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26.7.14

Esperança



Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?

Esperança:
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.

Almada Negreiros, Obras Completas (IV – Poesia)

O último dia



João Paulo Baltazar foi um dos muitos jornalistas atingidos pelos despedimentos da Controlinveste. Ontem foi o último dia em que esteve na rádio que ajudou a criar. Deixou no Facebook um texto que abaixo transcrevo, precedido por um comentário de Carlos Vaz Marques.

Carlos Vaz Marques:
Hoje é o último dia de trabalho do João Paulo Baltazar na TSF, de que ele foi um dos fundadores. O melhor entre os melhores foi despedido. É o fim de qualquer coisa, com certeza. Ainda não sei exactamente de quê, mas seguramente depois disto nada será como dantes. Quero que saibam que amanhã, sábado, quando me ouvirem a editar os noticiários da manhã, não hei-de estar só triste, estarei envergonhado.

João Paulo Baltazar:
Para acabar de vez com a nostalgia

O matraquear das máquinas escrevinhava o som de oficina – as nossas mãos nas palavras que, cinzeladas, soltavam faíscas. Tac, tac, tac, plim, zzzzzt ... com a cabeça e o coração em cada frase. O magnético cruzamento dos sons, desenrolados das fitas, era parte de uma coreografia que só os melhores dançavam com uma leveza certeira. A rádio era muito física nesses oitenta, derramados nos noventa. Saíamos a correr para a rua, voltávamos com a urgência da notícia (era preciso contá-la melhor, depois do directo), com o desejo de modelar e polir uma história. Tac, tac, tac, plim... zzzt, zzzt, mais um bailado de sons e palavras, com a cabeça e o coração. Gritávamos em uníssono: abaixo o Portugal sentado!!

Antes e depois de cada turno, discutia-se tudo. Era importante criticar, aperfeiçoar, ir um pouco mais longe, vigiar o rigor, desafiar os golpes de asa – amanhã sai melhor! Dávamos os corpos às balas, sim. Por vezes, queimava; depois, sarava. Tudo era muito físico, vibrante, à flor da pele da rádio. Tantos erros, quanta paixão!

Depois (muito depois), o mundo inteiro na ponta dos dedos (ou uma ilusão desse espanto sem fim). Das cassetes e da fita ao quotidiano património imaterial mas sempre com o mesmo apetite de sons, fome de verdade impossível: há que tirar as medidas ao mundo em cada esquina desta aldeia. “Continuamos a discutir isto?” Sim. Vai e volta. Na rede, sem rede. Ligados, sem fios. Tantas voltas. Analógico, digital, cabeça, coração.

Mas, incerto dia, dás-te conta: um pouco mais de silêncio na oficina – tic, tic, tic... Um pouco menos de calor. Gestos um pouco mais em câmara lenta. Até que um dia, perante uma crítica, atiras: “É a tua opinião... cada um por si, topas?”. A economia (a nossa, mais íntima, nos bastidores das notícias) sempre em plano inclinado. Até que um dia te pedem para seres "brand journalist" ou uma merda do género, “ganhas uns trocos extra, não é bom?” E seres... pouco mais, afinal. Até que um dia te dizem que não há outra saída: é preciso organizar mais um "evento" e outro ainda, “fazes nas folgas, ok?”. Até que um dia, o estatuto editorial acorda encolhido numa quase-palavra: EBITDA. Até que um dia nada te dizem, durante semanas, meses, anos a fio. Até que um dia te dizem (ou tu percebes): acabou.

Esta sexta-feira, cumpro o meu último turno na TSF, depois de 26 anos, quatro meses e 25 dias de trabalho nesta rádio.
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Blogosfera


Surgiu há dias um novo blogue – Tudo menos economia – de três ilustres economistas: Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral. Confesso que ainda não percebi ao que vêm (têm todo o direito de não vir a coisíssima nenhuma...), mas um facto é lamentável: só tem acesso aos posts na íntegra quem for assinante do Público! É caso para se dizer que «não havia necessidade», quando nada há mais fácil, e mais rápido, do que criar um blogue, usando uma das várias plataformas disponíveis, totalmente gratuitas....

