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27.9.14

Lido por aí (122)


@João Abel Manta

* Europe’s Austerity Zombies (Joseph E. Stiglitz)

* Poll gives SYRIZA clear lead

* Perdoa-me (José Manuel Pureza)
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Foram 40 anos



Nicolau Santos, na caderno Economia do Expresso de hoje.
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Para grandes males, grandes remédios


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27/9/1968? Foi assim



No dia 27 de Setembro de 1968, tomou posse o governo chefiado por Marcelo Caetano e começou a chamada «Primavera Marcelista». Muitos portugueses ouviram, atónitos, uma palavra desconhecida – «ciclópicos» –, numa frase que viria a marcar o discurso do novo presidente do Conselho de Ministro: «Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo.» (Texto do discurso aqui.)

Na véspera, às 20:00, Américo Tomás tinha anunciado a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, neste sinistro discurso:



Muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que não era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...) e acreditaram no possível sucesso de uma «evolução na continuidade». Mas foram também muitos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças – com razão, o desfecho é conhecido. 
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26.9.14

Eu ainda sou do tempo


... em que o Centro de Informática do Ministério da Justiça era a jóia do coroa da administração central, em termos de tecnologias da informação.

O vídeo que voltou hoje à boca de cena



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Gal Costa, 26/9



Nasceu em Salvador, em 26 de Setembro de 1945 e ainda canta por aí, 49 anos depois de se ter estreado ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, no espectáculo Nós, Por Exemplo...

Quem não se lembra da sua «Modinha para Gabriela», de Dorival Caymmi?




E mais, muito mais:






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Percalço?



A questão do Citius é demasiado importante para ser abafada, na opinião pública, por novos episódios que, entretanto, agitam as mentes. Não só mas também pelo meu passado profissional, ligado às Tecnologias de Informação, tenho seguido o assunto de perto. No Público de hoje, Francisco Teixeira da Mota volta ao assunto. Alguns excertos:

«Infelizmente, receio que o voluntarismo da ministra não nos leve muito longe. Receio mesmo que estejamos a assistir a uma história muito mal contada e que os próximos episódios, por maiores que sejam os cuidados na escolha das palavras para os classificar, sejam de estarrecer. Receio que uma reforma judiciária cheia de potencialidades e que visava criar uma realidade judiciária moderna em que os tribunais finalmente começariam a prestar contas às populações, vá ficar marcada – ou acompanhada – para sempre por este gigantesco retrocesso informático.

Receio mesmo que não seja possível nos próximos meses (?) voltarmos a ter os processos a correr normalmente, tal como acontecia na plataforma Citius até ao dia 1 de Setembro. (...)

O trabalho de descredibilização da reforma judiciária e da classe política feito pela ministra da Justiça nestes últimos dias – deixo de lado os seus actores secundários imolados nos ecrãs televisivos – é algo de que um dia se virá – espero eu – a arrepender. A forma como fingiu que pedia desculpa entraria para o Guinness não fosse o facto de o seu colega da Educação, na mesma altura, ter conseguido no Parlamento ultrapassar estrondosamente a sua falta de arrependimento e humildade.»
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25.9.14

Ai que isto já deve ter chegado aos «mercados»!

Carta a Portugal



Carta de Ricardo Araújo Pereira a Portugal sobre comida, língua e clima, na Visão de hoje:

«Isto do clima não pode continuar. Este Verão foi muito fraco. (...) A gente tolera a corrupção, a injustiça, a inveja, o subdesenvolvimento e tudo o mais que tu conseguires gerar. Mas tem de estar Sol. Se é para não haver Verão, (...) mais vale irmos para a Finlândia, onde as coisas funcionam. E a moral sexual das moças nórdicas é muito mais relaxada. Tens de escolher [, Portugal]: ou há regular funcionamento das instituições, ou há céu pouco nublado ou limpo. Vê lá isso, por favor.»

Na íntegra AQUI.
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Lido por aí (121)

Balanços



«Em Portugal estamos pior do que estávamos há três anos, com uma carga fiscal esmagadora, a consolidação orçamental por conseguir, uma dívida pública superior a 130% do PIB, uma taxa de desemprego a rondar os 15%, um crescimento quase nulo, os benefícios do "european way of life", designadamente a segurança social, em equilíbrio muito instável, uma crise institucional quase generalizada. Resta-nos a falsa vitória do regresso aos mercados, apresentado como uma grande conquista, que afinal nada tem a ver com a bondade da situação portuguesa, mas com a procura de segurança dos capitais que circulam livremente e que, em conjunturas menos favoráveis noutras geografias, procuram nas economias amadurecidas um porto de abrigo mais fiável.

