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20.9.14

E já que hoje se fala de Sofia Loren



No dia em que Sofia Loren chega aos 80, um pequeno vídeo que nos recorda alguns passos da sua vida e umas tantas imagens, bem antigas, de filmes que podemos ter ainda na memória.










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Assim não vale!



Sofia Loren, 80 anos, hoje. Foto tirada anteontem.
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Perdoemos-lhes porque não sabem o que fazem



«A semana foi diferente. Fofinha, vá. Dois ministros, dois, pediram absolvição por transtornos e outras trapalhadas da governação. (...)

Manda a sabedoria popular que as desculpas não se pedem, evitam-se. Determina a civilização que errar faz parte da natureza humana. Sabemos que pedir perdão é, em muitas circunstâncias – quase todas –, um acto de nobreza. (...) O erro ou o pecado são, portanto, naturais. Fazem parte do exercício de qualquer actividade, e o poder não é excepção. (...)

Em política, no entanto, é dos livros, a assunção de responsabilidades faz-se de outra maneira. Quando se falha, quando se transtorna a vida dos outros, quando se é incompetente a resolver problemas, sai-se. Mas, porque não houve grandeza em nada do que foi feito, resta-nos a humanidade de lhes perdoar, porque não sabem o que fazem.»

Nuno Saraiva
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19.9.14

Pesadelo


Acordei a meia da noite passada sem conseguir deixar de imaginar a cara de Assunção de Esteves a ouvir o deputado José Cid a cantar isto, em tempo de intervenção como deputado.


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Viemos de longe, de muito longe



No dia 19 de Setembro de 1975, tomou posse o VI (e último) Governo Provisório. Chefiado por Pinheiro de Azevedo, durou até 23 de Julho de 1976, data em que entrou em funções o I Governo Constitucional.

Na imagem, um excerto do discurso do primeiro-ministro, no acto da tomada de posse do novo governo (*). Delicioso – no mínimo. Comentários para quê, neste ano da graça de 2014.

(*) Na íntegra, aqui.
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Pergunta pública ao Presidente da República


Comunicado da Associação 25 de Abril

Constatando os graves problemas que se vivem na Justiça, nomeadamente nos Tribunais,
Concluímos que, as Instituições não estão a funcionar regularmente.

Considerando que o Presidente da República é, constitucionalmente, o garante do regular funcionamento das Instituições,
Perguntamos a S. Exª o que o inibe de intervir para garantir esse regular funcionamento e responsabilizar os causadores de tudo isso.

De que está à espera, senhor Presidente da República, para actuar?

Lisboa, 18 de Setembro de 2014
O Presidente da Direcção
Vasco Correia Lourenço

Borboleta cobra



«O Novo Banco não passou da fase Nenuco. No fim-de-semana, o Expresso deu a notícia: Vítor Bento estava demissionário. O outrora Salvador da Pátria Financeira, afinal não percebia nada de banca e estava de saída sem deixar saudades. Os banqueiros arfavam por banqueiros: "Faz muita falta um banqueiro à frente de um banco", eu acrescentaria, daqueles que já não se fazem, como o Salgado, o Jardim Gonçalves, o Rendeiro, etc.

Mais uma vez não sabíamos tudo o que se passava. Enquanto cá fora havia borboletas, lá dentro, o ambiente era de reptilário. Bem que Cavaco Silva queria saber mais coisas. Andavam a maltratar o seu homem no BES, e ninguém lhe contava.

Bento pensou que vinha para presidente do BES. Aceitava por amor à pátria ser o novo DDT mas, quando a tempestade acabou, sobrava um quiosque com cautelas. Ainda por cima para vender, rapidamente, porque vão fazer uma casa de hambúrgueres. Era de menos para o seu espírito de missão.

Carlos Costa, que já tinha tirado o tapete a Bento – pressionado por um PM que quer que tudo se lixe menos as eleições – já estava à procura de uma nova barriga de aluguer. Alguém que não deixe morrer o banco enquanto os novos pais não o vêm buscar. Soubemos, mais tarde, que a barriga veio de Londres, e confirmou-se que era alugada.

Não vai ser fácil a vida de Stock da Cunha. O Lloyds já avisou que o emprestam, mas que não o aceitam de volta se vier com muitos riscos ou vícios. O Vítor Bento passou de iluminado a pessoa que não percebia nada daquilo, num mês. O Novo Banco é um cemitério de gente séria. Espero que estando o Doutor Stock emprestado, só lá vá à tarde.»

João Quadros

18.9.14

Lido por aí (116)


@João Abel Manta


* Da Escócia à Jugoslávia (Viriato Soromenho-Marques) 

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Diálogo de Antónios



Na Visão de hoje, Ricardo Araújo Pereira imagina um diálogo entre António José Seguro e António Costa.