Achei graça a este texto de Bagão Félix, que aqui fica:

Obiang e o Acordo Ortográfico 

Durante a Cimeira em Dili da CPLP, o presidente Obiang da Guiné Equatorial terá balbuciado três palavras em português: sim, sim e sim. O país, entretanto, anunciou a sua adesão à Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, na página oficial do seu Governo na Internet em três línguas: espanhol, inglês e francês. Parece que a ausência da língua portuguesa se deveu a uma dúvida metódica do ditador: a de se deveria ou não utilizar o chamado Acordo Ortográfico. Compreensível, não acham? É que, por exemplo, Obiang queria escrever já em escrita acordista “A partir de agora, ninguém para a Guiné Equatorial!”. Mas alguém lhe terá explicado que em versão não acordista o que ele queria anunciar se escreve “A partir de agora, ninguém pára a Guiné Equatorial!”. Uma mera questão de um acento que muda. Ou será de um assento que, para Teodoro, não muda desde o longínquo ano de 1979? 
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25.7.14

Imagine-se o fim-de-semana destas 280 famílias




O Centro de produção da Peugeot Citroën em Mangualde vai despedir cerca de 280 trabalhadores. A decisão está relacionada com a redução de um dos três turnos. Uma medida que entra hoje em vigor.
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Uma ajudinha


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Boas notícias, para variar

Afinal CPLP = Comunidade de Países com Ligação ao Petróleo



É bom que não se vire a página sobre o que foi consumado em Timor, porque o futuro trará mais novidades e talvez alguma surpresas. No Expresso diário de ontem, António José Teixeira escreve sobre «A nova CPLP – Comunidade de Países com Ligação ao Petróleo» (link só para assinantes), que merece ser lido.

«Já muito se escreveu em Portugal sobre a velha Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Escreveu-se menos sobre a nova Comunidade de Países com Ligação ao Petróleo. Ambas respondem por CPLP. Uma morreu ontem, depois de 18 anos de retórica. A outra está aí, prometendo muitos anos de mais-valias. Faz toda a diferença. A transição fez-se com algum embaraço. Mas tudo não passou, como esclareceram Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, de um incidente protocolar. E os nossos dignitários não quiseram acrescentar outro incidente para não causar nenhum problema à condução dos trabalhos. Foi isto que disseram. Também para não causar problemas não houve votação. Afinal, havia consenso. Evitou-se assim a maçada de termos de votar a favor ou, quem sabe, de nos abstermos. Até o imprevisto de se chamar para a mesa quem ainda parecia não ter sido admitido foi bem pensado. Foi a prova provada de que não é preciso admitir quem já está admitido, não é preciso votar a admissão de quem já entrou em casa. Organização sofisticada, rápida e prática.

Doravante, a CPLP terá uma «nova visão estratégica», assim designada em Díli. Para não haver dúvidas, a página oficial da Guiné Equatorial deu a notícia da entrada na CPLP nas línguas espanhola, francesa e inglesa. A língua franca é o petróleo. A CPLP quer tornar-se um dos blocos mais importantes a nível petrolífero, pois 50% das reservas descobertas nos últimos anos são provenientes destes países. Leia-se: Angola, Guiné Equatorial, Brasil, São Tomé. Mais o gás de Moçambique... Ou seja, uma verdadeira Comunidade de Países com Ligação ao Petróleo. Em Portugal não há notícia de gás ou de petróleo, mas sempre podemos candidatar-nos à refinação do dito.

A ideia de que as instituições, os países e as relações internacionais se guiam por valores é interessante, mas pouco rigorosa. São os interesses que movem o mundo. A língua portuguesa deixou de ser um interesse comum, se é que alguma vez foi. O petróleo pode não ser um elo colectivo, mas é o interesse dos mais fortes. Portugal não foi capaz de contrariar esta realidade. Deixou-se encostar à parede. Cedeu para não ficar de fora. Mas já está. À porta, aguardam a sua vez: Albânia, Taiwan, Maurícia, Senegal, Geórgia, Turquia...» 
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24.7.14

Palavras para quê



Fotos de Gaza.