De resto, a situação da Europa é de stress e de crise: na defensiva quanto à Ucrânia, sem uma estratégia diplomática que vá para além das sanções económicas sobre a Rússia; o "day after" do referendo da Escócia e a necessidade de repensar a posição do Reino Unido na UE; as réplicas que alguns nacionalismos, há séculos postos em surdina, podem provocar, a cada vez mais visível existência de duas Europas e a falta de capacidade de liderança demonstrada pela Alemanha, encapsulada nos seus preconceitos e atavismos, vai gerindo os seus equilíbrios sem conseguir perceber que a Europa é plural e que esse pluralismo constitui a sua maior força.

Não se trata de uma Europa a várias velocidades, mas verdadeiramente da existência suicidária de duas Europas na Zona Euro: uma a Norte onde o crescimento já vai dando provas de enfraquecimento, mas o estado social resiste e o desemprego se mantém a taxas aceitáveis e outra a Sul, onde as políticas de austeridade e as reformas estruturais, envolvendo a redução violenta do sector público e a privatização de sectores estratégicos, acentuam as desigualdades, e vão minando o crescimento económico. O efeito combinado destas divisões está a corroer os alicerces da União Europeia e a reacender nacionalismos e populismos.»

José Maria Brandão de Brito

24.9.14

John Malkovich?



Este e mais 15 trabalhos de Sandro Miller. Vale a pena ver AQUI.
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Lido por aí (120)

Ele aí está



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Nós e os sírios



Ontem à noite, mais de um milhão de pessoas terá assistido a um debate pífio, entre dois candidatos de gravata vermelha, que se digladiaram baseados em diferenças irrisórias, prometendo um futuro com um pouco de mel e menos espinhos, sem demonstrarem qualquer golpe de asa, que pudesse dar esperança a quem não se contenta com a expectativa de poder aplaudir males menores.

Assim que o dito debate acabou, li que o número de refugiados sírios que fugiram para o território turco, nos últimos cinco dias, chegou a 150 mil e julga-se que atingirá em breve 500.000. Juntaram-se ao milhão de pessoas com o mesmo destino, desde 2011, mas o fluxo desta última semana foi o maior já registado até agora.

Desçamos à terra. O dia 28 de Setembro e o resultado de umas estranhas eleições paroquiais terão uma importância tão, mas tão poucochinha!... 
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23.9.14

Neruda, 23/9



Pablo Neruda morreu num 23 de Setembro, há 41 anos, 12 dias após o golpe de Estado contra Allende, no Chile. É pouco conhecido que não se candidatou às eleições presidenciais de 1970 porque considerou que Allende teria mais possibilidade de as vencer, como veio a verificar-se.

Pretexto para recordar duas poesias e a sua inconfundível voz.




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TAP: mal vai uma das nossas bandeiras...



Teve lugar mais um incidente com aviões da TAP, neste caso num voo que saiu de Lisboa com 260 pessoas a bordo e que devia ter aterrado em Luanda mais ao menos à mesma hora que o fez... em Lisboa, quase 8 horas depois de ter partido. Porquê? Porque foi detectada uma avaria num dos quatro reactores, que exigia reparação mas que não impedia que a viagem prosseguisse até à capital angolana.

Isso não aconteceu, e passo a citar o responsável máximo da companhia, Fernando Pinto, «porque se o avião tivesse aterrado em Luanda teria de aguardar pelo menos três dias até concluir a reparação».

Ou seja: por limitações técnicas em termos de manutenção (de pessoas ou peças, é indiferente), 260 pessoas foram altamente incomodadas e não consta que tenham sequer recebido qualquer indemnização pelo facto. E acabaram por chegar ao seu destino, num outro avião, 14 horas depois do previsto.

Eu ainda sou do tempo em que se dizia que os clientes estavam sempre primeiro. Há alguns anos que não oiço essa frase. Foi-se com o vento da pequena história.
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Lido por aí (119)


@João Abel Manta

* A não aceitação capilar do mundo (Nuno Ramos de Almeida)

 * O preço que vamos pagar (José Pacheco Pereira)

* Contra la foscor del TTIP (Rafel Borràs)
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Passos Coelho «forever»




Vale a pena ler este texto de Nicolau Santos, publicado no Expresso diário de ontem, 22/9/2014. 
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22.9.14

Salsicha educativa?

Culpa e vergonha (ou falta dela)



«Assumindo assim a "culpa política", os ministros dormem que nem uns santos injustiçados. Porque a "culpa política" vive hoje em Portugal independente da "vergonha". Isso desapareceu do comportamento moral da elite portuguesa. Assume-se a culpa como se fosse uma mancha de café ou de ketchup na camisa. Lava-se e esquece-se. E transfere-se. Afinal o que é assumir a "culpa política"? Não há sanção para isso.

