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22.2.14

Grandes árvores (9)





Cópan, 2014

(Para ver a série, clicar na Label: ÁRVORES)
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Na verdadeira república das bananas



Se há muitas repúblicas das bananas por esse mundo fora, as Honduras é que o são na verdadeira acepção da palavra, com as ditas bananas a pesarem cada vez mais no volume das exportações do país (66% em 2013).

Mas não só: têm também Cópan, muito perto da fronteira com a Guatemala, que foi um dos principais centros da civilização maia na América Central.

A região terá sido habitada desde 1500 a.c. por gentes vindas da Mongólia, mas a história dos maias teve início em 150 d.c., com uma organização por dinastias, que a partir de 400 e durante quatro séculos, passou pela mão de dezasseis reis que foram construindo um impressionante conjunto de palácios (ver maquete), em vários planos com grandes desníveis, notável também pelas esculturas que decoravam grandes muros.

Por volta de 850, doenças, fome, sede e guerras foram provocando um rápido declínio e Cópan foi-se transformando em ruínas cobertas de selva e desabitadas. Foi assim que o encontrou Diogo García de Palácio, o primeiro espanhol que chegou a estas paragens. Cópan acabou por ser comprado por 50 dólares, em 1839, pelo diplomata americano John Lloyd Stevens.

Em 1980, foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO.

Por lá andei hoje, debaixo de um sol bastante abrasador. Mas «ça mérite un détour», como continuam a rezar os velhos guias Michelin.

Ficam aqui algumas fotos (poucas,,,) e um vídeo.









Maquete de Cópan, no tempo dos maias:

21.2.14

Araras de todo o mundo, uni-vos




Cólon, Honduras
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It was a long way



À hora a que escrevo, só os muitos noctívagos e os morcegos estarão acordados em Portugal e aqui, na capital da Guatemala, ainda se janta.

Aterrei há algumas horas, ainda só vi o centro de uma cidade parecido com tantos outros, depois de uma longuíssima mas fácil jornada de viagem. Primeira excelente recepção: está um muito agradável calor!!!  

Amanhã é que é: bem cedo rumo a Cópan, do outro lado da fronteira com as Honduras, começo a minha peregrinação maia e terei então muito para contar. Por hoje, dois cartões de visita.




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19.2.14

Ei-los que partem



Fernando Tordo emigrou ontem para o Brasil. O seu filho João publicou num blogue uma carta ao pai, que o Público reproduziu na íntegra.

Hoje, no Facebook, Fernando Tordo respondeu-lhe:

«Carta ao meu filho João. Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer. Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.

Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. ( grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou ) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.

Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua. Beijo do teu pai fernando.»

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Mais uma viagem – e não é curta



Amanhã bem cedo, antes de o dia nascer, passo ali pelo aeroporto da Portela e rumo desta vez para Ocidente.

Mais concretamente, passarei as próximas semanas na Guatemala e arredores, de onde espero vir se não doutorada pelo menos mestre em civilização maia, tantas são as pegadas previstas no meu itinerário, dessas gentes que andaram pelas florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (no Sul México), desde o século IV a.c.

A curiosidade é grande e, se é verdade que o mundo não acabou em 2012, quem sabe se os maias não acertaram ou acertarão ainda em algumas das suas sete profecias...



Usavam um complicado o sistema de calendários interligados, mas o mais importante tinha 260 dias. Assim sendo, talvez o ar que vou respirar faça encolher este fatídico ano de 2014 e pode ser que, no meu regresso a Portugal, já tenham passado as Europeias, acabado as troikas e... sei lá! Até é possível que Cavaco, Passos e Seguro tenham mudado de ramo de actividade. Isso é que era e sonhar, por enquanto, não paga imposto ao fisco. 
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Vale a pena ver



... alguns «bonecos» de Rodrigo de Matos que acaba de receber o prémio «Press Cartoon Europe» para cartoons publicados em jornais.

Mais aqui.
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Seguros estão os mercados



Ana Sá Lopes, a propósito de Seguro e do seu «“sim” ao défice zero que se transformou numa espécie de certidão de óbito da social-democracia europeia».