Daqui.
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Ricardo Araújo Pereira e os gurus da auto-ajuda



Na Visão de hoje:

«Um dos pregadores da Igreja Universal do Reino do Empreendedorismo tinha dito que a palavra "empreendedor" acabava em "dor" porque ser empreendedor era muito doloroso. Essa observação fez-me ganhar um novo respeito pelo espanador e mesmo pelo esquentador, que partilham aquela terminação, e são objectos cujo sofrimento eu desconhecia. Um outro teórico disse há dias que a nossa mente se chama mente porque nos mente todo os dias. Suponho que, em inglês, a mente se chame "mind" porque a mente dos ingleses não é aldrabona. Má sorte ter nascido português.»

Na íntegra AQUI.
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Lido por aí (81)


@João Abel Manta

* A queda do império (Alexandre Abreu)

* A Tour of France: What Is Wrong with the Grand Nation? (Alexander Smoltczyk)

* Ou a finança ou o povo (João Bateira)
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António Costa: uma semana para esquecer (ou talvez não)



O entusiasmo febril de uns tantos apoiantes de António Costa parece começar a esfriar. Nas redes sociais, há muitos silêncios e alguns desabafos.

Se o bate-papo com Rui Rio e a ideia de um acordo de regime a 10 anos já provocou alguns calafrios, a «agenda para a década», que o pré-candidato socialista a primeiro-ministro apresentou ontem e que será discutida no próximo fim-de-semana, soube a pouco aos mesmos e a muitos outros: nos nove painéis que terão lugar em Aveiro, não estão previstas discussões sobre o défice, a dívida e a consolidação orçamental.

Percebe-se a táctica nos dois casos (sobretudo no segundo: «no adiar é que está o ganho»), mas há sempre que prever um efeito boomerang porque há quem não aprecie este tipo de atitudes. E até possíveis ex-futuros compagnons de route do PS mostram já algum nervosismo (leia-se os dois últimos parágrafos desta notícia).

No jornal «i» de hoje, Ana Sá Lopes publica um texto demolidor «PS: campanha para o troféu sexy platina».

«Imagine-se a carga de pancadaria que levaria António José Seguro se resolvesse convocar uma conferência de imprensa sobre uma "convenção" e agenda de 10 anos para o país e se se recusasse a dizer o que pensa sobre a consolidação orçamental, o que pensa sobre a reestruturação da dívida e de como sair do buraco em que estamos, alegando que queria ir às "origens da falta de competitividade da economia portuguesa". O Largo do Carmo e a cervejaria da Trindade haveriam de cair estrondosamente, o blogue inventado pelos assessores de Sócrates no governo faria algumas graçolas de gosto duvidoso, o Twitter e o Facebook ficariam atordoados de tantos apoiantes de António Costa a criticarem a "ausência", "a falta de opiniões", a "hesitação", a "falta de firmeza", a "falta de projecto para o país" e para o seu problema mais imediato. (...)

Para quem foi tão festejado por alguns elementos da esquerda do PS, por militantes do Livre e ainda alguns do futuro partido de Ana Drago que quer "governar" com o PS de Costa, o candidato a primeiro-ministro não poderia ter tido uma semana mais extraordinária. A estreita relação com Rui Rio foi suficientemente exposta, com os dois eventuais protagonistas de um futuro bloco central a concordarem num pacto de regime a 10 anos. E o discurso do "depois vemos como tratamos das finanças" faz temer o pior no que respeita a uma alternativa à austeridade em vigor. »

Na mouche
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23.7.14

Reggiani – passaram 10 anos



Serge Reggiani foi certamente um dos grandes cantores franceses que marcaram a minha geração. Pela interpretação, pelo encanto pessoal, pelo compromisso político, certamente pelos poetas que ajudou a conhecer ao divulgá-los nas letras das suas canções. Morreu há 10 anos, em 23 de Julho de 2004.

Nasceu em Itália e ainda criança instalou-se com os pais em França para escapar ao fascismo do país natal. Começou como ajudante de barbeiro, inscreveu-se no Conservatório e, com 19 anos, estreou-se no teatro onde contracenou com Jean Marais, entrou em alguns filmes mas passou rapidamente à clandestinidade na Resistência francesa. Regressou ao cinema depois do fim da guerra, mas foi como cantor que se consagrou, a partir de 1964. Entre muitos outros, cantou Boris Vian, Rimbaud, Prévert e Appolinaire.

