18.12.14

O nosso Homer



«Num dos melhores episódios dos "Simpsons", Homer coloca um vídeo no Youtube em que desfaz as companhias aéreas pela forma como tratam os passageiros.

É um sucesso e ele vai fazer um programa de política na televisão por cabo. Símbolo dos americanos, Homer é rapidamente convidado pelo Partido Republicano para escolher o próximo candidato presidencial.

Homer escolhe Ted Nugent, um conhecido conservador e músico de rock. No fim, Homer acaba por reconhecer que tomou a decisão errada e muito do que disse no seu programa não tinha sentido nenhum. Homer e Passos Coelho têm em comum uma coisa: conhecem a arte da sobrevivência. Diferem porque Passos nunca reconhece que erra. (...)

Homer Simpson partiria para a luta e poria tudo em pratos limpos. Passos Coelho, nascido e exercitado no mundo da política partidária profissional, sabe que esperar compensa. E que centralizar as decisões, só escutando o selecto núcleo de intelectuais que inventaram este modelo para o "novo Portugal", é a sua forma de sobrevivência. Por isso, resguarda-se. Cria a sua fábrica de ilusões e impõe-nas ao partido. Sem discussão. Passos acha que é o PSD. E este, lamentavelmente, cala-se e aceita.»

Fernando Sobral

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