajuda, não têm redes de apoio». Mais: só lhe é permitido trabalhar legalmente no país que os acolhe, fora de Portugal só lhes resta a clandestinidade.

As consequências não se fizeram esperar: sem serem conhecidos números exactos, estima-se que mais de 70% das 450 pessoas do universo em questão já tenham deixado o nosso país e «os que ainda cá estão, a ter de escolher entre pagar a renda ou comer, já só pedem para sair. Não têm esperança que a situação mude, preferem trabalhar ilegalmente noutro país da União Europeia».

Mais um êxodo que vai acontecendo sem que nos apercebamos: não são nossos familiares, dificilmente atinge amigos próximos. Mas trata-se de humanos como nós, com vidas bem mais duras do que possamos sequer imaginar.

Números? «Até este ano, Portugal recebia 30 refugiados por ano, mas essa quota foi aumentada para 45. Um número muito diferente dos 20 mil sírios que a Alemanha recebeu desde o final do ano passado ou dos 7000 da Suécia.»

A Alemanha e a Suécia são ricos? E nós não seremos apenas mesquinhos, não sabendo sequer lidar com um grupo tão pequeno de pessoas que forçamos a fugir? 
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