Algumas das canções a não esquecer:





Para mim, acima de todas, esta:


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Crismem a CPLP



Existe um sacramento na santa madre igreja, que dá pelo nome de Crisma e que permite alterar o nome de baptismo. Não sei se esta prática caiu em desuso, mas dava jeito que não.

Como previsto, está confirmada a integração da Guiné Equatorial na CPLP. Em terras onde tanto se sofreu e tanto se lutou contra tiranos – Timor – aceitou-se que um dos países mais corruptos do mundo entrasse numa comunidade que, com todos os defeitos e limitações, tinha até agora uma história comum. De colono e colonizados, é certo, mas comum e expressamente baseada na herança de uma língua.

Bem pode Cavaco pregar, como fez hoje, «que a língua portuguesa e a defesa dos direitos humanos são valores identitários da CPLP e devem continuar a determinar as suas decisões». Levou como resposta uma enorme gargalhada do novo membro admitido: no seu site oficial, lá está o regozijo pela integração, em três línguas – Espanhol. Inglês e Francês!

Assunto arrumado, portanto, quanto à língua de Camões. Até porque ninguém acredita que a Geórgia, a Namíbia, a Turquia e o Japão, também desejosos de serem admitidos no grupo (e não é, garantidamente, nem pela cultura portuguesa, nem pelo peso político de Portugal...) se dêem sequer ao trabalho deste «faz de conta» a que Cavaco Silva ainda recorre.

Assuma-se de uma vez por todas que o único interesse é dinheiro, money, money, e que a corrupção faz parte integrante do jogo. Mantenha-se a sigla mas crismando o que o último «P» representa. Pode ser: «CPLPró que der e vier» ou, até, «CPLPró menino e prá menina».

E, já agora, espalhe-se este anúncio que António Costa Santos divulgou no Facebook: «Alô, Coreia do Norte! A CPLP está a dar vistos gold.»

Mais a sério e com indignação: os povos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa não mereciam a afronta que os seus governantes hoje lhes fizeram. 
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Lido por aí (80)


@João Abel Manta

* Três vezes GES (Sérgio Figueiredo)

* Um país para estrangeiro ver (Paulo Agostinho)

* A sinistra relação das coisas (Baptista Bastos)
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Um preso sai caro, não pode reincidir



Crónica de Diana Andringa, ontem, na Antena 1:

Anunciou o jornal Público de hoje que a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais pretende vir a afastar os directores das cadeias que não conseguirem reduzir a reincidência dos seus reclusos.

De acordo com a época, as razões avançadas são contabilísticas. É que metade dos 14.500 reclusos portugueses voltam à cadeia e, segundo um responsável daquela direcção geral, cada um custa ao Estado 50 euros por dia: «O tratamento penitenciário é caro e, por isso, não nos podemos dar ao luxo de encarar a reincidência de ânimo leve», explicou. Daí a decisão de avaliar os resultados e o perfil do director, sendo este responsabilizado e podendo ser afastado se nada mudar.

Há anos, numa intervenção no Centro de Estudos Judiciários, sugeri que todos aqueles que têm responsabilidades no sistema judicial – incluindo políticos e legisladores que respondem com aumento de penas aos medos sociais que, muitas vezes, incentivaram – deveriam passar algum tempo encerrados numa cela. Talvez isso lhes permitisse ver a prisão com outros olhos, bem diferentes do custo da diária, e talvez até permitisse perceber que encarcerar pessoas durante largos anos, desconsiderá-las enquanto seres humanos, sujeitá-las a tratamentos degradantes e, por vezes, a uma violência superior à dos actos que as terão levado à prisão, são medidas dificilmente tendentes à reinserção social.

Como muitos dos portugueses que passaram pelas prisões políticas sabem, o tempo de cadeia, as humilhações e o maus tratos reforçavam-nos nas suas convicções. Não creio que seja forçosamente diferente com os presos sociais. Nesse sentido, alguma responsabilidade cabe, certamente, aos directores das cadeias. Mas é demasiado fácil tê-los como únicos culpados da reinserção falhada.

