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21.9.15

21.09.2012 – Quando a TSU era sagrada



Seis dias depois da manifestação de 15 de Setembro, fomos milhares os que estivemos em frente ao Palácio de Belém, à espera das conclusões de uma reunião do Conselho de Estado.

Durante muitas horas, milhares de pessoas em Lisboa, e muitas outras espalhadas pelo país, deram ao conclave e aos seus membros a importância suficiente para esperarem, de pé, e lançarem gritos de protesto, de apelo e de raiva. Continuaram o que várias centenas de milhares de portugueses tinham começado alguns dias antes.

A reunião do dito Conselho durou oito horas e emitiu um comunicado, inócuo, incolor e inodoro, mas que incluía o único parágrafo que interessava: «O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única». Era de esperar outra coisa? Não, de modo algum. A batalha tinha sido ganha antes disso. Na rua.

Passaram três anos. A TSU não foi alterada em 2012, mas outras medidas não menos gravosas substituíram-na e pioraram a vida dos portugueses. E a sigla TSU, que nessa noite pareceu representar uma realidade intocável, tornou-se um joguete no meio de outros. Assistimos hoje a diatribes que a envolvem em contas de somar e de sumir, misturada com plafonamentos deitados ou verticais, entre protagonistas que usam contabilidades mais ou menos escondidas sobre Segurança Social como arma de arremesso eleitoral. A noite de 21 de Setembro de 2012 ficará como símbolo de tempos que passaram? Tempos de inocência? 
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