7.8.14

Salgado não será Qin



A família Espírito Santo não terá réplicas em terracota, enterradas em Comporta-Xian.

Da cónica de Fernando Sobral, no Negócios de hoje.

«Qin, o imperador que unificou a China, foi enterrado com os seus guerreiros. Uma obra de arte, que não se esgotou nas réplicas dos seus soldados.

As mulheres, os acrobatas ou os músicos, veio depois a descobrir-se, também surgiam em terracota. Qin não queria ser recordado apenas como o supremo mestre da arte da guerra. Desejava deixar, como herança, o seu mundo ideal.

Até há muito pouco tempo o BES e a família Espírito Santo pareciam, aos olhos dos portugueses, o último bastião de Portugal. Sobreviveriam a ele, como Qin. Continuariam apesar da destruição da classe média, da austeridade fria, do fim do Estado como entidade acima de qualquer suspeita, da corrupção política, da ineficácia da justiça, da emigração, da negação de qualquer futuro aos portugueses.

Os Espírito Santo teriam o seu exército de terracota, como o que restava de uma saudade sem rumo. O colapso do BES é simbólico. Representa o fim de qualquer crença. (...)

A UE é um castelo de Kafka e o refúgio dos Carlos Moedas deste mundo. O BES está a ser coberto de terra, ao som dos sinos. Acontece. Mas depois do que aconteceu é difícil que os portugueses acreditem em mais alguma coisa.»
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