E vem-me à memória – o que aliás me acontece muitas vezes – o caso do noivo de Alcoentre. Lembram-se dele? Foi em 1979, creio. Tinha fugido da cadeia, voltado ao bairro, arranjado casa, trabalho, família. Nascida uma filha, a mulher teve pena que não fossem casados. Publicaram os banhos. Foi preso no dia do casamento, para cumprir o resto da pena, agravada pela fuga. Nunca mais soube dele, mas permito-me duvidar que tenha conseguido voltar a reinserir-se.


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22.7.14

Esta terra é minha




Vale a pena ver detalhes aqui.
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O BES está bem, então não é evidente?



«O prejuízo do BES no primeiro semestre poderá ser superior a mil milhões de euros, cinco vezes mais do que estava previsto pelo mercado. (...) Um salto gigante nos prejuízos do BES que estará associado em parte ao reconhecimento imediato do aumento da exposição do BES ao Grupo Espírito Santo (GES) em mais 800 milhões no primeiro semestre. (...)

Os acontecimentos no GES e no BES nas últimas semanas sucedem-se a um ritmo alucinante, e espera-se a qualquer momento que haja novidades em relação à Rioforte, empresa controlada pela ESI em 100%. A ESI fez o pedido ao abrigo do "regime de gestão controlada", o mesmo que deverá fazer a Rioforte.

Resta agora saber se o irá fazer também a Espírito Santo Financial Group, empresa que controla 20,1% do BES, e que deixou de fazer ontem parte do PSI20.»

Anabela Campos, João Vieira Pereira e Pedro Santos Guerreiro, no Expresso diário de hoje.
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A caminho das primárias, a toque de ferrinhos



Henrique Nande fez mais este «boneco» em A Portugueza, remetendo para um post que publiquei aqui ontem. Magnífico, como sempre! 
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Rio é, Costa o põe




Com os links para o Público só funcionam quando sabe-se lá quem lhe apetece, fica um excerto:

«Numa conferência sobre "A política, os políticos e a gestão dos dinheiros públicos", organizada pela TSF e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, em que foi notório o bom entendimento entre ambos, Costa disse que o PS deveria ter uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, mas ressalvou que "a maioria é necessária, mas não deve excluir a necessidade de diálogo" para que se consiga obter "uma agenda para a década".

Referindo que tem muita estima por Rui Rio e até desejando-lhe a sorrir felicidades se for presidente do PSD, Costa voltou a afirmar que "o pior é não haver alternativa", pedindo "uma mudança de Governo e de política".

António Costa disse ainda que para "atacar" os problemas do país é preciso "estabilidade e competitividade (...) e isso implica um outro grau na política, partilha de politicas comuns e de investimentos que não podem ser interrompidos", em resumo uma "agenda para a década que permita consolidar objectivos políticos".

Por seu lado, Rui Rio reforçou que "o acordo principal é o acordo de regime".» 
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Amnésia



«No seu notável livro sobre a I Guerra Mundial, o historiador Christopher Clark, designa os dirigentes políticos europeus, que conduziram os seus povos à hecatombe bélica de 1914-18, como "sonâmbulos" (Sleepwalkers). Talvez um historiador futuro, tentando classificar a liderança europeia que desde 2008 tem adiado as decisões necessárias para salvar a UE, encontre em "amnésicos" um adjectivo mais adequado. Amnésicos, porque esqueceram que garantir uma ordem livre, justa e pacífica é o objectivo vital da Europa, e também o único meio de dar um sentido ao sacrifício de 60 milhões de vidas em duas guerras mundiais, com ignição europeia. Amnésicos, porque transformaram uma união monetária, que deveria ser um instrumento de prosperidade, numa prisão de povos, restaurando a hierarquia dos Estados europeus de um modo brutal, acentuando assimetrias, e reabrindo cicatrizes e hostilidades antigas. Amnésicos também porque esqueceram não só as lições das guerras travadas (entre 1914 e 1945) como os ensinamentos da guerra evitada com o desmantelamento pacífico da URSS, sob a liderança de Gorbachev e Ieltsin. A guerra civil na Ucrânia, com o seu cortejo de violências e ignomínias, deve-se em muito à irresponsável conduta de alguns governos europeus (falando abusivamente em nome da UE) que lançaram mais combustível para a fogueira que deveriam ter ajudado a apagar. Só se pode desejar que o horrível massacre dos inocentes no voo malaio possa levar os amnésicos a uma redentora lucidez. Só a diplomacia poderá não só garantir a justiça como parar uma escalada militar, que, no limite, voltaria a colocar a Europa, quase trinta anos depois do fim da guerra fria, debaixo da ameaça das armas nucleares. Uma ameaça latente, mas inteiramente operacional.» (Realces meus.)
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Viriato Soromenho-Marques