«António José Seguro foi ontem aos mercados, ao participar na Lisbon Summit do influentíssimo semanário britânico “The Economist”. E, por muito que Seguro seja desdenhado dentro de (algumas) portas, o que disse serviu para ser bem-visto nos mercados. O PS de Seguro (e, vá lá, o PS de qualquer outro líder alternativo a Seguro, no momento em que as coisas estão) “orgulha-se” de ter contribuído activamente para que Portugal fosse dos primeiros a assinar o Tratado Orçamental. Se, cá dentro, Seguro fez questão de bater o pé para que o défice zero não ficasse inscrito na Constituição (uma cedência à esquerda, com a qual concorda, de resto, o Presidente da República, Cavaco Silva), para os mercados gabou-se ontem de ter contribuído para que o défice zero ficasse fixado numa “lei de valor reforçado”.

Os mercados podem ficar descansados. Nada do que ontem disse Seguro foi de molde a assustar os “investidores” e as “grandes lideranças europeias”. A conversa anti-austeritária é para funcionário público ver, pensionista ver, desempregado ver, cidadão com o salário cortado ver.» 

Na íntegra aqui.
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18.2.14

Um pouco de exercício mental



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Bons efeitos colaterais do mau tempo!


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O senhor do baile dos bombeiros



Miloš Forman, o cineasta nascido checo, actualmente também norte-americano, faz hoje 82 anos. Uma infância complicada com o pai, judeu, preso pela Gestapo quando tinha apenas 8 anos e levado para Buchenwald, onde veio a morrer em 1944, um ano depois de a mãe ter tido a mesma sorte em Auschwitz. Durante a invasão da Checoslováquia, em 1968, partiu para os Estados Unidos e em 1977 adquiriu a sua segunda nacionalidade.

Um 82º aniversário como pretexto para recordar três filmes «monstruosos»: Amadeus, Voando sobre um ninho de cucos e o primeiro dos que vi – sem nunca mais perder o rasto do autor: O baile dos bombeiros.

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Faz medo ao susto



Esta entrevista, publicada ontem no Spiegel Online, é aterradora:

Swiss Populist Leader Blocher: 'We Are a Sovereign Country'.

Com Europeias à porta



«A Europa não é um clube dos poetas mortos porque a sua elite dispensa a poesia. Transformou-se um clube de zombies que apenas procuram sobreviver, mesmo que para isso promovam a desgraça à sua volta. Se um dia for feita mais uma temporada da série "True Blood" ela pode ser rodada em Bruxelas e Berlim.

Acossado pela brigada ligeira nacionalista, o poder imperial europeu prepara a sua defesa eleitoral. Fecham-se as portas do castelo, colocam-se crocodilos nas fossas que o defendem e quem não entrou a tempo fica à mercê dos invasores. A Alemanha já disse que antes das eleições europeias não há mais ajuda para a Grécia. E Portugal está a ser convidado, sem pompa nem circunstância, a voar como Ícaro, mesmo que o sol dos mercados possa fazer derreter a cera que cola as asas.»

Fernando Sobral, no Negócios de hoje.
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17.2.14

E quanto à luta dos estivadores



... leia-se o anunciado Comunicado de Imprensa: «Um acordo histórico para o porto de Lisboa».

«Chegou-se a um acordo muito significativo relativamente a um conjunto alargado de matérias e que aponta para um roteiro a definir nos próximos dias entre os diferentes parceiros sociais para a calendarização do processo de negociação de um novo contrato colectivo de trabalho, para a reintegração dos 47 trabalhadores despedidos no último ano e para um consenso sobre o modelo de organização de trabalho a solidificar, de forma sustentada, no porto de Lisboa.»
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Vítor Gaspar: Não-cumprimentos e Incumprimentos



O Público divulga hoje uma longuíssima entrevista a Vítor Gaspar, com ecos em toda a comunicação social.

Confesso que o meu interesse não foi suficiente para ler a totalidade das quatro páginas que ocupa, mas há passagens imperdíveis, não tanto pelo conteúdo, mas por aquela forma a que o entrevistado nos habituou durante tanto tempo recente das nossas vidas. Falta o som e é pena, porque tudo devia ser dito e ouvido muito, muito lentamente.

