6.2.15

Grécia. Voto como exercício de legítima defesa



«O BCE fez de Átila, o reino dos hunos. Ou melhor, tornou-se o mercenário oficial da sede de vingança contra o grito de revolta do povo grego e, no fundo, de todos os povos que estão fartos da paz podre em que vive a União Europeia. (...)

Quem não seguir as regras autoritárias de Berlim e Frankfurt tem o caminho de saída do euro aberto. É triste, porque a vitória do Syriza tinha tido o mérito de colocar a Europa a discutir o futuro e as consequências desta política de austeridade. Tinha agitado as águas. Até porque nos mostrava que poderia haver uma outra forma de diálogo entre as urnas e o mercado, entre a democracia e o dinheiro. A crer na burocracia da UE, não há. (...)

Os gregos não se tornaram extremistas de esquerda de um dia para o outro. Os gregos decidiram recorrer ao voto, como exercício de legítima defesa. A UE e o BCE, pelos vistos, querem tudo menos democracia (como aliás se vê nas conversações às escondidas sobre o pacto comercial transatlântico). Os gregos votaram no Syriza para recuperarem a dignidade. O BCE impede isso.»

Fernando Sobral