- Que disparate. Estou ofendido com o facto de te sentires ofendido, António.
- Estas ofensas pessoais são consequência da tua falta de ideias. Só tens seis propostas e meia.
- Sempre são seis proposta e meia a mais do que tu tens.
- É falso. Sei exactamente o que é necessário fazer. O País precisa de fisioterapia. E eu preciso de metáforas melhores. (...)

- Só me demito de tiver de aumentar os impostos.
- Nos últimos 40 anos, conheces algum primeiro-ministro que não tenha aumentado os impostos?
- Isso é verdade. Mas fica-te mal, António.

Na íntegra AQUI.
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That's the question



To be Scottish or not to be. 
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Um furacão chamado BES



«A União Europeia está recheada de políticos poderosos que não têm vida nem pensamento próprio. Que são verdadeiras fotocópias desfocadas daquilo a que outrora se chamava estadistas ou, pelo menos, políticos com ideais e ideias.

Grande parte da elite de Bruxelas assemelha-se a salmões de estufa: têm todos a mesma cor e o mesmo sabor. Ninguém consegue diferenciar um do outro. Durão Barroso conseguiu juntar o melhor desta brigada do reumático. Um dos mais ilustres membros desta ínclita geração dá pelo nome de Joaquín Almunia, que decidiu discorrer sobre os problemas do BES/Novo Banco. Para o ilustre comissário, "em ordem a ser viável, o Novo Banco deve ser vendido e integrado num banco que seja capaz de continuar as suas actividades de maneira viável". Ou seja, venda-se depressa e em força. (...)

Cai o BES e Passos Coelho treme que nem varas verdes. A queda do BES não era um trovão: é um furacão. No meio de tudo isto, entende-se que só a UE e o BCE tinham, há muito, uma ideia sobre a banca portuguesa: queriam bancos pequenos, sem ligações exteriores (...), ou dependências de bancos estrangeiros. A implosão do BES veio a calhar. E assim, cada vez mais, Portugal estará mais dependente do exterior para ir pagando dívida enquanto acumula mais dívida. Almunia cumpriu a sua missão.»

Fernando Sobral

17.9.14

Continua a dança das borboletas

Lido por aí (115)


@João Abel Manta

* O que fazemos quando somos milhões? (Nuno Ramos de Almeida) 


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Em prol da natalidade


Para desanuviar, este texto recebido por mail:

«Sentença proferida em 1487 no processo contra o Prior de Trancoso» (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Armário 5, Maço 7)

«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.
Total: duzentos e noventa e nove filhos, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres.»

«El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo, e mandou arquivar os papéis da condenação.»

El-rei D. João II não usava Excel, nem sabia o que era IRS, mas bom senso não lhe faltava! 
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16.9.14

Mostrar, ou não, imagens de decapitações



Crónica de Diana Andringa, hoje, na Antena1:

Embora os mais visíveis entre eles – quase sempre do universo televisivo – ascendam, a meu gosto vezes demais, àquela espécie de glória que é ser capa de revistas cor de rosa, não creio que a maioria dos jornalistas portugueses escape à cruel frase de Weber, de que o jornalista “pertence a uma espécie de casta de párias, que é sempre vista pela sociedade em termos dos seus representantes eticamente mais baixos.” “Disparar sobre o jornalista”, antes de ser palavra de ordem de grupos armados, é fácil desporto de café ou autocarro, esquecendo, quase sempre, os severos críticos que aqueles que criticam trabalham muitas vezes – como o mesmo Weber lhes faz a justiça de reconhecer – “em condições tais que põem à prova a segurança interior como, porventura, nenhuma outra situação”.

De quando em vez, no entanto, surge um problema que, obrigando à reflexão dos jornalistas, acaba por ser tema de debate dos restantes cidadãos. Um caso típico, até por se relacionar com o futebol, foi o caso dito do off-the-record. Na altura membro da direcção do Sindicato, era interpelada em táxis, lojas, restaurantes, sobre esse termo da gíria profissional que se tornara propriedade do cidadão comum.

Desta vez o debate trava-se em torno de mostrar, ou não, as imagens da decapitação dos jornalistas James Foley e Steven Sotloff. De um e outro lado há argumentos válidos, mas em quase todos os textos que li, defendendo a exibição dos vídeos, se admite evitar o momento da decapitação – ao mesmo tempo que se discute se a desagradabilidade das imagens é condição suficiente para as ocultar – ou se, pelo contrário, essa desagradabilidade é uma forma de denunciar a atrocidade.