Um exemplo: 
«O não-cumprimento das metas originais – repito, originais – do programa minou a minha credibilidade. (...) Não houve sequer incumprimento, de um ponto de vista formal. Porque as metas iniciais do programa foram renegociadas antes do momento em que o seu incumprimento se colocaria. Isto é, no momento em que os vários números do défice foram constatados, eles estavam conformes aos limites quantitativos do programa em vigor no momento da verificação.»

Ou seja: VG não cumpriu, mas não incumpriu.
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O Inimigo Público é que sabe

Homer Simpson e os festejos do 25 de Abril



«Homer Simpson sabe como é o delírio político. Por isso diz: "Existem três maneiras de fazer as coisas: a maneira certa, a maneira errada e a minha maneira, que é igual à maneira errada, só que mais rápida".

Influenciada por este mentor ideológico, a classe política portuguesa espera-se para superar Homer. Assim, como tem um défice de utopias para partilhar com o povo, dedica-se a delirar. A prova desta irresistível atracção pela política dos carrinhos de choques está no Woodstock à portuguesa que decorreu há dias no Parlamento. O objectivo do "sit down, tune in e drop out" foi delirar sobre a forma de se comemorar os 40 anos do 25 de Abril. A tempestade criativa transformou-se naquilo que se espera da classe política nacional: as ideias ou são básicas ou dançam na maionese. (...)

Há, claro, um problema: a austeridade refreou a ideia de festa e não há dinheiro para tudo. Assim, como chefe do departamento de delírios institucionais, Assunção Esteves colocou a hipótese de se recorrer ao mecenato para pagar as comemorações. Ou seja, o "25 de Abril é patrocinado pelo gel de emagrecimento Adelgaçante" ou "o 25 de Abril é oferecido aos portugueses pelos limpa-chaminés Varre Tudo". A banda que toca o hino iria com uma farda de um hipermercado.»

Fernando Sobral, no Negócios de hoje.
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16.2.14

O caminho é por aqui



O António Mariano explica: Um dia histórico para o Porto de Lisboa. 

«Depois de muita luta e com o apoio fundamental dos demais sindicatos de estivadores europeus, (...) reuniram-se no Edifício Vasco da Gama, em Lisboa, representantes do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal (...), do lnternational Dockers Council (...), da AOPL (...) e da AOP (...), tendo em vista discutir as razões que deram origem ao conflito existente e atingir um acordo entre os parceiros sociais do sector.

Os trabalhadores reunirão amanhã, segunda-feira, durante a manhã, de modo a discutirem e votarem os termos do acordo negociado pela direcção do Sindicato e pelo IDC.» 
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Oposição ou nem por isso



«A verdade é que, para o Governo, Seguro foi o homem certo no momento certo. Alguém que fingiu que se opunha, que não incomodou e que se limita a esperar pela vez dele.

O PS não está sem discurso, ao contrário do que se diz, o PS tem simplesmente o mesmo discurso do Governo. É aliás por isso que se perde em propostas avulsas que soam a demagogia e a populismo. (...)

Mas pior do que a atual direção do PS, só mesmo a sua oposição interna. Já cansa a conversa estafada dos críticos. Vem uma eleição e lá voltam eles ao "agarrem-me senão eu mato-o". É uma história de que conhecemos o princípio e o fim: grandes críticas, grandes exigências de resultados eleitorais e depois... nada. Dá muito trabalho, "a máquina está dominada" (nunca saberemos se é verdade ou não), não é o tempo certo. (...)

A grande preocupação atual do PSD é não ganhar as europeias e apenas perdê-las por pouco, [porque] isso, segundo eles, manterá Seguro. A última coisa que quereriam é não enfrentar o atual secretário-geral nas legislativas. Mas não têm de se preocupar, nem com uma derrota nas europeias Seguro sairá.»

Pedro Marques Lopes
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Venda o táxi e vá para seminarista

Janela sobre o medo



El hambre desayuna miedo. El miedo al silencio aturde las calles. El miedo amenaza:
Si usted ama, tendrá sida.
Si fuma, tendrá cáncer.
Si respira, tendrá contaminación.
Si bebe, tendrá accidentes.
Si come, tendrá colesterol.
Si habla, tendrá desempleo.
Si camina, tendrá violencia.
Si piensa, tendrá angustia.
Si duda, tendrá locura.
Si siente, tendrá soledad.

Eduardo Galeano,   Las Palabras Andantes.