Assim um ministro pode descarregar a punição na "culpa técnica" e essa sim é sujeita a uma sentença. Para se sentir culpa alguém tem de reconhecer que errou, que desobedeceu a um qualquer princípio. Quando se assume uma "culpa política" acredita-se que ela foi inocente e que, portanto, é perdoável. O técnico é que carregou no botão para que o Citius ou a fórmula de escolha estivesse errada. Os ministros estão acima destas coisas mortais. São deuses, acredita-se neste Governo. No fundo, neste país, o culpado é a vítima.»

Fernando Sobral

Lido por aí (118)

PSOE um pouco aflito?



No início do passado mês de Agosto, o Centro de Investigaciones Sociológicas divulgou os resultados de um barómetro, que colocavam o Podemos como terceira força política em Espanha, com 15,3% das intenções de voto, logo atrás do PSOE com 21,2% e do Partido Popular com 30%.

Desde então, soaram campainhas de alarme nas hostes do novo líder socialista Pedro Sánchez que se desdobra em discursos de distanciamento e de ataque ao Podemos. Há dois dias garantiu «rotundamente» que o PSOE não fará, «nunca e em nenhum caso», acordos com a nova força política nas eleições autonómicas e municipais do próximo ano, acusando-a de pôr em causa o «Estado del Bienestar».

«La irrupción de Podemos en el panorama político español preocupa a la alta clase empresarial y financiera, que considera que sus planteamientos dañan la imagen del empresario y sus soluciones conducen a la ruina a la economía nacional». Por isso mesmo, Pedro Sánchez sossega-os.

Qualquer que seja a evolução de Podemos, a curto e a médio prazo, a verdade é que já abanou (e de que maneira!) a estrutura partidária espanhola. Ocupou, indiscutivelmente, um espaço que, neste nosso país, continua e vai continuar vazio. São anunciados novos partidos, dia sim dia sim, mas todos a anos de luz do que Pablo Iglesias & friends lançaram em Espanha. Porquê? That's the one million dollar question! 
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21.9.14

2014, num Mar perto de si


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Mais um a chegar aos 80



Leonard Cohen, evidentemente, hoje lembrado um pouco por todo o mundo, com notas biográficas, episódios de carreira, fotografias e sons. Inútil insistir.

Ficam aqui duas do seu novo álbum Popular Problems:






Esta, obviamente incontornável:




E a minha preferida durante décadas:


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Lido por aí (117)


@João Abel Manta

* José Mujica: is this the world’s most radical president? (Giles Tremlett)

* Contra o "ou nós ou o dilúvio" (Manuel Carvalho da Silva)

* Juzgar el franquismo, asignatura pendiente (Xavier Caño Tamayo)
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Sem desculpa



«Um ministro que tem a humildade de vir a público pedir desculpa por erros cometidos nos serviços sob a sua tutela deve, por norma, ser encorajado e respeitado por se empenhar na prestação de contas à sociedade. (...) O que esta relação entre a práxis recente e o pedido de desculpas pretende esclarecer é o grau de sinceridade da contrição. Convém saber se essa abertura para reconhecer em público que algo falhou resulta de uma atitude normal e saudável numa democracia avançada, ou se aconteceu apenas por interesse próprio, ao jeito de quem quer salvar a pele à custa da compaixão do público. (...)

As desculpas aceitam-se facilmente quando os erros acontecem por acidente, quando não são pautados por dolo ou por negligência. No caso da hecatombe do Citius, que deixou o sistema judicial sem acesso a mais de três milhões de processos, nada disto aconteceu. A ministra deveria ter suspeitado que o sistema informático podia estourar com a famigerada reforma do mapa judiciário. Mais, o seu braço direito no processo, Rui Pereira, teve o desplante de dizer à TSF que “este colapso estava pré-anunciado, mas não havia possibilidade de desenvolver uma plataforma alternativa num curto espaço de tempo”. Perante tantas dúvidas, Paula Teixeira da Cruz deveria ter adiado a reforma. Não o fez. E pôs toda a área que tutela enquanto ministra ou no caos (estado que nega) ou perto disso.

Se no ministério de Nuno Crato se podem adivinhar atitudes de incúria, de iliteracia matemática ou de irresponsabilidade num detalhe da governação que não tem de passar pelo gabinete do ministro, neste caso estava em causa uma reforma na qual Paula Teixeira da Cruz investiu todo o seu capital político. (...) A sua reforma, a peninha no chapéu do seu mandato, acabaria por correr pior do que todas as previsões. Um pouco de sentido de respeito pelos cidadãos não a levaria por certo a pedir desculpas. A não ser que, acto contínuo, apresentasse a sua demissão do cargo. Não o fazendo, o pedido que apresentou soa a apelo de lobo à compaixão da ovelha. Não merece consideração.»

Manuel Carvalho