As circunstâncias são novas, mas, para os jornalistas, não é um debate novo. Nem por isso penso que haja, a esse respeito, uma resposta definitiva . Para mim, a palavra basta: sim, é preciso que se saiba que estes homens vão ser, ou foram, decapitados. Mas mostrá-los, de joelhos, ameaçados pelo executor, com o uniforme laranja que os iguala aos presos de Guantanamo ou Abu Grahib, mas identificáveis pela imagem, identificados pelo nome, dizendo palavras que não são livres, mostrá-los parece-me somar ao assassínio a humilhação. Há também, claro, o efeito do terror, procurado pelos seus captores. Mas penso, sobretudo, que as vítimas merecem que proteja a intimidade dos seus últimos momentos. Que me recuse a testemunhar o seu medo.

Não sei se tenho razão, se erro profundamente. Mas sei que nestes momentos em que um acontecimento numa terra longinqua se torna um debate ético para cada um de nós, o jornalismo se cumpre. Na dúvida, na incerteza, no erro, mas na responsabilidade.


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Um dia vamos dizer


«Eu ainda sou do tempo em que não tínhamos na Assembleia da República Marinho e Pinto, José Cid e outros que tais».
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Acabaram-se as borboletas



 Pedro Santos Guerreiro, no Expresso diário de ontem.

«A venda apressada vai permitir fechar o dossier mas ao mesmo tempo deixar claro o prejuízo depois de uma injecção de quase cinco milhões de euros. E uma gestão que será avaliada pela velocidade e preço de venda não tem incentivo de construir, mas de controlar a destruição.»
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15.9.14

Lido por aí (114)

Há dois anos foi assim

Europa: fantasma ou não



«É preciso arranjar vitórias para se esconder as contínuas derrotas da Europa. Bruxelas não ouve os povos que administra e a sua balofa burocracia perdeu-se nos seus próprios interesses, como no castelo de Kafka.

Cada vez mais irrelevante a nível global, a Europa não percebe que as "reformas estruturais" não são uma barragem que possa impedir a inundação da deflação, o desemprego crónico e o estilhaçar das fronteiras. Toda a arquitectura criada após 1945, baseada na santidade das fronteiras e no Estado social que equilibrava as sociedades, está a implodir. (...)

Se a Escócia votar pela independência, poucos duvidam que o dique ceda: a Catalunha correrá para a mesma porta de saída e, depois, virão os flamengos na Bélgica. E sabe-se lá se a Itália não cederá. A Crimeia mostrou que a Europa não tem força para garantir as fronteiras de 1945. Vladimir Putin, olhando para a fotografia de Pedro, o Grande, que tem na sua secretária, sabe que pode não ter a forma económica toda, mas tem o poder militar. E essa a Europa deixou de ter, julgando que tudo se resolveria se fosse uma potência económica exportadora, algo que deixou de ser.

A Europa sucumbe: a França não vai cumprir o défice prometido para este ano, nem para o próximo. E se não cumprir como pode Bruxelas exigi-lo aos outros, afogados entre o fim do crescimento e o desemprego lancinante? Talvez Juncker e Draghi consigam, num último fôlego, conseguir mostrar que a UE tem vida própria. Ou se é um fantasma com medo de si próprio.»

Fernando Sobral

14.9.14

Um título que diz tudo

Lido por aí (113)


@João Abel Manta

* The west is not a model for the rest

* Querido demócrata español (Sandra Ezquerra)

* Verano pasado (Antonio Muñoz Molina)
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Lá vão elas


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Catalunha e «Podemos»



Que têm em comum dois fenómenos tão diferentes para semearem tanto pânico em Espanha?

«Podemos» representa a tentativa de transformar politicamente movimentos sociais que quebraram a utopia da Invisibilidade e deram rosto e voz às vítimas da crise, ferindo o bipartidarismo que é hoje a expressão de um regime fechado, opaco e gripado. O soberanismo catalão é uma mistura de partidos convencionais e de mobilização popular que encontrou um catalisador na campanha contra o Estatuto da Catalunha de 2006 e deu um salto qualitativo na manifestação em 11 de Setembro de 2012. Diferentes são as origens, a composição, o imaginário e os objectivos, mas ambos geram preocupação crescente nas elites, porque o que têm em comum é que pedem outro tipo de distribuição do poder. E no poder não se toca.

Muitos partiram para a defesa da independência com a esperança de tentar algo novo, e muitos votaram «Podemos» como grito contra uma democracia blindada. Ou continua a deriva para um autoritarismo pós-democrático de um regime demasiado vertical, ou avançamos para uma democracia mais horizontal, mais própria de uma sociedade aberta.

(Daqui)