21.7.14

Lido por aí (79)

A Bélgica também faz anos



Hoje é o dia da Festa Nacional da Bélgica: foi num 21 de Julho, em 1831, que Leopoldo I se tornou o seu primeiro rei.

É certamente uma das minhas «pátrias». Duas longas estadias naquele país, totalmente diferentes e separadas por mais de duas décadas, moldaram muito do que agora sou. Deu-me a saudade, não vou lá há muitos anos e só quem nunca lá viveu desconhece a qualidade de vida possível, apesar do clima e de mais umas tantas minudências.

Tudo isto e muito mais:


E isto, obviamente:



Avec des cathédrales pour uniques montagnes / Et de noirs clochers comme mâts de cocagne / Où des diables en pierre décrochent les nuages / Avec le fil des jours pour unique voyage / Et des chemins de pluie pour unique bonsoir / Avec le vent de l'est écoutez-le vouloir / Le plat pays qui est le mien. 
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Varrer para debaixo do tapete



«As sucessivas declarações de Passos Coelho e do Governo que não haverá intervenção no GES, mostra a deliciosa narrativa em que vivemos: o Governo, quando for evidente que o BES é fulcral para garantir a circulação de sangue na economia nacional (porque é), funcionará como um carro-vassoura. Essa fórmula consiste em salvar a cara com o método tradicional da burocracia europeia para gerir a crise: solucionar só os problemas mais gritantes e varrer para debaixo do tapete a sujidade que ninguém quer ver.

Mais tarde ou mais cedo, de noite, quando os olhos dos cidadãos estão mais cansados, o Governo actuará. Seja com meios próprios, seja através dos "fundos" que serão brevemente cortejados por quem sabe. Tudo perante o olhar pacato de Bruxelas, que não quer um novo incêndio num dos seus quintais. Caminharemos assim, sem muitos sobressaltos, para o pragmatismo liberal que Passos Coelho quer impor ao país: as coisas têm de mudar para que Portugal volte ao passado medieval, onde um pequeno grupo domina o Estado e a economia ao mesmo tempo.»

Fernando Sobral, no Negócios.
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Foi você que pediu um 1º ministro?



Não estamos ainda em Agosto, mas quase:



Entretanto, a não perder:


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20.7.14

A caminho



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20 de Julho?



A Lua, obviamente – há 45 anos.

Uma canção para assinalar a data: «To commemorate the 45th Anniversary of the Apollo 11 Moon landing, the mission's Spacecraft Warning System Engineer, Jerry Woodfill, in his 49th years as a NASA employee of the Johnson Space Center in Houston, Texas has authored the song "1969 Moon Landing". The song is an adaptation of the Johnny Horton hit "Battle of New Orleans"



E um vídeo para recordar uma longuíssima noite, inesquecível:


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Lido por aí (78)


@João Abel Manta

* Cristina Kirchner: vamos pagar a dívida sob condições justas (Nicolás Santos)

* Apenas cretinice? (Pedro Marques Lopes)

* Firmes com galheteiros moles com passageiros (Ferreira Fernandes)
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PS: autofagia, para além do resto



A Comissão Nacional de Jurisdição do Partido Socialista decidiu expulsar alguns militantes de Coimbra, por razões várias. Só conheço um deles – Elísio Estanque – cujo delito terá sido o de ser candidato pelo (excelente) Movimento de Cidadãos, que concorreu às últimas eleições autárquicas. Elísio Estanque, repito.

Corre agora uma Petição com o sugestivo título «Queremos Ser Expulsos».

Talvez não fosse má ideia que os dirigentes do Partido Socialista (actuais e possíveis futuros) fossem à bruxa, a um exorcista ou algo assim. Ali só pode andar mau olhado. 
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